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Brandão e Dino mantêm aliança firme e deixam sem lastro especulações sobre crise

Flávio Dino e Carlos Brandão exibem convênio emoldurados pela senadora Ana Paula Lobato e o secretário Murilo Andrade, de Administração Penitenciária do Maranhão

Continua errando feio quem mantém aposta no improvável afastamento político entre o governador Carlos Brandão (PSB) e o ministro Flávio Dino, da Justiça e Segurança Pública. A inauguração, quarta-feira (7), das novas instalações do Instituto de Criminalística, da entrega de viaturas ao Sistema de Administração Penitenciária e da implementação do Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab) no Maranhão, resultado de investimentos feitos pelo Governo Federal por meio do Ministério da Justiça, mostrou que, ao contrário do que muitos gostariam, os dois estão afinados nos dois campos. Isso significa dizer que o governador Carlos Brandão está levando seu Governo à frente sem a tão especulada ingerência do ministro Flávio Dino na gestão estadual, ao mesmo tempo em que não há qualquer sinal de insatisfação do governador em relação às ações do Ministério da Justiça no Maranhão, nem de algum movimento político fora da curva por parte de um ou de outro.

A Coluna já fez esse registro, mas faz questão de reafirmá-lo, por uma razão muito simples: em que pesem as diferenças ideológicas, doutrinárias e programáticas que os separam, o governador Carlos Brandão e o ministro Flávio Dino por um elo maior que eles dois e do que os interesses políticos que os movem: o Maranhão. São os compromissos e as ações que, embalados pelo afinamento das suas relações, lhes dão força política para que mantenham o poder de dar as cartas no tabuleiro da política estadual. Ou seja, Carlos Brandão e Flávio Dino sabem que unidos, o poder de fogo deles é ilimitado. Mas se desativarem os mecanismos de fortalecimento da aliança política, perdem os três: o governador, o ministro e o estado.

Cada um a seu modo, Carlos Brandão e Flávio Dino lideram a grande aliança político-partidária num momento ímpar. Saíram vitoriosos da terceira eleição consecutiva, sem qualquer força concentrada na oposição, com cacife para manter a hegemonia em pleitos vindouros. E com a dádiva sonhada por todos os governantes estaduais: ter no presidente Lula da Silva (PT) e no seu Governo aliados de primeira linha. Enfim, o melhor dos mundos político e administrativo, se levado em conta o que foram os quatro anos de hostilidade contínua e improdutiva do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) em relação ao Maranhão.

No momento, os ambientes políticos estadual e federal não extremamente favoráveis aos dois. No plano estadual, o governador Carlos Brandão trabalha uma bem-sucedida estratégia de unidade política, reduzindo cada vez mais o tamanho da Oposição, com o apoio quase unânime da Assembleia Legislativa e dos prefeitos, algo pouco visto no estado em tempos recentes. No cenário nacional, o senador licenciado Flávio Dino (PSB) ganha projeção nacional como o mais destacado membro da equipe ministerial do presidente Lula da Silva, e com participação ativa no embate político contra as investidas das forças de direita que seguem a orientação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No campo partidário, Carlos Brandão e Flávio Dino continuam jogando juntos nas fileiras do PSB, hoje, de longe, o maior e mais forte partido do Maranhão.  Houve – e continua havendo – especulações dando conta de que o governador Carlos Brandão estaria avaliando a possibilidade de migrar para um partido sobre o qual tenha liderança plena. Pode ser que isso venha a acontecer, uma vez que o governador Carlos Brandão tem o seu próprio projeto político, com identidade ideológica, mas nada indica a ocorrência eventual de uma mudança comprometa a relação com o ministro Flávio Dino. Ao contrário, vista pelo viés do pragmatismo, uma mudança dessa natureza pode até fortalecer a relação deles.

Já sabido que as visitas do ministro Flávio Dino ao Maranhão sempre levam a alguns observadores a enxergarem sinais de crise. Mas elas até agora não apareceram.

 PONTO & CONTRAPONTO

Equipamentos vão reforçar o Sistema de Segurança Pública

Flávio Dino e Carlos Brandão entrega as instalações do Icrim, com a presenta da senadora Ana Paula Lobato, da deputada federal Amanda Gentil (direita) e do deputado estadual Zé Inácio (PT) à esquerda

Na visita de trabalho que fez quarta-feira ao Maranhão, o ministro Flávio Dino, da Justiça e Segurança Pública deixou como saldo um Sistema Estadual de Segurança Pública mais fortalecido. Ele entregou ao governador Carlos Brandão três viaturas destinadas à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), equipamentos para a implementação do Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab) no Maranhão, e participou da entrega, pelo governador do Estado, da reforma estrutural do Icrim.

“Ele esse novo equipamento vai aprimorar qualitativamente as investigações criminais e, com isso, fortalecer e melhorar a Segurança Pública. A gente precisa da polícia investigativa bem preparada, assim como a polícia ostensiva bem capacitada, bem como um conjunto de ações que dinamize toda esta estrutura para fazermos um bom trabalho. Os dados da segurança no Maranhão são bons, mas precisam melhorar cada vez mais. Minhas palavras são de gratidão ao ministro Flávio Dino e em especial ao presidente Lula, que tem dado atenção especial às necessidades da população”, declarou o governador Carlos Brandão.

Por sua vez, o ministro Flávio Dino assinalou: “Isso vai significar mais qualidade nas investigações porque essa rede nacional permite que haja um exame adequado em cada crime, sobretudo dos crimes violentos letais, especialmente sobre a origem dos projéteis. Com isso, o trabalho dos peritos do Maranhão será ainda mais eficiente para identificar a autoria de crimes como homicídios. Estamos mostrando mais uma vez que o presidente Lula tem uma atenção especial ao Maranhão”.

Os equipamentos entregues ao Governo do Estado custaram à União R$ 3,6 milhões enquanto seu preço de mercado está no patamar de R$ 12 milhões. E o mesmo utilizado pela Interpol, nos Estados Unidos e em mais de 80 países.

Paulo Victor pode ficar no PCdoB ou migrar para outro partido

Paulo Victor pode mudar de partido para
enfrentar Eduardo Braide nas urnas

O presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor, pretende sair candidato à Prefeitura da Capital pelo PCdoB. E é com esse objetivo que ele tem conversado com lideranças da agremiação, a começar pelo seu presidente, o deputado federal Márcio Jerry. Ao mesmo tempo, sabendo que o partido pode seguir outro caminho, buscando um candidato dentro da federação que faz com o PSB e o PT, Paul Victor já se movimenta num plano B, que pode resultar na sua migração para outro partido. Até aqui, sua inclinação é pelo União Brasil, podendo também acertar seu ingresso no PP. A decisão de mudar ou não de partido vai depender do posicionamento do governador Carlos Brandão em relação à escolha do candidato que enfrentará o prefeito Eduardo Braide na corrida às urnas. Dependendo de qual venha a ser sua escolha partidária – que inclui permanecer no PCdoB, o vereador Paulo Victor poderá ter o apoio de pelo menos 15 dos atuais 31 vereadores, incluindo os três do PDT.

São Luís, 09 de Junho de 2023.

Longe de Braide e sem nome de peso, PDT deve apoiar provável candidatura de Paulo Victor

Raimundo Penha, aliado firme de Weverton Rocha,
declara apoio à pré-candidatura de Paulo Victor

Sem um nome de peso para lançar na disputa, o PDT emitiu o primeiro sinal a respeito de qual poderá ser o seu rumo na corrida à Prefeitura de São Luís: apoiar a provável candidatura do presidente da Câmara Municipal de São Luís, Paulo Victor (PCdoB) à sucessão do prefeito Eduardo Braide (PSD). Essa possibilidade foi revelada pelo vereador Raimundo Penha (PDT), ontem, durante entrevista a um programa de rádio. Ele foi mais longe ao informar que os dois outros vereadores do partido, Pavão Filho e Nato Jr., têm a mesma inclinação. Raimundo Penha ressalvou, porém, que essa é uma tendência da bancada pedetista na Câmara Municipal, esclarecendo que o PDT como partido não tem ainda uma posição definida. A manifestação, no entanto, soou como uma declaração informal do partido, a começar pelo fato de ser o vereador membro da cúpula da agremiação e integrante no círculo mais próximo do manda-chuva do PDT no Maranhão, senador Weverton Rocha.

A simpatia dos vereadores pedetistas pela pré-candidatura do vereador-presidente Paulo Victor à Prefeitura de São Luís começa com o fato de o PDT não contar nos seus quadros com um nome com estatura política e potencial eleitoral para entrar na briga contra o prefeito Eduardo Braide (PSD), que buscará a reeleição. Na eleição de 2020, a agremiação brizolista amargou o fracasso do deputado estadual do então PFL –hoje União Brasil, Neto Evangelista, candidato que apoiou no primeiro turno da eleição, e decidiu apoiar a candidatura do então deputado federal Eduardo Braide, que concorreu pelo Podemos, ao Palácio de la Ravardière, e se elegeu num embate de 2º turno com o então deputado estadual Duarte Jr., que concorreu pelo Republicanos. O partido brizolista participou do Governo, mas diferenças crescentes o afastaram do prefeito Eduardo Braide.

O histórico do PDT pós-Jackson Lago em São Luís é um completo desastre. Voltou ao poder com a filiação do prefeito Edivaldo Jr., que por sua vez não deu qualquer espaço ao partido, temendo que o senador Everton Rocha viesse a ter influência excessiva na sua gestão. O fato é que, mesmo se mantendo no PDT, o prefeito se afastou do partido e não declarou apoio a nenhum candidato. Ou seja, o PDT perdeu a grande oportunidade de brigar efetivamente pela permanência no governo municipal e, mesmo não vencendo a eleição, permanecer como um partido forte e competitivo. Preferiu outro caminho: romper com o governador Flávio Dino, então no PCdoB, e sofrer a derrota mais humilhante da sua história, quando a candidatura do senador Weverton Rocha ao Governo do Estado foi trucidada no embate com o governador Carlos Brandão (PSB) nas urnas de São Luís.

Embora o vereador Raimundo Penha tenha definido como apenas uma tendência da bancada pedetista, o apoio ao vereador-presidente Paulo Victor parece ser o caminho natural do PDT em São Luís. O presidente da Câmara quer esse apoio, sabe conduzir essas ligações e tem exibido personalidade política suficientemente forte para, em caso de eleição, não permitir ingerência na sua gestão. A maneira firme como conduz a Câmara Municipal é uma mostra clara do seu estilo. Além do mais, pelas condições de fragilidade em que o PDT se encontra, uma aliança com um nome próximo do governador Carlos Brandão (PSB) abriria caminho para o partido restaurar parte da sua estatura. Resta saber o que pensa a respeito o senador Weverton Rocha, que estaria numa situação delicada devido aos sucessivos tombos da agremiação nas urnas.

No geral, uma eventual aliança PDT/PCdoB seria complicada, porque a legenda comunista está ligada ao PT e ao PSB em federação, e dentro desses dois partidos há uma resistência a essa combinação. Mas nunca é demais lembrar que nas muitas e surpreendentes reentrâncias da política há espaço para a construção do que muitos creem impossível.

PONTO & CONTRAPONTO

Timon vira referência no esforço de unidade política de Brandão

Carlos Brandão, Jader Filho e Juscelino Filho estão emoldurados por Iracema Vale, Cleber Verde e Dinair Veloso à esquerda, e Hildo Rocha e Weverton Rocha à direita em Timon

Terceiro maior colégio eleitoral do Maranhão, Timon se transformou numa espécie de “laboratório” no que diz respeito aos esforços do governador Carlos Brandão (PSB) para pacificar o estado no campo político. Na segunda-feira, atendendo a convite da prefeita Dinair Veloso (eleita pelo PSB, mas hoje no PDT), para a entrega de 300 casas financiadas pelo programa federal Minha Casa, Minha Vida, o governador ali desembarcou acompanhado dos ministros Jader Filho (Cidades) e Juscelino Filho (Comunicações), e pouco tempo depois comandou o “milagre” político timonense.

O governador Carlos Brandão e a prefeita Dinair Veloso foram fotografados emoldurados pelo senador Weverton Rocha (PDT), que se mantém como oposição ao Governo, pelo deputado federal Cleber Verde (hoje no MDB) e pela presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (PSB), aliada de proa do Governo, e o secretário geral do Ministério das Cidades, o ex-deputado federal Hildo Rocha. Outras imagens com a mesma base incluíram a ex-prefeita e ex-deputada estadual Socorro Waquim (MDB) e o deputado estadual Rafael Leitoa (PSB), ambos adversários ferrenhos da prefeita Dinair Veloso, e ainda o deputado estadual Leandro Bello (Podemos), que faz em Timon uma política independente no politicamente agitado município.

Vale anotar que no curioso registro fotográfico feito em Timon não aparecem os ex-prefeitos Chico Leitoa, o pai, que nasceu politicamente nos quadros do PDT, e Luciano Leitoa – o filho -, hoje no PDT   controlado pela família Leitoa, que já deu as cartas também no PSB. Mas ninguém duvida de que isso possa vir a ocorrer em breve.

Rubens Jr. já trabalha na coordenação da participação do PT na CPMI dos Atos Golpistas

Rubens Jr.: coordenação

O deputado federal Rubens Jr. vai mesmo coordenar o trabalho dos deputados do seu partido, o PT, na CPMI dos Atos Golpistas. Aos 39 anos, o parlamentar maranhense, que nasceu no PCdoB e migrou para o PT em 2021, está no seu terceiro mandato federal e é considerado um dos melhores e mais experientes quadros da Câmara Federal, com ampla e sólida expertise nesse tipo de embate. Nos últimos dias, Rubens Jr. manteve uma série de reuniões com seus colegas petistas integrantes da CPMI cujo objetivo é identificar e mandar para a cadeia os idealizadores, os financiadores e os paus mandados que foram usados como bucha molhada de canhão e deram o espetáculo politicamente macabro na Praça dos Três Poderes no dia 8 de Janeiro. Rubens Jr. já reuniu farta documentação que colocará figurões do bolsonarismo em situação muito complicada e que por isso poderão passar um bom período na Papuda, o temido presídio de Brasília.

São Luís, 08 de Junho de 2023.

PSB sai na frente e anuncia que vai priorizar alianças para as eleições municipais

Bira do Pindaré e Iracema Vale entre líderes socialistas na reunião que definiu os rumos do braço maranhense do PSB nas eleições para prefeito e vereador no ano que vem

O PSB decidiu que vai participar das eleições municipais disposto a fazer o maior número possível de prefeitos e vereadores em todo o Maranhão, a começar por São Luís. E o fez numa tomada de posição formal, discutida numa reunião da sua cúpula, na segunda-feira (05) e anunciada em nota na qual define como prioridade “a construção da unidade do campo democrático, em especial com os partidos que compõem a base de apoio dos governos Lula e Brandão”. A nota do |PSB não foi divulgada com trombetas, mas com essa manifestação, o partido, hoje, de longe, o maior e mais influente do estado, dá a largada na corrida para as eleições municipais do ano que vem, deixando claro que vai brigar para manter a liderança que detém atualmente no tabuleiro político maranhense. Sob a coordenação do presidente em exercício Bira do Pindaré, a reunião contou com a participação da deputada Iracema Vale, presidente da Assembleia Legislativa, do deputado Carlos Lula, do deputado federal Duarte Jr., e demais membros da Executiva estadual.

A iniciativa do PSB de sair na frente definindo sua postura para as eleições municipais tem dois aspectos principais. O primeiro é que o partido avaliou que precisa jogar pesado para manter sua condição de detentor do status de maior partido do Maranhão na atualidade. E o segundo é que vencer as eleições municipais emplacando o maior número de prefeitos e vereadores é fundamental para chegar nas eleições gerais de 2026 em condições de manter sua posição atual. Os dois aspectos estão diretamente relacionados, o que explica a iniciativa do partido de se posicionar com bastante antecedência.

Preto no branco, o PSB sabe que, apesar do poder de fogo que detém atualmente, o cenário político não é estático e pode mudar afetando-o. Isso é visível na intensa movimentação de outros partidos, que pretendem investir fortemente na luta por Prefeituras e vagas em Câmaras Municipais. O MDB, que esteve em situação quase falimentar, vem turbinando suas fileiras com nomes de peso – como o empresário Marcus Brandão e o deputado federal Cleber Verde -, com o claro objetivo de sair forte das eleições municipais. O senador Weverton Rocha vem atuando intensamente para fortalecer o PDT nos municípios, o mesmo fazendo o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que joga para engrossar as fileiras do PL. Nesse cenário, o PSDB está renascendo das cinzas, indicando que a briga pelo poder político municipal não será fácil.

Nesse contexto, o PSB reúne todas as condições para manter, e até ampliar, o seu espaço atual na seara municipal. Para começar, conta com a liderança do governador Carlos Brandão, que sabe jogar nesse campo, contando com o apoio da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, e uma bancada de 11 deputados estaduais. A esse grupo se somam o ministro Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública), que é senador e presidente licenciado do partido, e a senadora Ana Paula Lobato. São condições excepcionais, que fazem do partido uma máquina política poderosa, com meios de ir a campo e sair das urnas com as suas fileiras reforçadas. Para tanto, o partido precisa exibir unidade, esvaziando rumores de que poderá se esfacelar com uma divisão que, no momento, não faz muito sentido.

A julgar pelo conteúdo da nota, que não fala em candidatura – nem no caso de São Luís, que tem os deputados Duarte Jr. e Carlos Lula como nomes viáveis -, mas em “construção de alianças programáticas”, como a que o une ao PT e ao PCdoB em federação, o comando estadual do PSB parece estar consciente desse cenário. E o sintoma mais evidente é que a nota saiu com o aval de todas as correntes, avalizada, portanto, pelo governador Carlos Brandão e pelo ministro Flávio Dino.

PONTO & CONTRAPONTO

ETE do Anil vai alcançar 50 mil e avançar na saúde sanitária de São Luís

Iracema Vale, Carlos Brandão, Juscelino Filho e Jader Filho na inauguração da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Anil na presença de deputados estaduais

É forte no meio político a ideia de que um dos pontos da grave deficiência do Brasil em matéria de saneamento básico, essencial para a saúde da sociedade urbana, é o fato de, além de ser muito caras, obras de tratamento de esgoto não têm apelo eleitoreiro, porque não são visíveis, como estrada, ponte, etc. E é exatamente por visões como essa que a inauguração, ontem, da nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Anil, pelo governador Carlos Brandão e o ministro das Cidades, Jader Filho, com a presença também do ministro das Comunicações, Juscelino Filho, a presidente da Assembleia legislativa, Iracema Vale, e deputados federais e estaduais.

Localizado na Alemanha, o complexo vai tratar pelo menos 95% do esgoto produzido em 12  bairros , onde vivem 50  mil pessoas: Liberdade, Camboa, Fé em Deus, Ivar Saldanha, Alemanha, Caratatiua, Monte Castelo, Jordoa, Veneza, João Paulo e Santa Júlia. Trata-se de uma usina que recebe o esgoto, trata e devolve a água tratada ao meio ambiente, que pode ser reaproveitada, já que o índice de descontaminação é de 95%, de acordo com informação técnica divulgada pelo presidente da Caema, Marco Aurélio Freitas. Custou R$ 48,9 milhões, sendo R$ 26,9 milhões do Governo do maranhão e R$ 21,9 milhões bancados pela União. E chega exatamente no período em que se comemora mundialmente o Meio Ambiente.

Ao comentar a obra, o ministro Jader Filho apontou a ETE do Anil como um exemplo do discurso do presidente Lula da Silva (PT) na retomada do Pacto Federativo.  “Hoje aqui na ETE do Anil temos um exemplo claro disso, onde metade dos recursos são do Governo do Estado e a outra metade é do Governo Federal. Estamos aqui à disposição para fazer parcerias, criar mais empregos e gerar renda”.

– Esse é um momento histórico. Ainda temos muitas obras pela frente na área de saneamento. Vamos avançar muito na despoluição das nossas praias. É um desafio enorme que a gente tem pela frente. Em 2015 tínhamos apenas 4% de tratamento de esgoto, saltamos para 44% e vamos chegar agora a 60%. Estamos avançando e é esse o nosso desejo – destacou o governador Carlos Brandão.

Câmara de São Luís mostra ativismo político e produção legislativa

Câmara de São Luís tem atuado intensamente
na política e na produção legislativa

Numa das legislaturas mais produtivas dos últimos tempos, reforçada por surpreendente ativismo político, a Câmara Municipal de São Luís, sob a presidência do vereador Paulo Victor (PCdoB), acaba de reforçar o arcabouço normativo da Capital com duas novas leis. Uma proposta pelo vereador Raimundo Penha (PDT) e a outra de autoria do vereador Chico Carvalho (Avante). São leis de alcance reduzido, sobre temas específicos, mas que demonstram o interesse dos parlamentares com situações simples.

A Lei n.º 7.456, proposta pelo vereador Raimundo Penha integra ao Patrimônio Cultural e Imaterial da Cidade a Banda de Música da Guarda Municipal de São Luís. O vereador destacou que a banda tem um histórico no ensino de música para os jovens do Maranhão,

Já a Lei nº 7.457, que nasceu de projeto de autoria do vereador Chico Carvalho, denomina de “Praça dos Açores” o novo espaço que será inaugurado pelo Governo do Estado do Maranhão, localizado ao lado do terminal de integração da Praia Grande. Uma interessante homenagem à importante contribuição de imigrantes portugueses do arquipélago de Açores na história do Maranhão, a começar por São Luís.

São Luís, 07 de Junho de 2023.

Reação de Camarão a fala preconceituosa de Zema revela potencial da sua estatura política

Felipe Camarão reagiu com firmeza à fala preconceituosa
de Romeu Zema sobre diferenças regionais do País

A reação enfática do vice-governador Felipe Camarão (PT) a uma fala politicamente desastrosa e preconceituosa do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que apontara as regiões Sudeste e Sul como superiores em relação ao Norte, Nordeste e Centro-Oeste como potencialmente mais aptas ao desenvolvimento econômico, foi reveladora de que o atual secretário de Educação do Maranhão tem estatura para encarar essa visão distorcida da geopolítica brasileira. O governador mineiro falou durante o 8º Encontro de Integração Sul-Sudeste, que reúne Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul. O vice-governador maranhenses reagiu tão logo assistiu ao vídeo.

O que disse o governador Romeu Zema: “Quando se fala em Sul e Sudeste, nós temos aqui uma semelhança enorme. Se tem estados que podem contribuir para esse país dar certo, eu diria que são esses sete estados aqui. São estados onde, diferente da grande maioria, há uma proporção muito maior de pessoas trabalhando do que vivendo de auxílio emergencial”.

A reação do vice-governador Felipe Camarão: “Basta de xenofobia no Brasil. Esses que querem implantar um Brasil de preconceito são, na verdade, a causa de todas as nossas mazelas. Quem pode ajudar o Brasil, governador Zema, é o povo brasileiro, trabalhando unido e respeitando as particularidades de cada região. Solução mirabolantes são aquelas que segregam, separam, e fazem parecer que há mais de um Brasil. É preciso conhecer, pesquisar, estudar para saber a formação de cada região, de cada estado e até mesmo de cada município. Não é uma receita de bolo, é um estudo social profundo. Mas de uma coisa eu tenho certeza: a solução passa por eliminar da política brasileira aqueles que se acham superiores e que querem impor ideais preconceituosos para nos dividir. Não há supremacia no território brasileiro. Há um povo multicultural, mas nós somos um só povo. E que luta diariamente pelas suas refeições. Respeite o povo brasileiro. Não busque nos dividir. Viva o Nordeste, o Nordeste e o Centro-Oeste brasileiros, viva o Sul e viva o Sudeste. Juntos, somos o Brasil e o povo brasileiro”.

Ao reagir à infeliz fala do governante mineiro nesse tom e com esse nível de abordagem, o vice-governador deu um troco bem dosado em dois níveis, O primeiro como líder político que enxerga longe, por identificar no dito traços grosseiros de uma postura preconceituosa e uma visão supremacista, típica da direita conservadora que Romeu Zema representa e que é a essência ideológica do partido Novo. Ao mesmo tempo, Felipe Camarão reagiu como professor, abordando a delicada questão geopolítica de maneira didática, esclarecedora e sem qualquer traço de agressividade. Ao contrário, encerrou o puxão de orelhas convidando o governador mineiro para vir ao Maranhão durante as festas juninas, “para conhecer as nossas maravilhas”.

A reação de Felipe Camarão faz todo sentido. Afinal, o governador Romeu Zema, com a autoridade de quem foi reeleito em turno único e representa hoje uma voz mais estridente dessa direita em todos os segmentos da vida brasileira, pode transformar suas teses em bandeiras políticas perigosas. E quando diz uma asneira geopolítica desse quilate, sabe exatamente o que está fazendo, que é alimentar o discurso da direita conservadora, e onde está querendo chegar, que é consolidar um discurso político que o credencie a se tornar sucessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na liderança da direita conservadora no âmbito da disputa presidencial de 2026. Isso ficou muito claro na incursão partidária que ele, Romeu Zema, fez ao Maranhão há dois meses.

E num pano mais aberto, a cipoada no governador mineiro deu uma mostra mais nítida de que o político Felipe Camarão, com a sua formação e a sua juventude, é tão posicionado quanto o técnico competente que vem mudando a realidade educacional do Maranhão. E isso representa um horizonte político bem largo.  

PONTO & CONTRAPONTO

Eliziane enfrenta hoje “batismo de fogo” na CPMI dos Atos Golpistas

Eliziane Gama apresenta hoje plano de trabalho
como relatora da CPMI dos Atos Golpistas

Não se trata de um teste decisivo, mas a apresentação, hoje, do plano de trabalho para a CPMI dos Atos Golpistas, será uma espécie de “batismo de fogo” para a senadora Eliziane Gama (PSD) como sua relatora. Ela passou os últimos dias trabalhando duro na elaboração do plano de trabalho, tendo de analisar nada menos que seis centenas de requerimentos e indicações dos integrantes da CPMI, parte deles relacionada com as convocações.

Eliziane Gama terá de usar toda a sua habilidade e perspicácia para conduzir esse processo. E o ponto chave do que já foi desenhado é que a bancada bolsonarista na CPMI está se preparando para usar todas as artimanhas possíveis com o objetivo de inverter a lógica dos fatos. Eles querem simplesmente posar de mocinhos e tentar apontar autoridades governistas – como o ministro Flávio Dino, da Justiça e Segurança Pública, por exemplo – como responsáveis pelo que aconteceu na Praça dos Três Poderes, em Brasília, no fatídico dia 8 de Janeiro. A senadora sabe que se encontra numa posição delicada e que corre o risco de sofrer desgastes com as investidas da banda bolsonarista.

A seu favor, a relatora da CMPI dos Atos Golpistas tem os fatos, que, por si, tornam praticamente inviável a estratégia dos opositores, e uma vasta e sólida experiência como integrante desse tipo de ação parlamentar, tendo participado de CPIs na Assembleia Legislativa (investigou a prostituição infantil), na Câmara Federal (CPI da Petrobras) e no Senado (CPI da Covid). Sabe, portanto, onde está pisando e, melhor ainda, com quem está lidando. Poderá enfrentar alguns problemas, mas conhece as regras e vai jogar com clareza.

É verdade que há uma certa preocupação no ar quando aos problemas a serem enfrentados pela senadora maranhense, mas é verdade também que a preocupação maior é a dos que tentarão afetá-la.

Juscelino corre o risco de ser tirado do ministério pelo próprio partido

Juscelino Filho tem posição fragilizada pelo UB

O comportamento da bancada do União Brasil (UB) na votação de matérias fundamentais para o Governo na Câmara Federal, como a Medida Provisória dos Ministérios, criou de vez uma situação nada confortável para o deputado federal Juscelino Filho (UD) na condição de ministro das Comunicações. O partido dele três ministérios: o das Comunicações, o do Turismo, que tem à frente a deputada federal fluminense Daniela Carneiro (UB), e o da Integração e Desenvolvimento Regional, comandado pelo ex-governador do Amapá, Waldez Góes, que é do PDT, mas no caso segue o comando do senador amapaense Dai Alcolumbre, hoje um dos chefões do UB.

Os ministérios foram entregues ao UB pela via de um acordo com a bancada do partido no Congresso Nacional por meio do qual seus representantes apoiariam as matérias do Governo. O deputado Juscelino Filho ganhou o Ministério das Comunicações exatamente dentro desse acordão, que não tem qualquer relação com o fato de ser ele membro da bancada do Maranhão. Só que o acordo não está funcionando, porque parte do comando nacional do partido vem boicotando esse arremedo de aliança e levando parte da bancada do UB a votar contra o Governo, gerando forte mal-estar dentro da agremiação e colocando sob risco a permanência dos atuais ministros, a começar por Juscelino Filho.

Já bombardeado por outros motivos, entre eles o fato de ter usado de avião oficial para ir a leilão de cavalos de raça em São Paulo, Juscelino Filho agora enfrenta uma espécie de “fogo amigo”, já que há no partido vozes que fazem chegar ao Palácio do Planalto a impressão de que ele pouco tem contribuído para mudar a posição furta-cor do UB em relação ao Governo Lula. A deputada Daniela Carneiro, está resolvendo sua permanência no Ministério do Turismo com o projeto de mudar de partido. Tudo indica que Juscelino não tem a intenção de deixar o partido, mesmo que venha a deixar o ministério.

São Luís, 05 de Junho de 2023.

Dino desmontou jogada de Lira de acusa-lo de perseguição usando a Polícia Federal

Flávio Dino foi à casa de Arthur Lira e jogou aberto: operação da
Polícia Federal em Alagoas foi decisão judicial, e ponto final

O ministro Flávio Dino (PSB), da Justiça e Segurança Pública, voltou ao agitado epicentro da política nacional, quando tentaram responsabilizá-lo pelo “mau humor” – com forte aparência de chantagem – do presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (AL/PP), que fez forte pressão para trocar emendas parlamentares represadas por votos necessários para a aprovação da MP dos Ministérios, e andou se colocando como “vítima” indireta de uma operação da Polícia Federal em Alagoas na qual um ex-assessor dele foi preso com um cofre abarrotado de dinheiro vivo, tudo em notas de R$ 100,00 novinhas em folha. Arthur Lira também reclamou ao presidente Lula da Silva (PT) que o ministro Flávio Dino foi a Alagoas entregar viaturas do Pronasci II e não o teria convidado. Se jogou para minar o crescente espaço político do ministro da Justiça, o presidente da Câmara Federal deu dois tiros nos pés.

Quem conhece o ministro Flávio Dino, o seu modo de agir com segurança e com destemor na pasta e nos meandros da política nacional, principalmente na seara onde o presidente Arthur Lira transita como “manda-chuva”, sabe que o titular da Justiça e Segurança Pública não se intimida com os achaques do representante alagoano para alimentar o seu imenso poder. A diferença é que o atual ministro da Justiça tem conhecimento, experiência e autoridade para não entrar no jogo pesado do chefe maior do Centrão. Entrar no jogo seria reagir atirando – e o ministro certamente teria munição para isso -, mas esse é o jogo que o presidente da Câmara Federal gostaria de jogar. Flávio Dino, com argumentos sólidos e afiados, o encara sem problemas, fazendo o que tem sugerido o presidente Lula da Silva: fazer política, desde que dentro das regras.

Quando o presidente Arthur Lira reclamou da operação da PF que alcançou um ex-assessor dele com um cofre abarrotado de dinheiro, o ministro Flávio Dino foi até a residência oficial do presidente da Câmara e jogou aberto. Primeiro esclarecendo e   assegurando que, no presente Governo, a Polícia Federal atua como polícia de Estado, só realizando operações de acordo com o Ministério Público Federal e com autorização judicial, sem qualquer ingerência do ministro da Justiça. No caso da operação alagoana, as investigações mostraram que os investigados têm muito o que explicar à Justiça e provavelmente passarão um bom tempo na cadeia, independentemente dos laços que possam ter com o presidente da Câmara Federal. Indagado sobre o que falou ao presidente Arthur Lira a respeito do caso, o ministro da Justiça foi curto e direto:

– Falei o óbvio: ordem judicial. Sou senador, ele é o presidente da Câmara. Anormal seria se eu tivesse ido lá antes da operação policial, o que jamais ocorreria.

No que diz respeito à agenda em que vem entregando aos estados equipamentos (viaturas, armamentos, etc.) do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci II) – que foi descartado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) quando o hoje senador Sérgio Moro (UD-PR) era ministro da Justiça -, o ministro Flávio Dino deixou claro que já esteve em quase metade dos estados e não recebeu nenhuma reclamação. No caso de Alagoas, o deputado Arthur Lira reclamou, mas jamais se faria presente, porque é arqui-inimigo do governador Paulo Dantas (MDB), aliado do senador Renan Calheiro, que na semana passada o chamou, mais uma vez, de “bandido” e “corrupto”. Ou seja, o queixume não teve razão de ser, mas o ministro Flávio Dino fez questão de registrar que nada tem contra a participação de deputados federais e senadores nesses atos, muito pelo contrário.

Os episódios da semana passada tornaram mais nítida uma situação incontestável no cenário político nacional: Flávio Dino é um ministro da Justiça diferenciado dos seus antecessores mais recentes. Primeiro, porque conhece as leis como poucos e, assim, tem noção clara dos limites seus e dos outros, posição reforçada pela condição de senador da República, o que o nivela no embate com qualquer congressista, a começar pelo presidente da Câmara Federal. Além disso, tem dado provas de que é politicamente hábil. E com a biografia que construiu, na qual não constam manchas, tem cacife para encarar, no ministério ou fora dele, situações que o próprio Arthur Lira dificilmente encararia.

PONTO & CONTRAPONTO

Carlos Lula intensifica ação no Legislativo, mas diz estar pronto para disputar Prefeitura

Carlos Lula tem atuação parlamentar forte
e atua como articulador político

Enquanto o prefeito Eduardo Braide vai avançando com a sua política de não entrar em confronto aberto com prováveis adversários na corrida sucessória do ano que vem, a aliança governista não se movimenta efetivamente no sentido de definir um candidato ao palácio de la Ravardière. No campo governista, os movimentos feitos pelo presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor (PCdoB), que já se declarou pré-candidato, e pelo deputado federal Duarte Jr. (PSB), que obteve o aval do presidente nacional do PSB, não têm ecoado na cúpula.

Nesse contexto, um terceiro nome desponta como pré-candidato a prefeito de São Luís, o deputado estadual Carlos Lula (PSB). Terceiro mais votado em 2022, bateu a casa dos 80 mil votos, atrás apenas de Iracema Vale (PSB), que superou os 100 mil e de Othelino Neto (PCdoB), que ultrapassou os 84 mil. Carlos Lula chegou na Assembleia Legislativa como o vitorioso e nacionalmente reconhecido secretário de Saúde que comandou a mais eficiente campanha contra a pandemia entre os estados de todo o País. Foi naturalmente visto como uma promessa parlamentar de alto nível.

E não decepcionou: tem sido ativo como legislador e interlocutor político. Como legislador, tem feito propostas importantes na área da saúde, na forma de projetos de lei e indicações. Como ativista político, vem trabalhando para manter intacta a aliança que mantém a federação formada por PSB, PCdoB e PT que controla o Governo e mantém unidos o ministro Flávio Dino e o governador Carlos Brandão. Nesse campo, tem sido um crítico duro do prefeito Eduardo Braide (PSD), credenciando-se como pré-candidato a prefeito de São Luís.

Politicamente sensato, Carlos Lula acha que o grande grupo tem condições de se mobilizar em torno de um candidato forte, capaz de enfrentar o prefeito Eduardo Braide. Reconhece méritos no deputado Duarte Jr., que considera forte, e no vereador Paulo Victor, que é uma novidade a ser levada em conta. E deixa claro que está pronto para assumir a vaga de candidato se o grupo o escolher.

Enquanto essa definição não vem, ele vai intensificando sua ação parlamentar e sua atuação política.

Se for pressionado, Josimar de Maranhãozinho pode deflagrar o esvaziamento do PL

Josimar de Maranhãozinho

Estimulado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que tenta dar as cartas dentro do partido, o comando nacional do PL avisou que pretende punir os deputados federais Josimar de Maranhãozinho, Detinha, Júnior Lourenço e Pastor Gildenemyr por haverem eles votado a favor da MP dos Ministérios, contrariando, juntamente com outros cinco, a orientação que levou a bancada do partido a votar em massa contra a matéria.

Josimar de Maranhãozinho é um político extremamente pragmático. Estava na expectativa e poderia ter votado contra ou recorrido à abstenção, se o Governo não tivesse liberado os recursos para as emendas a que os deputados têm direito. Somados, os quatros parlamentares do PL maranhense formam um bolo de pelo menos duas dezenas de milhões de reais em emendas. É nisso que está a força política do chefe do PL no Maranhão, o que explica o fato de ter ele o controle de mais de 30 prefeituras.

Ninguém duvida que, embora tenha sido por muito tempo “queridinho” do chefão do PL Waldemar Costa Neto, Josimar de Maranhãozinho não pense duas vezes em mudar de partido se ele, a deputada detinha e seus aliados se sentirem hostilizados pela cúpula da agremiação bolsonarista. Nesse caso, só o PL tem a perder, pois deixará de contar com quatro deputados que, juntos, representam mais de 400 mil votos. Além disso, seria o fim do PL no Maranhão, que poderia até continuar existindo, mas nem de longe com a força que Josimar de Maranhãozinho lhe dá.

É difícil imaginar que o PL coloque em risco a permanência da sua bancada maranhense por um capricho do chefão do bolsonarismo.

São Luís, 04 de Junho de 2023.

Sem Roseana Sarney, Amanda Gentil e Pedro Lucas, bancada maranhense aprovou MP dos Ministérios

Roseana Sarney, Pedro Lucas Fernandes e Amanda Gentil
não compareceram à sessão em que 15 aprovaram a MP

Das matérias propostas pelo Governo Lula da Silva (PT) e aprovadas pelo Congresso Nacional, a votação da Medida Provisória nº 1.154/2023, a chamada MP dos Ministérios, foi a que mais chamou a atenção dos observadores. A começar pelo fato de que, dos 513 deputados federais, 462 participaram da votação, sendo que 337 votaram a favor e 125 votaram contra. Os 51 que não votaram, se dividiram entre os que se abstiveram de votar e os que simplesmente não compareceram. E nesse contexto, dos 18 deputados maranhenses, 15 participaram da votação e votaram “sim”, aprovando a reforma da estrutura do Governo, e três simplesmente não compareceram, porque seus nomes não constam na lista dos presentes. Entre os 15 que votaram e aprovaram a MP dos Ministérios estão adversários do Governo do PT, que contrariaram a orientação dos seus partidos. Já dos três que inexplicavelmente não compareceram à votação, dois são de partidos que têm ministérios no Governo, e o terceiro não seguiu a orientação da sua legenda.

Os 15 deputados integrantes da bancada maranhense que participaram a votação e deram voto aprovando a MP dos Ministérios foram: Aluísio Mendes (Republicanos), André Fufuca (PP), Benjamin de Oliveira (União Brasil), Cléber Verde (MDB), Detinha (PL), Duarte Jr. (PSB), Fábio Macedo (Podemos), Josimar de Maranhãozinho (PL), Josivaldo JP (PSD), Júnior Lourenço (PL), Márcio Honaiser (PDT), Márcio Jerry (PCdoB), Marreca Filho (Patriotas), Pastor Gildenemyr (PL) e Rubens Jr. (PT).

Nesse quadro, vale destacar a posição dos deputados Josimar de Maranhãozinho, Detinha, Júnior Lourenço e Pastor Gil, que, não importam as razões, fazem parte do grupo de nove deputados do PL – que tem 99 deputados – que contrariaram frontalmente a orientação do chefe maior deles Waldemar Costa Neto e do ex-presidente Jair Bolsonaro – hoje fantasiado de cacique partidário – e votaram a favor da reestruturação do Governo proposta pelo presidente Lula da Silva. Na mesma linha atuou o deputado Aluísio Mendes, cujo partido, o Republicanos se dividiu, tendo a maioria votado a favor da MP. Ou seja, Josimar de Maranhãozinho, Detinha e seus dois aliados jogaram pragmaticamente, participando efetivamente do jogo político. Os outros 11 deputados aliados do Palácio do Planalto fizeram a sua parte, atuando na sessão e votando a favor do Governo que apoiam.

Por outro lado, são muitas as interrogações em relação aos três ausentes: Roseana Sarney (MDB), Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) e Amanda Gentil.

Para começar, é surpreendente que um deputado do tamanho político de Roseana Sarney não tenha comparecido a uma sessão de cujo desfecho dependia dramaticamente o futuro imediato do Governo Lula da Silva. Roseana Sarney foi governadora por 14 anos e sabe perfeitamente o que significa a reestruturação da máquina pública. Depois, ela pertence ao MDB, partido que tem dois ministérios de peso (Planejamento e Transportes). Além do mais, não se cansa de se apresentar como aliada de proa do presidente Lula da Silva. Diante disso, a pergunta: por que ela não compareceu à histórica e decisiva sessão de quarta-feira?

O mesmo questionamento se faz em relação ao deputado federal Pedro Lucas Fernandes, cujo partido têm três ministérios, sendo um deles o das Comunicações, comandado pelo seu colega de bancada, Juscelino Filho (UD). Vale anotar que o pai do parlamentar, Pedro Fernandes, que foi deputado federal por seis mandatos, ficou famoso no Congresso Nacional por nunca haver faltado a uma sessão nem se omitido de votar. No caso, o exemplo não valeu. A ausência da deputada Amanda Gentil contraria aquela jovem entusiasmada que saiu das urnas dando a impressão de que “moraria” na Câmara Federal. Não bastasse isso, a maioria dos seus colegas de bancada, entre eles André Fufuca, votou a favor do Governo.

Como mostra o episódio, a ciranda da política nem sempre gira em conformidade com a música.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão faz 65 anos colhendo frutos de uma trajetória bem traçada

Carlos Brandão: conversa franca é uma das suas marcas

Em meio à intensa movimentação que embala o quinto mês do Governo para o qual foi reeleito em turno único, o governador Carlos Brandão (PSB) comemora hoje o seu 65º aniversário. E o faz em clima de animação pelos bons resultados que vem colhendo desde abril do ano passado, quando assumiu como titular com a renúncia do governador Flávio Dino (PSB) para concorrer ao Senado. De lá para cá, Carlos Brandão enfrentou uma campanha intensa, amargou um problema de saúde que o tirou de cena por dois meses, mas teve seu ânimo turbinado com a reeleição em turno único.

Colinense de nascimento, médico veterinário por formação e católico praticante, Carlos Brandão desde cedo mostrou inclinação pelo serviço público. Essa escolha começou a ser consolidada quando ele assumiu a Secretaria de Estado do |Meio Ambiente, e logo depois a chefia da Casa Civil no Governo José Reinaldo Tavares. Nesse último cargo, teve papel importante na grande aliança que levou Jackson Lago (PDT) ao Palácio dos Leões em 2026, num dos momentos mais destacados da História recente do Maranhão. Seguiu em frente e elegeu-se duas vezes (2006/2010) deputado federal pelo PSDB, incluído, nos dois mandatos, por sua atuação eficiente, na elite do Congresso Nacional.

O passo decisivo aconteceu em 2014, quando se tornou candidato a vice-governador na chapa liderada por Flávio Dino (PCdoB), eleita naquele ano e reeleita em 2018. Ao longo de sete anos e três meses, foi um vice discreto, mas de atuação intensa, tanto na gestão, escalado para as mais diferentes missões, entre elas a de garimpar investimentos nos quatro cantos do mundo – só na China foi quatro vezes -, quanto na ação política, tendo atuado como interlocutor em diferentes situações. Nesse período, tratou de conhecer a fundo a máquina administrativa e as reais condições do Governo do Maranhão. Assumiu em abril de 2022, tendo recebido uma máquina azeitada e em pleno funcionamento.

Candidato à reeleição, bateu seis concorrentes – entre eles um senador e um ex-prefeito de São Luís – e se reelegeu no 1º turno, liderando uma chapa que levou o ex-governador Flávio Dino ao Senado, numa aliança nacional por meio da qual Lula da Silva (PT) voltou ao Palácio do Planalto. Nos primeiros cinco meses do seu novo mandato, o Maranhão tem se movido com segurança e num forte ritmo em busca do desenvolvimento. E numa situação em que, diferentemente do que acontece no País, o ambiente político é de normalidade, resultado de uma ação política ousada e até aqui bem-sucedida.

Com trajetória sempre ascendente e sem mancha na ficha, o governador Carlos Brandão tem motivos de sobra para comemorar.

Assembleia comemora com eventos o Dia Mundial do Meio Ambiente

Iracema Vale e deputados em três momentos de comemoração pelo Dia Mundial do Meio Ambiente na AL: sessão especial, exposição fotográfica e plantio na Creche Sementinha

A Assembleia Legislativa foi palco ontem de uma série de manifestações pelo Dia Mundial do Meio Ambiente. A presidente Iracema Vale (PSB) liderou uma sessão especial relativa à data, participou de comemoração com o mesmo viés na Creche Sementinha, mantida pelo Poder Legislativo, e comandou a abertura de uma exposição de fotografias com a temática ambiental, com material produzido pelos fotógrafos que atuam na Casa, a exemplo do experiente Biaman Prado, dono de um respeitável acervo sobre o tema. A sessão especial foi proposta pelo deputado Júlio Mendonça (PCdoB), que preside e Comissão de Meio Ambiente, tem larga experiência no setor agrícola e é reconhecido como um ambientalista militante.

Na sua fala durante a sessão especial, a presidente do parlamento estadual disse: “O Dia Mundial do Meio Ambiente é, com certeza, uma data necessária para reflexão de uma pauta comprometida com a preservação da vida. É muito presente nesta Casa, onde deputados e deputadas estão engajados na busca de ações que resultem em grande impulso para a sustentabilidade com um modelo de crescimento que gere empregos e, acima de tudo, preserve os nossos recursos naturais, em razão da imprescindível necessidade que temos de viver em harmonia com a natureza”.

Por sua vez, o deputado Júlio Mendonça emendou: “Propus a realização desta sessão especial exatamente com este propósito de poder contar aqui nesta Casa, e nesta data comemorativa, com a presença de entidades e personalidades envolvidas com o tema, além de trabalhos desenvolvidos em defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável”.

Participaram da sessão especial o secretário de Estado do Meio Ambiente, Pedro Chagas, que representou o governador Carlos Brandão (PSB); os promotores Fernando Barreto (Meio Ambiente) e Cláudio Alencar (Educação), entre outras autoridades e personalidades. Algumas foram homenageadas com placas alusivas à data, entregues pelo vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Rodrigo Lago (PCdoB).

Com a programação de ontem, a Assembleia Legislativa manteve, com a devida ênfase, o que já uma saudável tradição anual na data em que é comemorado em todo o planeta o Dia Mundial do Meio Ambiente.

São Luís, 02 de Junho de 2023.

Duarte Jr. ganha aval da cúpula do PSB e amplia o debate sobre sucessão em São Luís

Duarte Jr. tem pré-candidatura avalizada por Carlos Siqueira

A 16 meses da corrida às urnas, a disputa pela Prefeitura de São Luís, o maior e mais importante colégio eleitoral do Maranhão, começa, de fato, a ganhar forma. Em meio ao silêncio estratégico do prefeito Eduardo Braide (PSD), e do efeito furacão instalado pelo vereador e presidente Câmara Municipal Paulo Victor (PCdoB), que já se declarou pré-candidato, quem desembarca na chamada etapa prévia do processo de formação de candidaturas é o deputado federal Duarte Jr. (PSB). Ele foi adversário do prefeito Eduardo Braide em 2020 e vem há tempos avisando que será candidato de qualquer maneira ao Palácio de la Ravardière. O parlamentar chega credenciado pelo aval do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, que o anunciou como pré-candidato do partido para enfrentar o prefeito Eduardo Braide.

O deputado Duarte Jr. não está desembarcando à toa na corrida à Prefeitura de São Luís. Isso porque, além da credencial informal que lhe foi entregue pelo presidente nacional do PSB, ele se movimenta bem situado nas pesquisas de opinião, e autorizado a cobrar o apoio do seu partido. Em princípio, o deputado federal Duarte Jr. parece determinado a brigar pela candidatura, já que, além dele, somente o deputado estadual Carlos Lula (PSB) tem manifestado interesse em candidatar-se. Na federação PSB/PT/PCdoB, comandada no estado pelo governador Carlos Brandão (PSB), além de Duarte Jr. e Carlos Lula, está no páreo o vereador-presidente Paulo Victor, que a julgar pelo que corre nos bastidores, dificilmente permanecerá na legenda comunista.

Nesse movimentado tabuleiro, o deputado Duarte Jr. tem várias situações a serem resolvidas. A primeira delas é convencer o PSB de que ele é o melhor nome, e com isso obter o apoio do governador Carlos Brandão e do pré-candidato Carlos Lula. A segunda é convencer o PCdoB de que ele, Duarte Jr., está melhor situado no cenário e conta com uma forte base de apoio nas redes sociais. E a última é que ele é hoje peça importante na base governista em Brasílias, podendo desfalca-la se tiver de intensificar sua pré-campanha. Além disso, Duarte Jr. vai ter de trabalhar duro para quebrar o estigma de um ser animal político isolado, que não consegue reunir um grupo forte em torno da sua candidatura.   

A seu favor estão sua força eleitoral, seu destemor como político, sua ousadia e sua condição de permanente e contundente opositor do prefeito Eduardo Braide, a quem critica duramente todos os dias nas redes sociais. Outro fator que o favorece é a importância das redes sociais, que ele aprendeu a dominar como poucos, e onde se concentra a grande massa de eleitores identificados como seu discurso e sua ação parlamentar. E do alto dos mais de 100 mil votos que recebeu e que o tornaram um dos quadros de proa da aliança construída pelo então governador Flávio Dino (PSB) e que está sendo ampliada pelo governador Carlos Brandão.

Com a experiência da eleição de 2020, quando disputou um animado segundo turno com o prefeito Eduardo Braide, o deputado Duarte Jr. sabe que tem muitos obstáculos a superar. Um desses é o fato de que uma candidatura majoritária em São Luís não pode ser construída sem o aval de um grupo partidário nem sem alianças eventuais. Duarte Jr. tem plena consciência de que terá de sentar à mesa de negociações e articular a mobilização dos seus eleitores na rota das urnas. Essa grande articulação não pode ser delegada a terceiro, pois terá de ser uma iniciativa do próprio parlamentar no sentido de convencer o governador Carlos Brandão de que é a melhor opção.

Com o desembarque no tabuleiro sucessório de São Luís, o deputado Duarte Jr. amplia expressivamente e enriquece o debate sobre a cidade que hoje abriga 1,2 milhão de habitantes e mais de 600 mil eleitores, seus problemas e seu futuro.

PONTO & CONTRAPONTO

Com elevado grau de politização, vereadores de São Luís medem força com o prefeito

Paulo Victor tem liderado a Câmara na
pressão sobre Eduardo Braide

Poucas vezes São Luís assistiu a uma luta tão dura entre o prefeito e a Câmara Municipal como a que acontece neste momento e cujos reflexos aparecerão nas urnas em 2024.

À frente do Executivo municipal, o prefeito Eduardo Braide (PSD) encara semanalmente algumas pedras no seu caminho, sendo obrigado a andar rigorosamente dentro das regras, sob pena de perder o equilíbrio e o cargo. A pressão vem direto da Câmara Municipal, comandada pelo vereador Paulo Victor (PCdoB), e onde mais da metade – pelo menos 20 dos 31 – dos vereadores não rezam na cartilha atual do Palácio de la Ravardière.

O imbróglio mais recente é o aumento salarial dos servidores. O prefeito mandou projeto de lei propondo reajuste de 8,2% para os servidores do Município. Os vereadores aprovaram, mas embutiram no projeto várias emendas, todas instituindo aumentos diferenciados para várias categorias.

O prefeito Eduardo Braide vetou as emendas, argumentando que a Câmara Municipal não pode legislar sobre matéria financeira, o que impede os vereadores de alterar o reajuste geral de 8,2% para todas as categorias. Os vareadores reagiram aos vetos transformando a questão num impasse. O problema é que, se a questão for judicializada, o prefeito tem amplas chances de vencer essa queda de braço.

Chama a atenção, porém, o vigor político com que atuais vereadores de São Luís estão atuando.

Marcus Brandão ainda não se filiou, mas já está atuando no MDB

Marcus Brandão num dos encontros com Roseana
Sarney, José Sarney e Roberto Costa

O empresário Marcus Brandão ainda não assinou ficha de filiação no MDB. Mas isso não significa que continua distante do partido. Ao contrário, ele tem ido quase que diariamente à sede da agremiação, no São Francisco, onde conversa, troca informações com o ex-senador João Alberto, que deixou a presidência, mas continua dando expediente.

A frequência com que tem ido ao MDB tem servido a Marcus Brandão como “aprendizado”. Ali, ele está se informando sobre os mais diferentes detalhes de funcionamento da máquina emedebista, que é, de longe, o mais organizado e ajustado braço partidário do Maranhão.

Marcus Brandão tem conversado com a presidente do partido, a deputada federal Roseana Sarney. Os dois estão definindo a data da sua filiação e, num segundo momento, a ascensão dele à presidência do MDB no Maranhão.

Em princípio, a filiação se dará nos próximos dias, enquanto que a ascensão à presidência só deve acontecer seis meses após o ingresso formal no partido.

São Luís, 01 de Junho de 2023.

Brandão chega ao quinto mês construindo unidade política e mantendo oposição isolada

Carlos Brandão com José Sarney: relação forte que pode
levá-lo ao controle do braço maranhense do MDB

O governador Carlos Brandão (PSB) fecha hoje o quinto mês do seu novo Governo no comando de um cenário político para muitos impensável se levado em conta o atual clima de tensão que divide o País, e que não tem paralelo nos tempos mais recentes da política estadual. Ele e seu Governo não enfrentam oposição na Assembleia Legislativa, onde pelo menos 40 dos 42 deputados se colocam como alinhados ao Palácio dos Leões, e mantêm uma convivência aberta e produtiva com a esmagadora maioria dos 217 prefeitos maranhenses. No que concerne à bancada federal, dos três senadores, apenas um, Weverton Rocha (PDT), não apoia o apoia, mas também não o hostiliza, e entre os 18 deputados federais, até agora nenhuma voz se levantou ostensivamente contra o chefe do Poder Executivo do Maranhão. Fora do tabuleiro da política, não há sinais de posições contrárias ao Governo estadual e ao governador na sociedade nas entidades civis, no empresariado nem no funcionalismo público.

Em resumo: mesmo com o governador e o Governo tendo adversários, que por enquanto preferem se manter sob o manto da discrição e da distância, o cenário político é de completa calmaria. Esse ambiente só é alterado pelos rumores de um suposto afastamento do governador Carlos Brandão do ministro Flávio Dino, da Justiça e Segurança Pública, mas que até agora não produziu um único dado concreto, não havendo, portanto, nenhum sintoma evidente de ruptura.

Quando saiu das urnas reeleito em um só turno, deixando para trás candidatos que apostaram alto num resultado contrário, o governador Carlos Brandão colocou em marcha um projeto político ousado, com o objetivo de construir uma unidade sem paralelo na história recente do Maranhão. Desde de José Sarney, nenhum governador atuou livre de oposição: o sucessor Antônio Dino, os eleitos indiretamente por indicação da ditadura (Pedro Neiva de Santana, Osvaldo Nunes Freire e João Castelo) e os eleitos pelo voto direto (Luiz Rocha, Epitácio Cafeteira, João Alberto, Edison Lobão, Roseana Sarney, José Reinaldo Tavares, Jackson Lago e Flávio Dino), todos governaram enfrentando oposição na Assembleia Legislativa e na bancada federal. Houve oposição, ora mais dura, ora mais branda, mas nenhum período de governo transcorreu sem adversários como agora.

O governador Carlos Brandão consolida o caminho aberto por Flávio Dino (PSB), que governou oito anos alvejado por oposicionistas, mas concretizou o fim da era em que a política maranhense foi marcada pela divisão entre sarneysistas e não sarneysistas. Como tudo o que nasceu sob o signo da ditadura militar, a política maranhense foi polarizada, sem a existência de outras vias. Agora, que o sarneysismo minguou, não sendo mais nem sombra do que fora até muito tempo, mas tenta sobreviver no que sobrou do MDB, a realidade política permite acertos que podem levar a um tabuleiro sem vozes desafinadas.

A eleição da deputada Iracema Vale (PSB) para a presidência da Assembleia Legislativa, e a do prefeito de São Mateus, Ivo Rezende (PSB) para a presidência da Federação dos Municípios Maranhenses (Famem), ambas por aclamação, sem votos contrários, e agora o movimento bem articulado para que o empresário Marcus Brandão, irmão do governador, assuma em breve o controle do MDB, num grande acordo com os Sarney, são fatos que mostram que o cenário político do Maranhão mudou radicalmente. E que o governador Carlos Brandão, auxiliado por políticos experientes como o ex-governador José Reinaldo Tavares, Sebastião Madeira e Luís Fernando Silva, vem sabendo construir e consolidar, sem confrontos, o seu espaço de poder nesse contexto.

A ciranda da política, porém, não para, e o seu giro costuma alterar realidades aparentemente consolidadas. Todos os sinais indicam que, pelo menos até aqui, o atual governador do Maranhão sabe disso é conhece as equações e fórmulas que podem ser usadas para evitar fissuras e rompimentos.

PONTO & CONTRAPONTO

Novo afastamento pode colocar ponto final da carreira de Felipe dos Pneus

Felipe dos Pneus: carreira promissora
pode estar chegando ao fim

Todos os sinais indicam que a carreira de Felipe dos Pneus como prefeito de Santa Inês chegou ao fim ontem, quando ele foi afastado pela segundas vez em dois anos e meio de governo acusado de corrupção. Isso porque o afastamento, pedido de novo pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), está fundamentado em argumentos muitos mais sólidos, que comprovariam que o prefeito de Santa Inês seria um dos líderes de uma quadrilha de corruptos.

O afastamento se deu na esteira da Operação Tríade, por meio da qual a Polícia Civil, sob a coordenação do Gaeco, cumpriu mandados em Santa Inês, São Luís, Raposa, Paço do Lumiar, São José de Ribamar, Pinheiro, Codó, Davinópolis, Governador Newton Belo e Teresina (PI).

Uma das promessas políticas do Maranhão, já tendo sido deputado estadual e alcançado a Prefeitura de um dos mais importantes e estratégicos municípios maranhenses, Felipe dos Pneus está sendo acusado de desviar dinheiro público em larga escala, por meio de obras com licitações fraudadas e outras tramoias criminosas. Depois da Operação Tríade, ele dificilmente permanecerá de pé no cenário político, podendo até correr o risco de ser impedido de concorrer à reeleição. Se conseguir, provavelmente será por garantia precária de liminares, o que pode complicar ainda mais a sua tentativa de sobreviver politicamente.

Há quem diga que só um milagre de Santa Inês salvará sua carreira política.

Declaração de Verde apoiando Braide abriu no MDB a discussão sobre sucessão em São Luís

Eduardo Braide

A declaração de apoio do deputado federal Cleber Verde ao projeto de reeleição do prefeito Eduardo Braide (PSD), ao se filiar ao MDB e assumir o comando do partido na Capital, não foi comemorada nem criticada pela cúpula do partido. A indiferença, porém, é aparente, porque suas palavras repercutiram intensamente nos bastidores do partido.

De um modo geral, os chefes emedebistas concordam, em princípio, com o novo membro do partido, demonstrando simpatia pela ideia de reeleição do prefeito de São Luís. Ao mesmo tempo, avaliam que o deputado Cleber Verde se precipitou, perdendo a oportunidade de dar vazão à sua posição na mesa de decisões do partido.

No geral, avaliam que o momento foi inadequado, a começar pelo fato de que o MDB está tomado pelo clima de aliança com o governador Carlos Brandão que, até onde é sabido, não tem maior simpatia pela ideia de reeleição do prefeito Eduardo Braide. Nos mesmos bastidores, porém, corre que não será surpresa se o Palácio dos Leões a apoiar o prefeito de São Luís.

Uma fonte ligada ao deputado Cleber Verde disse que ele está consciente de que acertou na mosca ao fazer a declaração, que teve o mérito de abrir no MDB o debate sobre a sucessão na Capital. Faz sentido.

São Luís, 31 de Maio de 2023.

Cleber Verde se filia ao MDB avisando que apoiará o projeto de reeleição de Braide

Cleber Verde vai comandar o brado do MDB em São Luís

Como estava programado, o deputado federal Cleber Verde, que deixara o Republicanos, filiou-se ontem ao MDB e, mais do que um quadro novo e de reforço, deverá assumir o comando da agremiação em São Luís. Tudo dentro do script montado pelo próprio parlamentar e pelos chefes nacional e regional do partido, deputados federais Baleia Rossi (SP) e Roseana Sarney, respectivamente. Originalmente sem falhas, o roteiro, porém, foi fortemente alterado por uma declaração surpreendente do parlamentar: tão logo assinou sua ficha de filiação e ouviu a promessa de que comandará o MDB em São Luís, Cleber Verde avisou que vai apoiar o projeto de reeleição do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), enfatizando o aviso dizendo que pretende trabalhar para levar o partido a fazer o mesmo. Já se sabe que a manifestação provocou, se não um mal-estar, uma ponta de preocupação na cúpula emedebista, que no momento se movimenta para construir uma grande aliança com o governador Carlos Brandão (PSB), cujo projeto para a corrida sucessória na Capital ainda não passa pela reeleição do prefeito Eduardo Braide.

Eleitor e ex-vereador de São Luís e apoiador do candidato Eduardo Braide em 2020, como lembrou, o deputado federal Cleber Verde justifica o apoio afirmando que o prefeito está “muito bem avaliado” e que isso lhe dá a condição de favorito para 2024. “A gente assume a condução dessa aliança a favor da cidade, e nós vamos trabalhar com muito diálogo para buscar uma caminhada que possa levar à recondução do prefeito Eduardo Braide”, disse o movo chefe do MDB na Capital. 

O deputado Cleber Verde não deixou claro se falou em seu próprio nome ou em nome de um grupo ou mesmo da própria cúpula do MDB. É provável que tenha exposto um projeto pessoal, que pretende levar para o partido, mas pode ser que sua declaração tenha sido parte de um roteiro negociado com os chefes emedebistas. Como é sabido, o MDB não tem se manifestado em relação à corrida sucessória em São Luís. E isso começa pelo fato de que não conta com um nome política e eleitoralmente forte para enfrentar o prefeito Eduardo Braide – a deputada federal Roseana Sarney não quer nem ouvir falar no assunto. E como isso não ficou bem claro, a interpretação possível é a de que, como novo chefe local do MDB, o deputado Cleber Verde agiu com habilidade para jogar o partido no epicentro da política de São Luís.

O que chama a atenção na declaração do neoemedebista Cleber Verde é o fato de que nesse exato momento o partido se prepara para receber nas suas fileiras o empresário Marcus Brandão, que deve assumir o comando estadual da agremiação, que reúne o que restou das forças sarneysistas no Maranhão. E até onde os radares da política alcançam, Marcos Brandão levaria na bagagem os planos para uma aliança que poderá resultar numa eventual migração do governador Carlos Brandão do PSB para o MDB, inclusive. E a julgar perlas voltas que a política é capaz de dar, não será surpresa se nas conversas fechadas com a cúpula emedebista o apoio ao prefeito Eduardo Braide tenha surgido como a possibilidade de uma aliança envolvendo o próprio Palácio dos Leões.

O fato é que, ao filiar-se ao MDB, o deputado federal Cleber Verde sai de vez da crise causada do cruel assassinato dos seus país numa fazenda no Médio Mearim, e pela desastrada aliança com o senador Weverton Rocha (PDT) em 2022, que o levaram ao fundo do poço pessoal e politicamente. E volta à ribalta num partido com potencial para crescer, em posição de comando e avisando que está determinado a completar a volta por cima. E ao colocar o partido no epicentro da política da Capital, dá um passo decisivo para fortalecer a agremiação e ganhar peso junto com ela.

PONTO & CONTRAPONTO

Filiando líderes, Madeira coloca PSDB de volta ao cenário político do Maranhão

Sebastião Madeira e Ociléia
Fernandes: PSDB em Raposa

Um encontro ontem no gabinete do secretário de Estado de Meio Ambiente, Pedro Chagas, reuniu o chefe da Casa Civil Sebastião Madeira, presidente do PSDB no Maranhão, e a advogada Ociléia Fernandes, pré-candidata à Prefeitura de Raposa. O que poderia ser uma reunião qualquer, teve um significado importante: a volta efetiva do PSDB ao cenário político do Maranhão, agora sob o comando de Sebastião Madeira.

Ociléia Fernandes filiou-se ao PSDB para disputar a Prefeitura de Raposa, onde seu pai, Onacy Paraíba, foi prefeito por dois mandatos e ela já tentou uma vez, sem se eleger, mas tendo saído das urnas com respeitável cacife eleitoral. De volta ao ninho dos tucanos e provavelmente apoiada pelo governador Carlos Brandão, Ociléia Fernandes é candidata forte, com todos os requisitos para chegar lá. Presente, o ex-deputado Jota Pinto, que prepara terreno para ingressar no partido e ser candidato à Prefeitura de São José de Ribamar, um dos cinco maiores colégios eleitorais do Maranhão.

O que chamou a atenção na reunião no gabinete do secretário Pedro Chagas, ele próprio um tucano de carteirinha, foi a presença do secretário Sebastião Madeira como o novo chefe do PSDB no Maranhão. Um dos articuladores da criação do partido, Sebastião Madeira foi deputado, federal quatro vezes e prefeito reeleito de Imperatriz pelo PSDB. No plano nacional, foi presidente do Instituto Teotônio Vilela, o braço doutrinário do PSDB. Perdeu espaço quando, sem mandato, viu o PSDB passar pelas mãos do ex-governador João Castelo e duas vezes pelas do ex-senador Roberto Rocha, e também pelas do então deputado federal Carlos Brandão, até cair no ocaso soba presidência do empresário Inácio Melo.

De volta ao cenário política, com uma bagagem excepcional de político experiente e hábil articulador, Sebastião Madeira integra o time de proa do governador Carlos Brandão, agora fortalecido com a presidência do PSDB, partido que, como o MDB, pode vir a ser o caminho partidário do chefe do Executivo estadual.

Maranhense se destaca na CPI dos Atos Golpistas no DF

Chico Vigilante: ação
dura contra golpismo

Ninguém duvida de que a partir de hoje a senadora Eliziane Gama (PSD) entra para o estrelato do Congresso Nacional como relatora da CPMI dos Atos Golpistas, o mesmo acontecendo, em escala menor, mas com expressividade, com os outros congressistas maranhenses que integram a Comissão: a senadora Ana Paula Lobato (PSB) e os deputados federais Amanda Gentil (PP) Rubens Jr. (PT), Duarte Jr. (PSB) e Aluízio Mendes (Republicanos).

Outro político nascido no Maranhão encontra-se exercendo papel decisivo numa CPI sobre o mesmo assunto na Câmara Distrital – Assembleia Legislativa de Brasília, exatamente onde tudo aconteceu: o deputado distrital Chico Vigilante (PT), presidente da CPI dos Atos Golpistas na Câmara Distrital de Brasília. Ele nasceu em Vitorino Freire e é militante fiel do PT desde os anos 80, Chico Vigilante já foi deputado federal nos anos 90 e atualmente encontra-se no terceiro mandato consecutivo de deputado Distrital.

No dia seguinte aos atos golpistas de 8 de Janeiro, quando já havia sinais de negligência do Governo de Brasília, que resultou no afastamento do governador Ibaneis Rocha, e conivência da cúpula da Segurança Pública, que levou o então secretário de Segurança do DF e o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, para a cadeia, o deputado distrital Chico Vigilante propôs a instalação de uma CPI, que logo ganhou a adesão de todos os integrantes do parlamento candango.

Autor da proposta, o deputado Chico Vigilante ganhou a presidência da CPI, e desde a instalação, atuou intensamente, como responsável e com o investigador, interrogando duramente todos os convocados, entre eles generais, coronéis da PM e outros suspeitos de envolvimento direto com os ataques às sedes dos três Poderes.

Em entrevista recente, Chico Vigilante declarou o seguinte: “O objetivo dessa Casa é investigar”, afirmou. Disse ainda que a CPI “não dará em pizza”, porque os deputados “não são pizzaiolos”. E garantiu que a Comissão vai “mostrar para a sociedade quem foram os responsáveis e quem financiou os atos de vandalismo e terrorismo em Brasília”.

São Luís, 30 de Maio de 2023.