Debate: Edivaldo Jr. e Eduardo Braide mostraram que, cada um ao seu modo, estão preparados para comandar São Luís

 

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Edivaldo Jr. e Eduardo Braide mantiveram postura adequada durante o debate de ontem na TV Mirante, que para muitos será decisivo na definição do pleito

Quem venceu o debate de ontem na TV Mirante? Edivaldo Jr. ou Eduardo Braide? Essa pergunta certamente nunca será satisfatoriamente respondida, pois o que vai determinar a resposta será o número de 12 e de 33 que participarem da roda de conversa. Mas o que se viu ontem foi um evento político civilizado, com o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) e o deputado Eduardo Braide (PMN) esmerando no equilíbrio, cuidando para não cometer gafes e se esforçando para impressionar o telespectador. O prefeito Edivaldo Jr. adotou uma postura espantosa do tipo “se ele quiser guerra, terá guerra”, enquanto o deputado Eduardo Braide manteve sua assombrosa frieza, alimentando o tipo “calma, candidato, não precisa ficar nervoso”. Os dois ensaiaram bem os seus papeis e conseguiram passar a impressão de que, ao contrário de disputas anteriores, qualquer que seja a decisão a ser anunciada pelas urnas na noite deste domingo, São Luís estará em boas mãos.

Para começar foi um debate em que quase nenhuma pergunta ficou sem resposta. Os dois candidatos encararam com segurança os tema mais incômodos, como os casos Isec e Anajatuba, não apresentando qualquer novidade ao que fora exaustivamente divulgado pelos dois exércitos na grande guerra de informação e contrainformação travada nas redes sociais. No geral, Eduardo Braide foi mais técnico, com bom domínio de informações consolidadas, enquanto Edivaldo Jr. foi mais genérico, mais político. Cada um a seu modo, os dois foram convincentes, conseguiram passar ao eleitor elementos para que ele possa formar juízo e fazer a sua escolha. Isso porque, afora algumas respostas frágeis dadas por ambos – Edivaldo Jr. não conseguiu ser contundente na sua abordagem sobre educação, por exemplo, assim como Braide deixou vazios nas suas declarações sobre sua gestão na Caema -, todas as questões postas foram tratadas de maneira adequada nas circunstâncias e nas limitações de um debate na TV, com regras rígidas e tempo limitado.

Quando debateram sobre transporte coletivo, Edivaldo Jr. disse que recebeu um sistema caótico, que precisou ser organizado para só depois de três anos pudesse ser feita a licitação para renová-lo, acrescentando que cumpre a promessa de colocar ônibus com ar condicionado, nada dizendo além disso. Com sua frieza emblemática, Eduardo Braide aproveitou o gancho e criticou o processo, acusando o prefeito de facilitar para as concessionárias, de usar dinheiro do contribuinte para subsidiar os custos, a previsão contratual do reajuste de tarifa, e arrematou lembrando a extinção da tarifa domingueira, que repercute até hoje, para fechar prometendo que, se eleito, revisará o contrato e reduzirá a tarifa aos domingos. No contraponto, quando Eduardo Braide insistiu da questão do Isec, acusando o oponente de não explica direito o destino de R$ 33 milhões, Edivaldo Jr. engrossou a voz, afirmou categórico, que a Justiça atestou que o contrato é legal, e avançou, em tom duro: “Eduardo, digo, olhando nos seus olhos, que sou um homem honesto, que minha gestão é transparente e eu não compactuo com coisas erradas”. E o assunto morreu aí.

Quando o tema foi educação, Eduardo Braide foi duro, afirmando que a gestão atual não é eficiente, acusando o prefeito de deixar escolas sem os cuidados necessários. Edivaldo Jr. respondeu cometendo um erro político ao declarar que recebeu uma rede escolar destruída e responsabilizando nominalmente o ex-prefeito João Castelo pela destruição. Citar o ex-prefeito João Castelo de maneira negativa, quando ele está se recuperando de um infarto recente, foi um tropeço desnecessário, indicando que a pergunta do oponente o incomodou e provocou o destempero. Os dois seguiram trocando farpas – algumas quentes, outras nem tanto – ao abordarem temas como emprego, meio ambiente, previdência do servidor municipal, Centro Histórico e outros tremas de menos realçados.

A conclusão possível é que, mesmo não discutindo São Luís na sua verdadeira dimensão – como polo portuário, como Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, da sua vocação para o turismo nem de metropolização, por exemplo – atendo-se basicamente ao tripé saúde-educação-transporte e temas agregados, os dois candidatos mostraram-se preparados para comandar a Capital do Maranhão. Edivaldo Jr. e Eduardo Braide foram dormir cada um convencido de que foi o melhor. Os dois têm razão, pois foi um debate que no geral contribuiu para reforçar as suas imagens de políticos de ponta da sua geração. Esse julgamento, porém, será do eleitor, amanhã.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Apelos excessivos ao Criador

Mesmo com a sua infinita lista de obrigações, Deus certamente ouviu a parte final do debate de ontem entre o prefeito Edivaldo Jr. e o deputado Eduardo Braide na corrida para a Prefeitura de São Luís. Nas suas declarações finais, os dois quase se excederam no apelo ao Criador, citando-o várias vezes antes de dizer o que pretendiam ao eleitorado, no monumental palanque que foi ontem a TV Mirante. Evangélico de carteirinha, daqueles que seguem à risca os preceitos bíblicos e vão ao culto regularmente nos fins de semana, Edivaldo Jr. não conseguiu separar religião da vida política, mostrando isso com clareza na sua despedida do debate. O mesmo fez Eduardo Braide, enfatizando sua postura de católico, apostólico e romano praticante, que não relaxa missa aos domingos,  conhece o missal de cor e salteado, e faz suas orações diárias, buscando força na espiritualidade cristã.

PMDB ficou de fora do 2º turno em São Luís
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João Alberto nega envolvimento do PMDB no 2º turno da disputa  em São Luís

O PMDB não tem qualquer vinculação, informal que seja, com a disputa para a Prefeitura de São Luís. E qualquer informação que disser o contrário será inverídica, um factóide. O esclarecimento foi dado pelo senador João Alberto, que preside o partido no Maranhão. E garante que encerrado o 1º turno, reuniu militantes pemedebistas, incluindo os que foram candidatos a vereador, para informá-los de que o partido não participaria do 2º turno, deixando-os à vontade para seguir o rumo que desejassem. “A participação do PMDB nas eleições de São Luís foi encerrada com o resultado do 1º turno. Depois disso, não tratei com ninguém a respeito de 2º turno, não procuramos ninguém. Quem disser o contrário estará faltando com a verdade”, declarou o senador. João Alberto desmente peremptoriamente a informação dada pelo deputado federal pemedebista Hildo Rocha, de que ele, João Alberto, teria conversado sobre o assunto com o deputado Edivaldo Holanda. “Não é verdade, isso não aconteceu”.

 

São Luís, madrugada de 29 de Outubro de 2016.

 

 

 

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