Carlos Lula assume Conass, defende SUS e secretários que tomaram decisões contra pandemia

 

Carlos Lula: além da luta contra pandemia, agora o desafio de presidir o Conass

Não bastassem os desafios que encara diariamente para manter de pé e funcionando bem a megaestrutura hospitalar implantada em 90 dias e as ações de suporte para enfrentar a avassaladora invasão do novo coronavírus no estado, seguindo as orientações do governador Flávio Dino (PCdoB), o secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula, assumiu ontem, interinamente, a presidência do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Ascendeu em meio a uma forte crise no colegiado, causada pelo afastamento do presidente Alberto Beltrame, secretário de Saúde do Pará, suspeito de desvio numa rumorosa compra de respiradores para leitos de UTIs naquele estado. Carlos Lula assumiu também a gigantesca responsabilidade de trabalhar para aliviar a carga de tensão que vem se abatendo sobre os secretários estaduais por conta do avanço da Covid-19, das diferenças com o Governo Federal e da tendência de colar pecha de corruptos nos dirigentes da área de saúde.

Com a ascensão, Carlos Lula se tornou alvo da atenção da grande imprensa, o que lhe colocou de vez no cenário nacional, onde já vinha sendo apontado como uma referência no enfrentamento da pandemia. Numa entrevista à CNN, no final da tarde, assumiu a defesa dos seus colegas secretários estaduais de Saúde, que diante da pressão inicial da pandemia, tiveram de tomar decisões difíceis, umas ousadas, outras radicais, algumas controversas, na tentativa de montar as estruturas possíveis para combater o avanço do novo coronavírus. E sobre as suspeitas de corrupção no Pará e no Rio de Janeiro, Carlos Lula foi equilibrado:  “Por parte dos secretários, a gente entende que todos os fatos devem ser apurados. Quem tiver cometido desvios e equívocos devem responder pelo que fizeram, mas nem todos devem ser colocados na mesma pecha, dizer que 27 secretários desviaram recursos e paralisar as atividades no Brasil inteiro. Os secretários tiveram de agir para conter a pandemia diante da inação do Governo Federal”.

Com a autoridade de comandar uma das mais bem-sucedidas frentes de combate ao coronavírus no País, tarefa que lhe vem consumindo 15 horas por dia, sem descanso, mesmo enfrentando a indiferença e, em certos momentos, até a hostilidade por parte de porta-vozes do bolsonarismo, Carlos Lula avisou que vai manter a linha de ação do Conass, que é defender o SUS a qualquer custo. E também mostrar que, por inação do Governo Federal, foram ao Governos estaduais, que assumiram a linha de frente do combate à pandemia. Admite que nessa guerra houve erros, equívocos e até mesmo desvios. Mas chama atenção para o fato de que nesse contexto tenso e conturbado, as investigações de suspeitas de desvios geraram um clima de instabilidade entre os secretários.

– O clima criado no País pelas investigações é de instabilidade. Ninguém mais vai querer ser gestor de saúde no País, porque sabe que depois vai ter de responder – assinalou. Para em seguida acrescentar: “As operações da PF beneficiam a quem não trabalhou no combate à pandemia. Não se pode simplesmente parabenizar a inação. Os gestores que nada fizeram estão sendo premiados. Eles não estão sendo acusados de nada. Eles simplesmente não compraram respiradores, não compraram testes, não criaram leitos”. E arrematou observando que a falta de apoio do Governo Federal causou erros na condução do isolamento social, na vigilância sanitária e na forma de retomada das atividades econômicas. “Muitas vezes os gestores tomaram decisões espremidos, porque não tinham o apoio do Governo Federal. Viam a absoluta necessidade de tomar decisões, porque se não tomassem, ficariam marcadas como pessoas que não fizeram nada pelo País; se tomassem, poderiam receber a pecha da corrupção”, concluiu.

Prova definitiva de que para ser um bom secretário de Saúde não precisa ser médico, o advogado Carlos Lula aprendeu, com competência indiscutível, onde pisar nessa seara, na qual desembarcou em abril de 2016, convocado pelo governador Flávio Dino, depois de ter colocado nos eixos a Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (EMSERH), foco de algumas operações nada republicanas. Ganha o registro de ser o primeiro maranhense a assumir a presidência interina do Conass, consciente de que o seu principal desafio será construir uma interlocução pragmática e eficiente com o general que comanda o Ministério da Saúde.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Se confirmada, saída Ildon Marques pode agitar a disputa em Imperatriz

Ildon Marques: fora da disputa em Imperatriz

Se a decisão do TSE de cassar o registro da sua candidatura for mantida, como está sendo desenhada, além de perder os mais de 35 mil votos que recebera como candidato à Câmara Federal em 2018, o que lhe valeu a posição de terceiro suplente da coligação pela qual se candidatou, o ex-interventor e ex-prefeito de Imperatriz, Ildon Marques (PP), ficará de fora da disputa pela Prefeitura de Imperatriz. Fonte a ele ligada disse à Coluna que ele pode reverter essa decisão, mas a impressão geral é a de que, por ter sido uma decisão colegiada da instância superior da Justiça Eleitoral. Ontem mesmo, observadores da cena política de Imperatriz começaram a fazer projeções a partir da saída de Ildon Marques do páreo. Esse vácuo tornaria mais acirrada a disputa, que hoje favorece o deputado estadual Marco Aurélio (PCdoB), líder nas pesquisas de opinião. Proporciona também algum fôlego ao prefeito Assis Ramos (DEM) e injeta ânimo no ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB), que segundo um desses observadores, começa a aparecer no cenário. Em tempo: Ildon Marques se tornou inelegível porque foi acusado de usar produtos da merenda escolar em cestas natalinas, quando foi interventor em Imperatriz.

 

Eduardo Nicolau e Othelino Neto reafirmam boa relação entre Legislativo e Ministério Público

Othelino Neto e Eduardo Nicolau: relações harmônicas 

O novo procurador geral de Justiça, Eduardo Nicolau, fez ontem uma visita de cortesia institucional ao presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB). Os dois trocaram impressões acerca do contexto político-jurídico do Maranhão, tendo os dois dirigentes reafirmado interesse em manter um relacionamento institucional produtivo, sem abrir mão da independência e da razão de ser do Ministério Público. “Estou aqui para saudar o presidente da Assembleia e os deputados queridos e dizer a eles que o Ministério Público mudou o seu gestor, mas a vontade sempre foi, e sempre será, de andar em parceria com a Assembleia Legislativa. Sei da disposição do presidente Othelino em trabalhar pelo Maranhão e vamos fazer uma grande rede para ajudar o nosso governador a melhorar, cada vez mais, a vida dos cidadãos maranhenses”, declarou Eduardo Nicolau, enfatizando a ideia de convivência harmônica entre os Poderes. Othelino Neto, por sua vez, declarou: “A sociedade é quem ganha com esse diálogo permanente e aberto, inclusive estabelecido pela nossa Constituição Federal e repetido na Constituição Estadual, que determina a harmonia e a independência. Com esse diálogo, cada um cumprindo com o seu papel constitucional, vamos fazendo com que o Maranhão sirva de exemplo para o Brasil. Desejo ao doutor Eduardo, que inicia essa importante missão, êxito na condução do Ministério Público, uma instituição fundamental na defesa dos interesses da sociedade”.

Não há registro recente de alguma rusga entre a Assembleia Legislativa e o Ministério Público no Maranhão.

São Luís, 03 de Julho de 2020.

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