PDT vive o dilema de ter o prefeito de São Luís, mas não dispor de nome forte para disputar a sucessão

 

Weverton Rocha não tem interesse, e conta com Neto Evangelista porque Osmar Filho e Ivaldo Rodrigues não têm peso suficiente para disputar a Prefeitura de SL

O PDT está embarcando num jogo complicado e de desfecho imprevisível no tabuleiro da disputa para a Prefeitura de São Luís. Ao mesmo tempo em que sinaliza clara e enfaticamente que seu caminho deve ser o de uma aliança com o DEM em torno da candidatura do deputado estadual Neto Evangelista, a cúpula pedetista, que tem o senador Weverton Rocha e o prefeito Edivaldo Holanda Jr. como líderes maiores, parece estimular mais dois projetos de candidatura dentro do partido, um do vereador e secretário municipal Ivaldo Rodrigues, e outro, do vereador Osmar Filho, presidente da Câmara Municipal,  ambos nomes destacados do PDT. E numa terceira frente, a cúpula pedetista considera a possibilidade de uma aliança em torno de um candidato do PCdoB, que pode ser o atual vice-prefeito Júlio Nogueira, o deputado estadual Duarte Jr. ou o deputado federal Rubens Jr., atual secretário das Cidades.

A verdade é que o PDT vive o drama de, mesmo com toda a força que mantém em São Luís, berço da sua aguerrida militância, não dispõe nos seus quadros um nome forte, eleitoralmente viável. O único que conta com esse perfil é exatamente o senador Weverton Rocha, para quem não faz sentido interromper uma trajetória parlamentar até aqui vitoriosa e produtiva para entrar numa desgastante guerra de base. Nesse ambiente limitado, o PDT estimula candidaturas, na esperança de que alguma delas deslanche e assegure a sua permanência no comando administrativo e político da Capital, que Weverton Rocha precisa como o maior pilar na base de sustentação do seu projeto de disputar o Governo do Estado em 2022. O senador sabe que sem essa fonte de força política a viabilização do seu projeto será muito mais difícil.

A aliança com o DEM em torno do deputado Neto Evangelista é, até aqui, o projeto mais viável. O democrata é bem situado, tem base política na Capital, conhece a cidade como poucos, tem noção muito clara da dimensão do cargo, e pode atrair grande fatia do eleitorado jovem. E dependendo da sua posição nas pesquisas um pouco mais na frente, poderá contar até com o apoio do PCdoB, já que na convenção do DEM o governador Flávio Dino não declarou apoio a Neto Evangelista, mas foi enfático ao afirmar que nada fará para obstaculizar sua caminhada rumo à Prefeitura. Ou seja, a candidatura do democrata tem boas chances de dar certo, mas no caso da sua eleição o PDT será parceiro, mas não terá o poder.

A pré-candidatura do vereador-presidente Osmar Filho parece ser, por enquanto, apenas um jogo de cena para fortalecer sua imagem política e parlamentar, já que, pelo menos até aqui, não veio à tona qualquer informação estatística apontando-o como nome forte nessa peleja, embora sejam indiscutíveis sua capacidade de articulação e o seu peso eleitoral. O mesmo acontece com o vereador Ivaldo Rodrigues – um político bem-sucedido, nascido no movimento estudantil na Greve de 1979 e que galgou prestígio dentro do PDT ainda sob o comando de Jackson Lago. Ivaldo Rodrigues é um militante aguerrido e que conhece em profundidade as sutilezas da política ludovicense, o que explica os sucessivos mandatos conquistados nas urnas para a Câmara Municipal. Mas é improvável que ele consiga viabilizar sua candidatura

Como se vê, o PDT vive o amargo dilema de ter o atual prefeito de São Luís, de reunir força política e militância boa de briga, mas não sem dispor nos seus quadros de um nome com prestígio e viabilidade para liderar essas condições numa campanha vitoriosa. O que o distancia de um fracasso eleitoral retumbante na Capital é ter um comandante audacioso e arrojado como Weverton Rocha, que não descansar até encontrar um rumo seguro para o partido em São Luís.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Projeto que estica mandatos entusiasma prefeitos, mas não é bem vista por boa parte do Congresso Nacional

Erlânio Xavier (Famem) torce por um projeto que divide opiniões no País

Os líderes municipalistas do Maranhão, a começar pelo presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), Erlânio Xavier (PDT), que é prefeito de Igarapé Grande, estão entusiasmados com a possibilidade de seus mandatos, que terminarão no dia 31 de dezembro de 2020, sejam prorrogados por dois anos, para terminarem somente em 31 de dezembro de 2022. A expectativa dos prefeitos está na esdrúxula PEC nº 376/2019, de autoria do deputado federal Ernandes Amorim, com o objetivo de produzir a coincidência dos atuais mandatos e fixado o mandato de prefeito em oito anos e o de senador em 10 anos, extinguindo o instituto da reeleição. O entusiasmo do presidente da Famem não coincide com o ânimo da maioria do Congresso Nacional, onde alguns líderes sensatos veem a proposta de Ernandes Amorim como uma aberração sem futuro. Para começar, Ernandes Amorim é um político acreano barra-pesada, que já foi senador e andou envolvido em situações cabeludos, e por isso dificilmente terá prestígio suficiente para convencer seus pares de que a tal PEC é uma boa para o processo democrático brasileiro.

Nos anos 80 do século passado, os prefeitos eleitos em 1982 tiveram seus mandatos aumentados em dois anos. Mas naquele momento, a situação se justificou perfeitamente. Com a queda da ditadura e a restauração da democracia, eleições gerais – exceto a do presidente da República, que fora eleito indiretamente, e prefeito de Capital, em 1985. O mandato dos prefeitos foi esticado porque a Assembleia Nacional Constituinte eleita em 1986 decidiu que as eleições municipais ocorreriam em 1988.

A decisão reforçou a posição políticos de peso na época, como Ribamar Fiquene (Imperatriz), Waldir Jorge (Lago da Pedra), Francisca Matias (Igarapé Grande), Napoleão Guimarães (Timon), Pedro Lobato (Pinheiro), Joaquim Aroso (Paço do Lumiar), Mercial Arruda (Grajaú), Remi Soares (Presidente Dutra), Francisco Leda (Lago Verde), José Amado (Cururupu), Aparício Bandeira (Vitorino Freire), entre outros. Medida semelhante agora certamente não será bem vista pela sociedade. Principalmente porque o que alimenta e consolida a democracia é a escolha pelo voto universal e secreto.

 

PSDB reelege Roberto Rocha, mas clima de desânimo continua no partido

Roberto Rocha e Sebastião Madeira foram reeleitos para comandar o PSDB

Todos os sintomas indicam que a convenção estadual do PSDB, realizada na semana passada, reelegeu o senador Roberto Rocha presidente e o ex-prefeito Sebastião Madeira (Imperatriz) secretário geral, mas anunciou qualquer medida de impacto indicativa de que o partido vai mesmo sacudir a poeira e dar a volta por cima. Não há indicação de que os tucanos vão se mobilizar em torno da provável candidatura do deputado Wellington do Curso à Prefeitura de São Luís, por exemplo. Até a candidatura de Sebastião Madeira a prefeito de Imperatriz, que a princípio era vista como fato consumado, apesar do desgaste político e pessoal que lhe foi imposto nas eleições de 2018, ainda é uma possibilidade. Esse desânimo que afeta o PSDB do Maranhão parece que tende a perdurar. O difícil é compreender a cabeça dos seus dirigentes. Mas, por incrível que pareça, política tem dessas coisas.

São Luís, 11 de Maio de 2019.

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