Com liderança em risco, Eliziane corre em busca de partidos para formar aliança e conseguir tempo na TV

 

eliziane e waldir
Eliziane Gama indica acerto com controvertido Waldir Maranhão (PP)

Fatos recentes revelaram, com muita clareza, que a deputada federal Eliziane Gama (Rede), apontada por pesquisas como líder na corrida para a Prefeitura de São Luís, sentiu fragilidade no lastro político e partidário que a vinha sustentando e resolveu abrir canais de negociação com qualquer partido interessado em participar de uma aliança que a tenha como candidata. Antes cuidadosa, exibindo uma ação política mais seletiva, que não admitia aliar-se a “certos” grupos, a Eliziane de agora é uma pré-candidata pragmática, que não discrimina quem quer aliar-se ao seu projeto, mesmo se tratando de adversários de outrora e de líderes não bem encaixados hoje nos princípios da ética, que ela vinha defendendo como representante do PPS na CPI da Petrobras, por exemplo. A pré-candidata em ação parece disposta a fortalecer seu cacife eleitoral de qualquer maneira, mesmo correndo o risco de pagar um preço político muito alto no futuro, caso sua caminhada para a Palácio de la Ravardière não ultrapasse a Praça João Lisboa.

Com ar de fenômeno pela votação espetacular que alcançou na disputa de 2014 para a Câmara Federal (133 mil votos) e com o espaço que alcançou no seu primeiro ano como deputada federal, Eliziane Gama se credenciou para concorrer à Prefeitura com o aval incondicional do PPS, que a colocou como uma das suas prioridades em todo o país, não só para as eleições municipais deste ano, mas também em projetos eleitorais futuros. Ficou claro que o já cansado comando da velha agremiação comunista reservava para ela um lugar de proa no contexto partidário. A deputada, no entanto, parece não ter feito a leitura correta do que começava a representar para o PPS e, provavelmente seduzida por cantos da floresta, abandonou o berço comunista que a acolhera e entregou o seu presente e o seu futuro à Rede Sustentabilidade, uma versão do Partido Verde de nome estranho, sem lastro e cujo principal traço de personalidade é a ex-senadora acreana Marina Silva.

Se tivesse permanecido no PPS, entraria na corrida para a Prefeitura de São Luís com identidade política clara, em condições, portanto, de sentar à mesa das negociações com alguns partidos alinhados, como o DEM e o PSDB, que com a agremiação comunista formam a trinca oposicionista que inferniza diuturnamente a vida do Governo do PT. E nesse jogo, poderia atrair outras agremiações. No entanto, sem nenhuma explicação lógica, entrou para a Rede, a não ser a provável certeza de que seria ungida como o braço avançado de Marina Silva no Maranhão. Mas o que aconteceu até agora foi exatamente o contrário: Eliziane Gama, com toda sua força eleitoral e o prestígio político, foi tratada como líder menor pela Rede, como revelaram dois eventos por ela organizados para mostrar-se como a extensão de Marina Silva no estado. O primeiro, no final do ano passado, foi sua filiação ao partido, esnobada por Marina Silva, causando à candidata um profundo mal-estar; o segundo, já em 2016, foi o lançamento da sua candidatura, que aconteceu também sem a presença da ex-senadora, que lhe deu o segundo bolo.

Os episódios causaram tanto desconforto e insegurança na pré-candidata, que ela andou sondando partido para se filiar. A descortesia de Marina Silva e a movimentação de Eliziane em busca de novo partido acendeu a luz vermelha no comando nacional da Rede, que ciente de que pisara na bola com a política maranhense, apressou-se em emitir uma nota cobrindo-a de elogios e reafirmando que a candidatura dela em São Luís é uma “prioridade” do partido – de Marina Silva, porém, nem uma palavra. A nota amenizou o mal-estar e a insegurança, mas não foi suficiente transformá-la numa candidata partidariamente consolidada.

Mesmo sem ter ficado plenamente satisfeita com a iniciativa do comando da Rede de apresentá-la com a devida dimensão, Eliziane Gama ganhou mais ânimo e resolveu montar uma agenda de conversas partidárias com o objetivo de iniciar a construção de uma aliança a mais ampla possível. Não exatamente para lastrear eleitoralmente sua candidatura – esses partidos não têm voto -, mas para conseguir o maior espaço possível no horário eleitoral na TV, onde espera consolidar sua vantagem usando o seu principal recurso: o dom da palavra, que tem feito dela uma comunicadora excepcional, com capacidade de encantar pessoas simples com um discurso simples, mas extremamente eficiente.

Por outro lado, ao se exibir para fotógrafos com líderes do Grupo Sarney e com o vice-presidente da Câmara Federal, deputado Waldir Maranhão, em busca do apoio do PP, Eliziane Gama parece disposta a correr em todas as direções do tabuleiro partidário, determinada a pagar o preço político que lhe for cobrado para obter o maior espaço possível na TV e, assim, chegar embalada na campanha que desembocará nas urnas. É uma estratégia arriscada, cheia de percalços, mas depois de todos os seus altos e baixos na seara partidária, é a que lhe sobrou diante do fortalecimento visível e consistente do projeto de obter mais um mandato colocado em prática pelo prefeito Edivaldo Jr. (PDT), que já ameaça de perto sua liderança.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Rose Sales deve deixar o PV e buscar outro partido

rose sales 1São cada vez mais fortes os sinais de que a vereadora Rose Sales está desembarcando do PV em busca de um partido que a aceite como candidata a prefeita de São Luís. A vereadora saiu do PCdoB depois de entrar em choque com o comando do partido, que decidiu não lhe dar a vaga de candidata à Prefeitura, preferindo manter o apoio ao prefeito Edivaldo Jr.. Rose Sales entrou no PV em clima festivo, com carta branca para, ela própria, viabilizar a sua candidatura articulando apoios político e partidário. Ela topou e, diga-se de passagem, fez o que pôde para se viabilizar, mas não conseguiu. O primeiro sinal de que seu projeto no Grupo Sarney havia fracassado foi a declaração, em meados de janeiro, dada pelo deputado estadual Adriano Sarney, admitindo conversas com o PMDB para apoiar um candidato pemedebista. Depois, vieram informações dando conta de que Rose Sales não teria futuro no partido, ao que se seguiu ela própria admitindo estar em busca de uma agremiação para candidatar-se, se não a prefeita, mas a novo mandato na Câmara Municipal. Nos bastidores, especula-se até uma improvável volta ao PCdoB ou possível ingresso no PPS, onde ocuparia o espaço que foi da deputada federal Eliziane Gama, mas como candidata a renovar o mandato na Câmara Municipal, de vez que a agremiação comunista já declarou apoio ao prefeito Edivaldo Jr..

 

Rubens Jr. defende prerrogativas de advogados

rubens jr 1O deputado federal Rubens Pereira Jr. (PCdoB) integrou um grupo de quatro deputados federais e 21 advogados que se reuniu nesta semana com o presidente do Conselho federal da OAB, Cláudio Lamachia, a quem pediram uma ação vigorosa da entidade para combater o que o grupo denunciou como violação de prerrogativas nas grandes operações policiais em curso no país, a começar pela Operação Lava Jato. Advogado por formação, o deputado federal Rubens Pereira Jr. já tinha levado à Câmara federal essa reclamação ao conhecimento da Câmara Federal. Na conversa com o presidente da OAB, os advogados informaram as dificuldades para acesso a cópias de processos e procedimentos, inclusive com decisões de indeferimento, ainda precisam ser superadas. Afirmaram, ainda, que estão preocupados com a inviolabilidade dos seus escritórios. Cláudio Lamachia se comprometeu a repassar essas informações ao procurador nacional de prerrogativas assim que nomeá-lo e que, até isso acontecer, cuidará pessoalmente do assunto. Para o deputado Rubens Jr., o encontro foi importante para defesa da classe advocatícia: “Estamos numa luta em defesa das prerrogativas dos advogados, que é a defesa da sociedade. Especialmente em tempo de flexibilização da presunção de inocência,” destacou.

 

São Luís, 26 de Fevereiro de 2016.

 

 

 

 

 

 

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