Governistas atacam mudança no PSB e defendem Brandão; dinistas apoiam troca e atacam Brandão

Othelino Neto e Carlos Lula festejaram a mudança no PSB; Iracema Vale,
Antônio Pereira, Andrea Rezende, Florêncio Neto, Davi Brandão
e Adelmo Soares, que são do partido, criticaram a cúpula, com o
apoio de Ana do Gás (PCdoB); e Ricardo Arruda
colocou o MDB à disposição dos atingidos

“O que não me mata, me fortalece”, declarou ontem a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale, no embate travado no plenário do Casa entre deputados do PSB alinhados ao governador Carlos Brandão e os que integram o mesmo partido pertencentes ao chamado Grupo Dinista, por causa da reviravolta no comando do braço da agremiação no Maranhão. Os brandonistas externaram indignação e criticaram duramente a decisão da cúpula nacional de destituir o governador Carlos Brandão da presidência do partido e entrega-la à senadora Ana Paula Lobato, enquanto os dinistas acusaram o mandatário maranhense de promover discriminação dentro da legenda. E apesar da aspereza das estocadas nas duas direções, o confronto foi mantido em alto nível, sem qualquer declaração condenável, digno, portanto, de um parlamento.

Em mais de uma hora de “bate, levou”, os aliados do governador Carlos Brandão atacaram com ênfase a direção nacional do PSB, defenderam a gestão partidária e a ação política do governador, mas deixaram a senadora Ana Paula Lobato fora da linha de tiro. Os governistas externaram enfaticamente a sua inconformação, mostraram o seu desconforto, mas nenhum anunciou o seu desligamento do partido. A sinalização mais forte nessa direção foi a da presidente Iracema Vale, que não anunciou a saída, mas declarou já ter recebido convites, preferindo, no momento, que o grupo se mantenha unido para estudar o caminho a ser tomado. A tendência é no sentido de que nem todos migrem para o mesmo partido

Foi um embate prolongado, com pronunciamentos marcados por um bate-rebate às vezes áspero, com acusações de ambas as partes, com os governistas centrando fogo na decisão da cúpula nacional e os oposicionistas defendendo a mudança e atacando fortemente o Governo e o governador. Na refrega verbal entraram deputados de outros partidos, que se posicionaram em apoio ao governador Carlos Brandão. E a maior grita dos deputados do PSB ligados ao governador Carlos Brandão foi a de não terem sido consultados pela direção nacional sobre a mudança. Consideraram-se traídos e reclamaram que o governador não foi tratado corretamente.

Tudo começou com o deputado Ricardo Arruda, do MDB e que em princípio nada tinha a ver com a crise até então restrita ao PSB. Ele criticou a decisão da cúpula nacional pela mudança, avaliando que o governador lidera uma gestão competente e produtiva e comanda um grupo político amplo e unido, que reúne mais da metade da Assembleia Legislativa, dezenas de prefeitos e centenas de vereadores. O deputado Othelino Neto rebateu a fala do emedebista e defendeu a mudança disparando duros ataques ao governador. Em seguida o deputado Carlos Lula – que será vice-presidente da nova direção do PSB -, que atacou duramente o governador e seu Governo, afirmando que ele teria praticado discriminação dentro do partido como oposição.

A reação foi ampla, deputada Andrea Rezende se declarou triste pela mudança feita sem consultar os deputados estaduais. O deputado Antônio Pereira reagiu incomodado com o fato de não ter sido consultado, mas defendeu que o grupo de parlamentares governistas pare para refletir, para tomar uma decisão pensada, mantendo o seu alinhamento ao governador Carlos Brandão. Na mesma toada se manifestaram os deputados Florêncio Nato, Davi Brandão e Adelmo Soares, todos do PSB e seguidores do governador Carlos Brandão. Além de Ricardo Arruda, parlamentares de outros partidos, como Ana do Gás (PCdoB), Cláudio Cunha (PL), Batista Segundo (PL), Helena Duailibe (PP), e Catulé Jr, (PP) entraram no debate em defesa do governador Carlos Brandão, não só elogiando a sua gestão, mas também a sua ação política, baseada principalmente na sua relação com prefeito.

O que chamou a atenção mesmo foi a confirmação do apoio dos deputados ao governador Carlos Brandão, deixando no ar a impressão de que poderão seguir o rumo partidário que ele vier a tomar. O deputado Ricardo Arruda declarou que o MDB “está aberto e ficará feliz se vier a receber nossos amigos do PSB”  

PONTO & CONTRAPONTO

Iracema se diz motivada, prega calma entre aliados e diz que são muitos convites de outros partidos

Iracema Vale quer manter o grupo
unido em torno de Carlos Brandão

O ponto alto do debate foi a atitude da presidente Iracema Vale, que deixou momentaneamente a presidência e foi para o plenário para entrar efetivamente no debate. Ela manifestou claramente o seu incômodo com a mudança, justificando com o fato de os deputados alinhados ao governador não terem sido consultados.

E mais: revelou que numa conversa com o deputado federal Duarte Jr., o presidente nacional do PSB, João Campos teria revelado que a motivação que o levou a promover a mudança na direção maranhense do partido “estava muita além das suas forças”, dando a entender que o comando nacional fez a mudança sob pressão.

– Partido político se faz é com políticos, com grupos políticos e com votos – declarou a presidente, avisando que o grupo atingido pela mudança tem cacife para se reacomodar em outras legendas: “Nós temos muitos convites de outros partidos”. E acrescentou: “Nós temos um governador forte, atuante, convidado por várias legendas”.

Ela assinalou que, apesar do mal-estar causado pela mudança, a sua motivação é de otimismo, admitindo até a possibilidade de o grupo permanecer momentaneamente no partido, pode ter futuro incerto no estado: “Nós temos de nos reorganizar num partido que não existe mais”.

E reafirmou que o grupo, a começar por ela própria, permanecerá fiel à orientação política do governador Carlos Brandão. Resumindo seu estado de ânimo com a seguinte declaração: “Como mulher do interior, costumo dizer que o que não me mata, me fortalece”.

Em tempo: na quarta-feira, a presidente Iracema Vale admitiu migrar para o PDT.

Confronto entre dinistas e brandonistas na Alema poupou Felipe Camarão e Orleans Brandão

O que mais chamou a atenção do confronto entre dinistas e brandonista por conta da mudança no controle do PSB no Maranhão foi a completa ausência de referência aos dois maiores interessados na reviravolta: o vice-governador Felipe Camarão (PT) e o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB).

Felipe Camarão e Orleans Brandão poupados no
confronto entre dinistas e brandonistas na Alema

Principal beneficiado com o PSB encontra-se agora sob o comando da senadora Ana Paula, que integra a ala dinista do partido, o vice-governador, que é pré-candidato assumido ao Governo do Estado e está na contramão em relação ao governador Carlos Brandão, foi completam ente ignorado tanto por dinistas quanto por brandonistas durante o embate de quinta-feira no parlamento estadual.

O mesmo aconteceu em relação ao secretário Orleans Brandão, pré-candidato a governador apoiado pelo governador Carlos Brandão e seu grupo. Os dinistas atacaram duramente o governador Carlos Brandão, mas não fizeram qualquer em relação à posição do governador na corrida sucessória. A não referência ao pré-candidato do MDB foi evidente nos discursos dos deputados que o apoiam.

Esse detalhe do embate surpreendeu pelo fato de que não há como negar que o motivo básico da virada no comando do PSB maranhense é exatamente a guerra pelo comando do Estado, na qual o vice-governador Felipe Camarão e o secretário Orleans Brandão são os principais protagonistas.

Os próximos passos dos dois grupos talvez revelem e expliquem o motivo de os dois não terem sido colocados no meio tiroteio verbal.

São Luís, 08 de Agosto de 2025.

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