
nacional do PT; falta o apoio do braço maranhense
“Minha pré-candidatura segue firme e forte, pelo PT, com apoio nacional do partido e em dobradinha com o presidente Lula”. A declaração foi feita ontem pelo vice-governador Felipe Camarão (PT) num post em que reclama de uma “onda de desinformação” envolvendo o seu projeto de disputar o Palácio dos Leões, afirmando que “a fábrica de fake news da turma que acha que pode ganhar no WO está a todo vapor”.
O vice-governador faz essa manifestação em meio à repercussão de duas novas pesquisas sobre a corrida sucessória. Uma do Datailha sobre as tendências em São Luís, na qual Eduardo Braide lidera com 80% das intenções de voto, Orleans Brandão (MDB) com 8,7%, ele, Felipe Camarão, com 3,7%, e Lahesio Bonfim (Novo) com 2,7%; e outra, da Econométrica, que abrangeu todo o estado, com Orleans Brandão liderando com 34,7%, seguido de Eduardo Braide com 27,4%, de Lahesio Bonfim com 17,1% e de Felipe Camarão com 8,5%.
No início da semana, informação publicada em jornais do eixo Rio/São Paulo e amplamente repercutida na blogosfera maranhense, deu conta de que o comando nacional do PT teria batido martelo decidindo que o partido disputará Governo em nove estados, entre eles o Maranhão, o que reforça o discurso do vice-governador Felipe Camarão de que sua pré-candidatura tem o apoio do presidente Lula da Silva e da cúpula do PT. A mesma notícia afirma o PT disputará vagas de senador em 17 estados, sem que o Maranhão conste da lista. Colocada nesses termos, a informação injetou gás na movimentação do vice-governador que, reconheça-se, não tem se deixado intimidar pelo fraco desempenho nas pesquisas de opinião.
Felipe Camarão tem sido correto quando afirma que o seu projeto de candidatura conta com o apoio do presidente Lula da Silva e da cúpula nacional do PT. Afinal, tanto o presidente quanto a liderança petista já disseram ser ele o candidato do partido ao Governo do Maranhão. E não houve, até agora, nenhuma voz da cúpula nacional petista pelo menos insinuando uma manifestação contrária a isso. A conversa do presidente Lula da Silva com o governador Carlos Brandão, mantida como “segredo de estado”, se não embalou a caminhada do vice-governador também não produziu nenhuma situação no sentido de desestimula-la. Logo, Felipe Camarão segue realizando os seus “Diálogos pelo |Maranhão” movido pela certeza de que o seu projeto é também o projeto do presidente e da cúpula petista.
Por outro lado, entre Felipe Camarão e o presidente Lula da Silva e a cúpula nacional petista tem uma pedra: o braço maranhense do PT, que caminha para uma aliança com o governador Carlos Brandão em apoio à pré-candidatura de Orleans Brandão. Com exceção do grupo de Raimundo Monteiro, ex-presidente do partido, as principais líderes petistas no Maranhão – Washington Oliveira, Francimar Melo, Augusto Lobato, Zé Inácio, Zé Carlos Araújo, entre outros, respeitam a movimentação de Felipe Camarão, mas não o querem como candidato a governador em confronto com Carlos Brandão. Vários deles ocupam cargos no Governo e são candidatos a deputado estadual e federal, torcem fortemente para que o vice-governador reveja sua decisão de disputar o Governo. E a julgar pela sua movimentação, o vice-governador não quer conversa nessa direção, só aceitando conversar se Carlos Brandão renunciar para disputar o Senado e ele assumir o Governo para se candidatar à reeleição. Isso parece fora de cogitação no Palácio dos Leões.
O fato é que a informação de que o comando nacional PT está mesmo decidido a disputar o Governo do Maranhão caiu como uma forte dose de ânimo no vice-governador e, se vier a ser confirmada com manifestações mais nítidas do presidente Lula da Silva ou da direção nacional do PT, certamente obrigará o braço maranhense do partido a se posicionar de vez, confirmando a tendência de aliança com o governador Carlos Brandão ou declarando apoio a Felipe Camarão.
PONTO & CONTRAPONTO
Eleição na Câmara só ocorrerá no final de 2026 e mudança pode alterar o cenário da disputa
A Câmara Municipal de São Luís só realizará a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027/2028 a partir de outubro do ano que vem, e não mais em abril, como havia sido programado. O anúncio foi feito ontem pelo presidente do parlamento municipal, vereador Paulo Victor (PSB). A mudança na regra será feita na próxima segunda-feira (15), com uma alteração na Lei Orgânica de São Luís.
Com a decisão, os vereadores ludovicenses se ajustarão a uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que considerou inconstitucional a antecipação excessiva de eleição de mesa diretora de Casas legislativas, como o Congresso Nacional e as Assembleia Legislativas. A decisão da Suprema Corte, tomada no bojo de uma ação sobre o tema, corrige uma anomalia que contaminou os parlamentos do País por anos, havendo casos em que Mesa Diretora foi eleita com um ano de antecedência.
Com a correta e oportuna decisão anunciada ontem pelo presidente Paulo Victor, a corrida pela presidência do parlamento municipal, envolvendo os vereadores Beto Castro (Avante), apoiado por Paulo Victor e que tem a declaração de voto de 20 vereadores, e Marquinho Silva (União), que lidera uma ala de uma dezena de vereadores independentes em relação à atual Mesa Diretora, será colocada em ritmo mais lento.
A mudança pode permitir alteração radical em relação à disputa. O vereador Beto Castro, que começou sua campanha com a manifestação de apoio de 26 dos 31 vereadores, vem perdendo substância, enquanto Marquinho Silva, que começou sozinho e hoje lidera um grupo de 10 parlamentares.
Há quem diga que a alteração na agenda da eleição pode modificar expressivamente o cenário da disputa.
Deputados derrapam ao se juntar à extrema direita na afronta da Câmara ao Supremo no Caso Zambelli
Os deputados federais Allan Garcez (PP), bolsonarista roxo, e Júnior Lourenço (PL) e Pastor Gil (PL), de direita moderada, derraparam feio ao votarem contra a cassação da deputada federal Carla Zambelli (PL), condenada a 10 anos de cadeia e à perda do mandato por haver comandado uma de invasão ao sistema e arquivos eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça e por haver agredido um militante político com uma pistola na mão em São Paulo.
Os três deputados embarcaram na errática decisão do presidente da Câmara Federal, Hugo Motta (Republicanos/PB), de peitar o Supremo Tribunal Federal e se deram mal. Isso porque, em vez de cumprir a regra, que era apenas declarar vazia a cadeira de Carla Zambelli e convocar o seu suplente para assumir a vaga, o presidente da Câmara Federal, alinhado com a direita radical, achou de tentar desrespeitar a lei e julgar o resultado de um julgamento da Suprema Corte, colocando a decisão para deliberação do plenário.
Insuflado pela tropa de choque do bolsonarismo radical, que vem dando as cartas na Mesa da Câmara, o presidente Hugo Motta caiu na esparrela e comandou a votação que resultou na “derrubada” da condenação de Carla Zambelli pela Suprema Corte.
Ontem, o ministro Alexandre de Moraes, com fundamentos sólidos, anulou a votação da Câmara Federal, reafirmou a sentença e determinou que o presidente da Câmara Baixa cumpra imediatamente a decisão da Corte, declare a perda de mandato de Carla Zambelli e emposse o suplemente dela como titular.
Como diz o ditado popular, os deputados Allan Garcez, Júnior Lourenço e Pastor Gil “pegaram em fio pelado” quando decidiram embarcar na tentativa da bancada da extrema direita de desrespeitar, com clara atitude de desacato, uma decisão bem fundamentada da Corte Suprema.
Vale lembrar que os deputados Aluísio Mendes (Republicanos), Amanda Gentil (PP), Cléber Verde (MDB), Hildo Rocha (MDB), Juscelino Filho (União), Márcio Jerry (PCdoB), Pedro Lucas (União), Rubens Júnior (PT) e Marreca Filho (PRD) votaram pela cassação. Já o deputado Fábio Macedo (Podemos) se absteve, e Duarte Jr. (PSB), Detinha (PL), Josimar de Maranhãozinho (PL), Josivaldo JP (PSD) e Márcio Honaiser (PDT), estavam ausentes.
São Luís, 12 de Dezembro de 2025.

