Só a ultraesquerda (PSTU e PSOL) definiu até agora candidatos à Prefeitura de São Luís

 

Saulo Arcangeli definido e Franklin Douglas a caminho da definição e Duarte Jr., Rubens Jr., Zé Inácio, Zé Carlos e Osmar Filho esperando definição partidária

As mais diferentes correntes da esquerda se preparam para disputar a Prefeitura de São Luís, que acontecerão daqui a 11 meses. O leque de candidatos deve ir do centro-esquerda, com o candidato do PDT, passando pelo que é conhecido como esquerda democrática – ou moderada -, com candidatos do PCdoB e, provavelmente, do PT, e finalmente a chamada esquerda radical – ou ultraesquerda -, com os representantes do PSOL e do PSTU. Desses cinco partidos, apenas os dois do campo radical já definiram nomes que entrarão efetivamente na briga pelo Palácio de la Ravardière. O primeiro com martelo batido é o servidor público federal Saulo Arcangeli, que foi anunciado sexta-feira (01) como pré-candidato do PSTU. O outro é o professor universitário Franklin Douglas, que é até aqui o nome com maior cacife no PSOL e que deverá ter a candidatura confirmada em congresso do partido em fevereiro do ano que vem. O PT ainda estuda a conveniência de ter ou não candidato, mas se decidir tê-lo, escolherá entre o deputado estadual Zé Inácio e o deputado federal Zé Carlos. Já o PCdoB trabalha com duas opções, o deputado estadual Duarte Jr. e o deputado federal licenciado Rubens Jr., atual secretário de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano. E, por último, o PDT, que tem como opção até aqui o vereador Osmar Filho, atual presidente da Câmara Municipal.

O PSTU não surpreendeu ao escolher Saulo Arcangeli para disputar a sucessão do prefeito Edivaldo Jr. (PDT). Militante de tempo integral do partido, Saulo Arcangeli já disputou eleição majoritária como candidato a governador no pleito 2014, como candidato do PSOL, no pleito vencido por Flávio Dino (PCdoB). Saulo Arcangeli iniciou sua militância e onde permaneceu até seu rompimento com a legenda e sua migração para o PSTU, agremiação mais à esquerda, em 2015. Escolhido pelo partido, que tomou a decisão na última sexta-feira (1), vai estrear como   candidato a prefeito da Capital. Com sua escolha, o PSTU encerra o ciclo de candidaturas do grupo liderado pelo urbanitário   Marcos Silva.

Se vier a ser confirmado candidato do PSOL, como apontam todas as evidências, o professor Franklin Douglas (Comunicação – UFMA) será uma das novidades na disputa pelo Palácio de la Ravardière, pois vai estrear como candidato a um cargo majoritário. Em 2012, o partido participou da disputa com o veterano e experiente ex-deputado federal Haroldo Sabóia, e em 2016 entrou na guerra tendo a professora universitária Cláudia Durans como candidata. Militante de tempo integral, que prega um discurso forte contra a política tradicional, Franklin Douglas faz política mantendo total coerência com a linha de ação do seu partido, o que o tornou um quadro respeitado dentro da agremiação, posição que explica sua pré-candidatura. Ele confirma o projeto de candidatura, admite que está em vantagem dentro do PSOL e acredita que será referendado pelo partido em fevereiro de 2020.

Hoje o partido mais forte e influente do Maranhão, o PCdoB está vivendo uma contagem regressiva para escolher entre dois aspirantes assumidos. Um deles é o deputado estadual Duarte Jr., que foi o mais votado e São Luís e tem feito uma pré-campanha intensa, aparecendo nas pesquisas com uma condição em que alterna está em condições de disputar a eleição com o favorito, o deputado federal Eduardo Braide (Podemos). O outro nome do PCdoB até aqui é o deputado federal licenciado e atual secretário das Cidades, Rubens Jr., por muitos apontado como nome da preferência do Palácio dos Leões. A escolha do candidato do PCdoB será feita pelo governador Flávio Dino em entendimento com o presidente regional da agremiação, deputado federal Márcio Jerry.

 

E por fim, a situação do PDT, que tem atualmente o comando da Prefeitura por meio do pedetista Edivaldo Holanda Jr.. Até agora, a inclinação do comando partidário, à frente do qual está o senador Weverton Rocha, pelo presidente da Câmara Municipal, o pedetista Osmar Filho, que tem manifestado forte interesse em ser candidato. O comandante regional e a cúpula do PDT em São Luís vão fazer a escolha definitiva até abril do ano que vem.

Todos irão à luta com uma certeza ou, pelo menos, com uma forte expectativa, de que terá o apoio dos demais quem for para segundo turno.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

ParlaNordeste repudia declarações de Eduardo Bolsonaro sobre AI-5

Othelino Neto (c) articulou a reação do ParlaNordeste às declarações de Eduardo Bolsonaro

O Colegiado de Presidentes das Assembleias Legislativas do Nordeste (ParlaNordeste) repudiou fortemente as declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), que afirmou, em entrevista divulgada na última quinta-feira (31), que, se a esquerda “radicalizar” no Brasil, uma das respostas do governo poderá ser “via um novo AI-5”. Articulada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Othelino Neto, que preside a entidade, a reação dos líderes do ParlaNordeste é uma manifestação política em defesa das instituições e do estado democrático de direito.

Confira a íntegra da nota:

O Colegiado de Presidentes das Assembleias Legislativas dos Estados do Nordeste (ParlaNordeste) vem a público manifestar sua indignação e repúdio à declaração inconsequente, autoritária e antidemocrática do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, que afirmou, em entrevista à jornalista Leda Nagle, divulgada nesta quinta-feira (31), que, se a esquerda “radicalizar” no Brasil, uma das respostas do governo poderá ser “via um novo AI-5”.

O AI 5 foi um dos Atos Institucionais mais repressivos e violentos editados na época da Ditadura Militar brasileira. A ameaça de retomar tal medida, cogitada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, significa fazer apologia a um passado tenebroso, com práticas de repressão e censura à imprensa e pelo fechamento do Congresso Nacional, resultando em centenas de presos políticos torturados e desaparecidos.

O Brasil é um Estado Democrático de Direito, portanto, tais declarações vindas de um parlamentar que tem por missão defender a Constituição Federal, são inaceitáveis, pois consistem em grave ameaça à institucionalidade democrática, na medida em que incentivam a violência e promovem a ruptura de um avanço histórico que libertou o Brasil do autoritarismo e repressão.

Manifestações como a do senhor Eduardo Bolsonaro são repugnantes, do ponto de vista democrático, e têm de ser repelidas com toda a indignação possível pelas instituições brasileiras.

Desta forma, o Colegiado de Presidentes das Assembleias Legislativas do Nordeste repudia qualquer tentativa de reeditar a barbárie dos “anos de chumbo” no Brasil e se manterá em estado de alerta, junto à sociedade brasileira, na defesa intransigente da efetivação das liberdades individuais e coletivas garantidas pela Constituição Federal de 1988.

Othelino Neto (MA) presidente

Adriano Galdino (PB) vice-presidente

José Sarto (CE) secretário

Themístocles Filho, Luciano Bispo, Nelson Leal e
Marcelo Vitor , respectivamente presidentes das Assembleias Legislativas do Piauí, de Sergipe, da Bahia e de Alagoas.

 

Juscelino Filho terá o desafio de admitir ou não pedidos de punição a filho de Jair Bolsonaro

Juscelino Filho vai decidir

Presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Federal, o deputado Juscelino Filho (DEM) tem um baita desafio para encarar tão logo desembarque em Brasília nesta segunda-feira. Isso porque devem aterrissar na sua mesa de trabalho alguns pedidos de punição do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) por quebra de decoro parlamentar. Os pedidos já anunciados vão da moção de censura pública até cassação do seu mandato por haver ele sugerido a reedição do AI-5 “se a esquerda radicalizar”. A posição de Juscelino Filho é delicada, à medida que como presidente do Conselho cabe a ele aceitar ou rejeitar tais pedidos. Se aceitar algum desses pedidos, terá de nomear um relator e comandar um processo de votação para que o Conselho decida se acata ou rejeita o parecer do relator. Se o parecer for favorável ao pedido e o Conselho concordar, o processo andará para o plenário; mas se não concordar, mandá-lo-á para o arquivo. Se o parecer do relator for contrário ao pedido, o Conselho decidirá concordando com o relator e mandando-o para o arquivo morto, ou discordando do relator e mandando para o plenário. Em qualquer dessas situações o papel do presidente do Conselho é efetivo e decisivo, a começar pelo fato de que é ele o responsável pela escolha do relator, fator decisivo em decisões dessa natureza. É muito provável que antes de qualquer decisão o deputado Juscelino Filho consulte o seu partido, o DEM. A situação se torna mais complicada quando a opinião dominante na Câmara Federal é a de que, com suas declarações, o deputado Eduardo Bolsonaro, está em maus lençóis, pois deve ser no mínimo censurado publicamente.

Numa entrevista que concedeu à revista Veja sobre o imbróglio, o deputado Juscelino Filho sinalizou sua posição: “As declarações são muito graves, porque pareceram afrontar a Constituição Federal, ameaçar o estado de direito e ofender a democracia brasileira, sobretudo porque foram feitas por um agente político eleito pelo voto popular e soberano, o que seria uma incoerência absurda, que ele mesmo reconheceu posteriormente ao se desculpar, ao se retratar”.

Vale a pena aguardar.

São Luís, 03 de Novembro de 2019.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *