Dados garimpados por jornalistas mostram perfil, desempenho e custos de campanha da nova bancada federal

Bancada federal por grupo partidário:
MDB: Iracema Vale, Larissa DP, Hildo
Rocha, Júnior Lourenço e Vinícius Ferro;
PL: Fabiana Vilar, Aldir Jr., Mariana
Carvalho e Dr. Orlando; União: Pedro
Lucas Fernandes e Josivaldo JP; PCdoB:
Márcio Jerry; PT: Rubens Jr.; PSDB:
Juscelino Filho; PDT: Erlânio Xavier;
Republicanos: Aluísio Mendes; PRD:
Marreca Filho, e PP: Amanda Gentil.

Os 18 deputados federais eleitos no dia 5 de outubro são (quase todos) personalidades bem conhecidas do tabuleiro político maranhense, e a julgar pelas suas votações, estão cacifados para o exercício do mandato, que se iniciará no dia 1º de fevereiro do ano que vem. Por ordem de votação, Pedro Lucas Fernandes (União – 188.853 votos), Iracema Vale (MDB – 179.351), Vinícius Ferro (MDB – 166.880), Fabiana Vilar (PL – 160.361), Aldir Jr. (PL – 141.764), Amanda Gentil (PP – 137.642), Larissa DP (MDB – 137.136), Erlânio Xavier (PDT – 127.715), Juscelino Filho (PSDB – 124.794), Hildo Rocha  (MDB – 115.172) Mariana Carvalho (PL – 113.228), Júnior Lourenço (MDB – 107.410), Marreca Filho (PRD – 99.698), Rubens Jr. (PT – 92.916), Josivaldo JP (União -87.663), Aluísio Mendes (Republicanos – 83.152), Dr. Orlando (PL – 82.827) e Márcio Jerry (PCdoB – 54.953) saíram das urnas com um total de 2.191.323 votos, uma representatividade considerável.

Afinal, como eles se elegeram? Quais recursos utilizaram para atrair votações tão expressivas? Quanto recurso gastaram durante a campanha? Onde obtiveram votações mais expressivas? Qual a origem e a trajetória política de cada um? Quem foi prefeito, vereador, deputado estadual ou ocupou cargo público antes de encarar as urnas em 2026? Todas essas, e muitas outras, perguntas estão respondidas num cuidadoso e amplo levantamento realizado pelos jornalistas Roberta Gomes e Itevaldo Júnior com base em informações garimpadas nos bancos de dados da Justiça Eleitoral.

O documento produzido pelos dois experientes e competentes jornalistas mostra, por exemplo, que Pedro Lucas Fernandes foi o mais votado, com 188.853 votos, enquanto a tocantina Mariana Carvalho obteve 37,5% dos seus 113.228 votos em Imperatriz, o que lhe dá a posição de voto mais concentrado, assim como Amanda Gentil foi de longe a mais votada em Caxias. No caso de São Luís, a surpresa foi Vinícius Ferro, ex-secretário de Planejamento do Governo Brandão, ter sido campeão de votos na Capital, à frente de Pedro Lucas Fernandes, que tem a cidade como base, e de Aldir Jr., que é vereador.

Outro dado mostra que as cinco mulheres eleitas para a Câmara Federal – Iracema Vale, Fabiana Vilar, Amanda Gentil, Larissa DP e Mariana Carvalho totalizaram, juntas, 727.718 votos, o que lhe dá uma média de 145 mil votos, expressivamente superior à média de votos dos homens. O levantamento mostra também que seis dos 18 deputados federais eleitos já ocuparam cargos na máquina pública, como Hildo Rocha, por exemplo, que foi secretário estadual de Cidades, de Assuntos Políticos e de Articulação com Municípios em governos de Roseana Sarney (MDB), assim como Fabiana Vilar, que foi secretária de Agricultura no Governo Flavio Dino.

Uma das páginas mais interessantes do levantamento é a que mostra o valor do patrimônio de cada um dos integrantes da bancada do Maranhão na Câmara Federal. Erlânio Xavier, que foi prefeito de Igarapé Grande, aparece como o mais rico da bancada eleita, com um patrimônio declarado de R$ 9,6 milhões. Outro cacife patrimonial que chama a atenção é o de Aluísio Mendes, que é policial federal de carreira, com passagem pela Secretaria de Segurança Pública num dos governos Roseana Sarney, e que declarou bens no valor de R$ 7,4 milhões. No contraponto, a deputada Iracema Vale, que preside a Assembleia Legislativa, declarou patrimônio R$ 1,3 milhão, enquanto o campeão de votos Pedro Lucas Fernandes possui patrimônio no modesto valor de R$ 213 mil.

Dos 18 deputados federais eleitos, 12 nasceram no Maranhão, enquanto seis têm origem em outros estados e foram “adotados” pela generosidade maranhense. Aluísio Mendes, por exemplo, é mineiro de Belo Horizonte, Fabiana Vilar e Aldir Jr. são do Ceará, ela de Várzea Alegre e ele de Parambu, Josivaldo JP é paraense de Jacundá, Erlânio Xavier é pernambucano de Bodocó, e Larissa DP é piauiense de Teresina.

E outra informação preciosa levantada pela oportuna garimpagem jornalística que lastreia o levantamento “A nova bancadas federal”: Amanda Gentil aparece em cinco das oito listas de maiores gastos de campanha. Somados, Hildo Rocha, Iracema Vale, Juscelino Filho e Aluísio Mendes foram os que mais gastaram com frete de aeronaves durante a campanha. Mariana Carvalho foi a candidata que mais gastou com o impulsionamento da sua campanha nas redes sociais. Pedro Lucas Fernandes foi quem mais gastou com advogados, enquanto Amanda Gentil foi campeã em gastos com combustíveis.

Muitas outras informações foram selecionadas e estão devidamente alinhavadas no oportuno e jornalisticamente correto documento garimpado pelos competentes Roberta Gomes e Itevaldo Jr., que deve ser leitura saudável de quem se interessa pela política maranhense.

PONTO & CONTRAPONTO

PEC da Segurança chega como base para o combate ao crime organizado

Os senadores Ana Paula Lobato, Eliziane
Gama e Weverton Rocha votaram
ela aprovação da PEC da Segurança

A aprovação, ontem, da PEC da Segurança Pública no senado, por unanimidade, abre, finalmente, uma ampla avenida de possibilidades de combate, principalmente, ao crime organizado, que vem estendendo os seus tentáculos aos municípios mais remotos do País. A PEC cria o Sistema Único de Segurança, o “SUS” do combate ao crime. E dela sairá o Ministério da Segurança Pública.

A emenda inclui na Constituição os instrumentos necessários para que a União finalmente assuma o controle desse combate promovendo a integração com governos estaduais e prefeituras. Essa integração permitirá que os três entes da federação definam políticas comuns de ação contra o crime organizado.

Durante a campanha eleitoral, a segurança pública, em especial a capilarização de facções como o Comando Vermelho, que têm base o Rio de janeiro e em São Paulo, e decidiram se ramificar para os estados e para os municípios. Hoje, já se fala na presença dessas facções em bairros de São Luís, Imperatriz e em Codó, controlando o comércio de drogas e o fornecimento de água mineral e até TV a cabo.

Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) tentou de todas as maneiras culpar o presidente Lula da Silva (PT) pelo problema da segurança pública. Só que o presidente rebateu os ataques com o argumento fatal: pela atual Constituição, a União não é responsável pelo combate ao crime organizado, uma tarefa que caber aos estados. Lula da Silva foi além lembrando que vem tentando há anos resolver esse problema com a PEC da Segurança.

O eleitorado consciente entendeu, lhe deu a reeleição e o Senado compreendeu que não poderia mais postergar a aprovação da PEC da Segurança Pública, como pediu o chefe do Governo reeleito.

Em Tempo: os três senadores maranhenses – Eliziane Gama (PT), Ana Paula Lobato (PSB) e Weverton Rocha (PDT) – votaram a favor da PEC da Segurança.

Vereadores de oposição interna fazem duros ataques ao presidente Paulo Victor

Aldir Jr. disparou chumbo grosso
contra o presidente Paulo Victor

Tornam-se mais fortes a cada diz as críticas ao desempenho administrativo do presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor (PSB), que resvalam também nas suas relações políticas, como esforço gigantesco que fez para eleger o controverso e investigado vereador Beto Castro (Avante) para sucedê-lo.

Depois do vereador e deputado estadual eleito Douglas Pinto (PSD), que pediu a sua renúncia ou a cassação do seu mandato presidencial por uma séria de supostos desmandos, entre eles o desconto da parcela previdenciária de salário de servidores e não repassadas ao INSS para efeito de aposentadoria.

Agora, o vereador e deputado federal eleito Aldir Jr. (PL) dispara chumbo grosso contra o presidente da Câmara acusando-o de “subtrair” salários de servidores da Casa. Na terça-feira, o vereador Aldir Jr. disparou contra o vereador Paulo Victor na tribuna da Câmara Municipal, lamentando que ele não estivesse presente para ouvir a sua denúncia.

No comando da Casa há quase seis anos, o vereador Paulo Victor teve ali períodos de alta e baixa. Alinhado ao Palácio dos Leões, comandou forte oposição em então prefeito Eduardo Braide (PSD), que resistiu aos ataques. Por conta dos problemas de gestão e do projeto de eleger Beto Castro, Paulo Victor, por sua vez, mergulho numa trajetória de declínio, enfrentando agora ataques diretos e duros dos que fizeram oposição ao seu projeto sucessório, como Douglas Pinto e Aldir Jr..

Há quem diga que vem muito mais por aí.

São Luís, 04 de Novembro de 2026.

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