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Roseana quer ser deputada federal, mas MDB quer mantê-la por enquanto como pré-candidata aos Leões

 

Roseana Sarney: pré-candidata à Câmara federal, mas ainda dependendo do MDB

A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) confirmou, em live realizada nesta semana, que por sua vontade será candidata a uma cadeira na Câmara Federal nas eleições do ano que vem. Ao longo da conversa, ela descartou enfaticamente a hipótese de concorrer à vaga no Senado. Mas quando o assunto foi a possibilidade de disputar pelo Palácio dos Leões, a ex-governadora respondeu pela via da ambiguidade, afirmando que essa é uma decisão que deve ser tomada pelo MDB, do qual ela é presidente regional. Colocadas na mesa, essas cartas deixam muito claro que Roseana Sarney faz um jogo político inteligente, motivada principalmente pela fatia de pouco mais de 20% de intenções de votos que lhe tem sido dada nas pesquisas feitas até aqui para identificar as tendências do eleitorado na corrida ao Palácio dos Leões. Nesse tabuleiro, ela não se move como um pré-candidato que tem rejeição duas vezes maior do que votos a favor, mas como uma liderança com poder para convencer pelo menos uma parte dos seus apoiadores a seguir em determinada direção.

O MDB tem noção exata do peso político e eleitoral da sua presidente, e avalia que não vale a pena riscar seu nome da relação de candidatos. Numa conta simples, os estrategistas do MDB calculam que, se Roseana Sarney conseguir transferir um ¼ do seu cacife eleitoral, isso significará algo em torno de 5% dos votos, que podem ser decisivos numa eleição majoritária marcada pela polarização. E nesse caso, a rejeição não conta, porque estará já diluída no apoio a outros candidatos. E para os estrategistas do MDB, a conclusão é óbvia: o MDB a tem como um trunfo a ser levado em conta numa aliança, formal ou informal, ao longo da corrida às urnas.

E por que não disputar o Senado? Roseana Sarney é suficientemente bem informada para saber suas chances contra o governador Flávio Dino (PSB) são bem modestas, e depois, ela nunca simpatizou com o Senado, e que para ela é politicamente conservador e limitado. Já a Câmara Federal, onde também esteve por oito anos, é vista por ela como o epicentro da vida política do País. No mais, concorda com as lideranças emedebistas sobre a decisão de não lançar candidato ao Senado, podendo inclusive declarar apoio à candidatura de Flávio Dino.

Como deputada federal, Roseana Sarney chegou ao estrelato como uma das principais articuladoras do movimento parlamentar que resultou na queda do presidente Fernando Collor de Mello (PMN), em 1991. Já o destaque da sua trajetória de quatro anos no Senado foi assumir o posto de líder do Governo Dilma Rousseff (PT) no Congresso Nacional, integrando o time de ponta de assessores políticos da então presidente da República, e de onde só saiu em 2009 para assumir o Governo do Estado em decorrência da cassação do então governador Jackson Lago (PDT). A ex-governadora, portanto, sabe o caminho das pedras que, vale lembrar, aprendeu como assessora especial do então presidente José Sarney (MDB).

A candidatura à Câmara Federal também com a perspectiva de ser muito bem votada, e assim contribuir para turbinar a representação federal do MDB é uma estratégia que também abriga riscos. E o motivo é eminentemente eleitoral: além dos deputados federais em busca da reeleição, incluindo os emedebistas João Marcelo e Hildo Rocha e de outros integrantes da bancada de cacife volumoso, como Márcio Jerry (PCdoB), Bira do Pindaré (PSB), Josimar de Maranhãozinho (PL) ou a deputada estadual Detinha (PL), Rubens Jr. (PCdoB), Cléber Verde (Republicanos), André Fufuca (PP), Aloísio Mendes (PSC), uma turma de nomes fortes está mirando a Câmara Baixa, a exemplo de Duarte Jr. (PSB), Clayton Noleto (PCdoB), Carlos Lula (PSB), Lobão Filho (MDB) e Roberto Rocha Jr. (ainda sem partido).

É esse conjunto de fatores que faz com que os estrategistas do MDB mantenham a ex-governadora Roseana Sarney na relação de pré-candidatos ao Palácio dos Leões Poucos duvidam de que a ex-governadora será eleita com boa votação, e que sua votação poderá ajudar o MDB a aumentar a sua bancada. Mas há também que veja essa estratégia com os olhos da cautela.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

CPI vai investigar o que é óbvio nos transportes coletivos de São Luís

A frota de coletivos de São Luís é velha e insuficiente para atender à demanda

A Câmara Municipal definiu ontem a composição da Comissão Parlamenta de Inquérito que investigará a situação dos transportes coletivos de São Luís. Seus integrantes são os vereadores Chico Carvalho (PSL), autor da proposta de criação, Octávio Soeiro (Podemos), Álvaro Pires (PMN), Astro de Ogum (PC do B) e Marquinhos (DEM), tendo o Coletivo Nós (PT) e Karla Sarney (PSD) como suplentes. A CPI dos Transportes, como foi batizada, terá prazo de 60 dias para investigar e apresentar relatório, podendo ser prorrogado por igual período. Por ser o “pai da criança”, o experiente vereador Chico Carvalho pode ser eleito presidente ou escolhido relator

Qualquer avaliação técnica ou política certamente concluirá que a CPI dos Transportes é válida, mas dificilmente chegará a um resultado que de alguma maneira venha a mudar para melhor o sistema de transporte coletivo de São Luís, que desloca diariamente pelo menos 600 mil pessoas.

Muitas das irregularidades a serem investigadas são identificáveis a olho nu, sendo a principal delas a idade dos ônibus, cuja média supera muito os oito anos o previsto na legislação. A frota é limitada em relação às necessidades, dando margem ao surgimento de aberrações urbanas como os “carrinhos”, as vans e a quantidade enorme de mototáxis ilegais, e ainda a frota descontrolada de táxis por aplicativo que circulam na cidade. Além disso, os vereadores sabem muito bem que a infraestrutura viária e urbana de responsabilidade da Prefeitura deixa muito a desejar, o que, somado às deficiências da frota de ônibus, e da presença do tal “transporte alternativo”.

Os vereadores também que o sistema de transporte coletivo de São Luís só mudará quando São Luís for submetida a um “choque de ordem” implacável, que obrigue a todos os entes envolvidos no serviço a fazer a sua parte como manda a lei.

O prefeito Eduardo Braide (Podemos) tem lastro técnico e respaldo político para dar o passo ousado e abrangente.

 

Parte da Assembleia Legislativa se reúne hoje em Carolina

A bela cidade de Carolina, no Vale das Águas, sediarhoje o “Assembleia em Ação”

Pelo menos uma dezena de deputados pegou estrada ontem em direção a Carolina, uma das joias do Sul do Maranhão. Participam ali, hoje, da última edição do “Assembleia em Ação” neste ano. Os parlamentares da região, como Antônio Pereira (DEM), e visitantes, como Roberto Costa (MDB), por exemplo, seguiram ontem para Carolina. Eles apoiam a iniciativa e acreditam que a Assembleia Legislativa ganha estatura política e credibilidade institucional quando sai da redoma do Palácio Manoel Beckman para conversar diretamente com vereadores, prefeitos e cidadãos das mais diversas regiões do Maranhão. Idealizador do programa no formato atual, o presidente Othelino Neto (PCdoB) pretende mantê-lo até meados do ano que vem, antes da campanha eleitoral.

São Luís, 27 de Novembro de 2021.

Candidaturas presidenciais podem influenciar a corrida para o Palácio dos Leões

 

Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Sérgio Moro e Rodrigo Pacheco podem influenciar na corrida ais Leões

Ganha consistência a tendência de a eleição presidencial poderá ter influência maior na corrida ao Governo do Estado do que foi inicialmente previsto. A julgar pelo número de pré-candidatos a presidente, e pelo vínculo que eles têm com pré-candidatos a governador do Maranhão. Os presidenciáveis Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (a caminho do PL) são, de longe, principais influenciadores da corrida ao Palácio dos Leões. No entanto, os acontecimentos mais recentes indicaram que esse aspecto das eleições no Maranhão terá influência bem maior do que era esperado, e que a razão disso é exatamente a disputa pelo Palácio do Planalto. O surgimento de novas candidaturas presidenciais, como a do ex-juiz federal Sérgio Moro (Podemos) e a do presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD), identificadas com as de aspirantes a governador vai, aos poucos, alterando o desdenho inicial do cenário pré-eleitoral no estado.

Até aqui, o ex-presidente Lula da Silva, que deve encabeçar a chapa do PT, tem mais da metade preferência do eleitorado maranhense, segundo as pesquisas mais recentes. Esse gigantesco e precioso suporte eleitoral faz com que o apoio do PT seja intensamente disputado pelos candidatos da base governista, como o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e o senador Weverton Rocha, além do secretário de Educação Felipe Camarão, que tenta se viabilizar como candidato do PT. Lula da Silva ainda não se posicionou no Maranhão, e pelo que tem sido especulado, o fará tão logo o governador Flávio Dino (PSB) definir o seu candidato à sua sucessão. Especula-se até que Lula da Silva poderá ter dois palanques no estado. Isso vai depender de como o PSDB participará da corrida ao Planalto.

Situação idêntica, mas num contexto diferente, é a do presidente Jair Bolsonaro. Ele não lidera a corrida, mas está tendo seu apoio disputado pelo senador Roberto Rocha, que deve se filiar ao PL e resolver com o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que controla o PL e é pré-candidato em campanha, quem de fato será o candidato do partido aos Leões. E ainda pelo prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, que vai disputar o Governo pelo PTB. É improvável que esses pré-candidatos se unam sob o estandarte bolsonarista, dando ao presidente mais de um palanque no Maranhão. Mas é certo que, independentemente de quem seja candidato, o fato é que Jair Bolsonaro poderá ter mais de um palanque no estado.

O pré-candidato presidencial do PDT, Ciro Gomes, tem reafirmado sua candidatura, mas na verdade é uma grande incógnita, já que as principais lideranças do partido, como o senador Weverton Rocha, por exemplo, parecem não acreditar no seu projeto de candidatura.

O cenário da corrida aos Leões será mais movimentado com a entrada do ex-juiz Sérgio Moro e do senador Rodrigo Pacheco na corrida ao Planalto. Filiado ao Podemos já na condição de pré-candidato a presidente, o ex-chefe da Lava Jato e ex-ministro da Justiça não terá, em princípio, um aliado como candidato ao Governo do Maranhão, mas deverá ter o suporte político do prefeito de São Luís, Eduardo Braide, que comanda o Podemos no estado e ainda não disse quem será seu candidato à sucessão estadual.

A situação do senador Rodrigo Pacheco será bem melhor definida no Maranhão, caso ele decida mesmo entrar na guerra pela presidência da República. O ponto central é que seu partido, o PSD, tem um candidato viável ao Governo do Estado, o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr., que poderá capilarizar o nome do senador nas diferentes regiões do estado, onde dificilmente chegaria sem um aliado desse porte. Diferentemente de outros casos, a dobradinha Pacheco/Holanda Jr. poderá fazer bem aos dois.

Muito do que há de indefinição nesse grande tabuleiro será resolvido depois de segunda-feira (29), quando o governador Flávio Dino anunciar o nome do candidato do grupo à sua sucessão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Carolina sediará amanhã o Poder Legislativo no programa “Assembleia em Ação”.

Othelino Neto com o atual presidente e o presidente eleito da OAB, Tiago Diaz e Kaio Saraiva, respectivamente, e a vice-presidente eleita Tatiana Costa e o secretário-geral eleito Gustavo Mamede, em visita que pode aproximar a OAB do Legislativo

Carolina, cidade importante da Região Sul, sediará nessa sexta-feira, a 6ª edição do programa “Assembleia em Ação”, que consiste na realização de uma ação interativa do parlamento estadual com as câmaras municipais da região, com troca de experiências e, principalmente, a atualização do que é e como funcionam as instituições legislativas do Estado e do País. Comandado diretamente pelo presidente do Poder Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), o evento, que ocorrerá na sede da Câmara Municipal carolinense, deverá reunir representações – prefeitos, vereadores e líderes civis – de pelo menos 30 municípios daquele polo regional, podendo suas lideranças debater com os deputados os problemas regionais. O evento de Carolina, que será a última edição do programa itinerante do Legislativo maranhense este ano, estará aberta ao debate sobre a cultura, e economia e o turismo da região. Othelino Neto destacou que o ‘Assembleia em Ação’ é uma forma de os parlamentares interagirem não só com a classe política, mas também com a população de maneira geral nas mais diversas regiões. “Desta vez, estaremos na belíssima cidade de Carolina para ouvir e falar daquilo que é produzido no nosso Parlamento Estadual e trocar experiências com as Câmaras Municipais. Estão todos convidados para participarem deste importante momento conosco”, declarou o chefe do Legislativo maranhense.

 

Mical Damasceno diz que continua no comando do PTB

Mical Damasceno (C), na foto conversando com as colegas Socorro Waquim (MDB) e Thaiza Hortegal (PP), garante que continua no comando do PTB no Maranhão

É de disputa a situação nas entranhas do PTB no Maranhão. O prefeito de São padro dos crentes e pré-candidato a governador Lahesio Bonfim, já filiado ao partido, informou, por redes sociais, que está no comando do partido, o que causou repercussão no meio político. Ontem, a deputada estadual Mical Damasceno rebateu a informação e assegurou que continua no comando da agremiação. Em vídeo, a parlamentar garantiu que não tem conhecimento de qualquer mudança na direção do PTB, que não recebeu qualquer comunicação da direção nacional sobre o assunto e que continua exercendo a presidência do PTB maranhense. Duas fontes do PTB disseram ontem à Coluna que estaria decidido na cúpula nacional da agremiação trabalhista a transferência do controle do braço maranhense ao prefeito Lahesio Bonfim. A preocupação é não desprestigiar a deputada Mical Damasceno, que na crise que resultou na saída do deputado federal Pedro Lucas Fernandes na direção estadual e do partido, ela não pensou duas vezes em assumir a presidência do partido. De acordo com as fontes, a mudança, se ainda não foi consumada, acontecerá a qualquer momento.

São Luís, 25 de Novembro de 2021 .

PCdoB bate martelo: vai apoiar posição de Dino na escolha do candidato do grupo à sua sucessão

 

Márcio Jerry comandou a reunião do PCdoB, que decidiu dar total apoio a Flávio Dino na escolha do candidato

“Maranhão no rumo certo, é o que defendemos”. Foi como deputado federal Márcio Jerry, presidente estadual do PCdoB, justificou ontem a decisão do partido de apoiar integralmente a posição que o governador Flávio Dino (PSB) vier a tomar, dia 29, no encontro com líderes partidários da aliança governista para definir a escolha do candidato do grupo ao Governo do Estado. O posicionamento do PCdoB é a primeira manifestação partidária formal que antecede ao desfecho da reunião, que deve ser seguido pelo PSB, e muito provavelmente pelo PSDB, que tem o vice-governador Carlos Brandão na condição de pré-candidato PT e pelo Solidariedade, que têm também, respectivamente, Felipe Camarão e Simplício Araújo, como aspirantes ao Palácio dos Leões. Outros partidos da base governista, como o PDT, que tem o senador como pré-candidato, e mais Cidadania, PP, PROS, Republicanos e Avante, deverão se posicionar na reunião de líderes, podendo seguir ou não a posição do governador.

A posição do PCdoB, que pelo menos até às eleições do ano que vem continuará sendo uma das mais importantes forças partidárias do estado, com dois deputados federais, quatro deputados estaduais, mais duas dezenas de prefeitos e várias dezenas de vereadores, revela total coerência como partido pelo qual o governador Flávio Dino se elegeu em 2014 e se reelegeu em 2018. Seu total alinhamento com o governador, mesmo depois de ele haver migrado para o PSB, indica que o chefe do Executivo e coordenador do processo de escolha pode ter sua indicação respaldada pela maioria dos partidos-membros da aliança.

À medida que as horas passam, a agitação aumenta no meio partidário, principalmente pela movimentação dos pré-candidatos Carlos Brandão e Weverton Rocha. Apoiadores do vice-governador tucano têm como certa a sua escolha como candidato, o mesmo acontecendo com aliados do senador pedetista. Muitos acreditam que a martelada do governador Flávio Dino encerrará o clima de disputa ferrenha dentro da aliança. Ao mesmo tempo, dentro e fora da órbita direta desses dois pré-candidatos, é ampla expectativa de que a tomada de posição poderá gerar uma crise dentro da aliança. Isso porque a impressão dominante é a de que Carlos Brandão e Weverton Rocha parecem dispostos a manter suas candidaturas, seja por um acordo nesse sentido, seja pela via do rompimento.

Em princípio, uma “terceira via” parece inviável diante dos espaços conquistados por Carlos Brandão e Weverton Rocha até aqui. Mas há quem acredite que da sessão de socos e caneladas possa sair um grande acordo com a desistência de um deles, com direito a indicar vice e sair do encontro levando no colete o compromisso de ser o candidato da aliança em 2026. Os que enxergam essa possibilidade lembram que em política tudo é possível, “até boi voando com asa quebrada”.

Sob forte clima de disputa, mas também de um amplo leque de possibilidades, Carlos Brandão e Weverton Rocha estão se desdobrando em cumprimento de suas agendas. O primeiro alinhado ao governador Flávio Dino, a quem sucederá no comando do Governo daqui a pouco mais de quatro meses, podendo se tornar governador e candidato à reeleição. O segundo correndo em faixa própria, com a vantagem de não se preocupar com sua condição política e institucional, já que, seja qual for o desfecho, tem o mandato de senador como garantia de continuar protagonista na seara política estadual.

A decisão do PCdoB de antecipar sua posição alinhada ao governador Flávio Dino denota tem clareza do que está acontecendo no Maranhão e da importância de preservar o rumo, segundo a declaração do seu presidente. Pode não ser a posição dominante entre os partidos da base governista, mas com certeza é indicativa de que boa parte das agremiações podem seguir esse rumo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

No comando do PTB, Lahesio Bonfim ganha estatura política e fortalece pré-candidatura

Lahesio Bonfim assume o comando local do PTB no lugar de Mical Damasceno

A decisão da cúpula nacional do PTB de mudar mais uma vez o comando do partido no Maranhão, trocando a deputada Mical Damasceno pelo prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, produziu dois resultados politicamente importantes.

O primeiro foi tirar a agremiação partidária das mãos da deputada Mical Damasceno, que estava tentando transformar o braço maranhense do PTB numa facção “terrivelmente evangélica”, dando ao partido uma orientação radicalmente contrária à linha trabalhista, de centro-esquerda, definida por seu fundador, o presidente Getúlio Vargas, e seu ministro João Goulart, que viria a ser presidente derrubado pela ditadura militar em 64. Mical Damasceno vinha exacerbando a distorção imposta ao partido pelo seu atual presidente, Roberto Jefferson, que se encontra na cadeia por atos antidemocráticos.

O outro resultado é que a mudança tirou o prefeito e pré-candidato a governador Lahesio Bonfim do mais completo isolamento, para colocá-lo na elite do comando político do Maranhão. Por conta das atitudes desequilibradas do presidente Roberto Jefferson, o PTB perdeu um deputado federal (Pedro Lucas Fernandes, hoje no PSL) no Maranhão, mas mantém a deputada Mical Damasceno nos seus quadros e a maior parte dos 14 prefeitos eleitos em 2020, em grande medida graças aos esforços do então presidente Pedro Lucas Fernandes, que substituíra seu pai, Pedro Fernandes, deputado federal por cinco mandatos e atual prefeito de Arame. Por conta disso, Lahesio Bonfim herda um partido fragilizado, mergulhado numa brutal crise de identidade, mas com um passado e uma razão de ser que o credenciam para continuar existindo como agremiação partidária. Ao mesmo tempo, Lahesio Bonfim, até agora identificado como um franco-atirador “sem-partido”, identificado apenas o prefeito, reeleito 90% dos votos, da pequena São Pedro dos Crentes, passa a ser um dirigente partidário, ganhando estatura política para levar à frente o seu projeto de disputar o Governo do Estado. Não é pouca coisa, se levado em conta o fato de que, mesmo sem partido e tendo o apoio de um grupo da direita radical, está entre os cinco pré-candidatos mais bem avaliados nas pesquisas, à frente do milionário e controvertido deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que comanda o PL e controla o Patriota e o Avante. O prefeito de São Pedro dos Crentes passa, assim, à condição de pré-candidato a ser levado em conta.

 

Se não se filiar ao PL, Bolsonaro pode se abrigar no PSC

Jair Bolsonaro avaliou ingressar no partido de Aluísio Mendes

O comando nacional do PL decidiu marcar para a próxima terça-feira (30), a filiação do presidente Jair Bolsonaro e sua tropa de choque. A decisão foi tomada depois que Brasília foi “invadida” pelo rumor segundo o qual o presidente teria avaliado a possibilidade de se filiar ao PSC e assumir o controle total do partido, já que o presidente da agremiação, Pastor Everaldo, está na cadeia por corrupção na gestão de Marcelo Crivella na Prefeitura do Rio de Janeiro. Um dos articuladores da tentativa de atrair o presidente para o PSC foi o deputado federal Aloísio Mendes, que controla o partido no Maranhão e integra o comando, exercendo ainda a função de vice-líder do Governo na Câmara Federal. Aloísio Mendes, que é agente da Polícia Federal, não estaria nada satisfeito com a filiação do presidente ao PL, principalmente pelo fato de que isso injeta ânimo no deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que controla com mão de ferro partido no Maranhão e que é inimigo político e desafeto no campo pessoal. O anúncio de que Jair Bolsonaro e sua tropa ingressarão mesmo no PL funcionou como uma ducha de água fria nos esforços do PSC para atraí-lo.

São Luís, 24 de Novembro de 2021.

Declarações fortes e articulações intensas marcam início da contagem regressiva para reunião decisiva

 

Em cima: Flávio Dino inaugura restaurante em Caxias com Fábio Gentil e Carlos Brandão. Embaixo: Weverton fala no evento de pré-campanha em Timon

O início da contagem regressiva para a reunião do dia 29, quando o governador Flávio Dino (PSB) e os líderes dos partidos que integram a aliança governista colocarão as cartas na mesa para definir o candidato do grupo ao Governo do Estado, está sendo marcado por manifestações que sugerem risco de ruptura. De um lado, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) turbinando seu projeto de candidatura, e de outro o senador Weverton Rocha (PDT) dando seguidas demonstrações de que está forte o suficiente para levar à frente o seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões, com ou sem a condição de candidato do grupo. Os secretários Felipe Camarão (PT) e Simplício Araújo (SD) mantêm suas agendas de candidatos a candidato, embora os fatos indiquem, pelo menos até aqui, que as suas chances de encabeçarem a chapa da aliança governista são muito remotas, quase nulas.

No domingo (21), Carlos Brandão iniciou uma nova fase na sua pré-campanha programado para acompanhar o governador Flávio Dino em todos os eventos da maratona de inaugurações que o chefe do Poder Executivo deve cumprir nos pouco mais de quatro meses que lhe restam de mandato, uma vez que está praticamente oficializada sua decisão de renunciar para concorrer à vaga no Senado. Ontem, por exemplo, o vice-governador foi a Caxias, onde conta com o apoio do prefeito Fábio Gentil (Republicanos), de onde seguiu para Peritoró, para cumprir roteiro idêntico. Ao mesmo tempo, tem jogado todo o seu peso político em articulações que têm resultado na ampliação do lastro político da sua candidatura, exibindo confiança na viabilidade do seu projeto de poder.

No contraponto, o senador Weverton Rocha segue cumprindo sua agenda de compromisso elencados na sua agenda pré-eleitoral. Na noite de sábado, realizou a etapa do projeto “Maranhão mais feliz” em Timon, onde ouviu a declaração de apoio da prefeita Dinair Veloso (PSB) e do Grupo Leitoa, que controla o PDT e o PSB no município, onde há dissidências. Ali, em entrevistas e no discurso que fez no evento, o senador Weverton Rocha foi enfático na reafirmação da sua pré-candidatura, sinalizando também total disposição. Em conversas com jornalistas, negou, de maneira contundente, qualquer possibilidade de acordo no sentido de retirar sua candidatura, chegando a admitir, sem ser explícito, que seu projeto não tem volta.

Em meio a esses movimentos, ocorre um frenético processo de articulação, alimentado por partidários dos dois candidatos, que operam para fortalecer a base partidária das candidaturas. Esse processo ganhou intensidade ontem à tarde, quando blogs mostraram imagens do governador Flávio Dino reafirmando, em Caxias, que espera sair da reunião do dia 29 com o candidato definido. Ao mesmo tempo, circularam imagem do senador Weverton Rocha, reafirmando, em Timon, que seu projeto não tem volta. E numa entrevista à Rádio Timbira, o deputado Duarte Jr. (PSB), que integra a linha de frente da base de apoio do vice-governador Carlos Brandão, declarou estar convencido de que o senador Weverton Rocha romperá com o governador Flávio Dino.

Todos os movimentos ocorridos entre sábado e ontem indicaram, com clareza inequívoca, que a aliança governista caminha, de fato, para a reunião da próxima segunda-feira com ânimo para bater martelo. Foi o que deixou claro o governador Flávio Dino, que nas suas falas em Caxias defendeu que a etapa de escolha do candidato a governador, e também a sua candidatura à senador, deve ser resolvida agora, de modo que a aliança inicie ano que vem já pensando na campanha propriamente dita. O discurso do governador também incluiu um apelo: “É hora de nos unirmos”.

Os movimentos do governador e dos pré-candidatos do seu campo político estão sendo acompanhados com atenção máxima pelos adversários, que definirão efetivamente suas estratégias a partir do momento em que o martelo for batido no campo governista.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Prefeitos se movimentam em direção a Brandão e a Weverton

Caros Brandão e Weverton Rocha disputam apoio de prefeitos 

É intensa a troca de posição de prefeitos em relação aos pré-candidatos a governador Carlos Brandão e Weverton Rocha. Nas contas de um político experiente, que conhece o direito e o avesso da política maranhense, pelo menos uma dezena dos 25 prefeitos eleitos pelo Republicanos, cujo presidente estadual, deputado federal Cléber Verde, faz parte do comando da campanha do líder pedetista, já teriam acertado apoio ao pré-candidato tucano. Alguns prefeitos eleitos PL, comandado pelo deputado federal e pré-candidato a governador Josimar de Maranhãozinho, já teriam declarado apoio a Weverton Rocha e outros a Carlos Brandão, que também já teria recebido apoio de prefeitos do PTB, do DEM e do PP. A grande maioria são casos ainda não declarados publicamente, mas que virão à tona no momento certo. De acorde o com o experiente observador, não dá ainda para dizer quem está se saindo melhor nessa movimentação, se o vice-governador Carlos Brandão ou o senador Weverton Rocha.

 

Migração em curso na fatia do PDT que integra o Governo

Francisco Nagib ao lado de Carlos Brandão, com Márcio Honaiser em posição mais discreta, atrás dos dois

Os representantes do PDT na equipe de ponta do governador Flávio Dino começam a se posicionar em relação à disputa pelo Governo do Estado. Um exemplo: nas últimas semanas, sempre que participavam de atos como integrantes da comitiva governamental com a presença do vice-governador Carlos Brandão, o secretário de Desenvolvimento Social, Márcio Honaiser, que é deputado estadual licenciado e figura de proa do comando pedetista, e o diretor-geral do Detran, Francisco Nagib, ex-prefeito de Codó, também figura destacada na elite pedetista, cuidavam de se posicionar de modo a não aparecerem nas imagens passando a impressão de estarem alinhado ao vice-governador. Nos últimos dias, essa situação mudou. O secretário Márcio Honaiser manteve o cuidado de não parecer ligado a Carlos Brandão, demonstrando sua lealdade partidária ao senador Weverton Rocha. Já o diretor-geral do Detran mudou de atitude e, pelo menos em dois eventos, fez questão de se posicionar ao lado de Carlos Brandão, deixando no ar a impressão de que está migrando. A movimentação é tão explícita, que gerou muitos comentários, levando Francisco Nagib a divulgar nota explicando sua posição: é grato do governador Flávio Dino e tem admiração pelo vice-governador Carlos Brandão, mas é leal ao PDT, sem, no entanto, dizer o que pensa do senador Weverton Rocha.

São Luís, 23 de Novembro de 2021.

 

Em contagem regressiva para reunião decisiva, Brandão e Weverton tentam reforçar cacifes partidários

 

Carlos Brandão, Weverton Rocha, Felipe Camarão e Simplício Araújo em contagem regressiva para decisão do grupo

Começou a contagem regressiva para a reunião em que os líderes da aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino (PSB) escolham o seu candidato ao Governo do Estado. Marcado para o dia 29, o encontro avaliará quatro pré-candidatos: o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), o senador Weverton Rocha (PDT), o secretário de Educação Felipe Camarão (PT) e o secretário de Indústria e Comércio Simplício Araújo (Solidariedade). Cada um a seu modo e com cacifes variados, os quatro aspirantes entram nessa fase mobilizando todos os recursos e argumentos possíveis para viabilizar seus nomes, embora, a rigor, a disputa para valer envolve Carlos Brandão e Weverton Rocha. Felipe Camarão, que é cristão novo nessa seara, ainda corre para viabilizar seu projeto de candidatura dentro do PT, e Simplício Araújo trava uma guerra solitária pela sobrevivência política, enfrentando também o esvaziamento do seu partido.

Anunciada pelo governador Flávio Dino em meio a apelos para que adie a escolha do candidato, e também para que não recue da data marcada, a reunião desencadeou uma corrida intensa dos pré-candidatos por apoio partidário, já que esse será item decisivo no elenco de critérios que balizará a escolha. Nesse tabuleiro, Carlos Brandão e Weverton Rocha medem força para ver quem reúne maior cacife partidário e maior base de apoiadores, o que não é o caso dos pré-candidatos do PT e do Solidariedade. Neste fim de semana, Carlos Brandão acompanhou o governador Flávio Dino em inaugurações na região dos Lençóis, enquanto Weverton Rocha concentrou todo o seu poder de fogo na edição do “Maranhão mais feliz”, na noite de sábado, em Timon, onde tem uma forte base aliada.

Nos últimos dias, o cenário partidário, que vinha tendendo a favorecer Weverton Rocha, começou a sofrer alteração com o fortalecimento de Carlos Brandão. A semana terminou com uma espécie de equilíbrio entre o tucano e o pedetista. Sem que haja posicionamento formal dos partidos, por meio dos seus porta-vozes informais, Carlos Brandão tem hoje o apoio de PSDB, PSB, PROS, Rede e PCdoB, enquanto Weverton Rocha conta PDT, DEM, PSL, PP, Republicanos e, por enquanto, o Cidadania. Os dois disputam, palmo a palmo, a adesão de MDB e PT aos seus projetos de candidatura. E o Cidadania, que parecia ter-se aliado a Weverton Rocha, devido às manifestações a seu favor feitas pela senadora Eliziane Gama, sinalizou que poderá apoiar a Carlos Brandão.

Vale registrar que os partidos que apoiam Carlos Brandão e Weverton Rocha amargam dissidências. O PSB, por exemplo, mesmo liderado pelo governador Flávio Dino, administra uma dissidência, encabeçada pelo ex-prefeito de Timon, Luciano Leitoa, que apoia a Weverton Rocha. Já o PDT, que é presidido por Weverton Rocha, é sacudido por vozes que apoiam a Carlos Brandão, a exemplo do ex-deputado federal Julião Amin. O apoio do deputado Othelino Neto a Weverton Rocha mostra que o PCdoB não está de todo fechado com Carlos Brandão. O Republicanos, cujo presidente, deputado federal Cléber Verde, declarou apoio a Weverton Rocha, é, de longe, o partido mais dividido da aliança, com boa parte dos seus prefeitos, entre eles o de Caxias, Fábio Gentil, e deputados estaduais apoiando abertamente a Carlos Brandão. E agora, a senadora Eliziane Gama, que apoia a Weverton Rocha, corre o risco de ficar isolada dentro do Cidadania, que poderá declarar apoio a Carlos Brandão. A situação é a mesma em praticamente todos os partidos.

Os próximos dias serão de intensa movimentação, já que os dois pré-candidatos melhor posicionados na aliança governista precisam robustecer seus cacifes partidários. E no cenário rascunhado por observadores desses movimentos, a balança partidária, que já foi amplamente favorável ao senador Weverton Rocha, chega a um momento de equilíbrio, tende a favorecer agora ao vice-governador Carlos Brandão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pré-candidatos já contam com gurus para a guerra pelo voto

José Reinaldo Tavares, Erlânio Araújo e César Pires: vozes de peso 

Os cinco pré-candidatos ao Palácio dos Leões com projetos eleitorais melhor definidos até aqui são Carlos Brandão (PSD), Weverton Rocha (PDT), Edivaldo Holanda Jr. (PSD) e Lahesio Bonfim (PTB) e Josimar de Maranhãozinho (PL) se movimentam orientados ou aconselhados por aliados e gurus que manifestam diferente vozes.

Carlos Brandão conta como aconselhamento do ex-governador José Reinaldo Tavares, que sabe tudo de política do Maranhão e tem no currículo uma eleição vencida em apenas um turno (2002); do ex-prefeito de São José de Ribamar e secretário de Assuntos Estratégicos Luís Fernando Silva, que conhece as entranhas da política estadual e tem a experiência de duas eleições com mais de 80% dos votos; do ex-prefeito de Tuntum, Cleomar Tema, que tem expertise em eleições majoritárias.

Weverton Rocha tem no prefeito de Igarapé Grande e presidente da Famem Erlânio Xavier (PDT) como “homem forte” do seu projeto de candidatura, e tem como interlocutor e avalista destacado o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), contando também com o jornalista Leandro Miranda como o responsável pela sua ativa área de comunicação. Vale destacar que o senador pedetista, consulta aliados, mas costuma ele próprio tomar suas decisões.

Edivaldo Holanda Jr. (PSD) tem três conselheiros. O deputado estadual César Pires é o principal estrategista do projeto de candidatura do ex-prefeito de São Luís. O deputado federal Edilázio Jr. é presidente do PSD no Maranhão e foi o grande responsável por levar o ex-prefeito para o seu partido. Além disso, Edivaldo Holanda Jr. ouve com atenção o pai, o experiente deputado estadual Edivaldo Holanda (PTC).

Lahesio Bonfim (PTB), prefeito reeleito de São Padro dos Crentes, é uma espécie de outsider, que não tem conselheiros influentes e confia plenamente na sua experiência o nos seus conhecimentos e instintos. É o caso de Josimar de Maranhãozinho (PL), político forjado no batente e que só confia nos seus próprios instintos.

Até agora não se tem notícia de que algum marqueteiro já esteja no circuito, mas logo eles vão aparecer para exercer influências fortes para seus contratantes.

 

Esqueleto milionário continua causando mal-estar no TJ

Esqueleto milionário continua causando mal-estar e divisão no Judiciário

Continua forte no Tribunal de Justiça o mal-estar por causa do escândalo nacional do esqueleto de cimento e ferro do que já deveria ser o braço do Poder Judiciário em Imperatriz. O descalabro já consumiu R$ 70 milhões e precisa de mais R$ 140 milhões. Há, ali, uma corrente de desembargadores que considera o problema inaceitável e advogam a responsabilização implacável dos responsáveis. Há também uma corrente que prega mesma coisa, com a enorme diferença de que tudo ocorra no âmbito interno do TJ, sem que os prováveis pobres a serem encontrados pela investigação venham à tona. Vale aguardar o desfecho dessa queda-de-braço.

São Luís, 21 de Novembro de 2021.

Resultado da prévia do PSDB terá impacto no projeto de candidatura de Carlos Brandão

 

Carlos Brandão avalia como se posicionar com João Doria e Eduardo Leite, que disputam prévia no PSDB, ou Geraldo Alckmin, que pode ser vice de Lula da Silva

O vice-governador Carlos Brandão terá parte do seu projeto de candidatura ao Governo do Estado definido na prévia com que seu partido, o PSDB, escolherá o candidato tucano a presidente da República, numa disputa entre os governadores João Doria, de São Paulo, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Qualquer que seja o desfecho dessa disputa, que vem movimentando o ninho dos tucanos, ela terá algum impacto na pré-candidatura do vice-governador, a começar pelo fato de que ele concorrerá como governador à reeleição, e nessa condição, deverá ter participação ativa na corrida presidencial no Maranhão. Carlos Brandão tem conversado com João Doria e Eduardo Leite, atuando como apaziguador e defendendo que o partido permaneça unido, independentemente de quem venha ser o candidato tucano a entrar para disputar com o ex-presidente Lula da Silva (PT), o presidente Jair Bolsonaro (ainda sem partido), o ex-governador Ciro Gomes (PDT) e o ex-juiz Sérgio Moro (Podemos).

Carlos Brandão tem se posicionado com equilíbrio em relação à movimentação para definir candidatos a presidente da República. Ele tem noção muito clara do que isso representa numa disputa para o Governo do Estado, tanto que participa da prévia do seu partido estimulando os dois candidatos, reservando para o dia da eleição, neste Domingo, sua definição pelo voto. É claro que ele tem nome da sua preferência, mas também tem consciência partidária suficiente para apoiar o nome que for escolhido pela maioria dos eleitores tucanos. Há, é verdade, diferenças acentuadas entre os dois candidatos, mas na visão do vice-governador, elas devem deixar de existir no momento em que o vencedor da prévia for anunciado.

O vice-governador trabalha para agregar valor político e eleitoral ao seu projeto de candidatura. Isso fica claro quando ele também trabalha para fechar um acordo com o PT, que pode resultar na indicação de um petista para a vaga de candidato a vice. E com um detalhe importante: a cúpula do partido no Maranhão, liderada pelo presidente Augusto Lobato, trabalha por uma aliança PSDB/PT, com a ideia de fortalecer a base política da candidatura do vice-governador. E nesse ambiente, a indagação natural é como ficarão as candidaturas presidenciais do petista Lula da Silva e do tucano que sair vencedor da prévia deste Domingo. Há vozes que defendem uma negociação ampla com o objetivo de possibilitar a formação de dois palanques. É improvável que essa fórmula seja viabilizada, mas isso só será possível quando o PT e o PSDB resolverem em definitivo suas candidaturas presidenciais.

Carlos Brandão será politicamente favorecido se o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, um dos mais importantes líderes do PSDB, vier a deixar mesmo o ninho dos tucanos e migrar para o PSB e, nessa condição, sair como vice na chapa liderada pelo líder petista. A fórmula já está sendo trabalhada, e se for viabilizada, o vice-governador Carlos Brandão será o primeiro a adotá-la. Nesse caso, o candidato tucano ao Governo do Maranhão poderá contar com dois palanques. É óbvio que um cenário com essas possibilidades depende de muitas articulações, o que torna improvável a sua construção. Isso dependerá muito da disposição dos líderes partidários de reunir as condições para, de maneira republicana e democrática, sentarem desarmados à mesa de negociações.

Se as dificuldades de ordem puramente político-partidária forem devidamente equacionadas e vencidas, não haverá obstáculo para que o vice-governador encabece chapa tendo como companheiro um quadro expressivo do PT ou do PSB. Essas possibilidades serão bem mais viáveis se Carlos Brandão vier a ser escolhido candidato da base partidária liderada pelo governador Flávio Dino, o que deverá ocorrer no dia 29, conforme o próprio chefe do Poder Executivo. Tudo isso será definido até o final deste mês.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sinais indicam que DEM não se deu bem na fusão com o PSL

Juscelino Filho

Todas as avaliações feitas por cronistas políticos importantes do cenário nacional indicam que o DEM não se deu bem na fusão com PSL. Sinais dessa conclusão são os movimentos lentos e cautelosos do presidente do partido no Maranhão, deputado federal Juscelino Filho, que vem perdendo a condição de interlocutor do partido no Maranhão e no Congresso Nacional. O problema é que depois do anúncio da fusão para a criação do União Brasil, o chefe do DEM no Maranhão viu seu partido caminhar para o raquitismo, com a iminente saída dos deputados estaduais Antônio Pereira, que vai para o PSB, e Daniella Tema, que ainda não definiu seu futuro partidário, além da debandada de alguns prefeitos do partido. Outro dado do revés: a maioria dos dissidentes seguirá o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), contrariando sua posição de apoiador de primeira linha do senador Weverton Rocha (PDT). Os próximos desdobramentos da fusão dirão o tamanho do desgaste do deputado Juscelino Filho e como ele reagir[á a essa perda de poder.

 

Josivaldo JP vai ter de optar entre Jair Bolsonaro e Sérgio Moro

Josivaldo JP 

Rumores que correm nos bastidores da política dizem o deputado federal Josivaldo JP (Podemos), que ganhou o mandato com a eleição de Eduardo Braide para a Prefeitura de São Luís, estaria numa espécie de sinuca de bico. Bolsonarista assumido, ele entrou numa espécie de beco sem saída com a filiação do ex-juiz Sérgio Moro ao Podemos, e com disposição de entrarem guerra aberta com o presidente Jair Bolsonaro. O fato fez o cenário colorido de JP desabar, colocando-o na incômoda situação de ter de optar entre permanecer no Podemos e abraçar a candidatura de Sérgio Moro e se manter bolsonarista de proa e migrar para o PL ou para outro partido alinhado ao projeto de reeleição do presidente. Ou seja, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.

São Luís, 20 de Novembro de 2021.

Na ciranda das alianças partidárias, o MDB se movimenta como um parceiro cobiçado

 

Carlos Brandão, Weverton Rocha, Felipe Camarão, Edivaldo Jr. e Roberto Rocha no radar do MDB

Em meio à grande movimentação por meio da qual os partidos começam a avaliar cenários, superar dificuldades e definir rumos na direção das urnas, o MDB, que já foi a maior agremiação partidária do Maranhão, perdeu o poder e hoje se reconstrói a partir do que sobrou dos revezes, ganha corpo e se move como um parceiro cobiçado. Liderado pela ex-governadora Roseana Sarney, que é, de longe, o seu maior nome e sua principal referência, o partido não lançará candidato ao Governo do Estado, mas deve ocupar um espaço importante no campo das alianças, com o conforto de ter vários pré-candidatos de olho no poder de fogo do Grupo Sarney, que é hoje a essência do MDB no Maranhão. Contrariando previsões, o partido se abriu ao diálogo com todas as correntes políticas do estado, e mantém linha direta com diferentes pré-candidatos: o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), o senador Weverton Rocha (PDT), o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PSD), o secretário Felipe Camarão (PT) e, de modo menos intenso, o senador Roberto Rocha (ainda sem partido, mas a caminho do PL). Esses canais estão sendo alimentados pelas lideranças do partido, em especial o deputado estadual Roberto Costa, vice-presidente da agremiação.

No momento, o MDB caminha para definir o nome que apoiará para o Governo do Estado. Poderia lançar Roseana Sarney, que vem liderando as pesquisas, a exemplo da mais recente, do instituto DataIlha em parceria com a Band, na qual ela aparece na frente com 22% das intenções de voto, mas tendo como contraponto uma rejeição de 46%, o que torna inviável qualquer projeto de candidatura.

Diante dessa realidade, o partido está decidido a apoiar um candidato consolidado, podendo até mesmo participar da chapa indicando o vice, e confirmar a decisão de não lançar candidato a senador e apoiar a candidatura do governador Flávio Dino (PSB), com quem o partido vem mantendo boa convivência. Todos os pré-candidatos a governador querem o apoio do MDB, uns com mais entusiasmo, outros mais cautelosos, mas o fato é que nos QGs das pré-candidaturas as posições dominantes são no sentido de que a agremiação emedebista garante uma parceria produtiva, principalmente se o acordo político-eleitoral for bem costurado.

O vice-governador Carlos Brandão vem dialogando há tempos com o MDB, mantendo canal aberto com a própria Roseana Sarney, com o ex-governador João Alberto, os deputados federais Hildo Rocha e João Marcelo e o deputado Roberto Costa, já contando com o apoio declarado dos deputados estaduais Socorro Waquim e Arnaldo Melo. Dentro do partido são muitas as vozes que defendem o apoio ao tucano. Além disso, Carlos Brandão poderá dar espaço ao partido no Governo, que comandará a partir de 2 de Abril, o que poderá marcar a volta do MDB ao poder.

O senador Weverton Rocha vem dialogando com o MDB desde as eleições municipais do ano passado, principalmente em São Luís, onde a legenda emedebista participou da aliança em torno da candidatura do deputado Neto Evangelista (DEM) à Prefeitura de São Luís. De lá para cá, reuniões têm sido frequentes nessa direção, tendo a aliança com Weverton Rocha sendo defendida pelo deputado Roberto Costa. Apoiadores de Weverton Rocha apostam alto na aliança do PDT com o MDB, que nesse momento é possível, mas improvável.

Edivaldo Holanda Jr. pode vir a ter o apoio do MDB, a começar pelo fato de o seu partido, o PSD, ser controlado no Maranhão pelo deputado federal Edilázio Jr., principal articulador e apoiador do projeto de candidatura. Membro destacado de um dos ramos da Família Sarney, Edilázio Jr. está trabalhando para abrir as portas do MDB para Edivaldo Jr.. Felipe Camarão, por sua vez, tem canal aberto com a Família Sarney, e o fato de pertencer ao PT reforça uma forte ligação – que andou estremecida, mas ainda existe – dos líderes emedebistas do Maranhão com o ex-presidente Lula. A possibilidade de uma aliança com o senador Roberto Rocha é muito remota, o que torna inviável, pelo menos em princípio.

O cenário, portanto, é favorável ao MDB no sentido de que o partido possa fazer uma aliança que injete ânimo também nas eleições proporcionais. Nesse contexto, o candidato a governador que vier a receber o apoio do MDB terá um parceiro com prestígio político e um respeitável balaio de votos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Zumzum sobre ataque de Bolsonaro colocou candidatura de Maranhãozinho em xeque

Josimar de Maranhãozinho pode ter saído enfraquecido de suposto “chega-pra-lá” dado pelo presidente Jair Bolsonaro

Foi intenso o disse-não-disse a respeito de uma suposta tentativa do presidente Jair Bolsonaro de defenestrar o deputado federal Josimar de Maranhãozinho do comando do PL no Maranhão e entregar o partido ao senador Roberto Rocha. Josimar de Maranhãozinho veio rápido a público desmentir o zumzum. Logo em seguida o senador Roberto Rocha gravou um vídeo em que garante nada ter a ver com a suposta armação, garantindo não estar nem um pouco interessado em cuidar de partido, pelo fato de não dispor de tempo para essas tarefas partidárias, e afirmando ser amigo de Josimar de Maranhãozinho e que pode ingressar no PL sem interesse pelo comando do partido. Depois, o vereador Aldir Júnior, sobrinho, homem da extrema confiança de Josimar de Maranhãozinho e presidente do PL em São Luís, divulgou um vídeo garantindo que o problema não existe e que o senador Roberto Rocha “é um grande amigo” e poderá se filiar ao partido sem problemas. Pouco tempo depois, circulou em alguns blogs a informação, sem fonte declarando, que quem tentou tomar o comando do PL de Josimar de Maranhãozinho foi o seu maior desafeto na política estadual, o deputado federal Aluísio Mendes (PSC). Uma avaliação cuidadosa conclui que tudo o que foi dito para desmentir a suposta tentativa de impor mudança no comando do PL maranhense não foi suficiente para esclarecer se o presidente Jair Bolsonaro tentou ou não tentou catapultar o chefe do PL no estado. E por conta disso, uma coisa é certa: Josimar de Maranhãozinho foi arranhado no episódio. Tanto que partidários seus já começam a duvidar se ele será mesmo candidato caso Jair Bolsonaro tente a reeleição pelo PL.

 

Othelino Neto dá boa notícia para Monção e Igarapé do Meio, atingidos por escândalo educacional

Othelino Neto e Jesiel Araújo recebidos por Clayton Noleto 

Bombardeada pelo escândalo nacional em que se transformou a política educacional do atual governo municipal, conforma mostrou reportagem da rede Globo, a pacata Monção foi brindada com uma boa notícia: a construção da MA-342, que a liga a Igarapé do Meio, cidade também atingida fortemente pela má gestão na área de educação. E foi dada pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto, após reunião de trabalho com o secretário de Infraestrutura, Clayton Noleto. A rodovia é fundamental para ampliar a malha rodoviária que liga a cidade ao resto do mundo. O presidente da Assembleia Legislativa foi recebido pelo titular da Sinfra acompanhado do líder político municipal Jesiel Araújo. O anúncio da rodovia e outras obras menores, a serem construídas com recursos de emendas parlamentares foi um alento para Monção

São Luís, 19 de Novembro de 2021.

Eleições: Partidos vivem altos e baixos na fase prévia da corrida às urnas


A pouco mais de 11 meses das eleições, os partidos, de um modo geral, estão mergulhados em articulações, seja para definir candidaturas e alianças, seja para afastar o risco de definhar e ser mandado para o espaço. No Maranhão, quase todos partidos estão se movimentando com intensidade, o que indica o enfrentamento, por eles, de problemas que vão desde a busca do fortalecimento, passando pela indefinição quanto a candidatos, e também por luta pelo poder nos quatro cantos da legenda. Comandado pelo governador Flávio Dino, o PSB pode ser considerado uma exceção, à medida que sua tendência mais visível é “engordar” expressivamente. No outro extremo, o Solidariedade vive o que se pode chamar de desagregação, correndo o risco de ser varrido do mapa político maranhense. Nas demais agremiações, o ânimo é o de brigar pela sobrevivência, de preferência superando gigantescas dificuldades internas e saindo das urnas com o cacife reforçado.

No campo governista, o PSB é, de longe, a agremiação partidária com melhor situação, à medida que muitos políticos, entre eles vários candidatáveis de peso a mandatos proporcionais, especialmente para a Câmara Federal. O PCdoB dá sinais de que vem conseguindo, se não debelar de vez, pelo menos, colocar a debandada em ritmo mais lento, embora seja corrente no meio político a avaliação de que ele não corre esse risco. E o PSDB, agora na condição de partido com pré-candidato e virtual candidato a governador, tende a ganhar peso com a possível adesão de prefeitos, vereadores e deputados estaduais.

Controlador absoluto do PL, do Avante e do Patriota, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho corre o risco de ter abalado o seu poder sobre essas legendas, principalmente o PL. Essa possibilidade passou a ser considerada no momento em que o presidente Jair Bolsonaro começou a andar na direção do PL. A primeira especulação dava conta de que, uma vez filiado ao partido, seguindo o presidente da República, o senador Roberto Rocha estaria interessado em assumir o comando do PL e, para isso, teria cobrado o controle do partido no Maranhão. A informação era falsa, levando o senador Roberto Rocha dizer que pode entrar no PL, mas não tem interesse em assumir o seu comando, “porque não tenho tempo de me envolver com burocracia partidária”. Ontem, aliados de Josimar de Maranhãozinho espalharam nas redes sociais que quem na verdade tentou tomar-lhe o comando do PL teria sido o vice-líder do Governo na Câmara Federal, deputado federal Aluísio Mendes (PSC), arqui-inimigo do chefe do PL no estado.

A situação do PT nada tem a ver com força política, mas com uma profunda divisão interna. Nesse momento, o partido do ex-presidente Lula da Silva é sacudido por três correntes, que se digladiam nas suas entranhas. Uma quer ir para as urnas com chapa completa, incluindo candidatura ao Governo do Estado, apostando suas fichas no secretário estadual de Educação, Felipe Camarão. A segunda propõe que o PT se alie ao vice-governador Carlos Brandão, podendo inclusive indicar o candidato a vice. E a terceira quer o partido aliado ao PDT em torno da candidatura do senador Weverton Rocha. As três correntes continuam medindo forças, situação que deve mudar a partir de uma definição sobre candidatura dentro da aliança governista.

Comandados, respectivamente, pelos deputados federais Juscelino Filho e Pedro Lucas Fernandes, DEM e PSL vivem uma situação de absoluta incerteza no Maranhão. Ninguém até agora se a fusão vai ser mesmo concretizada, e em se concretizando, resta o problema maior, que é com quem ficará o comando do novo partido, o Força Brasil, no Maranhão. O mais grave é que DEM e PSL enfrentam a crise e perdem força, com a saída de quadros importantes. No mesmo campo, o PTB, que fora comandado até meses atrás pelo deputado federal Pedro Lucas Fernandes, está agora definhando sob o comando da deputada estadual Mical Damasceno, já que parte dos filiados não quer apoiar o presidente Jair Bolsonaro.

Dentre todos os partidos, a situação mais dramática é a do Solidariedade, capitaneado no Maranhão pelo suplente de deputado. O partido poder os seus três deputados estaduais e os quatro prefeitos que elegeu em 2020, e simplesmente desaparecer do mapa político do Maranhão. Em sentido contrário, o Podemos, liderado pelo prefeito Eduardo Braide, pode se cacifar como a voz da direita civilizada no Maranhão.

Isso é só o começo, porque a definição do tamanho de cada partido virá mesmo com a janela de março do ano que vem.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Quase metade do eleitorado ainda está indecisa

Se de um lado as informações da pesquisa DataIlha/Band, divulgada terça-feira (16) embalou os partidários do vice-governador Carlos Brandão (PSDB), por outro, seus percentuais acenderam luz amarela para os aliados do senador Weverton Rocha (PDT) e chamaram a atenção dos apoiadores do pré-candidato do PT, Felipe Camarão. Segundo a pesquisa, a pouco mais de uma semana da reunião que poderá definir o candidato da aliança governista, cenário prévio é o de absoluta indefinição. E com um detalhe que é fundamental para qualquer avaliação: 19,9% disseram que votarão nulo ou em branco e 23,6% responderam que não têm nem pretendem ter candidatos. Tudo isso somado, nada menos que 43,5%, ou seja, quase metade do eleitorado, ainda não se posicionou para valer da corrida eleitoral.

 

Weverton aposta que etapa do “Maranhão mais feliz” de Timon influencie reunião do dia 29

Weverton Rocha com a bandeira do PDT em evento de pré-campanha recentemente

O senador Weverton Rocha está convidando para a edição do “Maranhão mais feliz” em Timon, neste sábado (20). Será a última antes da reunião do dia 29, na qual o governador Flávio Dino e as lideranças da base partidária governista podem bater martelo e definir o candidato do grupo ao Palácio dos Leões. Será o sexto evento de pré-campanha no qual o líder pedetista e pré-candidato assumido pretende reunir prefeitos, deputados federais, deputados estaduais e vereadores de cidades-polo. A expectativa de aliados de Weverton Rocha é que a edição de Timon seja a maior de todas, por várias razões, sendo a principal delas o fato de ser politicamente controlada pelo Grupo Leitoa, comandado pelo ex-prefeito e ex-deputado Chico Leitoa, um dos fundadores do PDT no Maranhão, e por seu filho, Luciano Leitoa, que lidera hoje uma pequena fatia do PSB não alinhada ao governador Flávio Dino. Esses mesmos aliados apostam que a edição de timonense do “Maranhão mais feliz” poderá impactar a reunião do dia 29.

São Luís, 18 de Novembro de 2021.

A dias da escolha do candidato governista, pesquisa mostra cenário embolado na corrida aos Leões

 

Impassível, o leão palaciano aguarda a definição do candidato a comandá-lo

Quando, no início ano, o governador Flávio Dino (PSB) reuniu as lideranças da aliança partidária que comanda, incluindo os pré-candidatos, para definir critérios que embasariam a escolha do candidato do grupo à sua sucessão, alguns propuseram resultado de pesquisa como item. Ouviram o seguinte: o candidato será escolhido com pelo menos um ano de antecedência, e isso torna pesquisa um critério inválido. E mais o seguinte: se pesquisa valesse com tanta antecedência, Weverton Rocha e Eliziane Gama não teriam sido eleitos senadores. A pesquisa DataIlha/Band divulgada ontem, duas semanas antes da reunião na qual o governador Flávio Dino e as lideranças do seu grupo, incluindo os pré-candidatos, deverão escolher o candidato da aliança ao Palácio dos Leões, mostrou a assertiva da decisão iniciar. Os percentuais de intenção de voto e de rejeição que encontrou indicaram, com clareza solar, que se a eleição fosse daqui a um mês, por exemplo, o resultado seria absolutamente imprevisível, à medida que nenhum dos candidatos teria garantia de que ultrapassaria a barreira do primeiro para o segundo turno. Ou seja, não há um caso de favoritismo irreversível.

Os números da pesquisa DataIlha/Band surpreendem. Com a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), o resultado é o seguinte: Roseana Sarney com 20,5%, Weverton Rocha (PDT) com 10,3%, Carlos Brandão (PSDB) com 8,7%, Edivaldo Holanda Jr. (PSD) com 8,6%), Lahesio Bonfim (PTB) com 7,5%, Roberto Rocha (sem partido) com 6,7%, Josimar de Maranhãozinho (PL) com 6,4%, Felipe Camarão (PT) com 3,6% e Simplício Araújo (SD) com 0,9%), Brancos e Nulos (11, %) e Não Sabe/Não Respondeu (15,4%).

No cenário sem Roseana Sarney e levando em conta os quatro mais votados, é esse o resultado: Weverton Rocha aparece com 18,5%, seguido de Carlos Brandão com 15,1%, de Edivaldo Holanda Jr. com 13,4% e de Lahesio Bonfim com 9,5%. Nesse cenário, Brancos e Nulos chegariam a 19,9% e Não Sabe/Não respondeu alcançariam nada menos que 23,6%. Somados os dois itens, chega-se à esclarecedora conclusão de que 43,5% estão “soltos” e podem decidir a eleição durante a campanha.

A realidade nua e crua é que, de acordo com a pesquisa DataIlha/Band – que ouviu 1.931 eleitores entre 12 e 15 deste mês e tem intervalo de confiança de 95% -, a eleição do futuro governador do Maranhão está rigorosamente em aberto. E com chances, se não exatamente iguais no momento, muito próximas disso, entre os candidatos, principalmente levando em conta a margem de erro, que é de 2,23%, para mais ou para menos.

Nesse painel de percentuais, rico em informações, está escrito que, mesmo que conseguisse manter essa liderança, a ex-governadora Roseana Sarney não entrará na disputa ao Governo. Com trajetória consolidada, com riqueza de experiências doces e amargas, a ex-governadora não pensa sair da sua atual zona de conforto para além de um mandato quase certo de deputada federal. Mesmo que estivesse com percentuais mais elevados de intenções de voto, o estratosférico percentual de rejeição determina sua permanência fora do campo majoritário. Encerrar a carreira com o bem respaldado mandato na Câmara Federal é honroso para qualquer político, independentemente do que tenha sido pelo voto.

Nesse caso, a disputa ganha possibilidades, com Weverton Rocha e Carlos Brandão em destaque no cenário, o primeiro turbinado por um ativo mandato de senador, e o segundo em contagem regressiva para se tornar nada menos que o governador do Estado, cargo que lhe dará uma massa de poder extraordinária. É essa a avaliação que será feita na reunião do dia 29. Até lá, os pré-candidatos da base governista terão tempo suficiente para conversar e encontrar argumentos que fortaleçam seus cacifes. Dificilmente alguém reunirá peso político e prestígio eleitoral para medir forças com Weverton Rocha e Carlos Brandão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Rocha vai aguardar filiação de Bolsonaro para ingressar no PL

Roberto Rocha deve ir para o PL tão logo Jair Bolsonaro ingresse no partido

O senador Roberto Rocha encontra-se em contagem regressiva para resolver sua situação partidária e na corda bamba entre o PL, controlado no Maranhão pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, e o PP, partido que no estado tem o comando absoluto do deputado federal André Fufuca, atual presidente nacional do partido em exercício. A interlocutores, o senador tem dito que sua inclinação é seguir o presidente filiando-se ao partido no qual ele vier a desembarcar, indicando que está a caminho do PL. Não está descartado, porém, o seu ingresso no PP, embora não haja qualquer sinal de que o presidente da República desembarque no partido que tem comando compartilhado pelo seu atual chefe da Casa Civil, senador Ciro Nogueira (PI), e pelo atual presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (AL).

Nas conversas que vem travando com aliados, Roberto Rocha tem se mostrado seguro de que sua estratégia de aguardar para definir sua situação partidária junto com o presidente vai produzir bons resultados políticos e eleitorais. Só que ele não decidiu ainda a que mandato concorrerá, podendo vir a ser candidato a governador, a senador ou até mesmo a deputado federal, que é a hipótese mais remota, já que, pelo que corre nos bastidores, está trabalhando duro pela eleição do seu filho, ex-vereador de São Luís Roberto Rocha Filho, para a Câmara Federal.

 

Reportagem da Globo mostra mazelas educacionais em municípios com prefeitos do PL

Uma reportagem da TV Globo veiculada na edição de ontem do Jornal Hoje chocou o Brasil com mais uma denúncia de mazelas educacionais que ocorrem em municípios. O repórter Alex Barbosa mostrou a situação degradante em escolas municipais de Igarapé do Meio, Monção e Bom Jardim. Em Igarapé do Meio crianças “estudam” em taperas sem qualquer condição de serem chamadas de escolas, começando pelo fato de que não têm banheiro nem merenda escolar, tendo o secretário de Educação afirmado que a educação é prioridade e que isso lhe dá orgulho. Em Monção, a situação é igual, ou pior, porque ali há fortes indícios de dinheiro público, que deveria ser aplicado em reformas que não foram feitas, tendo a secretária de Educação dito que não falaria sobre o assunto. E em Bom Jardim, além dos problemas da educação de crianças, adultos que estudavam à noite abandonaram a escola opor falta de energia elétrica, já que se tornou impraticável estudar com lanterna.

Além das mazelas educacionais, esses três municípios têm um ponto importante em comum: os prefeitos de Igarapé do Meio, José Almeida de Sousa, de Monção, Klautenis Deline Oliveira Nussrala, e de Bom Jardim, Cristiane Varão, pertencem ao PL, eleitos pela rica máquina partidária comandada pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, presidente do partido no Maranhão, e pelo qual ensaia candidatura do Governo do Estado.

São Luís, 17 de Novembro de 2021.

Pré-candidatos terão duas semanas agitadas antes da escolha do candidato da base governista

 

Carlos Brandão, Weverton Rocha, Felipe Camarão e Simplício Araújo: clima de contagem regressiva para a escolha do nome

A informação dada pelo governador Flávio Dino (PSB) de que a reunião dele com pré-candidatos e líderes partidários da aliança governista para escolher o candidato do grupo será realizada no dia 29 deste mês, como havia sido acertado, agitou os bastidores da corrida sucessória. A data decisiva da agenda sucessória veio à tona logo depois que líderes da aliança, como o pré-candidato do PT, secretário Felipe Camarão, e o presidente da Assembleia Legislativa e maior apoiador da pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), deputado Othelino Neto (PCdoB), agitou fortemente o tabuleiro da sucessão, especialmente os QGs dos pré-candidatos da base governista, incluindo o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e o secretário Simplício Araújo (SD). O recado do governador aos envolvidos na disputa foi claro e direto: a escolha deve ser mesmo agora; nas duas semanas que faltam para a reunião, os interessados terão tempo de sobra para conversar, articular e ajustar seus argumentos, e que conduzirá o processo com serenidade e diálogo.

Até este momento, todas as evidências sugerem que, mesmo considerando os projetos de candidatura de Felipe Camarão e Simplício Araújo, a disputa para valer se dá mesmo é entre o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), uma vez que ambos já estão chancelados pelos seus partidos. Se conseguir o aval do PT à sua pré-candidatura, Felipe Camarão saltará para outro patamar, podendo entrar para valer na disputa. Por isso, não será surpresa se, diante do quadro que está sendo desenhado, um acordo seja celebrado em torno de um nome, com extensão para definir também o candidato a vice nessa chapa.

No comando de uma baita estrutura, que lhe permite realizar eventos de grande porte, como as edições do “Maranhão mais feliz”, Weverton Rocha está a mil por hora, deixando por onde passa o recado segundo o qual é o nome mais viável. E tem ido além, afirmando. Declarou, no final da semana passada, que a data da reunião não tem importância, pois o que vale mesmo são critérios para a escolha do candidato. Os critérios estão elencados na carta que ele, os demais pré-candidatos e os líderes partidários da aliança governista assinaram, entregando ao governador Flávio Dino a coordenação do processo. Melhor situado nas pesquisas, parece disposto a seguir em frente, independentemente do que for decido no encontro.

Também com o pé firme no acelerador e também liderando grandes eventos políticos, além de uma agenda apertada de reuniões com líderes do interior, a começar por prefeitos, vereadores e deputados estaduais, o vice-governador Carlos Brandão tem demonstrado confiança e fôlego na consolidação do seu projeto de candidatura. Ao contrário de outros pré-candidatos, diz estar de acordo com a realização da reunião na data em que o governador definiu, e acredita que tem chances de ser escolhido para liderar a chapa do grupo. É visível que seu ânimo é também levar seu projeto em frente. O seu argumento mais forte é que será o governador a partir de abril, com direito a buscar a reeleição.

Recém-chegado no tabuleiro sucessório, sem contar, ainda, com o aval partidário, Felipe Camarão se movimenta como uma força promissora, apoiada por uma expressiva corrente do PT e, pelo visto, já com as bênçãos de cardeais partidários do porte de Márcio Macêdo, vice-presidente nacional do partido, que esteve em São Luís “para consultas” e teria retornado a Brasília otimista em relação ao pré-candidato do partido. Sem suporte político para entrar de vez na disputa para o Governo, Simplício Araújo mantém sua bem armada candidatura a deputado federal.

Até a data da reunião serão duas semanas de intensas articulações, marchas e contramarchas, avanços e recuos. Afinal com clareza que a batida de martelo, cada um sabe que a conversa daquela data será decisiva.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Freada de Bolsonaro sobre filiação no PL colocou Maranhãozinho em banho maria

As declarações do presidente Jair Bolsonaro em Dubai derramando um barril de dúvidas sobre sua filiação ao PL fizeram com que o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (foto), que já estava se movimentando para ganhar o mote de “nome do Bolsonaro” no Maranhão, a tirar o pé do acelerador da sua corrida para se viabilizar como candidato ao Governo do Estado. O chefe absoluto do PL no Maranhão vinha apressando o passo desde que o presidente das República dissera que se filiaria ao PL, abrindo também caminho para uma aliança desse partido com o PP, que poderia indicar o candidato a vice-presidente. Josimar de Maranhãozinho vislumbrou uma dobradinha estadual com o PP, comandado pelo atual presidente nacional em exercício do partido, deputado federal André Fufuca. Seria a união do poder de fogo do Centrão no Maranhão. A recuada de Jair Bolsonaro, causada pela aliança do PL com o PSDB no tabuleiro sucessório de São Paulo, colocou em risco máximo a precipitadamente anunciada filiação do presidente ao partido de Waldemar Costa Neto, condenado e preso por corrupção, desativou momentaneamente as engrenagens partidárias de Josimar de Maranhãozinho, que manda e desmanda também no Patriota e no Avante. Com um detalhe, segundo um aliado seu: vai continuar sua campanha de pré-candidato, mesmo perdendo até para Lahesio Bonfim nas pesquisas mais recentes, além de carregar gigantesca rejeição.

 

DESTAQUE

Não Aceito Corrupção

Roberto Livianu

O STF, por 8×2 tomou uma das decisões mais importantes de sua história, em defesa da separação dos poderes e da transparência. Sem regras claras, sem accountability sobre o destino de um montante de verbas bilionário (as emendas do relator), permitia-se tudo gira em torno dos interesses de ocasião e esta ação clandestina feria de morte o princípio da publicidade constitucional, tendo-se determinado liminarmente a suspensão de quaisquer pagamentos relacionados a emendas parlamentares oriundas deste esquema ilícito apropriadamente chamado de orçamento secreto, também se determinando que se jogue luz sobre os nomes dos parlamentares que pediram repasses embasados no orçamento secreto.

Ao mesmo tempo e sem cerimônia, a Câmara, no entanto, aprovou na mesma data a chamada “PEC do calote”, valendo-se para isso de mudança do regimento a toque de caixa, admitindo-se convenientemente o voto de deputados em outros continentes. Em primeiro turno, em votação já questionada no STF, a proposição foi admitida por 4 votos acima do mínimo e o tema também será analisado e decidido pela suprema corte, pois existe grave risco de quebra da ordem jurídica.

A Câmara, desta forma, acabou chancelando a irresponsabilidade fiscal, transferindo para o novo governo, a ser eleito em 2022, a responsabilidade por saldar dívida de 50 bilhões de reais referentes a precatórios que deveriam ser pagos em 2022, para poder viabilizar pagamento do Auxílio-Brasil em ano eleitoral, preocupação esta não contínua em período anterior às eleições, o que evidencia os reais propósitos que a ensejam, que extrapolaria o teto de gastos sem a PEC, tendo a medida causado grande impacto no mercado e na nossa combalida economia.

Por mais que seja criticado, vivemos momento crucial em que a sociedade precisa do Supremo Tribunal Federal como instrumento de reafirmação dos valores maiores da república e da imprescindível prevalência do interesse público, princípio fundamental de nossa Constituição Federal.

Drago Kos, em evento realizado pela Transparência Internacional em parceria com o Instituto Fernando Henrique Cardoso, líder do grupo antissuborno da OCDE, reiterou sua visão de extrema preocupação em relação ao andamento da política pública anticorrupção no país, especialmente agravada pela piora da economia, sendo categórico ao afirmar estar fora de cogitação o ingresso no Brasil no organismo multilateral como se pretendia, especialmente neste momento diante do recente esmagamento da lei de improbidade e lei da ficha limpa. Hoje, da América Latina, apenas Chile, Colômbia e México fazem parte do organismo.

Diante deste quadro de claro desmonte do instrumental jurídico-anticorrupção, visando coletar subsídios no sentido de romper estes ciclos viciosos, o Instituto Não Aceito Corrupção acaba de lançar a terceira edição do Prêmio Não Aceito Corrupção. As inscrições devem ser feitas por meio digital e acontecerão até 10 de dezembro. Diferentemente das duas edições anteriores, restritas ao mundo acadêmico (categorias academia e tecnologia foram mantidas), criamos duas novas categorias de participação, voltadas para o mundo empresarial e jornalístico.

Vivendo hoje sob o signo ESG, premiaremos as melhores práticas de governança sob o ponto de vista corporativo, os melhores cases. E atentos à importância do jornalismo livre e independente para a saúde democrática e para o enfrentamento da corrupção, selecionaremos as melhores reportagens investigativas, que tenham desvendado esquemas espúrios, criteriosamente selecionadas.

O prêmio vem se consolidando como ferramenta para selecionar ideias inovadoras, criativas, disruptivas, no combate à corrupção, que possam ser posteriormente incorporadas pelo setor público, privado ou pelo terceiro setor em sua operação. Como um dos dois trabalhos premiados na primeira edição do prêmio, que se transformou na medida 36 do pacote das novas medidas contra a corrupção, elaborado em parceria pela Transparência Internacional e FGV – o maior plano anticorrupção já elaborado no mundo.

Entendemos fundamental também premiar os professores inspiradores, que também serão premiados, e assim convidados a todas e todos a trazer sua contribuição neste que certamente será a maior e mais importante de todas as edições. Esperamos por você. Participe, compartilhe, divulgue.

Em Tempo: Roberto Livianu é procurador de Justiça em São Paulo, doutor em Direito Penal pela USP, idealizador e presidente do Instituto Não Aceito Corrupção.

São Luís, 16 de Novembro de 2021.