Carlos Brandão, Weverton Rocha e Josimar de Maranhãozinho fecham 2019 de olho no Palácio dos Leões em 2022

 

Carlos Brandão, Weverton Rocha e Josimar de Maranhãozinho: movimentos em direção aos Leões em 2022

Por mais que uma ou outra voz de peso lembre que ainda é muito cedo para tocar no assunto, a verdade indiscutível e dominante no meio político é a de que a corrida sucessória de 2022 já começou, tanto no plano federal, quanto na seara estadual. O Maranhão político encerra 2019 observando atentamente a três movimentos que visam o Palácio dos Leões. Um deles é protagonizado pelo vice-governador Carlos Brandão (PRB), que busca reunir cacife para tornar-se o sucessor natural do governador Flávio Dino (PCdoB); o outro é liderado pelo senador Weverton Rocha (PDT), que saiu das urnas de 2018 cacifado para se lançar como cabeça de chapa da aliança comandada pelo governador Flávio Dino; e o terceiro é chefiado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), que corre por fora com parecendo decidido a ser candidato a governador de qualquer maneira. Nesse tabuleiro ainda impreciso, além de impulsos cada vez menos frequentes do senador Roberto Rocha (PSDB) e de uma perspectiva ainda nebulosa do deputado federal Eduardo Braide (Podemos), a Oposição politicamente mais forte e concentrada no que restou do Grupo Sarney não dá sinais de projetos no campo sucessório estadual, mantendo a ex-governadora Roseana Sarney como possibilidade. Assumidos ou ainda não, os aspirantes à sucessão de Flávio Dino entrarão 2020 focados nas eleições municipais, cujos resultados serão decisivos para 2022.

O vice-governador Carlos Brandão há tempos assumiu a condição de candidato a candidato a governador. O fez autorizado pela excelente relação pessoal, institucional e política com o governador Flávio Dino, que o tem na conta de um vice correto, útil e confiável. Ao contrário de vices que vivem a eterna “expectativa de direito” e se dedicam à conspiração para minar o titular, Carlos Brandão firmou-se como um membro destacado da equipe de Governo, assumindo tarefas de grande importância, como as de correr o mundo em busca de investimentos para o Maranhão, atuando também como representante do chefe e de governador temporário em várias ocasiões, sem o registro de qualquer deslize ou excesso que arranhasse a confiança. Ao mesmo tempo, Carlos Brandão alinhavou uma agenda de conversas políticas com interlocutores importantes, como deputados federais, deputados estaduais, prefeitos e vereadores de todas as cores partidárias, bem como líderes da sociedade civil organizada, empresários, líderes comunitários e sindicais, artistas, intelectuais e jornalistas. Com esses movimentos fecha 2019 embalado para intensificar sua agenda em 2020, pretendendo ampliar seu cacife nas eleições municipais. Movimenta-se com o aval discreto, mas descompromissado, do Palácio dos Leões

Conhecido como “uma máquina de fazer política”, como definem   aliados e adversários, o senador Weverton Rocha ampliou muitas vezes os seus movimentos de candidato a candidato a governador, trabalhando em três frentes para fortalecer seu projeto de candidatura. Primeiro tenta ampliar o raio de ação do PDT, que comanda com mão de ferro. Segundo, intensifica sua aproximação com prefeitos por meio da Famem, presidida por seu coordenador, Erlânio Xavier, prefeito de Igarapé Grande. E, terceiro, exerce um mandato senatorial de maneira integral, propositiva e com posições políticas firmes no campo oposicionista, atuando ainda como articulador eficiente. Com essas credenciais, Weverton Rocha opera sem descanso para viabilizar seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões em 2022, mas sempre ressalvando que a empreitada está diretamente relacionada com o caminho que o governador Flávio Dino vier a tomar visando sua própria sucessão. O senador sabe que as eleições municipais, especialmente a de São Luís, terão peso decisivo na corrida sucessória estadual, e já investe forte para que o resultado das urnas reforce o lastro político e eleitoral que está construindo para chegar em 2022 devidamente cacifado. Seus movimentos são também discretamente avalizados, mas também sem compromisso, pelo Palácio dos Leões.

O terceiro movimento aberto e assumido para a sucessão estadual é feito pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, chefe do PL no Maranhão. Político controvertido, dono de surpreendente poder de persuasão e movido por um arrojo incomum, Josimar de Maranhãozinho se move na corrida sucessória respaldado por uma bancada com três deputados federais e outra com quatro deputados estaduais, além de um batalhão de prefeitos e vereadores espalhados nas mais diversas regiões do estado. Esse cacife o fez campeão de votos para a Câmara Federal (191 mil), e sua mulher, Detinha (88 mil), campeã na corrida à Assembleia Legislativa. Aliado do governador Flávio Dino, com momentos furta-cor, Josimar de Maranhãozinho faz uma política agressiva, do tipo preto no branco, com resultado, e em vários aspectos polêmica. Ele não mede esforços nem meios para alcançar seus objetivos e já deixou claro, em várias entrevistas, que o projeto de disputar o Governo do Estado é para valer, independentemente do desenho que venha a ser dado pelo governador Flávio Dino. Sabe que dificilmente será o candidato do Palácio dos Leões, mas está determinado a seguir em frente, apostando que sairá fortalecido das eleições municipais.

Os três, cada um a seu modo, vão jogar duro na corrida eleitoral de 2020, certo de que o resultado que sair das urnas será decisivo para seus projetos de poder.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roseana Sarney saiu do casulo e voltou à ribalta como estrela do MDB

Roseana Sarney: parece longe da aposentadoria política

Em uma das suas edições do início do ano, a Coluna previu que, ao contrário do que muitos apostavam, a derrota eleitoral de 2018 e a posição do MDB contrária à sua ascensão à presidência do partido no estado poderiam até fazer a ex-governadora Roseana Sarney se recolher por uns tempos, mas que ninguém se enganasse: ela não estava aposentada e, cedo ou tarde, sairia do casulo para, de alguma maneira, retomar seu posto de estrela maior do partido. Não deu outra. Logo em março, a ex-governadora desembarcou em Brasília e foi eleita por aclamação membro da Executiva nacional do partido. Depois, viu seu nome ser colocado na teia de especulações sobre candidaturas à Prefeitura de São Luís. Ele desconversou, pronunciou uma frase politicamente intraduzível: “Nem, nem, nem”, mas que alguns leram como “nem sim, nem não”.

Roseana Sarney voltou à tona no final de novembro, quando o deputado Roberto Costa, vice-presidente do MDB, num discurso imprevisto numa tarde de terça-feira na Assembleia Legislativa, surpreendeu o meio político ao lançá-la, sem consulta prévia, candidata do MDB à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). Foi um rebuliço dentro e fora do partido. O gesto de Roberto Costa era, na verdade, uma prévia para um movimento bem mais amplo: uma reunião de líderes municipais, que traria a São Luís o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, e que acabou se transformando numa grande festa lançar a candidatura ex-governadora. O encontro foi bem sucedido, ainda que ela tenha deixado a resposta no ar e indicado que dificilmente aceitará o desafio. Mas ficou claro que qualquer definição do MDB passará pelo seu crivo.

Para ser ou não candidata a prefeita de São Luís, o fato é que Roseana Sarney deu mostras claras de que gostou de voltar à ribalta da política ouvindo apelos do seu partido para entrar na briga. Há quem diga que ele prefere manter seu cacife para 2022. Sua nada modesta mensagem natalina exibida em horário nobre da TV Mirante pode ser um indicador do que vem por aí.

 

PCdoB está próximo de decidir entre Rubens Júnior e Duarte Júnior

Rubens Júnior e Duarte Júnior: o escolhido pelo PCdoB deve ter o apoio do não escolhido

No dia 1º de janeiro começará uma espécie de contagem regressiva para o PCdoB decidir entre o deputado federal   Rubens Júnior e o deputado estadual Duarte Júnior quem será o seu candidato a prefeito de São Luís. O martelo será batido em janeiro ou ao longo de fevereiro, de modo que quando as águas de março chegarem, o partido já terá superado a faze da escolha e o candidato já deverá estar se movimentando em pré-campanha. Há quem diga que se não for escolhido, Rubens das Cidades e Desenvolvimento urbano, deixará a equipe governamental e retornará a Brasília, sem deixar uma crise no seio do partido. Já muitos acreditam que se não for escolhido, o deputado Duarte Júnior poderá deixar o PCdoB e procurar uma legenda para ser candidato por conta própria, sem o aval do Palácio dos Leões. Mas a verdade é que o governador Flávio Dino e o presidente do partido, deputado federal Márcio Jerry, vão trabalhar o sentido de que a escolha seja feita sem traumas, com o escolhido contando com o apoio do não escolhido. É o que deve acabar acontecendo.

São Luís 29 de Dezembro de 2019.

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