Movimentos de Rocha, Braide e Maura não mudarão tendência, mas podem dar mais animação à corrida aos Leões

Roberto Rocha, Maura Jorge e Eduardo Braide darão o desenho final da disputa pelo Governo do Estado

As convenções que confirmaram e oficializaram as candidaturas do governador Flávio Dino (PCdoB) e da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) rascunharam o rumo da corrida ao Palácio dos Leões, mas o desenho final só estará concluído com a definição do futuro de duas pré-candidaturas. A primeira é a do senador Roberto Rocha, que deverá ser ungido por uma aliança formada por PSDB, Podemos, PHS e PMN, cujas convenções serão realizadas na manhã de sábado (4), e a outra é a do PSL, que terá a ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge, como candidata ao Governo, e que será realizada de sábado (4). É muito provável que a definição do quadro de candidatos não altere a tendência do desfecho previsto pelas pesquisas divulgadas até aqui, e a menos que ocorra um fato político surpreendente e avassalador, Roberto Rocha e Maura Jorge dificilmente irão além de onde chegaram até aqui, tendo auferido apenas o ganho político de ocupação de espaço.

O tucano Roberto Rocha perdeu o vice ideal, o empresário Ribinha Cunha (PSC), que embarcou na chapa de Roseana Sarney (MDB). Além da sua condição de aliado do Grupo Sarney, foi também empurrado pela posição da deputada federal Luana Costa (PSC) que, incentivada pelo marido, o ex-prefeito de Santa Inês, Ribamar Alves, seu mentor político, brecou a aliança de Cunha com o PSDB, que vinha sendo articulada pelo chefe tucano Sebastião Madeira, ex-prefeito de Imperatriz. Luana Costa e Ribamar Alves calcularam que numa coligação com o PSDB a reeleição dela correria riscos, resolvendo então que ela embarcaria no chapão liderado pelo MDB, tendo como trunfo o passe de Ribinha Cunha, que estava praticamente acertado para ser o vice de Roberto Rocha. Todas as avaliações ouvidas pela Coluna indicaram que Luana Costa teria vida mais fácil na chapa dos tucanos, já que no chapão de Roseana Sarney vai medir forças com João Marcelo (MDB), Hildo Rocha (MDB), Victor Mendes (PSD), Edilázio Jr. (PSD), Cláudio Trinchão (PSD), entre outros.

Mas se perdeu o vice que mirou, Roberto Rocha está prestes a comemorar dois reforços expressivos. O primeiro é o deputado federal Aluísio Mendes, que fez o caminho inverso ao de Luana Costa e desembarcou na seara tucana levando o Podemos e o PHS. Ele fez as contas e concluiu que tem mais chance de reeleição na chapa encabeçada pelo PSDB do que no chapão puxado pelo MDB. Outro reforço é o deputado Eduardo Braide (PMN), que ainda não bateu martelo, mas tende mesmo a somar forças com Roberto Rocha. Primeiro porque já examinou exaustivamente as alternativas e sabe que só lhe restou dois caminhos: se jogar de vez na corrida ao Governo, sem eira nem beira, ou aliar-se a uma coligação leve como candidato a deputado federal. É quase 100% certo que Eduardo Braide optará pelo rumo de Brasília, aliando-se aos tucanos, devendo anunciar esse caminho a qualquer momento.

O caminho de Maura Jorge (PSL) é mais complicado e tortuoso. O seu projeto de candidatura ao Governo, que começou como um factóide do tipo “vai que pega”, e ganhou peso e forma com sua associação com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), tornou-se um fator incômodo para o Grupo Sarney, que com algumas manobras garroteou seus movimentos e lhe impôs um duro esvaziamento, levando-a a um claro isolamento. Maura Jorge tem agora dois caminhos: insistir numa candidatura sem lastro e sem futuro ou embarcar na coligação dos tucanos para tentar uma vaga na Câmara Federal. Ela poderá aproveitar a visibilidade que ganhou com a ousada e politicamente saudável ideia de ser governadora, apesar da tremenda guinada à extrema-direita que deu ao abraçar o bolsonarismo.

Com essas definições, é possível prever que dificilmente, somados, a ex-governadora Roseana Sarney e o senador Roberto Rocha, com o reforço do deputado Eduardo Braide e da própria Maura Jorge, formem uma frente capaz de reverter o favoritismo do governador Flávio Dino.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Grupos se posicionam em relação à disputa pelas vagas no Senado

Edison Lobão e Sarney Filho e Weverton Rocha e Eliziane Gama: movimentação dentro dos grupos depois da pesquisa

A disputa para as duas vagas no senado está gerando diferentes estados de ânimo nas duas maiores coligações. Na seara do Grupo Sarney é visível o entusiasmo com os números da pesquisa Exata/JP, que mostraram o senador Edison Lobão (MDB) e do deputado federal Sarney Filho (PV) na liderança. Já na aliança liderada pelo governador Flávio Dino a pesquisa gerou duas reações: uma explosão de alegria com o crescimento do deputado Weverton Rocha (PDT), e uma forte preocupação com a perda de força da deputada federal Eliziane Gama (PPS). Evidenciou também que Edison Lobão e Sarney Filho fazem suas campanhas procurando espaços próprios, com o primeiro fortalecendo seu projeto com o apoio de dezenas de prefeitos, e o segundo trilhando no mesmo campo no mesmo. O mesmo vem acontecendo com Weverton Rocha e Eliziane Gama, com ele procurando reforçar sua candidatura com base política e partidária, e ela aumentando seus esforços para ampliar sua base no eleitorado evangélico. A próxima pesquisa vai desenhar o quadro que poderá ser o definitivo.

 

Grupo de João Alberto fecha com Brandão em Bacabal; grupo de Zé Vieira está indeciso

João Alberto mobiliza grupo para apoiar Edvan Brandão na disputa em Bacabal

O grupo liderado pelo senador João Alberto (MDB) bateu mesmo martelo em apoio à candidatura do prefeito Edvan Brandão na disputa pela Prefeitura de Bacabal, marcada para o dia 28 de Outubro, tenha ou não segundo turno na disputa para governador ou presidente da República. Com a decisão – inteligente, diga-se de passagem – do deputado Roberto Costa (MDB) de arquivar o projeto de ser prefeito da Princesa do Mearim e se voltar inteiramente para o projeto de renovar seu mandato na Assembleia Legislativa, e não dispondo de outro nome em condições de disputar, o senador decidiu dar total apoio a Edvan Brandão, prefeito interino, que chegou ao cargo como presidente da Câmara Municipal após consumada a cassação do prefeito Zé Vieira. O grupo aliado ao ex-prefeito ainda não decidiu quem será o candidato, tendo inicialmente optado pelo deputado Carlos Florêncio (PCdoB), que declinou, indicando o filho, Florêncio Neto, que era vice-prefeito. Florêncio Neto esteve quase confirmado, mas alguns movimentos dentro do grupo fizeram com que sua candidatura fosse colocada em suspense. Nesse contexto estaria crescendo por fora o nome de Brito Boca Torta, que pode vir a ser o candidato apoiado pelo ex-prefeito Zé Vieira e seus aliados.

 

São Luís. 31 de Julho de 2018.

 

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