“Sou conservador de direita e vou ser governador”. A declaração, feita em tom seguro, é do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, pré-candidato do Novo ao Governo do Estado. Ele está em plena pré-campanha e situado ora em terceiro lugar e ora em segundo nas pesquisas de opinião para medir as preferências do eleitorado nessa fase prévia da corrida ao Palácio dos Leões. À Coluna, Lahesio Bonfim rejeitou o rótulo de “bolsonarista”, mas não abre mão de buscar apoio nesse segmento da extrema direita, mesmo admitindo que nunca foi “benquisto na família Bolsonaro”. Ele só não admitiu fazer qualquer tipo de aliança com a esquerda. “São água e óleo”, disse. Ele afirmou ter um “projeto de Governo, “que está muito bonito”. E fez uma revelação política: o ex-senador Roberto Rocha vai se filiar ao Novo para ser candidato ao Senado.
Aos 47 anos, médico por formação e político por convicção, foi duas vezes prefeito do pequeno São Pedro dos Crentes, município com 5 mil habitantes, situado na região central do estado, a 738 km de São Luís, Lahesio Bonfim tem as suas gestões no município como a sua grande referência. “Não há comparação com outras gestões”, diz ele, afirmando que o que realizou no município é uma mostra do que fará em escala maior no Maranhão se chegar ao Palácio dos Leões. Em relação à governança do Estado, ele critica os elevados gastos com programas sociais e defende uma gestão com orientação conservadora e com “liberdade econômica”, que é a base programática do seu partido, o Novo, o mais ranheta arauto do liberalismo no país.
Lahesio Bonfim entra na briga pela sucessão do governador Carlos Brandão (sem partido) disposto a superar o seu desempenho na eleição governamental de 2022, quando saiu das urnas como o segundo mais votado, com 24,87% da votação, deixando para trás o senador Weverton Rocha, candidato do PDT, que iniciou aquela corrida como favorito, mas terminou em terceiro lugar e que foi vencida em turno único pelo atual governador, que saiu do 1º turno com 51,29% dos votos. Em relação à disputa em curso, o candidato do Novo avalia que “nada está decidido ainda” em relação a candidaturas.
Para ele, se o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) for candidato, será um cenário. Sem ele, a situação mudará radicalmente. Na sua avaliação, o vice-governador Felipe Camarão (PT) pode vir a ser governador, com o governador Carlos Brandão como candidato ao Senado. Mas Carlos Brandão pode permanecer no cargo e manter a candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), que poderá sair do páreo se o governador sair para o Senado. “Nada está definido. Tudo pode acontecer” nos próximos dois meses, previu, excluindo-se, claro, desse ambiente.
Em relação à sua candidatura, Lahesio Bonfim garante ser fato consumado, independentemente de qual venha ser o cenário geral da disputa. Ele descarta, de maneira fulminante, sugestões que já recebeu para ser candidato a senador ou a deputado federal. Acha que poderia se eleger para a Câmara Federal ou poderia ser senador, mas descarta essas alternativas afirmando que não está atrás de cargos e que o seu foco é o Governo do Estado, porque tem um projeto para “mudar Maranhão”.
Na rápida conversa telefônica com a Coluna, na tarde de ontem, interrompida várias vezes por inconsistência da internet – ele estava na estrada -, Lahesio Bonfim fez uma revelação: o ex-senador Roberto Rocha vai se filiar no Novo, nos próximos dias, para ser candidato ao Senado na sua chapa. “Pode anotar e publicar: Roberto Rocha será o candidato a senador na nossa chapa”, enfatizou. Lahesio Bonfim acredita que, com a entrada do ex-senador Roberto Rocha, a chapa majoritária do Novo ganhará mais força.
Dono de um estilo ousado e de um discurso enfático e às vezes agressivo, e visto por muitos como falastrão, o candidato do Novo aos Leões exibe convicções e otimismo.
PONTO & CONTRAPONTO
Entrada de Roberto Rocha pode acirrar a disputa pelas vagas na Câmara Alta
A se confirmar, de acordo com a informação dada por Lahesio Bonfim, a filiação do ex-senador Roberto Rocha ao Novo e a definição da sua candidatura poderá alterar expressivamente o canário da corrida às duas vagas no Senado. Isso porque, se o cenário atual com três candidaturas viáveis – as do senador Weverton Rocha (PDT) e da senadora Eliziane Gama (PSD) à reeleição e a do ministro do Esporte, André Fufuca (PP) – já é de indefinição, a entrada do ex-senador na corrida vai assanhar ainda mais esse quadro.
Político assumidamente de direita e muito próximo do bolsonarismo, Roberto Rocha tem pontuado bem nas pesquisas, aparecendo nas pesquisas com poder de fogo para disputar a segunda vaga. Sua situação só se complicará se o governador Carlos Brandão vier a rever sua decisão de permanecer no cargo e entrar na corrida senatorial, na qual é franco favorito em todas as pesquisas publicadas até aqui.
Ao ingressar no Novo, o ex-senador Roberto Rocha poderá encontrar, finalmente, o pouso partidário adequado ao seu perfil ideológico: de direita radical e calcado no liberalismo econômico. Ele próprio não veio ainda a público informar dessa escolha partidária e desse projeto eleitoral. Mas o candidato a governador do partido, Lahesio Bonfim, foi taxativo: “Pode anotar e divulgar: Roberto Rocha vai se filiar ao Novo e será candidato a senador”.
Vale lembrar que nessa seara está também o ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza), que está em pré-campanha aberta, e o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União) cujo projeto é mesmo a reeleição.
Rubens Júnior mostra com precisão as inclinações do PT em relação à corrida aos Leões
O deputado federal Rubens Júnior (PT) colocou ontem, em pratos limpos, de maneira clara e incontestável, as inclinações do seu partido em relação à disputa para o Governo do Estado, em entrevista à TV Mirante. Ele usou precisão quase cirúrgica ao mostrar que o PT tem três teses sobre o tema.
A primeira: apoio à candidatura do vice-governador Felipe Camarão, que é o único petista a ocupar esse posto em todo o País. “É natural que ele se coloque à disposição do partido para ser candidato”, declarou, acrescentando que Felipe Camarão tem o apoio da maior fatia da militância do partido.
A segunda: uma aliança com o governador Carlos Brandão (sem partido), que no caso será feita em torno da candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB) para o Governo do Estado. Essa tese encontra mais adeptos entre os líderes do partido no estado.
E a terceira: o apoio do PT à eventual candidatura do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD). Sem fazer uma afirmação categórica, Rubens Júnior disse que a conversa nesse caso está se dando entre os partidos.
E concluiu, tencionando as expectativas: o que vai acontecer, só o tempo dirá, como o senhor da razão.
Sua equação bate com a que a Coluna mostrando há meses.
São Luís, 15 de Janeiro de 2026.


