Sobrevida de Temer faz Roseana se movimentar; condenação de Lula estimula Dino a agilizar Governo e ações políticas

 

Roseana Sarney depende de Michel Temer, Flávio Dino quer Lula lá
Roseana Sarney depende da sobrevivência de Michel Temer, Flávio Dino quer Lula lá

A guerra está longe de chegar ao fim, as batalhas a serem ainda travadas estão a caminho e o desfecho da opereta protagonizada pelo presidente Michel Temer (PMDB) é, portanto, rigorosamente imprevisível. A vitória – forjada, armada, comprada, seja lá o adjetivo que quiserem usar – do presidente da República na Comissão de Constituição e Justiça e os sintomas de que aquele resultado será repetido no plenário da Câmara Federal foram visivelmente comemorados pelos aliados do presidente, principalmente no Maranhão, que do clima de desânimo registrado na semana anterior passaram a enxergar uma luz no fim do túnel e a fazer planos para as eleições do ano que vem. Até pouco tem cautelosamente recolhida, só se manifestando e mandando recados por intermédio de aliados de proa e em situações excepcionais, a ex-governadora Roseana Sarney começa a sair da condição de produtora de suspense político para começar a desenhar política e abertamente o seu projeto político-eleitoral cujo objetivo é voltar ao Palácio dos Leões em 2018. Por outro lado, esse cenário em evolução acendeu um sinal de alerta para os opositores do presidente Michel Temer, que no Maranhão são liderados pelo governador Flávio Dino (PCdoB), que já tem montado o seu projeto de reeleição.

Com movimentos ainda tímidos, a ex-governadora do Maranhão tem dado prosseguimento a uma ampla consulta à classe política, recebendo, às terças e quintas-feiras, nas instalações do Sistema Mirante, líderes de partidos e de grupos para conversar. Roseana Sarney não deu até agora certeza de que será candidata ao Governo no ano que vem, mas é cada vez maior o número de aliados dela que manifestam essa convicção. Antenada e muito envolvida com o que acontece em Brasília, ela trabalha com a possibilidade de Michel Temer ser livrado do risco de ser mandado para casa, pois sabe que sem o aval do Palácio do Planalto e da cúpula do PMDB uma eventual candidatura poderá até decolar, mas terá voo breve. Trabalha também com a hipótese de que a presidência da República caia nas mãos do presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), de quem é amiga e interlocutora política.

Política tarimbada, que já viveu as mais diferentes situações partidárias e eleitorais, Roseana Sarney sabe que, para ser candidata com alguma chance de se dar bem precisa, além do suporte planaltino e pemedebista, afastar alguns obstáculos já mostrados, que vale a pena serem lembrados por seu poder de influência na definição do projeto: a expressiva rejeição, os vários fantasmas judiciais que rondam os Governos que comandou, principalmente o último. Além disso, precisa recompor o grande grupo, pulverizado nas urnas em 2014. Não é sem razão, portanto, que a ex-governadora mergulha em consultas, pois sabe que as informações que está recolhendo são preciosas e a ajudarão a tomar um rumo. Até lá, estará na linha de frente da tropa de choque do presidente Michel Temer, tentando estancar a sangria presidencial para viabilizar a sua candidatura, que é tida como certa por alguns, como o senador João Alberto (PMDB), por exemplo, mas que também é apontada como inexistente pela ex-prefeita de Lago da Pedra e pré-candidata “irreversível” ao Palácio dos Leões, Maura Jorge (Podemos).

No contrapeso, o governador Flávio Dino se movimenta rumo à reeleição usando todos os recursos ao seu alcance, inclusive os políticos. Ao contrário de sua eventual adversária, ele só precisa manter e trabalhar para ampliar o seu horizonte eleitoral num contexto em que terá de enfrentar o poder de fogo do Palácio do Planalto, situação que já viveu em 2014, quando enfrentou o posicionamento da presidente Dilma Rousseff (PT) e do ex-presidente Lula da Silva (PT) que apoiaram abertamente a candidatura do seu adversário, Lobão Filho (PMDB). Agora, Flávio Dino é um político muitas vezes mais robusto e sólido tem o apoio declarado e determinado dos dois, mesmo sem saber como eles participarão das eleições do ano que vem.

Afirmando que ainda não está “fazendo política” visando às urnas, o governador vem atropelando a crise e acelerando os principais programas do seu Governo, que controla com mão firme para manter em elevado nível de eficiência e em respeitável padrão ético. Aposta alto no resultado dessas ações para consolidar o seu projeto de poder, que passa pela sua reeleição, pela eleição de uma base parlamentar sólida e de uma bancada federal forte, e pela volta da esquerda ao poder central, de preferência com a eleição do ex-presidente Lula da Silva.

É fato, portanto, que o desfecho dos problemas que tiram o sono do presidente Michel Temer e dos que atormentam o ex-presidente Lula da Silva terão reflexos importantes nos movimentos de Roseana Sarney e Flávio Dino na construção para a corrida eleitoral de 2018,

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sarney Filho tergiversa e deixa vácuos na entrevista que concedeu ao jornal O Estado do Maranhão

Sarney Filho: candidatura decidida
Sarney Filho: entrevista sem muito sentido

Curiosa a entrevista do ministro Sarney Filho (PV) publicada na edição de fim de semana de O Estado do Maranhão. Um dos mais antigos e ativos membros do Congresso Nacional e integrando a equipe ministerial do presidente Michel Temer por força de relações políticas – ganhou o Ministério do Meio Ambiente na cota do PV e com uma forcinha do ex-presidente José Sarney (PMDB) -, Sarney Filho respondeu a 14 perguntas, sendo 12 dedicadas às suas atividades ministeriais e apenas duas com enfoque político furta-cor. Foi evasivo e dispersivo quando falou da sua candidatura ao Senado, justificando-a apenas como uma “necessidade de alavancar o desenvolvimento do Maranhão”. E quando falou da sua condição de ministro em tempo de crise aguda no País, ele correu para a tangente, fez malabarismo verbal e não referiu uma só vez à situação política do Governo nem citou o presidente Michel Temer. Uma entrevista de página inteira muito estranha, se levado em conta o contexto em que ela foi concedida e publicada. Com o País politicamente incendiado, com o Governo a que pertence equilibrando-se numa verdadeira corda bamba, vivendo um dia sem saber o que acontecerá no dia seguinte, o ministro ignorou tergiversou sobre temas importantes, é verdade, mas muito distantes da realidade que deveria ser abordada. A explicação para sua candidatura ao Senado, que todos reconhecem importante para cenário político do Maranhão, foi simplória, quando deveria ser densa e convincente. E a sua posição em relação no contexto do País foi pura perfumaria. Com a trajetória política que construiu em uma dezena de mandatos de debutado federal e as posições que assumiu nesse período – a começar pela defesa das Diretas Já, contrariando a orientação do pai – ministro Sarney Filho bem que poderia ter aproveitado o espaço no jornal da sua família para mostrar aos leitores e á sociedade como um todo posições que desse a medida do seu tamanho político.

 

João Alberto pode ter cometido erro primário ao aceitar Representação contra senadoras que protestaram no Senado

João Alberto reeleito pela sexta vez presidente do Conselho de Ética
João Alberto: erro político ao aceitar denúncia contra senadoras

Conhecido pelo seu senso de equilíbrio como presidente do Conselho de É tica do Senado, o senador João Alberto (PMDB) pode ter cometido um erro primário ao aceitar a Representação assinada por 14 senadores pedindo punição para as seis senadoras – Gleise Hoffman (PT-PR), Fátima Bezerra (PT-RN), Ângela Portela (PT-PI), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lídice da Mata (PSB) e Regina Sousa (PDT-RR) – por quebra de decoro parlamentar no protesto que fizeram no plenário da Casa contra a Reforma Trabalhista. Elas ocuparam a Mesa do Senado por mais de sete horas, impedindo que o presidente Eunício Oliveira (PMDB-CE) abrisse a sessão na qual seria votado o projeto que modifica profundamente as relações entre o capital e o trabalho no Brasil. Qualquer avaliação cuidadosa certamente concluirá que o protesto das senadoras foi um ato ligth, decente e realizado de maneira digna e civilizada, não causando danos materiais, e realizado sem palavras, gestos ou atitudes que ofendessem a dignidade dos senadores e da instituição que representam. As cinco senadoras podem até ter causado alguma inconveniência regimental, mas nada que se compare à truculência da presidência de desligar o som e em seguida a energia elétrica. O maior problema é que aquelas cinco senadoras, que representam milhões e milhões de eleitores, detêm um nível de competência política e parlamentar que facilmente abafa o dos 14 senadores que assinaram a Representação, entre eles a “sumidade” parlamentar e legislativa Romário. Membro da elite do Senado, o presidente do Conselho de Ética chutou bola fora ao aceitar a reclamação dos “ofendidos”. Tanto que nada menos que 21 senadores protocolaram no Conselho de Ética um documento pedindo o puro e simples arquivamento da Representação dos “ofendidos”, por total falta de sentido.

São Luís, 16 de Julho de 2017.

4 comentários sobre “Sobrevida de Temer faz Roseana se movimentar; condenação de Lula estimula Dino a agilizar Governo e ações políticas

  1. Como Presidente do Senado, Eunicio tem a responsabilidade de assegurar que as sessões sejam conduzidas de maneira democrática; sendo a sua atitude, ao meu ver, uma resposta aos atos anti-democráticos das Senadoras. Afinal, o objetivo delas era obstruir a votação de um tema do qual elas não concordavam

    E outra, o Eunicio foi “truculento” ao desligar as luzes e elas foram light ao obstruir uma votação no Senado?? Definitivamente, esta parcialidade não combina com seus textos.

    E pra finalizar, a atitude do Sen. João Alberto é justificável é totalmente dentro de suas atribuições.

  2. E. Minha asa amos 15 votos era seu Roseana e sarnento filho mas devido vc está ao lado desse golpista temer.nso tem maa vamos votar em Flávio dinormal

  3. Lamento meu amigo Correia que vc pense assim este ato cometido pelas senadora, foi uma afronta a democracia e tremenda falta de respeito ao senado. Nao esqueça que elas estavam dentro do senado, no plenario deviam ter respeito. Na minha avaliaçao merem uma reprimenda no Conselho de Etica

    1. Caro Deputado Braide, mais surpreso fiquei eu com o seu juízo sobre o protestos das senadoras. Elas não praticaram qualquer delito, não pretenderam tomar o poder, não desrespeitaram regras de conduta, não pronunciaram ofensas, enfim, não desrespeitaram o Senado, que como instituição lhes deve muito. Apenas encontraram uma maneira mais visível de chamar a atenção para a posição que defendiam em relação à Reforma Trabalhista. Pretender repreender personalidades como Fátima Bezerra, Lídice da Mata e Gleise Hoffman, mulheres com um histórico de lutas e de trajetórias decentes, não faz sentido.O senador João Alberto sabe bem disso, e com a trajetória e a autoridade política e pessoal que tem, deveria, isto sim, dar um puxão de orelhas nos 11 “ofendidos” que assinaram a Representação. Em Tempo: não deixe que o conservadorismo iniba a rebeldia natural que a sua juventude deve preservar. Um abraço, com a admiração de sempre.

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