Governistas ignoram investidas da oposição e deixam Brandão sem defesa na Alema

Carlos Brandão sofre ataques da
oposição e sua base não reage

O deputado Carlos Lula (PSB) vem fazendo uma série de denúncias e cobranças envolvendo a área de Saúde do Governo do Estado, disparando duras críticas ao governador Carlos Brandão (MDB), por ele apontado como responsável pelo que definiu na quarta-feira (21) como o “colapso do Hospital da Ilha”, e ontem afirmando que o Hospital do Câncer teria suspendido o serviço de quimioterapia. Também ontem, o deputado Júlio Mendonça (PSB) disparou chumbo contra o governador, que na sua avaliação está permitindo o “desmonte” dos serviços essenciais prestados pelo Governo do Estado. Recentemente, o deputado Catulé Júnior (PL) reclamou enfaticamente da suspensão das obras de construção da Avenida Pirajá, em Caxias.

O ponto comum nos discursos inflamados desses parlamentares foi que cada um deles, ao seu modo, sugeriu que o governador Carlos Brandão renuncie ao mandato, caso não esteja mais disposto a governar a dois meses do término do seu mandato. Na mesma cena em que sofre duras investidas de ex-aliados que viraram severos adversários, é visível que aliados seus não estejam saindo em sua defesa, dando a impressão de que a sua base de apoio, que chegou a reunir 30 dos 42 deputados, está se desfazendo antes da hora.

Antes das eleições, integrantes da poderosa bancada governista, liderada pelo deputado Neto Evangelista (MDB), estavam sempre a postos, prontos para rebater, “na lata” e com argumentos prontamente fornecidos pelo Governo, todas as investidas da Oposição, em especial dos deputados do PSB, Carlos Lula, Othelino Neto, Rodrigo Lago e Júlio Mendonça, que não se reelegeram, e Leandro Bello, o único socialista que sobreviveu nas urnas, todos do chamado Grupo Dinista. Agora, quase nenhum parlamentar com ligação estreita com o Palácio dos Leões, a começar pelo líder governista, aparece para sair em defesa do Governo em geral e do governador Carlos Brandão em particular.

É um fato político previsível, e para muitos “natural”, que as forças de sustentação do Governo se dispersem após o pronunciamento das urnas. Parte dos não reeleitos mergulha na frustração, e via de regra acaba vendo o Governo, que lhes deu muito, como o responsável pelo seu fracasso nas urnas. Um expressivo número de deputados que apoiavam entusiasticamente o governador Carlos Brandão foi reduzido depois do dia 4 de outubro,

No caso do atual Governo, o desmonte da base parlamentar se dá com mais rapidez numa relação de causa e efeito provocada pela derrota dos seus candidatos majoritários – Orleans Brandão (MDB) para o Governo, e Roseana Sarney (MDB) e Weverton Rocha (PDT) para o Senado. E o que chama mais a atenção na ausência de defesa do Governo na Assembleia Legislativa é que o partido do governador Carlos Brandão, o MDB, elegeu nada menos que 17 deputados, com algumas reeleições, ou seja, uma bancada com poder de fogo para definir os rumos da próxima Assembleia Legislativa. Só que, a julgar pelos movimentos dos seus nomes mais destacados, essa representação não parece preocupada com o fechamento do atual Governo, mas sim com o tipo de relação que terá com o futuro Governo, liderado pelo governador Eduardo Braide (PSD).

O diferencial dessa situação é que o governador Carlos Brandão, mesmo carregando o peso de uma dura derrota política, se mantém de pé, atuando intensamente para impedir a desaceleração do seu Governo, ora inaugurando obras, ora acompanhando a evolução de projetos em implantação, como a extensão da Avenida Litorânea em São Luís, a joia maior do seu portfólio de obras. Numa atuação solitária, ele próprio vem fazendo a publicidade das ações do Governo. Os ganhos dessa estratégia, porém, não reverberam no plenário de uma Assembleia Legislativa onde a maioria das gavetas estão sendo limpadas e o ânimo para o embate está indo junto.

E nada custa lembrar que o que vale ali é a versão parlamentar do “bateu, levou”, onde está prevalecendo apenas o “bateu”.

PONTO & CONTRAPONTO

Eventos de campanha em São Luís assanharam as forças lulistas e bolsonaristas

Multidão de apoio a Lula da Silva no
Centro de São Luís; “blocão” de
apoio a Flávio Bolsonaro na Beira-Mar

A pesquisa Datafolha de ontem, apontando uma divisão rigorosa do eleitorado brasileiro em duas bandas iguais entre o presidente Lula da Silva (PT), candidato a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PSD), assanhou as forças aos os apoiam no Maranhão.

Os partidários do presidente Lula da Silva causam a impressão de que se dispersaram depois do gigantesco ato de apoio ao líder petista na terça-feira (20), no Centro de São Luís, comandado pelo vice-governador Felipe Camarão (PT), pela senadora Eliziane Gama(PT) e pelos deputados federais reeleitos Rubens Júnior (PT) e Márcio Jerry (PCdoB), e que contou com a presença do governador Carlos Brandão (MDB) e do senador eleito André Fufuca (PP). Foi uma das maiores manifestações organizadas em torno do presidente Lula da Silva durante a campanha em todo o País.

Mas tiveram o sinal de alerta vermelho aceso na noite do dia seguinte, quarta-feira (21), quando partidários de Flávio Bolsonaro (PL) deram o troco com uma manifestação também gigante, na Avenida Beira-Mar, sem a presença do candidato bolsonarista e embalada pelo seu porta-voz, deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e capitaneado pela deputada federal eleita Mariana Carvalho com o apoio declarado e presencial de aliados maranhenses como o senador eleito Lahesio Bonfim (Novo) e os deputados federais reeleitos Pedro Lucas Fernandes (União), Aluísio Mendes (Republicanos).

A jugar pelos números do 1º turno, que deram vitória larga e acachapante ao presidente Lula da Silva, que teve mais que o dobro dos votos do candidato Flávio Bolsonaro, é lógico prever que o líder petista saia dar urnas de domingo com mais uma vitória maiúscula sobre o seu adversário no Maranhão.

A expectativa agora é, com a mobilização visível dos partidários do candidato bolsonarista, a vantagem do presidente se manterá no mesmo patamar.

Não pesem razão que o vice-governador Felipe Camarão está em campo desde quarta-feira, trabalhando para reforçar o cacife do presidente.

Violência política orientada contra petistas em Barra do Corda não pode ficar impune

James Mota foi afastado por Rigo Teles

Não será minimamente aceitável se o desfecho do que aconteceu às vésperas das eleições em Barra do Corda seja apenas o afastamento do secretário municipal de Segurança Pública, Antônio James Mota da Silva, suspeito de orientar, em mensagem de áudio clara e explícita, que seus comandados – agentes da Guarda Municipal ou jagunços contratados – atacassem petistas com violência física e moral, caso esses atuassem nas proximidades das sessões de votação.

No áudio a ele atribuído, e não negado, o secretário simplesmente manda sua tropa partir “para cima” de petistas, usando o pior e mais criminoso dos argumentos políticos: “Quem é petista é inimigo da polícia, é inimigo da sociedade”. E arremata sugerindo o terror: “O primeiro que nós prender na cidade ou no povoado, sai a história e eles vão ficar com medo”.

Diante da denúncia feita pelo vice-governador Felipe Camarão (PT), e com a viralização da peça nas redes sociais e nos meios de comunicação em geral, ganhando inclusive repercussão nacional, o prefeito de Barra do Corda, Rigo Teles (PL), afastou temporariamente o secretário James Mota, com a promessa vaga de passar tudo a limpo, como se tudo estivesse resolvido.

Não está. Por mais que se possa argumentar de que a barbárie policial num dia de eleição, a ação do secretário James Mota, que é policial militar, foi uma orientação política, nitidamente partidária, exatamente por delegar aos seus comandados o poder de atacar militantes petistas. O secretário pode ter cometido o crime de abuso de poder e uso da força com motivação nitidamente partidária.

O “bora pra cima deles” deixou claro que entre “eles” não havia membros do PL, do MDB, do Republicanos, do PCdoB ou qualquer outro partido. O alvo exclusivo da violência seriam petistas, e ponto.

É difícil supor que o secretário de Segurança de Barra do Corda tenha tomado a decisão de usar a violência política contra petistas por conta própria. Não faz nenhum sentido numa cidade de porte médio e cujo prefeito, Rigo Teles, controla a máquina com mão de ferro, um auxiliar seu tome uma decisão dessa natureza sem chancela superior.

Difícil imaginar também que Rigo Teles tenha dado esse tipo de orientação ao secretário. Mas, se não partiu dele a “estratégia” que balizou o secretário de Segurança a orientar seus comandados nessa linha de violência política, de quem partir tal ordem? Será que o caso vai ficar no plano do “isso foi coisa” do próprio secretário?

O chefe da Segurança Pública de Barra do Corda está afastado até depois do 2º turno da eleição presidencial. O que vier a acontecer a partir de segunda-feira (26) revelará quem tem culpa nesse cartório cordense.

São Luís, 23 de Outubro de 2026.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *