Pesquisa mostra liderança de Braide, Orleans em segundo, empate técnico entre Camarão e Bonfim e elevado número de indecisos

Eduardo Braide lidera, Orleans Brandão é segundo,
e com Felipe Camarão e Lahesio Bonfim empatados,
com vantagem numérica para o petista

A eleição para governador do Maranhão só será realizada no dia 4 de outubro, daqui a 14 semanas, portanto, mas se a corrida às urnas acontecesse agora, haveria segundo turno entre o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) e o ex-secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), mas com a possibilidade remota de ser resolvida em turno único, com a vitória do candidato do PSD. O vice-governador Felipe Camarão (PT) sairia da lanterna e chegaria à frente do ex-prefeito de São padro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo). Foi esse o cenário encontrado pela pesquisa por meio da qual a empresa piauiense IPPI Pesquisas e Consultorias mediu a disputa ao Palácio dos Leões.

De acordo com o relatório do IPPI, Eduardo Braide tem 35,7% das intenções de voto, seguido de Orleans Brandão com 19,5%, do vice-governador Felipe Camarão (PT) com 6,8%, Lahesio Bonfim (Novo) com 5,5%, e “outros” – no caso Enilton Rodrigues (PSOL) e Saulo Arcangeli (PSTU) – somaram 2,8%. De acordo com o IPPI, 22% não souberam ou não quiseram responder, e 7,7% disseram que votarão nulo ou branco.

O IPPI encontrou também a possibilidade, remota, é verdade, de um desfecho no 1º turno ao realizar a equação para encontrar os votos válidos – quando são retirados os indecisos e os que querem votar nulo ou branco – e rascunhando um cenário em que, por uma centelha, Eduardo Braide seria eleito governador com 50,8%, dentro da margem de erro, enquanto os demais obteriam os seguintes resultados: Orleans Brandão (27,7%), Felipe Camarão (9,7%) e Lahesio Bonfim (7,9%).

Independentemente do quadro de intenções de votos que encontrou, como a indicação da liderança do ex-prefeito de São Luís, a pesquisa do IPPI trouxe outras informações importantes. A primeira foi a inclusão do vice-governador Felipe Camarão como candidato do PT ao Governo do Estado, definindo o quadro de candidatos ao Governo do Estado. O seu desempenho na corrida não mudou em relação a outras pesquisas, mas ele foi beneficiado pelo surpreendente emagrecimento de Lahesio Bonfim, que aparece na quarta posição.

Felipe Camarão e Lahesio Bonfim estão tecnicamente empatados, mas o pré-candidato do PT aparece numericamente à frente do pré-candidato do Novo. O curioso desse embate entre o terceiro e o quarto colocados é que ele se dá exatamente no momento em que, depois de um longo período de indefinição, o vice-governador Felipe Camarão começa de fato a existir como pré-candidato do PT, autorizado pelo comando nacional do partido e com o aval do presidente Lula da Silva (PT).

Outro dado levantado pela pesquisa que chamou a atenção foi o número de indecisos: 22% disseram que não sabem em quem votar ou não quiseram responder. Trata-se de um percentual de indecisos muito elevado e não encontrado em nenhuma pesquisa recente. Equivalente a nada menos que 1 milhão de votos se levado em conta o total de eleitores do Maranhão, trata-se de um contingente de com poder de fogo para definir os rumos da eleição.

Por essas informações, o indicativo mais forte é que a eleição encontra-se rigorosamente indefinida, e até aqui polarizada entre o ex-prefeito de São Luís, que corre em faixa própria e tem campo para ampliar o seu favoritismo, e o ex-secretário de Assuntos Municipalistas, que tem o apoio do governador Carlos Brandão (sem partido) e tem muito espaço para crescer. Na verdade, os números do IPPI mostram que todos os pré-candidatos têm espaço para crescimento.

Em Tempo: a pesquisa do IPPI Pesquisas e Consultoria ouviu 1.500 eleitores no período de 7 e 11 de maio de 2026, tem margem de erro de 3,89 pontos percentuais, para mais ou para menos, e está registrada no TSE (MA-04499/2026). Vale anotar o fato de que o IPPI não informou quem contratou a pesquisa.

PONTO & CONTRAPONTO

Ato de entrega de veículos da Saúde reuniu Brandão e Camarão sem tensão e com alinhamento com Lula

Foto 1: Márcio Jerry, Felipe Camarão, Cleber Verde, Rubens Jr., Llano Silva e Carlos Brandão
no mesmo ato. E Fotos 2, 3, 4 e 5: veículos do Programa Caminhos da Saúde, do Governo Federal

São Luís foi palco, nesta quinta-feira, de uma reunião fora dos padrões recentes nos campos institucional e político. Ocorreu na entrega, pelo Governo Federal, representado pelo secretário-adjunto de Atenção Primária do Ministério da Saúde, Llano Silva, de 84 veículos equipados para levar o Programa Agora tem Especialistas – Caminhos da Saúde, um investimento de R$ 49,3 milhões, que assegura a chegada de assistência na área de saúde às comunidades mais distantes do Maranhão. Tudo ocorreu normalmente, sem qualquer intercorrência.

O diferencial é que o palanque reuniu, de um lado, o governador Carlos Brandão (sem partido), acompanhado da secretária estadual de Saúde Liliane Carvalho e políticos da base governista, e de outro, o vice-governador Felipe Camarão, pré-candidato ao Governo do Estado – e hoje adversário ferrenho do governador, que apoia a pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) – e a senadora Eliziane Gama (PT), candidata à reeleição e outros políticos.

Como era previsto, todos os que falaram destacaram a ação do Governo Federal e exaltaram a figura do presidente Lula da Silva (PT), ficando claro que o seu projeto de reeleição está acima das profundas e ásperas diferenças que separam hoje os chamados grupos dinista, liderado por Felipe Camarão, e brandonista, liderado que tem o governador Carlos Brandão como principal liderança e referência.

O ato foi também marcado por urbanidade política, uma vez que não houve ataques de lado a lado entre oposição e situação. Ao contrário, houve gestos de descontração, como o cumprimento trocado sem tensão entre o vice-governador e o governador do Estado, o mesmo acontecendo com a senadora Eliziane Gama. Participaram ainda os deputados federais Márcio Jerry, presidente estadual do PCdoB, e Rubens Júnior (PT).

A presença dos dois grupos no ato de entrega dos 84 veículos foi fruto de uma discreta e eficiente articulação do Palácio do Planalto, que apoia a pré-candidatura de Felipe Camarão, mas quer manter a convivência política e institucional com o governador Carlos Brandão. Aconteceu tudo dentro do roteiro previsto.

Escandaloso pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro está levando chefes da direita a se engalfinharem no Maranhão

Lahesio Bonfim e Allan Garcez: direita radical
dividida no escândalo de Bolsonaro/Vorcaro

O pré-candidato do Novo ao Governo do Estado, Lahesio Bonfim, e o suplente de deputado federal Allan Garcez, ambos autonomeados porta-vozes da direita radical no Maranhão, travaram ontem um embate verbal por causa do escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL a presidente da República, e ex-chefão do Banco Master Daniel Vorcaro, no inacreditável caso envolvendo pedido de R$ 130 milhões para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está na cadeia por tentativa de golpe de estado.

Lahesio Bonfim seguiu a linha do ex-governador mineiro e pré-candidato do Novo a presidente da República, Romeu Zema, que bateu forte no filho 01 de Jair Bolsonaro, declarando, em vídeo, que o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro foi um ato escandaloso e “um tapa na cara dos brasileiros de bem”. O pré-candidato do Novo ao Governo do maranhão declarou, em redes sociais, que se sentiu envergonhado e que o candidato presidencial do PL tem muito a explicar.

Apontado como o bolsonarista mais radical entre os políticos maranhenses, o suplente de deputado federal (PP), Allan Garcez, reagiu zangado às declarações de Lahesio Bonfim. Primeiro defendendo a ação de Flávio Bolsonaro, sob a cândida alegação de que foi apenas um filho pedido apoio para financiar um filme sobre o pai, afirmando que está com ele em qualquer circunstância. E acusou Lahesio Bonfim de representar uma “falsa direita”, deixando a impressão de que, não importa o desvio que Flávio Bolsonaro tenha cometido, a direita tem de apoia-lo, cegamente, aconteça o que acontecer.

Pelo tom das declarações, os “porta-vozes da direita” tendem a se engalfinhar ainda mais, à medida que a situação de Flávio Bolsonaro for se agravando.

São Luís, 15 de Maio de 2026.

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