
mas é defendido por Márcio Jerry; Orleans
Brandão critica Felipe Camarão, que reage atacando
Declarações bombásticas marcaram a semana que passou, colocando uma forte carga de tensão política na contagem regressiva para o início da campanha eleitoral, marcado para o próximo domingo, 16/08. Em entrevista à revista Veja e ao jornal candango Correio Braziliense, o governador Carlos Brandão (MDB) disparou, mais uma vez, sua carga de chumbo grosso contra ministro Flávio Dino (Supremo); o ministro foi defendido pelo seu lugar-tenente, o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB); o vice-governador Felipe Camarão, candidato do PT ao Governo, também disparou munição pesada contra o governador Carlos Brandão; em entrevista a um podcast, Orleans Brandão colocou um naco de pólvora no confronto verbal ao explicar a sua escolha como candidato governista às sucessão estadual.
Os envolvidos nesse confronto não economizaram pólvora. O governador Carlos Brandão surpreendeu ao atacar duramente o ministro Flávio Dino, a quem acusou de interferir na cena política maranhense. “A gente vê hoje o Maranhão muito judicializado. Tem vários deputados que respondem a processo no Supremo e, pasme, a maioria desses processos está sendo julgada pelo ministro Flávio Dino. Eu entendo que o Supremo deve ter uma questão ética, nesses casos, onde você não pode julgar adversário. Não é justo que um juiz julgue um adversário. Então, há vários anos a gente tem convivido com essa situação. Uma situação muito incômoda”, declarou o governador. E acrescentou: “Na realidade, ele não aparece pessoalmente, mas ele tem os aliados dele, que são uns quatro ou cinco deputados, que atuam sempre com o apoio dele”.
Integrantes do grupo que foi ligado ao ministro Flávio Dino reagiram, garantindo que ele não se mais se envolve na política do Maranhão, e na reação atacaram o governador Carlos Brandão. O deputado federal Márcio Jerry disse que o chefe do Poder Executivo pareceu “assombrado”, atacou duramente familiares do governador, como o irmão Marcus Brandão. “Ele aparece hoje nessa entrevista sérum homem apavorado. Aí, nesse medo, resolveu puxar o assunto para o ministro Flávio Dino, que nada tem a ver com aquilo que o governador Brandão narra, de que ele (o ministro), faria política através de pessoas que tiveram no passado ligação política com ele. A única política que o ministro Flávio Dino faz hoje é fazer valer a Constituição, fazer valer as leis”, declarou Márcio Jerry, que acrescentou vários atasques ao chefe do Executivo.
Em entrevista ao UQ! Podcast, o candidato do MDB ao Governo, Orleans Brandão, usou a sua moderação para explicar que não era seu projeto ser candidato a governador, que pretendia ser deputado federal. E só se tornou candidato a governador quando a crise que rachou a base governista se tornou irreversível. Ele insinuou que a situação se agravou porque o vice-governador Felipe Camarão queria mandar no Governo Brandão.
Como num roteiro combinado, o candidato petista Felipe Camarão reagiu acusou o governador Carlos Brandão e de Orleans Brandão, disparando nas duas direções. Ele afirmou que “existiu um acordo” pelo qual ele seria candidato a governador, numa sucessão natural, com o mandatário se candidatando ao Senado. E indagou: “Porque tem de ser o sobrinho dele?” E disparou: “É mentira que o nome dele apareceu bem nas pesquisas. Não é verdade, nada disso é verdade”. E relatou: “O candidato era o Camarão, aí disseram que não podia ser o Camarão. Aí o presidente Lula disse, então bota a Iracema (Vale), a presidente da Assembleia. Não, não pode ser. Bota o (André) Fufuca. Não pode ser o Fufuca. Eles desprezaram todo mundo. Por quê? Porque é só para a família”, atacou o vice-governador.
O fato é que a temperatura do ambiente político, que já vinha alta, foi elevada em muitos graus, causando a impressão de que o Maranhão terá uma campanha eleitoral dura, recheada de pancadaria verbal. E nesse contexto, dois detalhes chamaram a atenção: mesmo provocado, o candidato do PSD, Eduardo Braide, tem se mantido distante de polêmicas. O mesmo acontece com o ministro Flávio Dino, que não disse uma palavra sobre as declarações do governador Carlos Brandão.
PONTO & CONTRAPONTO
Presidente do Novo levanta suspeita sobre Roberto Rocha e diz que vai à Justiça contra sua candidatura
É, no mínimo, incômoda a situação do ex-senador Roberto Rocha no contexto da corrida ao Governo do Estado. Ele se candidatou a governador pelo PRTB, ao qual afirma estar filiado desde abril, mas entrou na linha de tiro do presidente regional do Novo, Leonardo Arruda, que suspeita de que ele manteve duas filiações ao mesmo tempo e bateu às portas da Justiça para esclarecer o imbróglio. Além disso, dentro do Novo foi levantada a suspeita de Roberto Rocha estaria atuando como “laranja” para atacar o candidato Eduardo Braide (PSD), o que ficou claro na convenção do PL, cuja banda tocantina lhe declarou apoio.
Na convenção, Roberto Rocha se declarou vítima de uma trama segundo a qual Eduardo Braide teria “comprado” o Novo para tirá-lo do páreo. E que ele só não ficou fora da eleição porque mantinha a tal filiação “secreta” no PRTB, que acabou sendo validada pela Justiça Eleitoral. O seu discurso na convenção do PL foi extremamente agressivo em relação a Eduardo Braide.
Só que o comando do Novo não engoliu a versão de Roberto Rocha, e decidiu investigar judicialmente como foi possível ele fazer de conta que estava no Novo, participando de reuniões, tendo acesso a documentos e pesquisas, estando, ao mesmo tempo, filiado ao PRTB. Essa condição de suposta dupla filiação foi denunciada pelo presidente do Novo, Leonardo Arruda.
– Me surpreende muito o formato dessa candidatura desse cidadão está colocando à sociedade. Porque parece que ela veio só para bater em Eduardo Braide. Parece que ela não veio para debater o estado. Parece-me inclusive que há uma extensão do Palácio dos Leões nessa candidatura. A impressão que está passando para a sociedade é essa – declarou, enfático, Leonardo Arruda.
O presidente regional do Novo informou que o partido entrou na Justiça contra a filiação de Roberto Rocha no PRTB, baseado na suspeita de dupla filiação partidária, o que, se comprovado, pode tirar o ex-senador Roberto Rocha da corrida ao Governo do Estado e da corrida eleitoral com o um todo. O ex-senador tem dito que a acusação é falsa e que ele vai se defender na Justiça, certo de que sua candidatura vai vingar.
Pedro Lucas admite que sofreu baque político e que não sabe ainda se votará em Roseana para o Senado
Não é de harmonia e aliança o clima entre o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União) e a deputada federal Roseana Sarney (MDB). E o motivo do mal-estar, que não foi sequer amenizado, foi o golpe político, com potencial dano eleitoral, sofrido pelo parlamentar no desfecho da composição da chapa senatorial que apoia a candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado.
Para quem não se lembra: diante das reiteradas declarações da deputada federal Roseana Sarney de que não participaria das eleições deste ano, o deputado Pedro Lucas Fernandes aceitou convite ao governador Carlos Brandão para ser o candidato a senador nessa vaga; o convite foi aceito, Pedro Lucas foi oficialmente lançado pré-candidato a senador, mas, de repente, sem aviso prévio, a deputada federal Roseana Sarney voltou atrás, reivindicando para si a vaga de candidato do MDB, levando Pedro Lucas Fernandes a retirar sua candidatura e retomar o caminho da reeleição.
Em entrevista ao podcast Café Quente, em tom de desabafo, mas sem ser agressivo, Pedro Lucas Fernandes admitiu que se “apaixonou” pelo projeto de candidatura ao Senado e que o fato de ter sido obrigado a recuar por conta da decisão de Roseana Sarney, foi um golpe, pessoal e político duro, que lhe causou prejuízos políticos e eleitorais. Ele disse que ainda está processando e assimilando a pancada, que atingiu também o seu irmão, Paulo Casé (União), candidato a deputado estadual, e causou desgaste ao pai, o prefeito de Arame, Pedro Fernandes (União).
Perguntado se, diante do que aconteceu, ele votará em Roseana Sarney para o Senado, Pedro Lucas deixou no ar uma enorme e densa nuvem de dúvidas. Disse que ainda não tomou decisão em relação a essa situação e que está avaliando o caso e o cenário, para finalmente se posicionar. Não sinalizou que não votará na candidata do MDB, mas também não soltou nenhuma pista sugerindo que pedirá votos para ela.
Sua posição deve ser anunciada nos próximos dias.
São Luís, 09 de Agosto de 2026.

