José Reinaldo critica tentativa de desqualificá-lo e reafirma proposta de Pacto pelo Maranhão

 

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Ampliação do Porto do Itaqui e a implantação do VLT no sistema de transporte de massa de São Luis são propostas de José Reinaldo para o pacto 

Quando publicou, há uma semana, o artigo propondo um Pacto pelo Maranhão, conclamando os líderes das principais forças políticas do estado, a começar pelo ex-presidente José Sarney (PMDB) e o governador Flávio Dino (PCdoB), para unir prestígio e esforços em torno de um elenco de projetos capazes de embalar o desenvolvimento econômico e social do estado, o deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB) estava preparado para todo tipo de reação. Sabia que, por todas as razões que se conhece, causaria forte impacto no tabuleiro político estadual, que sua proposta seria recebida com boa vontade por muitos, perplexidade por uns, desconfiança por outros, incredulidade por alguns, má vontade por vários e como um gesto de capitulação por número expressivo. Almejava que sua proposta fosse compreendida como uma iniciativa política acima de paixões e diferenças, destinada exclusivamente a mobilizar o poder político em torno de uma causa maior. Mas esperava, com certeza, que pelo menos num primeiro momento a proposta seria tema de um debate amplo, o que, dadas as circunstâncias, já poderia ser avaliada como um resultado altamente positivo. Mas sua maior expectativa – uma reação do ex-presidente Sarney e do governador Flávio Dino –, porém, não aconteceu.

A repercussão da proposta foi ampla, e de um modo geral bem recebida, nos meios político e empresarial e nos mais diversos segmentos da sociedade organizada. O gesto do ex-governador na direção do ex-presidente foi, de cara, interpretado como um passo no sentido de reatar as relações, como a ovelha desgarrada que tenta, muito tempo depois, retornar ao rebanho no qual nasceu e cresceu politicamente. Essa linha de interpretação não levou em conta a possibilidade de que o gesto pode, sim, ter sido fruto de racionalidade associada à grandeza política diante de uma realidade socioeconômica cruel, marcada por mazelas tão graves, que só pode ser transformada pela força de um pacto como o proposto por José Reinaldo.

A semana terminou com muitos acreditando que o silêncio de José Sarney e Flávio Dino nesse primeiro momento seria uma pá de cal na proposta do pacto. Mas na ótica do principal interessado não foi. Ontem, em novo artigo, o ex-governador voltou à carga, não só reafirmando a proposta de pacto, como também apresentando sugestões concretas. Mas primeiro registrou, com forte dose de crítica, mas em tom altamente civilizado, clara decepção com as interpretações feitas por alguns formadores de opinião que, em vez de debater a ideia, enveredaram pela tentativa de desqualificação, “ora do autor da ideia, ora da própria ideia”, acrescentando que “tentaram até me agredir e me desqualificar pessoalmente”. Mas em seguida, com tranquilidade surpreendente, revelou: “… o mais curioso é que nenhum desses me convenceu de que estou errado. Sabem por quê? Porque ninguém debateu a ideia; todos se limitaram a bater em Sarney, entendendo que aquilo teria causas ocultas e que eu estaria na verdade reabilitando o ex-senador, que, a partir daí, passaria a dividir o governo com Flávio Dino. Meu Deus, que paranoia, pobreza de pensamento e medo do debate verdadeiro!”

Mais adiante, José Reinaldo desdenhou dos temores em relação aos desdobramentos políticos e indagou: “Será que estou pondo Flávio Dino em risco? Flávio terá sempre o meu apoio, ele está fazendo um ótimo governo e sairá facilmente vitorioso sobre qualquer um se for para a reeleição. Não acredito que ainda teremos um membro da família Sarney concorrendo ao governo”. E reafirmou que não conversou sobre sua ideia com o governador antes de expô-la, lembrando que quando assumiu, Dino fez um discurso dizendo que a partir daquele momento trataria todos do mesmo jeito, não importando se votaram nele ou no candidato do Grupo Sarney.

Com a experiência que acumulou como gestor público e político e tendo no currículo duas vitórias eleitorais e uma guerra sem trégua com Sarney, José Reinaldo reforçou a ideia do pacto chamandoa atenção para o cenário nacional em evolução: “O horizonte que se prenuncia é um horizonte de mudança profunda no país e é muito provável que outros grupos assumam a Presidência e o poder. Se Lula cair – e tudo leva a crer que isso pode acontecer -, Dilma cairá junto. Nesse cenário, é muito provável que Michel Temer, o atual vice-presidente, assuma a Presidência da República sob grande crise política”. E chamou a atenção para o fato de que a grande imprensa já começa a se preocupar com o avanço da crise, como o jornal Folha de S. Paulo, que em editorial da edição de domingo (26) alerta que o agravamento da crise começa a exigir posições de consenso em que os interesses do país se sobreponham aos interesses políticos.

José Reinaldo avançou na formulação da sua proposta elencando cinco projetos que, no seu entendimento, levariam o Maranhão a dar um salto gigantesco se forem viabilizados: implantação do Instituto Tecnológico do Nordeste em Alcântara, ou seja, trazer a melhor escola de engenharia do Brasil para cá; implantar o super Porto do Itaqui para ser o parceiro concentrador de carga do Brasil para o Canal do Panamá; implantar transporte de massa de São Luís e da região metropolitana com VLT e trens, tudo integrado para dar rapidez e conforto ao passageiro; implantar um moderno sistema de logística em todo o estado, capaz de racionalizar o transporte de cargas e passageiros em todo o nosso território; e implantar um centro de alto nível para a formação de professores para o ensino fundamental e básico, única forma capaz de dar qualidade ao ensino público no nosso estado. E indagou, em tom desafiador: “Alguém poderia ser contra? Impossível. Há algum cargo público envolvido? Não”. E reafirmou e propôs: “Esse é o pacto que propus. Vamos deixar de picuinhas sem sentido”.

Ou seja, vai manter a proposta de pé.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

Ideia, reação, afastamento e desculpas

zejacksonPara mostrar um exemplo do estrago que a desinformação e as interpretações equivocadas causam nas relações políticas, o ex-governador José Reinaldo Tavares relatou um episódio protagonizado por ele e pelo então pré-candidato a governador Jackson Lago (PDT) no início de 2006. Na época, o então governador José Reinaldo já era o principal esteio da candidatura de Jackson Lago a governador. Eis o relato feito no artigo:

Agora me respondam: quem (para valer!) enfrentou Sarney mais do que eu? Enfrentei-o quando ele estava no auge do poder. Quem apanhou mais do que eu, que até preso fui? Quem se sacrificou pela vitória de Jackson Lago a ponto de deixar o sonho de ir para o Senado a fim de me manter no governo até o último dia? Esqueceram-se disso? Jackson venceria o pleito sem mim? Tenho certeza de que não, e me refiro ao seguinte: Jackson queria ser candidato único do governo. Ele contra Roseana. Eu de pronto recusei, porque seria derrota certa. Ele ficou furioso, deixou de falar comigo por mais de um mês, fez sua esposa pedir exoneração do cargo de Secretária da Solidariedade e por aí foi. Alguns amigos que tentaram convencê-lo de que eu estava certo chegaram a ouvir dele: “vocês não estão entendendo, Zé Reinaldo é um agente do Sarney infiltrado na oposição para acabar conosco”.

Realmente não me importei. Jackson era um homem de bem, mas que estava muito estressado na ocasião. Tanto que antes ainda do primeiro turno ele me procurou para dizer que eu estava certo e pedir desculpas pelo que disse. Gesto de um grande homem. Ney Bello assistiu a essa conversa.

 

São Luís, 28 de Julho de 2015.

 

 

 

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