Arquivos mensais: abril 2026

Eliziane deixa a insegurança do PSD e retorna ao PT com o aval de Lula à sua candidatura à reeleição

Eliziane Gama e Lula da Silva exibem,
em Salvador (BA), a ficha de
filiação dela ao PT com o abono dele

A corrida às duas vagas no Senado ganhou mais um tempero com o movimento da senadora Eliziane Gama de o PSD e se filiar ao PT. Com a mudança do partido, ela sai de uma situação de absoluta insegurança política para uma posição de estabilidade e segurança para brigar pela reeleição. Principalmente por dois motivos: ela tem o apoio declarado do presidente Lula da Silva (PT) e está voltando à sua casa partidária de origem, o que lhe dá força política para ser definidas como o nome do PT maranhense para o Senado, independentemente de qual for a posição do partido em relação à corrida para o Governo do Estado. Além disso, sua filiação e sua declarada candidatura à reeleição diminui a margem de possibilidade de o vice-governador Felipe Camarão se lançar candidato ao Senado.

Eliziane Gama chefa a esse desfecho depois de ser apontada como uma senadora política e eleitoralmente liquidada, pois estava claro que não teria nenhuma chance de ver a sua candidatura abraçada pelo candidato do PSD ao Governo do Estado, Eduardo Braide. Isso porque, mesmo filiada ao partido, ela não fez nenhum gesto expressivo e firme no sentido de apoiar o projeto de candidatura do prefeito de São Luís, preferindo se manter distante, mesmo vendo com clareza solar que não haveria espaço para sua corrida à reeleição na aliança partidária montada pelo governador Carlos Brandão (sem partido) em torno do projeto de candidatura de Orleans Brandão, agora consolidado.

Ao se filiar ao PT com o aval do presidente Lula da Silva, Eliziane Gama dá novo impulso ao seu projeto de reeleição. Até aqui, ela tem com o concorrentes três candidatos de peso – o senador Weverton Rocha (PDT), o ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP) e o ex-senador Roberto Rocha (Novo) – e ouvindo rumores fortes sobre a possibilidade concreta de candidatura da presidente da Assembleia Legislativa Iracema Vale (MDB) à Câmara Alta, e de uma remota e improvável candidatura da deputada federal Roseana Sarney (MDB), que até agora parece mais interessada em renovar o mandato na Câmara Federal. Isso tudo sem falar do governador Carlos Brandão, que tem até as 23h59m do Domingo de Páscoa para renunciar e se candidatar ao Senado ou confirmar sua permanência no cargo.  

O fato é que, migrando para a sua casa de origem, a senadora Eliziane Gama ganha novo fôlego, reunindo condições política de costurar alianças com a simpatia do Palácio do Planalto e da Esplanada dos Ministérios. Os que apostaram na sua derrocada pareciam esquecidos de que o vínculo da senadora com o presidente da República é forte. Para começar, foi a senadora Eliziane Gama que em 2022 percorreu o país para arrebanhar apoio ao candidato Lula da Silva nos segmentos evangélicos, então majoritariamente alinhados ao então presidente Jair Bolsonaro (PSL), candidato à reeleição. Eliziane Gama atuou fortemente no Senado e no Congresso Nacional na defesa do Governo Lula da Silva, tendo um papel mais decisivo do que muitos parlamentares petistas. O apoio do presidente à filiação da senadora ao PT é plenamente justificado.

O problema agora é saber para onde o PT do Maranhão vai pender em relação à corrida ao Palácio dos Leões. Desde ontem, o PT manteve vínculos formais com o governador Carlos Brandão por causa de uma série de figuras destacadas do PT ocupando cargos na máquina estadual. Há notícia de que pelo menos oito petistas deixaram o primeiro e o segundo escalões do Governo para disputarem votos. Há quem avalie que a desincompatibilização levará o PT a tomar uma posição na sucessão estadual, podendo avalizar o projeto de candidatura de Felipe Camarão ou o de Orleans Brandão.

O que não as sabe ainda é qual será a posição da senadora Eliziane gama nessa equação.

PONTO & CONTRAPONTO

Esmênia orienta secretários a manter o ritmo de trabalho e não prevê mudanças na equipe

Esmênia Miranda decidiu que
gestão vai continuar
no mesmo ritmo

A prefeita de São Luís, Esmênia Miranda (PSD), não se deu folga desde que recebeu o bastão do seu antecessor, Eduardo Braide. Empossada na quarta-feira, ela acompanhou a reunião na Justiça do Trabalho sobre a crise no transporte de massa da Capital. E ontem chegou cedo ao Palácio de la Ravardière para uma reunião com o secretariado, ao qual deu as suas primeiras orientações. E a principal deles foi a de que a mudança de comando em nada altera o ritmo de trabalho imposto por Eduardo Braide.

Com dois anos e nove meses de mandato, a prefeita Esmênia Miranda sabe que terá tempo suficiente para imprimir a sua própria marca. No momento, porém, vai deixar a situação fluir na mesma intensidade, fazendo ajustes pontuais, mas sem nada mudar na essência. Ela é entusiasmada com a gestão de Eduardo Braide, sobre a qual vinha se informando em preparação para assumir.

Conforme ela própria, a equipe montada pelo antecessor tem a sua confiança e vai seguir em frente sem alterações. Poderá haver uma ou outra mudança, mas pelo menos por enquanto, nada que venha a alterar expressivamente o perfil da sua gestão. Sabe que se nos primeiros meses conseguir manter a situação atual, conseguirá criar as condições para fazer mudanças mais amplas. Por enquanto, no seu entendimento, o melhor é continuar na mesma linha e na mesma velocidade.

Apreensões feitas pela PF de bens e dinheiro vivo mostram que vendedores de sentenças confiavam na impunidade

Viatura da PF em frente ao Palácio da Justiça
e parte do dinheiro e dos bens apreendidos

A Operação Inauditus, que desmontou uma rede de corrupção no Poder Judiciário do Maranhão, tendo como base a vendas de sentença e que tinha como cabeça o desembargador Antônio Guerreiro Júnior – já afastado pelo mesmo motivo em outro caso escandaloso, extorsão ao Banco do Nordeste -, não tinha limites no que diz respeito a dinheiro. Os “quadrilheiros judiciais” atuavam com tanta certeza na impunidade que exibiam sinais exteriores de riqueza, como carrões, relógios e artigos de grifes caros, como bolsas femininas e outras “cositas mas”, como muito dinheiro vivo, inclusive dólares.

No relatório resultante da Operação realizada quarta-feira (01/04) para o cumprimento de 27 mandatos, entre eles os de afastamento de dois desembargadores, prisão de vários suspeitos e de busca e apreensão, a PF encontrou uma expressiva fortuna em bens por meio dos quais os envolvidos tentavam as boladas que ganhavam com a venda de sentenças.

Os agentes apreenderam 26 smartphones e 38 mídias digitais, entre HDs e pen drives. A operação também resultou no sequestro de 20 veículos, avaliados em R$ 13.524.183,00. Foram confiscados também R$ 573.955,00 em espécie e US$ 8.360,00, o equivalente a pouco mais de R$ 43 mil. A apreensão alcançou um helicóptero, bolsas de luxo, joias e acessórios. Os três últimos itens estão avaliados em cerca de R$ 500 mil.

Essa turma exibiam sinais exteriores de riqueza com a segurança de quem tinha certeza da impunidade.

São Luís, 03 de Abril de 2026.

Operação Inauditus mancha a Justiça do Maranhão e envolve nomes conhecidos do Judiciário, da política e da advocacia

Guerreiro Júnior, Luiz Belchior e Manoel Ribeiro:
figuras destacadas da Justiça e da
política suspeitos de envolvimento
em venda e compra de sentença

A Operação Inauditus, que levou a Polícia Federal a devassar mais uma vez o Palácio da Justiça do Maranhão em busca de provas para lastrear denúncias sobre venda de sentença, transformou em mais um quinhão da dignidade e da seriedade da Justiça do Maranhão. Primeiro porque envolve desembargadores, juízes, assessores, ex-assessores, servidores da seara judiciária, advogados, empresa, empresário e uma figura emblemática da política maranhense, o ex-deputado Manoel Ribeiro.

Os fatos que motivaram a Operação Inauditus foram colhidos numa delação premiada: o desembargador Guerreiro Júnior – já afastado pelo CNJ por outro caso de venda de sentença -, com a intermediação de um assessor, Lúcio Fernando Penha Ferreira, teria participado de um esquema de venda de sentença e com traços de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

A sentença supostamente comprada teria custado algo em torno de R$ 250 mil e “resolveria”, em favor do ex-deputado Manoel Ribeiro e do empresário Antônio Lucena na tumultuada negociação de um terreno com sérias pendências judiciais. O esquema envolveu também o desembargador Luiz de França Belchior, os juízes Douglas Cunha da Guia e Tonny Carvalho Araújo Luz, além de uma penca de assessores, advogados, empresário e empresa. No cumprimento de 27 mandatos, de afastamento, prisão, busca e apreensão, as PF encontrou R$ 287 em espécie, indicando que o esquema é bem maior do que está parecendo.

Independentemente do caso em si, já devidamente registrado pelos mais diversos canais de informação, chama a atenção a ordem de afastamento do desembargador Guerreiro Júnior, já afastado pelo mesmo motivo, este relacionado com um esquema de extorsão do Banco do Nordeste, que arrastou também para o purgatório dos afastados os desembargadores Nelma Sarney, Luiz Gonzaga Almeida Filho e Marcelino Everton estão afastados de suas funções desde outubro de 2024. E o desembargador Luiz de França Belquior, que nos anos 90 do século passado, ainda juiz atuando no interior, foi apontado como suspeito de desvios pela CPI do Crime Organizado, da Câmara Federal, que fez uma devassa no Maranhão. A denúncia da época não se consolidou e Luiz de França Belchior seguiu a carreira e chegou ao Tribunal de Justiça por antiguidade. Agora, tudo indica que sua situação pé bem mais complicada.

O caso ganha mais relevância ainda ao envolver o ex-deputado estadual Manoel Ribeiro, um dos políticos mais conhecidos e emblemáticos do Maranhão nas últimas décadas. Ele foi vereador de São Luís por vários mandatos, tendo presidido a Câmara Municipal, e na condição de presidente assumido a Prefeitura de São Luís por alguns dias. Eleito deputado estadual no início dos anos 80, Manoel Ribeiro foi a grande referência da Assembleia Legislativa nos anos 90, tendo se elegido presidente da Casa por quatro vezes consecutivas durante, tendo tido influência nos Governo de Edison Lobão, Roseana Sarney e em parte do de José Reinaldo Tavares.

O seu envolvimento nesse escândalo causa impacto na classe política e respinga – mesmo sem causar danos – na banda da sua família ativa na política, como o irmão, o correto prefeito de Arame Pedro Fernandes, e o sobrinho, deputado federal Pedro Lucas Fernandes, também conhecido pela sua correção.

Outra personagem conhecida que aparece na relação dos investigados é o advogado Ulisses Martins. Ele foi figura destacada num escândalo envolvendo a construtora Odebrecht no Maranhão. De acordo com delator João Pacífico, Ulisses Martins, então procurador geral do Governo do Estado, teria recebido uma grande soma para facilitar a operação, numa transação nebulosa que quase o levou à prisão. Considerado um dos advogados mais competentes da sua geração, Ulisses Martins conseguiu livrar-se da acusação, retomou a advocacia, e gora tem seu nome constando a lista de suspeitos da Operação Inauditus, que cumpriu mandatos em São Luís, São José de Ribamar, Bacabal, Balsas, Arari e em Guimarães (MA), além de Fortaleza (CE), São Paulo (SP) e Lagoa Seca (PB).

De acordo com a Polícia Federal, os investigados são: Antônio Pacheco Guerreiro Júnior – desembargador (afastado), Luiz de França Belchior Silva – desembargador (afastado), Douglas Lima da Guia (juiz), Tonny Carvalho Araújo Luz (juiz), Lúcio Fernando Penha Ferreira (ex-assessor), Sumaya Heluy Sancho Rios (ex-assessora), Maria José Carvalho de Sousa Milhomem (assessora), Eduardo Moura Sekeff Budaruiche (assessor), Francisco Adalberto Moraes da Silva (ex-servidor do TJMA), Karine Pereira Mouchrek Castro (ex-assessora), Ulisses César Martins de Sousa (advogado), Eduardo Aires Castro (advogado), Antônio Edinaldo de Luz Lucena (empresário), Lucena Infraestrutura Ltda. (empresa investigada), Manoel Nunes Ribeiro Filho (investigado), Aline Feitosa Teixeira  (investigada), Jorge Ivan Falcão Costa  (investigado).

Vale aguardar os desdobramentos de mais essa pancada ética no Poder Judiciário do Maranhão.

PONTO & CONTRAPONTO

Em novo vídeo, Camarão reforça ataque a Brandão e sobrinhos

Felipe Camarão ataca Carlos
Brandão em novo vídeo

O vice-governador Felipe Camarão (PT) decidiu partir mesmo para o ataque contra o governador Carlos Brandão (sem partido), de quem agora é inimigo político declarado. Ele não esconde que, no seu entendimento, a ação do procurador geral de Justiça (PGJ), Danilo Castro, pedindo o seu afastamento por movimentação financeira atípica tem o dedo ao Palácio dos Leões.

Na semana passada, vice-governador gravou um vídeo longo, no qual, em tom de desabafo, atacou duramente o governador Carlos Brandão e familiares seus, a quem acusou de permitir que sua filha de 12 anos tivesse sua imagem expostas num organograma que, segundo a ação do PGJ, demonstraria a tal movimentação atípica.

Ontem, Felipe Camarão entrou forte no Caso do Tech Office, mostrando imagem que mostra Daniel Brandão, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado, na cena em que o empresário João Bosco Pereira Sobrinho foi assassinado a tiros pelo pistoleiro Gibson Cutrim Júnior. Felipe Camarão afirma a presença do advogado teria a ver com um pagamento feito na Secretaria de Educação.

Com o novo vídeo, o vice-governador de uma demonstração cabal de que está disposto a tocar o seu projeto denuncista até onde for possível.

Chama a atenção o fato de nas suas declarações o vice-governador não confirma a sua candidatura a candidato do PT ao Governo do Estado. No primeiro vídeo, ele chegou a admitir a possibilidade de uma aliança com Eduardo Braide (PSD). No novo vídeo, ele não faz qualquer referência ao processo sucessório.

Decisão do PSD de lançar Caiado a presidente coloca Eliziane numa situação complicada no partido

Eliziane Gama terá de se decidir
entre Lula da Silva e Ronaldo Caiado

É complicada a situação da senadora Eliziane gama no PSD, comandado no Maranhão pelo ex-prefeito Eduardo Braide e que será a base da sua candidatura ao Governo do Estado. Eliziane Gama, que ingressou no PSD pela via do comando nacional, em Brasília, vem enfrentando dificuldades para viabilizar sua candidatura à reeleição pelo partido.

Para começar, a senadora construiu um relacionamento estreito com o Governo do PT, tendo sido inclusive vice-líder no Congresso Nacional. Sua ação parlamentar foi inteiramente voltada para dar sustentação ao presidente Lula da Silva.

O problema é que, além das dificuldades que já vinha enfrentando dentro do partido, como os ataques do deputado Fernando Braide (PSB), irmão do prefeito Eduardo Braide, que descartou a possibilidade de apoiar a candidatura dela à reeleição, Eliziane Gama tem de encarar uma situação mais complicada ainda: a corrida presidencial.

Em todas as suas manifestações, a senadora Eliziane Gama tem dito que apoia a candidatura do presidente Lula da Silva (PT) à reeleição. Só que o partido dela lançou o agora ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de direita e adversário ranzinza do presidente Lula da Silva, candidato ao Palácio do Planalto.

Três perguntas estão no ar: Eliziane Gama será candidata à reeleição pelo PSD apoiando Ronaldo Caiado? Será candidata pelo PSD apoiando o presidente Lula da Silva? Ou disputará a reeleição por um novo partido?

No último caso, a senadora tem até domingo para decidir se continua no PSD ou migra para outra legenda.

São Luís, 01 de Abril de 2026.