Dono de base política e potencial eleitoral, Neto Evangelista garante que é candidato e não abre “nem pro trem”  

Neto Evangelista garante: candidatura a prefeito de São Luís é irreversível

“Sou candidato a prefeito de São Luís, e não abro dessa candidatura nem pro trem”. Foi como reagiu o deputado estadual Neto Evangelista (DEM) ao responder à indagação – feita pela Coluna – sobre se entrará mesmo na corrida pela sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) nas eleições do ano que vem. “Minha candidatura é uma das prioridades do DEM em todo o País, e eu não posso decepcionar o partido que está me dando essa oportunidade”, acrescentou com a ênfase de quem não está mesmo disposto a voltar atrás.  O caráter prioritário foi definido em maio, quando o DEM realizou a convenção estadual, que confirmou o deputado federal Juscelino Filho na presidência regional e Neto Evangelista na liderança do partido na Capital, numa festa partidária que e trouxe a São Luís ninguém menos que o presidente nacional da agremiação democrata, o prefeito de Salvador (BA), ACM Neto. O parlamentar foi enfático ao afirmar que será candidato com ou sem aliança, assinalando que se vier a ser apoiado pelo PDT, tudo bem, mas se esse apoio não for possível, seu projeto será mantido sem uma vírgula a menos.

Herdeiro político de João Evangelista, que foi vereador e presidente da Câmara Municipal de São Luís e deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Neto Evangelista não é um outsider nem um aventureiro que surgiu do nada no mapa da política maranhense. Entrou para a política vivenciando a animada ciranda que movimenta as forças políticas da Capital e do estado, tornando-se com o tempo um ovem político com o feeling e as manhas de raposa tarimbada.

Sua trajetória política está diretamente relacionada com São Luís. Foi candidato a vice-prefeito na chapa de João Castelo em 2012, está no terceiro mandato de deputado estadual com expressiva votação na Capital e viveu uma forte experiência administrativa como secretário de Estado de Desenvolvimento Social no Governo Flávio Dino, tendo sido responsável direto pela ampliação de programas como o Restaurante Popular na Ilha de Upaon Açu. Conhece como poucos os meandros e as sutilezas da política estadual, em especial os de São Luís, transitando nesse contexto com a desenvoltura, dando cada passo como quem sabe onde quer chegar. Sabe, portanto, onde está pisando, e não o faria de maneira tão determinada se não soubesse o que está fazendo e não tivesse certeza de que pode vir a ter um bom desempenho nas urnas.

“O presidente ACM Neto me garantiu que minha candidatura é uma das prioridades do partido em todo o País”, declarou, como que exibindo um troféu. Se, de fato, tem esse cacife excepcional no comando nacional do partido, pode trabalhar para construir um lastro político que dará mais consistência ao seu potencial eleitoral. As últimas pesquisas o colocaram, grosso modo, no patamar de oito a 10 pontos percentuais de intenções de voto, o que o torna o pré-candidato competitivo.

A equação ideal para embalar sua candidatura é uma aliança do DEM com o PDT, admitida e defendida, com poucas ressalvas, dentro dos dois partidos. O presidente do PDT, senador Weverton Rocha, não esconde sua simpatia pelo projeto de aliança, tendo expressado isso na convenção do DEM, empolgando o próprio ACM Neto. Naquele momento, até o governador Flávio Dino, que visitou a convenção, deixou no ar a impressão de que a candidatura de Neto Evangelista é um projeto da sua simpatia. Não se sabe com exatidão o que o prefeito Edivaldo Holanda Jr., que terá peso decisivo na montagem, pensa sobre o assunto, mas nos bastidores da Prefeitura há quem garanta que se a aliança se consolidar, ele o abraçará sem maiores problemas.

No meio político, é opinião dominante que o deputado Neto Evangelista tem cacife político graúdo e potencial eleitoral a perder de vista para se tornar, de fato, um adversário com peso e preparo para encarar o favoritismo que embala fortemente a candidatura do deputado federal Eduardo Braide (Podemos), hoje dono de pelo menos metade das intenções de voto, segundo anunciaram todas as pesquisas divulgadas até aqui.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Edilázio Jr. pode vir a ser o candidato de Bolsonaro à sucessão de Edivaldo Jr.

Edilázio Jr.: pode ser candidato do Palácio do Planalto a prefeito de São Luís no ano que vem

Há menos de duas semanas, a Coluna chamou a atenção para nomes que o Palácio do Planalto poderá apoiar na disputa para a Prefeitura de São Luís, pondo em prática uma estratégia de dar suporte a candidatos alinhados com alguma força para tentar chegar a grandes prefeituras, especialmente as das capitais. Um deles foi o deputado federal Edilázio Jr. (PSD), que junto com o colega e aliado Aloísio Mendes (Avante), forma a dupla mais próxima do Governo de Jair Bolsonaro (PSL) na bancada maranhense. Uma fonte com trânsito em Brasília confirmou a estratégia do Palácio do Planalto – revelada há algumas semanas por Dora Kramer, colunista de Veja – e disse que a relação de potenciais candidatos bolsonaristas à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) faz todo sentido. E destacou que de todos, o deputado Edilázio Jr. é o que tem maior cacife para entrar na corrida do Palácio de la Ravardière empunhando a bandeira bolsonarista, concorrendo pelo PSD. De acordo com a mesma fonte, a possível candidatura de Edilázio Jr. à prefeito de São Luís não seria uma ação do Grupo Sarney, mas um projeto desenhado em Brasília com o apoio do deputado Aloísio Mendes, sem qualquer relação com o grupo comandado pelo ex-presidente José Sarney, que por sua vez examina a possível candidatura do deputado Adrian Sarney, seu neto, pelo PV, e acompanha a corrida do MDB por um candidato, que poderá ser mesmo o ex-deputado federal Victor Mendes. Uma fonte ligada ao deputado federal Edilázio Jr. disse à Coluna que “até o momento”, tudo não passa de especulação.

 

Memória

 

Assembleia Legislativa presta justa homenagem à memória de três jovens deputados mortos em tragédia aérea em 1996

O presidente Othelino Neto e o deputado Ciro Neto (o terceiro da direita para a esquerda) entrega comendas aos familiares dos deputados Waldir Jorge Filho, Jean Carvalho e João Silva, mortos na tragédia aérea de 1996

A Assembleia Legislativa do Maranhão realizou terça-feira (12) sessão solene em memória dos estaduais maranhenses Waldir Jorge Filho, João Silva e Jean Carvalho, todos do PFL, mortos no acidente aéreo quando se deslocavam de São Luís para Imperatriz. A homenagem proposta pelo deputado Ciro Neto (PP), sobrinho de Jean Carvalho. Os familiares receberam in memoriam a Medalha Manuel Beckman, a maior honraria do Poder Legislativo do Maranhão. “É muito importante reconhecer a importância dos três deputados, ao mesmo tempo em que estamos resgatando a história do Maranhão. Foi uma tragédia o que aconteceu com eles, mas deixaram um legado político grande, por isso, o povo do Maranhão está prestando a homenagem aos familiares”, destacou o presidente Othelino Neto (PCdoB). O deputado Ciro Neto destacou o legado de todos: “Três grandes políticos que morreram atuando pelo Maranhão.  Políticos jovens que deixaram uma semente.  Jean Carvalho deixou um trabalho grande, pensando no crescimento do Maranhão”, recordou. A viúva de João Silva, Regina Soares, o filho de Waldir Jorge, Samuel Jorge, e os filhos de Jean Carvalho, Jalves Carvalho e Robson Carvalho, receberam a homenagem.

A tragédia aconteceu na tarde de 25 de março de 1996, uma segunda-feira, quando os três deputados se deslocavam para Imperatriz no bimotor Embraer 810, de prefixo PT-EPL, que não resistiu a uma forte tempestade e caiu nas matas de Cajari. Seriam cinco passageiros, mas à última hora os deputados Hemetério Weba e Kinkas Araújo, também do PFL, não conseguiram chegar a tempo para o embarque. O piloto Antônio Carlos Vasques também morreu no acidente. Os três parlamentares participariam das sessões da Assembleia Legislativa, então presidida pelo deputado Manoel Ribeiro (PFL) e que havia sido transferida por cinco dias para Imperatriz, transformada em Capital do Maranhão pelo Governo Itinerante comandado pela governadora Roseana Sarney (PMDB).

Além do drama familiar, a tragédia interrompeu a trajetórias de três dos mais importantes políticos em ascensão no Maranhão naquele momento.

Waldir Jorge Filho despontou na política ainda muito jovem como prefeito de Lago da Pedra, onde seu pai, Waldir Jorge, tinha forte liderança, no município e na região. Comandou a prefeitura durante seis anos – beneficiado pela ampliação em dois anos de todos os prefeitos eleitos em 1982 -, com atuação municipalista forte, tendo sido um dos pioneiros no comando da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) e com forte influência no Governo Luiz Rocha. Elegeu-se deputado estadual em 1990 e reelegeu-se em 1994, caminhando para ampliar seu espaço no cenário político estadual. Com sua morte, a irmã, Maura Jorge, assumiu o legado do pai e do irmão. João Silva trilhava o mesmo caminho, formando com Waldir Jorge e Jean Carvalho um grupo que atuava em sintonia. Foi prefeito de Pindaré também durante seis anos, teve participação forte no Governo Luiz Rocha elegeu-se deputado estadual em 1990 e reelegeu-se em 1994 e, como os demais, se movimentava para ocupar espaço amplo na política estadual. Jean Carvalho teve trajetória idêntica: foi prefeito de Presidente Dutra entre 1989 e elegeu-se deputado estadual em 1994, se destacando no grupo ligado ao ex-governador Luiz Rocha. Seu legado é agora continuado pelo filho, deputado Ciro Neto.

Eram parte ativa de um grupo articulado pelo líder balsense Chico Coelho, que foi o principal articulador político de Luiz Rocha. Os três perderam força no Governo de Epitácio Cafeteira (PMDB), e estavam em franca recuperação política quando a tragédia aconteceu.

A tragédia de 25 de março de 1996 abriu três vagas na Assembleia Legislativa. O suplente Raimundo Leal assumiu no ligar de Jean Carvalho, Edmar Cutrim ocupou a vaga de João Silva e José Eider Santos substituiu a Waldir Jorge Filho.

Justa, portanto, a homenagem prestada pela Assembleia Legislativa à memória de três bons nomes daquela geração.

São Luís, 14 de Agosto de 2019.

2 comentários sobre “Dono de base política e potencial eleitoral, Neto Evangelista garante que é candidato e não abre “nem pro trem”  

  1. Tudo errado acerca dos deputados. Waldir Filho não foi prefeito 6 anos , não foi eleito em 1982 e sim em 1988 , foi deputado em 1994 pela primeira vez. João Silva também foi prefeito em 1988 e deputado em 1994. E Jean Carvalho não foi prefeito de Presidente Dutra, teve somente o mandato de deputado em 1994.

    1. Caro Marcelo Silva, você está correto. Vou fazer a correção na edição de amanhã, informando, claro, a sua colaboração, pela qual a Coluna lhe serei sempre agradecido. Nos alerte sempre que necessário. Grande abraço.

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