Todos os posts de Ribarmar Correa

Weverton ocupa espaço na cúpula do Senado e amplia suas chances de reeleição

Weverton Rocha: espaço generoso no Senado
reforça sua corrida à reeleição

Em meio à turbulência que estremece o tabuleiro político do Brasil com a proximidade das eleições de 2026, o senador maranhense Weverton Rocha (PDT), que está em fim de mandato e se movimenta para brigar pela reeleição, ganha protagonismo surpreendente no cenário político nacional. Em duas semanas, ele ocupa espaço especial em dois assuntos extremamente sensíveis, designado que foi pelo presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União/AP), para relatar dois projetos politicamente explosivos: a indicação do advogado geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal, e o projeto que atualiza a lei do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

São duas matérias complicadas, que estão exigindo do senador maranhense todo o jogo de cintura possível para acomodar o que estão propondo as duas tendências dominantes no Senado da República: a base governista, que se manifesta favorável à indicação de Jorge Messias para a Suprema Corte e está dividida em relação à decisão do ministro Gilmar Mendes quanto as regras para impeachment de ministro do STF, e a oposição, que vem se mobilizando para votar contra a indicação do advogado geral da União, e tenta incendiar a Casa contra a decisão do ministro Gilmar Mendes sobre as regras para o impeachment de membros do STF.

Escolado nesse jogo e muito bem articulado com o presidente do Senado, de quem é parceiro há tempos, o senador Weverton Rocha sabe que no primeiro caso o seu papel é mais de articulador do que de relator, uma vez que nenhum senador se posicionará a favor ou contra Jorge Messias baseado no seu relatório, já que a votação é política. Qualquer mudança de voto será resultado de no jogo político e não porque o relator tenha dito isso ou aquilo a respeito do indicado no seu relatório. A votação que Jorge Messias vier a receber nada terá a ver com o relatório do senador Weverton Rocha, seja ele favorável ou contrário à indicação.

No caso da relatoria do projeto de lei que atualiza as regras para o impeachment de ministro da Suprema Corte há uma diferença acentuada, tendo o relator papel crucial e decisivo na construção do relatório. De acordo com o que foi divulgado ontem, o senador Weverton Rocha vem atuando como um verdadeiro equilibrista, à medida que a linha que adotou foi a de equilibrar o jogo aproveitando sugestões de todos os lados, inclusive aproveitando o básico da decisão do ministro Gilmar Mendes no que diz respeito ao quórum necessário de senadores para que uma proposta de impeachment seja admitida. Weverton Rocha está montando o relatório para garantir a aprovação do projeto.

Parlamentar ativo, tanto no campo político quanto na seara legislativa, com várias leis úteis aprovadas e algumas posições polêmicas – como a favorável à controversa e natimorta PEC da Blindagem, por exemplo -, o senador Weverton Rocha andou muito próximo do escândalo dos descontos criminosos nos contracheques de aposentados do INSS e de outras confusões, mas saiu ileso de todas. Conseguiu espaço amplo na cúpula do Senado, ora como líder do PDT, ora como porta-voz do governo em articulações complicadas.

A visibilidade que ganha agora como relator das duas matérias que estão mexendo com o Senado e o Palácio do Planalto lhe dá mais gás para intensificar a sua campanha pela reeleição. Ele entra na corrida eleitoral apontado com favorito em todas as pesquisas em que tem o ministro do Esporte, André Fufuca (PP) e senadora Eliziane Gama (PSD) como concorrentes, só caindo para segundo colocado nos levantamentos em que disputa com o governador Carlos Brandão (sem partido) e com a deputada federal Roseana Sarney (MDB). Na corrida sucessória, ele fala em recomposição da base governista, mas está firmemente associado à pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo.

  Nas rodas de conversa política quase ninguém duvida da sua reeleição.

PONTO & CONTRAPONTO

Nota da Câmara esclarece pedido de cassação do prefeito Eduardo Braide

Eduardo Braide: pedido de cassação

A divulgação, ontem, pela Câmara Municipal, de nota oficial sobre o pedido de cassação do prefeito Eduardo Braide (PSD), protocolado por um auditor municipal aposentado, sob a acusação de supostos infração político-administrativa e crime de responsabilidade pelo não cumprimento da Lei 7.729/25, que regula o reajuste salarial do prefeito e estabelece o teto remuneratório no âmbito municipal, colocou um pouco de freio nas tensões causadas pelas declarações do chefe do Executivo Municipal.

E meio a um certo disse-não-disse com informações enviesadas sobre o assunto, a nota da Câmara Municipal esclareceu o que de fato está acontecendo, a partir da ação ali protocolada, e o que ficou claro foi o seguinte: a ação pede a cassação do prefeito pelo não cumprimento da Lei 7.729/25, que reajustaria seu salário (de R$ 25 mil para R$ 38 mil, mais de 50%) e o de cerca de 400 servidores do município, entre eles auditores da ativa e aposentados e pensionistas.

Informa também que “o caso terá tramitação ordinária, observando os prazos legais, os princípios do contraditório e da ampla defesa e a total transparência do processo”. Isso traduzido, significa dizer que o documento será tecnicamente examinado pela área jurídica da Câmara e depois será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça, para só depois, se for o caso, ser submetida à votação pelo plenário.

Antes dessa análise, os vereadores admitirão ou não o pedido, que é o que deve acontecer na sessão de terça-feira (9). Se admitirem, processo começa a tramitar; se não, será mandado para o arquivo morto do Palácio Pedro Neiva de Santana.

No vídeo que postou quinta-feira nas redes sociais, o prefeito Eduardo Braide resumiu a questão à sua decisão de não aceitar o reajuste do seu salário, sem se referir ao fato de que a ação focou mais na reivindicação de auditores, que seriam beneficiados com reajuste salarial gordo se o prefeito tivesse acatado o aumento do seu próprio salário.

O prefeito também convocou a população a se posicionar, o que causou reações preocupadas na Câmara Municipal, como a do experiente vereador Astro de Ogum (PCdoB). Ele contestou em parte a fala de Eduardo Braide, dizendo também uma meia verdade ao afirmar que a ação não está relacionada ao aumento do salário do prefeito, mas à reivindicação dos auditores. O fato é que as duas coisas estão umbilicalmente associadas.

Não será surpresa se uma solução vier a ser encontrada no final de semana prolongado, com as bênçãos de Nossa Senhora da Conceição, de quem o prefeito Eduardo Braide é devoto.   

Bolsonaro escolhe filho senador sem preparo para ser candidato a presidente em seu nome

Flávio Bolsonaro: desempenho pífio no Senado

Inelegível, o ex-presidente Jair Bolsonaro escolheu seu filho nº 01, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para ser o candidato do PL à presidência da República em 2026, preferindo assim uma “solução familiar” para manter o nome no jogo político nacional, ainda que o projeto venha a naufragar nas urnas, segundo a avaliação de alguns analistas da cena política nacional.

Salvo seus esforços para ser simpático e uma certa flexibilidade como articulador no campo político, o senador Flávio Bolsonaro é um completo fracasso como congressista, estando entre os senadores que menos produziram como legisladores.

O seu jeito meio afável esconde um sujeito de preparado duvidoso. Nas suas conhecidas intervenções em debates e sabatinas no Senado e fora dele, ele tem apanhado feio, principalmente quando se manifesta em relação às regras institucionais. É um advogado que parece nunca haver estudado Direito, embora exiba um diploma de bacharel.

A prova maior das suas limitações para ser senador está nas diversas vezes que tentou enfrentar o então senador Flávio Dino em sabatinas no Senado, como ministro da Justiça e como indicado para o Supremo Tribunal Federal. Ele foi simplesmente destruído em todas as tentativas que fez de colocar o senador maranhense em situação complicada. Quem assistiu ao vivo sentiu um misto de pena e indignação com a falta de substância e da sofrível inteligência política do senador que representa o Rio de Janeiro. As provas estão nos inúmeros registros em vídeo que circulam na internet.

Os mesmos analistas que avaliaram ontem a sua indicação para candidato presidencial do bolsonarismo foram unânimes em uma conclusão: com o seu nível de preparo – ou grau de despreparo -, Flávio Bolsonaro será triturado nos debates entre candidatos a presidente da República.

Tudo isso sem contar o Caso das Rachadinhas, a famosa e intrigante loja de chocolates num shopping carioca e o fato de morar numa mansão em Brasília cuja prestação mensal quase equivale ao seu salário de senador, entre outros problemas.

Outra impressão de muitos observadores é a de que a sua candidatura é um balão de ensaio.

São Luís, 06 de Dezembro de 2025.

Braide reage a pedido de cassação sugerindo ao eleitorado que se posicione em relação aos vereadores

Eduardo Braide busca apoio popular
contra o pedido de cassação

O pedido de cassação do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), feito por um auditor aposentado, que o acusa de haver praticado infração político-administrativa e crime de responsabilidade por haver contestado judicialmente a Lei Municipal Lei nº 7.729/25, que aumentou o seu salário de R$ 25 mil para R$ 38 mil, aprovado pela Câmara Municipal, poderia ser mais uma das inúmeras refregas que travou com o parlamento municipal nesses cinco anos de mandato. Mas a ação ganhou a dimensão de uma crise político-institucional a ser enfrentada pelo chefe do Executivo ludovicense. O próprio prefeito lhe deu essa estatura e aumentou sua gravidade ao sair ontem da sua habitual cautela para dar conhecimento da ação à população da Capital, em tom que pareceu uma convocação para uma mobilização em sua defesa.

– Agora é hora de saber como o seu vereador vai votar nesse processo: se vai querer me cassar porque eu não aceitei aumentar o meu salário, ou se vai respeitar o voto de mais de quatrocentos mil ludovicenses e me deixar trabalhar -, concitou Eduardo Braide numa fala postada nas suas redes sociais para abordar o assunto, dando-lhe um caráter político, mas sem conotação partidária. Com o cuidado que lhe é peculiar, ele evitou embarcar no discurso de simpatizantes e aliados potenciais, que enxergaram no pedido de cassação um movimento de adversários para afastá-lo da corrida ao Palácio dos Leões, em relação à qual ele nunca pronunciou uma só frase sobre se será ou não candidato.

Recém saído ileso de mais um embate com os poderosos empresários do transporte coletivo de São Luís, Eduardo Braide enfrenta agora a Câmara Municipal, ou a maioria dela. E certo de que não infringiu as regras nem cometeu crime de responsabilidade, decidiu envolver o eleitorado da Capital, convocando os mais de 400 mil eleitores de que o reelegeram em 2024, em turno único, para se posicionarem em relação aos vereadores que votarão pela sua cassação e os que o deixarão “continuar trabalhando”.

Com a marca do político que mede milimetricamente cada passo que dá, principalmente na movediça seara da política, o prefeito Eduardo Braide parece ter feito uma aposta ousada e de alto risco ao colocar os vereadores da Capital numa espécie de berlinda diante da população. Não há dúvida de que o seu gesto de recusar aumento de salário quando a regra geral é pleiteá-lo é simpático. Mas também não há como ignorar que o reajuste – que equipararia o valor mensal do seu contracheque ao do seu colega de São Paulo -, não foi uma decisão gratuita dos vereadores, mas o cumprimento de uma regra prevista na Constituição Federal relacionada ao presidente da República, à Carta estadual em relação ao governador do Estado e à Lei Orgânica do Município beneficiando o prefeito. Pelo visto, a ação protocolada algum fundamento.

Quando divide sua posição com o eleitorado da Capital, Eduardo Braide sabe que sua causa é válida e vai de encontro ao sentimento popular. Sabe também que não será política e institucionalmente fácil para os vereadores decidir pela cassação de um prefeito que se relegou em turno único com mais de 70% dos votos, que está entre os mais bem avaliados do País e que, de quebra, lidera a corrida para o Governo do Estado mesmo sem se dizer candidato. E mesmo nesse contexto, que politicamente o favorece, correram ontem rumores que Eduardo Braide teria acionados seus canais de conversa com a Câmara Municipal para buscar uma solução negociada para o caso.

Do alto da sua posição politicamente confortável, o prefeito de São Luís não precisou se movimentar para que o pedido de cassação fosse mostrado como uma ação política destinada a afastá-lo da corrida ao Palácio dos Leões. A grita maior veio do grupo dinista, com o vice-governador Felipe Camarão (PT) dizendo tratar-se de uma ação de adversários, que segundo ele “quarem ganhar de WO”, enquanto o deputado federal Márcio Jerry, líder do PCdoB no estado, classificou o pedido de “absurdo e bizarro”, e o deputado federal petista Rubens Júnior disse não haver sentido no pedido de cassação do prefeito. E todos apontaram a sucessão estadual como a causa do ataque ao prefeito.

O fato é que a apreciação do pedido de cassação do o prefeito Eduardo Braide, pautada para a sessão de terça-feira (09/12), se dará sob forte pressão política se até lá não houver um acordo que evite o embate.

PONTO & CONTRAPONTO

Em campos diferentes, Pedro Lucas e Juscelino Filho mantêm boa convivência no União

Pedro Lucas e Juscelino Filho: no mesmo
partido, mas em campos diferentes

Uma situação partidária começa a chamar a atenção do mundo político: a posição do braço maranhense do União em relação à corrida ao Governo do Estado, tendo de um lado o atual presidente estadual da legenda, deputado federal Pedro Lucas Fernandes, e de outro o deputado federal e ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho.

Pedro Lucas Fernandes, que lidera a bancada do União na Câmara Federal, é vinculado ao presidente nacional do partido, Antônio Rueda, e apoia a pré-candidatura do secretário Orleans Brandão (MDB), mantendo sólida aliança com o governador Carlos Brandão (sem partido).

Já Juscelino Filho, faz parte da banda do União que segue a orientação do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, que lidera a banda do União oriunda do DEM. Ex-ministro das Comunicações, Juscelino mantém forte vínculo com o presidente Lula da Silva, mas vive em rota de colisão com o governador Carlos Brandão por conta da guerra política em Vitorino Freire, onde combate duramente o grupo liderado pelo seu tio, Stênio Rezende. Na corrida sucessória estadual sua inclinação será poiar o vice-governador Felipe Camarão (PT).

Ao que parece, Pedro Lucas |Fernandes e Juscelino Rezende trilham caminhos diferentes, mas trabalham para manter uma convivência sem problemas no braço maranhense do União

Lahesio perde o apoio do prefeito de São Pedro dos Crentes, sua base política

Lahesio Bonfim perde o apoio de Rômulo
Arruda, que vai apoiar Orleans Brandão

O ex-prefeito de São Padro dos Crentes e pré-candidato do Novo ao Governo do Estado, Lahesio Bonfim sofreu um duro golpe, que pode não ter maiores consequências eleitorais, mas produziu um forte simbolismo político: o atual prefeito do município, Rômulo Arruda (Republicanos), rompeu a aliança que tinha com o pré-candidato do Novo e declarou apoio à pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB).

O movimento do prefeito de São Padro dos Crentes foi uma pancada no projeto de candidatura de Lahesio Bonfim, que tem naquele município a sua principal base política, onde demonstra força por conta do seu desempenho com o prefeito.

Lahesio corre o risco de não ter a maioria dos seis mil votos de São Pedro dos Crentes, já que o prefeito Rômulo Arruda – que foi reeleito em 2024 com 65% votos válidos – decidiu entrar de cabeça na corrida sucessória estadual pedindo votos para Orleans Brandão.

A perda do apoio do prefeito Rômulo Arruda coloca Lahesio Bonfim numa espécie de “saia justa”, à medida que a consequência é que o seu isolamento no seu próprio município poderá ser usada como argumento para minar a sua força eleitoral, que é considerável – na última pesquisa ele apareceu com 19% das intenções de voto.

Ninguém sabe como Lahesio Bonfim reagirá à declaração de apoio de Rômulo Arruda ao emedebista Orleans Brandão.

São Luís, 05 de Dezembro de 2025.

Mesmo sem dizer se será candidato, Braide continua peça-chave no jogo sucessório estadual

Enquanto não decide se será ou não candidato,
Eduardo Braide intensifica inaugurações na sua
gestão, como esse centro de saúde no Quebra Pote

A menos que ele próprio declare que está fora do jogo para 2026, preferindo permanecer no cargo até o final do mandato, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) continuará sendo a peça que falta no tabuleiro da disputa pelo Governo do Estado, com poder de fogo até para vencer a eleição. Atento a cada movimento dos três pré-candidatos já assumidos – o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo) e o vice-governador Felipe Camarão (PT) – e certamente ciente de que o governador Carlos Brandão (sem partido) vem mexendo bem as peças nesse xadrez e está decidido a usar todo o peso político do grupo que o segue e o prestígio do Governo para eleger seu sucessor, o prefeito da Capital está em contagem regressiva para se manifestar sobre o assunto.

Na avaliação de quem entende do riscado político maranhense, o prefeito de São Luís deve se manifestar sobre o assunto no próximo mês de janeiro, no rescaldo das festas de fim de ano, faltando pouco mais de nove meses para as eleições. Por esse roteiro, se deixar para se manifestar no início de abril para dizer que será candidato, pode correr o risco de ter perdido o timing, mesmo levando-se em conta a força de uma “provável” candidatura que liderou 32 das 35 pesquisas sobre as preferências do eleitorado para o Governo do Estado.

O nome do prefeito de São Luís voltou a ser assunto de proa nos bastidores da sucessão estadual com a notícia de que o Congresso Nacional pode aprovar uma lei acabando com a reeleição para prefeito, mas incluindo uma regra de transição que assegura aos atuais líderes municipais, eleitos e reeleitos, o direito de concorrer a uma já terceira eleição consecutiva em 2028. Nesse caso, Eduardo Braide, que já é reeleito, poderia permanecer no cargo e se candidatar à segunda reeleição, e se eleito permaneceria no comando da Prefeitura de São Luís até 2032, ou seja, governador por 12 anos. O fim da reeleição pode passar, mas essa regra de transição dificilmente passará.

Se Eduardo Braide bater martelo e entrar na disputa para governador, sua candidatura estremecerá o cenário, podendo manter a liderança que obteve nas pesquisas sem ser candidato. O problema é que, embalado pelo comando do seu grupo e com a força do Governo, Orleans Brandão vem ganhando musculatura, e se mantiver o ritmo de crescimento que ganhou há algum tempo, será um adversário muito difícil de bater. Será, portanto, um embate de dois candidatos fortes, já que Lahesio Bonfim parece haver encontrado o seu teto, e não há indicativos de que Felipe Camarão reaja e se torne um candidato competitivo, apesar da sua intensa movimentação no interior com os “Diálogos pelo Maranhão”.

Duas pesquisas feitas em novembro, uma do Inop e outra da Econométrica mostraram Orleans Brandão quebrando, apertadamente, o favoritismo do prefeito de São Luís. Mas logo em seguida, o Real Time Big Data devolveu a liderança a Eduardo Braide, e com 10 pontos percentuais de vantagem. Nos três casos, Lahesio Bonfim foi terceiro bem colocado, e Felipe Camarão foi quarto com tendência de queda.

A previsão lógica é que, mesmo levando em conta as surpresas que a políticas maranhense tem potencial para produzir, se nada de extraordinário vier a acontecer, com Eduardo Braide candidato o caminho mais provável será uma eleição em dois turnos, entre ele e Orleans Brandão. Se o prefeito de São Luís decidir permanecer onde está, a sua influência na corrida aos Leões não será de todo apagada, à medida que ele pode declarar apoio a um dos candidatos de oposição. Mesmo assim, na visão de agora, a tendência é que a disputa será entre Orleans Brandão e Lahesio Bonfim, com possibilidade real de o emedebista sair das urnas eleito em um só turno, seguindo os passos do tio em 2022.

PONTO & CONTRAPONTO

PSB: Iracema revela que não foi comunicada da mudança nem recebeu carta de anuência para mudar de partido

Iracema Vale: segurança sobre temas sensíveis

A presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale revelou ontem, em entrevista à TV Mirante, que ela e o grupo de deputados aliados do governador Carlos Brandão (sem partido) ainda não ingressaram na Justiça Eleitoral pedindo para deixar o PSB por justa causa porque a duração do partido até agora não liberou carta de anuência nesse sentido.

– Estamos aguardando a carta de anuência, que nunca chegou às nossas mãos, apesar dos pedidos já realizados. Também precisamos dar entrada no TRE para obter a liberação por justa causa – declarou a parlamentar, quase que em tom de cobrança.

E foi mais longe na revelação ao afirmar que, mesmo na condição de membro do Diretório estadual do PSB, ela não foi informada oficialmente da mudança feita pelo comando nacional na cúpula estadual, com a saída do governador Carlos Brandão e a nomeação da senadora Ana Paula Lobato para a presidência a agremiação no estado.

– Quando você é dirigente de um partido e sequer é comunicada de mudanças no seu próprio estado, isso soa como um convite sutil para procurar outro rumo. Assim, nós iremos procurar outro abrigo partidário – alfinetou a presidente da Alema, que tem duas portas abertas, a do PDT e a do MDB.

Iracema Vale avaliou como página virada o questionamento da sua reeleição, que foi resolvido por uma decisão unânime do Supremo Tribunal Federal, que lhe deu ganho de causa por 10 votos a zero acatando o voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, que considerou legal o critério de desempate pela maior idade por estar previsto no Regimento Interno da Assembleia Legislativa. E deixou claro que o clima de instabilidade que rondou a sua presidência por quase um ano não alterou o ritmo de trabalho na Casa.

A presidente do Legislativo foi clara em relação à pendência que permanece na Suprema Corte em relação às regras para escolha de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado. Informou que a Assembleia Legislativa já fez todos os ajustes normativos exigidos e que aguarda a decisão do ministro relator, no caso Flávio Dino. “Aguardamos apenas a decisão do ministro para darmos prosseguimento à eleição” declarou.

A presidente da Assembleia Legislativa abordou com segurança e precisão todos os assuntos que lhe foram colocados na entrevista.

Grupos “apostam” no verbo pactuar para resolver crise

Márcio Jerry e Marcus Brandão: visões
diferentes sobre repactuação

A política produz situações que surpreendem. Em meio ao fogo cruzado entre aliados do governador Carlos Brandão com as vozes do grupo dinista, um verbo passou a ser usado com frequência e com poder de cura: repactuar, que significa refazer o que foi desmanchado. Típico do vocabulário político do presidente do braço maranhense do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, o mais dinista entre os dinistas, o verbo repactuar passou também a ser usada por vozes brandonistas, entre elas a do influente empresário Marcus Brandão.

A partir de uma nota recente emitida pelo PCdoB estadual, que fala em repactuação, o verbo repactuar ganhou o força, só que o seu uso acaba fragilizando-o.

Para o deputado federal Márcio Jerry e os aliados do ministro Flávio Dino, repactuar no Maranhão significa a renúncia do governador Carlos Brandão em abril do ano que vem para disputar uma cadeira o Senado e, claro, a ascensão do vice-governador Felipe Camarão (PT) ao cargo de governador, para ser candidato à reeleição, isso implicando também a retirada da candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Palácio dos Leões.

Já para Marcus Brandão e os aliados do Governo, repactuar seria o vice-governador Felipe Camarão renunciar e disputar um mandato na Câmara Federal ou até mesmo de senador, o que poderia levar o governador Carlos Brandão também renunciar e entrar na briga pelo Senado. Nessa repactuação, a candidatura de Orleans Brandão poderia ser retirada, dando ligar a um candidato de consenso entre os grupos.

A conclusão óbvia é que, a menos que haja um fato excepcional e imprevisto, o verbo repactuar dificilmente será usado para reunir os grupos dinista e brandonistas.

São Luís, 04 de Dezembro de 2025.

Francisco Nagib volta à base governista e deixa grupo dinista mais fragilizado na Alema

Francisco Nagib anuncia volta à base
do governador Carlos Brandão

O grupo parlamentar remanescente da poderosa base política formada ao longo dos sete anos e três meses do Governo Flávio Dino, perdeu ontem mais um deputado, Francisco Nagib (PSB), que em discurso na Assembleia Legislativa, anunciou seu retorno à base de apoio do governador Carlos Brandão (sem partido). Com a mudança de posição do parlamentar, o chamado grupo dinista perde mais peso político e parlamentar, à medida que a ser formado por apenas seis entre os 42 integrantes do parlamento estadual. Com a mudança, o deputado Francisco Nagib leva também para a base governista o seu pai, Chiquinho da FC, prefeito de Codó, filiado ao PT, fragilizando ainda mais o grupo dinista e a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT) ao Governo do Estado.

A volta do deputado Francisco Nagib para a seara do Palácio dos Leões já vinha sendo vista como favas contas, estando o parlamentar apenas aguardando o momento adequado para consumar as negociações e fazer o anúncio. Na semana passada, numa articulação feita pela presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB), o deputado Francisco Nagib e o prefeito Chiquinho da FC foram recebidos em audiência pelo governador Carlos Brandão, durante a apararam as últimas arestas que havia na sua relação e entabularam a base de uma convivência institucional e uma associação político. O anúncio feito ontem pelo deputado Francisco Nagib foi o grande desfecho de uma reaproximação cuidadosa, costurada sem açodamento.

Os fatores que levaram o deputado e o prefeito codoenses a deixaram a seara oposicionista ao Governo do Estado. Francisco Nagib, que já foi prefeito do seu município, se deu conta de que na oposição manteria o prefeito de Codó, que é do PT, inexplicavelmente distanciado do Palácio dos Leões, à medida que a maior banda do petista está alinhada ao governador Carlos Brandão, implicando essa distância em prejuízo para a Prefeitura codoense. Numa análise pragmática, faz mais sentido ele se afastar do grupo dinista e somar com o governador, abrindo caminho para o pai no acesso a recursos do Governo, do que se manter na oposição criando entrave ao prefeito. O seu movimento seguiu a lógica do “meu pirão primeiro”.

Com a mudança de posição, o deputado Francisco Nagib dispara um petardo poderoso contra o projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão. Isso porque, ao retornar para a base do governador Carlos Brandão, ele naturalmente reforça a pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB). O seu pai, que é do PT, deve seguir o mesmo rumo na corrida sucessória estadual, já que a banda maior do seu partido está inclinada a apoiar o projeto de candidatura do emedebista. Chiquinho da FC, que é um petista fora da curva, não vinha demonstrado simpatia pela caminhada do vice-governador.

Com a volta do deputado Francisco Nagib, a base do governador Carlos Brandão na Assembleia Legislativa conta com nada menos que 33 deputados declaradamente governistas, que lhe enorme poder de fogo. Os outros nove se dividem em três grupos: o dinista, formado pelos deputados Othelino Neto (PSB), Carlos Lula (PSB), Rodrigo Lago (PCdoB), Ricardo Rios (PCdoB), Júlio Mendonça (PCdoB) e Leandro Bello; a “bancada do Braide”, formada por seu irmão, o deputado Fernando Braide (PSB), e três dos seis integrantes da bancada do PL, liderada na Casa pela deputada Fabiana Vilar, que mantém sua bancada sob controle.

Mesmo rompendo com o grupo dinista, que retomou o controle do PSB no Maranhão, o deputado Francisco Nagib permanecerá no partido. Ele só pretende deixar a legenda socialista durante a janela partidária, que será aberta em março, porque se ele se desfiliar sem a concordância do PSB, pode perder o mandato – outros seis deputados do PSB, incluindo a presidente Iracema Vale, permanecem na agremiação aguardando a janela, para que possam migrar para outras legendas sem o risco de perder o mandato.

PONTO & CONTRAPONTO

Orleans diz que sua candidatura depende da palavra final de Brandão e do aval do grupo que lidera

Orleans Brandão: a palavra final é
do governador Carlos Brandão

Provocado pela TV Mirante sobre a nota em que o presidente do braço maranhense do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, insiste no discurso segundo o qual o partido só recomporia sua posição na base governista se o governador Carlos Brandão (sem partido) renunciar em abril do ano que vem e sair para o Senado e retirar a pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) e apoiar a candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT), o novo presidente do MDB e pré-candidato do partido ao Palácio dos Leões, Orleans Brandão, deu a resposta mais sensata em termos políticos.

Primeiro disse que tem um líder, o governador Carlos Brandão, que tem a palavra final sobre qualquer movimento seu e do seu grupo, que é imenso, formado por prefeitos, deputados estaduais e federais. E controlam um Governo bem avaliado.

E acrescentou, com o cuidado político necessário, que, sob o comando do governador Carlos Brandão, esse grupo vai se reunir e tomar todas as decisões relacionadas com as eleições de 2026.

E completou, com tranquila firmeza: “Eu sigo a determinação do governador Carlos Brandão, sigo a determinação do nosso grupo”.

Orleans Brandão respondeu como um político sensato, ciente de que sua candidatura ao Governo não é um projeto dele, pessoal, que se manteria sob qualquer circunstância. Sua candidatura é um projeto do governador Carlos Brandão e do grupo que lidera.

Isso significa dizer que ele seguirá na direção que o governador indicar, com o aval do grupo, mantendo a candidatura ou dela abrindo mão se o mandatário e o grupo assim determinarem.

E pelo que se viu até agora, não há qualquer réstia de dúvida de que o governador e o grupo o querem como candidato ao Palácio dos Leões.

Brandão tem 118 dias para definir o seu futuro partidário, se for o caso

Enquanto não dá a palavra final, Carlos Brandão
embala a pré-candidatura de Orleans Brandão, na
foto ao seu lado no lançamento do Carnaval 2026

As atenções no meio políticos se voltam agora para o governador Carlos Brandão. Governistas e oposicionistas mergulham em expectativa à espera do rumo partidário que o chefe do Poder Executivo vai tomar ou se ele vai continuar sem partido.

Nas rodas de especulação, de Carlos Brandão se filiar a um partido antes de 3 de abril, a suposição é a de que ele renunciará naquela data e se candidate ao Senado. Se não manifestar interesse por filiação partidária, até março, a opinião geral é a de que ele de fato permanecerá no cargo até o final do mandato.

Afora duas ou três “ameaças” feitas em discursos pronunciados em momentos de tensão na relação com os remanescentes do dinismo, e de uma fotografia em que ele posa mostrando quatro dedos da mão direita, indicando que cumprirá os seus quatro anos de mandato, Carlos Brandão até agora não bateu martelo com clareza solar sobre o seu futuro.

Por outro lado, os movimentos feitos à sua volta e com a sua total anuência, como o fortalecimento da posição de Orleans Brandão no Governo como o seu principal articulador no âmbito dos municípios, posição reforçada com a eleição de presidente do MDB na gigantesca convenção da semana passada, indicam, sem dúvida, de que o seu caminho será o cumprimento integral do mandato.

A política, no entanto, é espetacularmente imprevisível, ora confirmando o previsível, ora colocando no tabuleiro movimentos antes impensáveis. E daqui até 3 de abril serão 118 dias com 118 noites em que tudo pode acontecer.

São Luís, 03 de Dezembro de 2025.   

Pesquisa Real Time mostra Braide na liderança e Orleans em segundo

Eduardo Braide lidera a corrida ao Palácio dos Leões seguido
de Orleans Brandão, Lahesio Bonfim e Felipe Camarão

Mais uma pesquisa de opinião, esta realizada pelo instituto Real Time Big Data, indica que se a eleição para governador fosse agora, o desfecho se daria num 2º turno entre o prefeito Eduardo Braide (PSD), caso ele fosse candidato, e o atual secretário de Assuntos Municipalistas e presidente estadual do MDB Orleans Brandão. Eduardo Braide sairia do 1º turno com 35% dos votos e Orleans Brandão com 25%. O ex-prefeitos de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo) teria 19% dos votos, enquanto o vice-governador Felipe Camarão (PT) seria o último colocado com 6%. Um contingente de 8% anularia o voto ou votaria em branco e outros 7% não saberiam em quem votar.

Mesmo considerando que pela ótica da estatística não se deve comparar pesquisas dessa natureza com as de outros institutos, não há como lembrar o fato de que as duas últimas pesquisas, uma da Econométrica e outra do Inop, apontaram o pré-candidato do MDB à frente do prefeito ludovicense, uma numa clara situação de empate técnico e outra com uma vantagem não muito larga, mas fora da margem de erro, o que deu consistência.

Esse novo levantamento, feito pela Real Time Big Data, mostra um cenário rigorosamente oposto, com Eduardo Braide com 10 pontos percentuais à frente de Orleans Brandão, o que remete à necessidade de se avaliar esse cenário pelos números mostrados pelas mais de 30 pesquisas sobre sucessão estadual divulgadas nos últimos 20 meses. Com exceção da penúltima e da antepenúltima, que encontraram Orleans Brandão liderando as preferências do eleitorado, todas as demais mostraram Eduardo Braide na liderança, exibindo consistência. Ao mesmo tempo, provavelmente por se manter em silencia sobre ser ou não ser candidato, Eduardo Braide parece haver estancado no patamar em 30% e 35% das preferências.

No contraponto, não há como negaras mesmas pesquisas mostraram Orleans Brandão, que começou em quinto lugar, entrou em curva ascendente, mostrando um crescimento lento, mas firme, galgando pontos percentuais a mais a cada levantamento. Nessa corrida, ele ultrapassou primeiro o vice-governador Felipe Camarão e logo depois deixou Lahesio Bonfim para trás, alcançando nos levantamentos da Econométrica e Inop, ambas realizadas em novembro, o patamar da liderança, agora não encontrado pela pesquisa Real Time Big Data.

Não se discute que, embalado pela força do Governo e da base formada com prefeitos, vereadores e deputados, Orleans Brandão saiu do ponto zero, gerou muitas dúvidas, motivou controvérsias, mas seguiu firme, cumprindo as etapas do projeto que concebeu para se tornar candidato para valer e ganhar a eleição. Tanto que faltando 11 meses para a corrida às urnas, ele já é o segundo colocado na disputa. Ao mesmo tempo, não há como ignorar o fato de que um prefeito, que não usa máquina de propaganda solitariamente nas redes sociais e apareça na liderança de mais de 30 pesquisas sem dizer que é candidato. E a maioria dos observadores acredita que, se vier a ser lançada, a candidatura de Eduardo Braide mudará radicalmente o cenário da corrida dos Leões.

Finalmente, não há como ignorar os 19% de Lahesio Bonfim – seis pontos atrás de Orleans Brandão -, que podem representar uma base para crescimento, ou um teto, que pode ser decisivo num segundo turno. E o ocaso da pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão, que pode ganhar altura se for apresentado com projeto do PT e do presidente Lula da Silva (PT), o que até agora não ficou claro.

Como as mais recentes, a pesquisa Real Time Big Data sobre a sucessão no Maranhão indica com clareza que está em curso um processo de polarização, caso Eduardo Braide entre na briga. Caso contrário, Orleans Brandão será seguido por Lahesio Bonfim para um desfecho previsível.

Em Tempo: a pesquisa do Real Time Big Data ouviu 1.200 eleitores em todo o estado nos dias 27 e 28 de novembro, tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

PONTO & CONTRAPONTO

Senado: Brandão e Roseana e Weverton seriam eleitos em cenários diferentes

Carlos Brandão, Weverton Rocha e Roseana Sarney:
favoritos em três cenários levantados pela Real Time

Pesquisa Real Time Big Data investigou também a corrida ao Senado e encontrou recados do eleitorados, sendo que um deles informa que, se vier a ser candidato a senador, o governador Carlos Brandão ganha fácil uma das cadeiras, sendo a segunda do senador Weverton Rocha (PDT). Em outro cenário, a deputada federal Roseana Sarney (MDB) será eleita juntamente com o senador Weverton Rocha. Sem Carlos Brandão e Roseana Sarney, Weverton Rocha lidera fácil, sendo a outra cadeira destinada ao ministro do Esporte André Fufuca, que deixa a senadora Eliziane Gama (PSD), o ex-senador Roberto Rocha (sem partido) e o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União) sem chance na corrida.

No primeiro cenário, Weverton Rocha lidera na disputa com 25% das intenções de voto, seguido de André Fufuca (PP) com 17%. Lahesio 15%, Eliziane Gama com 10%, Roberto Rocha com 10%, Pedro Lucas com 6% e Hilton Gonçalo com 2%, sendo que 7% anulariam o voto e 8% não saberiam em quem votar.

No segundo cenário, o governador Carlos Brandão seria eleito com 27%, seguido de Weverton Rocha com 19%. Lahesio Bonfim (Novo) teria 15%, à frente de André Fufuca, que teria 11%, seguido de Eliziane |gama com 7%, Roberto Rocha com 7% e Pedro Lucas com 4%. Nesse ambiente, 4% votariam nulo e 5% não saberiam em quem votar.

No terceiro cenário, Roseana Sarney seria eleita com 21%, juntamente com Weverton Rocha, que também seria eleito com 21%. O desempenho dos outros concorrentes seguia o seguinte: Lahesio Bomfim com 15%, André Fufuca com 12%, Eliziane Gama com 8%, Roberto Rocha com 6 e Pedro Lucas com 5%, sendo que 5% anulariam o voto e 5% não saberiam em quem votar.

A pesquisa considerou 1.200 entrevistas realizada entre os dias 27 e 28 de novembro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Por esse levantamento, o senador Weverton Rocha tem força eleitoral diferenciada, o que lhe dá fôlego para renovar o mandato com Carlos Brandão e com Roseana Sarney.

Iracema é homenageada pela Câmara de SL e vê no gesto “a democracia funcionando”

Iracema Vale ergue a placa ladeada à esquerda por Antônio Pereira,
Thay Evangelista, e à direita por Rosana da Saúde,
Ana do Gás, Sebastião Madeira e Astro de Ogum

A presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Iracema Vale (PSB), é a mais nova homenageada com a Placa de Honra ao Mérito da Câmara Municipal de São Luís. Proposta pelo vereador Astro de Ogum (PCdoB) e aprovada por unanimidade na Casa, a honraria foi entregue ontem em sessão especial do parlamento ludovicense, na presença de vereadores e deputados estaduais. A placa é concedida a personalidades que se destacam pela dedicação ao serviço público e pelas relevantes contribuições ao município.

Iracema Vale recebeu a honraria como uma dádiva e agradecendo o gesto do vereador Astro de Ogum e a manifestação da Casa, vendo na concessão uma homenagem também à Assembleia Legislativa: “Receber uma homenagem da Casa que leva a voz da capital do meu estado é uma grande alegria. Porque, toda vez que um Poder reconhece o trabalho de outro Poder, o que se celebra não é a Iracema, é a democracia funcionando, é a harmonia entre poderes, é o respeito institucional, é a maturidade política que o Maranhão tanto merece”.

Autor do proposta, o vereador Astro de Ogum justificou a homenagem como um reconhecimento à trajetória política da presidente do parlamento estadual: “A presidente Iracema é a deputada estadual mais votada do estado, com uma trajetória marcada pela humildade e pelo compromisso com o povo maranhense. Espero que esta homenagem seja mais um incentivo para que continue essa luta em defesa do povo do Maranhão”.

A deputada Ana do Gás (PCdoB) falou em nome dos seus colegas deputados e reforçou a relevância da homenagem, lembrando o pioneirismo de Iracema Vale como a primeira mulher a presidir o Parlamento estadual. “Nossa presidente Iracema Vale, ex-vereadora, ex-prefeita e enfermeira, merece essa honraria. Tenho certeza de que, assim como eu, meus colegas parlamentares também admiram a liderança dessa grande mulher que vem fazendo história. O Maranhão e São Luís precisam conhecer essa trajetória.”, afirmou, parabenizando o vereador Astro de Ogum pela iniciativa.

São Luís, 02 de Dezembro de 2025.

A 11 meses da eleição, corrida aos Leões tem dois candidatos definidos, um em definição e uma expectativa

Orleans Brandão e Lahesio Bonfim estão consolidados; Felipe Camarão
vive incertezas e Eduardo Braide ainda é uma possibilidade

Faltando 11 meses para as eleições gerais, o cenário para a disputa para o Palácio dos Leões ganha novos contornos e começa a ganhar forma, em que pese o clima pesado das indefinições quanto a candidaturas. Com a eleição do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão para a presidência regional do MDB, sucedendo ao pai, Marcus Brandão, ficou mais evidente que a sua pré-candidatura ao Governo caminha, de fato, para irreversibilidade. A mesma situação diz respeito ao ex-prefeito Lahesio Bonfim, confirmado pré-candidato do Novo ao Palácio dos Leões, uma definição que, tudo indica, não corre nenhum risco de reversão. Por outro lado, há um ambiente de incertezas em torno do vice-governador Felipe Camarão, por conta principalmente do comportamento dúbio do PT, e forte expectativa em relação ao prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), que ainda não disse se será ou não candidato a governador.

A eleição de Orleans Brandão para a presidência regional do MDB vai muito além de uma simples troca de comando partidário. Primeiro porque demonstra, agora com muita clareza, que ela é parte de um plano de várias etapas, muito bem concebido, de levar o MDB de novo ao poder no Maranhão. E depois, dar ao secretário Orleans Brandão uma máquina partidária forte, que possa sustentar o seu projeto de candidatura, que foi concebido muito antes de ele se apresentar como aspirante a uma cadeira na Câmara Federal. Muito bem arquitetado e guardado a sete chaves, o “Projeto Orleans” para agora para a próxima e decisiva etapa: a convenção que em agosto do ano que vem oficializará sua candidatura. Daqui até lá o seu novo o presidente e o próprio MDB terão de se desdobrar para manter a chama acesa.

Num outro plano de atuação, Lahesio Bonfim fará uma campanha sem ter controle absoluto sobre o partido Novo. Naquela agremiação, as decisões são tomadas pela cúpula, que se movimenta por regras rígidas, cabendo ao candidato a tarefa de sair a campo atrás de votos. Até o momento, o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes tem-se encaixado no modelo rígido de ação do Novo – que representa a direita liberal -, apesar do seu modo pouco convencional de fazer política, a começar pelo discurso, que é extremamente duro e agressivo. O fato é que o Novo precisa montar um palanque no Maranhão para o seu eventual candidato presidencial, Romeu Zema, governador de Minas Gerais. Há, portanto, interesses de parte a parte, o que leva à conclusão de que os interesses comuns do partido e do candidato falarão muito mais forte do que as diferenças.

O vice-governador Felipe Camarão, filiado ao PT vive a situação mais complexa. Ele afirma que é pré-candidato do PT e faz uma pré-campanha quase solitária, à medida que o partido não emitiu até agora nenhum sinal forte de que ele seja, de fato, o seu candidato a governador. Ontem, por exemplo, numa espécie em nota contestando o PCdoB, o ex-deputado Zé Inácio, uma das vozes mais fortes do petismo no Maranhão, voltou a defender a aliança na qual o comando seja do governador Carlos Brandão, sugerindo que o vice-governador Felipe Camarão e Carlos Brandão sejam candidatos ao Senado com as bênçãos do Palácio do Planalto. Em resumo: Felipe Camarão é do PT, mas não tem o PT apoiando sua pré-candidatura. Tal situação vem alimentando rumores de que Felipe Camarão pode deixar o PT ser candidato a governador pelo PSB.

Finalmente o prefeito Eduardo Braide, que liderou as preferências do eleitorado em 32 pesquisas sem dizer se está na disputa, foi mandado para o segundo lugar nas duas pesquisas mais recentes, nas quais Orleans Brandão aparece como favorito. Eduardo Braide sabe que sem ele na briga, a tendência é uma disputa entre Orleans Brandão e Lahesio Bonfim, e que só a entrada dele na corrida pode alterar radicalmente esse curso. Há quem veja recado recados em algumas atitudes do prefeito de São Luís. Sexta-feira, por exemplo, enquanto Orleans brandão era eleito presidente do MDB numa mega convenção no Ceprama, Eduardo Braide reunia muita gente na inauguração do Complexo de Santo Ângelo, uma magnífica área urbana restaurada na região da Praia Grande.

Abril de 2026 continua sem momento-chave para a disputa para os Leões e para o Senado. E até as atenções estarão voltadas para Felipe Camarão e Eduardo Braide. Os seus movimentos poderão dar a forma definitiva à guerra eleitoral pelo poder no Maranhão no ano que vem.

PONTO & CONTRAPONTO

Sucessão estadual: PT está dividido em três correntes

Raimundo Monteiro, Washington Oliveira e Zé Inácio: posições diferentes dentro do PT

É cada vez mais evidente a divisão do PT em relação à disputa pelo Governo do Estado. As várias correntes do partido estão divididas em três frentes, que vêm pregando fórmulas diferentes para a corrida aos Leões.

Uma delas, que tem como referência maior o velho guerreiro petista Raimundo Monteiro, um dos fundadores do PT maranhense, está alinhada com o vice-governador Felipe Camarão. Seus integrantes pregam a continuidade da fórmula segundo a qual o vice é o candidato natural a governador, lembrando o que foi feito por Flávio Dino, que apoiou o vice Carlos Brandão e foi para o Senado.

A segunda corrente, que tem o ex-vice-governador, ex-conselheiro do TCE e atual secretário da Representação do Maranhão em Brasília Washington Oliveira, também fundador do partido, vem trabalhando pela mobilização do PT para uma aliança com o MDB em torno da candidatura de Orleans Brandão. Para ele, Felipe Camarão poderia se candidatar a deputado federal, enquanto Carlos Brandão pode permanecer no Governo até o final do mandato.

A terceira corrente encampou a estratégia da direção nacional do partido de focar na eleição de deputados federais e senadores, deixando de lado governadores e deputados estaduais. Um dos líderes desse movimento, o suplente de deputado estadual Zé Inácio vem pregando que Felipe Camarão e Carlos Brandão se candidatem ao senado, cabendo ao governador indicar o candidato a governador num grande acordo, que no caso não seria Orleans Brandão, podendo ser a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB), por exemplo.

O problema maior é que essas correntes não estão conversando e a cada dia reforçam os seus discursos.

Bira mantém aliança com Brandão e pode deixar o PSB

Bira do Pindaré (centro) foi pragmático e pode deixar o PSB

Uma certa movimentação começa a mexer com as diversas bandas do PSB nascidas com o rompimento que levou à desfiliação do governador Carlos Brandão. São basicamente 11 deputados divididos em dois grupos: o que segue o governador Carlos Brandão, liderado pela presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, e o chamado grupo dinista, capitaneado pelo deputado Carlos Lula, atual vice-presidente da legenda, que é presidida agora pela senadora Ana Paula Lobato.

O grupo brandonista está com as malas prontas para deixar o partido na janela partidária de março do ano que vem. Já é quase certo que Iracema Vale migrará para o PDT e que a maior parte dos seus aliados deve desembarcar no MDB.

Nesse contexto, o destino partidário do secretário de Estado de Agricultura Familiar Bira do Pindaré chama a atenção. Nascido no PT, ele deixou o partido, junto com o então deputado federal Domingos Dutra quando a sigla se aliou ao Grupo Sarney, migrando para o PSB, do qual foi presidente estadual e ajudou a reerguer no Maranhão. Passou o comando para o então governador Flávio Dino.

Alguns tropeços complicaram sua base eleitoral e ele não se reelegeu deputado federal em 2022, permanecendo no Governo como secretário de Agricultura Familiar. Certo de que seria eleitoralmente prejudicado com o rompimento Dino/Brandão, Bira do Pindaré optou pelo pragmatismo e garantiu sua sobrevivência política aliando-se ao governador Carlos Brandão.

O rumo que tomou foi criticado por alguns e visto com reservas por dinistas de proa. Mas ele não parece nem um pouco preocupado, uma vez que entre os secretários de Estado inclinados a disputar votos em 2026 ela aparece como um dos que estão melhor situados na corrida para a Câmara Federal.

É quase certo que trocará o PSB por outras legenda de centro-esquerda, que é sua praia.

São Luís, 30 de Novembro de 2025.

Em grande convenção, Orleans assume o comando do MDB e fortalece sua pré-candidatura aos Leões

Orleans faz gesto de punhos cerrados para os
convencionais presentes ao Ceprama

Orleans Brandão deu ontem o primeiro e decisivo passo para se tornar o candidato do MDB à sucessão do governador Carlos Brandão (sem partido) em 2026. Ele foi eleito presidente estadual do partido, sucedendo ao pai, Marcus Brandão, numa convenção gigantesca, realizada à noite no Ceprama. A presidência do braço maranhense do MDB, a ele entregue com o aval da direção nacional do partido, lhe dá o comando regional da legenda nas eleições gerais do ano que vem, e praticamente consolida a sua condição de candidato emedebista, sem disputa interna, ao Governo do Estado. O grande ato partidário também praticamente selou a decisão do governador Carlos Brandão de permanecer no cargo até o último dia do seu mandato, abrindo mão de uma eleição quase certa para senador.

Animada por caranavas vindas do interior, a convenção do MDB foi um dos maiores eventos partidários ocorridos no Maranhão nos últimos tempos. O grande espaço da área aberta de eventos do Ceprama foi tomada por pelo menos 15 mil pessoas das mais diferentes regiões do Maranhão, que produziram os seguintes números: 132 prefeitos, 115 vice-prefeitos e 729 vereadores e representantes políticos de 182 municípios, segundo organizadores. O presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi (SP) mandou mensagem de vídeo e destacou como representantes o deputado federal Inaldo Bulhões (MDB/PB), líder do MDB na Câmara Federal, e o deputado federal Yuri Paredão (MDB/RJ), que representou a direção nacional do partido.

Baleia Rossi saudou a eleição de Orleans Brandão para a presidência regional do partido assinalando que “o Maranhão vive hoje um novo momento, de crescimento no presente e de olho no futuro. O jovem Orleans mostra que teremos um futuro extraordinário pela frente”. Na mesma linha, o atual vice-presidente do MDB maranhense, Roberto Costa prefeito de Bacabal e presidente da Famem, destacou: “O MDB afirma hoje a São Luís e ao Maranhão que quer a continuidade do trabalho realizado pelo Governo Brandão ao eleger Orleans Brandão como presidente”.

A deputada estadual Iracema Vale (PSB), presidente da Assembleia Legislativa, reafirmou o seu apoio a Orleans Brandão desde quando ele iniciou essa trajetória como secretário de Assuntos Municipalistas, e citou, nome por nome, os 20 deputados presentes à convenção, o que corresponde a quase metade do parlamento estadual. Ovacionada pelos convencionais, Iracema Vale previu que o novo chefe do MDB será o próximo governador do Maranhão.

A ascensão de Orleans Brandão ao comando do MDB se dá no momento em que não parece mais haver possibilidade de reaproximação do governador Carlos Brandão com o chamado Grupo Dinista, que tem na liderança o vice-governador Felipe Camarão (PT), pré-candidato ao Governo do Estado. A eleição partidária de ontem foi o ponto culminante de uma estratégia bem armada pelo empresário Marcus Brandão, seu pai, que, com o aval do governador Carlos Brandão, seu tio, construiu uma relação politicamente produtiva com o Grupo Sarney, que lhe permitiu assumir a direção do MDB estadual.

O comando do MDB lhe foi entregue formalmente no momento em que ele assume a liderança na preferência do eleitorado, ultrapassando o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) – que não disse ainda se será ou não candidato. Pesou também na eleição a sua condição de “homem forte” do governador Carlos Brandão na seara municipalista, comandando um arrojado programa de investimentos nos municípios, fazendo a ponte entre o Palácio dos Leões e os prefeitos, e com isso pavimentando a estrada que pode leva-lo ao Palácio dos Leões. Para tanto, ele conta com a base política montada com prefeitos e deputados estaduais.

Pelo que foi demonstrado ontem no Ceprama, o secretário de Assuntos Municipalistas deixou no ar a forte impressão de qu7e sua candidatura é irreversível.

PONTO & CONTRAPONTO

Alema homenageia personalidades da comunidade negra com o Mérito Timbira Negro Cosme

Os agraciados com a presidente Iracema Vale;
e os homenageados Roberto Costa,
Ângela Salazar e Oriana Gomes discursam

A Assembleia Legislativa homenageou ontem 11 personalidades da comunidade do Maranhão com a Medalha do Mérito Timbira Negro Cosme, destinada ao reconhecimento de maranhenses com ação destacada na luta antirracista e na defesa dos direitos humanos, na promoção social e na preservação da cultura afro-maranhense.

Foram agraciados com a comenda o advogado e professor Antônio de Lisboa Machado Filho, a ativista Pureza Loyola, a professora Josefa Bentivi, Almerice da Silva Santos (Dona Teté – in memoriam), os desembargadores Oriana Gomes Ângela Salazar; Raimundo Ferreira; o bispo de Brejo Dom José Mendes; prefeito de Bacabal e presidente da Famem Roberto Costa (MDB), a militante do movimento negro Maria Nice Machado Costa (Dona Nice) e a antropóloga Maria de Lourdes Siqueira.

O mérito foi concedido em projetos propostos pelos deputados Iracema Vale (PSB) – presidente da Assembleia Legislativa – Antônio Pereira (PSB), Davi Brandão (PSB), Osmar Filho (PDT), Florêncio Neto (PSB), Adelmo Soares (PSB), Daniella (PSB), Helena Duailibe (PP) e Ana do Gás (PCdoB).

A presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, justificou a homenagem definindo-a com o justa: “Hoje homenageamos pessoas que lutam para que a plenitude dos direitos não seja um privilégio, mas regra, não seja promessa, mas realidade, não seja futuro, mas o presente e o agora. As entregar essa medalha, o Parlamento Maranhense afirma que essa igualdade não será adiada, que a dignidade não será condicionada e que a cidadania não terá entrave”.

Roberto Costa, Ângela Salazar e Oriana Gomes fizeram emocionados agradecimentos pela homenagem.

Roberto Costa: “Essa comenda representa um sentimento de luta e de resistência. Estamos homenageando pessoas que, com muita resistência, conseguiram superar a barreira do racismo estrutural brasileiro. Nossa responsabilidade, agora, passa a ser muito maior. Precisamos seguir lutando contra o racismo e sem esquecer nossas origens”.

Ângela Salazar: “Este é um momento muito importante para a história do povo negro maranhense. Cada um de nós carrega uma história de luta e de resistência. Precisamos unir forças para desmantelar esse racismo estrutural e cruel que existe em nossa sociedade. Não é “mimimi” e nem vitimização é, simplesmente, realidade. Conclamo o Parlamento Maranhense a elaborar e implementar políticas públicas capazes de garantir os direitos do povo preto”.

Oriana Gomes: “Não devemos abrir mão de nossos valores, de nossas crenças e de nossos direitos. A luta contra o racismo na sociedade brasileira é uma luta de todo momento. Para chegar aonde chegamos, foi preciso muita resistência. É preciso continuar a luta contra o racismo estrutural”

A solenidade desta sexta-feira reafirma o compromisso da Assembleia Legislativa com a valorização de trajetórias que fortalecem as lutas antirracistas, preservam tradições afro-maranhenses, ampliam direitos e constroem um Maranhão mais justo, plural e democrático.

Weverton vota pela derrubada de veto presidencial a regra que afrouxa o controle ambiental no país

Weverton Rocha: voto contra
Lula da Silva em seu governo

O senador Weverton Rocha (PDT) vem se equilibrando numa perigosa corda bamba na sua relação com o Palácio do Planalto. Líder do PDT no Senado, o parlamentar fazendo uma espécie de jogo duplo, ora votando com o governo, ora se posicionando contrário a matérias de interesse do Planalto. No jogo político aberto, ele joga aberto alinhado ao presidente Lula da Silva (PT), mas em questões pontuais ele vem seguindo a cartilha do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP).

O exemplo mais forte foi o seu voto a favor da derrubados dos vetos aplicados pelo presidente Lula da Silva ao projeto de lei que derrubou as regras do licenciamento ambiental. Na avaliação de especialistas, é um escândalo mundial, que coloca o Brasil o na rota do retrocesso dias depois de o país haver sediado a COP30, um esforço universal para conter as mudanças climáticas para as quais o desmatamento contribui efetivamente.

No caso, na linha orientada por Davi Alcolumbre, o senador maranhense totalmente alinhado à bancada ruralista, derrubando de vez todas as regras de controle sobre o desmatamento, e restabelecendo absurdos que dá ao dono da terra o direito de se auto licenciar, definindo o tamanho da área que desmatará de acordo com sua conveniência. Normas como essa restabelecem regras vigentes no tempo mais cinzento da ditatura militar.

Vale lembrar que as senadoras Eliziane Gama (PSD) e Ana Paula Lobato (PSB) cotaram contra a derrubada dos vetos.

São Luís, 29 de Novembro de 2025.

Supremo confirma por 10 a 0 a reeleição na Alema e Iracema sai do episódio com cacife político reforçado

Iracema Vale: reeleição confirmada e politicamente fortalecida

A deputada Iracema Vale (PSB será presidente da Assembleia Legislativa até o dia 31 de dezembro de 2026. O seu segundo mandato foi confirmado ontem pelo Supremo Tribunal Federal, que numa decisão fulminante de 10 votos a zero, reconheceu a legalidade da sua reeleição, disputada com o deputado Othelino Neto, então filiado ao Solidariedade, alcançada no pleito de 13 de novembro do ano passado, que resultou em empate de 21 a 21, mas foi desempatada a seu favor pelo critério regimental da maior idade. Formalizada na manhã de ontem, a decisão da Suprema Corte devolveu à Assembleia Legislativa a estabilidade perdida a pouco mais de um ano, quando o Solidariedade foi à Suprema Corte questionar o critério de desempate por meio de uma ADIN, e só devolvida ontem, com a decisão da Corte validando a eleição.

Com um discurso denso e enfático, feito na sessão ordinária realizada logo após a publicação da decisão, consumada com o voto do ministro-presidente Edson Fachin, a presidente Iracema Vale festejou “o fim da instabilidade”, lembrando que a ação lhe impôs um período de forte pressão, comparando o processo judicial ao processo em que se usa cinzas para produzir diamantes. E sem citar nomes nem apontar adversários, Iracema Vale disparou: “Alguns queriam me silenciar, alguns queriam que desistisse, alguns tentaram mostrar que no Maranhão uma mulher, uma deputada, poderia ser derrubada por pressão política. Mas nessa decisão, o Supremo disse: Não, aqui não. Não cabe mais isso no Brasil”.

Controlando a emoção e centrada para não criar constrangimento nem tripudiar nos 21 que votaram no deputado Othelino Neto (PSB), ainda que até agora não se saiba exatamente quem são, Iracema Vale disse que decisão da Corte Suprema não foi uma preferência por ela, mas “respeito à legalidade, à tradição dessa casa e à estabilidade que o Maranhão precisa”. E completou: “O Supremo decidiu pela segurança jurídica e pelo respeito às escolhas democráticas do nosso parlamento”.

E afirmando que, apesar das pressões que sofreu nesse período de instabilidade e incertezas, viveu “com o coração tranquilo, cheio de paz e com a consciência tranquila”, porque tinha certeza de que estava com a razão e com a convicção de que “ninguém está acima da lei, mas ninguém está abaixo do seu direito”. E garantiu que o processo, apesar dos desgastes, serviu como um grande aprendizado.

– Uma decisão por 10 a 0 não deixa dúvidas, mas um recado: quem venceu não fui eu, mas a Assembleia Legislativa do Maranhão. Venceu o respeito às regras, a democracia interna, a Casa do Povo. E quando a democracia vence por 10 a 0, quem ganha é o Maranhão –  declarou.

A decisão da Suprema Corte encerra, de fato, um longo período de instabilidade na Assembleia Legislativa, que não comprometeu o funcionamento da Casa, mas causou incertezas e momentos de tensão, que só foram superados pela serenidade demonstrada pela presidente e os demais membros da Mesa Diretora. Ao mesmo tempo, tal situação, que gerou muitas interrogações nos bastidores, foi superada pela presidente Iracema Vale com seguidas demonstrações de habilidade – pela capacidade de administrar o conflito sem alarde – e coragem – demonstrada no enfrentamento político e judicial da questão.

Ao longo do último ano, a presidente do parlamento estadual deu seguidas demonstrações de coerência. O mais expressivo foi o cuidado estratégico de não misturar a questionamento da sua reeleição com as ações judiciais relacionadas ao processo de escolha de conselheiros do TCE, que vem deixando a Casa de mãos atadas, bem como a ação que resultou na demissão de várias ocupantes de cargos comissionados sob a acusação de nepotismo. Essas pendências aguardam solução, mas a tendência é a de que a presidente da Assembleia Legislativa será igualmente vitoriosa.

Numa observação mais específica, ficou claro que, em vez de sofrer desgaste, a presidente Iracema Vale não só consolidou o seu segundo mandato presidencial, como também engordando consideravelmente sua importância política. E com isso aumentando o seu espaço no cenário político maranhense, com cacife para participar das grandes decisões relacionadas com as eleições de 2026.  

PONTO & CONTRAPONTO

Escolha para relatar indicação de Messias para o Supremo deu a Weverton prestígio e dor de cabeça

Weverton Rocha

A indicação para relatar a indicação do advogado geral da União, Messias, para a vaga no Supremo Tribunal Federal aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso foi, ao mesmo tempo, uma prova do seu prestígio na casa como líder da bancada do PDT, e uma tremenda batata quente que lhe colocaram nas mãos.

A indicação veio do presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (União/AP), com quem o senador maranhense mantém relações estreitas há muito tempo. Dizem até que Weverton Rocha teve participação importante na mobilização da base governista para a volta do senador amapaense à presidência do Senado e do Congresso Nacional.

O lado azedo da indicação é que o próprio Davi Alcolumbre parece disposto a criar embaraços à indicação – contrariado porque tentou sem sucesso emplacar o senador Rodrigo Pacheco -, que na avaliação de analistas políticos sofre uma grande rejeição, com sério risco de rejeição. Weverton Rocha tem o desafio de elaborar um parecer consistente a favor do indicado e trabalhar junto aos senadores para viabilizar a aprovação. Mas quem o conhece diz que ele vai dar conta do recado.

Vale lembrar que foi Weverton Rocha quem relatou a indicação do então senador Flávio Dino para a Suprema Corte, tendo sido ele aprovado com apenas 47 dos 81 votos.

PCdoB ainda impõe a Brandão condições para reatamento político

Márcio Jerry mantém jogo político

A Manifestação do braço maranhense do PCdoB condicionando o seu apoio ao governador Carlos Brandão (sem partido) e seu Governo à retirada da pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado e à renúncia do mandatário para se candidatar ao Senado, com a ascensão do vice-governador Felipe Camarão (PT) ao comando do Governo parece uma mera peça de retórica política escrita pelo deputado federal Márcio Jerry, presidente estadual do partido.

Primeiro, todos os indícios e gestos dizem que o governador Carlos Brandão não parece interessado num acordo dessa abrangência, até porque, pelo que tem discursado, ele tem reforçado o projeto de fazer o seu sucessor. Além disso, o projeto de candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas está ganhando volume, devendo se tornar irreversível em pouco tempo.

E depois tem um óbice que o PCdoB precisa superar. A legenda comunista é parte de uma federação junto com PT e PV, não podendo tomar decisões dessa natureza sem acertar os ponteiros com esses dois partidos. Até porque grande parte do PT e a totalidade do PV estão alinhadas ao Governo Brandão.

O deputado Márcio Jerry é um político inteligente e habilidoso, com capacidade de alimentar uma situação que parece insustentável. Só que as diferentes entre dinistas e brandonistas alcançaram um patamar que torna o racha irreversível.

Mas daqui até abril há tempo suficiente para tudo possa acontecer na seara governista.

São Luís, 27 de Novembro de 2025.

Orleans deixa de ser “provável” e se consolida como pré-candidato do grupo Brandão aos Leões

Orleans Brandão tem atuado para atrair o eleitorado jovem

Orleans Brandão, pré-candidato do MDB ao Governo do Estado, e apoiado pela base política governista, deixou mesmo de ser uma entre várias opções que o governador Carlos Brandão (sem partido) tinha para escolher como candidato a seu sucessor e com o seu apoio. Na semana que passou, ele saiu do patamar da probabilidade para se tornar o escolhido do Palácio dos Leões para representar o Governo Brandão na corrida eleitoral de 2026. O secretário de Assuntos Municipalistas tirou o vice-governador Felipe Camarão (PT) da seara governista, conseguiu o apoio da presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (PSB) e afastou qualquer possibilidade de crescimento do discreto movimento que vinha tentando colocar o deputado federal Rubens Jr. (PT) na lista dos candidatáveis avaliada pela cúpula brandonista.

Antes de galgar o status de candidato, o secretário com mais acesso ao governador Carlos Brandão, mas sem descuidar das orientações do pai, Marcus Brandão, presidente estadual do MDB, Orleans Brandão ganhou estatura e se transformou no braço direito do mandatário maranhense. O poder de fogo que acumulou o transformou, de longe, no mais importante braço do governador na seara política, indiferente às muitas críticas. O projeto inicial, admitido por ele próprio e seus aliados mais próximos, era disputar uma vaga na Câmara Federal, mas logo ficou claro que para ele estava reservado um desafio muito maior, que é disputar o Governo do Estado.

Nas últimas duas semanas, o secretário de Assuntos Municipalistas ganhou, de fato, a posição de pré-candidato do grupo brandonista e da base governista ao Governo do Estado. E com duas vantagens excepcionais. A primeira é o apoio assumido e determinado do governador Carlos Brandão, que decidiu abrir mão de uma eleição certa de senador e permanecer no cargo até o final do mandato para comandar a candidatura do auxiliar. E a segunda é o suporte de aliados e de uma de uma ampla e densa rede de comunicação. Assim, o tempo do secretário que acompanhava o governador na agenda municipalista, mas sem ser sequer mencionado como pré-candidato a deputado federal, passou a ser o integrantes mais destacado da comitiva governamental.

O ainda secretário de Assuntos Municipalista é agora candidato a Governador do Maranhão, com suporte profissional e com cacife que nem o seu tio e principal apoiador teve um ano anos de vencer a eleição de 2022 em turno único. Num discurso em Caxias, onde foi receber o apoio declarado do grupo Gentil, Orleans Brandão justificou a sua condição de pré-candidato informando que já tem o apoio de 180 prefeitos e de 80% da Assembleia Legislativa, ou seja, 33 dos 42 deputados – um cacife nada desprezível. Ele não informou como está a sua relação com a bancada federal, mas é sabido que tem o apoio de um dos três senadores, Weverton Rocha (PDT), e de pelo menos 10 dos 18 deputados federais.

Segundo fontes da seara governista, Orleans Brandão faz uma pré-campanha com estrutura profissional, agora com marqueteiro e coordenadores por segmentos, bancados pelo MDB, cuja direção nacional abraçou o projeto, que no estado tem o apoio decidido do vice-presidente do partido Roberto Costa, que além de prefeito de Bacabal, preside a Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) e é a principal referência da ala jovem do partido.

É nesse contexto e com esse lastro que o pré-candidato do MDB caminha para ser confirmado candidato emedebista ao Governo do Estado, já que nem dentro do partido nem nas fileiras da base governista haja notícia de algum nome que tenha a intenção de disputar a vaga de candidato a governador. Os rumores em torno do deputado federal Rubens Jr. cessaram com a “crise dos áudios”, que o levaram a romper com o Palácio dos Leões e reafirmar seu apoio à pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT).

Um exemplo de que esse projeto está em franca consolidação foi a reunião, sexta-feira, na sede MDB em São Luís, de algumas dezenas de representando as alas jovens do MDB, do PDT e do PT, que lhe declararam apoio, numa espécie de sinal verde para que a pré-campanha ganhe as ruas.

PONTO & CONTRAPONTO

Camarão reafirma que não renuncia e diz que será candidato “com ou sem Brandão”

Felipe Camarão reafirma candidatura ao Governo

O vice-governador Felipe Camarão (PT) reafirmou ontem, em Pio XII, que não renuncia ao seu mandato e que vai disputar o Governo do Estado no ano que vem, “com ou sem Brandão”. Ele fez a declaração na etapa do projeto “Diálogos pelo Maranhão” naquele município, onde endureceu o discurso.

“Eles fazem de tudo para que eu desistir: mentem, atacam, pedem pra eu renunciar, tentam me comprar, tentam falar da minha família. Fazem de tudo”, declarou o vice-governador, para acrescentar: “Eu vou mandar um recado para eles, claramente: Eu não vou renunciar, eu não vou desistir. Retroceder nunca, render-se, jamais”.

Felipe Camarão foi mais longe, disparando na direção do governador Carlos Brandão, declarando em tom de recado: “Eu sou vice-governador do Maranhão e sou candidato a governador no ano que vem. Com ou sem Brandão. A decisão é dele. Se ele quiser renunciar e me apoiar, nós caminharemos juntos. Se ele não quiser, eu enfrento o sobrinho dele no debate político e nas ruas”.

O vice-governador tem mantido esse diapasão em todas as suas falas nos “Diálogos pelo Maranhão”, uma agenda de debates que tem cumprido nas mais diferentes regiões do estado. Ele tem deixado claro, em discursos cada vez mais enfáticos, que manterá essa linha, indicando que a distância entre ele e o governador aumenta a cada dia.

Othelino confirma previsão: deixa o Solidariedade a ingressa no PSB

Ana Paula Lobato e João Campos referendaram
o ingresso der Othelino Neto no PSB

O deputado estadual Othelino Neto migrou ontem do Solidariedade para o PSB, consumando um movimento já esperado no meio político. O próprio parlamentar fez nas suas redes sociais o anúncio da migração para o partido presidido nacionalmente pelo o prefeito do Recife, João Campos, bisneto do célebre ícone esquerdista pernambucano Miguel Arraes, e que tem como presidente estadual a senadora Ana Paula Lobato.

– É com alegria que anuncio minha filiação ao PSB, partido com uma bela história, com o qual compartilho princípios, propósitos e afinidades, e que dialoga com as lutas e com o trabalho que já realizo no Maranhão – declarou Othelino Neto.

Ao se filiar ao PSB, o deputado Othelino Neto reforça a banda dinista da bancada do partido na Assembleia Legislativa, que tem dez deputados, sendo que sete deles, a começar pela presidente da Assembleia legislativa, Iracema Vale, estão se preparando para deixar a agremiação em março do ano que vem, com a abertura da janela partidária.

Agora, o parlamentar passa a integrar a chamada bancada dinista formada pelos deputados Carlos Lula e Francisco Nagib, uma vez que os demais (Iracema Vale, Davi brandão, Antônio Pereira, Florêncio Neto, Daniella Jadão, Andrea Rezende, Adelmo Soares e Ariston Ribeiro) estão alinhados ao governador Carlos Brandão (sem partido) e devem migrar para outras agremiações.

Othelino Neto começou na política ajudando a consolidar a primeira versão do PV no Maranhão, migrando em seguida para o PCdoB, de onde saiu para ingressar no Solidariedade, partido com o qual não se afinou. O seu ingresso no PSB – que até três meses atrás foi comandado no Maranhão pelo governador Carlos Brandão – é o desfecho natural da sua busca partidária.

No seu comunicado, o deputado Othelino Neto agradeceu ao presidente nacional João Campos e à presidente estadual Ana Paula Lobato pela acolhida, afirmando que inicia essa nova partidária fase com entusiasmo: “Seguimos juntos”.

São Luís, 26 de Novembro de 2025.

Líderes da direita no Maranhão não entram em confronto por causa da prisão de Bolsonaro

Jair Bolsonaro: aliados preferiram
ficar em silêncio sobre sua prisão
preventiva, decretada sábado

A decretação da prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), causada pela sua tentativa de romper a tornozeleiras eletrônica e a convocação, por seu filho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de uma vigília em frente ao condomínio onde o ex-mandatário reside, em Brasília, levantando forte suspeita de um plano de fuga, não despertou nenhum movimento dos grupos políticos da direita assumida, nem de solidariedade nem em sua defesa. O comando estadual do PL, que tem como chefe maior o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, ignorou solenemente o fato, o mesmo acontecendo com o Novo, que no mesmo dia lançou festivamente o lançamento do médico Lahesio Bonfim ao Governo do Estado, com a presença do governador mineiro Romeu Zema, fazendo de conta que nada aconteceu no país. E assim foram os deputados declaradamente bolsonarista, como Aluísio Mendes (Republicanos), por exemplo. A reação quase solitária saiu do ex-senador Roberto Rocha (sem partido), que criticou a medida.

Pode ter sido pelo fato de bolsonaristas de proa não terem engrossado o coro da família e dos chefes da corrente de extrema direita mais próximos da cúpula do PL ou porque o episódio, que repercutiu mundialmente, aconteceu num sábado. A verdade é que no Maranhão as vozes bolsonarista silenciaram, como se tivessem chegado à conclusão de que a casa caiu de vez, e agora com um empurrão decisivo dado pelo próprio-ex-presidente, na forma patética de tentar derreter a tornozeleiras eletrônica com um equipamento de solda.

O silêncio do braço maranhense do PL está explicado pela distância política e pessoal que separa Josimar de Maranhãozinho de Jair Bolsonaro e o seu núcleo familiar. O ex-presidente tentou várias vezes, de maneira agressiva, tirar Josimar de Maranhãozinho do comando do partido no estado, ora pressionando o presidente nacional para destituí-lo por meio de uma intervenção, ora atacando-o fortemente com adjetivos cáusticos, objetivando minar o prestígio político de Josimar de Maranhãozinho no estado. O chefe do PL no Maranhão não engole a maneira agressiva com que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, com o aval do marido, destituiu a deputada federal Detinha, dona da maior votação em 2022, do comando do PL Mulher. Assim, nada que diga respeita a Jair Bolsonaro interessa a Josimar de Maranhãozinho e seus liderados.

Chamou a atenção o fato de que, reunidos sábado em São Luís para o lançamento da candidatura do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Romeu Zema os comandos nacional e estadual do Novo e sua maior estrela nacional, o governador mineiro Romeu Zema, aliado declarado do ex-presidente, não tenham dito uma só palavra sobre o assunto. Romeu Zema tem sido muito cuidadoso em não melindrar os apoiadores do ex-presidente, trabalhando no sentido de contar com o apoio deles se conseguir viabilizar a sua candidatura a presidente da República medindo forçar com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Outras vozes da direita não-bolsonarista se mantiveram distante do vendaval político, reforçando a impressão de que o bolsonarismo no Maranhão é uma bolha, que basicamente se manifesta fazendo barulho nas redes sociais. Sua defesa estridente é feita apenas pelo deputado estadual Yglésio Moyses (PRTB), recém convertido à direita extremada, na qual faz coro com a deputada estadual Mical Damasceno (PSD), representante máxima da malha evangélica que apoia o ex-presidente no estado.

O contraponto ficou por conta do ex-senador Roberto Rocha, bolsonarista de carteirinha e pretenso candidato a governador – podendo também disputar o senado -, que publicou nas suas redes sociais uma mensagem criticando o STF e o ministro Alexandre de Moraes pela medida, emendando com o seu discurso já conhecido e segundo o qual o ex-presidente “é vítima de uma ditadura do Judiciário”.

Nada além disso, o que sugere que muitos bolsonaristas caíram na real.

PONTO & CONTRAPONTO

Eliziane mantém ritmo de pré-campanha à reeleição e aguarda decisão de Braide para definir rumo

Eliziane Gama: pré-campanha de pé

Se alguém pensou que a senadora Eliziane Gama (PSD) tirou o pé do acelerador na sua corrida em busca da reeleição está muito enganado. Ao contrário, ela vem mantendo ritmo forte na sua pré-campanha, trabalhando duro para se manter no grupo de favoritos, hoje formado pelo senador Weverton Rocha (PDT), pelo deputado federal e atual ministro do Esporte André Fufuca (PP) e por ela própria.

Eliziane Gama vem demonstrando que, ao contrário dos que a imaginam fora do páreo, ela está realizando eventos com públicos específicos, como empresários, evangélicos, profissionais liberais, fazedores de cultura e professores, por exemplo.

O evento mais recente, o “+ Mulheres na Política”, realizado três semanas atrás em São Luís, Eliziane Gama demonstrou força e prestígio com a participação da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, como palestrante, e com a participação do governador Carlos Brandão (sem partido) e da presidente do Poder Legislativo, deputada Iracema Vale (PSB).

Eliziane Gama ainda não colocou todo o seu time em campo, pois só o fará após o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) bater martelo dizendo se será ou não candidato a governador. Se for candidato, Eliziane Gama será candidato à reeleição na sua chapa. Se não, vai se alinhar ao candidato a ser apoiado pelo Palácio dos Leões.

Tudo isso, porém, pode mudar radicalmente se o governador Carlos Brandão protagonizar uma reviravolta radical, deixe o Governo e se candidate ao Senado. Eliziane Gama acredita nessa possibilidade e torce para estar certa.

Registro

Grave crime ambiental em rua do São Francisco em obra do Grupo Mateus

Amendoeiras e mangueiras saudáveis foram impiedosamente abatidas

Aconteceu em plena realização da COP30, quando o mundo discutiu em Belém as consequência que a raça humana pode sofrer com as mudanças climáticas, causada sobretudo, pelo desmatamento: o Grupo Mateus, exibindo o lado selvagem do seu capitalismo na abertura de mais uma loja, transformou a bucólica Rua dos Abacateiros, no São Francisco, até então sombreada por seis mangueiras e quatro amendoeiras, numa via sem vida e castigada pelo sol causticante.

As árvores, todas robustas e frondosas, sem um só traço de doença que pudesse justificar a sua derrubada, foram abatidas implacavelmente por motosserra no tronco, o que aponta a intenção de mata-las sem a menor preocupação com as consequência do ataque violento à natureza numa área urbana tão carente de verde.

O que acontece na Rua dos Abacateiros foi um crime ambiental violento e insano. Primeiro porque os que o praticaram não tinham o direito de fazê-lo, e até onde a Coluna alcançou, nem autorização tiveram dos órgãos de controle ambiental, como o Ibama e as secretarias estadual e municipal do meio ambiente. Decidiram abater as amendoeiras e as mangueiras e consumaram o crime por pura e simples conveniência

Além dos troncos e do céu aberto onde havia sombra, outra prova do crime veio ontem, com a decisão da Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação, que embargou as obra, o recém inaugurado Mateus Food, já praticamente concluída, porque, mesmo tendo a empresa Alvará de Funcionamento, os fiscais da Prefeitura de São Luís identificaram uma série de irregularidades, entre elas a derrubada das árvores.

Independentemente de outras irregularidades na obra agora embargada, a derrubada criminosa das árvores foi um crime específico, imperdoável e que exige punição severa para os responsáveis diretos, especialmente os que deram a ordem para a ação criminosa. Isso incluindo o próprio agora celebrado “bilionário” Ilson Mateus, cujos méritos empresariais não se discute, mas que foi no mínimo omisso nesse caso.

São Luís, 25 de Novembro de 2025.