Arquivos da categoria: Sem categoria

Lula anuncia Dino para a Justiça e diz que ele ajudará a consertar “muitas coisas” no Brasil

Ao lado de Ana Paula Lobato, Othelino Neto ao registrar a chegada de Flávio Dino e a esposa Daniela Lima, ontem, a São Luís, como ministro anunciado da Justiça e Segurança Pública

“Eu tenho certeza de que o Flávio Dino vai ajudar a consertar muitas coisas neste país”, disse ontem o presidente eleito Lula da Silva (PT) ao anunciar o senador eleito Flávio Dino (PSB) para comandar o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Além de confirmar o que já era amplamente especulado, o anúncio pôs fim a uma longa expectativa no Maranhão, dando forma definitiva à equação política que vingará no estado com essa mudança de curso. Ao assumir, aos 54 anos, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Flávio Dino consolida sua projeção nacional como um dos quadros públicos mais preparados e ativos da sua geração, e com o desafio nada desprezível de devolver à pasta a importância perdida nos últimos anos, além de ser um braço importante na articulação política do presidente Lula da Silva. No plano político maranhense, sua ida para o MJSP reforça a interlocução do governador Carlos Brandão (PSB) no Governo Federal, e abre vaga no Senado para Ana Paula Lobato (PSB), vice-prefeita de Pinheiro, fortalecendo o braço maranhense do seu partido, injetando gás na ramificação da aliança governista liderada pelo presidente da Assembleia Legislativa, o deputado reeleito Othelino Neto (PCdoB).

Flávio Dino não chega ao MJPS por acaso nem por injunções políticas envolvendo terceiros. Sua ascensão é o resultado de uma escolha com base no mérito e, claro, na relação política confiável e produtiva cultivada com o presidente eleito, e ainda por conta da aliança PT/PSB, vitoriosa na disputa presidencial e nas eleições no estado. No plano da política, a relação com Lula da Silva se consolidou quando o então governador do Maranhão assumiu a defesa da presidente Dilma Rousseff no processo de impeachment. Fez o mesmo ao defender Lula da Silva no controverso processo da Lava Jato, criticando duramente as decisões do juiz Sérgio Moro, apontando inconsistências e ilegalidades nas acusações ao líder petista, tendo suas posições confirmadas no desfecho do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que livrou Lula da Silva de todas as acusações. Em seguida, foi e continua sendo crítico duro, às vezes áspero, do presidente Jair Bolsonaro (PL), principalmente no tocante ao discurso golpista do mandatário, concorrendo fortemente para derrota-lo nas urnas.

No plano da gestão pública, teve peso decisivo as realizações dos sete anos e três meses do Governo Flávio Dino, que teve desempenho excepcional em diversas áreas, incluindo a Segurança Pública, com maciços investimentos nas Polícias Civil e Militar, inclusive com expressivo aumento de efetivo por meio de concursos públicos, tornando a polícia maranhense uma das mais eficientes da região. Foi a sua experiência de juiz federal, com atuação inclusive na área criminal, e as mudanças que promoveu na segurança pública do estado, além dos seus estudos na área, que lhe deram argumentos para evitar o esvaziamento do MJSP com a retirada da Segurança Pública da pasta para a formação de ministério específico. Para assumir a pasta intacta, Flávio Dino travou duras batalhas com personalidades do PT e do próprio PSB.

Ao se tornar ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino muda a configuração política do Maranhão no Senado ao abrir vaga na Casa para sua 1ª suplente, a jovem prefeita de Pinheiro, Ana Paula Lobato, pertencente ao seu partido. Trata-se de uma política jovem, sem experiência parlamentar, mas que, ao contrário do que muitos imaginam, tem a política “no sangue” e posições bem definidas sobre as questões as mais diversas, de modo que uma atuação traquejada e eficiente no Senado é apenas uma questão de tempo. Ao mesmo tempo, ao se tornar senadora da República, Ana Paula Lobato protagoniza uma mudança expressiva na bancada maranhense no Congresso Nacional, incluindo o fato de que o Maranhão terá duas mulheres na sua bancada de três senadores. Na prática, a ascensão de Ana Paula Lobato ao Senado fortalece o presidente da Assembleia Legislativa, deputado reeleito Othelino Neto, que no momento articula base política para disputar mais uma vez a presidência do Poder Legislativo, agora enfrentando a deputada eleita Iracema Vale (PSB), cuja candidatura tem o aval do Palácio dos Leões. Tal situação, é bom deixar claro, não configura uma crise na base política do governador Carlos Brandão.  

Pequenas tensões na política doméstica não tiram o futuro ministro do eixo, muito ao contrário. Com sabedoria e capacidade de articulação, Flávio Dino tem dado seguidas demonstrações de que o sucesso político não comporta desvios e excessos. Que ninguém se iluda: ele vai mostrar isso como ministro da Justiça e Segurança Pública. E como disse o presidente eleito Lula da Silva, vai ajudar a consertar muitas coisas nesse país.

PONTO & CONTRAPONTO

Dino foi tratado pela a imprensa quase que como uma unanimidade

Lula da Silva entre Gleisi Hoffmann (PT) e Geraldo Alckmin, anuncia Fernando Haddad (Fazenda), Flávio Dino (Justiça), Rui Costa (Casa Civil) e José´ Múcio (Defesa)

O senador eleito Flávio Dino (PSB) foi o nome mais badalado e comentado positivamente por analistas isentos da imprensa nacional mais destacada entre os ministros anunciados perlo presidente Lula da Silva (PT). O mais citado deles, Fernando Haddad (PT), ganhou mais espaço por ser anunciado como futuro ministro da Fazenda. Outros foram devidamente analisados, como José Múcio (Defesa), Rui Costa (Casa Civil) e André Vieira (Relações Exteriores). Mas nenhum deles com o toque de unanimidade como o senador eleito do Maranhão. Em todas as avaliações, Flávio Dino foi apontado como um político preparado e experiente e com dotes de articulador político eficiente, além de ser um bom gestor, como demonstrou à frente do Governo do Maranhão ao pongo de sete anos e três meses. Portanto, a expectativa positiva criada em torno do líder maranhense vai além do normal, e tem um preço: ele não pode errar no comando de uma das pastas mais sensíveis do novo Governo. A vantagem é que o ex-juiz federal, o ex-deputado federal e o ex-governador do Maranhão sabe onde está pisando.

Othelino Neto diz que já conta com 25 votos prometidos e calcula que pode chegar a 28

O presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), que se prepara para tentar nova eleição para comandar a Casa no primeiro biênio da 20ª legislatura, a ser iniciada em fevereiro, não sentiu o chão tremer com o anúncio da candidatura da deputada eleita Iracema Vale (PSB) ao cargo de presidente da Mesa Diretora. Ontem, em entrevista em programa matinal da TV Mirante, ele declarou que tem a maioria das intenções de voto. Essa maioria está formalizada num documento com 25 assinaturas de deputados eleitos e reeleitos lhe declarando o voto, e que esse número pode chegar a 28. Ele não reagiu negativamente ao fato de a candidatura de Iracema Vale ser estimulada pelo Palácio dos Leões. E usou um argumento simples para estar seguro de que a maioria que detém hoje será mantida até o dia 1º de fevereiro do ano que vêm, quando a nova Assembleia Legislativa for empossada e realizar a eleição da Mesa Diretora. Em relação ao governador Carlos Brandão, o presidente Othelino Neto disse estar tranquilo, certo de que a viabilidade da sua candidatura poderá levar a um grande entendimento. E mostrou que o seu cacife para pleitear novo mandato no comando do Legislativo está no seu desempenho nos dois mandatos cumpridos até aqui. Nesse período, os deputados foram tratados de maneira igualitária e solidária, sem serem tratados por suas posições, num processo republicano. Ontem, Othelino Neto e Ana Paula Lobato foram receber o senador eleito e ministro-anunciado da Justiça e Segurança Pública. O encontro se deu em clima de comemoração.

São Luís, 10 de Dezembro de 2022.

Com aval palaciano, Iracema Vale lança candidatura e torna imprevisível a disputa para a presidência da Assembleia Legislativa

Iracema Vale vai disputar presidência da Assembleia Legislativa contra o atual presidente Othelino Neto, que busca novo mandato

Se as lideranças não construírem um acordo que levem a uma candidatura de consenso alinhada ao Palácio dos Leões, a eleição do próximo presidente da Assembleia Legislativa será marcada por uma disputa dura, como há muito não ocorre nas entranhas do Palácio Manoel Beckman. Isso porque a caminhada aparentemente segura e tranquila do atual presidente, deputado reeleito Othelino Neto (PCdoB), para continuar no comando do Poder Legislativo elegendo-se presidente para o primeiro biênio (2023/2024) da 20ª legislatura, foi fortemente abalada ontem pelo anúncio da candidatura da deputada Iracema Vale (PSB) ao cargo. A iniciativa da deputada eleita poderia ser um arroubo momentâneo de quem está mais interessada em ocupar algum espaço, mas a informação de que deputados importantes da base governista – como Rafael Leitoa, Antônio Pereira e Florêncio Neto, todos do PSB, e Arnaldo Melo, do PP, por exemplo – foi uma sinalização clara de que o gesto da parlamentar é, na verdade, um movimento com o aval do Palácio dos Leões.

Iracema Vale entrou na disputa embalada por vários argumentos. O primeiro é que, segundo fontes governistas, o governador Carlos Brandão (PSB) não teria firmado compromisso com a candidatura do presidente Othelino Neto a novo mandato presidencial, estando, portanto, à vontade para apoiar um candidato da sua preferência ou o próprio presidente. Outro argumento: boa parte da base governista da futura Assembleia Legislativa não apoiaria a eleição do presidente Othelino Neto para novo mandato presidencial. E ainda: além de ter sido a deputada eleita mais votada (104 mil votos), Iracema Vale argumentou que sua eventual eleição representará um avanço nos costumes políticos, à medida que, se eleita for, ela será a primeira mulher a comandar o Poder Legislativo do Maranhão. Esses argumentos já teriam mobilizado 15 deputados da base governista e da oposição.

– A mulher tem alcançado lugares importantes dentro do parlamento e da política. Com o nosso senador Flávio Dino indo para o Ministério da Justiça, teremos duas mulheres no Senado (uma delas será Ana Paula Lobato [PSB], esposa de Othelino Neto). Elegemos 12 mulheres para a próxima legislatura, mas ainda podemos avançar ainda mais nessas conquistas – declarou Iracema Vale justificando sua candidatura, que segundo ela não é uma imposição palaciana.

Por mais que seja politicamente normal – afinal, qualquer um dos 42 deputados eleitos para a 20ª legislatura está habilitado a se candidatar a presidente -, o pleito de Iracema Vale causa a forte impressão de um racha na base governista. Primeiro porque, enquanto o governador Carlos Brandão, não compromisso com o presidente Othelino Neto, o senador eleito Flávio Dino (PSB) avalizou a candidatura dele a novo mandato. Tanto que na semana passada, ao participar de uma reunião com o PCdoB, o senador eleito declarou que a candidatura de Othelino Neto estava “bem encaminhada”. A declaração de Flávio Dino e uma do próprio Othelino Neto dizendo-se convencido de que terá o apoio do governador Carlos Brandão, perderam completamente o sentido.

Se o “racha” se configurar com a manutenção das duas candidaturas, os líderes poderão deixar rolar o confronto no Legislativo ou entrarão em acordo para evitá-lo. No caso do “racha”, várias perguntas vêm à tona: Como se comportarão os 11 deputados do PSB? Seguirão a orientação do governador Carlos Brandão em favor de Iracema Vale? Votarão de acordo com a orientação do senador eleito Flávio Dino, que apoia a candidatura de Othelino Neto? Ou, finalmente, será construído um grande acordo dentro da base governista? O tempo dará resposta a essas indagações.

Fora disso, o fato é que até agora, o presidente Othelino Neto tem uma candidatura sólida, bem encaminhada e com todas as chances de sair vitoriosa. A entrada da deputada eleita Iracema Vale na disputa, se for mesmo embalada pelo poderoso combustível palaciano, como está se mostrando, muda todo cenário. E uma mudança com essa envergadura tornará absolutamente imprevisível a eleição do novo presidente da Assembleia Legislativa. Lembrando que ainda faltam 52 dias para o pleito, com Natal, Ano Novo e posse do novo Governo estadual pelo meio.

PONTO & CONTRAPONTO

Começa agora, para valer, a divisão dos votos dos deputados eleitos e reeleitos pelo comando do Legislativo

Rodrigo Lago apoia Othelino Neto, enquanto Antônio Pereira e Rafael Leitoa

No jogo de poder pelo comando da Assembleia Legislativa, caso não haja um grande acordo, as bancadas caminharão unidas ou se dividirão. O alvo da maior atenção são os 11 votos do PSB, partido comandado pelo governador Carlos Brandão, que apoia o pleito de Iracema Vale, e liderado pelo senador eleito Flávio Dino, que avaliza a candidatura de Othelino Neto, cujo partido, o PCdoB, tem cinco votos, e devem todos sufragar o presidente, a exemplo do deputado eleito Rodrigo Lago, que lhe declarou apoio.   Para onde for o seu chefe maior, deputado federal Josimar de Maranhãozinho, os cinco votos do PL irão junto, o mesmo devendo acontecer com os quatro votos do PDT, que devem seguir a orientação do senador Weverton Rocha. Os três votos do PP seguirão rumos próprios, uma vez que o deputado Arnaldo Melo já declarou apoio a Iracema Vale, enquanto seu colega Rildo Amaral está fechado com o presidente Othelino Neto. Um dos dois votos do PSC, o do deputado reeleito Wellington do Curso, já foi dado para o presidente Othelino Neto. Um dos dois votos do PSD está decidido com o apoio da deputada Mical Damasceno ao presidente Othelino Neto. Como irão os três votos do Patriotas, os dois do União Brasil, os dois do MDB, os dois do Podemos e o solitário do Republicanos? O jogo da divisão começa agora.

Se Lula anunciar Dino para ministério, Ana Paula será senadora por tempo indeterminado

Se for nomeado ministro, Flávio Dino abrirá vaga para Ana Paula Lobato no Senado

A sexta-feira começa com a expectativa em relação ao anúncio de alguns ministros pelo presidente eleito Lula da Silva (PT). Se o senador eleito Flávio Dino (PSB) for confirmado para o Ministério da Justiça, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado reeleito Othelino Neto (PCdoB), terá motivos de sobra para comemorar: sua esposa, Ana Paula Lobato, 1º suplente do senador Flávio Dino, assumirá o mandato senatorial no início de fevereiro, pelo tempo em que o titular permanecer trabalhando na Esplanada dos Ministérios.

São Luís, 09 de Dezembro de 2022.

PDT faz jogo duplo, apoiando o Governo Lula e ensaiando oposição ao Governo Brandão

Lula da Silva entre José Guimarães, Weverton Rocha, Carlos Lupi e André Figueiredo, ao final de reunião sobre o apoio do PDT

O encontro de ontem do presidente eleito Lula da Silva (PT) com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e os líderes do partido no Senado, senador Weverton Rocha, e na Câmara Federal, deputado André Figueiredo, no qual os chefes pedetistas confirmaram apoio ao Governo petista, teve reflexo na política maranhense. O evento mostrou que o PDT, no Maranhão, ao mesmo tempo que apoiará o Governo Lula da Silva, fruto da aliança PT/PSB, o senador Weverton Rocha e seu partido ensaiam movimentos numa linha de oposição ao Governo Carlos Brandão, que é igualmente fruto da aliança PSB/PT. É uma situação esdrúxula, mas possível no contexto da política, mesmo com as flagrantes contradições que vieram à tona durante a corrida para o Governo do Estado, protagonizadas pelo candidato do PDT, senador Weverton Rocha, que preside o partido no Maranhão.

Se houve algum acordo subterrâneo de tolerância ao que aconteceu, tudo bem, estará explicado; se não houve, a aberração política nascida na disputa pelo Palácio dos Leões deve ser mandada para o armário do esquecimento.

Vale relembrar os fatos: ao mesmo tempo em que no plano nacional o PDT não participou formalmente da base de apoio à candidatura de Lula da Silva, alimentando o projeto presidencial fracassado do ex-governador cearense Ciro Gomes, no Maranhão, o partido comandado pelo senador Weverton Rocha jogou duro contra a candidatura do governador Carlos Brandão à reeleição pela aliança PSB/PT, tendo o petista Felipe Camarão como vice. E com um dado mais surpreendente: Weverton Rocha disputou o Governo apoiado pelas forças bolsonaristas, tendo como companheiro de chapa o deputado bolsonarista declarado Hélio Soares (PL), e ainda por cima embalando a candidatura do senador bolsonarista Roberto Rocha (PTB) à reeleição, contra a candidatura do ex-governador Flávio Dino ao Senado pela aliança PSB/PT. Ou seja: no 1º turno, o chefe do PDT no Maranhão atuou na contramão da campanha de Lula da Silva, e no 2º, preferiu ficar distante, uma vez que não há registros contundentes do seu engajamento na campanha do líder petista, embora tendo feito algumas declarações a favor de Lula da Silva.

Passada a corrida ao Governo do Estado, na qual ficou em terceiro lugar, o líder do PDT no Maranhão sinalizou claramente a inclinação para atuar como oposição ao Governo da aliança PSB/PT, fazendo um inusitado jogo duplo. Agora, a situação está mais evidenciada: na primeira reunião do PDT maranhense, o senador Weverton Rocha criou o que chamou de “Observatório”, por meio do qual ele e seu partido querem monitorar o Governo Carlos Brandão. Com esses movimentos, o senador Weverton Rocha deixou clara sua condição de opositor do Governo estadual. Uma situação muito diferente da que está adotando em relação ao Governo Lula da Silva.

Ao fazer oposição ao governador Carlos Brandão, o senador Weverton Rocha e seu grupo desmancham uma aliança construída ao longo de anos, e que, apesar dos vários altos e baixos, garantiu ao PDT espaço na máquina governamental, como a entrega do comando da poderosa Secretaria de Desenvolvimento Social ao deputado estadual pedetista Márcio Honaiser, sem o que não teria sido eleito deputado federal. E voltando um pouco mais atrás: fora da aliança comandada pelo agora senador eleito Flávio Dino (PSB), o então deputado federal Weverton Rocha não teria sido eleito senador da República em 2018. E isso foi evidenciado pelo terceiro lugar na corrida ao Governo na contramão da aliança com a qual rompeu.

São voltas que a imprevisível ciranda da política dá.  

PONTO & CONTRAPONTO

Governador eleito de São Paulo é a expressão da direita democrática que incomoda os radicais

A declaração do governador eleito de São Paulo Tarcísio de Freitas (PL) de que não nunca foi bolsonarista assanhou o vespeiro de apoiadores radicais do presidente Jair Bolsonaro (PL), que o estão criticando duramente. O problema dos chamados “bolsonaristas raiz” – esses que estão rezando na porta de unidades militares rogando por um golpe que não será dado – é que, à medida que o seu líder vai perdendo a força do cargo e assumindo a contragosto a condição de cidadão comum, milhões de brasileiros que nele votaram estão se dando conta de uma situação crucial: são de direita, mas são democratas, que respeitam as regras da democracia e entendem que eleição é assim mesmo: quem ganha leva. E quem perde, vai para a oposição se preparar para a próxima eleição. Foi como fez o PT em 2018: o seu candidato, Fernando Haddad, perdeu a eleição para Jair Bolsonaro, foi para casa, lambeu as feridas, foi para a oposição, sem questionar o resultado eleição. Os cidadãos de direita e centro-direita com postura democrática certamente não gostaram do resultado da eleição, mas confiam nas instituições, aprovam o sistema de votação, acreditam na inviolabilidade da urna eletrônica, e têm consciência de que eleição no Brasil não tem terceiro turno. O governador eleito de São Paulo é o exemplo desse cidadão da direita democrática, esclarecido, que acredita nas instituições e sabe que não há base alguma para contestar o processo eleitoral. Criticá-lo é pura perda de tempo. Pelo simples fato de que ele está com a razão

São Luís completa 25 anos Patrimônio da Humanidade

São Luís é a grande joia da arquitetura colonial portuguesa em todo o planeta

São Luís completou 25 anos como Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, título concedido pela Unesco, braço das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura. O título foi concedido no dia 6 de dezembro de 1997, em Nápoles, na Itália, na presença da então governadora Roseana Sarney (PMDB), que fez a proposição, e do então prefeito da Capital, Jackson Lago (PDT). A concessão se deu pelo fato de São Luís abrigar o maior acervo de arquitetura colonial portuguesa na América Latina, com cerca de mil prédios com as características, muitos dos quais ainda preservam a rica azulejaria portuguesa pouco encontrada no planeta. O título da Unesco foi o ponto culminante de um processo de reconhecimento que começou com o tombamento da cidade em 1974 pelo Iphan. O grande ponto de incentivo ao reconhecimento foi a restauração do Centro Histórico de São Luís por meio do Projeto Reviver. O primeiro passo no sentido da restauração foi dado no Governo João Castelo e foi retomado no Governo Epitácio Cafeteira, que realizou a primeira etapa da restauração da Praia Grande, tendo deixado um acervo documental excepcional sobre a área. A segunda etapa foi realizada no primeiro Governo Roseana Sarney, com complementação da restauração do acervo arquitetônico e da infraestrutura do Complexo da Praia Grande.      

As comemorações pelo título de Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade vêm acontecendo ao longo deste ano. Neste mês, a celebração continua em um dos principais centros culturais de São Luís, a Casa do Maranhão, localizada na Praia Grande, está recebendo a exposição interativa “Manifestações Culturais do Brasil – A Celebração Viva da Cultura dos Povos”. Ela exibe os 52 bens culturais registrados como patrimônio cultural imaterial brasileiro. Através de fotos, vídeos, objetos de museus e sons, um rico acervo – formado por peças de colecionadores e artesãos, além de ambientes cenográficos, acompanhados por textos didáticos em três idiomas – os visitantes podem conhecer e vivenciar um pouco das várias manifestações reconhecidas pelo Iphan. O tambor de crioula, o bumba-meu-boi, ambos do maranhão, e samba de roda do recôncavo baiano, o frevo, o círio de Nossa Senhora de Nazaré, a literatura de cordel, o fandango caiçara e o jongo do sudeste estão entre as dezenas de manifestações que convidam o público para uma verdadeira viagem e imersão pela cultura popular do país.

São Luís, 07 de Dezembro de 2022.

Aval de Dino reforça favoritismo de Othelino Neto para novo mandato de presidente do Legislativo

Othelino Neto reforça seu cacife para presidir a Assembleia no primeiro biênio do novo mandato

A eleição da Mesa da Assembleia Legislativa para o primeiro biênio (2023/2024) da nova legislatura será realizada no dia 1º de fevereiro, mas, pelo andar da carruagem das articulações, a escolha do presidente será decidida ainda neste ano, ficando o mês de janeiro para o preenchimento dos demais cargos. E, como já frisou esta Coluna, todos os ventos sopram até aqui na direção do atual presidente, o deputado reeleito Othelino Neto (PCdoB), que já se declarou candidato e vem trabalhando intensamente para atrair eleitores entre os deputados novos e os reeleitos. Um sinal forte do poder de fogo da sua candidatura foi emitido no último sábado: ao participar de uma reunião do braço maranhense do PCdoB, o senador eleito Flávio Dino (PSB), declarou que a eleição de Othelino Neto para novo mandato presidencial “está bem encaminhada”. Ou seja, a essas alturas, o presidente já tem votos suficientes para garantir sua eleição. Mas ainda é cedo para cantar vitória, uma vez que não se sabe ainda se haverá candidato de oposição.

Uma avaliação numérica da Assembleia Legislativa eleita em outubro indica com clareza o favoritismo do atual presidente. Se a eleição fosse realizada agora, Othelino Neto seria eleito sem maiores problemas. Para começar, o seu partido, o PCdoB, lhe garante cinco votos, e o seu principal aliado, o PSB, deve assegurar-lhe os seus 11 votos, o mesmo acontecendo com o PP, que lhe dará três votos, assim como o MDB, que entra com dois votos, e o Podemos, que fecha a conta mínima com dois votos. Essas bancadas totalizam 23 votos, número suficiente para garantir o novo mandato a atual presidente do Poder Legislativo.

Mas a eleição do presidente da Assembleia Legislativa vai muito além de uma mera definição numérica. Ela é, antes de tudo, o resultado de amplas e intrincadas negociações, que passam pelo preenchimento dos demais cargos da Mesa Diretora e de definições sobre posicionamentos políticos ao longo do mandato. Um exemplo: controlada pelo deputado federal reeleito Josimar de Maranhãozinho, que comanda o partido no estado, a bancada do PL tem cinco deputados, que votarão em quem o comando partidário, ou seja, Josimar de Maranhãozinho, determinar. No jogo parlamentar estadual, é quase certo que, caso o PL não lance um candidato ou não venha a fazer parte da base de apoio a um eventual candidato de oposição – até agora não há um só indicador de que este venha a ser lançado.

Nos bastidores, corre uma especulação meio furta-cor, segundo a qual os quatro deputados do PDT estariam sendo orientados a tentar articular uma candidatura de oposição contando com os cinco votos do PL, dois do União Brasil, dois do PSD e dois do PSC e um do Republicanos, totalizando 16 votos, número suficiente para o lançamento de uma candidatura com potencial para brigar. O problema é que nesse grupo não há uma liderança de peso, confiável e com prestígio suficiente para medir forçar com Othelino Neto, que teve seu prestígio político testado durante a campanha eleitoral, sendo reeleito como o segundo candidato mais votado. Assim, mesmo tendo claro que eleição é um jogo político imprevisível, cheio de armadilhas, pelo cenário rascunhado até aqui, dificilmente Othelino Neto não será o novo presidente da Casa que ele preside desde 2018.

A chave para a eleição do deputado reeleito Othelino Neto será o posicionamento do governador Carlos Brandão (PSB), que agora lidera a aliança partidária montada e consolidada por Flávio Dino. O governador não quer tratar neste mandato de eleição que ocorrerá no novo mandato, a ser iniciado em 1º de janeiro. Mas vale anotar que até aqui, apesar do silêncio do governador, todos os sinais indicam que sua inclinação é no sentido de apoiar a candidatura do presidente da Assembleia Legislativa a novo mandato à frente da Casa.

PONTO & CONTRAPONTO

Edivaldo Jr. mergulha para decidir seu futuro na política

Edivaldo Jr.: mergulhado para definir seu futuro na política

Desde que deixou o PSD, na esteira do desastre que foi sua candidatura ao Governo do Estado pelo partido, e mais ainda pelo fato de a legenda ter recebido com festa a filiação do prefeito de São Luís Eduardo Braide, o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. sumiu da cena política. Nos bastidores da política ludovicense, a certa expectativa em relação ao rumo que o ex-prefeito. Alguns já começam a especular que, alertado pela raquítica votação que recebeu na Capital na eleição de outubro estaria fazendo com que Edivaldo Holanda Jr. começasse a pensar melhor sobre seu futuro político, avaliando a possibilidade de não entrar na briga pelo Palácio de la Ravardière. A bolsa de especulação já previu até que ele poderá vir a lançar sua esposa, Camila Holanda, como candidata a vice numa chapa forte, ficando ele livre para disputar um mandato na Câmara Municipal ou se preservar para concorrer à Câmara Federal em 2026. O primeiro passo, porém, será encontrar um pouso partidário sólido, que parece difícil no atual momento político.

Lahesio Bonfim está dividido entre São padro dos crentes e Imperatriz

Lahesio Bonfim: entre São Pedro dos Crentes e Imperatriz

Segundo colocado na corrida ao Governo do Estado, o médico Lahesio Bonfim está temporariamente recolhido, observando de longe o cenário político estadual, para logo mais projetar o seu próximo passo nessa seara. Ele tem dois caminhos: tentar mais uma vez a Prefeitura de São Pedro dos Crentes, onde tem eleição garantida, ou mudar seu domicílio eleitoral para Imperatriz, para brigar pela sucessão do prefeito Assis Ramos. Antes, terá de encontrar um partido, já que o PSC foi engolido pelo Podemos, que no Maranhão é comandado pelo deputado estadual e deputado federal eleito Fábio Macedo. Há quem diga que o seu caminho mais provável é tentar suceder o prefeito Assis Ramos na Prefeitura da Princesa do Tocantins.

São Luís, 06 de Dezembro de 2022.

Se confirmado ministro, Dino e Ana Paula Lobato terão grandes desafios a vencer

Se for nomeado ministro, Flávio Dino abrirá vaga para Ana Paula Lobato no Senado, e ambos terão grandes desafios a vencer

Se não houver uma mudança de plano do presidente eleito Lula da Silva (PT) na última hora, o senador eleito Flávio Dino (PSB) assumirá o mandato e, logo em seguida, se licenciará para ser nomeado ministro da Justiça e Segurança Pública abrindo vaga no Senado da República para o seu 1º suplente, a vice-prefeita de Pinheiro Ana Paula Lobato (PSB). Tanto o titular que se afastará, quanto a suplente que assumirá, terão enormes desafios pela frente. Flávio Dino comandará um ministério cujo desempenho será decisivo no Governo do presidente Lula (PT), uma vez que, além das atribuições institucionais, manterá o controle das Polícias Federal e Rodoviária Federal, hoje gravemente afetadas por focos perigosos de partidarismo. Ana Paula Lobato, por sua vez, além das atribuições básicas do mandato senatorial, terá de propor e viabilizar seus projetos, defender os interesses do Maranhão na Esplanada dos Ministérios e atuar no Senado alinhada ao novo Governo, o que significará também combater a dura oposição que está sendo forjada pelos porta-vozes do bolsonarismo na Casa. Os desafios de ambos são consideráveis.

Com o lastro de quem foi juiz federal, deputado federal, governador e eleito senador, Flávio Dino, se confirmado, não chegará ao Ministério da Justiça e Segurança Pública por acaso nem como fruto por acordos bancados por aliança partidária. Sua escolha, dada como certa, será calcada na soma dos seus conhecimentos com a sua experiência, e também pela sua respeitabilidade pessoal e sua estatura política. Não foi sem razão que ganhou a difícil tarefa de coordenar o grupo de Justiça e Segurança Pública na transição. Ao longo dos dois últimos anos, o líder maranhense conversou inúmeras vezes com o líder petista, que enxerga nele um dos homens públicos mais preparados do país na atualidade. Não tivesse essa avaliação, o presidente eleito Lula da Silva não o escalaria para a coordenação desse segmento, cuja essência é garantir a estabilidade democrática, principalmente agora, que a democracia brasileira está sob forte ameaça.

Flávio Dino poderia, se quisesse, abrir mão da Segurança Pública e comandar um Ministério da Justiça esvaziado, menos problemático e menos trabalhoso e desafiador, e dedicar parte do seu tempo à articulação política. Mas ele fez exatamente o contrário, pois enquanto o presidente eleito e alguns aliados mais próximo propuseram a divisão da pasta da Justiça para a criação do Ministério da Segurança Pública, Flávio Dino advogava exatamente a permanência da segurança pública na pasta. Sua proposta central nessa área é criar as condições para a maior integração possíveis entre as polícias estaduais – Civil e Militar – e a Polícia Federal, além da despolitização das polícias, que para ele é o problema grave, mas que tem solução. E como não poderá deixar de ser, vai atuar também na articulação política do Governo. É da sua natureza e o cargo permite.

No contexto em que Flávio Dino venha a ser ministro da Justiça e Segurança Pública, a enfermeira e atual vice-prefeita de Pinheiro Ana Paula Lobato terá o enorme desafio de substituí-lo com o representante do Maranhão no Senado. Chegará ali para ocupar o espaço que até pouco tempo foi ocupado por azes da política, como os ex-governadores Epitácio Cafeteira, Edison Lobão e João Alberto, e o próprio ex-presidente da República José Sarney – que mesmo eleito pelo Amapá, nunca deixou se ser visto como um senador maranhense -, e atualmente por Eliziane Gama, cuja atuação a tornou respeitada. Mesmo não tendo exercido um mandato parlamentar, Ana Paula Lobato tem raízes políticas profundas na política pinheirense, neta e filha de prefeitos, forjada, portanto, nos duros confrontos que sempre marcaram a história da Princesa da Baixada. Seu casamento com o deputado estadual reeleito Othelino Neto (PCdoB), atual presidente da Assembleia Legislativa e candidato a novo mandato a ligou mais ainda ao complicado jogo político. E isso produz uma certeza: se Flávio Dino se tornar ministro, Ana Paula Lobato sabe para onde irá e o que deve fazer enquanto lá permanecer.

Se a convocação não acontecer, o que improvável a essas alturas do campeonato, cada um para seu rumo, Flávio Dino fazendo um mandato de excelência no Senado e Ana Paula Lobato caminhando na direção da Prefeitura de Pinheiro.

PONTO & CONTRAPONTO

Sarney dá conselhos importantes a Lula

Lula da Silva e José Sarney no encontro anterior, durante a pandemia

Não surpreendeu a visita do presidente eleito Lula da Silva (PT) ao ex-presidente José Sarney (MDB), na residência dele, sexta-feira, em Brasília. O líder petista e o presidente de honra do MDB atuam em campos políticos e ideológicos distintos, mas existe entre eles uma forte afinidade evidenciada por um elo: ambos são democratas, acreditam nas instituições, no sistema partidário, no voto secreto e universal, nas urnas eletrônicas e num sistema que permite a alternância de poder sem crises. Aos 92 anos, José Sarney mantém uma lucidez espantosa, como tem mostrado nas suas crônicas domingueiras, e nas conversas com quem o visita em São Luís e em Brasília. Dono de rara inteligência e de muita sensibilidade, Lula da Silva não perde a oportunidade de trocar impressões com José Sarney. Tanto que, ao falar sobre a visita em conversa com jornalistas, declarou: “A minha conversa com o Sarney é a visita a um homem, que foi presidente da República, a uma pessoa que foi presidente do Senado, a uma pessoa que tem história nesse país, a uma pessoa que me ajudou muito”.

De fato, os conselhos de José Sarney foram importantes para o sucesso de Lula da Silva nos seus dois mandatos presidenciais. E certamente terão valia expressiva nesse momento em que o país vive sob tensão, causada exatamente pelos que não toleram a democracia.

Parceria administrativa de Brandão e Braide depende de como se dará a disputa em 2024

Eduardo Braide e Carlos Brandão conversam em Brasília, e podem até firmar parcerias por São Luís

Não será surpresa se o governador Carlos Brandão (PSB) e o prefeito Eduardo Braide (PSD) alinhavarem uma convivência que, mesmo sem um acordo político formal, produza bons resultados para São Luís. O ponto convergente a um entendimento nesse sentido é que os problemas da Capital são gigantescos e desafiadores, alguns deles exigindo uma ação conjunta das duas esferas de poder. O ponto divergente é que as eleições municipais estão se aproximando, e essa contagem regressiva coloca o prefeito da Capital e o governador do Estado em rota de colisão por causa pelo Palácio de la Ravardière. O prefeito Eduardo Braide é candidatíssimo à reeleição, e vem mostrando que tem cacife para levar seu projeto adiante. Por seu turno, o governador Carlos Brandão quer a Prefeitura de São Luís alinhada ao seu Governo, de preferência com um prefeito do seu grupo político. O Palácio dos Leões trabalha com três opções de candidato: o deputado estadual e federal eleito Duarte Jr. (PSB), que já conhece o caminho das pedras; o vereador Paulo Victor (PCdoB), que assumirá a presidência da Câmara Municipal em fevereiro e vem ganhando terreno como pré-candidato a prefeito, e o deputado federal reeleito Márcio Jerry (PCdoB), que joga bem no tabuleiro político ludovicense. Todos sabem que Eduardo Braide é osso duro de roer.

São Luís, 04 de Dezembro de 2022.

Aluísio Mendes ganha o controle do Republicanos com a fragilização política de Cléber Verde

Mudança radical no cenário partidário: Aluísio Mendes assumirá o comando do Republicanos no lugar de Cleber Verde

O resultado das eleições de outubro para a Câmara Federal produziu ontem mais uma mexida importante no painel partidário maranhense. Num movimento forte, o deputado federal reeleito Aluísio Mendes, que comandava o PSC – partido que perdeu a razão de existir por não ultrapassar a cláusula de barreira e foi incorporado pelo Podemos -, filiou-se ao Republicanos. Pelo acordo firmado com a cúpula nacional, o parlamentar vai presidir o Republicanos no Maranhão, encerrando o longo “reinado” do deputado federal Cleber Verde no comando do braço maranhense do partido. Integrante da base bolsonarista na Câmara Federal, sendo um dos vice-líderes da bancada governista, Aluísio Mendes apostou alto na sobrevivência do PSC, mas errou no cálculo e perdeu a aposta, à medida que a sigla sucumbiu nas urnas, não elegendo o mínimo necessário de deputados federais para continuar existindo. O Republicanos, que Aluísio Mendes vai comandar a partir do ano que vem, terá dois deputados federais – ele e Cléber Verde, um deputado estadual (Janaína Ramos), cerca de 25 prefeitos – entre eles Fábio Gentil, de Caxias – e uma penca de vereadores em todas as regiões do estado.

O movimento feito pelo deputado Aluísio Mendes produziu duas situações no cenário político estadual. A primeira foi a sua própria guinada, ao se reeleger com 126 mil votos, para o comando de um partido mais forte do que o que ele comandava, aumentando expressivamente o seu cacife – um exemplo desse peso é a presença no Republicanos do prefeito de Caxias, Fábio Gentil, uma das grandes lideranças do Maranhão nos dias atuais. A outra foi a derrocada do deputado federal Cleber Verde, que o preside desde que a agremiação se chamava Partido Republicano Brasileiro (PRB), e pelo qual venceu três eleições boas votações, mas que em outubro saiu das urnas reeleito com módicos 70 mil votos, o que fragilizou fortemente sua posição na legenda. Tanto que recebeu a conformado a decisão da cúpula do partido de tirá-lo do comando da agremiação.

Agente federal por profissão, Aluísio Mendes chegou ao Maranhão como um dos ajudantes de ordem a que o ex-presidente José Sarney (MDB) tem direito. Sua formação policial avançada o levou a criar e comandar grupos diferenciados na Polícia Militar do Estado, como o Grupo de Operações Especiais (GOE) e o Grupo Tático Aéreo (GTA), saltando em seguida para o cargo de secretário de Segurança Pública do Maranhão, posto em que permaneceu até abril de 2014, quando o deixou para candidatar-se a eleger-se deputado federal, reelegendo-se em 2018 e agora, com votações crescentes. No campo partidário, foi do PRTB, teve o Podemos nas mãos, mas abriu mão em favor de Eduardo Braide, e ficou com o comando do PSC, que perdeu força com a cassação do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzer, cassado por corrupção, e a prisão do seu presidente, o Pastor Everardo, por comandar falcatruas na Prefeitura do Rio de Janeiro, na gestão de Crivella. Sua chegada ao comando estadual do PSC mudou o curso do partido, mas não evitou a derrocada.

O deputado Cléber Verde, por sua vez, deu estatura ao Republicanos, mas jogou o partido no mar da incerteza quando decidiu abraçar o projeto de poder do senador Weverton Rocha (PDT), tendo sido alcançado pelo desastre nas urnas. Cléber Verde mergulhou em crise no campo pessoal, por causa do brutal assassinato dos seus pais, numa fazenda na região do Médio Mearim, em 2021. O impacto da tragédia familiar e o equivocado movimento do líder pedetista em 2022. O resultado é que sua votação desabou e sua reeleição aconteceu por um triz. A perda do comando para Aluísio Mendes é o desdobramento natural na sua fragilização política, que na avaliação de alguns é temporária, com possibilidade de ele dar a volta por cima. Tanto que não saiu do partido.

O desdobramento dessa reviravolta no braço maranhense do Republicanos acontecerá nas eleições municiais de 2024, e o desfecho final, nas eleições gerais de 2026.

PONTO & CONTRAPONTO

Edivaldo Jr. convocado para explicar licitação dos transportes, uma das suas boas ações

Edivaldo Jr.: vai explicar licitação de transportes, uma das suas boas medidas

Ainda assimilando o desastre que foi sua participação na corrida ao Palácio dos Leões, principalmente no que respeita ao seu desempenho eleitoral em São Luís, o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (sem partido) foi convocado pela Promotoria da Probidade Administrativa para prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades na licitação do sistema de transporte público realizada em 2016, há seis anos, portanto.

Baseado em informações coletadas pela CPI dos Transportes, realizada pela Câmara Municipal, o inquérito conduzido pelo promotor Zanony Passos Filho levanta a possibilidade de que possa ter havido fraude em alguns aspectos da licitação.

Não se discute que quando se trata de serviço público, qualquer indício de irregularidade, fraude ou desvio deve ser rigorosamente apurado para, confirmada a ilegalidade, seus responsáveis sejam devidamente punidos com o rigor da lei. Mas no caso da licitação do transporte público de São Luís, mesmo que tenha sido imperfeita, ela foi uma das medidas mais sérias, corajosas e benéficas para a Capital nessa área. Ao licitar o serviço de transporte de massa, o então prefeito Edivaldo Holanda Jr. quebrou a espinha dorsal de um esquema velho, corrompido e danoso, controlado por empresas superadas e viciadas. E o que é mais grave: o velho esquema funcionava com a anuência da Câmara Municipal.

Se houve alguma irregularidade, que seja apurada e, se constatada, com a punição devida do responsável ou dos responsáveis. Mas cedo ou tarde a história vai reconhecer Edivaldo Holanda Jr. como o prefeito que teve a coragem de enfrentar a velha estrutura comandada pelo Sindicato das Empresas de Transporte (SET), dando um passo importante para modernizar o transporte de massa da Capital.

Porto Franco: prisão de secretária por corrupção atinge a imagem do prefeito Deoclídes Macedo

Deoclídes Macedo atingido por suposta falcatrua de Naara Duarte (direita) em \Porto Franco

O escandaloso caso de corrupção, que resultou em mandado de prisão preventiva contra a secretária de Infraestrutura e Mobilidade Urbana de Porto Franco colocou em xeque a trajetória política do prefeito Deoclídes Macedo (PDT), um dos líderes mais respeitados do Sul do Maranhão. Naara Pereira Duarte, alvo principal da Operação Cérbero, realizada pelo Grupo de Operação Especial no Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), com o apoio da Polícia Civil, seria a chefe de um esquema de desvio de milhões de reais por meio de uma Operações Tapa Buraco no município. A falcatrua levantada pelo Gaeco está bem apurada e documentada, tanto que a secretária Naara Duarte foi presa por porte ilegal de armas e uma grande quantia em dinheiro vivo, fruto, segundo os investigadores, do esquema de corrupção.

Independentemente do desfecho que venha a ter a Operação Cérbero, o impacto maior é no prestígio do prefeito Deoclídes Macedo, que comanda o município pela quinta vez, ao longo de uma trajetória que o levou à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal, e mais recentemente à presidência da Gasmar. Respeitado pela sua correção pessoal e pela seriedade das suas gestões como prefeito, Deoclídes Macedo terá de se movimentar para evitar estragos irreversíveis na sua imagem política.

São Luís, 02 de Dezembro de 2022.

Dino já é dado como certo no Ministério da Justiça, podendo também chegar ao Supremo

Se for nomeado ministro da Justiça do Governo Lula, Flávio Dino abrirá vaga para a 1ª suplente Ana Paula Lobato no Senado

A serem verdadeiras as informações que vêm circulando com insistência nos bastidores da transição e já tidas como oficiosas por alguns portais de notícias acreditados, o senador eleito Flávio Dino (PSB) será o ministro da Justiça e Segurança Pública do Governo do presidente Lula da Silva (PT). A confirmação, se vier, não surpreenderá, uma vez que desde a campanha eleitoral, o então ex-governador e candidato ao Senado pelo Maranhão já era apontado como um nome de proa num eventual Governo do líder petista, posição que desde então só ganhou reforço, chegando ao ponto de sua nomeação ser dada como certa. E agora com um aditivo de extrema importância: além de ministro da Justiça, Flávio Dino poderá vir a ser indicado para a vaga da ministra e atual presidente Rosa Weber no Supremo Tribunal Federal – ela se aposentará em outubro do ano que vem. Coordenador do Grupo de Justiça e Segurança Pública da transição, Flávio Dino continua dizendo que não foi convidado, mas suas respostas a essa indagação são cada vez menos convincentes. Tanto que alguns portais já começam até a nomear seus prováveis auxiliares na pasta, afirmando que seu nome será anunciado nas próximas duas semanas.

Se vier mesmo a ser o escolhido para a pasta da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino só deve assumir o comando da pasta em fevereiro, depois de tomar posse na cadeira no Senado, para em seguida se licenciar e assumir o comando ministerial. É quando também a primeira suplente, Ana Paula Lobato (PSB), deverá ser empossada e se tornar senadora – isso depois de renunciar ao cargo de vice-prefeita de Pinheiro. No exercício do mandato senatorial, Ana Paula Lobato integrará a base de apoio ao Governo do presidente Lula da Silva, com o desafio de fazer frente às investidas da bancada de oposição, formada em parte por bolsonaristas ferrenhos, entre eles o atual vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PL), que se elegeu senador pelo Rio Grande do Sul.

Na condição de ministro da Justiça e Segurança Pública, caso as especulações se confirmem, Flávio Dino atuará em duas frentes. A primeira é comandar a pasta e viabilizar as mudanças que vem pregando para garantir a profissionalização da Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF), hoje contaminadas pela interferência danosa do presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua turma. A outra frente será a articulação política, na qual o senador eleito é considerado um craque, como demonstrou quando foi juiz federal e se elegeu presidente da Associação Nacional de Juízes Federais, durante o seu mandato de deputado federal e nos dois mandatos de governador do Maranhão, período em que governou apoiado por uma aliança que chegou a reunir 16 partidos, um arco que foi da direita à esquerda. Nenhuma crise política eclodiu nos seus períodos de Governo. Em 2016, o então governador do Maranhão assumiu a defesa da presidente Dilma Rousseff (PT) no processo de impeachment. Tem sido um opositor duro, mas civilizado, do presidente Jair Bolsonaro.

Independentemente do cargo que vier a assumir no Governo, Flávio Dino deverá integrar o chamado “núcleo duro”, para atuar como um dos articuladores políticos do presidente Lula da Silva. Isso porque, como está desenhado, o presidente Lula da Silva terá de lidar com um Congresso Nacional de feição conservadora e com uma bancada oposicionista muito forte. Com a experiência de quem já foi deputado federal, poderá atuar com eficiência como articulador na seara parlamentar sem comprometer a sua condição de ministro de Estado.

E se, após nove meses como ministro de Estado ou senador da República Flávio Dino continuar com o prestígio em alta, não surpreenderá se ele for indicado pelo presidente Lula da Silva para a vaga a ser aberta com a aposentadoria da ministra Rosa Weber no STF. Credenciais não lhe faltam, a começar de que foi juiz federal por mais de uma década e de ser professor de Constitucionalismo na Universidade Federal do Maranhão.

Vale aguardar a palavra final do presidente eleito Lula da Silva.

PONTO & CONTRAPONTO

Salvo o senador Roberto Rocha, ninguém quer assumir o controle do PTB no Maranhão

Só Roberto Rocha tem sua imagem associada a Roberto Jefferson, que está atrás das grades

Depois de ter sido um partido importante no cenário da política maranhense, o PTB corre o risco de desaparecer no estado. Ainda sob o comando do senador Roberto Rocha, o partido tende a mergulhar no limbo depois que esse mandato senatorial se extinguir, o que acontecerá em fevereiro. O problema é que ninguém quer assumir por receio de ter seu nome associado ao do tresloucado presidente de honra do partido, o ex-deputado federal Roberto Jefferson. E a situação piorou quando Roberto Jefferson, após se tornar fora da lei, por haver desrespeitado todas as regras prisão domiciliar a que estava submetido, recebeu a bala policiais federais que foram à sua residência, no interior do Rio de Janeiro, cumprir a ordem judicial de leva-lo para um presídio. Tudo isso matou o interesse de alguns político na recomposição do partido. Enfim, o fato é que o PTB corre o risco de se transformar num páreo.

Flávio Dino se tornará imortal da AML empossado por Lourival Serejo

Flávio Dino será empossado por Lourival Serejo, ambos oriundos da magistratura

O ex-juiz federal, ex-deputado federal, ex-governador, senador eleito e provável ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino será empossado hoje na Academia Maranhense de Letras, ocupando a cadeira que foi aberta com a morte do seu pai, o deputado, jornalista e escritor Sálvio Dino, em 2021. O ato será movido por uma curiosidade: o ato de posse será presidido pelo desembargador Lourival Serejo, também escritor e atual presidente da Academia Maranhense de Letras. Os dois têm em comum a origem na magistratura.

São Luís, 01 de Dezembro de 2022.  

Possível fusão PSB/PDT mudará radicalmente o cenário político do Maranhão

Carlos Brandão, Flávio Dino e Weverton Rocha podem habitar o mesmo se PSB e PDT se fundirem, como está previsto

PSB e PDT vêm sendo sacudidos pela eventual retomada das conversas sobre a possibilidade de fusão, dando origem a uma nova legenda de centro-esquerda. A ideia voltou a ser colocada na mesa depois que os dois partidos perderam peso na Câmara Federal, onde o PDT terá 17 deputados federais, dois a menos que atualmente, e o PSB 14, menos da metade da atual bancada, que tem 33 deputados. Isoladamente, PDT e PSB serão tratados como nanicos na Câmaras Baixa. Fundidos, formarão um novo partido de centro-esquerda com 31 deputados federais, dando-lhes mais força e poder de negociação na Câmara Federal. Se as conversas forem retomada para valer e a ideia de fusão vingar, o novo partido terá no Maranhão uma força parlamentar considerável: dois senadores (Flávio Dino [PSB] e Weverton Rocha [PDT]), dois deputados federais (Duarte Jr. [PSB) e Márcio Honaiser [PDT]) e 14 deputados estaduais: 10 do PSB – Iracema do Vale, Carlos Lula, Davi Brandão, Florêncio Neto, Francisco Nagib, Rafael Leitoa, Daniella Jadão, Yglésio Moisés, Ariston Gonçalo e Antônio Pereira, e quatro do PDT – Osmar Filho, Dra. Viviane, Glaubert Cutrim e Cláudia Coutinho.

O braço da nova legenda no Maranhão produzirá uma mudança radical no peso das lideranças. Para começar, a tendência natural é que o comando da nova agremiação seja entregue ao governador Carlos Brandão. Isso significa dizer que o senador Weverton, que tem a presidência do PDT como a mola-mestra da sua carreira, sairá do comando para se tornar um chefe intermediário, acontecendo o mesmo com o futuro senador Flávio Dino. O ex-governador, que poderá ser um líder governista destacado no Senado ou atuar como ministro da Justiça e Segurança Pública no novo Governo Lula da Silva (PT), não sentirá o impacto da mudança no comando socialista. Já para o atual senador e presidente regional pedetista, o impacto será devastador.

Em relação às eleições municipais, o futuro deputado federal Duarte Jr. terá sua candidatura à Prefeitura de São Luís fortemente turbinada, uma vez que, dependendo do que for acertado nas entranhas da nova legenda, ele terá pelo menos parte do que restar da respeitada militância que ainda dá vida ao PDT. Isso porque no quadro atual, salvo o próprio senador Weverton Rocha e o atual vereador-presidente da Câmara Municipal e deputado estadual eleito Osmar Filho, o PDT não conta com um líder com prestígio político e força eleitoral suficiente para disputar o Palácio de la Ravardière em 2024.

Quando a visão se estende para 2026, o cenário curiosamente se torna favorável ao senador Weverton Rocha. Se permanecer no novo partido atuando como aliado efetivo e participativo, terá o direito de reivindicar o apoio da agremiação e do grupo a sua reeleição para o Senado, podendo até formar dobradinha com o governador Carlos Brandão, muito provavelmente em torno da candidatura do então governador Felipe Camarão (PT) em busca da reeleição. Isso porque é difícil enxergar outro quadro do PDT maranhense ocupando o espaço do senador Weverton Rocha numa configuração partidária decorrente de eventual fusão do PSB com o PDT.

Esse exercício de especulação revela o grau de dificuldade que as forças política do PSB e do PDT encontrarão para se adaptar a uma estrutura partidárias se a tal fusão for levada a efeito. E tudo indica que as conversas serão retomadas, porque se tentarem sobreviver na Câmara Federal como bancadas nanicas, PSB e PDT correm o sério risco de serem engolidas na guerra de poder que será travada no País a partir de janeiro. Nesse cenário, o governador Carlos Brandão, o vice-governador Felipe Camarão e o senador Flávio Dino muito provavelmente terão cacife para sobreviver, o que não parece ser o caso do senador Weverton Rocha de seus aliados. E no contexto que está se desenhando, uma coisa parece certa: os pequenos partidos dificilmente sobreviverão a 2024.

PONTO & CONTRAPONTO

Só um dos quatro federais do PL maranhense apoia a aventura golpista de Bolsonaro

Josimar de Maranhãozinho , Detinha e Júnior Lourenço apoiam Jair Bolsonaro, mas não defendem golpe; Pastor Gil atua numa linha mais identificada com o pensamento do presidente

Não há mais dúvida de que o PL está em crise causada pela presença do presidente Jair Bolsonaro no partido. Na avaliação de observadores tarimbados da cena de Brasília, os 90 deputados federais que elegeu em outubro estão divididos entre bolsonaristas e não-bolsonaristas.

Os bolsonaristas apoiam o presidente Jair Bolsonaro na sua obstinada tentativa de permanecer no poder, usando o PL na sanha golpista, como na malfadada jogada de questionar a integridade das eleições, e que resultou na rejeição da representação e na multa de R$ 22 milhões ao partido por litigância de má fé

Os não bolsonaristas apoiaram a candidatura do presidente à reeleição, são políticos de direita, mas não fecham com a fancaria golpista alimentada por partidários do presidente Jair Bolsonaro. Eles foram contra o questionamento da lisura do 2º turno das eleições, e agora fazem duras críticas ao chefão do partido, Waldemar Costa Neto, por haver metido o PL nesse vexame histórico.

Um desses observadores avaliou que dos quatro deputados federais do PL que estarão na Câmara Federal no próximo mandato, Josimar de Maranhãozinho, Detinha e Júnior Lourenço integram o grupo que não fecha com a aventura golpista do presidente Jair Bolsonaro, posição só defendida, mesmo assim de maneira discreta, por Pastor Gil.

Aluísio Mendes precisa de um partido para chamar de seu

Aluízio Mendes ainda procura um partido para comandar no Maranhão

É curiosa a situação do deputado federal reeleito Aluísio Mendes. Depois de passar por uma série de partidos nos dois mandatos já vencidos, ele chegou ao terceiro mandato como o todo-poderoso chefe do PSC no Maranhão. O PSC, porém, não venceu a cláusula de barreira, e para não desaparecer de vez, foi incorporado ao Podemos. Só que o Podemos no Maranhão é comandado pelo deputado federal eleito Fábio Macedo. E como Aluízio Mendes precisa de um partido para chamar de seu, flertou com o PSD, mas com o aval do ainda deputado federal não reeleito Edilázio Jr., que preside a legenda no estado, e do deputado federal reeleito Josivaldo JP, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, chegou primeiro e ganhou o controle do partido. Aluízio Mendes, que é alinhado ao presidente Jair Bolsonaro, não tem espaço no PL e pode acabar no PTB, depois que o senador Roberto Rocha se tornar ex-senador, daqui a dois meses.

São Luís, 30 de Novembro de 2022.   

Othelino Neto confirma candidatura a presidente da Assembleia e acredita que terá o apoio de Brandão

Othelino Neto confirma candidatura a novo mandato presidencial e espera aval do Palácio dos Leões

“Serei candidato sim, e com muita confiança de que terei o apoio do líder, o governador Carlos Brandão”. Com essa declaração, feita durante visita a Parnarama, no domingo, o deputado reeleito Othelino Neto (PCdoB) confirmou sua candidatura à presidência da Assembleia Legislativa para o primeiro biênio da próxima legislatura, que começará em fevereiro do ano que vem, quando a nova composição do Poder Legislativo for empossada e eleja a Mesa Diretora. Com a declaração, o parlamentar confirmou o que já era sabido dentro e fora do Palácio Manoel Beckman, manifestando também a convicção de que terá o aval do Palácio dos Leões, “para que possamos continuar fazendo as coisas de forma consensual”. O governador Carlos Brandão (PSB) ainda não se manifestou objetivamente sobre o assunto, tendo até agora dito apenas que dará seu apoio ao candidato que seja “agregador”.

O presidente Othelino Neto parece muito à vontade nesse processo, exibindo confiança de que sua candidatura é um projeto sólido. A princípio, ele caminha para buscar o consenso em torno da sua candidatura, à medida que surgem outros projetos de candidatura, entre eles o do ex-presidente e deputado reeleito Arnaldo Melo (PP). E sabe que nesse contexto, o aval do governador Carlos Brandão será fundamental, pois sua posição pode nortear a bancada governista, que é a maior, e pode ter influência decisiva nesse processo. Vale lembrar também que o presidente Othelino Neto também é parte da base governista.

Tem razão o presidente da Assembleia Legislativa quando lembra o consenso alinhavado para que não houvesse disputa na eleição da nova diretoria da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem), que foi realizada com chapa única, liderada pelo prefeito de São Mateus, Ivo Rezende (PSB), tendo recebido o aval de 187 dos 217 prefeitos. A eleição da Mesa Diretora da nova Assembleia Legislativa não será um desenho fácil, mas é certo que o presidente reúne as condições políticas para pleitear novo mandato, com grandes chances de se eleger, se não por consenso, como aconteceu na Famem, pelo menos com os votos de uma maioria ampla. Nas contas de um parlamentar, se a eleição da Mesa Diretora fosse agora, o deputado Othelino Neto seria eleito mais uma vez presidente Casa, e sem maiores dificuldades.

Para se posicionar como candidato à presidência da Assembleia Legislativa no primeiro biênio do novo mandato, o presidente Othelino Neto construiu uma base consistente, tanto no aspecto político, quanto no que diz respeito a gestão. No campo político, foi hábil nas articulações nos bastidores, saindo das urnas como o segundo mais votado (84,8 mil votos), saindo das urnas também como o coordenador político da campanha do ex-governador Flávio Dino ao Senado, atuando também como apoiador diferenciado da candidatura do governador Carlos Brandão à reeleição, recebendo dele apoio recíproco à renovação do seu mandato na mesma medida. No campo administrativo, fez boa gestão na Casa, tendo como foco a valorização dos deputados.

 No plano de ação da sua candidatura a novo mandato presidencial, o deputado Othelino Neto costurou alianças em todas as frentes ainda durante a campanha eleitoral. Tanto que quando a relação dos deputados eleitos e reeleitos foi anunciada, vários parlamentares eleitos e reeleitos fizeram questão de lhe declarar voto. Houve uma parada por conta das tensões da política nacional, mas com a declaração de domingo em Parnarama, ele engatou uma marcha de força e deu a arrancada cujo desfecho só será conhecido no dia 1º de fevereiro de 2023. Até lá, muita água vai rolar sob a ponte, e nesse cenário, o presidente do Legislativo deve consolidar seu projeto de ser o titular do cargo no primeiro biênio da nova legislatura.

PONTO & CONTRAPONTO

MDB quer Roseana na articulação da bancada do partido na Câmara Federal

Roseana Sarney: MDB conta com sua experiência na articulação da bancada na Câmara Federal

A deputada federal eleita Roseana Sarney não terá moleza durante o seu mandato. É que o presidente do MDB, deputado federal Baleia Rossi (SP) estaria contando com a parlamentar maranhense para transformar a bancada emedebista num bloco bem articulado na Câmara Federal. Credenciais não faltam à política maranhense: foi assessora especial do presidente José Sarney, atuando exatamente na seara parlamentar, foi deputada federal, governou o Maranhão por três mandatos e meio, vivenciou quatro anos como senadora, período em que foi líder do segundo Governo Lula no Congresso Nacional. Roseana Sarney conhece bem as entranhas do parlamento nacional, e pode sim, dar uma boa contribuição para a articulação da bancada emedebista na Câmara Baixa. Resta saber, porém, se ela está disposta a assumir a tarefa.

Brandão poderá decidir entre Duarte Jr. e Paulo Victor em São Luís

Carlos Brandão pode decidir entre Duarte Jr. e Paulo Victor em São Luís

O governador Carlos Brandão tem sobre a mesa dois projetos de candidatura competitivos à Prefeitura de São Luís. O mais consolidado é o do deputado estadual e deputado federal eleito Duarte Jr. (PSB), que foi candidato em 2020, com bom desempenho. E com um dado importante: ele está disposto a disputar o Palácio de la Ravardière de qualquer maneira. O outro é o do vereador e presidente eleito da Câmaras Paulo Victor (PCdoB), que vem aos poucos ganhando espaço, com fama de bom articulador, o que é um trunfo importante no jogo político. Tudo indica que o governador Carlos Brandão terá de fazer uma boa articulação, que pode ser costurar para lançar um só com o apoio do outro. Quem se viabilizar melhor poderá ter o sinal verde do Palácio dos Leões.

São Luís, 29 de Novembro de 2022.  

Dino diz que as Forças Armadas defendem a legalidade, e que apesar da pressão bolsonarista, não haverá golpe.

Flávio Dino em diferentes momentos da entrevista ao Canal Livre, da Band, ontem

“Militar pode votar em quem ele quiser. Pode votar no Bolsonaro uma, duas, dez vezes. Mas não pode usar a farda, usar a viatura e usar a arma para fazer política. Isso é crime”.

“Temos um presidente da República golpista, que tentou dar golpe em todos os dias do seu Governo, e não conseguiu”.

“As Forças Armadas se mantêm fiéis à legalidade, ao estado democrático de direito, à democracia”.

“O importante é que todos nós (do campo progressista) estamos focados na reorganização institucional do País”.

As declarações foram, entre muitas outras, feitas pelo senador eleito Flávio Dino (PSB), ontem à noite, ao programa “Canal Livre”, da Band, na condição de coordenador do Grupo de Justiça e Segurança Pública da equipe de transição no Governo da República, nomeado pelo presidente eleito Lula da Silva (PT). Durante mais 70 minutos, o ex-governador do Maranhão, que está cotado para o comando da pasta da Justiça, fez uma avaliação madura e desapaixonada da crise institucional por que passa o Brasil, que na sua avaliação foi criada intencionalmente pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para fragilizar as instituições. Ele avaliou como grave o quadro de instabilidade política que afeta o Brasil, admitiu que o Governo Lula da Silva será instalado num ambiente de tensão, mas manifestou convicção de que essa crise será superada quando o novo governo estiver instalado e funcionando efetivamente.

Na entrevista, Flávio Dino mostrou a amplitude da sua visão política e institucional, mostrando ser um quadro de nível excepcional e que está talhado para o cargo de ministro da Justiça. Mas ele foi enfático ao dizer que não foi convidado pelo presidente eleito Lula da Silva (PT), que lhe entregou a tarefa de coordenar o Grupo de Justiça e Segurança, de longe a mais sensível da transição, sem, no entanto, assumir qualquer compromisso quanto ao cargo no Governo. Flávio Dino foi direto ao afirmar que está pronto para apoiar o presidente como senador ou exercendo uma função no Governo, batendo repetidamente na tecla que sua prioridade é trabalhar na reorganização institucional do País. E se mostrou afinado com a área de Justiça e Segurança Pública lembrando que foi juiz federal por uma década – atuando inclusive na área criminal – foi juiz auxiliar no Supremo Tribunal Federal, secretariou o Conselho Nacional de Justiça, foi deputado federal e governador do Maranhão, conhecendo em profundidade a área der Justiça e Segurança Pública.

O senador eleito pelo Maranhão falou de economia, defendeu PEC que tira o Bolsa Família do teto de gastos, e disse não vê muito sentido na pressão do “mercado” pelo anúncio imediato do futuro ministro da Fazenda. E foi incisivo em afirmar que o presidente Lula da Silva tem compromisso com o equilíbrio fiscal, como fez nos seus dois governos, argumentando que o chamado teto de gastos é um mecanismo defasado, que perdeu sentido. Foi provocado ainda sobre outros temas, como a maioridade penal, por exemplo, prevendo que ela dificilmente será alterada nos próximos tempos.

Provocado sobre o assunto, Flávio Dino defendeu o que que muitos veem como ativismo da Justiça, especialmente do Supremo Tribunal Federal. Ele chamou a atenção para o fato de que as decisões da Corte maior do País têm base constitucional, e que os casos mais polêmicos têm origem no Congresso Nacional, que não cuida de resolver alguns impasses. No caso das manifestações golpista, como os bloqueios feitos por caminhoneiros, o senador eleito está convencido de que eles estão sendo manipulados por grandes empresários, que devem ser penalmente responsabilizados e severamente punidos por financiarem movimentos contra a ordem institucional do País. E que os manifestantes concentrados em frente aos quartéis pedindo golpe estão perdendo tempo, porque não haverá golpe.

Na entrevista ao programa “Canal Livre”, o senador eleito Flávio Dino mostrou que as instituições e seu arcabouço legal do País foram gravemente afetados nos últimos quatro anos – o Estatuto do Desarmamento foi mutilado por MP e decretos que eliminaram a base do controle de armas; que a as alterações desregradas mutilaram também a Lei de Responsabilidade Fiscal e que o sistema as instituições policiais federais (PF e PRF) foram criminosamente politizadas, para citar apenas os casos mais visíveis. Na sua avaliação, o presidente eleito Lula da Silva tem experiência e habilidade política para conduzir a grande negociação com o Congresso Nacional para normalizar a vida institucional brasileira. E se ele será o condutor desse processo como ministro da Justiça e Segurança Pública, o senador eleito recorreu ao futebol para responder:

– A escalação do time quem decide é o técnico.

PONTO & CONTRAPONTO

Camila Holanda pode ser o trunfo de Edivaldo Jr. na corrida à Prefeitura em 2024

Camila Holanda grávida durante a campanha do marido em 2016: parceira firme e dedicada

Na sua edição de sexta-feira (26), o bem informado Blog do John Cutrim publicou a seguinte nota:

“Depois de ter sido derrotado na eleição para o governo do estado ficando na quarta posição, o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. ainda não tem uma definição sobre seu futuro político. Pode ser novamente candidato a prefeito de São Luís, ou então colocar a esposa, Camila Holanda, no jogo. Mulher, evangélica, e muito carismática, Camila é tida por analistas políticos como uma excelente candidata a vice-prefeita de qualquer candidato em 2024”.

Faz todo sentido, a começar pelo fato, indiscutível sob qualquer aspecto, de que, depois de cometer erros políticos primários, sendo o primeiro deles isolar-se na corrida à sua própria sucessão, afastando-se do PDT, pelo qual se reelegeu em 2016, e virando as costas para o governador Flávio Dino, que foi decisivo na sua reeleição. Esse e outros desvios políticos, entre eles a desastrada e desnecessária candidatura ao Governo do Estado, minaram o prestígio que conseguiu como prefeito, tornando seu futuro absolutamente incerto na seara da política. Vale anotar que ao longo desses caminhos e descaminhos, ele teve sempre ao seu lado a figura doce e firme da esposa Camila Holanda, um exemplo de parceria pouco visto na política. E com uma vantagem a mais: ela saiu desse turbilhão com sua imagem e a sua dignidade intacta. Essa equação tem a mais pura lógica.

Felipe Camarão e Duarte Jr. foram a encontro de líderes na Inglaterra

Felipe Camarão e Duarte Jr. – na foto com o respeitado ex-premier britânico Toni Blair -, participação oportuna no encontro de líderes em Oxford

O vice-governador Felipe Camarão (PT) e o deputado estadual e deputado federal eleito Duarte Jr. (PSB) acertaram na mosca ao participar do Encontro de Altas Lideranças, realizado na semana passada, na prestigiada Universidade de Oxford, na Inglaterra, no qual foi desenvolvido o tema “Capital o Humano para o desenvolvimento do Brasil”. Juntamente com jovens líderes de todas as regiões brasileiras, o vice-governador e o parlamentar participaram do evento a convite da Fundação Lemman, criada e mantida pelo bilionário brasileiro Paulo Lemman, dono de grandes empresas, entre elas a Ambev, e da Escolha de Governo Blavatnik, que integra o complexo universitário de Oxford. O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin participou por videoconferência. Do encontro participaram personalidades públicas de todo o mundo responsáveis por iniciativas de referência, que possam contribuir de forma prática na elaboração de projetos e soluções para os problemas econômicos e sociais enfrentados pelo Brasil. Entre as personalidades globais estão Jaime Saavedra, diretor global de Educação do Banco Mundial, Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, e Bogolo Kenewendo, das ONU. Por isso, todos os custos da viagem como passagem, hospedagem e outros são por conta da fundação, não havendo qualquer ônus aos cofres públicos.

Vale registrar que o deputado Duarte Jr. participou, há dois anos, na Espanha, de um fórum mundial sobre soluções para problemas de grandes cidades, o que mostra o seu esforço de capacitação.

 São Luís, 28 de Novembro de 2022.