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Em clima de impasse, Brandão e a cúpula nacional vão decidir o destino do PSB até o final do mês

Sem se abalar com a indefinição no PSB, Carlos
Brandão cumpre agenda intensa no interior,
como sábado, em Alto Alegre, onde, junto com o ministro André Fufuca, entregou cartões do Fome Zero e títulos de terra

A tsunami de indefinições que invadiu o tabuleiro da política maranhense, desdobramentos previstos do rompimento que colocou em campos opostos o governador Carlos Brandão e o grupo remanescente da aliança liderada pelo ex-senador Flávio Dino, agora ministro do Supremo Tribunal Federal (e para todos os efeitos fora da política), pode produzir o seu primeiro resultado nesta semana com dois eventos relacionados ao futuro do PSB, hoje controlado no estado pelo governante maranhense. Um será a visita do vice-presidente Geraldo Alckmin, provavelmente na quarta-feira (30), e o outro será uma nova reunião do governador com o presidente nacional da legenda, o prefeito do Recife, João Campos. A soma dos resultados   desses dois eventos deve definir o destino do PSB no Maranhão.

No momento, o braço maranhense do PSB – que tem o governador, um deputado federal, 11 deputados estaduais, entre eles a presidente da Assembleia Legislativa, 19 prefeitos e uma legião de vereadores –   está travado por um impasse. Sob forte pressão do chamado grupo dinista e aliados, o comando nacional da legenda decidiu tirá-la do controle do governador Carlos Brandão e entrega-la à senadora Ana Paula Lobato, que está saindo do PDT. O governador Carlos Brandão não aceita a decisão da cúpula. O governador e o presidente se reuniram em Brasília na semana passada, e numa conversa longa e difícil, o presidente João Campos pediu o controle do partido, mas o governador Carlos Brandão se recusou a entregar, levando o encontro a um impasse. Os dois acertaram uma nova reunião nesta semana, depois que o governador conversar com o presidente Lula da Silva (PT).

Uma solução poderá ser encaminhada nesta semana, com a vinda do vice-presidente Geraldo Alckmin a São Luís. Hoje o quadro mais importante do PSB e conhecido pela sua moderação – tanto que foi escalado pelo presidente Lula da Silva para comandar o grupo de negociadores brasileiros na crise do tarifaço do presidente norte-americano Donald Trump -, o vice-presidente da República pode ser o mediador ideal para essa crise, a começar pelo fato de que cultiva relação de amizade com o governador Carlos Brandão, construída desde que os dois militaram por longo tempo no PSDB.

O impasse continuava na noite de sábado, com o comando nacional da legenda mantendo a decisão de retomar o controle do PSB e o governador Carlos Brandão decidido a manter o controle sobre a legenda no Maranhão. Mais do que isso: para a direção nacional, o problema tem de ser resolvido antes do fim do recesso parlamentar, no dia 02 de agosto.

O roteiro está definido e não há mais surpresa. Se o governador Carlos Brandão e seu grupo deixarem a legenda, o controle do PSB será entregue à senadora Ana Paula Lobato e terá como braço forte o deputado Othelino Neto, com a permanência de deputados estaduais e prefeitos identificados com o grupo dinista, como é o caso de Carlos Lula e Francisco Nagib. Mas se o controle permanecer com o governador Carlos Brandão, a estrutura do partido continuará como está, devendo perder os dois deputados dinistas. Nesse contexto, não se sabe exatamente qual será o destino do deputado federal Duarte Jr., o único representante socialista na bancada federal do PSB.

Se vier a deixar o PSB, o governador Carlos Brandão e seu grupo migração para o MDB, controlado por seu irmão, o empresário Marcus Brandão, reforçando ainda mais a sua já consolidada relação com o que restou do grupo Sarney, o que aumenta o seu poder de fogo político e eleitoral. No MDB, Carlos Brandão reforçará a candidatura de Orleans Brandão ao Governo do Estado, pois sabe que ele vai enfrentar o vice-governador Felipe Camarão (PT), que não abre mão de ser candidato “em qualquer circunstância”. E muito provavelmente o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), que lidera a corrida, segundo todas as pesquisas que mediram a disputa aos Leões no último ano.

PONTO & CONTRAPONTO

Saída de Brandão atiça e torna indefinida a corrida ao Senado

Weverton Rocha, Eliziane Gama, André Fufuca e Pedro Lucas Fernandes
estão definidos; já Roberto Rocha, Roseana Sarney, Hilton Gonçalo
e César Pires estudam o cenário para se posicionar

A decisão do governador Carlos Brandão de não concorrer ao Senado alterou radicalmente, como previsto há tempos pela Coluna, a equação dessa disputa. Para começar, quatro pré-candidatos assumidos – os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD) e os deputados federais André Fufuca (PP) e Pedro Lucas Fernandes (União) – encontram-se ainda navegando sem saber exatamente em que chapas majoritárias correrão para as urnas.

Pelo que está posto até aqui, o senador Weverton Rocha deve concorrer como candidato na chapa a ser liderada por Orleans Brandão (MDB), o que exigirá uma aliança formal entre os dois partidos. E aí surge uma certa confusão: André Fufuca e Pedro Lucas Fernandes pertencem à Federação União Progressista, que deverá se aliar ao MDB na majoritária em torno de Orleans Brandão. E vem a pergunta: pode uma coligação ter três candidatos às duas vagas no Senado? Se puder, o senador Weverton Rocha terá de concorrer com dois “aliados”. Se não puder, um dos dois lançados pela federação terá de cair fora da chapa.

A situação da senadora Eliziane Gama é mais complexa. Ela pertence à base governista, mas se encontra filiada a um partido, o PSD, que está na oposição a esse Governo. E o mais curioso é que esse é o partido do prefeito Eduardo Braide, que lidera as pesquisas, mas não disse até agora se será ou não candidato. Se Eduardo Braide entrar na disputa pelo Governo, Eliziane Gama ganhará uma grande chance de reeleição, à medida que será candidatada de proa nesse movimento. Mas se o prefeito não entrar, ela enfrentará uma situação muito complicada, podendo ter como saída uma eventual aliança do PSD com o vice-governador Felipe Camarão (PT).

No grupo dos candidatos atua o ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza), que faz uma campanha solitária e sem ter declarado ainda apoio a qualquer candidato a governador.

O complicado cenário da disputa vai mais além, uma vez que as duas cadeiras da Câmara Alta estão sendo miradas também, à distância pelo ex-senador Roberto Rocha, que continua sem partido e nem declarou ainda se vai tentar voltar à Casa, e pela deputada federal Roseana Sarney (MDB), que vem sendo tentada a entrar na briga para ser senadora de novo. O que chama a atenção é que ambos aparecem entre os primeiros nas preferências dos eleitores quando os seus nomes são incluídos nas pesquisas.

Além disso, aguarda-se os candidatos ao Senado na chapa do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo). Ele andou falando do ex-deputado estadual César Pires, que se manifestou disposto a aceitar, mas até agora não houve confirmação. E, finalmente, não está descartado o surgimento de outros candidatos, com menos poder de fogo, mas com voz para animar o cenário.

Denúncia sobre “Operação 18 Minutos” é nova pancada ética no Judiciário, na advocacia e na política

Nelma Sarney, Edilázio Júnior e Fred Campos:
acusados com fortes laços com a política

A dignidade do Poder Judiciário do Maranhão, do braço maranhense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da classe política estadual receberam mais uma pancada forte na semana que passou, com a denúncia, pela Procuradoria Geral da República, que acusou os envolvidos na chamada escandalosa e inacreditável “Operação 18 Minutos”. Quatro desembargadores, dois juízes, 13 advogados militantes, dois advogados que atuam na política partidária e três servidores do Tribunal de Justiça foram acusados de montar e colocar em prática um esquema criminoso de fraude contra o Banco do Nordeste, com desvio estimado em de mais de R$ 50 milhões.

Os desembargadores são Antônio Guerreiro, Luiz Gonzaga Almeida, Marcelino Weverton e Nelma Sarney, que figuram na cúpula da trama. Os juízes são Alice de Souza Rocha e Cristiano Simas.

Nesse imbróglio, que envolve corrupção pesada, orgânica, porque foi tramada e executada por uma cadeia hierárquica no Poder Judiciário do Maranhão em conluio com militantes da advocacia, em que três envolvidos têm situação delicada em relação à opinião pública.

A desembargadora Nelma Sarney, pelos laços de família com o ex-presidente José Sarney, de quem é cunhada; o ex-deputado federal Edilázio Jr., que é genro da desembargadora Nelma Sarney; e o prefeito de Paço do Lumiar, que já passou pelo vexame de usar tornozeleira eletrônica durante a campanha eleitoral, e agora amarga a condição de denunciado como integrante do esquema criminoso contra o Banco do Nordeste.

 Com a denúncia do Ministério Público Federal, os acusados têm agora a oportunidade de apresentar as suas defesas. Se convencerem a Justiça, poderão se safar. Mas se não conseguirem desmontar a consistente denúncia do MPF, serão transformados em réus e terão de brigar nos tribunais para salvar as suas peles.

São Luís, 27 de Julho de 2025.

Declaração do presidente do PT atinge projeto de Camarão e mostra alinhamento com Brandão

A cúpula do PT maranhense com Edinho Silva,
presidente nacional, após reunião em Brasília

O presidente reeleito do PT no Maranhão, Francimar Melo, disparou um petardo mortífero no projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT) ao Governo do Estado. Ele declarou, sem rodeios, que o assunto não foi tratado na reunião que o novo comando da legenda no estado manteve esta semana, em Brasília, com o novo presidente nacional da agremiação, Edinho Silva. “Não houve determinação nem definição sobre candidaturas no Maranhão”, declarou Francimar Melo, que foi ao encontro do presidente nacional acompanhado de Washington Oliveira, secretário da representação do Governo do Estado em Brasília, e de Cricielle Muniz, diretora geral da rede de Iemas, ambos alinhados ao governador Carlos Brandão (PSB).

A declaração de Francimar Melo repercutiu fortemente no meio político por dois motivos. Primeiro porque quando teve sua reeleição confirmada, duas semanas atrás, ele deu várias declarações respaldando a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Governo do Estado, dando a entender que o PT estaria inteiramente mobilizado em torno do projeto. E segundo porque ninguém acredita que o projeto de Felipe Camarão de se candidatar em qualquer circunstância não tenha tratado na reunião com o novo comandante nacional da legenda, que há alguns dias sinalizou o aval da cúpula nacional do partido ao vice-governador.

O que corre nos bastidores é que o PT está rachado em relação ao projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão. Além das profundas divergências que mantém as correntes petistas maranhenses em permanente clima de beligerância, existe uma grande fatia do partido integrada a diferentes escalões do Governo Brandão, parte dela já claramente inclinada a apoiar a pré-candidatura do secretário Orleans Brandão (MDB). Esse grupo, que congrega vários quadros importantes, a começar pelo ex-vice-governador, ex-conselheiro do TCE e atual secretário da Representação do Governo do Maranhão em Brasília, Washington Oliveira, que lidera o atual grupo dominante do partido no Maranhão e atua o principal avalista e aliado de Francimar Melo.      

As declarações e os movimentos mais recentes da cúpula estadual do PT indicam com clareza que o presidente Francimar Melo fala sério quando diz que não há ainda definição “sobre candidaturas” no Maranhão. E isso significa o projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão não é questão fechada no PT, assim como a do secretário Orleans Brandão também não o é. Mas uma análise mais aprofunda e abrangente do cenário em construção indica que nesse momento a inclinação de grande parte é pelo alinhamento com o governador Carlos Brandão, sob o poderoso argumento de que o mandatário maranhense está rigorosamente alinhado ao presidente Lula da Silva (PT), que, se candidato à reeleição, vai precisar de um palanque forte no Maranhão.

É provável que o PT do Maranhão ainda coloque o tema da escolha do candidato a governador na sua pauta de discussão. Mas não há dúvida de que o partido está sendo internamente sacudido pelo debate, com um a ala pró-Felipe Camarão e outra inclinada por Orleans Brandão.  

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão diz que permanece no PSB e que trabalha para fortalecer o partido

Carlos Brandão diz que permanece
no comando do PSB

O governador Carlos Brandão continua no comando do PSB, informa que atua para fortalecer o partido e que o encontro com o presidente nacional, João Campos, foi uma reunião de trabalho em que foi discutida nominata – grupo de candidatos para eleições proporcionais, especialmente deputado federal, que é o objetivo maior dos partidos brasileiros na atual realidade política nacional.

Em entrevista concedida ao portal Imirante, o governador garantiu que ele e seu grupo continuam trabalhando para fortalecer o PSB, de modo que o partido tenha um bom desempenho nas urnas em 2026.

Ao noticiar que vai continuar trabalhando para fortalecer o PSB no Maranhão, investindo inclusive para eleger até três deputados federais, o governador Carlos Brandão sinaliza que arquivou, pelo menos momentaneamente, o caminho alternativo de migrar com seu grupo para o MDB, partido controlado por seu irmão, Marcus Brandão, e ao qual Orleans Brandão, seu candidato declarado a governador, está filiado.

A menos que tenha mudado o roteiro, o governador Carlos Brandão deverá ajustar a sua situação partidária em uma conversa sobre o assunto com o presidente Lula da Silva. Afinal, encontram-se ainda filiados ao PSB deputados estaduais do grupo dinista, alinhados ao presidente da república, mas em oposição ao Governo do Estado, como é o caso de Carlos Lula e Francisco Nagib, por exemplo.

O fato é que o governador Carlos Brandão trem posição política forte, esteja no PSB ou migrando para o MDB.

Registro

Saiu Oriana Gomes, entrou Eulálio Figueiredo: mudança emblemática no Colégio de Desembargadores

Eulálio Figueiredo, magistrado, poeta e compositor, entrou na vaga aberta por
Oriana Gomes, magistrada e professora

O Colégio de Desembargadores do Tribunal de Justiça do Maranhão fez uma substituição emblemática na quarta-feira (23). Deixou o colegiado, voluntariamente, a desembargadora Oriana Gomes e assumiu a cadeira na mais alta Corte de Justiça do Estado o agora desembargador Eulálio Figueiredo. Ambos chegaram ao colégio superior da magistratura maranhense pelo critério de antiguidade, sem precisar, portanto, de aval decisivo dos seus colegas.

Oriana Gomes fez história na magistratura estadual. Ativa, preparada, independente e cultivando sempre o hábito de dizer o que pensa, exatamente porque não tem manchas éticas na sua trajetória. Negra, nunca deixou o preconceito tirá-la do eixo, até porque poucos se atreveram, construiu uma carreira digna, que incluiu a via crucis por diversas comarcas, construindo, também como professora universitária, a estrada que a levou finalmente ao Colégio de Desembargadores, onde atuou. Vai para a aposentadoria com a dignidade de quem fez a sua parte, apesar dos percalços que enfrentou.

O novo desembargador é uma personalidade diferenciada. Magistrado atuante, que construiu sua carreira dentro das regras, também com peregrinação por comarcas de diversas regiões, alcançou a quarta entrância, que é o topo da magistratura, com os méritos de um juiz ativo. Chegar ao Colégio de desembargadores foi o desdobramento natural de uma carreira que também enfrentou obstáculos.

Além do Direito e da magistratura, Eulálio Figueiredo também cultiva forte viés cultural. Nas horas vagas, ele é poeta com vários livros publicados e compositor que já conquistou espaço no mundo da Música Popular Maranhense. É comum encontrá-lo em shows, festivais e rodas de música, substituindo a sisudez da toga e do paletó por camisas coloridas e chapéu de palha, típicas do mundo do samba e da marchinha carnavalesca.    

Em Tempo: Com a ascensão de Eulálio Figueiredo ao Colégio de desembargadores, a Família Figueiredo tem agora três membros na mais alta Corte de Justiça do Estado. Irmãos, os desembargadores José Joaquim Figueiredo dos Anjos e José Jorge Figueiredo são primos de Eulálio Figueiredo. Os três têm como origem São João Batista, na Baixada Ocidental, onde os Figueiredo são influentes na política há muitas décadas.

São Luís, 25 de Julho de 2025.

Brandão e grupo podem deixar o PSB, mas decisão depende de conversa com Lula

Carlos Brandão pode deixar o PSB, mas decisão
só será tomada depois de uma conversa
com o presidente Lula da Silva

Os bastidores da política fervilharam ontem diante da possibilidade de o governador Carlos Brandão deixar o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Ele se reuniu em Brasília com o presidente nacional da legenda, o deputado federal pernambucano João Campos, mas, ao que tudo indica, nada resolveram. O governador maranhense preferiu definir seu futuro em relação ao PSB depois de conversar com o presidente Lula da Silva (PT), que tem interesse direto tanto na situação partidária do governador quanto nos passos que a agremiação socialista poderá dar no Maranhão. A conversa com Lula da Silva deve ocorrer ainda nesta semana, ou no máximo no início da próxima. Isso porque, a julgar pelos movimentos já em curso visando as eleições do ano que vem, o governador Carlos Brandão quer essa definição com tempo para organizar sua base para as eleições. Se resolver deixar a seara socialista, o governador e seu grupo já tem para onde ir, dando uma guinada para o centro: o MDB.

O governador Carlos Brandão é um político de centro, mas na sua trajetória, ele navegou no centro-esquerda ao longo de dois mandatos de deputado federal na socialdemocracia do PSDB, passou uma temporada no centro-direita, quando esteve no Republicanos, retornou ao ninho dos tucanos e, finalmente, dando outra guinada forte, se converteu à esquerda moderada ao se filiar ao PSB numa dobradinha com o então governador Flávio Dino, que deixou o PCdoB para assumir o controle da agremiação socialista no Maranhão. No partido – ressuscitado na redemocratização pelo líder pernambucano Miguel Arraes, de quem o atual presidente nacional é bisneto -, o governador Carlos Brandão se reelegeu em 2022 em dobradinha com o ex-governador Flávio Dino, que se elegeu senador.

Naquele pleito, o PSB fez e mantém um deputado federal (Duarte Júnior) e 11 deputados estaduais, a começar por Iracema Vale, que saiu das urnas como campeã de votos e conquistou a presidência da Assembleia Legislativa. Nas eleições municipais de 2024, o PSB maranhense elegeu 19 prefeitos e várias dezenas de vereadores.

Ao sair da vida política para retornar à magistratura como ministro da Suprema Corte, Flávio Dino renunciou também à presidência estadual do PSB, que passou a ser presidido pelo governador Carlos Brandão. As divergências e o agora consumado rompimento da ala dinista com a ala brandonista alcançou o PSB. Nesse jogo, o único deputado federal do PSB, Duarte Júnior, tem sinalizado com a intenção de deixar o partido.

Daí vem a celeuma criada em torno do PSB. Se Duarte Júnior migrar para outra legenda – que pode ser o União, o PP ou o Republicanos -, o comando estadual perde força, porque nas regras partidárias atuais, para um partido, um deputado federal vale por uma centena de prefeitos, por exemplo. Nesse ambiente, correu o rumor segundo o qual o deputado Othelino Neto, que está deixando o Solidariedade, bateu às portas do PSB com a proposta de assumir o comando do partido levando um deputado federal – seria Márcio Jerry, que deixaria o PCdoB – e a senadora Ana Paula Lobato, o que fortaleceria a bancada do partido no Senado.

O governador Carlos Brandão não está muito preocupado de deixar o controle do PSB. Ela tem como reserva especial o MDB, hoje sob o comando do seu irmão, Marcus Brandão, e ao qual está filiado o seu candidato a governador, o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão. O MDB chegou às mãos dos Brandão após uma bem-sucedida negociação com o grupo Sarney, ao qual o governador se aproximou. Formando uma aliança política sólida. O MDB é também um partido com o qual a deputada-presidente Iracema Vale se identifica e não terá nenhum problema de migrar do PSB para as fileiras emedebistas, onde, aliás, já está o seu filho, o prefeito de Barreirinhas Vinícius Vale.

Em resumo: nesse cenário, independentemente de qual seja o destino do PSB, se migrar para o MDB, o governador Carlos Brandão poderá sair com um lucro político robusto.

PONTO & CONTRAPONTO

Braide avalia dezembro como momento adequado para definir se entra ou não na corrida aos Leões

Eduardo Braide: decisão sobre
candidatura só em dezembro

Tem fundamento a informação segundo a qual o prefeito Eduardo Braide (PSD) teria definido o mês de dezembro como o momento em que decidirá se será ou não candidato ao Governo do Estado. Ele teria avaliado que no final do ano o quadro da disputa já estará desenhado com as pré-candidaturas do vice-governador Felipe Camarão (PT), do secretário Orleans Brandão (MDB) e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo).

Diante dos últimos acontecimentos, a começar pela decisão do governador Carlos Brandão de permanecer no cargo com a determinação política de eleger o seu auxiliar como sucessor, o prefeito estaria apostando na avaliação de que depois de dezembro não haverá fato novo em relação a candidaturas. Poderá haver movimentos, alianças, desistências, etc., mas não há sinais de que uma nova candidatura, com potencial eleitoral, apareça depois de dezembro.

O cenário de dezembro indicará também o quadro em relação ao potencial eleitoral de cada pré-candidatura, situando o prefeito de São Luís no que diz respeito ao seu cacife para entrar na corrida.

Vale lembrar que o prefeito Eduardo Braide tem até aqui motivos convincentes para entrar na corrida. Começa com o fato de que liderou com folga as 19 pesquisas feitas até aqui, e, em meio a outros fatores, termina com a decisão do comando nacional do seu partido, o PSD, de elegê-lo à condição de prioridade absoluta.

Pré-candidatura de Orleans abriu corrida pela vaga de vice

Maura Jorge

A confirmação da pré-candidatura do secretário Orleans Brandão ao Governo do Estado deflagrou uma movimentação, ainda discreta, mas muito intensa, nos bastidores da aliança governista pela vaga de candidato a vice-governador.

No ato em que Orleans Brandão admitiu ser pré-candidato ao Governo, ao receber o apoio declarado da Federação União Progressista, a prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (PSDB), foi apontada como nome política e eleitoralmente qualificado para ser companheira de chapa do pré-candidato do MDB.

Nenhum outro nome foi sugerido, mas a cúpula da aliança governista, a começar pelo governador Carlos Brandão, que teria orientado aos seus auxiliares no sentido de evitar especulações em relação à escolha de vice para Orleans Brandão. E o motivo é simples: essa escolha se dá por meio de amplas negociações para reforçar a chapa.

São Luís, 24 de Julho de 2025.  

Brandão declara que vai permanecer no cargo e afirma: “Nós vamos eleger o nosso sucessor”

Entre Orleans Brandão e Roberto Costa, no Castelinho,
Carlos Brandão declara que vai ficar
no cargo e que elegerá seu sucessor

“Eles estão dizendo aí quando assumir vão acabar o programa Maranhão Livre da Fome. Eu quero garantir que, enquanto eu for governador, eu vou ser governador até o último dia do meu mandato, dia ninguém acaba o programa até dezembro de 2026. E não vai acabar para a frente, porque nós vamos eleger o nosso sucessor, e o nosso sucessor vai continuar o programa. Enquanto os cães ladram, a carruagem passa. E a carruagem passa mostrando trabalho”. Com essa declaração, feita em tom enfático em discurso feito segunda-feira no Ginásio Castelinho, no ato em que entregou novas viaturas ao Sistema de Segurança Pública, o governador Carlos Brandão confirmou seu arrojado projeto de permanecer no Governo e eleger Orleans Brandão (MDB), secretário de Assuntos Municipalistas.

E a confirmação do roteiro da decisão política mais importante tomada no Maranhão nos últimos tempos foi feita como uma espécie de declaração de guerra aos adversários. Ao defender o Programa Maranhão Livre da Fome, que segundo denunciou, estaria sendo ameaçado de suspensão por adversários, o governador Carlos Brandão declarou, finalmente, que permanecerá no Governo até o final do seu mandato, o que garantirá a existência do Programa.

E fechou o anúncio da sua permanência e a manutenção do programa Maranhão Livre da Fome, manifestando convicção de que elegerá o seu sucessor, cujo nome não citou, mas não deixou dúvida tratar-se do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão, que estava ao seu lado e o aplaudiu entusiasticamente. Ele confirmara sua pré-candidatura ao Governo na última sexta-feira, no ato em que recebeu o apoio da Federação União Progressista, mas manteve sobre o assunto. Carlos Brandão também recebeu aplausos efusivos do prefeito de Bacabal e presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), Roberto Costa, que é um dos líderes do MDB estadual e apoiador de primeira hora do projeto de candidatura do seu colega de partido ao Palácio dos Leões.

Com a manifestação confirmadora do mais arrojado e desafiador projeto político do Maranhão desde a volta das eleições diretas para governador, em 1982, o governador Carlos Brandão comunicou ao mundo a impossibilidade de recompor a aliança com as forças ligadas ao ex-senador Flávio Dino, atual ministro da Suprema Corte. Conformou também que não abrirá caminho para a ascensão do vice-governador Felipe Camarão (PT) ao Governo em abril do ano que vem, impossibilitando-o de disputar a sucessão concorrendo à reeleição. E justificou sua decisão confirmando o que dissera a aliados em conversas fechadas: não existiu acordo firmado com o grupo dinista com a promessa de apoiar a candidatura de Felipe Camarão ara o Governo do Estado, contrariando as vozes dinistas que aqui e ali falam do tal acordo.

Não há dúvida, no meio político e fora dele, que o governador Carlos Brandão joga a mais importante e ousada cartada política no Maranhão em meio século. A decisão de permanecer no Governo e lançar a candidatura do sobrinho e principal auxiliar para sucedê-lo não tem paralelo na história recente da política maranhense. Ao formular essa equação, o governador dá uma forte demonstração de que está muito seguro da viabilidade do seu projeto. Afinal, ele está trocando uma eleição certa para o Senado, onde permaneceria com grande poder de fogo no tabuleiro política estadual e com influência no epicentro do poder nacional.

Na sua fala, Caros Brandão deu uma pequena mostra de que está preparado para comandar o processo que, na sua avaliação, levará à eleição de Orleans Brandão. Informou que tem 2.300 projetos para serem realizados em todo o estado, sendo necessária a contratação de 70 engenheiros para tirar essas ações do papel. Ou seja, além da articulação política, que tem nos prefeitos o suporte principal, ele guarda balas na agulha para mostrar a força do Governo que espera ser continuado por seu sucessor.

PONTO & CONTRAPONTO

Lahesio Bonfim e Roberto Rocha: direita dura tentando se articular

Lahesio Bonfim e Roberto Rocha: conversa
sem acordo, mas que pode ser retomada

Provavelmente empurrados pelo turbilhão causado pela indicação de que o governador Carlos Brandão (PSB) vai mesmo permanecer no cargo e comandar as forças governistas em torno da candidatura, já assumida, do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo), e o ex-senador Roberto Rocha (sem partido) tentam articular uma aliança que, se concretizada, poderá representar as forças da direita mais dura na corrida ao Governo do Estado e ao Senado nas eleições do ano que vem. Ambos estão de pé, têm exibido poder de fogo nas pesquisas feitas até aqui para garimpar as intenções do eleitorado, podendo reunir cacife para alterar, ainda que parcialmente, qualquer cenário da ciranda sucessória de agora por diante.

Em encontro recente, o dois sentaram à mesa de um restaurante da Capital e colocaram as suas cartas na mesa. Mais experiente – cresceu aprendendo com o pai, o ex-governador Luiz Rocha, todos os truques da política -, o ex-senador Roberto Rocha teria proposto nada menos uma aliança na qual seja o candidato a governador, enquanto Lahesio Bonfim entraria como candidato a senador. Uma inversão das informações trazidas à tona pelas pesquisas, que apontam o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes com viabilidade na disputa pelos Leões, e o ex-senador com cacife para brigar por uma cadeira no Senado. E como era previsível, não chegaram a um acordo. Mas, até onde se sabe, não fecharam as portas para novas conversas, pois ainda há tempo folgado para outras tentativas de acerto.

Segundo colocado na eleição de 2022 para o Palácio dos Leões, Lahesio Bonfim, que está consolidado como o nome do partido Novo para a corrida de 2026, encontra-se em campanha aberta e intensa. E o resultado da sua investida sobre o eleitorado está sinalizado na pesquisa mais recente, feita pelo instituto Econométrica, na qual aparece em terceiro lugar, mas tecnicamente empatado com Orleans Brandão, que está em segundo, e bem à frente do vice-governador Felipe Camarão (PT). O ex-senador Roberto Rocha tem sido um político bem-sucedido no plano eleitoral quando não está disputando o Governo do Estado, menos nas disputas para o Governo do Estado – em 2018, por exemplo, amargou o quarto lugar. Nas pesquisas de agora, aparece melhor para o Senado do que para o Governo.

Diferentes em quase tudo, Lahesio Bonfim e Roberto Rocha não convergem em quase nada, a começar pelo essencial: ambos brigam para ser candidato ao Palácio dos Leões representando as forças da direita, especialmente os segmentos mais radicais, como o bolsonarismo, por exemplo. Ambos exibem confiança de que podem chegar ao Governo, deixando de lado a ideia de alcançar o Senado. E pelo fazem e dizem na seara política, travam uma dura guerra de egos, muito difícil de ser contida pela moderação. Suas declarações atestam isso com muita clareza.

O fato é que, mesmo não tendo sequer alinhavado as bases de um acordo, a reunião de Lahesio Bonfim e Roberto Rocha foi um evento que, sem resultado imediato, pode produzir desdobramentos futuros, que poderão, ou não, levar a uma aliança. Afinal, um é terceiro na corrida aos leões e o outro está bem situado na peleja pelo Senado.

Hilton Gonçalo se diz decidido a concorrer ao Senado

Hilton Gonçalo: aspirante
a vaga no Senado

O ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza), reafirma sua disposição de concorrer a uma das vagas no Senado. A confirmação chega ao tabuleiro político no momento em que o governador Carlos Brandão bate martelo confirmando sua permanência no cargo, abrindo mão, portanto, de disputar vaga na Câmara Alta. Sem o governador no páreo, o bem avaliado ex-prefeito de Santa Rita enxerga um cenário mais promissor para o seu projeto de candidatura.

Político experiente, que lidera um grupo reconhecido no cenário político estadual, e carregando na bagagem quatro mandatos bem-sucedidos como prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo parece mesmo determinado a encarar uma disputa que já conta com os senadores Werverton Rocha, atual líder do PDT no Senado, e Eliziane Gama (PSD), candidatos à reeleição em campos diferentes. E os deputados federais André Fufuca (PP), atual ministro do Esporte, e Pedro Lucas Fernandes, atual líder do União na Câmara Federal, ambos pela Federação União Progressista.

Além dos quatro candidatos já assumidos, a corrida\ senatorial pode atrair o ex-senador Roberto Rocha (sem partido), que pretende ser candidato a governador, mas já teria admitido concorrer à senatória. E a deputada federal Roseana Sarney (MDB), que estimulada pelas pesquisas e pela candidatura do seu colega emedebista Orleans Brandão ao Governo do Estado, estaria pensando seriamente.

Se vier, de fato, a se confirmar, a entrada de Hilton Gonçalo no páreo senatorial pode alterar ainda mais o jogo, principalmente pelo que se convencionou chamar de segunda vaga.

São Luís, 23 de Julho de 2025.

Brandão arma sua maior cartada política ao ficar no Governo e apoiar Orleans para sucessor

Carlos Brandão decide cumprir
os quatro anos do mandato

O governador Carlos Brandão (PSB) fez a maior aposta da sua até agora bem-sucedida carreira política, em que foi o poderoso secretário chefe-chefe da Casa Civil no Governo de José Reinado Tavares, deputado federal por dois mandatos, vice-governador por sete anos e menos e três meses, e governador reeleito em turno único em 2022, cumprindo atualmente o terceiro ano do seu mandato. Rompido com seu antecessor e parceiro Flávio Dino, hoje ministro da Suprema Corte, o governador decidiu abrir mão de um mandato quase certo de senador, vai permanecer no cargo até o final do mandato (31/12/2026), com o objetivo de conduzir as forças aliadas em torno da candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), seu sobrinho e principal auxiliar, à sua sucessão nas eleições de 2026. Com a decisão de não renunciar para ser candidato ao Senado, Carlos Brandão tira o lastro do projeto de candidatura ao vice-governador Felipe Camarão (PT), que nesse jogo representa o que se convencionou chamar de dinismo.

Tema principal de especulações, a decisão de permanecer não foi ainda declarada pelo próprio governador. Mas ficou evidenciada sexta-feira (18), em São Luís, no ato em que o presidente nacional da Federação União Progressista, Antônio Rueda, anunciou o apoio da organização partidária ao projeto de candidatura do secretário Orleans Brandão, que no ato se declarou pré-candidato. Essa manifestação confirma também a decisão do mandatário maranhense de não disputar o Senado, pois do contrário, Orleans Brandao não seria pré-candidato assumido e declarado nem a Federação União Progressista teria feito esse movimento de apoio, inclusive lançando dois candidatos ao Senado, o ministro do Esporte André Fufuca (PP) e o líder da bancada do União na Câmara Federal, Pedro Lucas Fernandes (União).

A aposta do governador Carlos Brandão é alta e desafiadora. À frente de um Governo de viés municipalista, o que tornou o secretário Orleans Brandão o seu braço direito, Carlos Brandão faz uma gestão bem avaliada, que mantém, ampliou os programas sociais do Governo Flávio Dino – Restaurantes Populares e Centro de Hemodiálise, por exemplo –, e se voltou fortemente para uma relação produtiva com os municípios, o que vem lhe dando uma forte base de apoio de prefeitos e vereadores. Tem sido um processo intenso e abrangente, coordenado pelo secretário Orleans Brandão, que faz a ponte entre os prefeitos e o gabinete principal do Palácio dos Leões. E também criticado por adversários.

O afastamento visível e o rompimento ainda não declarado com o ministro Flávio Dino e o grupo que o segue parecem irreversíveis. E começa exatamente com o fato de que a decisão de permanecer desmonta de vez o projeto do vice-governador Felipe Camarão (PT) de se tornar governador e com correr à reeleição no cargo, que pode criar tensões com comando do PT. E com o Palácio do Planalto, Vozes dinistas acusam o governador de romper um acordo em torno de Felipe Camarão. A interlocutores próximos, o governador garante que esse acordo nunca foi firmado, portanto, nunca existiu, e que por isso ele não está obrigado a cumpri-lo. Além disso, Carlos Brando acusa o grupo dinista de agredir a ele e a seu Governo com “factoides” judiciais – como o imbróglio sobre a escolha de conselheiros do TCE pela Assembleia Legislativa, emperrado há mais de um ano no birô do ministro-relator Flávio Dino na Suprema Corte. Corre no maio político que o grupo dinista vai jogar pesado contra o governador se a situação permanecer.

O fato é que, embalado por um Governo avaliado positivamente, com um caixa fornido, e no controle de um cacife político e administrativo poderoso, o governador Carlos Brandão resolveu jogar alto, mesmo avaliando que toda empreitada dessa natureza e dessa envergadura contém riscos. Isso porque adversários desse projeto, a começar pelo vice-governador Felipe Camarão, com o aval silencioso do ministro Flávio Dino e com as bênçãos do novo comando nacional do PT e do Palácio do Planalto, mantém seu projeto de candidatura, afirmando que será candidato de qualquer maneira. Além disso, o animado e declarado projeto de candidatura do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo) ganha o status de risco. E mais o futuro não desenhado do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), que não disse se será candidato, mas lidera com folga a preferência do eleitorado segundo mostraram as 19 pesquisas feitas até para medir a corrida sucessória.

Como é visível e indiscutível, a decisão silenciosa do governador Carlos Brandão definiu o roteiro para a corrida aos Leões.

PONTO & CONTRAPONTO

Por motivos e objetivos diferentes, permanência de Brandão será diferente das de Luiz Rocha e José Reinaldo

Carlos Brandão vai entrar no time de
governadores eleitos que cumpriram
quatro anos de mandato

O governador Carlos Brandão (PSB) será o terceiro mandatário maranhense a permanecer no Governo e abrindo m]ao de disputar uma cadeira no Senado. Ele se juntará a um time formado por Luiz Rocha, que governou o estado entre 1983 e 1986, e José Reinaldo Tavares, que comandou a máquina maranhense de 2012 a 2006. A diferença é que, ao contrário dos outros dois, ele decidiu ficar por viabilizar um projeto que, se bem-sucedido, o manterá próximo ao poder por mais quatro anos.

Item especial da sua rica trajetória política – vereador, deputado estadual, deputado federal e governador eleito em 1982, Luiz Rocha montou o seu roteiro para deixar o Governo em abril de 1986 e disputar o Senado, no que seria uma eleição quase sem risco, dada a sua força no interior. Ocorre em 1984, para chegar à vice-presidência da República, José Sarney, que viria a ser presidente, fizera um acordo com o PMDB assegurando que o sucessor de Luiz Rocha no Governo seria então deputado federal Epitácio Cafeteira. Luiz Rocha e mais de uma centena de prefeitos foram chamados ao Palácio do Planalto e comunicados pelo próprio presidente que o seu candidato seria Epitácio Cafeteira e que ele, Luiz Rocha, permaneceria no Governo até o final, para garantir a vitória da chapa governista. Luiz Rocha e seus aliados reagiram, mas o presidente José Sarney “sufocou” a revolta e o obrigou a cumprir seu mandato até o fim. Quando deixou o poder e ficou sem mandato, Luiz Rocha virou alvo do novo Governo.

O dado central: se tivesse renunciado para ser senador, Luiz Rocha teria de passar o Governo para o vice-governador João Rodolfo, homem de confiança do senador João Castelo, uma situação inaceitável para o presidente José Sarney.

Já o governador José Reinaldo Tavares decidiu permanecer no Governo para ajudar o candidato oposicionista Jackson Lago derrotasse a senadora Roseana Sarney nas urnas. Político umbilicalmente ligado ao Grupo Sarney, José Reinaldo entrou em rota de colisão com ex-presidente quando a governadora Roseana Sarney, de quem era vice, sinalizou que não o queria como sucessor. Ela já caminhava para escolher um candidato, quando, em março de 2002, estourou a bomba do Caso Lunus, que desmontou toda a sua base política. Semanas depois, Roseana Sarney, fragilizada, renunciou ao Governo para concorrer ao Senado e José Reinaldo assumiu e se reelegeu. Ao longo do seu Governo, as relações com seus aliados se deterioraram, o que o levou a abrir mão de disputar o Senado e jogar todo o seu poder político e governamental no apoio à candidatura de Jackson Lago (PDT), que derrotou Roseana Sarney. E como estava escrito nas estrelas, Jackson Lago se afastou do seu apoiador, que acabou isolado e se elegendo deputado federal em 2014, tendo sido esse o seu último mandato eletivo até aqui.

Dado essencial: com a renúncia de José Reinaldo para se candidatar ao Senado em 2006, o Governo cairia nas mãos do vice-governador Jura Filho, muito ligado ao Grupo Sarney por intermédio do ex-senador João Alberto. Situação inaceitável para José Reinaldo.

O caso do governador Carlos Brandão não difere muito dos de Luiz Rocha e José Reinaldo Tavares. Ele vai permanecer no Governo com os seus principais adversários pressionando para ele sair. Na hipótese da renúncia, o Governo será assumido por Felipe Camarão, que brigará pela reeleição. A diferença é que Carlos Brandão quer permanecer no Governo por avaliar que, aconteça o que acontecer depois, ele vai brigar pela eleição de um sucessor no qual deposita toda a sua confiança, certo também de que ficará sem mandato. Se der tudo certo, será a vitória suprema; se dão der, seu futuro será incerto. E pelo visto, até aqui ele acredita que pode dar certo.

Iracema reafirma apoio a Orleans ao Governo e Weverton ao Senado e deixa segundo nome em aberto

Iracema Vale reafirma apoio a
Orleans Brandão e Weverton Rocha

“Política se faz com diálogo, lealdade e respeito às construções coletivas. Tenho deixado claro que, para 2026, minhas preferências são: Orleans Brandão para o Governo do Estado e Weverton Rocha para o Senado”.

A declaração é da presidente da Assembleia legislativa, Iracema Vale (PSB), feita pera reforçar a sua posição em relação às escolhas majoritárias para 2026. Ela desmonta assim especulações que vieram à tona após a declaração de apoio da Federação União Progressista, à pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, lançando também os deputados federais André Fufuca (PP) e Pedro Lucas Fernandes (União) ao Senado.

A posição de Iracema Vale está definida faz tempo. Ela sempre deixou claro que seu primeiro voto seria para o governador Carlos Brandão, caso ele se lançasse candidato. De uns tempos para cá, provavelmente já informada de que Carlos Brandão não deixará o Governo, ela se posicionou pela pré-candidatura de Orleans aos Leões e ao projeto de reeleição do senador Weverton Rocha (PDT).

Agora, que o seu grupo está definido para o Governo e tem o senador Weverton Rocha como primeiro candidato a senador, ela ainda está trabalhando para definir o segundo candidato. Além do ministro André Fufuca e do líder Pedro Lucas Fernandes, ela poderá ter como opção a deputada federal Roseana Sarney (MDB), que estaria avaliando a hipótese de entrar nessa briga diante da decisão do governador Carlos Brandão não concorrer.

A presidente da Assembleia Legislativa só definirá o seu outro candidato ao Senado depois que o quadro estiver definido, incluindo a senadora Eliziane Gama (PSD), que busca a reeleição e deve se alinhar à provável candidatura do prefeito Eduardo Braide (PSD).

São Luís, 20 de Julho de 2025.

Apoio de Federação confirma que Brandão fica, Orleans será candidato e Fufuca e Pedro Lucas tentarão Senado

Iracema Vale e Antônio Rueda (centro) selam o apoio da FUP
a Orleans Brandão ao Governo e André Fufuca e
Pedro Lucas Fernandes (atrás de Iracema) ao Senado

A menos que haja uma reviravolta sem precedentes, o governador Carlos Brandão (PSB) vai cumprir seu mandato até o final, com poder de fogo para ter participação decisiva na corrida ao Palácio dos Leões. Essa equação foi definida ontem, no amplo salão do Blue Tree, o antigo Hotel Quatro Rodas, num ato em que o secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), confirmou sua pré-candidatura ao Governo do Estado ao receber a declaração de apoio do comando nacional da Federação União Progressista (União/PP). O evento produziu uma série de situações novas, sendo a principal delas a confirmação do próprio Orleans Brandão avisando que sua pré-candidatura deixou de ser uma possibilidade para se tornar fato concreto. Além do item principal, o presidente da FUP, Antônio Rueda (União), anunciou o ministro do Esporte, o deputado federal André Fufuca (PP), e seu colega Pedro Lucas Fernandes (União) às duas vagas no Senado. Mais ainda: abriu caminho para a prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (PSDB), atuar para ser candidata a vice na chapa do emedebista.

O governador Carlos Brandão (PSB), claro, não compareceu, e o expressivo ato político foi comandado pela presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB). E como era previsto, do deputado federal Juscelino Filho (União), ex-ministro das Comunicações, também não apareceu, confirmando sua dissidência em relação ao grupo

A declaração de apoio da FUP ao secretário Orleans Brandão deflagrou de vez a corrida ao Palácio dos Leões. Agora são três pré-candidatos assumidos – ele próprio, o vice-governador Felipe Camarão (PT) e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo) -, permanecendo indefinida a posição do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD). A confirmação da pré-candidatura de Orleans Brandão tem importância decisiva nesse contexto, uma vez que ele é o nome escolhido pelo governador Carlos Brandão, que desistiu de disputar cadeira no Senado para apoiar integralmente esse projeto. O agora pré-candidato do MDB se consolida no jogo com um nome forte, cuja campanha terá o suporte das maiores forças políticas reunidas hoje no Maranhão.

Ao anunciar o apoio, Antônio Rueda declarou: “Precisamos apoiar esse projeto, que tem transformado o Maranhão. Seguiremos no mesmo caminho, agora também ao lado de Orleans, que, sem dúvida, seguirá rumo ao sucesso”. Em resposta, Orleans Brandão agradeceu, confirmando o seu projeto de candidatura: “Agradeço à Federação, ao presidente Antônio de Rueda e a todas as lideranças que aqui estão pelo apoio à minha pré-candidatura. Esse apoio é um sinal claro de confiança no trabalho que o governador Carlos Brandão tem realizado em nosso estado. Juntos, vamos continuar esse projeto de transformação e avançar ainda mais para um Maranhão mais justo e próspero”.

Na ausência do governador Carlos Brandão, a deputada-presidente Iracema vale chancelou e justificou o ingresso da FUP na base de apoio de Orleans Brandão: “Orleans é um jovem que agrega inovações ao nosso estado, sabe dialogar e tem trabalhado junto com o nosso governador para melhorar o Maranhão. É alguém preparado para dar continuidade a esse projeto que vem transformando a vida do povo maranhense”.

O evento de ontem, que reuniu parlamentares, prefeitos e vereadores, pode ser considerado um marco na corrida ao Palácio dos Leões. Isso porque o que parecia impensável aconteceu: o governador Carlos Brandão, bem avaliado e política e eleitoralmente forte, abre mão de ser senador da República, tendo como projeto político maior dar suporte à candidatura do seu sobrinho e principal auxiliar. E com o adendo de que Orleans Brandão poderá compor sua chapa tendo como vice uma liderança feminina forte, a prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge.

A corrida sucessória está em pleno curso, chamando agora as atenções ao prefeito de São Luís, Eduardo Braide, que ainda não disse se será ou não candidato, e ao vice-governador Felipe Camarão, que agora sabe que não assumirá o Governo para ser candidato à reeleição.

PONTO & CONTRAPONTO

Candidaturas de André Fufuca e Pedro Lucas colocam Weverton Rocha sob pressão na base governista

André Fufuca e Pedro Lucas Fernandes
colocam Weverton Rocha sob pressão

O ato em que a FUP (União/PP) declarou apoio ao secretário Orleans Brandão (MDB) para o Governo do Estado promoveu uma mudança forte na composição da corrida ao Senado. Sem o governador Carlos Brandão no páreo, a Federação lançou o deputado federal André Fufuca (PP), atual ministro do Esporte, e, para surpresa de muitos – incluindo a Coluna -, do deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União), atual líder do partido na Câmara Federal.

Com a senadora Eliziane Gama caminhando para ser candidata numa eventual chapa do prefeito Eduardo Braide, distanciando-se, portanto, da base governista, os votos da aliança liderada pelo governador Carlos Brandão serão agora divididos entre Weverton Rocha, que já conta com o apoio declarado do mandatário e da deputada-presidente Iracema Vale, e André Fufuca e Pedro Lucas Fernandes. Será uma disputa dura, na qual um deles sobrará, já que são apenas duas cadeiras em jogo. E pode complicar ainda mais se Eliziane Gama reforçar seu cacife daqui até a corrida às urnas.

Ontem, após o lançamento de André Fufuca e Pedro Lucas Fernandes, várias apostas foram feitas, sendo que uma delas é a de que Pedro Lucas Fernandes fará logo as contas e preferirá buscar a reeleição para a Câmara Federal.

Iracema reforça condição de principal articuladora da candidatura de Orleans Brandão

Iracema Vale: participação decisiva na
articulação por Orleans Brandão

O movimento da Federação União Progressista em favor da candidatura do secretário Orleans Brandão consolidou também a deputada-presidente Iracema Vale como um dos quadros mais ativos e bem articulados da política maranhense na atualidade. Aliada incondicional do governador Carlos Brandão, ela tem tido participação decisiva na construção da candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, e nas articulações para as posições políticas que o grupo governista vem tomando.

Em relação da candidatura de Orleans Brandão, ela abraçou o projeto desde a sua fase embrionária, quando recebeu sinal verde do govenador Carlos Brandão para se movimentar. Têm sido dela as iniciativas públicas mais arrojadas em favor do secretário, num jogo dosado de ousadia e habilidade política.

No mês passado, por exemplo, ela reuniu sua base em Urbano Santos e comunicou a decisão de apoiar Orleans Brandão. Depois, apresentou o secretário numa reunião de mulheres legisladoras. Mais recentemente, reuniu a maioria dos integrantes da Assembleia Legislativa e obteve deles o apoio declarado à candidato do emedebista. Isso sem contar os discursos entusiasmados feitos em eventos do Governo no interior

Ontem, na ausência do governador Carlos Brandão, Iracema assumiu a condição de líder principal da aliança governista, e nessa condição recepcionou o presidente da Federação Antônio Rueda e defendeu a iniciativa com o argumento de que “o Maranhão está muito melhor”.

Nessa pisada, a presidente da Assembleia Legislativa caminha para se reeleger com uma votação diferenciada, a exemplo do que aconteceu em 2022, quando saiu das urnas como a primeira mulher eleita deputada estadual com votação acima dos 100 mil sufrágios.

São Luís, 19 de Julho de 2025.

Iracema cobra decisão do Supremo sobre o TCE e garante que Brandão quer pacificar a base pelo diálogo

Iracema Vale entre vereadores exibe o título de Cidadã de Itapecuru Mirim,
recebido ontem em sessão solene na Câmara Municipal daquele município

“A gente espera que termine o mais rápido possível, aguarda que a Justiça dê uma decisão. O povo do Maranhão tem pressa”. A reação foi da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB), na TV Mirante, ontem, ao ser indagada sobre sua expectativa em relação ao processo (ADI nº 8870) sobre regras para a escolha de conselheiros do TCE, que tramita há mais de um ano, no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro Flávio Dino.  A presidente do parlamento estadual não escondeu o seu incômodo com o caso, principalmente pelo fato de que o questionamento das regras pelo deputado Othelino Neto, através do partido, o Solidariedade e caracterizou a iniciativa como uma ação política. Na entrevista, que versou sobre outros temas, a presidente do parlamento estadual não escondeu nem minimizou a situação política, defendendo a postura do governador Carlos Brandão (PSB), que na sua avaliação vem tentando resolver pendências políticas pela via do diálogo.

A chefe do Poder Legislativo foi firme e direta ao comentar, em tom crítico, o fato de o Tribunal de Contas do Estado encontrar-se desfalcado de dois conselheiros, o que sobrecarrega os demais conselheiros e torna o sistema de controle de contas mais lento. Serena, sem aumentar o tom de voz nem exibir o tamanho do seu poder, a deputada Iracema Vale mostrou que a Assembleia Legislativa já fez a sua parte ao promover as mudanças recomendadas e atualizar o Regimento Interno da Casa no que respeita à escolha de conselheiros do TCE, inclusive com pareceres favoráveis da Procuradoria Geral da República e da Advocacia Geral da União. O processo só depende de providências formais do ministro-relator Flávio Dino, não havendo justificativa para o alongamento do tempo para o ponto final.

A presidente do Poder Legislativo demonstrou visível incômodo com a tentativa do PCdoB de ingressar na ação como amicus curiae, iniciativa que foi rechaçada pelo comando nacional da Federação Brasil da Esperança, a exemplo do que acontecera com o Solidariedade, autor da ação, cuja direção nacional agira na mesma linha ao determinar a saída do partido do processo, por considerar não haver mais motivo para continuar a chicana judicial. E chamou a atenção para o prejuízo nas atividades fiscalizadoras e controladoras do TCE com o desfalque injustificado de dois conselheiros.

E mesmo considerando a situação injustificável, a presidente do Poder Legislativo manteve o tom quase diplomático, ainda que dosado de forte tom crítico ao fato de que o que começou como uma questão técnica tenha ganhado uma forte conotação política.

Na defesa que fez do governador Carlos Brandão, de quem é hoje o aliado mais importante na política estadual, fazendo parte do chamado “núcleo duro” do Palácio dos Leões, disse: “O governador Brandão é um pacificador, prega unidade e parceria”. E, sem citar nomes, fez uma denúncia na direção de dissidentes e adversários da base governista: “Há uma tentativa de afastar o governador do Governo Federal, de criar um imbróglio”. Não foi além, mas deixou no ar o que pareceu um alerta de que a tensão na relação com a dissidência dinista da aliança governista vai continuar.

Mas num claro jogo de habilidade política, a deputada Iracema Vale deixou espaço para a possibilidade de recomposição da base governista, reunindo novamente os hoje chamados grupos dinista e brandonista, por mais distanciados que esses grupos estejam no tabuleiro da política maranhense por conta da corrida ao Palácio dos Leões. “Na política, tudo é possível. A política é a arte do diálogo e o governador Carlos Brandão dialoga bem com todos” avaliou, e declarou “Nunca partiu do governador uma fala agressiva”.

Mas enquanto a conciliação não vem – os fatos estão mostrando que ela dificilmente virá -, a presidente da Assembleia Legislativa mantém intensa atividade política e partidária, preparando-se e a seu grupo para a guerra eleitoral do ano que vem. 

PONTO & CONTRAPONTO

Se deixar o PSB, como está sendo especulado, Brandão migrará para o MDB

Carlos Brandão comanda o PSB,
que está na mira de Ana Paula Lobato

Ainda não passa de rumor tênue, mas se de fato o braço maranhense do PSB vier a ser entregue à senadora Ana Paula, que, tudo indica, está se despedindo do PDT e caminhando de volta à legenda socialista, hoje comandada pelo governador Carlos Brandão, haverá uma reacomodação radical na atual composição partidária do Maranhão. São várias as hipóteses.

O desdobramento mais importante será a saída do governador Carlos Brandão e seu grupo, sendo o MDB o seu caminho natural. Vale lembrar que quando o empresário Marcus Brandão assumi o controle do braço emedebista estadual, houve forte especulação dando conta de que o governador Carlos Brandão migraria para o partido controlado pelo irmão. Naquele momento, a deputada Iracema Vale declarou forte simpatia pelo MDB, sinalizando que também migraria para o partido caso o governador decidisse deixar o PSB.

O governador Carlos Brandão e seu grupo permaneceram no PSB, mas o MDB continuou recebendo estímulos para se fortalecer, tanto que saiu das urnas de 2024 com três dezenas de prefeitos, mais forte, portanto, que a legenda socialista.

Em resumo: se o rumor da transferência de controle do PSB maranhense para a senadora Ana Paula vier a se confirmar, o desdobramento natural e mais importante será a migração do governador Carlos Brandão para o MDB, onde tem como principal aliado o prefeito de Bacabal e presidente da Famem, Roberto Costa, hoje a principal liderança emedebista de “raiz”.

E se permanecer no Governo, como tudo está indicando, Carlos Brandão fortalecerá a candidatura do emedebista Orleans Brandão à sua sucessão, podendo apoiar também o eventual lançamento da candidatura da deputada federal Roseana Sarney ao Senado.

Especulações são fortes, mas Pedro Lucas dificilmente disputará o Senado

Pedro Lucas Fernandes:
reeleição ou aventura

Por mais que os ativos nichos de especulação se esforcem, é fora da lógica considerar a possibilidade de que o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União), atual líder do partido na Câmara Federal, abandone uma reeleição quase certa, sem maiores dificuldades, para se embrenhar na aventura de disputar uma cadeira no Senado.

Um dos mais bem-sucedidos políticos da geração que está chegando ao poder no Maranhão, Pedro Lucas Fernandes tem se revelado um bom articulador, não apenas na seara política estadual, mas sobretudo no jogo pesado das forças que atuam no Congresso Nacional. Sua escolha para ser o líder do União teve, é verdade, o apoio decisivo do presidente do partido, Antônio Rueda, foi também, em grande medida, resultado da própria atuação na seara partidária.

Não se duvida de que, como qualquer político jovem, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes tenha ambições, como a de ser senador, prefeito de São Luís e até governador do Estado, por exemplo. Mas entrar agora na corrida ao Senado seria se expor a um risco desnecessário. A começar pelo fato de que disputaria com os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD), ambos em busca da reeleição, e com o deputado federal e atual ministro do Esporte André Fufuca (PP), que há tempos vem trabalhando sua candidatura à Câmara Alta.

A reunião de hoje, na qual a Federação União Progressista (FUP) declarará apoio à pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), ao Governo do Estado, pode produzir evidências sobre o futuro do líder do União na Câmara Baixa.

São Luís, 18 de Julho de 2025.

Apoio da Federação União Progressista a Orleans Brandão pode definir o cenário da disputa em 26

Antônio Rueda vai anunciar o apoio da FUP a
Orleans Brandão para o Governo do Estado

Se tudo o que está programado para esta sexta-feira (18) na seara política governista vier a acontecer, o secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), encerrará a semana como candidato da Federação União Progressista (FUP), que reúne o União Brasil e o Progressistas. Esse movimento representa uma força política e partidária importante no Maranhão, que conta com três deputados federais, cinco deputados estaduais, cerca de 40 prefeitos e um miniexército de vereadores espalhado por todo o estado. O que está programado: a cúpula da FUP, presidida por Antônio Rueda, desembarcará em São Luís amanhã para anunciar que essa máquina partidária vai compor a base de apoio de Orleans Brandão na sua corrida ao Governo do Estado. O movimento é o resultado de intensas articulações do governador Carlos Brandão (PSB).

Não é pouca coisa, muito ao contrário. O braço Maranhense da FUP tem peso político e eleitoral, pois além dos três deputados federais (Pedro Lucas Fernandes, que lidera a bancada do União na Câmara Federal, e Juscelino Filho, do União, e Allan Garcês, do PP) e um ministro de Estado, André Fufuca (Esporte), que é deputado federal e pré-candidato a senador. Cada um a seu modo, União e PP jogaram pesado nas eleições municiais e saíram das urnas com bons lastros, o que hoje, somados, representam mais de 30 prefeitos, entre eles Rildo Amaral (PP), de Imperatriz, por exemplo, que 72 horas atrás, em ato público na presença do governador Carlos Brandão, declarou publicamente seu apoio à candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas.

O apoio declarado da Federação União Progressista fortalece expressivamente e chega num momento em que os fatos começam a dar status de verdade ao rumor de que o governador Carlos Brandão permanecerá no Governo até o final do mandato, abrindo mão de ser candidato a senador. Sua permanência lhe dá o poder de comandar as forças que ele controla na corrida às urnas, o que amplia decisivamente o potencial da candidatura de Orleans Brandão. Ao mesmo tempo, o cumprimento integral do mandato por Carlos Brandão tira do vice-governador Felipe Camarão (PT) a chance de assumir o Governo e concorrer à reeleição no cargo.

A posição da FUP no Maranhão define a situação de dois deputados  federais. André Fufuca, que integra o Governo do PT como ministro do Esporte, e vai concorrer a uma cadeira no Senado como parte da chapa liderada pelo candidato do MDB. O ponto que os liga é que os dois se posicionam como apoiadores da candidatura do presidente Lula da Silva (PT) à reeleição. Há uma incógnita na cúpula na Federação: a posição do deputado federal Juscelino Filho. Atualmente, por conta da tensa situação política de Vitorino Freire, o Governo é apoiado pelo ex-deputado Stênio Rezende (PSB), tio e inimigo político de Juscelino Filho que está distanciado do Palácio dos Leões, podendo declarar ou não apoio a Orleans Brandão no ato de amanhã. Nenhum envolvido na organização do evento garantiu a presença do ex-ministro das Comunicações, que segundo rumores estaria propenso a apoiar o projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão.

A declaração de apoio da FUP a Orleans Brandão será um marco para a corrida ao Palácio dos Leões, por ser um indicador preciso de que o governador Carlos Brandão, mesmo não declarando, está determinado a permanecer no cargo até o final do mandato. E a história recente já mostrou a diferença que faz, num projeto de candidatura a governador, ter  o apoio do chefe do Poder Executivo com pleno poder de fogo.

Em Tempo: Daqui a duas semanas será a vez do PSDB, que sob o comando do seu presidente estadual, secretário chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, juntará seus quadros de peso e declarará apoio à pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas. O tucano-mor nacional, Marconi Perillo, estará presente.

PONTO & CONTRAPONTO

Ataque de Trump ao Brasil derrete máscaras e muda cenário político para 26

Lula da Silva mostra competência no confronto
com Donald Trump e Jair Bolsonaro

O tarifaço irracional com que o inacreditável presidente norte-americano Donald Trump ameaça o Brasil a partir de 1º de agosto como parte da sua igualmente irracional estratégia para intimidar o Supremo Tribunal Federal no processo da trama golpista, do qual o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) poderá sair direto para a cadeia, ao contrário do efeito de uma bomba devastadora, caiu como uma saudável chuva de verão no cenário político nacional, promovendo uma tremenda reviravolta nas tendências para a sucessão presidencial, com o derretimento das máscaras.

Pesquisa feita pelo instituto Quaest mostra que o presidente Lula da Silva (PT), que vinha fortemente pressionado por candidatos ligados à família Bolsonaro, reverteu a tendência e voltou a liderar as intenções de voto, e já com vantagens expressivas, se comparadas às dos últimos levantamentos.

Numa disputa com o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula da Silva teria 32% contra 26% do adversário. Se o adversário fosse a ex-primeira-dama Michelle Bolsona (PL), Lula da Silva teria 30% contra 19% dela. No caso de uma disputa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, Lula lhe teria o dobro dos votos: 30% a 15%.

A explicação está, primeiro, na irracionalidade da postura do mandatário ianque de tentar se intrometer na vida institucional brasileira, ameaçando as instituições, em especial a Suprema Corte, sob os aplausos dos Bolsonaro e sua turma, o que nenhum brasileiro com consciência cívica aceita, pertença ele a qualquer espaço entre a extrema-direita e a extrema-esquerda.

E depois, a serenidade e a competência política e diplomática com que o presidente Lula da Silva vem conduzindo a reação brasileira ao ataque anunciado à economia nacional e a chantagem canalha e criminosa do chefão ianque às instituições brasileiras, certamente pensando que a oitava economia do mundo é uma república de bananas.

A irracional atitude do mandatário dos EUA serviu para mostrar quem são os Bolsonaro e quais são as suas reais intenções.

“Segunda capital” do Maranhão, Imperatriz consolida avanços na festa dos 173 anos

Imperatriz: “Segunda Capital”

Em clima festivo, Imperatriz completou 173 anos nesta quarta-feira (16). E, apesar dos seus muitos problemas, tem razões de sobra para comemorar. Está consolidada como a segunda maior e mais importante cidade do Maranhão, o principal polo econômico do estado depois de São Luís. Detém ainda a condição de segundo maior e mais importante colégio eleitoral maranhense, alcançando ao status de metrópole ao reunir eleitores suficientes para que as suas decisões eleitorais tenham dois turnos, se necessário.

Epicentro econômico, cultural e político da Região Tocantina, com 275 mil habitantes, congrega 15 municípios no seu entorno. Economicamente, a antiga Vila do Frei tem forte base no comércio regional, na pecuária, no agronegócio e na produção de celulose, da qual é uma referência no norte do Brasil. Culturalmente, Imperatriz é uma cidade ativa e ganha cada vez mais expressão nas artes em geral – do teatro às artes plásticas – e, ao sediar a Uema Sul, se transformou num dos polos universitários mais importantes da região.

No campo político, Imperatriz navega entre a direita e a esquerda, tendo abrigado governos de diversas searas ideológicas, como o PT, o PSDB e agora o PP, com o prefeito Rildo Amaral, eleito com o apoio decisivo do ex-prefeito tucano Sebastião Madeira, considerado o maior líder vivo da Princesa do Tocantins. O peso político da antiga Vila do Frei se evidencia com a estatura que lhe está sendo dada pelo governador Carlos Brandão (PSB), que a promoveu a “Segunda Capital” do Maranhão.

São Luís, 17 de Julho de 2025.

Freio: comando de Federação desautoriza PCdoB a entrar na ação sobre escolha de conselheiro do TCE

José Luiz Penna, líder do PV e presidente da Federação Brasil da Esperança desautorizou o PCdoB a entrar na ação isoladamente

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 7780, por meio do qual o Solidariedade questionou no Supremo Tribunal Federal (STF) e vinha tentando manter em aberto a questão envolvendo as regras para a escolha de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) pela Assembleia Legislativa, sofreu novo e decisivo revés, também de natureza partidária. Na linha que atingira duramente o braço maranhense do Solidariedade, duas semanas atrás, o comando nacional da Federação Brasil da Esperança (PT/PV/PCdoB) desautorizou, em tom forte de censura, o PCdoB a ingressar, de forma individualizada, como amicus curiae na ação, considerando dois pontos. O primeiro: como membro da Federação, que existe como um partido, o PCdoB não pode participar de forma isolada de qualquer ação política, parlamentar ou judicial. E segundo: o comando da Federação entende que a ação perdeu sentido depois que a Assembleia Legislativa atendeu a todas as exigências da ação, ou seja, atualizou as regras para a escolha de conselheiro do TCE, que se encontra há quase dois anos com duas vagas abertas por conta da ação.

A pancada do comando nacional da Federação Brasil da Esperança no PCdoB confirma a observação de que a iniciativa do PCdoB de prolongar a tramitação da ADI nº 7780, contrariando o destino dado a ela pelo Solidariedade, cuja direção nacional, em tom igualmente duro, desautorizou o braço maranhense do partido a alimentar a questão, que na sua avaliação não faz mais sentido porque as exigências foram atendidas. O Solidariedade desmontou implacavelmente a estratégia do deputado Othelino Neto, encerrando, sem conversa ou aviso prévio, a participação do partido na ação, por considerar que as pendências foram resolvidas pela Assembleia Legislativa, sob o comando da presidente Iracema Vale (PSB).

No dia 09 de julho, seguindo as pisadas da advogada mineira Clara Alcântara de Almeida Machado, que, não se sabe por qual motivo, pediu ao ministro-relator Flávio Dino o seu ingresso na ação, a direção nacional do PCdoB, também por motivo desconhecido, peticionou ao ministro-relator o seu ingresso na ação também como amicus curiae. Na sua alegação formal, o “partidão” entende como “relevante”, de “interesse social”, debater se a eleição se conselheiro do TCE pela Assembleia Legislativa deve ser ou não por votação secreta, detalhe já resolvido, segundo petição da Assessoria Jurídica do Poder legislativo pedindo ao ministro-relator o encerramento do caso.

A tentativa do PCdoB de entrar no caso não durou uma semana. O poderoso e inclemente petardo de sete páginas, assinado por José Luiz França Penna, presidente da Federação Brasil da Esperança, e formalizado pelo advogado José Sarney Filho (que vem a ser o ex-deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente Sarney Filho, um dos principais líderes do PV nacional e pai do presidente do PV maranhense, Adriano Sarney), foi protocolado ontem na Suprema Corte, e não deixa brecha para reação do comando estadual do PCdoB: “A Federação constitui uma entidade única, com atuação parlamentar e processual unificada, nos termos da legislação vigente, o que torna ilegítima e inadmissível a atuação isolada do PCdoB”.

No arrazoado jurídico de sete laudas, o comando da Federação Brasil da Esperança faz uma avaliação dos desdobramentos do processo, enumera as exigências já resolvidas, reconhecendo que a Assembleia Legislativa já fez a sua parte, não havendo, na sua ótica, qualquer base legal para que a Justiça não devolva o funcionamento normal da Assembleia Legislativa em relação à escolha de conselheiros do TCE. Lembra o revés ocorrido no Solidariedade. E lastreia sua petição com um argumento forte: por conta dessa procrastinação, o TCE encontra-se há quase dois anos sem dois conselheiros, o que sobrecarrega os demais e torna o seu funcionamento mais lento.

O forte movimento de desautorização do PCdoB a se envolver na ADI nº 7780, cujo encerramento só dependente de procedimentos formais por parte do ministro-relator poderá desencadear uma crise na Federação Brasil da Esperança, principalmente no seu braço no Maranhão, onde o PCdoB é presido pelo deputado federal Márcio Jerry e o do PV tem o comando do ex-deputado estadual Adriano Sarney.

PONTO & CONTRAPONTO

Bancada maranhense mantém silêncio em relação à chantagem de Trump contra o Brasil

Bancada não se manifesta sobre
as ameaças de Donald Trump ao Brasil

Não se sabe o motivo ou os motivos, mas o fato é que nenhum senador ou deputado federal do Maranhão entrou num debate sobre a tentativa do presidente norte-americano Donald Trump de chantagear a Suprema Corte do Brasil usando covardemente o poder econômico do seu país para salvar da cadeia o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A chantagem do presidente ianque ameaça com tarifaço de 50% todos os produtos brasileiros que entrar nos EUA, o que pode prejudicar gravemente, inclusive com demissões massivas, vários setores importantes da economia brasileira.

Tudo isso sob o argumento desonesto e hipócrita segundo o qual o Brasil vive uma “ditadura” porque está na iminência de julgar os responsáveis por uma trama que por pouco não impediu a posse do presidente eleito Lula da Silva (PT) e não implantou uma ditadura tendo o presidente derrotado e sem mandato como ditador.

Ao ameaçar o Brasil por conta da situação crítica do seu ex-presidente brasileira, o presidente norte-americano – que vem exibindo nítidas propensões ditatoriais -, ameaça um país soberano, de dimensões continentais, que abriga mais de 200 milhões de habitantes, é a oitava economia do mundo, tem uma Constituição moderna e avançada, eleições regulares pelo mais moderno sistema eleitoral do mundo (à prova de fraude), que tem leis para serem respeitadas e não aceita a ingerência de quem quer que seja na vida nacional. Tem uma legislação de reciprocidade e não teme aos arroubos de um vizinho hoje comandado por um líder de extrema-direita, mentiroso, chantagista, ultrapassado, e que nada tem além da vontade de mandar sem controle e o poder econômico e militar do país.

No caso do processo da tentativa de golpe de estado, a Suprema Corte do Brasil conduz um processo exemplar, dentro do pleno estado democrático de direito, realizando um julgamento transparente, dando aos acusados o amplo direito de defesa. A Suprema Corte já sinalizou que não vai dar a menor bola para a chantagem do chefão dos EUA. A começar pelo fato de que o ex-presidente Jair Bolsonaro está nessa situação porque ele a cavou, tramou, arquitetou o golpe com a sua turma e só não foi bem-sucedido porque os chefes militares deram preferiram a legalidade e a democracia.

Soa estranho e inexplicável que quase nenhum dos três senadores e 18 deputados federais tenha se manifestado firmemente em relação a esse cenário que vem impondo tensão à Nação.

Chiquinho da FC define apoio à reeleição de Francisco Nagib e Juscelino Filho, e deve apoiar Camarão e Lula

Chiquinho da FC já declarou apoio
a Francisco Nagib e Juscelino Filho

Fora do grande contingente de prefeitos que estão alinhados ao Palácio dos Leões, o dirigente de Codó, Chiquinho da FC (PT), deu o primeiro passo para definir o a grande de candidatos que apoiará nas eleições do ano que vem. E falta pouco para compor o grupo.

Ele liderou um grande ato político, no domingo, para anunciar que os seus candidatos à Assembleia Legislativa é o deputado Francisco Nagib (ainda no PSB), seu filho e parceiro político, e que busca a reeleição, e à Câmaras Federal é o deputado federal Juscelino Filho (União). Ele ainda não definiu os seus dois candidatos a senador.

Em relação à disputa pelo Palácio dos Leões, o prefeito Chiquinho da FC declarou apoio ao projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT), que foi por ele recebido com um grande ato político duas semanas atrás.

No plano nacional, a menos que dê um “cavalo-de-pau” arrojado e imprevisível, Chiquinho da FC, agora na condição de petista militante, deverá apoiar a candidatura do presidente Lula da Silva à reeleição.

Chiquinho da FC é o primeiro prefeito de grande cidade a definir candidatos às eleições do ano que vem.

São Luís, 16 de Julho de 2025.

Econométrica mostra tendência de dois turnos entre Braide e Brandão, com Bonfim ameaçando e Camarão fora

Eduardo Braide lidera, com Orleans Brandão em segundo, Lahesio Bonfim
em terceiro e Felipe Camarão em quarto lugar

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), continua estabilizado na liderança das preferências do eleitorado para o Governo do Estado, com 30,6% das intenções de voto, enquanto o vice-governador Felipe Camarão (PT) aparece em quarto lugar, com 12,5%. O diferencial desse cenário encontrado pela pesquisa está na posição do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), que desponta em segundo, com 22,4% das intenções de voto, seguido do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo), com 20,7%. Um contingente de 4,9% de eleitores insatisfeitos disse que votará nulo ou em nenhum deles, e outros 8,8% responderam que não sabem ou preferiram não opinar.

O quadro do momento prevê dois turnos, foi encontrado pela Econométrica, um dos mais respeitados institutos de pesquisa da região, em levantamento realizado no período de 2 a 7 de julho, que ouviu 1.302 eleitores em todo o estado, e que tem margem de erro de 2,7%, para mais ou para menor.

A arrancada do secretário Orleans Brandão é surpreendente, a começar pelo fato de que, há cerca de seis meses, ele aparecia com apenas um dígito, variando de cinco a oito pontos percentuais em diversas pesquisas. A virada foi progressiva, mas rápida, mesmo levando em conta dois fatos: ele até agora não disse que é candidato e por que que tem o seu projeto de candidatura até aqui atrelado à decisão do governador Carlos Brandão (PSB) de permanecer no cargo – o que confirmará sua candidatura – ou deixar o Governo e disputar o Senado, o que pode alterar radicalmente os seus planos. Orleans Brandão encontra-se em ritmo forte de pré-campanha, cumprindo uma intensa agenda de eventos, inaugurações e lançamentos. Essa agenda incluiu recentemente, por exemplo, dois eventos de grande peso: a reunião que juntou, na semana passada, mais da metade da Assembleia Legislativa, coordenada pela presidente Iracema Vale (PSB), e o ato em que recebeu o apoio de 25 dos 31 vereadores de São Luís, num movimento articulado pelo presidente do parlamento ludivicense, vereador Paulo Victor (PSB).

No cenário de agora, o candidato do Novo, Lahesio Bonfim, aparece como a grande ameaça ao secretário de Assuntos Municipalista, com quem está tecnicamente empatado, à medida que se mantém nesse patamar num contexto em que são poucos os votos indecisos. Conforme a pesquisa, os quatro candidatos já levaram mais de 85% dos votos declarados, deixando apenas 8,8% de indecisos.

A pesquisa mostra o vice-governador Felipe Camarão em quarto lugar, com 12,5%, numa situação incômoda para quem é candidato assumido, está em ritmo forte de pré-campanha e tem como trunfo principal o suporte político e partidário do presidente Lula da Silva, do seu partido, o PT, e apoio declarado do grupo remanescente da liderança do ex-senador Flávio Dino, agora ministro do Supremo Tribunal Federal. Mas estranhamente passa a impressão de que está sozinho nesse desafio. O seu projeto de candidatura surgiu quando havia a possibilidade de o governador Carlos Brandão (PSB) renunciar para disputar o Senado e ele assumir o Governo e concorrer à reeleição como governador. Esse projeto, porém, está sendo desmontado à medida que o governador emite sinais fortes de que permanecerá no cargo e apoiará a candidatura de Orleans Brandão à sua sucessão.

É claro que o cenário de agora é uma tendência, desenhada a nove meses da data fatal para a renúncia ou permanência do governador, fator decisivo na corrida ao voto, e a catorze meses e meio da eleição, o que leva à avaliação de que há tempo para que muita água role nos bastidores da política estadual.

PONTO & CONTRAPONTO

Números mostram que disputa para as cadeiras do Senado vai depender de decisão do governador

Carlos Brandão e Weverton Rocha lideram, seguidos de Roberto Rocha,
André Fufuca, Eliziane Gama e Pedro Lucas Fernandes

A pesquisa Econométrica encontrou um cenário curioso, mas lógico, para a corrida às duas vagas do Senado. O governador Carlos Brandão (PSB) lidera com 18,6% das intenções de voto, seguido do senador Weverton Rocha (PDT), que avança na corrida à reeleição com 16,1%, numa sequência na qual o ex-senador Roberto Rocha (sem partido) aparece com 11,8%, o ministro do Esporte, André Fufuca (PP), com 11,2%, a senadora Eliziane Gama (PSD) com 9,9%, e o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União) com 6,1%.

Chama a atenção o fato de os nomes postos para o Senado tenham baixa manifestação de intenção de voto. A posição do governador Carlos Brandão pode ser facilmente explicada com o fato de ele ainda não haver batido o martelo em relação ao seu futuro político. Mesmo assim, ele lidera as preferências, levando à projeção de que, caso se declare candidato a senador, o seu percentual de intenção de voto aumentará significativamente.

Assim como em relação à corrida ao Palácio dos Leões, a disputa pelas cadeiras no Senado está atrelada à decisão do governador Carlos Brandão de sair candidato ou permanecer no cargo. Na primeira hipótese, a tendência mostrada em todas as pesquisas até aqui é a de que o mandatário será o candidato com maior poder de fogo para se eleger, isolando uma das vagas, ficando a outra para uma dura peleja entre os demais candidatos.

Nesse contexto, observadores experientes preveem que o grande duelo se dará entre Weverton Rocha e André Fufuca, que tem um grande potencial a ser explorado, mas sem menosprezar o potencial do ex-senador Roberto Rocha, que tenta atrair as correntes de direita e extrema-direita. A senadora Eliziane Gama terá chance de reação se o prefeito Eduardo Braide for candidato a governador e coloca-la como prioridade na sua chapa.

No que diz respeito ao deputado federal Pedro Lucas Fernandes, a inclusçao do seu nome parece ter sido aleatória, porque não há qualquer sinal de que ele tenha interesse de trocar uma reeleição fácil por uma aventura de altíssimo risco.

A pesquisa Econométrica mostra que há muito o que ser definido na corrida às duas cadeiras do Senado, e que as chaves para a solução estão com o governador Carlos Brandão e com o prefeito Eduardo Braide.

Curiosidade: pesquisa quis saber se o eleitor acha que Flávio Dino faz política partidária no Maranhão

Flávio Dino: mais da metade dos ouvidos em pesquisa acha que ele faz politica partidária no Maranhão

O levantamento da Econométrica fez uma investigação curiosa. Perguntou aos entrevistados se eles acham que o ministro Flávio Dino, da Suprema Corte, está fazendo política partidária no Maranhão. E a resposta foi mais do que previsível: 54,5% responderam que “sim”, entendendo que o ministro faz política partidária no estado, e 35,1% responderam “não”, avaliando que o ministro não faz política partidária no estado. E 10,4% não souberam ou não quiseram responder.

A investigação seria mais completa se, além da indagação-chave, “faz” ou “não faz”, tivesse sido sugerido aos entrevistados exemplos da ação política partidária.

Sem essa segunda provocação, as respostas produzem uma série de indagações. Ao se tornar ministro da Suprema Corte, Flávio Dino renunciou formalmente à sua vida política e partidária. Ele deixou o PSB, partido comandado pelo governador Carlos Brandão. E, salvo uma fala sugerindo uma advogada para vice de Felipe Camarão, no curso de uma palestra, não há registro de qualquer declaração do ministro a respeito do cenário político do Maranhão.

A explicação para o “sim” encontrado pela pesquisa pode estar na peleja judicial entre o Solidariedade, comandado pelo deputado Othelino Neto, integrante do chamado grupo dinista, tentando emparedar a Assembleia Legislativa com ações questionando a eleição de presidente da Casa, e mudando as regras para a escolha de conselheiro do TEC. O grupo dinista foi derrotado nas duas no tapetão da Suprema Corte, o que, por essa ótica, caracterizaria também derrota do ministro nos dois casos. Também há o aval não declarado à candidatura de Felipe Camarão ao Governo do Estado, em qualquer circunstância.

Não há, além disso, qualquer movimento, gesto ou palavra que demonstre o envolvimento de Flávio Dino na política partidária do Maranhão, que tem hoje o governador Carlos Brandão como principal protagonista. Esse é o cenário visível e alcançável. O que acontece nos bastidores mais fechados é quase impossível desvendar.

Num outro plano, muita gente acha que Flávio Dino voltará à política partidária, provavelmente nas eleições do ano que vem.

São Luís, 15 de Julho de 2025.