Quem vai com quem no 2º turno da eleição presidencial no Maranhão? Neste momento, a resposta para essa indagação é ainda imprecisa, com o PT de um lado tentando mobilizar suas forças e galvanizar o eleitorado tradicional do presidente Lula da Silva, e do outro vozes da direita bolsonarista ou não tentando encontrar uma unidade, e no centro o governador eleito Eduardo Braide (PSD) tendendo a seguir o seu partido para o plano da neutralidade, e o governador Carlos Brandão (MDB) ainda analisando o cenário, para decidir se vai com tudo apoiando pela reeleição do presidente Lula da Silva, se apoiará o líder petista de maneira mais discreta, se preferirá a neutralidade ou virar o jogo e apoiar Flávio Bolsonaro. Vê-se, portanto, um cenário ainda nebuloso em alguns campos, mas que logo ganhará uma forma definitiva.
Distante dessa guerra no 1º turno, quando se dedicou inteiramente à sua campanha pelos Leões, com o argumento de que não seguiria “nem para a direita, nem para a esquerda, mas para a frente”. Eduardo Braide mostrou a eficácia da neutralidade, que embalou a sua candidatura, enquanto seus dois principais oponentes, Orleans Brandão (MDB) e Felipe Camarão (PT), digladiavam pelo apoio do presidente Lula da Silva. Deu no que deu. Agora governador eleito, e diante da decisão do seu partido de adotar a neutralidade, preferindo não seguir a adesão do ex-candidato do PSD, Ronaldo Caiado, a Flávio Bolsonaro (PL), Eduardo Braide encontra-se à vontade e inclinado a permanecer neutro.
Por sua vez, o vice-governador Felipe Camarão faz o que se esperava dele: entra de cabeça em campanha pela reeleição do presidente Lula da Silva, inclusive convidando o governador Carlos Brandão e o governador eleito Eduardo Braide para somar em favor do presidente. O faz tentando ser o polo catalizador do PT nessa guerra. A maneira aguerrida e contundente como Felipe Camarão deflagrou a campanha causou incômodo na cúpula estadual do PT. O vice-governador, porém, segue na cabeça do movimento pró-Lula no Maranhão.
A grande expectativa em relação à disputa presidencial é o governador Carlos Brandão (MDB), que apoiou declaradamente a reeleição o líder petista, posição adotada pelo seu candidato Orleans Brandão. Ele vê agora as forças da aliança governistas se posicionarem, em grande medida, a favor de Flávio Bolsonaro, sabendo que pouco poderá influenciar nesses posicionamentos. Um grande grupo de prefeitos estaria pressionando o governador para que ele rompa o laço político e eleitoral com o presidente da República e declare apoio ao senador do PL. Por conta dessa movimentação, a indagação que está no ar é a seguinte: o governador Carlos Brandão convocará para a guerra pró-Lula as forças que compõem a aliança partidária que comanda, tendo Orleans Brandão na linha de frente? Ou dará um apoio mais discreto? Sua decisão será um gesto muito bem pensado, pois sabe que terá um preço político.
As posições mais claras nesse contexto é a dos senadores em fim de mandato e os senadores eleitos. Derrotada nas urnas, a senadora Eliziane Gama (PT) manteve a coerência e declarou apoio incondicional à reeleição do presidente Lula da Silva, enquanto o senador Weverton Rocha (PDT), também não reeleito, tem dito que apoiará o chefe da Nação. Por sua vez, os dois senadores eleitos estão divididos. André Fufuca (PP) já avisou ao comando nacional do seu partido que, na condição de ex-ministro do Esporte, pedirá votos para o presidente Lula. Já Lahesio Bonfim seguiu para Brasília, onde anunciou, com o estardalhaço que lhe é peculiar, apoio incondicional a Flávio Bolsonaro, fazendo uma verdadeira mise-en-scène de mambembe contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino.
Nove entre dez observadores da cena política maranhense aposta que, independentemente do posicionamento das forças políticas do estado e do desfecho do pleito no plano nacional, o presidente Lula da Silva baterá Flávio Bolsonaro nas urnas do Maranhão.
PONTO & CONTRAPONTO
Famem: Roberto Costa deflagra processo sucessório e Rildo Amaral aparece como nome forte
A decisão, politicamente sensata e equilibrada, do prefeito de Bacabal, Roberto Costa (MDB), de não concorrer à reeleição na presidência da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), criou as condições para intensa disputa sucessória na entidade municipalista. Vários pretendentes se manifestaram
De cara, o nome mais forte para a disputa é o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral (PP). Por dois motivos: ele saiu fortalecido da corrida eleitoral, com a eleição de Eduardo Braide para o Governo do Estado e André Fufuca para o Governo do Estado.
A exemplo do presidente Roberto Costa, que tem excelente interlocução com o governador Carlos Brandão e canais abertos em Brasília pela sua relação com o presidente Lula da Silva, Rildo Amaral teria canal aberto com o futuro governador Eduardo Braide, e contaria totalmente com o senador André Fufuca (PP), que é uma espécie de patrono da sua gestão na prefeitura tocantina.
Isso sem contar o peso político de Imperatriz, o segundo maior e mais importante município do Maranhão.
É claro que outros prefeitos estão credenciados para comandar a Famem, e que é importante uma disputa saudável pelo comando da entidade. Até porque sob a presidência do prefeito Roberto Costa a entidade ganhou mais estatura e importância no universo municipalista maranhense.
Escalado por Brandão, Madeira vai coordenar a transição para o Governo Braide
Renomeado pelo governador Carlos Brandão (MDB) secretário-chefe da Casa Civil, o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, assumiu sua última e importante tarefa no cargo: coordenar a transição para o novo Governo.
Não é uma tarefa simples, pois um processo de transição é complexo e cujo sucesso depende, em larga medida, do bom entendimento entre os representantes do governador eleito Eduardo Braide, e dos porta-vozes do governador Carlos Brandão.
A transição é um processo direto, de fornecimento de informações pelo atual Governo ao futuro comando do Estado. Não existe meio termo, é o famoso “preto no branco” com plena transparência.
Ao mesmo tempo em que o governador eleito Eduardo Braide escalou para a equipe de transição nomes como o secretário municipal de Planejamento Simão Cirineu Dias e o secretário de Fazenda Jesus Azzolini, expressões de competência e experiência no que fazem, o governador Carlos Brandão entregou a Sebastião Madeira o comando do processo.
E a explicação é simples: Sebastião Madeira foi quatro vezes deputado federal e prefeito eleito e reeleito de Imperatriz, ao que se acrescenta quase quatro anos de Casa Civil. Além disso, é um político de visão aberta e que sempre teve boa interlocução com Eduardo Braide como prefeito de São Luís, apesar do abismo político que separou o Palácio de la Ravardière do Palácio dos Leões naquele período.
Não há dúvida de que sob a coordenação de Sebastião Madeira a transição será tranquila.
São Luís, 09 de Outubro de 2026.


