Senadores eleitos divididos no 2º turno: Fufuca apoia Lula e Lahesio vai com Bolsonaro

André Fufuca com Lula da Silva e após confirmar
o voto em Timon, com Rafael Brito, também
lulista; e Lahesio Bonfim com Flávio Bolsonaro
e com prefeitos bolsonaristas do Sul

Uma guerra pelo voto no 2º turno da eleição presidencial foi deflagrada esta semana no Maranhão, estando de um lado o senador eleito André Fufuca (PP), que trabalha pela reeleição do presidente Lula da Silva (PT), e do outro o senador eleito Lahesio Bonfim (Novo), que decidiu apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). André Fufuca e Lahesio Bonfim foram eleitos em aliança com o governador eleito Eduardo Braide (PSD), que tende a ficar neutro nessa disputa. Os dois senadores eleitos são de partidos distintos, mas disputaram votos – havia duas vagas para o Senado -, e pelo que ficou claro, atravessaram a campanha eleitoral em harmonia, e até onde é sabido, se não são próximos, se relacionam civilizadamente no plano pessoal. 

O deputado federal André Fufuca em nenhum momento deixou em dúvida o seu apoio à candidatura do presidente Lula da Silva à reeleição. Mesmo com o seu partido, o PP, formalmente posicionado por Flávio Bolsonaro, o atual deputado federal não abre mão de manifestar sua gratidão ao chefe da Nação pelo fato de tê-lo nomeado ministro do Esporte e ter apoiado a sua gestão, fazendo inclusive reconhecimento público pelo seu desempenho à frente da pasta. A condição de m ministro do Esporte foi decisiva para que capilarizasse a o seu projeto político por meio de um amplo programa de obras em todo o Maranhão, voltado o principalmente para a juventude

Na sexta-feira à noite, André Fufuca expressou sua posição em relação à corrida ao Planalto no 2º turno. E o fez em comício, em Timon – terceiro maior colégio eleitoral do Maranhão, onde obteve mais de 58 mil votos -, diante de uma multidão, tendo ao lado o prefeito Rafael Brito (MDB), que apoiou o seu projeto senatorial. Disse ele, em tom decidido e enfático:

“O homem tem que honrar as calças que veste. Muita gente me pergunta em quem o Fufuca vai votar no segundo turno. Meus amigos, eu peguei um ministério que tinha quinhentas obras paradas. O ministro que veio antes de mim fez 28. Eu entreguei mil e quinhentas obras nesse país, nos 27 estados. Eu fui ministro de uma pessoa, de um presidente nordestino, do interior, trabalhador, lutador, guerreiro. E quando me perguntam: Fufuca, tu votas em quem? Eu voto em quem votei no primeiro turno. Eu voto em quem me colocou para ser ministro. Eu digo que o meu voto no segundo turno é no presidente Lula. Eu tenho gratidão. Eu sou correto, eu sou leal”.

Sem passar a impressão de que se trata de uma guerra entre eles, o senador eleito Lahesio Bonfim tomou à frente da campanha de Flávio Bolsonaro no Maranhão. Primeiro foi a Brasília, onde se encontrou com o candidato bolsonarista, a quem declarou apoio e jurou lealdade. Aproveitou para firmar sua posição no bolsonarismo – que o rejeitou por muito tempo -, fazendo uma mise-en-scène desnecessária e politicamente sem nexo em relação ao ministro Flávio Dino, do STF, para agradar a cúpula do bolsonarismo.

De volta ao Maranhão, na sexta-feira, Lahesio Bonfim almoçou com o governador eleito Eduardo Braide (PSD) e com os 27 prefeitos que o apoiaram, e depois seguiu para Imperatriz, ondem participou de um jantar articulado pela deputado federal eleita Mariana Carvalho (PL) e pelo deputado federal reeleito Josivaldo JP (União) e um grupo de prefeitos da região Tocantina que decidiu apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro. “Quero dizer ao meu futuro presidente que ele não está só no Maranhão”, disse Lahesio Bonfim, manifestando disposição de liderar a campanha do candidato bolsonarista no Maranhão, principalmente nas regiões Tocantina e Sul, onde as forças conservadoras são posicionadas à direita, muitas identificada com discurso da extrema-direita radical

O governador eleito Eduardo Braide deixou claro, desde a campanha do 1º turno, que não inclinado a se posicionar nessa disputa. Primeiro pelo fato de seu partido ter adotado neutralidade, e depois porque o seu interesse não é se situar ideologicamente à direita ou à esquerda, mas “levar o Maranhão para a frente”.

 PONTO & CONTRAPONTO

Em “desabafo”, Camarão reafirma apoio a Lula, diz que não teve apoio do PT e critica os que estão no muro

Felipe Camarão: desabafo

Refeito da derrota na disputa para o Governo do Estado, na qual ficou na terceira posição, o vice-governador Felipe Camarão (PT) assumiu, imediatamente posição de liderança da campanha do presidente Lula no Maranhão, antecipando-se aos dirigentes petistas nas redes sociais, como “social-mídia”. Ontem, numa espécie de contra-ataque de bolsonaristas que o vem mantendo sob fogo cerrado, Felipe Camarão divulgou o que definiu como “um desabafo”.

De forma resumida, extraindo apenas o essencial da sua declaração, o “desabafo” do vice-governador do Maranhão foi o seguinte:

“Por que Lula e não Bolsonaro? Eu perdi a eleição para governador, o Lula não veio ao Maranhão me apoiar, muita gente do PT, o meu partido, não me apoiou, dirigentes, candidatos, etc.

O problema, pessoal, é que eu não tenho projeto pessoal, eu não tenho projeto familiar, eu não tenho projeto partidário. O meu projeto é político.

Acabou a eleição, agora no dia 25, acabou meu mandato de vice-governador, eu vou voltar para a minha vida normal. Vou continuar sendo procurador federal e continuar dando minhas aulas (…).

O que eu penso é na população brasileira, especialmente na população maranhense, na população do interior. É por isso que eu falo tanto no Lula, que eu apoio o Lula.

Não me interessa se oi PT não me apoiou, se o Lula não veio no primeiro turno. Eu penso é no Brasil, e por isso vou continuar apoiando Lula.

Tem muita gente me xingando, a galera do bolsonarismo entope as minhas postagens com xingamentos. (…) Depois do dia 25, eu paro de falar de política. Eu vou ser um cidadão crítico aos governos estadual e federal, independentemente de quem vencer.

Mas até lá, eu sou cabo eleitoral, social-mídia do Lula, porque eu acredito que esse seja o caminho para o Brasil. E vocês não podem me acusar de não tem lado, de não ter posição.

Tem gente aí que está em cima do muro, que usou o Lula no primeiro turno, e agora não está apoiando o Lula. Eu não sou desses, não. Eu estou com Lula em qualquer ocasião. Eu luto pelo que eu acredito.

Podem me criticar por qualquer coisa. Só não podem me criticar porque eu não tenha posição. Eu tenho um lado um lado, e tenho posição. Assim sempre fui na minha vida e sempre serei”.

Vale lembrar que na manhã do dia 5 de outubro, ainda sob o impacto da vitória de Eduardo Braide para o Governo do Maranhão e da surpreendente vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula da Silva na corrida presidencial, Felipe Camarão fez convocou o governador eleito Eduardo Braide, o governador Carlos Brandão o (MDB) e o ex-candidato emedebista Orleans Brandão para juntarem forças pela reeleição do presidente da República.

Presidente da nova Assembleia Legislativa deve sair do MDB ou do PL

Neto Evangelista, Francisco Nagib, Antônio
Pereira, Gleuydson Resende, Daniella e
Detinha; cogitados para presidir a nova
Assembleia Legislativa do Maranhão

 Em meio à movimentação intensa para o 2º turno da eleição presidencial, os bastidores na “nova” Assembleia Legislativa estão faiscando por conta da eleição da Mesa Diretora, em especial a presidência da Casa, hoje comandada pela deputada Iracema Vale (MDB), eleita deputada federal.

Uma definição ganha corpo: o futuro presidente da Assembleia sairá da bancada do MDB, que tem 17 dos 42 deputados, ou, numa situação excepcional, da bancada do PL, que tem sete deputados.

No MDB, vários nomes estão sendo cogitados: Neto Evangelista, Francisco Nagib, Antônio Pereira, Daniella Jadão e Gleydson Resende.

Eleito para o quinto mandato, Neto Evangelista tem o cacife de ser um parlamentar politicamente ativo, com experiência como membro da Mesa e como líder de bancada de Governo, além de trazer o Poder Legislativo no DNA, uma vez que seu pai, o deputado João Evangelista, foi líder de bancada e presidente da Casa.

Eleito para o segundo mandato, o deputado Francisco Nagib tem o aval político do pai, o prefeito de Codó, Chiquinho da FC, e interlocução com setores mais inclinados a fazer oposição. Além disso, Francisco Nagib precisa dar um passo à frente, pois tem objetivos mais amplos no horizonte.

Reeleito para o sétimo mandato, e atual 1º vice-presidente da Casa, o deputado Antônio Pereira estaria apostando alto num acordo interno no partido para viabiliza o seu projeto presidencial. Vale lembrar que quando o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, anunciou sua decisão de deixar o cargo para ser candidato a governador, o deputado Antônio Pereira, num gesto espantoso, foi à tribuna para dizer, em alto e bom som: “A montanha pariu um rato”. Errou feio, no gesto e na sentença.

Reeleita para o terceiro mandato, a deputada Daniella Jadão, ou simplesmente Daniella, como gosta de ser chamada, tem chance de ser presidente, com a força da bancada e uma boa articulação, para seguir os passos da presidente Iracema Vale.

Nessa lista de cotados aparece Gleydson Rezende, primeiro pela sua estrondosa votação – mais de 95 mil votos -, e depois pela sua experiências político como prefeito de Barão de Grajaú com três mandatos.

Fora do MDB, a atual deputada federal e agora deputada estadual eleita Detinha (PL) tem o comando da segunda maior bancada. E já manifestou interesse na presidência, e se entrar mesmo para valer, pode costurar um acordo com o MDB.

No mais, os nomes lançados até agora não têm chance alguma de chegar ao comando da Casa. Isso porque, ao que tudo indica, o governador eleito Eduardo Braide não parece interessado em se envolver nos “assuntos internos” da Assembleia Legislativa.

São Luís, 11 de Outubro de 2026.     

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