Em contagem regressiva para reunião decisiva, Brandão e Weverton tentam reforçar cacifes partidários

 

Carlos Brandão, Weverton Rocha, Felipe Camarão e Simplício Araújo em contagem regressiva para decisão do grupo

Começou a contagem regressiva para a reunião em que os líderes da aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino (PSB) escolham o seu candidato ao Governo do Estado. Marcado para o dia 29, o encontro avaliará quatro pré-candidatos: o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), o senador Weverton Rocha (PDT), o secretário de Educação Felipe Camarão (PT) e o secretário de Indústria e Comércio Simplício Araújo (Solidariedade). Cada um a seu modo e com cacifes variados, os quatro aspirantes entram nessa fase mobilizando todos os recursos e argumentos possíveis para viabilizar seus nomes, embora, a rigor, a disputa para valer envolve Carlos Brandão e Weverton Rocha. Felipe Camarão, que é cristão novo nessa seara, ainda corre para viabilizar seu projeto de candidatura dentro do PT, e Simplício Araújo trava uma guerra solitária pela sobrevivência política, enfrentando também o esvaziamento do seu partido.

Anunciada pelo governador Flávio Dino em meio a apelos para que adie a escolha do candidato, e também para que não recue da data marcada, a reunião desencadeou uma corrida intensa dos pré-candidatos por apoio partidário, já que esse será item decisivo no elenco de critérios que balizará a escolha. Nesse tabuleiro, Carlos Brandão e Weverton Rocha medem força para ver quem reúne maior cacife partidário e maior base de apoiadores, o que não é o caso dos pré-candidatos do PT e do Solidariedade. Neste fim de semana, Carlos Brandão acompanhou o governador Flávio Dino em inaugurações na região dos Lençóis, enquanto Weverton Rocha concentrou todo o seu poder de fogo na edição do “Maranhão mais feliz”, na noite de sábado, em Timon, onde tem uma forte base aliada.

Nos últimos dias, o cenário partidário, que vinha tendendo a favorecer Weverton Rocha, começou a sofrer alteração com o fortalecimento de Carlos Brandão. A semana terminou com uma espécie de equilíbrio entre o tucano e o pedetista. Sem que haja posicionamento formal dos partidos, por meio dos seus porta-vozes informais, Carlos Brandão tem hoje o apoio de PSDB, PSB, PROS, Rede e PCdoB, enquanto Weverton Rocha conta PDT, DEM, PSL, PP, Republicanos e, por enquanto, o Cidadania. Os dois disputam, palmo a palmo, a adesão de MDB e PT aos seus projetos de candidatura. E o Cidadania, que parecia ter-se aliado a Weverton Rocha, devido às manifestações a seu favor feitas pela senadora Eliziane Gama, sinalizou que poderá apoiar a Carlos Brandão.

Vale registrar que os partidos que apoiam Carlos Brandão e Weverton Rocha amargam dissidências. O PSB, por exemplo, mesmo liderado pelo governador Flávio Dino, administra uma dissidência, encabeçada pelo ex-prefeito de Timon, Luciano Leitoa, que apoia a Weverton Rocha. Já o PDT, que é presidido por Weverton Rocha, é sacudido por vozes que apoiam a Carlos Brandão, a exemplo do ex-deputado federal Julião Amin. O apoio do deputado Othelino Neto a Weverton Rocha mostra que o PCdoB não está de todo fechado com Carlos Brandão. O Republicanos, cujo presidente, deputado federal Cléber Verde, declarou apoio a Weverton Rocha, é, de longe, o partido mais dividido da aliança, com boa parte dos seus prefeitos, entre eles o de Caxias, Fábio Gentil, e deputados estaduais apoiando abertamente a Carlos Brandão. E agora, a senadora Eliziane Gama, que apoia a Weverton Rocha, corre o risco de ficar isolada dentro do Cidadania, que poderá declarar apoio a Carlos Brandão. A situação é a mesma em praticamente todos os partidos.

Os próximos dias serão de intensa movimentação, já que os dois pré-candidatos melhor posicionados na aliança governista precisam robustecer seus cacifes partidários. E no cenário rascunhado por observadores desses movimentos, a balança partidária, que já foi amplamente favorável ao senador Weverton Rocha, chega a um momento de equilíbrio, tende a favorecer agora ao vice-governador Carlos Brandão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pré-candidatos já contam com gurus para a guerra pelo voto

José Reinaldo Tavares, Erlânio Araújo e César Pires: vozes de peso 

Os cinco pré-candidatos ao Palácio dos Leões com projetos eleitorais melhor definidos até aqui são Carlos Brandão (PSD), Weverton Rocha (PDT), Edivaldo Holanda Jr. (PSD) e Lahesio Bonfim (PTB) e Josimar de Maranhãozinho (PL) se movimentam orientados ou aconselhados por aliados e gurus que manifestam diferente vozes.

Carlos Brandão conta como aconselhamento do ex-governador José Reinaldo Tavares, que sabe tudo de política do Maranhão e tem no currículo uma eleição vencida em apenas um turno (2002); do ex-prefeito de São José de Ribamar e secretário de Assuntos Estratégicos Luís Fernando Silva, que conhece as entranhas da política estadual e tem a experiência de duas eleições com mais de 80% dos votos; do ex-prefeito de Tuntum, Cleomar Tema, que tem expertise em eleições majoritárias.

Weverton Rocha tem no prefeito de Igarapé Grande e presidente da Famem Erlânio Xavier (PDT) como “homem forte” do seu projeto de candidatura, e tem como interlocutor e avalista destacado o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), contando também com o jornalista Leandro Miranda como o responsável pela sua ativa área de comunicação. Vale destacar que o senador pedetista, consulta aliados, mas costuma ele próprio tomar suas decisões.

Edivaldo Holanda Jr. (PSD) tem três conselheiros. O deputado estadual César Pires é o principal estrategista do projeto de candidatura do ex-prefeito de São Luís. O deputado federal Edilázio Jr. é presidente do PSD no Maranhão e foi o grande responsável por levar o ex-prefeito para o seu partido. Além disso, Edivaldo Holanda Jr. ouve com atenção o pai, o experiente deputado estadual Edivaldo Holanda (PTC).

Lahesio Bonfim (PTB), prefeito reeleito de São Padro dos Crentes, é uma espécie de outsider, que não tem conselheiros influentes e confia plenamente na sua experiência o nos seus conhecimentos e instintos. É o caso de Josimar de Maranhãozinho (PL), político forjado no batente e que só confia nos seus próprios instintos.

Até agora não se tem notícia de que algum marqueteiro já esteja no circuito, mas logo eles vão aparecer para exercer influências fortes para seus contratantes.

 

Esqueleto milionário continua causando mal-estar no TJ

Esqueleto milionário continua causando mal-estar e divisão no Judiciário

Continua forte no Tribunal de Justiça o mal-estar por causa do escândalo nacional do esqueleto de cimento e ferro do que já deveria ser o braço do Poder Judiciário em Imperatriz. O descalabro já consumiu R$ 70 milhões e precisa de mais R$ 140 milhões. Há, ali, uma corrente de desembargadores que considera o problema inaceitável e advogam a responsabilização implacável dos responsáveis. Há também uma corrente que prega mesma coisa, com a enorme diferença de que tudo ocorra no âmbito interno do TJ, sem que os prováveis pobres a serem encontrados pela investigação venham à tona. Vale aguardar o desfecho dessa queda-de-braço.

São Luís, 21 de Novembro de 2021.

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