
no PT ao receber no Palácio dos Leões líderes de duas correntes do
partido para apresentar o programa “Educação de Verdade”, por meio
do qual vai investir para melhorar a alimentação de mais de 220 mil
estudantes da rede estadual de ensino. Na primeira foto, Carlos
Brandão está entre o subchefe da Casa Civil, Júnior Viana, o deputado
federal Ruben Jr., o secretário de Economia Solidaria Luiz Henrique
Lula, o secretário Washington Oliveira, a diretora da Rede Iema Cricielle
Muniz, o ex-presidente do PT Francimar Melo e o secretário de
Articulação Política Rubens Pereira; na segunda foto, além dos
secretários palacianos, Carlos Brandão está ladeado por Genilson
Alves, candidato a presidente do PT, o suplente de deputado
Zé Inácio, o diretor do Incra Zé Carlos Araújo,
e o presidente interino do PT Augusto Lobato.
“Só vou decidir mais na frente”. Foi essa a resposta direta e objetiva do governador Carlos Brandão à indagação feita pela Coluna a respeito do seu futuro partidário no dia seguinte à decisão da cúpula nacional do PSB de entregar o comando estadual do partido à senadora Ana Paula Lobato. Acostumado a refregas políticas e partidárias, o governador trabalhou para manter o controle da legenda socialista, mas os chefes nacionais do partido decidiram entregar a legenda ao Grupo Dinista, adversários do seu Governo. Líder de um grande grupo formado por oito deputados estaduais – entre eles a Iracema Vale, presidente do Poder Legislativo – quase duas dezenas de prefeitos e um grande número de vereadores – incluindo a grande bancada na Câmara Municipal de São Luís, comandada pelo presidente da Casa, vereador Paulo Victor -, o governador Carlos Brandão não se abalou com a perda do controle do PSB, e agora estuda, sem precipitação, qual o seu destino partidário. Todas as avaliações levam à mesa do governador Carlos Brandão três caminhos possíveis: MDB, PDT e União Brasil.
Todas as equações montadas sobre o futuro partidário do governador Carlos Brandão indicam que o seu pouso mais provável será o MDB. Por razões óbvias. O partido é comandado pelo empresário Marcus Brandão, seu irmão, e tem como filiado o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão, seu sobrinho e pré-candidato ao Governo do Estado com o seu aval. O MDB tem hoje um deputado federal (Roseana Sarney), dois deputados estaduais – Ricardo Arruda e Keké Teixeira -, mais de uma dezena de prefeitos – entre eles Roberto Costa, de Bacabal e presidente da Famem -, além de um grande número de vereadores em todo o estado. É um dos partidos mais organizados do maranhão, reunindo na sua cúpula o ex-presidente José Sarney e os ex-governadores e ex-senadores João Alberto e Edison Lobão. É, de longe, o partido com que o governador mais se identifica no conjunto de que lhe abriram as portas.
A segunda opção do governador Carlos Brandão é o PDT, comandado no Maranhão pelo senador Weverton Rocha, que já o candidato à reeleição declaradamente apoiado pelo mandatário maranhense, e que deve receber em seus quadros a deputada-presidente Iracema Vale. Em conversas reservadas, o chefe do Executivo estadual tem admitido a possibilidade de ingressar no PDT, mas à medida que a legenda é fortemente personalizada como espaço de domínio quase absoluto do senador Weverton Rocha, o que certamente dificultaria a criação de um ambiente em que ele, Carlos Brandão, pudesse ter poder de decisão. Isso não impede que ele venha a optar pela legenda brizolista, depois de analisar o contexto partidário com mais atenção.
A terceira opção do governador do Estado seria o União Brasil, hoje controlado no Maranhão pelos deputados federais Pedro Lucas Fernandes, que lidera a bancada na Câmara Federal, e Juscelino Filho, ex-ministro. Só que, se por um lado Pedro Lucas Fernandes integra a base de apoio do governador Carlos Brandão e apoia a pré-candidatura do secretário Orleans brandão ao Governo do Estado, o deputado Juscelino Filho, que lidera o outro braço estadual do partido, se movimenta como opositor ao Governo estadual. Mesmo apoiado da direção nacional, a posição do deputado federal e ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho dificulta qualquer entendimento com o União Brasil.
Quando afirma que só decidirá o seu destino partidário “mais na frente”, o governador Carlos Brandão avisa que não tem pressa para escolher um partido. Por três motivos: são várias as opções que estão sendo colocadas sobre a sua mesa, ele precisa de uma legenda que abrigue grande parte dos seus aliados, e porque não será candidato a nada, o que não o obriga a ter uma filiação partidária dentro do prazo legal de um ano para poder disputar a eleição de 2026. Mesmo se levando em conta o fato de que sua filiação partidária terá grande influência na mobilização dos integrantes da aliança partidária que comanda.
PONTO & CONTRAPONTO
PT: Francimar está fora; comando será disputado por Genilson e Monteiro
O comando nacional do PT decidiu colocar p braço maranhense do partido na linha ao acatar decisão judicial que anulou a posse de Francimar Melo como presidente reeleito do partido e determinou a realização de um segundo turno entre os dois candidatos mais votados, Genilson Alves e Raimundo Monteiro. Com a decisão, Augusto Lobato, um dos vice-presidentes, assumirá a presidência da agremiação até a eleição e posse do novo presidente.
O acatamento da decisão judicial pelo comando nacional do PT, o braço maranhense deve sofrer uma guinada radical, principalmente no que respeita à posição do partido em relação à corrida ao Governo do Estado. Não é segredo que a o PT maranhense está dividido entre apoiar o vice-governador Felipe Camarão, membro do partido, pré-candidato ao palácio dos Leões, ou o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), mantendo aliança com o governador Carlos Brandão – que está deixando o PSB.
O presidente afastado pela Justiça, Francimar Melo, que recorreu da decisão, caminhava para alinhar o PT ao projeto de candidatura de Orleans Brandão, com o aval do ex-vice-governador e atual secretário do Governo do maranhão em Brasília Washington Oliveira, e a diretora geral da Rede Iema, Cricielle Muniz, incentivados por vários quadros petistas que ocupam cargos relevantes no Governo do Estado e se preparam para disputar mandatos em 2026.
Com a nova eleição, o partido será comandado Genilson Alves, que fecha com o grupo mais alinhado ao Palácio dos Leões, ou pelo experiente Raimundo Monteiro, do chamado “PT raiz” e que representa correntes mais tradicionais do partido no Maranhão.
Francimar Melo deixou o cargo atirando chumbo grosso contra as correntes que acionaram a Justiça para derrubá-lo. Ele classificou de “golpe” a invalidação da sua eleição.
Fred Campos deve deixar o PSB e seguir o rumo partidário de Brandão
O prefeito de Paço do Lumiar, Fred Campos, entrou numa situação partidária complicada com a mudança no comando do partido pelo qual se elegeu, o PSB. Um dos fortes aliados do governador Carlos Brandão, que foi decisivo na sua eleição, Fred Campos é também apoiador linha de frente da pré-candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), que deve perder o apoio do PSB.
Não há dúvida de que o prefeito de Paço do Lumiar dificilmente permanecerá na agremiação socialista com o novo comando do partido. O mais provável é que ele migre para a legenda à qual o governador Carlos Brandão vier a se filiar, com grande possibilidade de ser o MDB.
Se a escolha for pelo MDB e Fred Campos migrar para esse partido, como é presumível, o comando político e administrativo de Paço do Lumiar se tornará totalmente emedebista. Isso porque a vice-prefeita, a dentista Mariana Brandão, se elegeu pelo MDB, partido presidido por seu pai, o empresário Marcos Brandão, e ao qual o seu irmão, Orleans Brandão, pré-candidato ao Governo, é filiado.
São Luís, 09 de Agosto de 2025.

