Convocações precipitadas e equivocadas dão a secretários espaço para turbinar o Governo e suas candidaturas

 

Adelmo Soares e Clayton Noleto ganharam palanque em tribuna de honra
Adelmo Soares e Clayton Noleto ganharam palanque em tribuna de honra na AL

A ida do secretário de Estado de Agricultura, Adelmo Soares, à Assembleia Legislativa, ontem, atendendo a uma convocação proposta pelo deputado Júnior Verde (PRB) – curiosamente aprovada há alguns dias em sessão presidida pelo deputado governista Fábio Macedo (PDT) -, para prestar esclarecimentos sobre as ações do Governo nessa área, deu uma ideia bem nítida de como as tensões pré-eleitorais às vezes fomentam o cometimento de atos falhos e acabam induzindo a montanha a parir rato. Justificada como uma iniciativa de para que o secretário “prestasse a esta Casa informações sobre as ações desenvolvidas pelo Governo do Maranhão, através da Secretaria de Agricultura Familiar, desde o fornecimento de assistência técnica até a entrega de kits para prefeituras e entidades”, a convocação foi um fiasco para esperava que o secretário fosse “espremido” e “desidratado”.  Há algumas semanas, o secretário de Estado de Infraestrutura, Clayton Noleto, viveu o mesmo processo: foi convocado e deu um baile na tribuna do Legislativo. Adelmo Soares e Clayton Noleto têm um ponto em comum: eles são filiados ao PCdoB e se preparam para encarar as urnas, o primeiro visando uma cadeira na Assembleia Legislativa, o segundo, uma cadeira na Câmara Federal.

Não é novidade que os dois secretários se preparem para disputar votos, respeitando a tradição segundo a qual todo Governo conta em sua equipe auxiliares importantes e que veem no exercício de cargo público um trampolim para o mandato parlamentar. E essa “concorrência” costuma gerar mal-estar político, principalmente na fatia governista do parlamento, que se vê “prejudicada”. A rigor, detentores de mandatos parlamentares enxergam “prerrogativas” que não dispõem, e como não sabem como revolvê-las, tropeçam na coerência e acabam produzindo situações em que o feitiço acaba virando contra o feiticeiro.

Ao irem à Assembleia Legislativa empurrados, um por convite e o outro por convocação, os secretários Clayton Noleto e Adelmo Soares ilustraram bem a situação em que o tiro sai pela culatra. Convidado pelo deputado oposicionista Edilázio Jr. (PV) – que queria convocá-lo, mas a base governista só aceitou apoiar um convite –, Clayton Noleto resistiu sem maior esforço aos ataques da Oposição. Ele passou seis horas na tribuna vendendo as ações do Governo no tom que quis, transformando o que seria um paredon  num bem articulado comercial do Governo Flávio Dino na Assembleia Legislativa. E, mais que isso, sinalizou claramente que está andando na direção das urnas e saiu do Palácio Manoel Bequimão festejado por aliados mais candidato do que nunca.

Aconteceu exatamente o mesmo com o secretário Adelmo Soares, da Agricultura. Autor da convocação – que alguns tentaram em vão transformar em convite -, o deputado Júnior Verde mudou completamente o tom incisivo que usou para propor e justificar a iniciativa, passando de verdugo temido a aliado bonzinho, que alvejou o secretário com indagações amenas, que foram respondidas com visível tranquilidade e satisfação pelo secretário. Tanto quanto o colega Clayton Noleto, Adelmo Soares aproveitou o momento e encheu a bola do Governo na área que comanda e, por tabela, acabou ganhando gás para consolidar sua candidatura a um assento na Casa.

Não será surpresa se outros secretários apontados como candidatos a mandados parlamentares venham a ser convocados ou convidados para “prestar esclarecimentos” na Assembleia Legislativa – entre eles o chefe da Casa Civil, Marcelo Tavares (PSB), que até as pedras de cantaria do Palácio dos Leões sabem que será candidato a deputado estadual, e o poderoso e influente secretário de Assuntos Políticos e Comunicação, Márcio Jerry, que já não esconde seu projeto eleitoral. Cada um vai dar seu baile.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Flávio Dino mantém coerência e equilíbrio em meio à crise

Flávio Dino mantém equilíbrio e coerência em meio à crise
Flávio Dino mantém equilíbrio e coerência em meio à crise

Mesmo diante das duras provocações que lhes são dirigidas todos os dias por canhões do Grupo Sarney, o governador Flávio Dino (PCdoB) se mantém absolutamente equilibrado no contexto da crise que estremece o Brasil. Enquanto uns esperneiam e outros somem, o governador do Maranhão não se omite de falar sobre o quadro do momento, mas o faz dentro dos limites que a coerência permite a um chefe de Estado, ainda que seja de oposição. Até aqui, todas as vezes que se manifestou sobre a delação que premiou o empresário-bandido Joesley Batista e indignou o Brasil, Flávio Dino fez comentários analíticos, preocupados com a situação do País e pregando soluções urgentes – como eleição já para presidente, por exemplo -, sem tergiversar nem passar perto do discurso politico medíocre e oportunista. Os adversários, claro, não gostam nem um pouco dessa postura, tentam induzi-lo, escorregar na precipitação, fazem o jogo político pesado para minimizar o seu poder político. Em vão. No contraponto, um verdadeiro exército de aliados do governador mantém fogo cerrado contra os líderes do Grupo Sarney, a começar pelo ex-presidente José Sarney, que passa todo o seu tempo mergulhado em articulações, mas com o cuidado extremo de não se expor.

 

Uma lista de financiados sem maiores surpresas

Salvo o milhão recebido pelo atual suplente de deputado federal Davi Alves Silva, que carece de explicação à parte, nada há de excepcional na relação de políticos maranhenses que receberam dinheiro do grupo JBS. A lista só confirma o que no fundo todo mundo já sabia: a existência dos grandes financiadores de mandatos parlamentares. Se o dinheiro é legal ou sujo, esse é um problema para a Polícia e a Justiça Eleitoral resolverem.

A lista que ganhou o mundo é a seguinte: Francisco Escórcio (R$ 50.000,00), Rosângela Curado (R$ 50.000,00), Rose Sales (R$ 50.000,00), Rubens Júnior (R$ 150.000,00), Weverton Rocha (R$ 100.000,00), Julião Amin  (R$ 100.000,00), Deoclídes Macedo (R$ 50.000,00) e  Davi Alves Silva Jr. (R$ 1.000,00,00).

São Luís, 23 de Maio de 2017.

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