
corrida sucessória sem comprometer
a excelente relação institucional
A lógica começa a se impor no tabuleiro político maranhense. A revelação do governador Carlos Brandão (sem partido) de que na conversa que teve em novembro com o presidente Lula da Silva (PT), para alinhavar candidaturas ao Governo do Estado e ao Senado, terminou com o compromisso de os dois tentarem encontrar caminhos que levem à recomposição da base governista no Maranhão. Muitos minimizaram o encontro, alguns chegando mesmo a dizer que a conversa de nada valeu. Os fatos, porém, começam a mostrar exatamente o contrário, e isso se dá pelo simples fato de que o presidente Lula da Silva tem interesse de manter o governador Carlos Brandão como aliado e comandando o seu palanque no Maranhão, enquanto o governador Carlos Brandão nem sonha com a possibilidade de romper a sua aliança política e institucional com o presidente.
A afirmação do governador dizendo que só vai falar de política no ano que vem e que pretende dar forma à chapa majoritária – governador e senador – em janeiro, está dentro do script. O diferencial de agora é que Carlos Brandão concebeu um projeto arrojado, lançando um candidato da sua mais absoluta confiança, o seu sobrinho Orleans Brandão (MDB), organizou um partido com aliados fortes – o MDB e o que restou do Grupo Sarney -, vem trabalhando para fortalecer as candidaturas de aliados ao Senado – Weverton Rocha (PDT) e André Fufuca (PP) – e está determinado a permanecer no cargo até o final do mandato para, ele próprio, com a ampla e densa experiência acumulada em sucessivos processos eleitorais, comandar a campanha.
De longe o mais tarimbado político em ação no País, o presidente Lula da Silva já avaliou que depois do período liderado por Flávio Dino o cenário político maranhense sofreu mudanças radicais. E a principal deles foi que, à sua maneira, e legitimado por uma reeleição de um só turno, o governador Carlos Brandão ocupou todos os espaços possíveis trazendo os prefeitos de volta à linha de frente, tem agora o controle da situação. Isso dá ao governador cacife para conversar com o presidente sem se sentir pressionado, possibilitando que os dois tentam montar a equação que atenda aos dois, e não uma situação imposta. Daí porque todas as possibilidades podem ser levadas em conta.
Carlos Brandão senta à mesa com a candidatura de Orleans Brandão em processo de consolidação, com o suporte declarado de pelo menos 160 dos 217 prefeitos, entre eles os mais que comandam os maiores municípios – com exceção de São Luís e São José de Ribamar -, conta com a ampla maioria dos deputados estaduais e está à frente de um Governo bem avaliado, que tem aproveitado todas as brechas para chegar mais próximo do eleitor. O presidente Lula da Silva entra na conversa como o chefe da Nação que deu todo o apoio possível ao Governo do Maranhão nos últimos anos, numa relação institucional produtiva sem precedentes nos últimos tempos, além de ser o favorito na corrida presidencial, o que lhe dá autoridade para também colocar as suas cartas na mesa.
A julgar pelas suas manifestações, o presidente Lula da Silva está mais interessado em eleger dois senadores aliados no Maranhão do que no próprio Governo do Estado. Pelo que se sabe, na primeira conversa ele tentou convencer o governador Carlos Brandão a montar uma chapa com um candidato de consenso, desde que ele, Brandão, fosse candidato ao Senado. Não deu, porque o governador sabe que sem ele no comando da campanha, a candidatura de Orleans Brandão corre risco, exatamente por ser um projeto de grupo. Carlos Brandão agora revela que voltará a conversar com o presidente levando uma contraproposta, que só ele sabe qual é, e que poderá ser acatada ou não.
E pelo que sinalizou o governador, com a segurança de quem tem o controle da sua base e das alianças que montou, janeiro será um mês decisivo para a definição da chapa governista, incluindo o candidato a governador, a vice-governador e ao Senado. Provavelmente com o aval de Lula da Silva.
PONTO & CONTRAPONTO
Assembleia aprova MPs que reforçam as políticas sociais do Governo do Estado

Antônio Pereira (PSB), Neto Evangelista (União), Glaubert Cutrim (PDT),
Rodrigo Lago (PCdoB) e Fernando Braide (PSD), e com o deputado
Leandro Bello (Podemos) na tribuna
A Assembleia Legislativa caminha para fechar o ano legislativo com uma produção intensa no plenário. Ontem, por exemplo, na antepenúltima sessão antes do recesso parlamentar, os deputados aprovaram, sem restrições, quatro Medias Provisórias editada pelo Palácio dos Leões e que passa a ter validade plena como leis ordinárias. São elas:
Medida Provisória 518/2025, que reinstitui o programa ‘Maranhão Juros Zero’, cujo objetivo é incentivar o empreendedorismo e a economia solidária e alavancar o investimento produtivo, além de promover a geração de emprego e renda no estado.
Medida Provisória 524/2025, que aprova o Plano Estadual de Política de Promoção da Igualdade Racial para o período de 2025 a 2035. A norma constitui um instrumento decenal de planejamento, coordenação e execução das políticas públicas contra o racismo estrutural e institucional e promove a igualdade racial e a valorização dos povos e comunidades tradicionais do Maranhão.
Medida Provisória 525/2025, que institui o projeto Agente Jovem do Desenvolvimento Social no âmbito do programa Trabalho Jovem, criado em 2020. A MP tem como objetivo fortalecer as políticas públicas de inclusão produtiva da juventude maranhense, com foco no combate à pobreza e na redução das desigualdades sociais.
Medida Provisória 519/2025, e altera a Lei 12.656/25, que instituiu o programa estadual ‘Educação de Verdade’ na rede pública de ensino. A principal mudança trazida pela MP é a inclusão da possibilidade de transferência financeira e/ou concessão de crédito diretamente aos alunos, por meio de solução tecnológica com bilhetagem eletrônica.
Com a aprovação, as MPs passam a ter força de lei no âmbito estadual.
Braide desmente notícia de que teria conversado com o presidente nacional do PT sobre sucessão estadual
“Eita, Mirante. Bastava ter olhado minhas redes sociais. Passei o final de semana vistoriando obras e sendo padrinho de casamento de 347 casais. Não cansam de inventar histórias, hein? Apaga que dá tempo”.
Foi essa a reação do prefeito Eduardo Braide (PSD) ao tomar conhecimento de que a emissora havia divulgado que ele teria conversado com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, na busca de uma aliança com o partido em torno da sua provável candidatura ao Governo do Estado.
Por esse projeto, Eduardo Braide seria o candidato a governador tendo um petista como vice, que poderia ser o vice-governador Felipe Camarão ou o deputado federal Rubens Júnior, e a senadora Eliziane Gama (PSD) candidata à reeleição.
A reação do prefeito Eduardo Braide indica claramente que a informação foi uma barrigada. E ponto. Valendo a lembrança de que a maior parte do braço maranhense do PT está reforçando a candidatura do emedebista Orleans Brandão.
E no contraponto, o que se tem percebido é uma inclinação do grupo dinista, que hoje controla o PSB, sinalizando uma possível aliança com o prefeito de São Luís, caso ele decida ser candidato a governador, o que ainda é uma incógnita.
São Luís, 17 de Dezembro de 2025.
