A condenação do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) a 6 anos e 5 meses de prisão e do colega dele, Pastor Gil (PL), a 5 anos e 6 meses, em regime semiaberto, pelo Supremo Tribunal federal (STF), por crimes praticados para desviar recursos de emendas parlamentares, além entrar para a história como o primeiro caso em que parlamentares vão parar na cadeia por conta desse abusivo desvio de função, terá um impacto cataclísmico no tabuleiro da política maranhense. Como a condenação impõe, além da prisão, inelegibilidade por oito anos, ou seja, duas eleições, o grupo criado por Josimar de Maranhãozinho corre o risco de se esfacelar, mesmo que a deputada Detinha, sua mulher, venha a comandar o PL se reeleger.
No que respeita à condenação e os seus motivos, nenhuma novidade. O processo nasceu de uma denúncia do então prefeito de São José de Ribamar, Eudes Sampaio (PTB) à Polícia Federal (PF) dando conta de que estava sendo achacado pelo agita Pacovan – assassinado no ano passado -, que lhe cobrava R$ 1,5 milhão por conta de uma emenda no valor de R$ 6 milhões enviada para o município pelo deputado Josimar de Maranhãozinho. A PF comprovou tudo na sua investigação. Josimar de Maranhãozinho e Pastor Gil foram denunciados e indiciados, responderam a processo, que acabou relatado inicialmente pelo ministro Flávio Dino. Ontem, sob a relatoria do ministro Cristiano Zanin, que optou pela condenação, no que foi seguido por todos os membros da 1ª Turma do STF, entre eles o presidente Flávio Dino. Sobre isso não há o que discutir, suprimir ou acrescentar.
O que está para acontecer na prática serão os desdobramentos dessa condenação no cenário político. Para começar, sem as candidaturas de Josimar de Maranhãozinho e de Pastor Gil, o braço maranhense do PL, sobram mais de 200 mil votos para deputado federal. Quanto ao comandado com mão de ferro e bom desempenho eleitoral no Maranhão, o PL mergulha numa densa nuvem de incertezas. Primeiro porque é incerto que com esse novo quadro, a direção nacional do PL continue prestigiando Josimar de Maranhãozinho, principalmente com a candidatura do senador Flávio Bolsonaro, cujo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, não gosta do parlamentar maranhense nem do seu grupo, já tendo inclusive tentado, sem sucesso, tirá-lo do controle.
Com Josimar de Maranhãozinho fora do páreo, duvida-se ele continuará no comando do partido, caso a sua prisão, mesmo em regime semiaberto, venha a ser confirmada. O caminho natural será ascensão da deputada Detinha ao comando do PL, mas nos bastidores corre que outros políticos da direita radical, como o ex-senador Roberto Rocha, pré-candidato ao Senado, e o deputado Yglésio Moises (PRTB), bolsonaristas de proa, têm interesse no partido, que tem cinco deputados estaduais e pelo menos três dezenas de prefeitos. Antes da condenação do marido, a deputada Detinha foi sondada pela cúpula nacional do PL para ser candidata ao Senado. A informação corrente é que ela estaria começando a simpatizar com a ideia. Com a decisão da Suprema Corte, esse projeto seria reforçado.
Na avaliação de alguns observadores, o grupo tem condições de sobreviver, ainda que amargando muitas perdas. Sem Josimar de Maranhãozinho e Pastor Gil na chapa, Detinha teria condições de se reeleger e fazer pelo mais um deputado federal, usando parte dos 150 mil votos deixados pelo marido, que mesmo preso e inelegível, tem condições de salvar pelo menos grande parte das suas bases eleitorais. O grupo teria também condições de fazer uma bancada de pelo quatro deputados estaduais.
Mas a pergunta que se faz no meio político é: para onde irá o grupo de Josimar de Maranhãozinho na corrida ao Palácio dos Leões. Inicialmente, deputados do PL flertaram com o vice-governador Felipe Camarão (PT), mas aproximação não prosperou. Depois, andaram conversando com o governador Carlos Brandão (sem partido), mas também não foi além. Ultimamente, a impressão geral era a de que Josimar de Maranhãozinho e seu grupo estariam da iminência de apoiar o prefeito Eduardo Braide (PSD), caso ele saia candidato a governador, com a possibilidade da deputada federal Detinha fazer dobradinha com a senadora Eliziane Gama (PSD) na corrida ao Senado. Com a decisão da Suprema Corte, até as especulações terão de ser revistas.
O fato é que a saída cena de Josimar de Maranhãozinho causará uma mudança expressiva no cenário político estadual.
PONTO & CONTRAPONTO
Orleans cumpre agenda apertada como secretário e como presidente do MDB
Confirmado pré-candidato do MDB ao Governo do Estado, Orleans Brandão está cumprindo uma agenda intensa com duas frentes. Permanece no cargo de secretário de Assuntos Municipalistas, do qual só será exonerado no dia 31, conforme programação definida pelo governador Carlos Brandão (sem partido) e atua como presidente estadual do partido.
Como secretário, vai continuar conversando com prefeitos e inaugurando e anunciando obras no interior até o último dia no cargo. Como presidente do partido, acompanha as articulações para a formação da chapa de candidatos a deputado estadual e a deputado federal.
No campo partidário, o maior desafio será definir, de uma vez por todas, quem será quem para as duas vagas de senador. É voz corrente que o senador Weverton Rocha (PDT) já estaria definido para uma vaga, o mesmo acontecendo em relação ao ministro André Fufuca (PP).
Muitos querem saber o que há de verdade nos rumores segundo os quais a deputada Iracema Vale (MDB) e a deputada federal Roseana Sarney (MDB) também estariam no páreo.
Iracema amplia laços políticos ao se tornar Cidadã de Timon

e outras mulheres na Câmara Municipal de Timon
Em meio a especulações sobre o seu futuro em relação às urnas de outubro, a deputada-presidente Iracema Vale (MDB) segue articulando bases para disputar, pelo menos, uma cadeira na Câmara Federal, se não vier a ser candidata ao Senado, como alguns estão propondo.
Ontem, por exemplo, ela foi distinguida com o título de Cidadã Timonense, concedido pela Câmara Municipal de Timon, por iniciativa da vereadora Amanda Pires (PSB) e aprovada por unanimidade. A entrega do diploma aconteceu em sessão solene do parlamento timonense para a 2ª edição do projeto “Mulheres que Transformam”, por meio do qual os vereadores de Timon homenageiam mulheres que se destacam.
O mesmo título foi concedido à deputada Daniella Jadão (MDB), procuradora da Mulher no parlamento estadual, que apoiou, com parceria, o projeto da Câmara timonense. Outras mulheres de destaque de Timon também foram homenageadas.
Visivelmente satisfeita com a honraria, a presidente da Assembleia Legislativa agradeceu aos vereadores timonenses afirmando que o título a motiva a assumir compromissos com a população de Timon.
– A partir de agora, Timon ganha mais uma filha. Estarei sempre à disposição deste município e de todas as cidades do nosso estado – assinalou a chefe do Legislativo estadual, numa fala clara de quem pretende exercer um mandato majoritário.
São Luís, 18 de Março de 2026.

