Carlos Brandão se consolida na base política de Flávio Dino e é apontado por muitos como nome forte para 2022

 

Com Flávio Dino: cosolidaççao noprimeiro mandato; co,o “embaixador” do maranhçao na China; filiando-se ao PRB deppois de perder o PSD, e comemorando a posse na Assembleia Legislativa, com Flávio Dino na presença do presidente do Poder, deputado Othelino Neto (PCdoB)

“Olá, como vai?”, “Tudo bem com você?”, “Muito prazer em vê-lo”, são frases de cumprimento que, acompanhadas de abraços, apertos de mão, tapinhas nas costas e efusivos gestos de “positivo”, com o polegar apontado para o céu, estão virando marca do vice-governador Carlos Brandão (PRB), que, com o evidente aval do governador Flávio Dino (PCdoB), circula e participa dos atos oficiais com desenvoltura cada vez maior, parecendo, em alguns momentos, um político em pré-campanha. Com esse comportamento efusivo, que vem elaborando cuidadosamente de uns tempos para cá, o vice-governador alimenta fortemente o zumzum corrente nos bastidores do Governo e fora deles dando conta de que está abrindo caminho para ser opção forte e viável ao Palácio dos Leões à sucessão do governador Flávio Dino. Essa situação ficou muito clara sexta-feira (15), no concorrido ato de posse do ato de posse dos novos secretários de Estado, entre eles Luis Fernando Silva, e no qual Carlos Brandão se comportou e foi reconhecido como um quadro politicamente diferenciado da grande aliança que dá suporte ao atual Governo.

No ato de sexta-feira, Carlos Brandão se movimentou como um pré-candidato, mas com as cautelas de quem sabe onde está pisando e aonde quer chegar. Foi apontado como o principal articulador da surpreendente guinada por meio da qual Luis Fernando Silva – que fora por ele levado para o PSDB depois que deixara o PMDB, na esteira do fracasso da sua tentativa de sair candidato ao Governo do Estado em 2014 -, deixou a Prefeitura de São José de Ribamar para tomar assento no 1º escalão do Governo do Estado. E o próprio ex-prefeito, no seu discurso de posse na Secretaria de Programas Estratégicos, fez questão de saudar vice-governador com distinção excepcional, demonstrando que, se não foi principal responsável pela guinada, teve participação decisiva na operação, da qual participaram também os secretários Marcelo Tavares (Casa Civil) e Rodrigo Lago (Comunicação e Articulação Política).

Chefe da Casa Civil no Governo de José Reinaldo Tavares, em seguida deputado federal e chefe do PSDB maranhense, Carlos Brandão chegou à vaga de vice na chapa liderada por Flávio Dino em 2014 por arranjo partidário. Naquele momento, era importante ter um tucano na chapa, e ele liderava os tucanos e tinha o aval integral do ex-governador José Reinaldo Tavares.  Eleito, revelou-se um vice leal e ativo e aos poucos foi ganhando a confiança do governador, para em pouco tempo se tornar um aliado correto, eficiente, a quem foram confiadas diversas missões de envergadura, além de cumprir curtos períodos de ausência do chefe, assumindo o Governo interinamente sem cometer uma só gafe. Mais adiante, recebeu tarefas como representar o governador em Brasília e no exterior, tendo ido à China, Europa e Estados Unidos em missões oficiais em busca de parcerias. Tornou-se uma espécie de embaixador itinerante do Maranhão.

No campo político, Carlos Brandão levou o PSDB a uma grande vitória nas eleições municipais de 2016, saindo das urnas com 29 prefeitos, só perdendo para o PCdoB, que elegeu 46. Sofreu, porém, um duro revés em 2017, quando iludido pela falsa expectativa de que seria m ais forte no Maranhão, o comando nacional dos tucanos decidiu tirar-lhe da direção do PSDB e entregá-la ao senador Roberto Rocha. Aparentemente abatido pela subida perda de poder partidário, o vice-governador filiou-se ao PRB, perdeu o apoio de vários prefeitos, já que nem todos prefeitos tucanos o acompanharam na migração para o PRB, que no Maranhão é comandado pelo deputado federal Cleber Verde.

Ao longo do primeiro Governo Flávio Dino, o vice Carlos Brandão foi testado e retestado nos mais diferentes – confiabilidade, lealdade, desempenho administrativo, articulação política, entre outros -,   conseguindo passar em todos em todos os testes, a começar pelo da lealdade, alcançando com o tempo o status pleno de vice-governador e de um dos braços fortes do Governo, com assento cativo no chamado “núcleo de ferro” do governador Flávio Dino.

A julgar pela maneira hábil como vem se movimentando no cenário sucessório em plena evolução, afirmar, agora, que Carlos Brandão é o candidato do governador Flávio Dino à sua sucessão é demasiadamente precipitado. Mas apontá-lo como um dos nomes com cacife para vir a ser o candidato faz todo sentido. A começar pelo fato é que essa possibilidade permeia todas as conversas sobre a corrida ao Palácio dos Leões em 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sarney não teria avalizado integralmente o Acordo sobre Alcântara firmado ontem com os EUA

José Sarney tem laço forte com Alcântara e não aprova integralmente o Acordo de Salvaguarda Tecnológica firmado por Jair Bolsonaro com os Estados Unidos

A assinatura, ontem, em Washington do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) entre os Governos do Brasil e dos Estados Unidos para permitir o uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) pelos Estados Unidos, não foi aplaudida pelo ex-presidente José Sarney (MDB), chefe de um dos Governos que mais investiu na implantação do CLA. Por mais liberal que possa aparentar, José Sarney tem um forte traço nacionalista na sua cultura política, e vê Alcântara como um poderoso instrumento de poder do Brasil. Ele apoia o AST, mas faz reservas ao “liberou geral” da versão que passou a vigorar desde ontem. Não concordou com a versão do Governo FHC, na qual os norte-americanos impunham uma série de restrições à presença de brasileiros nos seus lançamentos e que acabou rejeitada pelo Congresso Nacional em 2000. Defendeu, mais do que outro aspecto, a troca de tecnologias, apostando que o Brasil poderia ter ganhos tecnológicos imensuráveis se houvesse uma maior flexibilização nesse sentido, principalmente pelos EUA. Ontem, uma fonte ligada ao ex-presidente soprou à Coluna que, mesmo entendendo tratar-se de um passo importante decisivo para o futuro do CLA, ele não fez muita festa com a versão do AST que acabou prevalecendo.

 

Aniversário da Lava-Jato não deu bola para a mala de dinheiro que Alberto Youssef entregou no Hotel Luzeiros

Alberto Youssef foi preso no Hotel Luzeiro, mas a mala de dinheiro que ele entregou a emissário palaciano, minutos antes da prisão nunca apareceu

O quinto aniversário da Operação Lava-Jato, registrado no Domingo (17), trouxe à tona um balanço altamente positivo do terremoto policial-judicial, com forte tintura política: centenas de investigados, 153 condenados, entre eles o presidente Lula da Silva (PT), três ex-governadores, vários ex-poderosos, e a devolução aos cofres públicos de RS 38,5 bilhões, resgatados no Brasil e no exterior, frutos, em grande parte, da delação sem-vergonha – muitas duvidosas e outras mentirosas – de bandidos sem honra, feitas não como gestos de remissão, mas comente para aliviar o peso da condenação, tudo tingido fortemente por gravíssimos erros e pecados judiciais e demonstrações afrontosas de abuso de poder de juízes, procuradores e delegados. Mas curiosamente, o quinto ano não trouxe qualquer traço de esclarecimento sobre o destino da mala dinheiro que o doleiro Alberto Youssef passou a frente minutos antes de ser preso pela Polícia Federal nas dependências do Hotel Luzeiros, naquela noite de 17 de Março de 2014 em São Luís. Ao ser preso, Alberto Youssef revelou que a mala continha R$ 1,4 milhão em propina e teria sido entregue a Marco Antonio Ziegert, assessor do Palácio dos Leões, que deveria entregá-la a um figurão do Governo que nunca foi devidamente identificado. Com a operação para prender Alberto Youssef em São Luís, a PF procurava um infrator financeiro que intermediava propina para corruptos da máquina pública e acabou se deparando uma gigantesca teia de dreno criminoso dos recursos do País.

 

PSOL< PCB e PSTU devem se juntar em aliança para disputar Prefeitura de São Luís

Os raros sinais emitidos pelos braços maranhenses da esquerda radical indicam que PSOL, PCB e PSTU começam a se movimentar para formar uma aliança para as eleições municipais do ano que vem, principalmente na disputa para a prefeitura de São Luís. O PSOL, que é o mais articulado e promissor dos três, não descarta lançar candidato à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT), e ainda em base embrionária, examina nomes para definir um candidato. Um nome com potencial é o do jornalista e professor universitário Franklin Douglas (foto), militante intenso e coerente na defesa dos postulados da ultra-esquerda, apontado também como viável para disputar uma cadeira da Câmara Municipal da Capital. Parceiros tradicionais e preferenciais, PSOL, PSTU e PCB deverão conversar ao longo dos próximos meses, de modo a entrar em 2019 com um projeto eleitoral pelo menos alinhavado.

São Luís, 18 de Março de 2019.

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