Falta de definição e guerra interna no PSB inviabilizam projeto de Bira do Pindaré de disputar a Prefeitura de São Luís

 

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Rusgas entre Roberto Rocha e José Reinaldo travam projeto de Bira do Pindaré

É confusa e politicamente incompreensível a situação no braço do PSB no Maranhão, especialmente no que diz respeito ao futuro posicionamento do partido em relação à disputa para a prefeitura de São Luís. Uma das agremiações partidárias mais promissoras do país, que quase perdeu o rumo com a morte trágica – acidente aéreo em 2014 – do seu líder maior, o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, então candidato a presidente da República, o PSB vive um processo em que está enfrentando sérias dificuldades para encontrar um rumo. E certamente não há no país um estado onde a agremiação socialista esteja mais afetada pela indefinição do que o Maranhão. Integram o braço maranhense do PSB o senador Roberto Rocha, o ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares, o deputado estadual licenciado Bira do Pindaré e os prefeitos de Timon, Luciano Leitoa, de Santa Inês, Ribamar Alves, e de Balsas, Luis Rocha Filho. O problema é que essas forças não se harmonizam, refletindo no estado a indefinição e a coloração furta-cor com que o partido se move no cenário nacional.

Agremiação que já passou por muitas mãos – até o ex-deputado Ricardo Murad já o controlou proclamando-se um político de esquerda!-, o PSB maranhense está retalhado em facções, cada uma puxando a sardinha para sua brasa. O problema principal é que o senador Roberto Rocha e o deputado federal José Reinaldo Tavares não se toleram desde a eleição para senador em 2010, quando o ex-governador foi candidato e o então deputado federal decidiu também entrar na briga. Eram duas vagas, José Reinaldo achava que tinha chance contra João Alberto (PMDB) – o outro candidato era Edison Lobão -, mas sabia que a entrada de Roberto Rocha arruinaria seu projeto e nenhum dos dois seria eleito. Diante das evidências, tentou convencer Rocha a retirar sua candidatura, oferecendo inclusive seu apoio para deputado federa. Roberto Rocha não aceitou, manteve a candidatura e aconteceu exatamente o que Tavares previra: os dois foram derrotados. José Reinaldo culpou Roberto Rocha pelo naufrágio do seu barco eleitoral. O ex-governador deu o troco em 2012, declarando apoio á candidatura do prefeito João Castelo à reeleição, não tomando conhecimento que seu colega de partido era candidato à vice de Edivaldo Jr., então no PTC. Desde então os dois se suportam por conveniência, mas não compõem em nada.

Roberto Rocha controla o diretório de São Luís e José Reinaldo tem mais força no diretório estadual. Os dois já tentaram controlar a legenda integralmente, mas tudo o que conseguiram até agora foi aprofundar o fosso que os separa.

No tabuleiro sucessório de São Luís, por exemplo, o PSB tem a mais confusa e inacreditável situação. O deputado Bira do Pindaré quer ser candidato a prefeito – e pode ser um candidato competitivo -, mas nem Roberto Rocha nem Jose Reinaldo lhe dão ouvidos nem espaço para que ele tente viabilizar a sua candidatura.  Mesmo com um mandato de senador novinho em folha – no qual vem se movimentando bem, diga-se – Roberto Rocha fica aqui e ali insinuando que também quer ser candidato, não deslanchando de fato um projeto claro de candidatura e, assim, minando o projeto de Bira do Pindaré, num jogo que não tem explicação. Rocha poderia aliar o PSB ao projeto de reeleição do prefeito Edivaldo Jr. (PDT), de quem foi vice, mas não emite o menor sinal de interesse nessa direção. Ou seja: por razões que nem o mais arguto observador da cena política consegue identificar, o senador não se lança de vez candidato nem libera o partido para deputado.

Por sua vez, deixando a impressão de que está indiferente à curiosa estratégia – se é que é uma estratégia – do senador Roberto Rocha e ao calvário de indefinição que mantém Bira do Pindaré imobilizado, o ex-governador José Reinaldo Tavares – que, se quisesse, poderia também ser candidato a prefeito da Capital – chuta para o alto os projetos de candidatura do PSB em São Luís e, numa atitude que exala confronto, aposta as suas fichas na candidatura da deputada federal Eliziane Gama (Rede). E assim, tal qual o senador Roberto Rocha, o deputado federal José Reinaldo Tavares contribui decisivamente para minar as forças do deputado Bira do Pindaré. Não foi à toa que o presidente do Solidariedade no Maranhão, Simplício Araújo, ao perceber a situação quase autofagia do PSB abriu as portas do seu partido para o deputado Bira do Pindaré, dando-lhe principalmente a garantia de que será o candidato a prefeito de São Luís.

Finalmente, apesar da flagrante e surpreendente guerra interna que  compromete seriamente o futuro do PSB no Maranhão, situação dos principais prefeitos do PSB sofre com os abalos da cúpula, mas com a diferença de que os prefeitos tem poder de fogo politico para não depender da decisão dos dirigentes partidários.

E nesse contexto, o experiente vereador Chaguinhas está coberto de razão quando ameaça deixar o PSB alegando que o partido está sem comando em São Luís, conforme revelou o bem informado blog do jornalista Diego Emir.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Especial: Caxias ganha hospital regional

 

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A imponente fachada do Hospital regional de Caxias inaugurado ontem

Caxias, que ostenta o posto de terceiro maior município do Maranhão, ganhou ontem um hospital de 122 leitos, equipado e preparado para realizar cirurgias as mais diversas, clínica médica, neurologia, ortopedia, oftalmologia, cardiologia, pediatria e gastroenterologia, e com capacidade para garantir atendimento aos 780 mil maranhenses que habitam 26 municípios da Região Leste. Foi inaugurado ontem pelo governador Flávio Dino (PCdoB), pelo secretário de Estado da Saúde, Marcos Pacheco e pelo prefeito municipal, Leonardo Coutinho, na presença do maior cobrador e fiador político da obra, o deputado Humberto Coutinho (PDT), presidente da Assembleia Legislativa. A obra foi batizada Hospital Regional de Caxias Dr. Everaldo Ferreira Aragão, numa homenagem justa a um caxiense que dedicou sua vida à medicina quase filantrópica e que ainda jovem partiu ironicamente derrotado por um câncer. O nome foi proposto pelos médicos Cleide Coutinho e Arnaldo Melo, ambos então deputados estaduais, sendo ele à época presidente do Poder Legislativo.

A inauguração foi uma festa. Afinal, não se entrega uma obra dessa dimensão e desse alcance com facilidade; mais ainda, quando em meio à crise nenhum estado brasileiro está inaugurando hospitais. O Hospital Regional de Caxias é o segundo inaugurado pelo Governo Flávio Dino de uma série de cinco – os outros são em Pinheiro, já inaugurado, e em Imperatriz, Santa Inês e Bacabal, que devem ser entregues ainda neste ano. Foram iniciados no governo anterior, mas o novo governo recebeu apenas os esqueletos – uns erguidos, outros em fase primária. O atual governo não perdeu tempo: reajustou todos mais diferentes aspectos do financiamento do BNDES e, com decisão politica e determinação administrativa, colocou mãos nas obras. Entregou o de Pinheiro em meados do segundo semestre do ano passado, agora o de Caxias, colocando assim 244 leitos hospitalares à disposição do cidadão maranhenses. Ao final do projeto serão 610 leitos. O investimento foi de R$ 21 milhões, com recursos do BNDES e do Estado.

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O governador fala sobre o hospital observado pelo presidente do Legislativo, Humberto Coutinho, e deputados e prefeitos da região leste do estado

Para fazê-lo funcionar, foram contratados, obedecendo a critérios severos de seleção, 402 funcionários dos níveis médio, fundamental, técnico e superior. O corpo clínico contará com 50 enfermeiros e 70 médicos, aproximadamente. Os 122 leitos estão assim distribuídos: 26 leitos de clínica médica, 26 leitos de clínica pediátrica, 26 leitos de clínica ortopédica, 26 leitos de clínica cirúrgica, 12 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e seis leitos de UCI (Unidade de Cuidados Intermediários). A população terá, ainda, serviço de apoio de diagnóstico, com laboratório, radiologia, ultrassonografia, tomografia, endoscopia, eletrocardiograma, densitometria, ecocardiograma, diagnósticos oftalmológicos, mamografia entre outros. Com a inauguração, maranhenses da região não mais precisarão buscar tratamento em Teresina.

Entusiasmado, o governador Flávio Dino destacou a obra: “Este hospital é de grande importância para a população dessa região, pois aqui serão feitos procedimentos de saúde de alta complexidade. Estamos na direção correta, desenvolvendo uma política de saúde que parte da atenção básica, valorizando a prevenção das doenças, mas que também seguem critérios da regionalização, com hospitais de grande porte que resolvam efetivamente os problemas. Sabemos que será um grande investimento mensal no custeio desse hospital, mas ele cumprirá o seu papel de atender bem os pacientes de Caxias e de toda a Região Leste”.

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Flávio Dino, Rubens Jr., Léo Coutinho, Ricardo Rios, Fábio Braga , Marcos Pacheco vibram com a inauguração do Hospital Regional de Caxias

O deputado Humberto Coutinho, presidente da Assembleia Legislativa, que é médico, conhece as necessidades da região e pressionou pelo aceleramento da obra destacou a importância do hospital para a população caxiense. “Estou aqui testemunhando a alegria do povo de Caxias hoje, por receber esse hospital com tudo funcionando. Fico muito feliz ao ver tantas pessoas que estavam à espera de cirurgias, vindas de Timon e outras cidades vizinhas, sendo atendidos nos mutirões ortopédicos e oftalmológicos que começaram ontem”.

O prefeito Léo Coutinho agradeceu: “Agradecemos ao nosso governador Flávio Dino por esse hospital, pois ele complementará os serviços de saúde pública em nossa região, que já contava com quatro hospitais públicos municipais. Os hospitais do município continuarão funcionando normalmente, pois estamos aqui para fortalecer e ampliar o acesso a uma saúde de qualidade a população”.

A inauguração do Hospital Regional de Caxias Dr. Everaldo Ferreira Aragão levou à cidade o deputado federal Rubens Júnior (PCdoB), os deputados Fábio Braga (PTdoB), Ana do Gás, Ricardo Rios e Rafael Leitoa (PDT), além de vários prefeitos da região, entre eles Luciano Leitoa, de Timon (PSB).

 

Rumor coloca Jerry em plano para 2018

O secretário de Articulação Política e Comunicação e presidente do PCdoB no Maranhão, Márcio Jerry, afirma que o seu partido não postula a vaga de candidato à vice na chapa do prefeito Edivaldo Jr., enfatizando que isso possibilidade sequer foi cogitado na agremiação do governador Flávio Dino. Não de duvidas da declaração do presidente da agremiação comunista, mas também não é prudente ignorar sistematicamente rumores que correm nos bastidores partidários, uma vez que quase sempre eles revelam verdades. Um desses rumores, que já corre há tempos, dá conta de um plano que em princípio parece mirabolante, mas que, avaliada com cuidado, pode ser viável: o próprio Márcio Jerry seria candidato a vice-prefeito na chapa de Edivaldo Jr.. Se a chapa fosse vitoriosa, Edivaldo Jr. sairia em 2018 para disputar vaga no Congresso Nacional, para deputado federal ou até para senador, e Márcio Jerry assumiria o comando da Prefeitura de São Luís. Segundo o mesmo e insistente rumor, a menos que seja convocado para integrar um projeto político maior, como uma candidatura a vice-presidente da República, o governador Flávio Dino será candidato à reeleição em 2018, o que lhe dará dois anos de convivência o substituto de Edivaldo Jr., no caso Márcio Jerry, na Prefeitura. O apoio do governador ao futuro prefeito daria as condições para preparar a sucessão sem riscos na Prefeitura de São Luís em 2020, o que garantiria mais uma etapa do projeto de poder do grupo liderado por Flávio Dino. Pode ser mero fruto da imaginação de um especulador, mas que o rumor faz sentido, faz sim.

 

São Luís, 27 de Janeiro de 2016.

 

 

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