Defesa frágil aos ataques de Eduardo Braide e Wellington do Curso revela problemas na base política de Edivaldo Jr.

 

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Sérgio Vieira foi “escalado” para defender Edivaldo Jr.

Algo de muito estranho está acontecendo na base política do prefeito Edivaldo Jr. (PDT). Ele vem sendo duramente atacado na Assembleia Legislativa pelos seus dois mais fortes adversários na corrida eleitoral de 2016, os deputados estaduais Eduardo Braide (PMN) e Wellington do Curso (PSB), mas, surpreendentemente, quase nenhuma voz se levanta em sua defesa. Ultimamente, os dois têm feito ataques duros, sempre em tom muito áspero, afirmando que a Capital vive situação “caótica” nos hospitais, nas escolas, na malha viária e na área de segurança. Nas avaliações que fazem, a gestão do pedetista é fruto de “incompetência”, “despreparo” e “omissão” – nas suas falas exaltadas, Wellington do Curso tem sido agressivo, taxando o prefeito de “covarde” e mandando-o “criar vergonha na cara”. A artilharia verbal de Wellington do Curso foi repetida ontem, e, para surpresa geral, uma voz se levantou para fazer o contraponto a favor do prefeito: o deputado em exercício Sérgio Vieira (PEN), um político de Açailândia, sem maior afinidade com a realidade de São Luís.

Vários fatores estimulam os deputados Eduardo Braide e Wellington do Curso a manter Edivaldo Jr. como alvo preferencial das suas ações políticas. Os dois se deram muito bem e se projetaram na disputa para a Prefeitura da Capital explorando exatamente os pontos fracos da gestão do prefeito, que buscava a reeleição, e agora se movimentam sobre os caminhões de votos que receberam para alçar voos mais altos. Braide e Wellington operam, cada um a seu modo, para chegar à Câmara Federal, podendo o primeiro, que se tornou uma liderança emergente com visível densidade, seguir outros caminhos, podendo até mesmo ser candidato a governador. O fato, porém, é que, independente do que vier por aí, os dois se mantém legitimamente no palanque como candidatos assumidos à Prefeitura de São Luís em 2020 decididos, portanto, a infernizar a vida do prefeito até a corrida sucessória.

O que chama a atenção é que, estranhamente, o prefeito Edivaldo Jr. tem dado argumentos de sobra para quem está disposto a criticá-lo. Isso porque, se após quatro anos e quatro meses no cargo, ou seja, 1.550 dias, sua gestão não deixou que a Capital se transformasse no inferno apontado por seus críticos, por outro lado, São Luís não é hoje nem de longe a cidade prometida na campanha eleitoral de 2012. Os problemas continuam os mesmos em áreas essenciais como saúde, educação, saneamento, limpeza, mobilidade, segurança, entre outros. É verdade que Edivaldo Jr. foi duramente reprimido por uma crise que avassala o país e limita cruelmente as gestões municipais, mas mesmo a crise não justifica alguns problemas que afetam São Luís. A atual gestão, renovada em 2016 com recados estridentes de insatisfação do eleitorado, não passou à população a sensação de que a São Luís que abriga hoje 1,3 milhão de habitantes e enfrentam desafios gigantescos, está caminhando firme para ser em pouco tempo uma cidade bem melhor do que é atualmente.

Não se diga que o prefeito Edivaldo Jr. seja omisso ou incompetente como apontem seus adversários. Mas não há como negar que seu modus operandi distante e de comunicação difícil atrai duras cobranças. E os sintomas que estimulam tal avaliação estão exatamente na falta de apoio manifesto da sua base política e parlamentar. Edivaldo Jr. vem apanhando sistematicamente na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal, onde também as vozes que o atacam são agressivas e as que o defendem são cautelosas e tímidas. Esse cenário às vezes sugere que o prefeito vive um processo de isolamento político. Mas se de um lado não consegue motivar defensores nas casas parlamentares, tem sido um ativo participantes das incursões pré-eleitorais no estado do deputado federal Weverton Rocha, chefe estadual do PDT e candidato assumido ao Senado, numa evidente contradição.

É claro que a Prefeitura de São Luís encontra-se no meio de uma guerra política cujo desfecho se dará nas urnas no ano que vem. Pode estar em curso uma estratégia para garantir sobrevivência às intempéries do momento. Mas com a experiência política que já acumulou, o prefeito Edivaldo Jr. deveria saber que, somados, letargia administrativa e equívocos políticos costumam provocar desastres nas urnas. Acionar o deputado Sérgio Vieira para defender a gestão de São Luís foi um equívoco. E mesmo com a intervenção do deputado Rafael leitoa (PDT), que acusou Eduardo Braide e Wellington do Curso de permanecerem no palanque e fazer “discurso fácil”, o movimento do Palácio de la Ravardière  reforçou a impressão de que o prefeito Edivaldo Jr. precisa urgentemente reforçar sua base política, sob pena de pagar preço alto.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sérgio Vieira foi “escalado” por Jota Pinto, que não estaria acertando nas suas articulações por apoio ao prefeito

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Jota Pinto ganhou secretaria estratégica tenta articular apoio para Edivaldo Jr.

A “escalação” do deputado Sérgio Vieira para defender o prefeito Edivaldo Jr. na Assembleia Legislativa, além de surpreender os deputados presentes em plenário, causou surpresa também a informação de que a iniciativa partiu do secretário de Assuntos Políticos da Prefeitura de São Luís, Jota Pinto (PEN). A explicação dada pelo próprio Sérgio Vieira: atendeu a um pedido do secretário, que é do seu partido, para “prestar alguns esclarecimentos” aos deputados Eduardo Braide e Wellington do Curso, que bombardeiam sistematicamente o prefeito de São Luís. Nos bastidores políticos, corre solto que Jota Pinto, que é suplente de deputado estadual e se movimenta para ser titular nas próximas eleições, não estaria sendo bem sucedido nas suas tentativas de reforçar o poder de fogo do Palácio de la Ravardière. No caso do deputado Sérgio Vieira, a estratégia falhou. Não por falha do parlamentar, que até deu seu recado com segurança e coragem politica, mas porque a ação se transformou numa demonstração de que o prefeito de São Luís não tem defensores no parlamento estadual – isso não inclui, claro, o deputado Edivaldo Holanda (PTC), cujos discursos, feitos de pai para filho, já não ecoam tanto. Nos bastidores é corrente que ele estaria enfrentando problemas também na Câmara Municipal, onde tem maioria, mas a minoria oposicionista tem batido forte e vem incomodando o prefeito, apesar das mediações feitas pelo presidente da Câmara, o hoje poderoso vereador Astro de Ogum (PMN).

Coutinho recebe comitiva de Passagem Franca e garante encaminhar pleitos do Município ao Governo do Estado

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Humberto Coutinho ao lado do prefeito e membros da comitiva de Passagem Franca

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho (PDT), não se intimida com as agruras do valente e bem sucedido combate que vem dando ao câncer, e reforça o tratamento fazendo o que mais gosta: atuar na articulação política. Além da rotina de comandar as sessões do parlamento e de atuar fortemente para estancar sintomas de crise e de articular a solução de conflitos que ocorrem nos bastidores da Casa, o presidente encontra tempo também para dar atenção a lideranças municipais. Um exemplo aconteceu ontem (26), quando ele recebeu, em clima de descontração, uma comitiva de lideranças políticas de Passagem Franca, formada pelo prefeito Marlon Torres (PTB), pelos ex-prefeitos Antônio Reinaldo de Sousa e José António Gordinho Rodrigues dos Santos, e pelo presidente do PCdoB municipal, Virgílio Cazé. A Comitiva de Passagem Franca apresentou ao presidente Humberto Coutinho, que atua politicamente no município, uma pauta de reivindicações, entre elas um trator de pneu para serviços urbanos, dois ônibus escolares e uma ambulância. O presidente da Assembleia informou que encaminhará a pauta de reivindicação ao Governo do Estado, e disse acreditar que os pleitos serão atendidos pelo governador Flávio Dino (PCdoB). Participaram ainda o diretor de Relações Institucionais da AL, ex-deputado Rubens Pereira, e o diretor de Comunicação, Carlos Alberto Ferreira.

 

São Luís, 26 de Abril de 2014.

3 comentários sobre “Defesa frágil aos ataques de Eduardo Braide e Wellington do Curso revela problemas na base política de Edivaldo Jr.

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