
A Assembleia Legislativa foi alvo de uma das mais amplas renovações registradas em eleições recentes. Nada menos que 24 dos 42 deputados encerrarão os seus mandatos no dia 31 de dezembro. Os seus sucessores, que representarão a nova “cara” do Poder Legislativo estadual, formam uma larga colcha de retalhos políticos na qual predominam a relação familiar, o compadrio político e, em poucos casos, o político forjado nas lutas partidárias. O retrato sem retoques dos deputados eleitos e reeleitos em 2026 é o que se segue, por ordem de votação.
Maedja Campos (PDT), jornalista e primeira-dama de Paço do Lumiar, recebeu 102.694 votos sem qualquer histórico de ação política, devendo quase integralmente a sua votação ao marido, o bem avaliado prefeito Fred Campo (PSB).
Gleydson Resende (MDB), com 95.645 votos, é empresário e foi três vezes prefeitos de Barão de Grajaú, município do sul maranhense com 19 mil habitantes.
Paulo Casé Fernandes (União), 95.608 votos, é engenheiro e arquiteto, foi secretário de Desenvolvimento Social do atual Governo, e comandou a ampliação da rede de Restaurantes Populares. É irmão do deputado federal Pedro Lucas Fernandes e filho do prefeito de Arame, Pedro Fernandes (União).
Cricielle Muniz (PT), 85.630 votos, somou a sua longa e intensa militância no PT com o prestígio de haver comandado a rede de escolas Iema, na qual realizou uma boa gestão. Tem substância atuar bem.
Detinha (PL), 83.546 votos, retorna à Assembleia Legislativa, com o objetivo de dar mais suporte ao marido, Josimar de Maranhãozinho como presidente do PL do Maranhão. Tem sólida experiência política e parlamentar.
Josimar Júnior (PL), 83.112 votos, é médico, filho de Detinha e Josimar de Maranhãozinho, inicia trajetória para assumir o comando da banda mais forte do PL do Maranhão.
Douglas Pinto (PSD), 82.338 votos é jornalista conhecido (TV Mirante), elegeu-se vereador de São Luís em 2024 com votação avassaladora, foi muito ativo na Câmara Municipal, e chega à Assembleia Legislativa como o principal porta-voz do prefeito Eduardo Braide (PSD).
Vanessa Marreca (MDB), 81.322 votos, é fisioterapeuta por formação e chega à Alema como o braço estadual do clã dos Marreca.
Aluízio Santos (PL), 77.591 votos, é engenheiro civil e se reelegeu lastreado pela força política da mulher, a atuante e bem avaliada prefeita de Chapadinha, Dulcilene Belezinha (PL).
Marcos Miranda Jr. (PSB), 76.687 votos, se apresenta como empresário e sócio de uma rede de postos de combustíveis na região polarizada por Bacabal, onde seu pai disputou sem sucesso a Prefeitura em 2024.
Bruna Pessoa (MDB), 73.125 votos, é advogada e empresária, mas o que pesou na sua votação foi o fato de ser irmã do prefeito de Tuntum, Fernando Pessoa, que foi o mentor e o combustível da sua eleição.
João Igor Carvalho (PDT), 69.440 votos, é médico e chega ao parlamento estadual credenciado politicamente como ex-prefeito de São Bernardo, no Vale do Parnaíba.
Tiago Fernandes (MDB), 66.500 votos, advogado que ganhou prestígio e capilaridade política e eleitoral como secretário de Saúde do Governo Carlos Brandão.
Ulisses Gonçalves (PL), 66.214 votos, é um produtor rural com ensino médio que atua na região sul do estado.
Daniella (MDB), reeleita com 66.040 votos, nutricionista, vai para o terceiro mandato pelo bom desempenho parlamentar e pela força política do marido, o ex-prefeito de Caxias, Fábio Gentil.
Abigail Cunha (MDB), reeleita com 65.720 votos, primeira-dama de Barra do Corda, reeleita sem exercer o mandato na Assembleia Legislativa, tendo atuado como secretária da Mulher no Governo, no bojo de um acordo para garantir vaga ao suplente Pará Figueiredo (PL).
Antonio Pereira (MDB), reeleito 64.204 votos, é médico com base na região Tocantina, vai para o sétimo mandato consecutivo, consolidando-se como um político bem articulado, tendo emplacado sua mulher, Carol Pereira como vice-prefeita de Imperatriz.
João Batista Segundo (PL), reeleito com 63.000 votos, é um empresário de Pinheiro, sem formação superior, mas muito atuante na região,
Davi Brandão (MDB), reeleito com 61.692 votos, é engenheiro civil e filho do ex-prefeito de Bacabal, Edvan Brandão e exerceu bem o primeiro mandato.
Ivo Resende (MDB), 59.982 votos, é advogado, com sólido lastro político construído como prefeito de São Mateus e presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem).
Florêncio Neto (MDB), reeleito com 59.353 votos, advogado e com base em Bacabal, onde atua como político e empresário seguindo os passos do pai, o ex-deputado Carlinhos Florêncio.
Solange Almeida (PL), reeleita com 58.649 votos, é advogada e empresária com atuação forte em Santa Inês, cuja Prefeitura disputou em 2024, e na região.
Rui Jorge (MDB), 54.786 votos, é um empresário que atua na região central do estado e em São Luís e que tem como principal cacife a condição de filho da prefeita de Lago da Pedra, a competente Maura Jorge (MDB).
Paula Prata (PSD), 52.300 votos, é empresária, tem formação superior e o seu principal suporte político é o marido, o prefeito de Santa Inês, Felipe dos Pneus.
Luana Rezende (PT), 51.260 votos, é médica e ex-prefeita de Vitorino Freire, integrando a base do clã Rezende, juntamente com o irmão, o ex-ministro e deputado federal reeleito Juscelino Filho (PSDB).
Túlio Rezende (MDB), 50.716 votos, tem apenas 21 anos e é ainda estudante universitário, e na política representa a outra banda do clã Rezende, agora com a tarefa de substituir a mãe, deputada Andreia Rezende, já que o pai, o ex-deputado Stênio Rezende, não pode ser candidato.
Cláudio Cunha (PL), reeleito com 49.394 votos, empresário e ex-radialista, tem seu cacife montado como ex-prefeito, eleito e reeleito, de Apicum-Açu.
Neto Evangelista (MDB), reeleito com 48.329 votos, vai para o quinto mandato como um dos políticos mais atuantes da sua geração e reconhecido como um dos mais importantes articuladores da política estadual.
Francisco Nagib (MDB), reeleito com 47.348 votos, foi prefeito de Codó e é filho do atual prefeito, Chiquinho da FC (PT). Ao mesmo tempo, é vice-presidente do poderoso grupo empresarial FC Oliveira, o que lhe garante um gás político extra.
Ariston Ribeiro (MDB), reeleito com 46.511 votos, é empresário na área de revenda de motocicletas e ex-vice-prefeito de Santa Rita, aliado do ex-prefeito Hilton Gonçalo.
André Campos (Republicanos), 45.740 votos, vereador de São Luís que agora migra para a Alema respaldo por uma sólida experiência em gestão pública como dirigentes do Detran, da Funasa, a da Agência Metropolitana, do Governo do Estado.
Cláudia Coutinho (MDB), reeleita com 44.914 votos, é enfermeira e representa uma banda dissidente do Grupo Coutinho em Caxias, tendo como mentor e principal apoiador o empresário e ex-prefeito de Matões do Norte Ferdinando Coutinho.
Júnior Viana (MDB), 44.762 votos, foi um dos principais assessores do governador Carlos Brandão no viés municipalista do seu Governo, função por meio da qual construiu a base da sua candidatura.
Eric Costa (Republicanos), reeleito com 43.502 votos, é advogado e empresário, com lastro político e eleitoral sedimentado em dois mandatos como prefeito de Barra do Corda.
Cid Costa (PDT), 35.469 votos, é advogado e pecuarista e ergueu sua base política como prefeito eleito e reeleito de Buriti Bravo.
Catulé Júnior (Republicanos), reeleito com 34.670 votos, é advogado, ex-vereador em Caxias, atuou como secretário de Turismo do Governo Flávio Dino, e como deputado mostrou-se um parlamentar articulado, de posições firmes e coerentes.
Dino do Aldenora Bello (PSD), 33.664 votos, atua politicamente para preservar o complexo hospitalar Aldenora Bello, dedicado ao tratamento contra o câncer, legado construído pelo seu avô, o médico e ex-governador Antônio Dino.
Natália do Júnior Garimpeiro (União), 32.486 votos, 21 anos, é apenas uma jovem que entrou na política inteiramente bancada pelo marido, o conhecido Júnior Garimpeiro.
Júnior Cascaria (Republicanos), reeleito com 32.338 votos, é um técnico em contabilidade que virou empresário e conseguiu comandar a Prefeitura de Porção de Pedras por dois mandatos.
Leonardo Sá (PRD), 30.876 votos, é um médico que já foi deputado estadual, que tentou, sem sucesso, a prefeitura de Pinheiro, e agora volta a Assembleia Legislativa.
Júnior Vieira (PSD), 28.914 votos, é um político com formação em administração.
Leandro Bello (PSB), reeleito 27.328 votos, é advogado e o único sobrevivente da chamada “bancada dinista” na Assembleia Legislativa, tendo renovado o mandato graças às articulações que fez em Timon e na região Leste.
É como eles que o governador Eduardo Braide vai conviver institucional e politicamente durante o seu Governo.
PONTO & CONTRAPONTO
Se ganhou muito em renovação, o parlamento estadual também perdeu em qualidade legislativa

Rodrigo Lago, Yglésio Moises, Osmar
Filho, Fernando Braide e Wellington do
Curso farão falta na Assembleia Legislativa
Se por um lado mandou quadros jovens e renovou mandatos de deputados tarimbados, por outro, a Assembleia Legislativa perdeu muito em experiência e em qualidade ao não ter renovados vários mandatos que lhe darão estatura política e institucional até o dia 31 de dezembro.
Por razões diferentes deixarão o Palácio Manoel Beckman os deputados Arnaldo Melo, Othelino Neto (PSB), Carlos Lula (PSB), Rodrigo Lago (PSB), Yglésio Moises (PRD), Osmar Filho (MDB), Fernando Braide (PSD) e Wellington do Curso, todos parlamentares de ponta, em que pensam as diferenças que os separam.
O deputado Arnaldo Melo é uma legenda parlamentar com nada menos que oito mandatos consecutivos, trajetória ao longo da qual líder de bancada, líder de Governo e presidente do parlamento estadual. Médico por formação, sempre teve olhar para os problemas sociais, preocupação que o levou a fundar a Frente Parlamentar contra a Fome, que mobilizou a Assembleia Legislativa em alguns momentos importantes. Fará falta como articulador e conselheiro em momentos de crise.
Os deputados Carlos Lula e Rodrigo Lago encarnaram a visão política e institucional que predominou durante os sete anos do Governo Flávio Dino, do qual foram integrantes de proa. Advogados com elevado nível de preparo técnico, os dois fizeram diferença como oposicionistas numa Casa predominantemente governista.
Mesmo com um caminhão de votos, o deputado Othelino Neto não conseguiu o passaporte para trabalhar em Brasília. E vai deixar na Assembleia Legislativa um espaço expressivo na articulação e na tomada deposições, e com o lastro de cinco anos como presidente da Casa.
Abatido na aventura de tornar-se deputado federal, o deputado Yglésio Moises (PRD) fará falta nos debates, na produção legislativa farta e de alto nível, assim como a sua elevada competência como orador e o seu talento como tribuno, mesmo levando em conta o excesso de agressividade em alguns momentos. Numa outra seara, o parlamento perde Wellington do Curso (PSD), um deputado aguerrido, de espírito insubordinável e posições independentes, que farão falta no plenário a partir de janeiro.
Deixarão também a Assembleia Legislativa os deputados Osmar Filho (MDB), que não conseguiu a reeleição para o quarto, ao que se somam três mandatos de vereador de São Luís, e Fernando Braide, que foi um dos destaque entre os parlamentares de primeiro mandato.
Isso sem contar que a Assembleia Legislativa ficará sem as deputadas Iracema Vale (MDB) presidente da Casa, e Fabiana Vilar (PL), que deram show de competência eleitoral, conseguiram votações consagradoras e vão passar os próximos quatro anos em Brasília.
São Luís, 07 de Outubro de 2026.