Em diversos pronunciamentos que fez e entrevistas que concedeu após confirmada a sua vitória nas urnas, o governador eleito do Maranhão, Eduardo Braide (PSD), deu algumas declarações fortes, duras, em tom de recado aos seus adversários, a respeito de problemas que enfrentou durante a campanha, e sobre como vai se posicionar em relação, por exemplo, às empresas de transporte coletivo de São Luís, aos ataques ao Hospital da Criança, e sobre a providência que adotará em relação ao empréstimo de R$ 1,2 bilhão contratado pelo governador Carlos Brandão (MDB), liberado no mês passado. Deixou claro que quer tais situações passadas a limpo.
O governador eleito não esqueceu a denúncia contra o Hospital da Criança, uma das joias do seu Governo, no que respeita à morte de dezenas de crianças. Ele defendeu o hospital e a gestão, e acusou adversários políticos de pagarem lideranças e famílias de comunidade periférica para acusar a Prefeitura de má gestão. “Fizeram uma armação política, com lideranças compradas”, disse, para em seguida afirmar que quer tudo esclarecido e envolvidos responsabilizados judicialmente.
Nas avaliações que tem feito desde domingo (04) em conversas com jornalistas, o governador eleito Eduardo Braide tem batido, repetidamente, nos baixos indicadores sociais do Maranhão, os quais, garante, pretende reverter. A declaração mais recente sobre o tema foi a seguinte: “O Maranhão tem os piores indicadores sociais e econômicos. Fizeram muita política e pouca gestão no estado. O que nós vamos fazer é gestão. E a nossa maior missão é fazer com que as riquezas do Maranhão cheguem às mãos doa maranhenses”.
Na noite de domingo, no discurso que fez na Praça Maria Aragão para a multidão ali reunida para comemorar o resultado das urnas, o governador eleito denunciou que teria havia um complô das empresas de transporte coletivo para reduzir o número de ônibus que circulariam na Capital, gratuitamente, no dia da eleição. Chamando a prefeita Esmênia Miranda (PSD) para ficar ao seu lado no palanque, ele acusou os empresários de tramarem a redução e avisou: “Eu os enfrentei como prefeito. E agora, vou enfrenta-los como governador”. Acrescentando que os que não se submeterem às regras serão substituídos.
A declaração mais dura, essa um recado direto ao governador Carlos Brandão (MDB), foi a respeito do empréstimo de R$ 1,3 bilhão, contratado pelo Governo do Estado e liberado em setembro. Sobre o assunto, o governador eleito Eduardo Braide declarou o seguinte nas redes sociais:
“Eu queria que o Brasil soubesse de um caso escandaloso, que teve aqui no Maranhão. No dia 18 de setembro, o Governo Federal liberou 1 bilhão e 300 milhões de reais de um empréstimo para o atual governador do Estado. Imagine você, a menos de 15 dias da eleição, o Governo Federal libera 1 bilhão e 300 milhões de reais. E o detalhe: em menos de 15 dias, esse dinheiro já foi gasto pelo Governo do Estado em obras que a gente não vê, em ações que a gente não vê. Por isso, minha primeira medida como governador será fazer um pente fino, uma auditoria em cada centavo desse dinheiro, e acionar judicialmente quem tiver que devolver, porque o povo do Maranhão não vai pagar essa conta de campanha do atual governador do Estado”.
Numa entrevista à TV Jovem Pan, o governador eleito do Maranhão sinalizou que está determinado a passar a limpo todas as dúvidas que existirem quanto à destinação de recursos do Estado: “Vocês vão ouvir muita coisa a respeito dessa vitória, mas a verdade é que aqui teve um candidato eleito pelo povo do estado, que lutou contra tudo e contra todos”.
PONTO & CONTRAPONTO
Maioria da nova bancada na Câmara Federal caminha para se aliar ao Governo Braide

Júnior Lourenço, Vinícius Ferro,
Fabiana Vilar, Aldir Júnior, Mariana
Carvalho, Dr. Orlando, Pedro Lucas
Fernandes, Josivaldo JP, Márcio Jerry,
Rubens Júnior, Juscelino Filho, Erlânio
Xavier, Aluísio Mendes, Marreca
Filho e Amanda Gentil formam a
bancada federal com a qual
Eduardo Braide conviverá
A bancada que o Maranhão manda para a Câmara Federal se alinhará ao governador Eduardo Braide? A indagação se deve ao fato de o partido dele, o PSD, não ter feito nenhum deputado federal e é muito diversificada em matéria de partido político, sendo o MDB, com cinco deputados, a mais forte em matéria de representação partidária. Logo atrás está o PL, com quatro deputados, e o União Brasil com dois, seguido de PT, PDT, PSDB, PP e Republicanos, com um deputado cada, que podem se alinhar ao futuro Governo estadual.
O MDB conta com Iracema Vale, Hildo Rocha, Vinícius Ferro, Larissa DP e Júnior Lourenço, que até aqui rezam na cartilha do governador Carlos brandão e não sinalizaram ainda como se comportarão em relação ao governador Eduardo Braide.
Com quatro deputados – Fabiana Vilar, Aldir Júnior, Mariana Carvalho e Dr. Orlando -, mas dividida em duas correntes, uma ligada a Mariana Carvalho e outra comandada por Josimar de Maranhãozinho, a bancada do PL não deve criar dificuldades para o governador Eduardo Braide.
Mesmo estando até aqui alinhada ao governador Carlos Brandão e tendo apoiado a candidatura der Orleans brandão, a bancada do União Brasil, formada pelos deputados reeleitos Pedro Lucas Fernandes e Josivaldo JP, caminha para apoiar o Governo de Eduardo Braide.
Finalmente, por diferentes caminhos e em tons variados, os deputados Rubens Jr. (PT), Márcio Jerry (PCdoB), Erlânio Xavier (PDT), Juscelino Filho (PSDB), Amanda Gentil (PP), Aluísio Mendes (Republicanos) e Marreca Filho (PRD) tendem a apoiar o Governo de Eduardo Braide.
Em Tempo: O governador eleito Eduardo Braide contava com a eleição do seu irmão, o deputado estadual Fernando Braide (PSD), para a Câmara Federal. Ele teve votos suficientes, mas o seu partido não conseguiu alcançar o coeficiente eleitoral, o que impediu a sua eleição.
Imperatriz: Apontado como “traidor” por aliados de Brandão, Rildo se fortalece com a eleição de Braide e Fufuca
Poucas personalidades políticas comemoraram tanto a eleição de Eduardo Braide para o Governo do Estado quanto o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral (PP). “Tentaram de tudo para me desmotivar, mas eu sabia que esse era o caminho aqui em Imperatriz”, declarou, em tom de comemoração, depois de ter sido acusado de “traição” e de ter sido alvo de sombrias previsões quanto ao seu futuro político.
As dificuldades na relação política do prefeito Rildo Amaral com o governador Carlos Brandão vêm de 2024, quando o mandatário estadual ficou neutro no primeiro turno da disputa pela Prefeitura de Imperatriz, mas com muitos dos seus aliados apoiando a candidatura do deputado federal Josivaldo JP. O grupo governista só se posicionou a favor de Rildo Amaral no segundo turno.
Eleito com o apoio total do deputado federal e ministro do Esporte André Fufuca (PP), Rildo Amaral alinhavou uma relação institucional com o governador Carlos Brandão, mas deixou claro que o caminho político e eleitoral seria outro. Tanto que chegou a admitir alinhamento ao Palácio dos Leões, mas não fez uma declaração formal de apoio à candidatura de Orleans Brandão (MDB), optando por seguir André Fufuca na aliança com Eduardo Braide (PSD).
Dado o volume de obras do Governo do Estado em Imperatriz e o prestígio do governador Carlos Brandão em Imperatriz, muitos acreditaram quer Orleans Brandão seria eleito governador com maioria avassaladora em Imperatriz.
Com a escolha da vice Elaine Carneiro, Eduardo Braide virou o jogo, e o resultado foi que Rildo Amaral saiu das eleições com seu cacife político reforçado com a eleição de Eduardo Braide para o Governo e André Fufuca para o Senado.
O detalhe é que o prefeito de Imperatriz não fez ataques diretos ao governador Carlos Brandão, reconhecendo a obra do seu Governo em Imperatriz.
São Luís, 06 de Outubro de 2026.

