Carlos Brandão vai conversar com partidos para montar equipe do seu novo Governo
Passados os atos solenes e festivos de sua posse (1º/01) e transmissão do cargo (06/01), e a movimentação da troca de comando em Brasília, com a volta da máquina pública maranhense ao eixo da normalidade, o governador Carlos Brandão (PSB) vai deflagrar um amplo processo de articulação com os partidos que formam a sua base de apoio para a montagem do novo Governo. Além do PSB, que comanda no estado, o governador vai conversar com PCdoB, PT, PP, Patriota, Podemos e MDB, que estiveram na linha de frente da sua campanha e que, somados – sem incluir o PT -, formam maioria na Assembleia Legislativa, podendo, num segundo momento, abrir caminho para legendas que lhe fizeram oposição, mas com as quais mantém canal aberto para dialogar, como é o caso do PL. Esse será um processo que deve evoluir até meados de fevereiro, quando deverá anunciar a sua nova equipe.
Nos bastidores e no meio político é dada como certa a confirmação de Sebastião Madeira (Casa Civil), de José Reinaldo Tavares (Projetos Estratégicos), Luís Fernando Silva (Planejamento), e a nomeação do vice-governador Felipe Camarão (PT) para a Secretaria de Educação, como a solução natural para a pasta. Fora desse núcleo, outros atuais secretários podem continuar, mas a decisão do governador de governar com a participação dos partidos aliados está dentro da lógica segundo a qual a divisão da governança com aliados partidários é uma regra republicana e também sinônimo de governabilidade e de estabilidade política.
Além das 29 secretarias formais e três extraordinárias, a formação da nova equipe de Governo deve levar em conta o segundo escalão formado por um número expressivo de órgãos vinculados importantes: cinco agências, três empresas públicas, um Conselho estadual, uma Coordenadoria estadual, cinco institutos e uma fundação. São órgãos muito disputados por aliados políticos. Na escolha dos dirigentes, o governador Carlos Brandão usará um critério básico: os indicados devem ter afinidade com as pastas que comandarão, de modo que não haja descompasso no grau de eficiência do Governo como um todo. Daí a necessidade de tempo e cuidado na definição dos integrantes da equipe.
Na montagem de uma equipe, o governador via de regra define um conjunto de pastas, cujos dirigentes escolhidos fazem parte da chamada “quota pessoal” do governador, não passando a escolha por outros critérios. Há também as pastas “técnicas”, via de regra comandadas por especialistas nas devidas áreas – como a Fazenda, por exemplo -, e as pastas que demandam direção executiva eficiente. E pelo que a Coluna apurou, o governador Carlos Brandão vai fazer o possível para montar um Governo, cujas áreas possam funcionar com a mesma dinâmica e com a mesma eficácia. Cada dirigente escolhido deve estar consciente de que seu desempenho e os resultados alcançados serão avaliados.
Conhecedor
profundo da máquina administrativa estadual, com anos no comando de secretarias
importantes, como a Casa Civil, e com noção apurada do que essa engrenagem pode
alcançar se bem gerida, o governador Carlos Brandão tem sinalizado que não será
complacente com eventuais descompassos em áreas do Governo. E a explicação é
simples: ele tem quatro anos de mandato, período que pode ficar reduzido a três
anos e três meses, se vier a renunciar para disputar o Senado em 2026. E está
determinado a deixar sua marca realizando ações que assumiu durante a campanha,
correspondendo assim ao cheque em branco que a esmagadora maioria do eleitorado
lhe entregou ao reelege-lo em um só turno contra sete concorrentes, entre eles
um senador da República em meio de mandato.
Numa perspectiva mais ampla, com a montagem do novo Governo a partir de negociações com os partidos da base, e até mesmo de fora dela, o governador Carlos Brandão busca ampliar e consolidar a base político-partidária do seu Governo, fechando um ciclo de unificação iniciado com a aclamação, em dezembro de 2022, de um prefeito aliado, Ivo Resende (PSB), de São Mateus, para a presidência da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem), e a provável eleição, por larga maioria, da deputada eleita Iracema Vale (PSB) para a presidência da Assembleia Legislativa, no dia 1º de fevereiro.
PONTO & CONTRAPONTO
Iracema Vale reúne 33 deputados em almoço e consolida base para ser presidente da AL
Iracema Vale: favoritismo
A deputada eleita Iracema Vale (PSB), candidata favorita à presidência da Assembleia Legislativa, reuniu ontem 33 deputados para um almoço, tendo o governador Carlos Brandão como convidado especial. Na avaliação de dois deputados – um eleito e um reeleito -, as conversas travadas na entrada, no prato principal e na sobremesa consolidaram em definitivo a candidatura da parlamentar ao comando do parlamento estadual e a base eleitoral que a elegerá.
As duas
fontes assinalaram que Iracema Vale está movendo corretamente as peças do
tabuleiro, conseguindo, com o aval dos aliados leoninos, quebrar algumas
resistências. Observaram que ela estava discretamente entusiasmada com a
declaração de apoio que recebeu do presidente Othelino Neto (PCdoB), que
desistiu de disputar o cargo. Mas está decidida a não baixar a guarda nem
entrar numa perigosa onda de “já ganhou”. Vai continuar trabalhando para manter
coesa e, se possível, ampliar a sua base de apoiadores até a eleição, daqui a
23 dias.
Governador vai a Brasília apoiar prefeitos contra perdas no FPM
O governador Carlos Brandão começa a semana em Brasília, onde acompanhará o presidente da Famem, prefeito Ivo Resende (foto), e outros importantes líderes municipais, a uma reunião no Tribunal de Contas da União (TCU), para evitar que mudanças no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) imponha prejuízos a 60 municípios, incluindo grandes cidades, como Caxias, por exemplo. O argumento mais forte contra a cobrança é o fato de que a regra ainda não está normalizada.
Othelino Neto declara apoio a Iracema Vale após sair da disputa pelo comando da AL
Confirmado o desfecho desenhado para a
eleição do presidente da Assembleia Legislativa para o primeiro biênio
(2023/2024) da nova legislatura (2023/2026) desde o momento em que o governador
reeleito Carlos Brandão (PSB) apontou a deputada eleita Iracema Vale (PSB) como
o nome da sua preferência para ser a candidata do seu grupo ao comando do Poder
Legislativo. O gesto do deputado reeleito Othelino Neto (PCdoB) de retirar sua
candidatura e declarar apoio à colega Iracema Vale já era esperado desde que,
nos últimos dias do ano passado, ela ganhou o apoio declarado de mais de dois
terços dos integrantes da futura composição do parlamento, inviabilizando de
vez o projeto de candidatura do atual presidente e de qualquer outro nome que
vier a se colocar na disputa. O presidente Othelino Neto fez o jogo político possível,
dentro das regras, mas não conseguiu mudar o curso de um projeto pensado
minuciosamente nos seus mais diferentes aspectos. Restou-lhe rever e arquivar o
seu próprio projeto, sair do campo de batalha e fazer o que lhe mandou o bom
senso político: declarar apoio à sua virtual sucessora.
Desde que, embalado pela reeleição,
avaliou a possibilidade de conquistar o terceiro mandato consecutivo para
comandar a Assembleia Legislativa, o presidente Othelino Neto sabia que estava
articulando uma empreitada factível, mas com uma expressiva margem de risco. Na
sua bolsa de argumentos, ele tinha o fato de que foi um bom presidente nos
cinco anos que comandou a Casa, tratou os deputados de maneira republicana, sem
olhar cor partidária, e teve papel ativo na campanha eleitoral e contava com o
apoio do ex-governador e senador eleito Flávio Dino (PSB), líder maior da
aliança agora comandada pelo governador Carlos Brandão. Começou bem, e enquanto
o Palácio dos Leões não se manifestou, ouviu declarações de apoio de deputados
eleitos e reeleitos, criando um ambiente em que aparecia como favorito.
Tudo começou a mudar radicalmente
quando o deputado reeleito Arnaldo Melo (PP), com a experiência de oito
mandatos parlamentares e dois como presidente, lançou sua candidatura. Logo em
seguida, retirou-a e, juntamente com colegas reeleitos e experientes, como
Antônio Pereira (PSB) e Rafael Leitoa (PSB), e com o aval cristalino do Palácio
dois Leões, lançou a candidatura da deputada eleita Iracema Vale (PSB). Numa
estratégia eficiente, articulada com o “núcleo de ferro” do governador Carlos
Brandão, o grupo usou o argumento da modernidade: deputada mais votada na história da Assembleia,
com 104 mil votos, será a primeira mulher a comandar o Poder Legislativo.
Iracema Vale fechou o ano com sua candidatura apoiada por não menos que 30
deputados, e sem adversário com cacife para enfrentá-la.
Politicamente inteligente, o presidente
Othelino Neto manteve sua candidatura, mesmo contando com um número cada vez
menor de apoiadores, grupo que tendia a se desfazer nos próximos dias, o que
resultaria no seu isolamento. Depois de algumas conversas e da indiscutível
consolidação da candidatura de Iracema Vale, o presidente da Assembleia Legislativa
manteve seu projeto até quinta-feira (5), quando todas as suas chances de
alcançar o terceiro mandato presidencial haviam se esgotado, ele decidiu sair
da corrida e declarar apoio à escolha feita pelo governador Carlos Brandão.
Othelino Neto sai da corrida
presidencial sem ranhuras, exatamente por cultivar um estilo via de regra leve,
às vezes duro, mas sem confrontos, e sempre tentando construir desfecho
consensual. Nesse sentido, ele recebeu o primeiro aviso com a construção do
consenso na eleição para presidente da Famem, na qual o prefeito Ivo Resende
(PSB) se elegeu por aclamação. Sabia que não teria chance de enfrentar a
maioria governista alinhada ao Palácio dos Leões, mas jogou com inteligência
para não ser esmagado num confronto desnecessário. Sai do embate inteiro, como
entrou. E com um largo horizonte pela frente, com caminho aberto para, se
quiser, construir sua candidatura para a presidência do segundo biênio
(2025-2026).
PONTO & CONTRAPONTO
Brandão assume novo Governo reafirmando o compromisso de avançar mais
Carlos Brandão recebe a faixa da agricultora Maria Eliane Costa Silva, apresenta faixa entre o estudante Enzo Martins e Maria Eliane e saúda os presentes com o vice Felipe Camarão
“Nós temos muitos desafios pela frente,
mas a gente precisa avançar, trabalhar para melhorara vida das pessoas”. Essas palavras
pronunciadas em tom de convocação geral e com ênfase de declaração de guerra,
partiram do governador Carlos Brandão (PSB), ontem, no ato em que ele assumiu o
mandato para o qual fora eleito nas eleições de outubro passado. Ao lado do
vice-governador Felipe Camarão (PT), o chefe do Governo falou da sacada do
Palácio dos Leões, comandando um momento festivo, que chamou de “Show da
Gratidão ao Povo do Maranhão”, animado por vários artistas, entre eles a
consagrada Alcione Nazareth.
A exemplo do presidente Lula da Silva
(PT), que recebeu a faixa presidencial de um grupo de representantes de
segmentos marginalizados, o governador Carlos Brandão recebeu a faixa
governamental das mãos de representantes de segmentos que receberam a atenção
especial do Governo passado, como a educação e a agricultura familiar. Começou
com um suboficial da Polícia Militar, que a repassou a outros representantes,
até chegar ao estudante Enzo Martins, 17 anos, que a entregou à jovem Maria Eliane
Costa Silva, que atua na agricultura familiar e participa do Programa de
Compras da Agricultura Familiar, que abastece, por exemplo, os restaurantes
populares e a merenda escolar. Ao colocar a faixa no governador Carlos Brandão,
Maria Eliane Costa Silva protagonizou um dos momentos mais simbólicos do ato da
transmissão do cargo.
Na sua fala, Carlos Brandão sinalizou
com clareza que sua gestão será abrangente, com a ampliação da rede de
restaurantes populares, o fortalecimento do sistema de saúde, mas com dois
focos prioritários: a educação e o empreendedorismo. Para ele, não há como
desenvolver o estado sem uma política educacional de curto, médio e longo prazo.
O governador reafirmou as linhas gerais do seu discurso de campanha, deixando
claro que fará o possível para cumprir todos os compromissos que assumiu ao
pongo da corrida em busca da reeleição. E o fato de tê-la conseguido já no 1º
turno o deixou animado para encarar os desafios que estão a caminho.
No mesmo diapasão, o vice-governador Felipe
Camarão afirmou que o novo Governo vai avançar no viés social, investindo em
programas e ações com foco nos que mais precisam “Este mandato do Carlos
Brandão e meu será dedicado a aquelas pessoas mais pobres do Maranhão. Vamos
governar para todos, mas especificamente para os que mais precisam”, afirmou.
A partir de agora, o governador Carlos
Brandão vai iniciar uma das fases mais complexas e decisivas do seu novo
Governo: a montagem do secretariado, que deverá ser concluída em meados de
fevereiro.
Vareadores aprovam mudança que atinge o status institucional da Câmara de São Luís
Vareadores aprovaram emenda por unanimidade e o primeiro beneficiário deve ser o novo presidente Paulo Victor, que poderá licenciar-se para ser secretário de Estado
Por uma surpreendente unanimidade – 28 votos
presentes e pelo sistema virtual -, a Câmara Municipal de São Luís aprovou
ontem uma distorção normativa: o Projeto de Emenda à Lei Orgânica do Município
de Nº 0003/22, que pura e simplesmente inverteu item fundamental da regra de licenciamento
dos vereadores. A mudança altera o § 3º do artigo 63 da Lei Orgânica, permitindo
a licença dos membros da Mesa Diretora da Casa sem a necessidade de nova eleição
para o preenchimento da vacância. Ou seja, tornou permitida uma distorção que
era corretamente proibida, e que não existe na Constituição do Estado em
relação à Assembleia Legislativa nem na Constituição Federal no que respeita às
regras de licença de deputado federal e senador.
Tudo
indica que ninguém menos que o novo presidente da Câmara Municipal de São Luís,
vereador Paulo Victor (PCdoB), será o primeiro beneficiário da mudança, uma vez
que correm rumores de que ele se licenciará do cargo de presidente da instituição
para assumir uma secretaria no Governo do Estado, sendo substituído pelo
primeiro vice-presidente, vagando o cargo correspondente, uma anomalia
inadmissível num parlamento. É como se o presidente da Assembleia Legislativa
pudesse se licenciar do cargo para ser secretário de Estado pelo tempo que quisesse,
ou presidente da Câmara Federal, Arthur Lira, se licenciasse da presidência
para ser ministro de Estado.
Os
vereadores de São Luís – em especial o vereador Antônio Marcos, o Marquinhos
(PSC), que assina como pai do monstrengo – provavelmente não se deram conta de
que com essa mudança eles diminuíram a estatura institucional da Câmara
Municipal de São Luís, que deveria ser respeitada até pelo fato de ser uma das
mais antigas do Brasil.
Carlos Brandão durante a solenidade de posse no plen´´´ário da Assembleia Legislativa
Quebrando a
regra que norteou a posse de governadores maranhenses nas últimas décadas, com
a posse formal na Assembleia Legislativa e a investidura no cargo ocorrendo no
mesmo dia 1º de janeiro, o governador Carlos Brandão (PSB) foi empossado para o
novo mandato na 9ª hora do primeiro dia do ano, e deixou para hoje, o 6º dia,
data dedicada aos Reis Magos, a passagem da faixa dele para ele mesmo. Pelo que
está roteirizado, será uma grande festa, com os atos formais no Palácio dos
Leões e uma série de eventos, entre eles vários shows musicais a céu aberto
para milhares de pessoas, apoiadoras e não, porque essa distinção ficou no
resultado das urnas eletrônicas. Carlos Orleans Brandão Júnior, 64 anos,
veterinário de formação e político profissional envergará por sobre o ombro a
faixa que simboliza o poder legitimado por uma eleição em turno único, e em
relação a qual não houve uma só réstia de questionamento.
O governador
festeja o início do seu próprio mandato com uma mensagem de agradecimento e com
a prerrogativa de exercê-lo plenamente ao longo dos próximos quatro anos,
motivado pela força política que concentra e pelas boas perspectivas administrativas,
segundo a sua própria avaliação.
No campo
político, o governador Carlos Brandão dá a largada no mandato embalado por um
lastro de poder pouco visto em tempos recentes no Maranhão. Ele saiu das urnas
com quase dois milhões de votos, e no comando de uma base fiel de pelo menos 30
dos 42 deputados estaduais, e com uma bancada federal majoritariamente alinhada,
incluindo dois dos três senadores. Não bastasse isso, nesse exato momento, pelo
menos 190 dos 217 prefeitos – incluindo os de Imperatriz, Caxias, Codó, Bacabal,
Santa Inês e Paço do Lumiar, por exemplo – estão de bem com o Palácio dos Leões.
No plano federal,
o governador Carlos Brandão é aliado de primeira hora do novo Governo da
República, inteiramente sintonizado com o presidente Lula da Silva (PT). Nesse contexto,
tem como maior em mais importante aliado o senador eleito Flávio Dino (PSB),
recém investido no poderoso e influente cargo de Ministro da Justiça e Segurança
Pública, tendo também canal aberto com o ministro das Comunicações, o deputado
federal Juscelino Filho (UB), e ainda relacionamento amigável com o
vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Geraldo
Alckmin (PSB), relações que lhe asseguram trânsito fácil e produtivo nas fontes
de recursos da Esplanada dos Ministérios.
Carlos
Brandão vai governar um Maranhão ainda pobre, com índices econômicos e sociais
muito baixos, com a maioria dos seus 7,5 milhões de habitantes vivendo modestamente,
e pelo menos 2 milhões inscritos no Bolsa Família, e com imensos desafios a
serem vencidos em educação, saúde, segurança, infraestrutura. Mas é também um Maranhão
que vem vivendo um forte processo de mudança, que começa a explorar
efetivamente as suas riquezas naturais e os seus tesouros culturais e a sua
posição geográfica privilegiada, avançando em frentes como o turismo, o
agronegócio, e a corrida espacial, por exemplo, com o alargamento do seu
horizonte social e econômico. Um cenário que ganhou tons mais fortes nos dois
últimos Governos, liderados pelo agora senador Flávio Dino (PSB) e nos quais
teve participação efetiva e cujas linhas gerais tem agora o desafio de manter. “Com
melhorias”, como ele próprio declarou.
Vale
acentuar que o governador Carlos Brandão dá a largada no seu Governo num
contexto que lhe é favorável em todos os aspectos. Isso porque, ao contrário do
seu antecessor, Flávio Dino, que nos últimos quatro anos enfrentou a trágica
pandemia da Covid-19 e a obsessiva hostilidade política e administrativa do
presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu governo, Carlos Brandão vai encarar os
desafios em situação inversa. Conhece o mapa das dificuldades e dos recursos
que dispõe para enfrentá-las, e tem o domínio da máquina administrativa.
Reúne,
portanto, as condições para deslanchar pelos próximos 1.454 dias. E sem o
direito de errar.
PONTO & CONTRAPONTO
Rumores preveem para hoje desfecho sobre Mesa da Assembleia
Iracema Vale ou Othelino Neto? Desfecho pode sair hoje
Não será
surpresa se até o final da tarde desta sexta-feira, em meio às comemorações
pelo início do novo Governo, alguém autorizado anunciar o desfecho das articulações
para definir a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa.
Nos
bastidores, aliados da deputada eleita Iracema Vale (PSB) asseguram que a situação
está definida e que a parlamentar, que tem o apoio do governador Carlos Brandão,
será eleita presidente, com larga maioria de votos, no dia 1º de fevereiro. Por
seu turno, apoiadores do presidente Othelino Neto (PCdoB), sem exibir o entusiasmo
dos adversários, afirmavam ontem que até o início da noite não havia definição
e que chefe do Poder Legislativo mantinha sua candidatura.
Uma voz neutra
e bem informada disse à Coluna acreditar que a situação está definida em favor
da deputada eleita Iracema Vale. Mas com o presidente Othelino Neto saindo bem
do episódio.
Eduardo Braide e Paulo Victor fazem reunião sobre pauta
Paulo Victor e Eduardo Braide: conversa sem delongas
O prefeito
Eduardo Braide (PSD) se reuniu ontem com o novo vereador-presidente Paulo
Victor (PCdoB), para tratar da pauta a ser votada pela Câmara Municipal na
sessão extraordinária convocada para essa sexta-feira. Não foi uma conversa
tensa, mas também não foi marcada por rasgos de amabilidades. Não houve maiores
debates sobre a proposta orçamentária da Prefeitura para o ano já em curso, que
já deveria ter sido aprovada no final do ano passado. O ponto crítico é a
emenda à Lei Orgânica aumenta os percentuais de emendas parlamentares para os vereadores.
Tudo indica que uma crise foi evitada.
Foi o
primeiro teste no relacionamento do prefeito Eduardo Braide com o
vereador-presidente Paulo Victor, que tende a ter altos e baixos. E a
explicação está no fato de que ambos devem disputar a Prefeitura em 2024. O
prefeito trabalha com a perspectiva da reeleição, enquanto o presidente da Câmara
investe para chegar ao Palácio de la Ravardière.
Em Tempo:
Eduardo Braide e Paulo Victor não trataram da terceira matéria a ser discutida
e votadas hoje: a emenda-jabuti que inverte a regra que proíbe membro da Mesa
Diretora da Câmara Municipal a se licenciar para exercer funções executivas sem
perder o cargo – mudança fora da curva e que não encontra similar na Assembleia
Legislativa nem nas duas Casas do Congresso Nacional.
Vareador Paulo Victor no ato da posse como presidente da Câmara Municipal de São Luís
A Câmara Municipal de São Luís vai se reunir
extraordinariamente nesta sexta-feira (06/01) para votar Projeto de Lei Nº 0204/2022, que institui o Orçamento da Prefeitura da
Capital para o exercício de 2023, e duas emendas à Lei Orgânica municipal, a de
nº 0002/2022, destinada a aumentar o percentual das emendas parlamentares a que
os vereadores terão direito para o exercício financeiro de 2023, e a de Nº
0003/22, que “altera o § 3º do Artigo 63 da Lei Orgânica de São Luís,
permitindo a licença dos membros da Mesa Diretora da Casa, sem a necessidade de
nova eleição para o preenchimento da vacância”. O projeto da Lei Orçamentária
para este ano, que deveria ter sido votado no ano passado, está dentro das
regras, e deverá ser aprovado sem maiores problemas, como também o acréscimo do
percentual das emendas parlamentares. Já o Projeto de Emenda que altera regra
básica da concessão de licença aos vereadores de São Luís, se aprovado, poderá
ganhar o tom de uma mancha indelével na história da Câmara Municipal de São Luís.
O Artigo 63 da Lei Orgânica de São Luís reza
que não perderá o mandato o vereador que se licenciar para exercer funções
executivas, como de Ministro de Estado, Secretário de Estado, Secretário Municipal,
Governador de Território, Chefe de Missão Diplomática Temporária, Interventor ou
Administrador Municipal. Mas no Parágrafo 2º, Inciso 3º do mesmo Artigo 63 põe
limite implacável a essa regra, ao estabelecer que perderá o cargo que estiver
exercendo na Mesa Diretora o vereador que se licenciar para assumir cargo
executivo como os relacionados no enunciado do Artigo 63. O projeto de Emenda
visa exatamente fulminar o limite e instituir o “liberou geral” na Mesa da
Câmara Municipal de São Luís, ao permitir que seus membros, a começar pelo
presidente, possam se licenciar dos seus cargos para exercer cargos executivos.
Sob
qualquer ângulo, o Projeto de Emenda Nº 0003/22 propõe a adoção de uma anomalia
na Câmara Municipal de São Luís, algo que não faz sentido numa Casa parlamentar,
onde os membros da Mesa Diretora têm mandato de dois anos, sem o direito de
renová-lo na eleição seguinte. Membro de Mesa de Casa parlamentar exerce, a
rigor, função executiva, não sendo logicamente possível se licenciar para
assumir função também executiva em outro Poder. Essa regra anômala não existe,
por exemplo, na Assembleia Legislativa, uma vez que a Constituição do Maranhão,
no Capítulo dedicado à licença parlamentar, nem trata nem prevê algo parecido,
exatamente por falta de sentido. Tal anomalia também não existe nas regras de
licenciamento de deputados federais nem de senadores, conforme a Constituição
da República. Tanto na Assembleia Legislativa quanto nas duas Casas do
Congresso Nacional, a regra é clara: membro de Mesa Diretora que se licenciar
do mandato parlamentar para assumir cargo no Executivo perde o cargo na Mesa.
Não há concessão nem existe exceção prevista.
Imagine-se
o presidente da Assembleia Legislativa deputado Othelino Neto (PCdoB), ou qualquer
outro membro da Mesa Diretora do parlamento estadual, licenciar-se do mandato
parlamentar e do mandato de membro da Mesa para assumir uma secretaria de
Estado, podendo retornar ao cargo na Mesa a qualquer momento? Na mesma linha,
como seria possível o presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira
(PP-AL), ou o presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), licenciar-se
do mandato parlamentar e do cargo de presidente para ser ministro de Estado?
Ambos só podem se licenciar do cargo de presidente se for para substituir
eventualmente o presidente da República na ausência do vice-presidente, como
está definido na Constituição da República. Essa é uma proposta tão fora da
curva, que não encontra amparo em qualquer reflexão racional. A começar pelo
fato de que, fugindo à lógica e à racionalidade, o beneficiário dessa aberração
normativa estará exercendo três mandatos, o que, vale repetir, não faz sentido.
Nos
bastidores, corre que o Projeto de Emenda à Lei Orgânica de São Luís, de Nº 0003/22,
tem o patrocínio do novo presidente da Casa, vereador Paulo Victor (PCdoB), que
pretende se licenciar da presidência da Câmara Municipal para ser secretário de
Estado, conservando a condição de presidente da Câmara Municipal. Se assim for,
o novo presidente do parlamento municipal inicia com o pé esquerdo a sua
caminhada rumo à Prefeitura de São Luís.
PONTO & CONTRAPONTO
Pedro Lucas já é citado na base governista como opção a Prefeitura de São Luís
Pedro Lucas Fernandes: nome começa a circular como possível candidato a prefeito de São Luís
Além
do deputado estadual e federal eleito Duarte Jr. (PSB) e do agora presidente da
Câmaras Municipal, vereador Paulo Victor (PCdoB), ganha corpo nos bastidores da
grande aliança comandada pelo governador Carlos Brandão (PSB), a ideia de
lançar o deputado federal reeleito Pedro Lucas Fernandes (UB) candidato à Prefeitura
de São Luís. Reeleito entre os cinco mais votados no estado, o parlamentar é
visto com simpatia por integrantes graúdos, que enxergam nele estatura política
para disputar a Prefeitura de São Luís com chance de sucesso. Isso não quer
dizer que o Palácio dos Leões esteja atrás de um candidato para enfrentar com
êxito o prefeito Eduardo Braide (PSD).
Orçamento a ser votado prevê gastos de R$ 4,3 bilhões
Principal
item da pauta da sessão extraordinária da Câmara Municipal convocada para esta sexta-feira,
o Orçamento da Prefeitura de São Luís tem números que chamam a atenção. A
previsão orçamentária é de R$ 4,3 bilhões. Nesse bolo, R$ 3,1 bilhão virão das
chamadas “transferências correntes” – Fundo de Participação dos Municípios
(FPM), garantido pela União; as chamadas “receitas de capital” responderão por
R$ 70 bilhões, enquanto R$ 29,1 bilhões entrarão nos cofres do Município de São
Luís na forma de “operações de crédito”
Lula da Silva e Juscelino Filho fazem sinal positivo após presidente nomear deputado ministro das Comunicações; ao fundo, Flávio Dino, já nomeado ministro da Justiça
Qualquer
avaliação cuidadosa chegará à conclusão de que o ano político de 2022 no
Maranhão, que vinha sendo inteiramente dominado pelo protagonismo do senador
eleito Flávio Dino (PSB), escolhido para ocupar o importante e influente Ministério
da Justiça e Segurança Pública, e do governador Carlos Brandão (PSB), reeleito
no 1º turno e embalado pelo otimismo de fazer um bom Governo, sofreu uma leve alteração
com o desembarque, imprevisto e surpreendente, do deputado federal reeleito Juscelino
Filho (UB) no comando do importante Ministério das Comunicações. Mesmo levando
em conta o fato de que sua indicação foi partidária, não tendo absolutamente
nada a ver com a política do Maranhão, ninguém duvida de que condição de ministro
assumida pelo parlamentar reúne condições para aumentar expressivamente o seu
cacife político.
Diferentemente
do senador eleito Flávio Dino, que além das credenciais políticas e do preparo
técnico, chegou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública como um dos principais
apoiadores do presidente Lula da Silva desde a definição da sua candidatura,
não apenas no Maranhão, mas em todo o País, o deputado federal reeleito Juscelino
Filho não foi apoiador declarado do líder petista. Ao contrário do seu colega
de partido, deputado federal reeleito Pedro Lucas Fernandes (UB), que declarou
voto na trindade Lula/Brandão/Dino, Juscelino Filho fez uma campanha alinhada
ao candidato do PDT, senador Weverton Rocha, e às forças bolsdonaristas, alinhando-se
à candidatura do senador Roberto Rocha (PTB) à reeleição, e se mantendo
relativamente afastado da disputa presidencial.
Sua chegada
ao Ministério das Comunicações guarda uma certa controvérsia, pelo fato de que
Juscelino Filho não foi indicado para o cargo pela cúpula nacional do União
Brasil, mas pelas novas lideranças do partido na Câmara Federal, que garantiram
os votos da bancada do partido ao Governo Lula da Silva. Tanto que o comando
maior do partido avisou que o União Brasil vai continuar independente, sem
garantir apoio integral ao Governo do presidente Lula da Silva. Os
articuladores políticos do novo Governo estão convencidos de que o UB participará
da base de apoio do Governo Lula da Silva no Congresso Nacional, sendo esta
garantia de que Juscelino Filho continuará no cargo. Nos bastidores, porém,
corre a informação de que sua permanência como ministro está diretamente relacionada
com o comportamento da bancada do UB em relação ao Governo do PT.
Um dos mais bem-sucedidos
quadros da novíssima geração de políticos do Maranhão, o médico Juscelino Filho
carrega o DNA de uma da família Rezende, que durante décadas se bateu com a família
Bandeira pelo controle político de Vitorino Freire a adjacências. Iniciou sua
carreira ao se eleger deputado federal em 2014, reelegendo-se sucessivamente em
2018 e 2022, com votações crescentes. Ele agora é parte destacada de um grupo
de jovens políticos que caminham para dar as cartas no Maranhão: o vice-governador
Felipe Camarão (PT), o deputado federal reeleito André Fufuca (PP), o deputado
estadual e federal eleito Duarte Jr., o deputado federal reeleito Rubens Jr.
(PT), e o deputado estadual reeleito Othelino Neto (PCdoB), entre outros. O comando
do Ministério das Comunicações engorda expressivamente o seu cacife político,
que poderá aumentar exponencialmente se ele for bem-sucedido, mas poderá
emagrecê-lo perigosamente se a gestão mergulhar no fracasso.
Lembrando
que, mesmo não tendo chegado ao Ministério das Comunicações por fatores diretamente
relacionados com o hoje bem definido tabuleiro da política estadual, a condição
de ministro amplia significativamente o espaço do deputado federal Juscelino
Filho no epicentro da política maranhense. Não há como ser diferente, afinal,
um mandato federal reforçado por um ministério de peso é sinônimo de poder. Resta
saber se ele saberá usar essa fonte de poder e transformá-la em capital político
e eleitoral. Os dias que virão desenharão os cenários.
PONTO & CONTRAPONTO
Relação der Paulo Victor com Eduardo Braide poderá ser de confronto
Paulo Victor e Eduardo Braide: relacionamento será com foco nas urnas de 2024
Por mais
conciliador que venha a aparentar, não há, no meio político ludovicense,
qualquer dúvida de que a relação entre o novo presidente da Câmara de São Luís,
Paulo Victor (PCdoB), e o prefeito Eduardo Braide (PSD) será,
Tensa e
cheia de altos e baixos, se não de confronto aberto já nos próximos meses. E o
motivo é óbvio: assim como o prefeito Eduardo Braide é candidatíssimo à
reeleição, movimento que serás decisivo para próximos passos, o vereador-presidente
Paulo Victor sonha acordado com o Palácio de la Ravardière.
Há, porém,
uma diferença fundamental entre eles. O prefeito Eduardo Braide comanda a
poderosa máquina municipal, vem tendo bom desempenho e comanda agora um partido
sólido, onde não há sombras incômodas, podendo planejar sua campanha despreocupadamente.
O vereador Paulo Victor, por sua vez, não tem certeza se o PCdoB o quer como candidato
a prefeito, tanto que tem conversado com outros partidos – como o PP, por
exemplo –, para ser candidato sem sobressaltos. Não bastasse isso, o Palácio
dos Leões dificilmente esnobará a candidatura do deputado federal eleito Duarte
Jr. (PSB), que vem em campanha aberta desde disputou e perdeu a Prefeitura em
dois turnos com Eduardo Braide.
Ou seja, pelo
menos até aqui, a posição do prefeito de São Luís é bem mais confortável.
Montagem da equipe de Governo poderá levar mais tempo
Carlos Brandão: montagem da equipe sai em fevereiro
É intensa a movimentação
por espaço no Governo, que ganhando intensidade desde que o governador Carlos Brandão
confirmou sua decisão de só montar sua equipe depois da montagem do Governo do
presidente Lula da Silva e da posse do novo Congresso Nacional e da nova
Assembleia Legislativa. Como já foi revelado neste espaço, o governador quer
saber se alguns quadros que estão “soltos” serão aproveitados na máquina
federal, para que possa compor sua equipe. A presidente nacional do PT, Gleisi
Hoffmann, disse que a montagem do segundo escalão federal será “um pouco mais
demorada”, o que pode, de alguma maneira, retardar definições no Estado. O
governador Carlos Brandão, porém, tem dado sinais de quer correr, mas também
não quer perder tempo.
Flávio Dino fala na posse, ouvido pela cúpula do Judiciário e por Carlos Brandão (d)
Não há que
discutir que posses como as dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Camilo Santana
(Educação), Nísia Trindade (Saúde), Wellington Dias (Desenvolvimento Social),
por exemplo, foram atos de peso pela importância das pastas e da estatura dos
titulares na formação do Governo do presidente Lula da Silva (PT). Mas não há
como negar o fato de que, pelo menos até aqui, nenhum dos 37 membros do 1º
escalão do novo Governo da República assumiu com o prestígio institucional tão
expressivo como quanto o titular do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Flávio
Dino, cuja posse contou, por exemplo, com a presença da presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF), ministra Rose Weber, da presidente do Superior Tribunal
de Justiça (STJ), ministra Maria Thereza Moura, do presidente do Tribunal de
Contas da União, ministro Bruno Dantas, e do governador Carlos Brandão (PSB),
além de outros ministros, personalidades diversas, e uma grande caravana de
políticos e autoridades maranhenses.
Flávio Dino
desembarcou no Ministério da Justiça e Segurança Pública com um discurso
contundente em que pregou a paz e a unidade nacional, mas ao mesmo tempo avisando
que não haverá tolerância com criminosos, incluindo os que atentaram contra a
democracia. E deu os primeiros passos editando um pacote de medidas que devolverão
aos brasileiros o pleno estado de normalidade, sufocando as tensões que
ameaçavam conturbar a posse do presidente Lula da Silva e do seu Governo,
sociedade como um todo. Ao mesmo tempo em que suspendeu a política criminosa de
armamento da população civil, o novo ministro da Justiça avisou que vai
federalizar a investigação para elucidar de vez a fria e brutal execução da
vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), em 14/03/2018, que chocou o Brasil e
o mundo – o anúncio do ministro deve ter tirado o sono de alguns.
Embalado
pela experiência de magistrado federal, professor de Direito Constitucional,
deputado federal e governador de Estado, e com a autoridade política de senador
eleito pelo Maranhão, Flávio Dino assumiu a pasta que parece ter sido criada
especialmente para ele. Isso porque desde ontem o Brasil passou a contar com um
ministro da Justiça e Segurança Pública que dificilmente pecará por excesso e
jamais por omissão. Isso ficou claro nos dias que antecederam a posse, quando
coordenou a transição nessa área. O intenso e delicado trabalho que realizou nesse
período revelou com clareza que o senador eleito pelo Maranhão está preparado
para encarar os desafios que rondam a pasta, em especial os de natureza política
objetivando ferir de morte a democracia brasileira por meio do desmonte do seu
moderno e mundialmente respeitado sistema eleitoral.
De concreto,
o ministro Flávio Dino está desafiado a fazer com que os que atentaram contra a
democracia, a começar pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os que agiram
sob seu domínio, respondam pelos seus atos nos tribunais. Nesse rolo estão aqueles
que formaram grupos golpistas que se concentraram em frente a unidades
militares, bem como os que os fomentaram, financiaram e alimentaram acreditando
que as Forças Armadas, mesmo assanhadas por alguns oficiais golpistas, como os
generais de pijama que deram expediente no Palácio do Planalto, saíssem dos
seus limites constitucionais. Agora, desamparados com a fuga do ex-presidente
Jair Bolsonaro para Miami, esses grupos estão voltando para casa erroneamente movidos
pela crença de que seus ensaios golpistas ficarão impunes. Não ficarão. Os mais
graúdos tentarão se safar usando a fantasia de vítima. Não vai colar.
(Ocorrerá no
Brasil o que está ocorrendo nos EUA, onde os tribunais já mandaram para a
cadeia, com penas variáveis, algumas pesadas, mais de três dezenas de golpistas,
podendo esse número chegar a centenas, incluindo o chefe deles, o ex-presidente
Donald Trump).
Dentro das
regras, o ministro Flávio Dino planeja colocar em prática, o mais rapidamente
possível, uma política de segurança pública baseada na sintonia entre as polícias
federais e estaduais, agora sem facciosismo político. Devidamente engrenado, esse
sistema será acionado implacavelmente contra quadrilheiros do tráfico, dos assaltos
a banco, das milícias, da grilagem, do garimpo ilegal, dos exploradores do
consumidor, dos agressores da cidadania, dos sonegadores de impostos e dos
financiadores de golpe.
Flávio Dino
será um ministro da Justiça e Segurança Pública com os pés no chão, porque conhece
as regras e sabe que tem o apoio do presidente Lula da Silva.
PONTO & CONTRAPONTO
Ao contrário do que muitos pensam, Juscelino Filho está no comando de uma pasta poderosa
Juscelino Filho assume o Ministério das Comunicações
Não houve ambiente
de festa, até por conta da natureza essencialmente técnica da pasta, na posse
do deputado federal Juscelino Filho (União Brasil) no comando do Ministério das
Comunicações. Isso não quer dizer que o jovem médico maranhense tenha se
tornado um ministro sem peso e sem importância, muito ao contrário. Sob sua
esfera de controle estão gigantes como Rede Globo, SBT, Band, Claro, Oi, TIM, Instagran,
Facebook, Netflix, e por aí vai.
Traduzindo, Juscelino Filho, que foi a surpresa da equipe, vai comandar um sistema vital para a sociedade moderna, que começa pela telefonia associada à internet, que interliga milhões e milhões de brasileiros a cada segundo, permitindo a atuação de cada cidadão nos mais diferentes, da comunicação simples, como de um bom dia em texto ou em voz, às mais complexas operações do mercado de capitais, passando pela mais popular de todas, o PIX, por exemplo.
O ministro
Juscelino Filho tem a prerrogativa de manter, alterar e até de mudar a política
de inclusão digital, podendo facilitar ou dificultar, por exemplo, a expansão
da internet no sistema de ensino brasileiro, por meio da inclusão digital nas
escolas. Nesse exato momento, o Brasil
está implantando a internet 5G, processo no qual o Ministério das Comunicações
tem papel decisivo.
Para quem
não sabe, a pasta responde pelo controle do sistema nacional de rádio e TV, o
que, traduzindo grosso modo, representa a prerrogativa de conceder, renovar ou
suspender concessões de rádio e TV, incluindo as tradicionais e poderosas redes
de TV aberta, como a rede Globo, por exemplo, moderna e gigantesca rede de TV a
cabo. São milhares de emissoras AM e FM e milhares de rádios comunitárias,
formando uma formidável rede de comunicação capilarizada nos limites dos 8
milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro.
Em resumo,
Juscelino Filho está no comando de um ministério que, ao contrário do que
muitos pensam, é um centro indiscutível de poder, que pode aumentar o seu peso
político.
Em Brasília, Brandão reforçou relações e reabriu portas na Esplanada dos Ministérios
Carlos Brandão construiu pontes na Esplanada dos Ministérios
O governador
Carlos Brandão (PSB) passou dois dias em Brasília numa intensa maratona de contatos
com o novo Governo da República. Marcou presença efetiva na posse do presidente
Lula da Silva e foi distinguido na posse do senador eleito Flávio Dino no
Ministério das Justiça, ao lado da presidente do STF, ministra Rosa Weber, e do
STJ, ministra Maria Thereza Moura. No ato do Ministério da Justiça, o
governador do Maranhão foi tratado como uma espécie de anfitrião, dada sua
identificação com o ministro Flávio Dino.
O governador
do não perdeu um só minuto, tendo criado agenda com os mais diferentes
ministros, a começar pelo dono do cofre da República, Fernando Haddad, ministro
da Fazenda. Conversou com seu amigo e parceiro Wellington Dias, senador eleito
pelo Piauí, Wellington Dias, o agora poderoso ministro do Desenvolvimento
Social. Nessa linha, avistou-se com o ministro da Educação, Camilo Santana, com
a ministra da Saúde, Nísia Trindade, e com o ministro dos Transportes, Renan
Filho. Conversou também com Luciana Santos, ministra da Ciência e Tecnologia.
Carlos
Brandão esteve também com o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do da
Indústria, Comércio e Serviço, de quem é amigo desde quando militou no PSB,
partido pelo qual foi eleito duas vezes deputado federal.
O governador
do Maranhão mostrou que tem portas abertas na Esplanada dos Ministérios.
Carlos Brandão recebeu ontem a visita de José Sarney no Palácio dos Leões: bons conselhos
“Governarei pela união de todas as forças que querem o melhor para o Maranhão. Do menor ao mais alto cargo, vamos trabalhar juntos tendo o povo como o principal foco de nossa gestão”. Com essa mensagem, postada ontem na sua conta no Instagram, o governador Carlos Brandão (PSB) reafirmou, um dia antes da posse para o que será o seu Governo de fato, o discurso de campanha segundo o qual pretende governar num ambiente de unidade e estabilidade política. O post foi feito horas antes de ele receber um visitante ilustre no Palácio dos Leões, o ex-presidente da República José Sarney (MDB), com quem trocou impressões sobre os avanços do Maranhão e sobre a vitória do ex-presidente Lula da Silva (PT) na corrida presidencial. Como que indiferente às tensões que ainda mexem com o País, o governador exibe estado de ânimo que revela despreocupação em relação a terremotos que possam estar a caminho.
Carlos
Brandão tem bons motivos para exibir um ar de confiança e otimismo. Sua reeleição
em turno único, reforçada pela eleição do ex-governador Flávio Dino (PSB) para
o Senado e pela ampla e sólida maioria aliada na Assembleia Legislativa e com
bons reforços na Câmara Federal, ao que se soma à histórica volta do
ex-presidente Lula da Silva (PT), de quem é aliado, ao poder, lhe deu uma base
de apoio político excepcional, pouco vista na história recente do Maranhão. Não
bastasse isso, ele vai iniciar o seu próprio mandato no comando de um Governo ajustado,
que conhece a fundo e em pleno andamento, com programas importantes e
inovadores já implantados e consolidados, e com margem para ampliar o leque de
ações. Assim, ao contrário de governadores que assumirão dando saltos no escuro,
ele iniciará o mandato amanhã como se estivesse no comando do seu próprio veículo,
revisado e com tanque cheio.
Na sua pauta
encontrará também desafios nada desprezíveis. Por maiores que tenham sido os
avanços recentes, com investimentos maciços o campo social – Escola Digna, escola
em tempo integral, Iemas, restaurantes populares, nova rede de saúde, segurança
pública, entre outros, que precisam ser mantidos e ampliados -, o Maranhão é um
estado onde a desigualdade é ainda afrontosa, com milhares de cidadãos lutando
por uma oportunidade no processo de inclusão. O governador Carlos Brandão tem
consciência dessa realidade e tem dito que vai ataca-la com obstinação e
racionalidade nos próximos anos. Sabe que se não entrar para valer nessa
guerra, pode pagar preço político elevado daqui a quatro anos.
No seu caso,
o tamanho do desafio é relativamente minimizado pelo suporte político que detém.
Internamente, tem maioria segura na Assembleia Legislativa e caminha para ver
eleito na presidência do parlamento um nome da sua escolha, a deputada Iracema
Vale (PSB). No plano federal, além de dois dos três senadores, pode contar com pelo
menos 12 dos 18 deputados federais. Mas o ponto mais forte está na sua relação
com Lula da Silva, de quem foi parceiro importante na corrida eleitoral e que
estará no comando do País a partir de amanhã, e no prestígio do senador eleito
Flávio Dino, que assumirá o Ministério da Justiça, podendo também contar com o
suporte do deputado federal reeleito Juscelino Filho (União Brasil), que fará
um desembarque surpreendente no Ministério das Comunicações, podendo ainda ter
produtiva interlocução com a futura
ministra dos Povos Originários, Sônia Guajajara.
A visão do
governador reeleito sobre o Maranhão com seu potencial e desafios foi certamente
ampliada ontem, na conversa que manteve com o seu mais ilustre visitante do
dia, o ex-governador e ex-presidente da República José Sarney (MDB). Os dois
conversaram longamente “sobre os avanços do estado e também sobre a
consolidação da vitória do presidente Lula”. Já elevado à posição de sábio, José
Sarney deve ter-lhe dado bons conselhos, uma contribuição oportuna para reforçar
a confiança que vem mostrando nos resultados do seu próximo governo.
PONTO & CONTRAPONTO
Sarney retorna aos Leões 57 anos depois da sua posse como governador do Maranhão
José Sarney e Carlos Brandão conversam no Palácio dos Leões, onde o ex-presidente viveu muitos momentos históricos
A visita do ex-governador e ex-presidente da República José Sarney ao Palácio dos Leões, ontem, aconteceu um dia antes de completar 57 anos da sua entrada ali, em 1º de janeiro de 1966, aos 36 anos, como governador empossado, três meses depois de ter vencido nas urnas os candidatos Costa Rodrigues, apoiado pelo então governador Newton Bello, e Renato Archer, candidato do então senador Victorino Freire, até ali o maior cacique político do estado. José Sarney já havia trabalhado no Palácio dos Leões como chefe de Gabinete. Dali se afastou para ser deputado federal e só retornou após ser consagrado nas urnas no dia 3 de outubro de 1965. Quando ali chegou, o palácio abrigava a sede do Governo e a sede da Alfândega (Secretaria da Fazenda). Sem perda de tempo, fez ali uma ampla reforma, instalando a já chamada Secretaria da Fazenda no prédio em frente ao cais, e transformando o Palácio dos Leões no que ele é hoje. Além do período como governador, esteve ali muitas vezes. Como presidente da República, durante o Governo de Epitácio Cafeteira, Sarney usou o Palácio dos Leões para receber vários presidentes em visita ao Brasil: Virgílio Barco (Colômbia) e Juan Maria Sanguinetti (Uruguai), depois o então primeiro-ministro de Portugal Mário Soares e mais os então presidentes de Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe e o representante de Angola para a reunião que iniciaria o movimento que resultaria, décadas depois, na unificação da Língua Portuguesa. Na visita de ontem, José Sarney deve ter relembrado todos esses momentos.
Madeira mostra prestígio ao responder pela Comunicação
Sebastião Madeira substitui Ricardo Capelli na Secap
Quem ainda duvidava do poder de fogo do chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, como auxiliar de confiança do governador Carlos Brandão, recebeu ontem mais um dado para dissipar a dúvida. Explica-se: com a saída do jornalista Ricardo Capelli, que vai assumir o posto de secretário executivo do Ministério da Justiça, o chefe da Casa Civil foi formalmente escalado para responder pela Secretaria de Comunicação até segunda ordem. Isso significa que Sebastião Madeira comandará a Secap até fevereiro, quando o governador Carlos Brandão montará a equipe do seu próprio Governo.
Flávio Dino, Juscelino Filho e Sônia Guajajara no ministério de Lula da Silva
São três ministros maranhenses
na equipe do presidente eleito Lulas da Silva (PT): Flávio Dino (PSB), que será
ministro da Justiça e Segurança Público; Juscelino Filho (União Brasil), que dirigirá
a pasta das Comunicações, e Sônia Guajajara (PSOL), que comandará o Ministério
dos Povos Originários. Mas, com exceção de Flávio Dino, os outros não podem ser
considerados ministros do Maranhão, uma vez que as motivações das suas escolhas
nada têm a ver com o fato de serem eles maranhenses. Enquanto a escolha de Flávio
Dino foi pré-anunciada pelo então candidato a presidente Lula da Silva (PT)
durante um comício de campanha em São Luís, a inclusão de Juscelino Filho e de
Sônia Guajajara na relação dos ministros foi o resultado de articulações com
diferentes partidos políticos, num leque foi da direita à esquerda, para garantir
a governabilidade.
Flávio Dino saiu das urnas eleito
senador da República já sabendo que, se Lula da Silva fosse eleito para o seu
terceiro mandato presidencial, ele seria ministro da Justiça e Segurança
Pública, um cargo delicado e complexo, que jamais seria entregue a alguém que
não fosse da estrita confiança do presidente eleito. Foram levados em conta o
seu posicionamento político, a sua experiência ex-juiz federal, de um mandato
de deputado federal e dois mandatos consecutivos de Governador do Maranhão, além,
é claro, de ser membro destacado do PSB, o principal aliado do PT. Só havia
naquele momento, dúvida quanto ao formato e ao tamanho da pasta, que terá a
Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal no seu organograma. Segurança
Pública Ainda antes de deixar o Governo, em abril, para ser candidato a senador,
o então governador Flávio Dino trabalhou intensamente pela candidatura de Lula
da Silva no Maranhão e nas diversas regiões do País, em especial no Nordeste. O
então chefe do Governo do Maranhão intensificou seu trabalho pró-Lula da Silva
quando se desincompatibilizou para ser candidato ao Senado, e foi mais longe nesse
projeto histórico e audacioso, ao integrar o grupo de coordenadores da
campanha, que se tornou um desafio maior no 2º turno. Flávio Dino é um dos líderes
da campanha. Sua atuação política e partidária foi tão importante que ele foi o
segundo ministro a ser anunciado.
A chegada do deputado federal
reeleito Juscelino Filho, 38 anos, ao Ministério das Comunicações se deu por
outro caminho, que não passou pelo fato de ser ele um deputado maranhense. A
mola propulsora foi o viés partidário, numa articulação do senador amapaense
Davi Alcolumbre, um dos chefes nacionais do União Brasil. Para começar, nem
Juscelino Filho nem seu partido apoiaram a candidatura do ex-presidente Lula da
Silva no 1º e no 2º turno. Se não foi bolsonarista ostensivo e barulhento,
Juscelino Filho não foi também um lulista declarado ao longo das duas etapas da
disputa presidencial. Também ainda não está muito clara a motivação da escolha
de Juscelino Resende, uma vez que ele é um médico, não tendo, até onde se sabe,
afinidade com telefonia móvel e convencional, internet, tecnologia 5G, concessão
de rádio e de TV, entre outros itens de responsabilidade da pasta. Pelo acordo
firmado, o deputado Juscelino Filho e a bancada do União Brasil deixam de ser
adversários para serem aliados do Governo do presidente Lula da Silva no
Congresso Nacional.
A escolha de Sônia Guajajara,
48 anos e que no plano civil atende pelo nome de Sônia Bone de Souza Silva Santos,
para o Ministério dos Povos Originários não está em nenhum desses universos.
Originariamente, ela é líder de uma comunidade guajajara no Maranhão, a terra
indígena Araribóia, na região central do estado. Formada em Letras e em Enfermagem
e especializada em educação especial pela UEMA, e deputada federal eleita pelo
PSOL de São Paulo, Sônia Guajajara é conhecida nos foros internacionais como
uma voz que há muito vem se destacando na defesa dos interesses – terra, saúde,
educação, entre outros – dos mais diversos povos indígenas do Brasil, incluindo
os mais de 40 mil integrantes das sete “nações” existentes no Maranhão.
Claro está, portanto, que o
Governo do presidente Lula da Silva não terá “três ministros do Maranho”, mas
três ministros coincidentemente maranhenses.
PONTO & CONTRAPONTO
Correta a decisão de Brandão de manter Camarão na Educação
Carlos Brandão vai nomear Felipe Camarão para a Secretaria de Educação
Tão logo seja empossado como
vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT) será nomeado para o cargo de
secretário de Educação. Trata-se de uma decisão pragmática do governador Carlos
Brandão (PSB), por três aspectos básicos e lógicos. O primeiro é o fato de que
o governador quer a continuidade da política educacional implantada no Governo
Flávio Dino, vista por muitos como uma das mais arrojadas e bem-sucedidas do
País. E o segundo é o fato de ter sido o vice-governador eleito o responsável por
sua implantação e desenvolvimento dessa política.
O terceiro aspecto é lógica
pura: Felipe Camarão é um jovem dinâmico e preparado, não fazendo nenhum
sentido passar quatro anos como vice-governador, sem atividade formal, podendo
se transformar numa máquina incontrolável de ambição política.
Othelino e Ana Paula procuram acomodação familiar em Brasília
Othelino Neto e Ana Paula Lobato em busca de acomodação para a família em Brasília
O presidente da Assembleia Legislativa,
deputado Othelino Neto (PCdoB), foi a Brasília nesta semana em uma missão
particular: preparar a base para sua família se instalar nos próximos tempos na
Capital do País, onde permanecerá pelo tempo em que sua esposa, Ana Paula
Lobato (PSB) permanecer como senadora. Eles decidiram que seus dois filhos residirão
em Brasília. Há quem aposte de que o deputado Othelino também se transfira para
Brasília a partir de fevereiro, caso o projeto de se eleger novamente
presidente da Assembleia Legislativa não seja concretizado. Nesse caso, ele
poderá aceitar o cargo de secretário-chefe da Representação do Maranhão no
Distrito Federal.
A urna eletrônica foi o caminho seguro para o eleitorado fazer suas escolhas numa eleição limpa
2022 vai
entrar para a História como o ano em que as eleições quebraram muitos
paradigmas políticos no Maranhão, produzindo vencedores sólidos, barrando o
avanço de quem tinha certeza de que sairia vencedor mas calculou mal sua
trajetória, e trazendo à tona projetos de lideranças imprevisíveis e outras
trabalhadas para ganhar esse status. O fato é que as urnas desenharam um novo
mapa político do Maranhão, que tem no epicentro o senador eleito e futuro ministro
da Justiça Flávio Dino (PSB) como liderança maiúscula, indiscutível. Colocaram
também no topo do poder estadual, sem sombra para incomodá-lo, o governador
reeleito Carlos Brandão (PSB), que conquistou seu espaço com um pragmatismo
pouco visto em tempos recentes. No espaço dos ganhadores, o deputado Othelino
Neto (PCdoB) poderá não se eleger de novo presidente da Assembleia Legislativa,
mas seus ganhos políticos foram imensos. E abriram caminho largo para novos
quadros, sendo o vice-governador eleito Felipe Camarão (PT) o mais promissor
entre eles. Por outro lado, as urnas desmontaram o arrojado projeto de poder do
jovem e impetuoso senador Weverton Rocha (PDT), e catapultaram o ex-prefeito da
pequena São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSC) para o centro do mapa
político do estado. No conjunto de quem perdeu, o senador Roberto Rocha (PTB)
foi, certamente, o mais castigado pelas urnas. Nesse contexto, surgiram, no
cenário, lideranças não previstas como a deputada estadual eleita Iracema Vale
(PSB), que nem tomou posse e já está no centro das decisões com a provável eleição
para a presidência da Assembleia Legislativa. Seguem os políticos que, na visão
de Repórter Tempo, fecharam o ano como os vitoriosos e os perdedores na mais
diferenciada guerra pelo poder dos tempos recentes no Maranhão.
Quem ganhou
Flávio Dino
(PSB): Saiu das urnas como senador eleito e termina o ano como futuro ministro
da Justiça e Segurança Pública. Salvo o ex-presidente José Sarney, não há na
História recente do Maranhão um político com a sua estatura, que tenha construído,
sem a mão de um padrinho, uma liderança tão abrangente e tão sólida. O ano que
termina encerra um ciclo de oito anos em que comandou diretamente o Estado,
liderando uma aliança partidária que só foi quebrada com a saída do PDT, mas
que em nada afetou a base política cujo comando repassou agora ao governador Carlos
Brandão. Os mais de dois milhões de votos que recebeu para o Senado o colocaram
no topo da lista dos campeões de votos no Maranhão. E caminha para ser um dos
nomes mais destacados da equipe do presidente Lula da Silva.
Carlos
Brandão (PSB): As urnas o colocaram no patamar mais alto do prestígio político
ao reelege-lo em turno único. Desde abril, o discreto vice assumiu a titularidade
do Governo, e logo nos primeiros atos mostrou que tem personalidade política
forte, que sabe onde está pisando, que conhece o ofício que vai exercer na
cadeira principal do Palácio dos Leões. Com eleição incontestável, e sem uma
sombra que coloque em risco a estabilidade do grupo que lidera, chega ao topo
da carreira reeleito, e sem o desafio de se reeleger daqui a quatro anos. Fecha
o ano se preparando para comandar o seu próprio Governo, que começa no primeiro
dia de janeiro.
Felipe Camarão
(PT): Um dos quadros mais qualificados da sua geração, desembarcou na seara
política se lançando pré-candidato do PT a governador. Mudou o curso ao ganhar
a disputada vaga de candidato a vice na chapa da aliança PT/PSB. Eleito, chega
ao final de 2022 se preparando para assumir, certo de que será governador a
partir de abril de 2026, e nessa condição, candidato à reeleição, com chance
real de repetir o feito do atual chefe de Estado.
Othelino
Neto (PCdoB): Reeleito deputado estadual como o segundo mais votado, o
presidente da Assembleia Legislativa chega ao final de 2022 mergulhado numa
disputa em que tenta eleger-se para mais um mandato presidencial. A possibilidade
de não vencer essa queda-de-braço vem passando a falsa ideia de que, não conseguindo,
entrará para o time dos perdedores. Errado. Basta fazer contas e mensurar o
reforço político que ganha com sua esposa, a vice-prefeita de Pinheiro Ana
Paula Lobato (PSB), se tornando senadora da República na vaga do senador eleito
Flávio Dino.
Os deputados
reeleitos Roberto Costa (MDB), Arnaldo Melo (PP), Glaubert Cutrim (PDT), Ana do
Gás (PCdoB), Antônio Pereira (PSB), Rafael Leitoa (PSB), Ariston Gonçalo (PSB),
Daniella Jadão (PSB), Wellington do Curso (PSC), Andreia Rezende (PSB), Mical
Damasceno (PSD), Neto Evangelista (União Brasil), Paulo Neto (PSB), Ricardo
Rios (PSB), Rildo Amaral (PSD) e Yglésio Moises (PSB). E os deputados eleitos
Iracema Vale (PSB), Carlos Lula (PSB), Cláudia Coutinho (PDT), Abigail (PL),
Aluízio Santos (PL), Claudio Cunha (PL), Davi Brandão (PSB), Dra. Viviane
(PSB), Edna Silva (Patriotas), Eric Costa (PSD), Fabiana Vilar (PL), Fernando
Braide (PSC), Florêncio Neto (PSB, Francisco Nagib (PSB), Guilherme Paz
(Patriotas), Hemetério Weba (PSB), Janaína Ramos (Republicanos), Júlio Mendonça
(PCdoB), Júnior Cascaria (Podemos), Júnior Graça (PP), Juscelino Marreca
(Patriotas), Leandro Bello (Podemos), Osmar Filho (PDT), Ricardo Arruda (MDB), Rodrigo
Lago (PCdoB) e Solange Almeida (PL).
Os deputados
federais reeleitos Márcio Jerry (PCdoB), Josimar de Maranhãozinho (PL), Rubens
Jr. (PT), André Fufuca (PP), Marreca Filho (Patriota), Júnior Lourenço (PL),
Pedro Lucas Fernandes (UB), Juscelino Filho (UB), Josivaldo JP (PSD), Aluísio
Mendes (PSC), Cléber Verde (Republicanos) e Pastor Gil (PL). E os deputados
federais eleitos: Detinha (PL), Duarte Jr. (PSB), Amanda Gentil (Republicanos),
Roseana Sarney (MDB) e Fábio Macedo (Podemos).
Núcleo Duro
do Governo – Sebastião Madeira (Casa Civil), José Reinaldo (Programas
Especiais) e Luís Fernando Silva: com a ascensão de Carlos Brandão ao Governo
do Estado, os três secretários se tornaram os principais assessores e conselheiros
do governador. Sebastião Madeira com a experiência de dois mandatos de prefeito
de Imperatriz e quatro mandatos de deputado federal, é um político tarimbado e
que está em plena forma. José Reinaldo tem décadas de praia com passagem por
órgãos relevantes, incluindo a Sudene e o Ministério dos Transportes, tendo
sido deputado federal e alcançado o Governo do Estado com reeleição. Luís
Fernando Silva é técnico de excelência, foi secretário várias vezes e político com
dois mandatos de prefeito de São José de Ribamar. Sob a coordenação de Sebastião
Madeira, garantiram o funcionamento do Governo no afastamento do governador
Carlos Brandão, durante a pré-campanha. Foram chamados de ultrapassados pelo
senador Weverton Rocha e responderam com a vitória acachapante de Carlos Brandão.
Lahesio
Bonfim (PSC): ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, um pequeno município da
região sul do estado, o médico Lahesio Bonfim saiu derrotado nas eleições, mas
sua participação na disputa foi tão expressiva, que ele bateu o candidato do
PDT, Weverton Rocha, e chegou em segundo lugar. Não se elegeu, mas saiu das
urnas muitas vezes mais forte do que entrou.
Iracema Vale
(PSB): ex-prefeita de Urbanos Santos, onde fez uma gestão arrojada, ganhou projeção
regional. Candidata a deputada estadual, fez sua campanha associada à
candidatura do governador Carlos Brandão à reeleição, saiu das urnas como
campeã de votos para a Assembleia Legislativa, com mais de 100 mil votos. Antes
de ser diplomada foi lançada candidata à presidência da Assembleia Legislativa
com o apoio do governador Caros brandão, sendo apontada até aqui como franca
favorita.
Ivo Resende
(PSB): um dos quadros atuantes da novíssima geração de políticos maranhenses, o
prefeito de São Mateus saiu de uma posição discreta para o epicentro do
tabuleiro político estadual ao se eleger, por aclamação, presidente da
Federação dos Municípios do Maranhão (Famem).
Quem perdeu
Roberto
Rocha (PTB): No próximo dia 31 de fevereiro, o senador Roberto Rocha, terá
encerrado, de maneira inclemente, um ciclo trágico da sua trajetória política.
Sairá sem mandato, sem aliados no poder e sem perspectiva a curto prazo. Seus
oito anos no Senado foram politicamente espantosos: em pouco tempo rompeu com o
grupo de centro-esquerda que o elegeu, permaneceu algum tempo numa zona cinzenta,
e em seguida se converteu ao bolsonarismo, tornando-se um dos seus mais ardorosos
propagadores. Empolgado, avaliou que podia medir forças com Flávio Dino na disputa
para o Governo. Foi massacrado. Em vez de repensar, mergulhou ainda mais na
militância bolsonarista, e de novo achou que poderia peitar Flávio Dino na disputa
para o Senado. Foi de novo trucidado. A partir de fevereiro, seu único vínculo
com a política será sua filiação do PTB, um partido que já teve dignidade, mas
que hoje representa a direita raivosa e sem futuro. Fecha 2022 como o maior
perdedor da política maranhense.
Weverton
Rocha: Poucos políticos tombaram tão feio quanto o senador e presidente do PDT
no Maranhão. O ambicioso e arrojado projeto de poder que concebeu
minuciosamente a partir da sua eleição de senador em 2018 para chegar ao
Palácio dos Leões em 2022 revelou-se um equívoco monumental. Tentou impor sua
candidatura à aliança liderada pelo então governador Flávio Dino, que optou
pela candidatura do vice Carlos Brandão. Inconformado, avaliou que tinha cacife
para uma carreira solo, rompendo com o grupo. Foi para o confronto, aliou-se ao
bolsonarismo, apoiou Roberto Rocha para o Senado e acabou impiedosamente surrado
pelas urnas. Fecha o ano apostando que vai se recompor nas asas do Governo Lula
da Silva. Tem chance de se realinhar.
Edivaldo
Holanda Jr. (sem partido): O ex-prefeito de São Luís chega ao final de 2022 vitimado
por um inexplicável erro de avaliação. Diante das evidências de que não teria a
menor chance de sucesso, se lançou na corrida ao Palácio dos Leões com dois objetivos:
ser governador na base do “vai que cola” e fazer pré-campanha para a Prefeitura
da Capital em 2024. Não passou bem perto dos Leões e descobriu que suas chances
numa disputa com o prefeito Eduardo Braide (PSD) e com o deputado federal
Duarte Jr. (PSB) são quase inexistentes. Perdeu boa chance de ser deputado
federal e ficou sem rumo.
Deputados
estaduais que não se reelegeram: Adriano Sarney (PV), Marco Aurélio (PSB), Helena
Duailibe (PSD), Zé Inácio (PT), Pastor Cavalcante (PTB), Wendell Lages (PV), Socorro
Waquim (PP), Vinícius Louro (PL), Pará Figueiredo (PL), Fábio Braga
(Solidariedade), Edivaldo Holanda (PSD), Edson Araújo (PSB), Thaíza Hortegal
(PDT), Leonardo Sá (PP), Ciro Neto (PDT), César Pires (PSD), Betel Gomes (MDB)
e Adelmo Soares (PCdoB).
Os deputados
federais que não se reelegeram: Gil Cutrim (Republicanos), Edilázio Jr. (PSD), Hildo
Rocha (MDB), João Marcelo (MDB), Bira do Pindaré (PSB) e Zé Carlos (PT).
Lobão Filho
(MDB): Há quem diga que ele se lançou, mas não se esforçou. Há também quem diga
que ele não soube usar o capital político do pai, o ex-senador Edison Lobão
(MDB). E há finalmente os que avaliam que política não é sua praia. O fato é
que o ex-suplente de senador, que exerceu o mandato por bom tempo, amargou um
tremendo fracasso nas urnas na tentativa de se eleger deputado federal. Não
chegou a 15 mil votos, quando a expectativa era a de que saísse das urnas com
pelo menos 100 mil votos.
Erlânio
Xavier (PDT): até julho se movimentando como o todo-poderoso prefeito de
Igarapé Grande, presidente da Famem, secretário geral do PDT e homem-forte da
campanha do senador Weverton Rocha, Erlânio Xavier viu seu mundo se desmanchar
no dia 1º com a humilhante derrota sofrida pelo seu candidato. Tentou minimizar
o naufrágio fazendo campanha para o presidente Jair Bolsonaro no 2º torno, mas
afundou ainda mais. Fecha o ano apenas como prefeito de Igarapé Grande, onde
enfrenta problemas.
Roseana
Sarney (MDB): O fato de ter sido eleita deputada federal lhe deu uma vitória
eleitoral, isso ninguém discute. Mas ao se avaliar o contexto dessa eleição, a
conclusão é óbvia: a política Roseana Sarney não é nem de longe a líder política
eleitoralmente poderosa que governou o Maranhão por quase 14 anos. Quando se
candidatou, a avaliação que fazia era ade que sairia das urnas com pelo menos
250 mil votos, atuando como “puxadora” de outros candidatos do partido, como os
dois que não se reelegeram. O MDB esperava pelo menos três maranhenses, mas ela
chegará sozinha.
Simplício
Araújo (Solidariedade): Candidato a governador, quando poderia ter disputado a
Câmara Federal, o ex-secretário de Indústria, Comércio e Energia atuou como um
político pouco inteligente e muito ingênuo. Poderia ter se mantido alinhado ao
grupo, mas preferiu insistir no erro e termina o ano praticamente varrido da
política.
O bolsonarismo
fracassou no Maranhão. Seus candidatos foram, em larga maioria, esnobados
ostensivamente pelo eleitorado. Vários dos que sobreviveram estão a caminho de
se reposicionar no cenário estadual.
PONTO & CONTRAPONTO
Vitória
A volta
improvável, mas espetacular do ex-presidente Lula da Silva (PT) à presidência
da República depois de vitimado por um processo fraudalento, que lhe impôs uma
prisão injusta de 580 dias. A vitória se deu com uma campanha limpa, sem os
bilhões dos cofres públicos e com um discurso franco, sem mentiras. Na corrida às
urnas, os maranhenses lhe deram mais uma vez votações superlativas nos dois
turnos.
Derrota
A derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL) aconteceu, mesmo tendo usado o aparelho de Estado e a insana máquina de produção de mentiras e da pregação ostensiva do ódio, transformando cidadãos ingênuos em massa de manobra. Ele conseguiu dividir o País, mas foi mandado embora, correndo o sério risco de parar na cadeia tão logo retorne das suas férias em Miami, paraíso onde se refugiam muitos malandros brasileiros.