Seminário confirmou que há convergência de todos em tudo que diz respeito ao uso comercial da Base de Alcântara

 

Ouvido com atenção pelo ministro Marcos Pontes,e autoridades presentes, o governador Flávio Dino abre o seminário que discutiu o futuro da Base de Alcântara

Raramente um evento para debater um tema política, econômica, tecnológica e socialmente complexo, marcado por vieses que vão das raízes da escravidão à sofisticação tecnológica da exploração espacial, passando pela lógica do mercado de uma indústria dominada por poucos, e ainda pelo temor natural de risco à soberania nacional, produziu tanta convergência de ideias e interesses como o Seminário “Base de Alcântara:  Próximos Passos”, realizado ontem em São Luís por iniciativa do Governo do Estado para discutir o Acordo de Salvaguarda Tecnológica por meio do qual o Brasil abre caminho para a exploração comercial do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Empunhando tão somente as armas da boa vontade e do interesse comum, o governador Flávio Dino (PCdoB) e o ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, comandaram um debate que definiu finalmente um roteiro possível, sensato e equilibrado para definir meios que assegurem que o uso comercial do CLA seja um bom negócio para o Brasil, para o Maranhão e para Alcântara, incluindo a cidade histórica e as comunidades quilombolas que circundam a base.

Para começar, o seminário reuniu o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (Cidadania), o vice-presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara Federal, deputado Márcio Jerry (PCdoB), a reitora da UFMA Nair Portela, cientistas, técnicos civis e militares de diferentes patentes da Aeronáutica envolvidos no funcionamento do CLA, militares, etc.. E todos, por diferentes caminhos e sem forçar barra, convergiram para os pontos que de fato estavam e discussão e são mesmo de interesses público. Ficou evidenciada a consciência geral de que Alcântara é uma dádiva e o CLA uma joia que só precisa lapidar e usar em função do bem comum. Mas que tudo isso só fará sentido se a soberania nacional for integralmente preservada.

A primeira convergência levantada pelo governador Flávio Dino e corroborada em gênero, número e grau pelo ministro Marcos Pontes: o CLA, que já consumiu centenas de milhões do contribuinte, amargou uma tragédia humana e tecnológica, tem de funcionar e gerar dividendos e benefícios para os brasileiros; e o Acordo de Salvaguarda Tecnológica (AST), já firmado com os Estados Unidos, é o caminho mais promissor. As mais de duas centenas de participantes do seminário, interpretando o sentimento da sociedade brasileira e independentemente de viés político e de cor partidária, veem o AST como fato consumado e torcem para que, com ou sem ajustes, ele seja aprovado o quanto antes pelo Congresso Nacional e pelo Congresso dos EUA. Nenhuma voz contrária se manifestou até aqui.

Com o aval entusiasmado do governador Flávio Dino, a segunda convergência se deu em relação ao entorno do CLA envolvendo comunidades quilombolas, que é uma das mais delicadas e complexas e que poderia causar divergências e tensões. As preocupações foram mandadas para o espaço pelo ministro Marcos Pontes, que com sua autoridade de astronauta assegurou que as pendências para com as comunidades quilombolas afetados com a instalação do CLA nos anos 70 do século passado serão resolvidas. E no que diz respeito às comunidades que temem perder suas raízes com uma eventual expansão da área do Centro, o ministro de Ciência e Tecnologia, de novo com a sua autoridade de astronauta, garante: a área do CLA está adequada às suas necessidades e não há necessidade de expansão territorial. Convergência integral também nesse mister.

Todos querem que de alguma maneira o AST produza meios para o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil e do Maranhão, atualmente empenhado nesse campo com de unidades do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), além do interesse que a produção tecnológica desperta na UFMA e na UEMA. A convergência nesse sentido é ampla, mas como se trata de investimentos futuros, o seminário abriu caminho para que o tema seja debatido à exaustão, para que venham a ser definidos caminhos e projetos bem amarrados nessa seara muito promissora, mas também muito complexa.

E, finalmente, o ponto sobre o qual todos concordam, mas que certamente deverá gerar uma dura queda de braços entre a União, que é a dona do Centro e do Programa Espacial Brasileiro, que naturalmente vai levar a parte do leão, o Governos do Estado, que é o dono do território que abriga o programa, e Alcântara, que é dona da área onde o CLA está implantado. O Acordo firmado com os EUA nada tem a ver com essa medição de força, que é uma questão interna. Até porque nenhum país, a começar pelos EUA, firmará um acordo intrometendo-se nessa seara, até porque seria a abertura de uma brecha enorme para permitir fisgadas na soberania nacional. A divisão dos dólares que aterrissarão no país será o resultado de um acerto que envolverá a classe política como um todo.

O mais virá à medida que quando o acordo virar uma realidade e o CLA for de fato transformado de fato numa base de onde serão lançados foguetes de quem puder pagar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Carlos Brandão fatura prestígio ao acompanhar Marcos Pontes a Alcântara

Carlos Brandão (direita) curtiu a tarefa de acompanhar Marcos Pontes em Alcântara

Sem esconder o jeitão de quem está mesmo determinado e brigar pela vaga de candidato a governador pela aliança liderada pelo governador Flávio Dino, que parece estimulá-lo, o vice-governador Carlos Brandão (PRB) vem ocupando todos os espaços que lhe são abertos. Ontem, por exemplo, ele foi destacado para acompanhar o ministro Marcos Pontes (Ciência e tecnologia) a Alcântara, onde visitou o CLA e a cidade. Curtiu e faturou bem a viagem, a começar pelo fato de estar ciceroneando o ministro, que é muito carismático e ainda mantém grande prestígio como o primeiro astronauta brasileiro a ir ao espaço. Ele visitou o cosmo numa nave russa Soyuz para uma missão na Estação Espacial Internacional em março de 2006, durante o Governo do presidente Lula da Silva (PT), que garantiu sua viagem pioneira e o recebeu como um herói. Onde chega, Marcos Pontes é festejado, principalmente em ambientes escolares. Não foi diferente ontem em Alcântara, onde sua visita foi comemorada por quem o encontrou, a começar por estudantes. Carlos Brandão, que nada tem de bobo, embarcou na nave de Marcos Ponte e marcou posição no Seminário que discutiu o Acordo de Salvaguarda Tecnológica.

 

Detinha mostra força política ao reunir Felipe Camarão e Marcelo Tavares na Assembleia Legislativa

Othelino Neto (centro) conduz reunião entre Detinha e Marcelo Tavares e Felipe Camarão e seus adjuntos sobre educação

Uma reunião realizada ontem na Assembleia Legislativa mostrou o peso político da deputada Maria Deusdete Rodrigues, politicamente conhecida como Detinha, que saiu das urnas como campeã de votos, e que segue firme a linha de ação do marido, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que junto com ela comanda o PR, uma das forças partidárias crescentes no Maranhão. A seu pedido, o presidente Othelino Neto conduziu a reunião em que ela discutiu a situação educacional nos 17 municípios que integram a região do Alto-Turi diretamente com o secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão, que foi ao Palácio Manoel Beckman acompanhado de ninguém menos eu o chefe da Casa Civil, Marcelo Tavares. Munida de argumentos e documentos, a deputada explanou a atual situação das escolas da regional de Zé Doca, que passam, principalmente, por dificuldades relativas à falta de infraestrutura e de professores. As escolas, segundo ela, estão sem professores desde o início do ano letivo e, além disso, com problema na infraestrutura e na qualidade do ensino naquela região. O secretário Felipe Camarão, que levou junto os secretários-adjuntos Anderson Lindoso e Nádia Dutra, ouviu com atenção as demandas levadas pela deputada e disse que a reunião foi produtiva e positiva. Ele apresentou o quadro atualizado da região com o quantitativo de professores e expôs as medidas que estão sendo tomadas no âmbito administrativo. E prometeu que na semana que vem, uma equipe irá até a região para colocar em ordem o que estiver fora. E marcou nova reunião para depois da Semana Santa. Vivamente impressionada com o domínio que o secretário Felipe Camarão tem da situação, a deputada Detinha agradeceu a atenção e a compreensão dos secretários Felipe Camarão e Marcelo Tavares e a presença do deputado Othelino Neto, intermediando a reunião, que na verdade foi uma demonstração de força política e prestígio pessoal.

São Luís, 16 de Abril de 2019.

 

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