Inelegível, Josimar de Maranhãozinho se movimenta para manter cacife em outubro

Josimar de Maranhãozinho quer
Detinha na Alema e Fabiana Vilar
e Aldir Jr. na Câmara Federal

Pouco mais de um mês depois de condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e seis meses de cadeia, pena que cumprirá inicialmente em regime semiaberto, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho exibe fôlego político ao manter controle total sobre o PL no Maranhão e operar uma série de ajustes no grupo que lidera para as eleições de outubro. Sem condições de tentar a reeleição, a começar pelo fato de que sua condenação inclui inelegibilidade por oito anos, Josimar de Maranhãozinho será representado na corrida eleitoral pela sobrinha, deputada estadual Fabiana Vilar, que comanda a bancada do PL na Assembleia Legislativa. Outra decisão tomada foi que a deputada federal Detinha – que foi a mais votada do Maranhão em 2022 – será candidata a deputada estadual, lançando para sua vaga o vereador Aldir Jr., o principal representante do PL na Câmara Municipal de São Luís.

No meio político, a impressão geral é a de que Josimar de Maranhãozinho político “respondeu bem” à pancada da condenação, mesmo que ela o tenha retirado à força do exercício do mandato. Ele continua firme no comendo do PL, conservando o aval do presidente nacional da legenda, ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, também expurgado do parlamento federal por corrupção e ainda amargando inelegibilidade. E mantém independência em relação à família Bolsonaro, não tendo feito até agora nenhuma declaração em relação pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, do seu partido, à presidência da República, nem se manifestado em relação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe – os dois não se toleram.

Ninguém duvida de que, mesmo sob a pressão moral e ética de uma condenação por corrupção, Josimar de Maranhãozinho vai continuar ocupando um espaço respeitável no cenário político do Maranhão. Ele comanda um quinhão nada desprezível da política estadual, por meio da deputada federal Detinha e do deputado federal Júnior Lourenço, que integra a sua “bancadinha” na Câmara Federal, e 12% da Assembleia Legislativa, onde é representado pelos deputados Fabiana Vilar, Cláudio Cunha, João Batista Segundo, Aluísio Santos e Solange Almeida, além de uma grande penca de vereadores espalhados por todo o estado. Com um detalha importante: os seus seguidores e aliados vestem a sua camisa e são fiéis – pelo menos até as eleições municipais.

Condenado, juntamente com o Pastor Gil, sob a acusação de negociar emendas parlamentares, caso materializado por uma tentativa de extorquir R$ 1,5 milhão da Prefeitura de São José de Ribamar, denunciada pelo então prefeito Eudes Sampaio (PTB), Josimar de Maranhãozinho planeja manter peso político na esfera federal por meio dos seus aliados, especialmente Fabiana Vilar e Aldir Jr., apontados em todos os cenários como fortes candidatos à Câmara dos Deputados. Já no plano estadual, seu projeto é eleger uma bancada forte à Assembleia Legislativa, a ser liderada pela esposa Detinha, que aparece em todas listas de elegíveis com votação retumbante. E com poder de fogo para disputar a presidência do parlamento estadual.

Josimar de Maranhãozinho ainda não se posicionaram em relação à corrida ao Palácio dos Leões nem a respeito da disputa pelas duas vagas no Senado. Antes da sua condenação, circularam rumores de que a deputada federal Detinha seria candidata ao Senado, mas tal projeto, se foi de fato concebido, acabou tirado de pauta e mandado para o arquivo morto. Outros rumores correram nos bastidores dando conta de que Josimar de Maranhãozinho poderia ser candidato a governador ou indicar o vice de uma chapa forte. Tais projetos, se foram concebidos, também foram arquivados.

O fato concreto é que Josimar de Maranhãozinho não será candidato em 2026, mas participará do jogo eleitoral com fôlego para manter pelo menos parte do poder político que ainda detém.  

PONTO & CONTRAPONTO

Assembleia deve julgar recurso e CPI contra Camarão pode ser instalada amanhã

Felipe Camarão vai enfrentar CPI que
deve ser presidida por Ana do Gás

Depois de mais de uma semana em Brasília, onde conversou muito e participou da reunião nacional do PT, vice-governador Felipe Camarão retorna São Luís sem ter definida sua situação em relação às eleições de outubro e com fardo de encarar uma CPI da Assembleia Legislativa que investigará denúncia do Ministério Público segundo a qual ele teria feito movimentação financeira atípica quando secretário de Educação.

A CPI deve ser instalada nesta quarta-feira. Isso porque está previsto que o plenário decida hoje sobre recurso do deputado Rodrigo Lago (PSB) contra a instalação. E como a tendência é no sentido de que a reclamação do parlamentar, aliado de Felipe Camarão, não seja acatada, tudo indica que a CPI será instalada amanhã

Se esse roteiro for confirmado, a primeira sessão da CPI será eleger o presidente, que deverá ser a deputada Ana do Gás (Republicanos), e o relator, que não está definido. Falou-se inicialmente no deputado Yglesio Moises (PRD), mas formou-se o entendimento de que ele, como autor do requerimento que deu origem à CPI, não teria isenção para ser o relator.  

Além da escolhe do presidente e do relator, a primeira reunião da CPI definirá também o roteiro de trabalho, devendo definir um calendário de depoimentos, a começar pelo do próprio vice-governador Felipe Camarão.

Ricardo Duailibe inicia gestão no TJ sob o impacto do afastamento de mais um desembargador

Ricardo Duailibe inicia gestão sob
o impacto do afastamento
de Eulálio Figueiredo pelo CNJ

Como estava escrito nas estrelas, mesmo levando em conta o otimismo que manifestara no seu discurso de posse na sexta-feira (25), o novo presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, desembargador Ricardo Duailibe iniciou sua gestão, ontem, sob o impacto do afastamento temporário de mais um desembargador, Eulálio Figueiredo, por suposto desvio de conduta, segundo decisão do Conselho Nacional de Justiça.

Com o afastamento do desembargador Eulálio Figueiredo, mais recente, formalizado no sábado, já são seis dos 36 integrantes do colégio de desembargadores que forma a Corte maior do Poder Judiciário do Maranhão. Quando discursou na sessão solene da sua posse e dos demais integrantes da Mesa – Gervásio dos Santos Filho (vice-presidente), José Gonçalo de Souza Filho (corregedor geral da Justiça) e Ângela Salazar (corregedora geral do Foro Extrajudicial) –, o presidente Ricardo Duailibe manifestou disposição de unir a Corte, mas não tinha ideia de que iniciaria o seu mandato sob o impacto de mais uma pancada forte no suporte ético do Poder Judiciário.

O fato é que ontem ele teve de assumir como tarefa principal convocar mais juiz de entrância final para atuar como desembargador interino, inicialmente pelo prazo de dois meses, que pode resultar no retorno de Eulálio Figueiredo, ou ser prolongado, como ocorreu como demais desembargadores afastados. O convocado foi o juiz Jamil Aguiar, que tomou posse no primeiro ato oficial da nova direção do Tribunal de Justiça.

Suspenso por 60 dias por suspeita de haver liberado recursos no valor de R$ 1 milhão numa ação, ainda quando juiz, o desembargador Eulálio Figueiredo contesta a suspeita com veemência e afirma que demonstrará sua inocência ao CNJ, prevendo retornar ao Tribunal Pleno o mais rapidamente possível.

Em Tempo: o episódio envolvendo o desembargador Eulálio Figueiredo repercutiu fortemente no meio cultural, especialmente no segmento da Música Popular Maranhense (MPM), onde é reconhecido e festejado como compositor.

São Luís, 28 de Abril de 2026.

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