Fala de Antônio Pereira foi provocação para quebrar o silêncio de Braide sobre corrida aos Leões

Antônio Pereira: provocação para que
Eduardo Braide se declare ou não candidato

A fala do deputado Antônio Pereira (PSB), 1º vice-presidente da Assembleia Legislativa, sugerindo que o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), não renuncie para ser candidato a governador no ano que vem, argumentando que ele foi eleito para novo mandato de quatro anos no comando da maior e mais importante cidade do Maranhão, levantou uma série de interrogações sobre a motivação do parlamentar, que é um dos mais ativos articuladores do grupo liderado pelo governador Carlos Brandão (PSB). Foi como se Antônio Pereira fosse contra a eventual renúncia do governador para se candidatar ao Senado, e esteja fazendo uma crítica ao fato de Rildo Amaral (PP) haver renunciado ao mandato de deputado estadual para ser candidato à Prefeitura de Imperatriz, para o qual fora eleito tendo Carol Pereira, sua esposa, como vice. Mas esse, certamente, não é o ponto motivador da iniciativa.

Político experiente, que exerce o sétimo mandato no parlamento estadual, Antônio Pereira entra de supetão na discussão sobre a sucessão na Capital, ao que parece, em princípio, com o propósito político de provocar uma reação do prefeito para que ele revele o seu futuro em relação a 2026. Só que Eduardo Braide tem, no silêncio firme e no cálculo das probabilidades, armas eficientes nas suas sempre bem construídas estratégias relacionadas à disputa de mandatos. Essa postura, associada à condição de líder inconteste nas pesquisas de intenção de voto, vem dificultando aos seus eventuais concorrentes, a começar pelo secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), a definição de roteiro prévio e composição política da sua pré-candidatura.

Mesmo protagonizando fatos de forte viés político e eleitoral, como a surpreendente visita à Agrobalsas, onde deu declarações enigmáticas, e o recente jantar com a senadora Eliziane Gama e o presidente do PSD Gilberto Kassab, em São Paulo, cujo prato principal foi a corrida sucessória no Maranhão, Eduardo Braide tem se mantido fora do debate sucessório. Ele vem transformando seu projeto político num enigma, atuando como uma esfinge e impondo aos seus eventuais concorrentes o desafio de decifrá-lo para não serem devorados.

Não há qualquer dúvida de que o deputado Antônio Pereira provocou o prefeito Eduardo Braide cuidando de algum interesse do secretário Orleans Brandão, de cuja candidatura é partidário assumido e militante. E, por observação lógica, é óbvio que o 1º vice-presidente da Assembleia Legislativa pretendeu que o alcaide ludovicense antecipasse as bases do seu projeto – se é que ele tem mesmo um projeto sucessório para 2026 -, de modo a permitir que o provável candidato governista ao Palácio dos Leões avalie o seu potencial numa disputa que inclua o nome preferido do governador Carlos Brandão.

A julgar pelo silêncio no Palácio de la Ravardière, o prefeito Eduardo Braide não vai se manifestar em relação à provocação de Antônio Pereira, feita em discurso na tribuna da Assembleia Legislativa. Ou seja, o prefeito emite sinais visíveis de que não vai antecipar sua posição em relação à corrida ao Palácio dos Leões. Isso num contexto em que alguns movimentos na sua direção, entre eles o de deputados dinistas avisando que podem compor com o prefeito, e o do deputado Othelino Neto, que em posição incômoda e insustentável no Solidariedade, sinaliza com a possível migração para o PSD – juntamente com senadora Ana Paula Lobato, hoje no PDT -, para se candidatar a deputado federal. Othelino Neto não faria tal sinalização com o prefeito de São Luís fora da corrida ao Palácio dos Leões.

No mais, a fala do deputado Antônio Pereira foi também interpretada como um recado segundo o qual o governador Carlos Brandão atua no sentido de permanecer no cargo, abrindo mão do Senado e apostando todas as suas fichas na eventual candidatura de Orleans Brandão ao Palácio dos Leões. De preferência num cenário sem o prefeito de São Luís como candidato.

PONTO & CONTRAPONTO

Felipe Camarão intensifica discurso reafirmando pré-candidatura

Felipe Camarão: pré-candidatura mantida

O vice-governador Felipe Camarão (PT) tem dito aos mais diferentes interlocutores, incluindo aliados, que é pré-candidato ao Palácio dos Leões e que manterá esse projeto em qualquer circunstância, seja num ambiente de recomposição da aliança governista, assumindo o Governo e encabeçando chapa com o governador Carlos Brandão (PSB) como candidato ao Senado, seja num projeto em que construa uma aliança paralela.

Felipe Camarão já vinha sustentando essa posição, só que de maneira mais discreta. Mas agora, embalado pelas manifestações de apoio na cúpula nacional do PT, que está se refletindo positivamente dentro do braço maranhense do partido, o vice-governador está dando ao seu discurso o tom mais forte da irreversibilidade.

Em conversas mais fechadas, Felipe Camarão avalia os mais diversos cenários, incluindo a chapa com o governador disputando a senatoria. Mas o principal é o que terá o secretário de Assuntos Municipalistas como candidato ao Governo, apoiado pelo governador no cargo, e com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide entre os candidatos.

O vice-governador se movimenta para contar também com o suporte do PT maranhense, que deverá entrar em campo tão logo conclua a escolha dos seus dirigentes, o que deve ocorrer ainda neste mês.

Antes opositor agressivo, Paulo Victor adota agora discurso ameno em relação a Eduardo Braide

Paulo Victor: mudado

O presidente da Câmara Municipal de São Luís, Paulo Victor (PSB), mudou radicalmente a sua postura em relação ao prefeito Eduardo Braide. Em entrevista à TV Mirante, ele defendeu a relação de auxílio mútuo entre o parlamento municipal e o Executivo municipal, muito conciliador para quem já apontou o Governo municipal como abrigo de “uma quadrilha”.  

Na legislatura passada, na qual presidiu o legislativo ludovicense por quatro anos, Paulo Victor, eleito presidente para o primeiro semestre do novo mandato, reviu amplamente o seu discurso. O antes adversário ferrenho do prefeito Eduardo Braide agora se mostra um chefe de Poder não exatamente conciliador, mas muito diferente do opositor agressivo que foi, principalmente no último ano da legislatura passada, quando assumiu a condição de líder de um movimento destinado a minar o poder de fogo do prefeito de São Luís, então candidato à reeleição.

O desfecho do pleito, com a reeleição de Eduardo Braide em turno único e com mais de 70% dos votos, parece ter feito o presidente da Câmara Municipal compreender que a agressividade política na relação institucional raramente leva a bom termo, principalmente se o alvo das agressões, no caso o prefeito Eduardo Braide, que, escudado numa gestão boa e limpa, levou a melhor, sem muito esforço.

Resta saber se o presidente da Câmara Municipal de São Luís, que agora se apresenta como candidato a deputado estadual, vai repetir o agressivo oponente de 2024 ou manterá o discurso ameno e “quase” conciliador de agora.  

São Luís, 10 de Julho de 2025.

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