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Migração para o PSB amplia espaço de Flávio Dino, mas não inibe os desafios que o aguardam

 

Flávio Dino: partido novo, mais força política nacional e vários desafios pela frente

A migração partidária do governador Flávio Dino, que deixa o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) para se filiar ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) tem a importância e o peso de largada para corrida eleitoral de 2022 no Maranhão, também com reflexos na disputa para a Presidência da República. Esse movimento deflagrou uma ampla e arrojada rearrumação no eixo central da aliança partidária situacionista, abrindo também caminho para que os pré-candidatos a governador – tanto os da base governista quanto os de oposição – construam os suportes possíveis das suas candidaturas. Com sua decisão, o governador deixa as limitações do velho PCdoB e ingressa numa seara partidária mais aberta e flexível, o que lhe assegura ampliação imensurável na sua margem de articulação política como senador da República, como planeja – pelo menos até aqui. Decidida a 15 meses das eleições, a mudança também abre espaço para que seus aliados adequem, sem pressa e com boa dose de reflexão, seus projetos eleitorais no leque de opções partidárias. No plano nacional, o movimento de Flávio Dino aumenta sensivelmente o peso do PSB, que ganha mais um governador e um punhado de deputados federais.

No que lhe diz respeito, o governador Flávio Dino ganha força política, à medida que dá ao PSB maior musculatura e, com isso, maior peso nas articulações para a construção de alianças visando a eleição presidencial. Nesse sentido, mesmo já tendo feito opção por disputar cadeira no Senado, o agora socialista Flávio Dino não está ainda descartado como opção para a vaga de candidato a vice numa grande composição tendo o ex-presidente Lula da Silva (PT) como cabeça de chapa para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro (ainda sem partido). Afinal, de todos os nomes da esquerda moderada, incluindo aí vários governadores, o líder maranhense é o que alcançou maior projeção nacional. E sobre o destino do governador, todas as avaliações sugerem que o Senado é o seu melhor caminho.

Independentemente do espaço que vai ocupar na corrida presidencial, Flávio Dino atuará fortemente para mobilizar o eleitorado maranhense a favor do candidato de Oposição, principalmente sendo o ex-presidente Lula da Silva. Isso porque já são fortes os sinais de que o presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, a começar pelo senador Roberto Rocha (sem partido), provável candidato bolsonarista ao Governo do Estado, farão de tudo para melhorar o desempenho do presidente nas urnas maranhenses.

A nova condição partidária não altera a liderança do governador no cenário político maranhense, mesmo estando ele na reta final do seu mandato. É dele a delicada tarefa de articular as bases de um consenso para a sua sucessão no âmbito da aliança governista, e de mobilizar as forças contra investidas de adversários. De um lado está vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que assumirá o Governo em abril próximo e, com todo direito, já se movimentando como pré-candidato à reeleição; e do outro encontra-se o senador Weverton Rocha (PDT), um político jovem e arrojado, que vê no pleito de 22 a oportunidade de ouro para ser governador. Com motivações diferentes, mas justas, Carlos Brandão e Weverton Rocha travam uma guerra aberta pela vaga de candidato da aliança liderada situacionista. A escolha de um deles sem causar um racha na base partidária é o grande desafio político do governador Flávio Dino.

A mudança do governador Flávio Dino para o PSB causará forte impacto em parte expressiva da sua base partidária, sendo o PCdoB o partido que mais sofrerá reveses. De cara, perderá os deputados federais Márcio Jerry e Rubens Jr., que certamente migrarão para o PSB, juntando forças com o deputado federal Bira do Pindaré. Também o deputado estadual Othelino Neto, presidente da Assembleia Legislativa, deve deixar o partido, mas seguindo um caminho diferente filiando-se ao PDT. Outros deputados hoje no PCdoB – Marco Aurélio, Ana do Gás e Carlinhos Florêncio – devem migrar para outras agremiações, entre elas o PSB, que já tem o deputado Edson Araújo. Flávio Dino certamente será ouvido por todos os aliados que de uma maneira ou de outras serão afetados pela sua mudança partidária.

O governador Flávio Dino tem plena consciência do espaço que ocupa no cenário político maranhense e de como é visto na seara nacional. E é exatamente por isso que tem todos esses desafios pela frente, sendo o menor deles sua candidatura ao Senado, uma vez que, pelo menos no horizonte visível, não há adversário que lhe imponha risco.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

MDB mudará comando e deve se tornar aliado cobiçado

João Alberto será sucedido por Roseana Sarney, que tem o apoio de Roberto Costa

Marcada pela 7 de Julho, daqui a duas semanas, portanto, a convenção extraordinária por meio da qual o MDB mudará seu comando, com a saída do ex-senador João Alberto e a ascensão da ex-governadora Roseana Sarney. Essa mudança está sendo observada com interesse pelas forças que estão se organizando para lutar pelo comando do Maranhão. E a explicação é a seguinte: três anos depois de sofrer a segunda detonação nas urnas, a banda do Grupo Sarney ligada ao partido se esforça para retomar pelo menos parte do espaço perdido em 2014 e 2018. Com o apoio da ala jovem do partido, liderada pelo bem articulado deputado Roberto Costa, atual vice-presidente da agremiação, a ex-governadora ainda desfruta de um bom naco de liderança, que não a garante numa disputa majoritária, mas é suficiente para torná-la uma deputada federal muito bem votada e fazer do MDB um aliado cobiçado. Não é sem razão que tanto o vice-governador Carlos Brandão e o senador Weverton Rocha estão antenados com os movimentos emedebistas, de olho numa aliança que poderá render bons dividendos eleitorais. O mesmo interesse terá o senador Roberto Rocha, caso venha, de fato, a disputar o Governo do Estado.

 

Fiema reempossa Edilson Baldez e refirma vocação para produzir coronéis

Edilson Baldez: habilidade política e e no jogo do poder

A Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema), empossou, Quinta-Feira (17), o empresário Edilson Baldez para mais um mandato presidencial de quatro anos. Com o ato solene, a entidade representativa da indústria maranhense reafirmou sua aparentemente incurável vocação para produzir coronéis, passando a impressão de que o conceito de alternância, que é um dos pilares da democracia, mesmo numa organização corporativa, parece não existir no seu regimento. Sua história registra a permanência do empresário Alberto Abdalla à frente da entidade por mais de três décadas. Edilson Baldez, que assumiu em 2008 para cumprir um mandato tampão, e na posse deixou no ar sinais de que não se deixaria seduzir pelo exemplo abdallano, não resistiu aos encantos do poder e mandou o compromisso para o espaço. Logo mudou as regras que proibia seguidas eleições, se reelegeu e de lá para cá já foram três mandatos integrais cumpridos. E o que se inicia agora o manterá até 2024 no comando da entidade propriamente dita e dos braços maranhenses do Sesi, do Senai e do IEL, além do Sebrae, uma ativa e bem azeitada máquina assistencialista, com orçamento gordo, que é também uma respeitável e muito cobiçada fonte de poder político. Há quem diga que, a julgar pela gestão que realiza, pela habilidade com que domina os cordéis de poder da entidade e da fome de poder que demonstra, o presidente Edilson Baldez cumprirá o novo mandato pavimentando terreno para renová-lo daqui a quatro anos. Afinal, sua reeleição pela unanimidade dos líderes dos sindicatos que compõem a Fiema é indicativa de que, por enquanto, ninguém se atreve a enfrentá-lo.

São Luís, 20 de Junho de 2021.

Dino deixa o PCdoB, ganha mais espaço de atuação e deve transformar o PSB numa grande força  

 

Flávio Dino deixa o PCdoB para ingressar no PSB

O governador Flávio Dino deu ontem o passo decisivo para a sua guinada no plano partidário ao formalizar o pedido de desfiliação do PCdoB, mesmo sem anunciar a legenda pela qual irá às urnas como candidato ao Senado nas eleições do ano que vem. Com o pedido, o governador está livre para buscar um partido mais adequado ao seu perfil ideológico e ao seu projeto político, evitando assim o desgaste de ter de fazer esforços redobrados para manter de pé uma agremiação sem futuro. Seu destino será o PSB. Nos 15 anos em que militou nas fileiras do PCdoB, Flávio Dino se tornou o seu quadro mais importante, a começar pelo fato de que foi o primeiro governador do partido em toda a sua história, transformando o Maranhão na sua base mais importante, com deputados federais, deputados estaduais, prefeitos e vereadores. Fez, em vão, um esforço gigantesco para modernizar a agremiação. Estava, portanto, escrito nas estrelas, que sua saída do PCdoB era apenas questão de tempo.

Foi um casamento bem-sucedido, apesar das diferenças. Nesse período, Flávio Dino se desdobrou para alcançar dois objetivos. O primeiro foi dar ao PCdoB a condição de maior força partidária do Maranhão, o que conseguiu em 2014, com a sua eleição, posição reforçada nas eleições municipais de 2016, quando a legenda saiu das urnas com mais de 40 prefeitos. Nesse período, o governador trabalhou com afinco para modernizar o PCdoB, de modo a inseri-lo no tabuleiro partidário nacional como um uma legenda reciclada e adaptada à nova realidade política do Brasil e do planeta. Defendeu uma revisão doutrinária, sem abrir mão do viés esquerdista, ajustando o partido a uma identidade de centro-esquerda. E há quem diga que tentou, também em vão, rebatizá-lo e trocar seus símbolos – a foice e o martelo –, que nada identificam ou representam na atualidade.

Um dos políticos mais preparados e atuantes da sua geração, Flávio Dino ganhou projeção nacional, primeiro por realizar um governo diferenciado, com a execução de programas arrojados nos campos da saúde, educação, segurança e desenvolvimento social, e depois pela sua atuação política em defesa da democracia e contra os ensaios golpistas e antidemocráticos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e sua turma. Preocupado com a pulverização das forças democráticas em várias candidaturas, vem pregando a construção de uma ampla aliança multipartidária, reunindo segmentos de centro-direita, centro e centro-esquerda como a fórmula mais sensata e segura de enfrentar as forças da direita radical alinhadas ao presidente da República.

O governador do Maranhão foi convidado para ingressar em vários partidos, mas há tempos que sua inclinação é pelo PSB, uma legenda equilibrada, firme na sua posição ideológica sem radicalismo esquerdista e nas suas postulações programáticas. Seu iminente ingresso no partido, juntamente com seus principais aliados – como o deputado federal Márcio Jerry, que preside o PCdoB no estado – prenuncia futuro alvissareiro para o PSB, que poderá se tornar uma das maiores – se não a maior – agremiações partidárias do Maranhão nos próximos tempos. Isso porque, além dos quadros do PCdoB que o seguirão, muitos outros nomes atualmente mal acomodados em diversos partidos poderão migrar para a seara socialista.

Há algumas semanas, a Coluna previu que, se Flávio Dino migrasse do comunismo para o socialismo, o PSB seria transformado num partido forte, enquanto o PCdoB estaria até mesmo ameaçado de desaparecer do mapa partidário no Maranhão. A previsão está se materializando, o que dará ao governador Flávio Dino uma margem bem maior de ação política, condição indispensável para uma atuação mais forte e produtiva no esforço de construção da grande frente partidária para a guerra eleitoral do ano que vem.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sob o comando de Flávio Dino, PSB deve rever algumas decisões recentes

Com o ingresso no PSB, o governador Flávio Dino assumirá o comando do partido no Maranhão, devendo escalar o deputado federal Márcio Jerry, hoje presidente do PCdoB, para dirigir a nova legenda. E como a Coluna previu, sob a liderança do governador, o PSB certamente redesenhará sua posição na corrida ao Palácio dos Leões. Deve, por exemplo, desfazer a precipitada declaração de apoio do partido à candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), feita pelo ainda presidente da agremiação, Luciano Leitoa, ex-prefeito de Timon. O mais provável é que o PSB dê suporte ao projeto de candidatura do vice-governador, como vinha fazendo, lenta e cuidadosamente, o PCdoB. É claro que essa reviravolta não se dará de maneira tratoral, como foi o anúncio feito por Luciano Leitoa, feito sem o aval do maior nome do partido até aqui, o deputado federal Bira do Pindaré.

 

Maranhão entra forte no combate à corrupção

Eduardo Nicolau comandou o lançamento do PNPC no MA

O Maranhão acaba de dar mais um passo importante na guerra contra a corrupção, para muitos o pior dos flagelos da vida brasileira. Na terça-feira (15), o estado passou a integrar o Programa Nacional de Prevenção à Corrupção (PNPC), mantido pela Rede de Controle da Gestão Pública. O objetivo é identificar o grau de suscetibilidade à fraude e o nível de proteção dos vários estratos da gestão pública brasileira (nos âmbitos municipal, estadual e federal) contra atos de corrupção, e também como a adoção de boas práticas de controle e de prevenção funciona no combate a desvios. Comandado procurador geral de Justiça e chefe do Ministério Público do Maranhão, Eduardo Nicolau, o lançamento contou com a participação do governador Flávio Dino (PCdoB) e do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Lourival Serejo, entre outras autoridades. Todos rigorosamente afinados com a linha de combate à corrupção proposta no PNPC.

Na abertura, o governador Flávio Dino ressaltou que o combate à corrupção não se dá somente no campo repressivo, mas sobretudo no preventivo, como propõe o programa. “A corrupção não é um fenômeno que se refere somente ao mundo da política. Também tem uma dimensão econômica e social. É um sinal permanente de violação a princípios e regras e, por isso, em simetria, temos que combatê-la cotidianamente. Participar deste programa é uma forma de garantir a boa aplicação dos recursos púbicos em favor das metas, dos objetivos previstos na Constituição Federal”. E o procurador-geral de Justiça, Eduardo Nicolau, visto como defensor de combate tenaz à corrupção, foi direto ao ponto:  “Não tenho dúvidas de que a prevenção é o melhor e o mais eficaz caminho de combate à corrupção no país, que passa pelo fortalecimento das instituições de controle e pela construção da boa governança nas várias esferas de poder”.

São Luís, 18 de Junho de 2021.

André Fufuca anuncia o apoio do PP a Weverton Rocha, mas ressalvando que pode mudar de rumo

 

André Fufuca: apoio à candidatura de Weverton Rocha, que pode ser repensado mais na frente

O presidente do PP no Maranhão, deputado federal André Fufuca disse ontem, em entrevista à TV Mirante, que o seu partido apoiará a candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) ao Governo do Estado na corrida eleitoral do ano que vem. Mas, surpreendentemente, colocou uma densa sombra de dúvida sobre o apoio, ao alertar, de antemão, que o partido poderá rever essa posição e tomar outro rumo, à medida que as articulações para a corrida sucessória estadual forem ganhando consistência. Com franqueza desconcertante – que não é muito comum num jogo de articulação política -, o deputado André Fufuca deixou claro para o pré-candidato pedetista que a consolidação desse apoio dependerá do que vier a acontecer durante as montagens políticas que definirão, de fato, quem será quem na disputa pela cadeira principal do Palácio dos Leões.

Político já tarimbado nessa seara, apesar da pouca idade, o deputado federal André Fufuca jogou na mesa um lembrete crucial nesse jogo: partido é um organismo coletivo, no qual prevalece a vontade da maioria. E aplicando essa regra no jogo em curso pela sucessão do governador Flávio Dino (PCdoB), encontra-se a tradução integral do recado dado pelo parlamentar: quando o líder partidário contraria a posição da maioria, se defronta com duas opções. A primeira: tenta se ajustar à posição da maioria. A segunda: não conseguindo, admite a derrota e passa o boné para quem consegue lidar com ela. Ou seja, em política partidária, ficar contra a maioria dentro de uma agremiação costuma ser fatal para o intolerante.

O senador Weverton Rocha tem avançado bem na montagem da base partidária do seu projeto de candidatura, tendo recebido até agora declaração de apoio do DEM, PSB, Republicanos, PSL e agora do PP, o que lhe dá, indiscutivelmente, uma boa vantagem nesse item. Há, porém, um detalhe crucial nessas posições: todas elas, sem exceção, são manifestações prévias, sujeitas a revisão. Isso porque nenhuma dessas declarações foi feita com base numa consulta interna dos partidos, como prefeitos e vereadores. O que houve até aqui foi a inclinação dos chefes, que poderão ser ou não confirmadas, de um lado pelas bases dos partidos, e de outro pelas cúpulas nacionais dos mesmos. E foi exatamente o aviso incluído no “porém” contido na declaração do deputado André Fufuca.

A Coluna já comentou esse aspecto das manifestações de apoio, mas não custa nada relembrar. Um exemplo: a declaração de apoio do Republicanos ao senador Weverton Rocha, feita pelo seu presidente, o experiente deputado federal Cléber Verde, não traduz a vontade da maioria do partido, pois é sabido que pelo menos metade dos seus prefeitos e vereadores estão alinhados ao vice-governador Carlos Brandão. Outro exemplo: a declaração de apoio do presidente estadual do PSB, Luciano Leitoa, ex-prefeito de Timon, não fez muito sentido sem o aval do deputado federal Bira do Pindaré, hoje o nome de maior peso no braço maranhense da legenda socialista. É o caso também do PSL, agora comandado pelo deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que muito provavelmente não sabe o que os nomes de peso do partido pensam sobre essa disputa.

Isso não significa dizer que o senador Weverton Rocha não terá o apoio dessas agremiações. O propósito é lembrar que, num jogo em que o que está em jogo é nada menos que o Governo do Maranhão, ter como certas manifestações de apoio partidário feitas com tanta antecedência e com elevado grau de inconsistência é, no mínimo, precipitado. Daí a cautela inteligente e sensata do deputado federal André Fufuca ao se posicionar em favor do projeto de candidatura do senador Weverton Rocha com a ressalva de que o braço maranhense do PP poderá mudar de posição no futuro. E pelos motivos mais diversos que o jogo político costuma produzir, o mesmo pode acontecer, ou não, com o Republicanos, o PSB e o PSL.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino continua sendo apontado como bom vice, mas vai mesmo é concorrer ao Senado

Flávio Dino: ideia-força é disputar o Senado e não ser candidato a vice

O governador Flávio Dino está cada vez mais distante da ideia de vir a ser candidato a vice-presidente da República na chapa a ser liderada pelo ex-presidente Lula da Silva (PT). Nas suas entrevistas mais recentes, quando provocado sobre o assunto, ele tem sido enfático de que no momento o seu foco político é a pré-candidatura ao Senado, que ele define como “ideia-força”. No plano nacional, porém, muita gente com peso político e nos espaços da imprensa o governador continua sendo apontado como uma espécie de “reserva especial” da esquerda moderada para compor uma chapa na condição de candidato a vice do líder petista. Em algumas respostas em entrevistas concedidas a órgãos de imprensa nacionais, como a dada à BAND, ontem, ele admite conversar sobre o assunto em 2022. A verdade, porém, é que o governador do Maranhão já tem claro e bem definido o rumo que tomará nas eleições do ano que vem: será candidato ao Senado, dando a contribuição possível à candidatura presidencial que vier a apoiar, provavelmente a do ex-presidente Lula da Silva, e com o objetivo maior: derrotar o presidente Jair Bolsonaro.

 

Assembleia aprova projeto de Mical Damasceno que projete idosos de golpes financeiros

Mical Damasceno, ontem, na sessão remota que aprovou sem projeto de defesa dos idosos

Conhecida por suas fervorosas manifestações religiosas, por seu bolsonarismo extremado, e mais recentemente pela ascensão ao comando do PTB no Maranhão, por decisão do chefe maior do partido, o ex-deputado federal Roberto Jefferson, a deputada Mical Damasceno também dedica seu mandato a boas causas. Uma delas: a Assembleia Legislativa aprovou ontem, em sessão remota, o Projeto de Lei 31/2021, de sua autoria, que cria a Campanha de Combate aos Golpes Financeiros Praticados contra Idosos no Maranhão.

A campanha objetiva combater a violência patrimonial no âmbito familiar ou comunitário e, também, a violência financeira institucional, entendida como a contratação de empréstimos oferecidos por agentes financeiros, sem consentimento ou pleno conhecimento dos idosos. Esses abusos serão combatidos com ações educativas de conscientização e prevenção, envolvendo o poder público, em parceria com a iniciativa privada e entidades civis.

– Muitas pessoas se aproveitam da vulnerabilidade dos idosos para obter vantagens financeiras. Eles são as maiores vítimas de estelionato. Queremos protegê-los e encorajar a sociedade a participar do enfrentamento desses crimes praticados contra  idosos – enfatizou a deputada Mical Damasceno.

De acordo com o projeto, que agora irá à sansão do governador Flávio Dino (PCdoB), a campanha deverá ser realizada, anualmente, na primeira semana de Outubro, coincidindo com o Dia do Idoso (1º de Outubro), devendo integrar o Calendário Oficial do Estado do Maranhão.

São Luís, 16 de Junho de 2021.

Márcio Jerry equilibra posições de Brandão e Weverton para não precipitar escolha de candidato

 

Márcio Jerry diz que Carlos Brandão e Weverton Rocha estão preparados para disputar a sucessão de Flávio Dino

“O vice-governador Carlos Brandão e o senador Weverton (Rocha) têm condições para serem candidatos a governador. Ambos sabem o caminho e têm responsabilidade com o Maranhão”. A declaração é do deputado federal licenciado e atual secretário das Cidades, Márcio Jerry (PCdoB), dada ontem em entrevista à TV Mirante, para dizer que a escolha do nome que liderará a aliança situacionista na corrida à sucessão do governador Flávio Dino está em aberto, o que significa também informar que o processo está em andamento, mas ainda sem previsão de desfecho. Presidente estadual do PCdoB e, sem favor, o mais atuante e influente integrante do núcleo central de colaboradores do governador Flávio Dino (PCdoB), o secretário das Cidades deixou no ar a avaliação de que o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e o senador Weverton Rocha (PDT) estão devidamente preparados para suceder ao atual governante. E o fez com o cuidado de não pressionar a balança para nenhum lado.

A preocupação do presidente do PCdoB em não soltar pistas de preferência entre os dois pré-candidatos é facilmente explicável. É que não interessa ao governador Flávio Dino antecipar uma definição e acelerar a corrida às urnas antes da hora. Afinal, por mais que o processo sucessório já estejas deflagrado, que nomes interessados já estejam postos, há muito o que se resolver para que o martelo seja batido sem risco de rupturas. O momento é para refletir, avaliar horizontes, monitorar os movimentos direcionados ao Palácio do Planalto, para em seguida conversar, ponderar e, finalmente, escolher com segurança, de preferência na linha sempre saudável do consenso.

Isso não impede que o vice-governador Carlos Brandão e o senador Weverton Rocha se movimentem em busca de suporte para os seus projetos de candidatura. Como disse o secretário Márcio Jerry, ambos são políticos de perfis diferenciados, mas traquejados o suficiente para saber o que estão pleiteando e dos desafios que estão se propondo a enfrentar. Mais do que isso, estão cientes de que interesses menores e ambições descabidas não devem comprometer a unidade da grande aliança partidária construída pelo governador Flávio Dino. Até porque, se não houver consenso e os dois forem para o confronto, o eleito dificilmente recomporá a grande base partidária e certamente enfrentará enormes dificuldades políticas para governar.

Nesse contexto, o vice-governador Carlos Brandão tem a seu favor o fato de que disputará na condição de governador em busca da reeleição, um trunfo poderoso se usado com habilidade política. Esse poder poderá ser multiplicado dependendo das forças que ele conseguir atrair para a base da sua candidatura. Até aqui, o vice-governador vem mostrando que sabe jogar nesse tabuleiro complicado e movediço. Nos bastidores dos partidos, são muitas as vozes que avaliam que a musculatura política de Carlos Brandão será conhecida efetivamente no momento em que ele trocar o gabinete do Palácio Henrique de la Rocque pelo do Palácio dos Leões. Politicamente, a condição de governador em busca da reeleição será também o seu calcanhar de Aquiles: se ganhar, leva tudo, se perder, vai para casa sem nada.

Por seu turno, o senador Weverton Rocha monta seu projeto de candidatura sem a preocupação de ficar sem mandato, um trunfo também poderoso. A força do mandato senatorial e a despreocupação com os próximos quatro anos dão ao senador o gás necessário para que ele se movimente como um furacão, assumindo até o comando da construção de hospital, algo atípico para um congressista. Atualmente, ninguém duvida do poder de fogo do senador entre os prefeitos, turbinado pelo controle que exerce sobre a Famem, o mais importante canal de articulação municipal. Weverton Rocha avalia que esse é o seu momento, pois sabe que deixá-lo passar, o sonho de morar no Palácio dos Leões ficará bem distante.

Daí a explicação para o cuidado do secretário Márcio Jerry em usar sua habilidade para não precipitar um desfecho inadequado. Sua manifestação segue rigorosamente a linha de ação do governador Flávio Dino, a quem cabe a desafiadora tarefa de bater o martelo na hora certa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sem aval de Santo Antônio, Dino espera São João para resolver futuro partidário

Flávio Dino: agora com São João

No final de Abril, o governador Flávio Dino previu, informalmente, que poderia resolver seu futuro partidário até 13 de Junho, Dia de Santo Antônio, o casamenteiro. Calculou que o santo o ajudaria a resolver se permanecerá no PCdoB ou deixará o comunismo para se converter ao socialismo ingressando no PSB. No sábado, lembrado da previsão inspirada em Santo Antônio, o governador respondeu com uma sentença óbvia, mas ao mesmo tempo enigmática: “Casar é fácil, o difícil é divorciar”. E jogou a bola para outro santo, o respeitado e festivo São João, que será festejado no próximo dia 24 de Junho, data em que espera ter resolvido o namoro, o divórcio e o casamento partidário.  Fora da esfera santista, o governador articula para encontrar o melhor caminho, podendo permanecer onde está ou migrar para o PSB.

 

Bolsonaro vai mesmo para o Patriotas e Roberto Rocha deve ir junto

Roberto Rocha irá para o Patriotas tão logo Jair Bolsonaro assinar a ficha de filiação

Uma informação confirmada por fontes do Palácio do Planalto animou o senador Roberto Rocha: o presidente Jair Bolsonaro deve anunciar, provavelmente ainda nesta semana, o seu ingresso no Patriotas, confirmando a tendência que ganhou forma com afiliação do filho dele, o senador Flávio Bolsonaro, ao partido, semanas atrás. Pelo que está programado, Roberto Rocha se filiará ao Patriotas juntamente com mais dois senadores e um grupo de pelo menos 20 deputados federais. Esse grupo será a linha de frente da tropa-de-choque do presidente no Congresso Nacional.

O que não se sabe é como ficará o Patriotas no Maranhão com a entrada do senador Roberto Rocha. Atualmente, o partido é presidido pelo deputado federal Júnior Marreca Filho e controlado com mão de ferro pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que controla também o PL e o Avante. Especula-se que Roberto Rocha vai querer a garantia de que será o candidato do partido ao Governo do Estado, o que contraria frontalmente o projeto de Josimar de Maranhãozinho, que tem dito e repetido que não abre mão da sua candidatura à sucessão do governador Flávio Dino.

Entre bolsonaristas corre a certeza de que, uma vez no partido, Jair Bolsonaro resolverá tais pendências, poupando o senador Roberto Rocha de uma desgastante medição de força.

São Luís, 15 de Junho de 2021.

Sem líderes nem projeto de poder, Oposição se perde em várias frentes no Maranhão

 

Roberto Rocha, Lahesio Bonfim, Maura Jorge e Mical Damasceno: bolsonaristas quase sem chance de união

Enquanto as forças da aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) se movimentam num tabuleiro onde a palavra de ordem é buscar o consenso em torno de um candidato, que pode ser o senador Weverton Rocha (PDT) ou o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), na banda oposicionista as forças alinhadas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) encontram-se inteiramente desarticuladas e, pelo menos por enquanto, sem perspectivas de serem mobilizadas para o embate eleitoral por lideranças fortes. Essas forças estão dispersadas em várias frentes, uma que tem à frente o senador Roberto Rocha (sem partido), o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSL), a prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge (ainda no PSDB), e a deputada estadual Mical Damasceno (PTB), e ainda por tabela os deputados federais Edilázio Jr. (PSD) e Aluísio Mendes (PSC). No cenário atual, são fortes as evidências de que esses grupos dificilmente se juntarão em torno de um candidato de consenso que sirva de plataforma e garanta palanque ao presidente, a corrida pela reeleição.

Apontado e assumido como o mais dedicado aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Maranhão, o senador Roberto Rocha, que tentando construir uma agenda mais voltada para o estado, sinalizando, aqui e ali, ser pré-candidato à sucessão do governador Flávio Dino, sem ter feito até agora um pronunciamento claro e definitivo sobre o assunto. Ao mesmo tempo, o senador vem dando seguidas demonstrações de que está politicamente fragilizado, à medida que não exibe pelo menos uma ideia de grupo, contrariando a tradição segundo a qual candidatura majoritária, no caso senador e governador, via de regra dependem da força de grupo para ser viabilizada. Evidente que Roberto Rocha não é uma ave solitária e deve ter aliados e eleitores. Ao mesmo tempo, não há como negar que no campo partidário ele é atualmente um político sem um suporte partidário para disputar o Palácio dos Leões. Aposta todas as suas fichas numa dobradinha com Jair Bolsonaro, que, vale lembrar, amarga elevada rejeição no Maranhão.

Nesse campo, o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, construiu e vem “vendendo” um projeto de candidatura a governador com uma campanha estadual e cara, com centenas de outdoors coloridos, que seriam bancados por um movimento de direita que resolveu pagar para ver em relação ao seu projeto.   Provavelmente pelo conhecimento que tem da situação do presidente no consenso do eleitorado maranhense, adotou um discurso de independência, dizendo-se ligado à corrente que hoje critica o Governo Bolsonaro e afirmando não ter qualquer relação com o presidente da República.  E mais ainda: não quer o seu grupo identificado com o bolsonarismo radical, cultivado presidente Jair Bolsonaro. Não se sabe até onde vai o fôlego do prefeito de São Padro dos Crentes, que afirma, sem nenhum pudor, ser o melhor gestor municipal do Maranhão.

Bolsonarista assumida desde a campanha presidencial, a prefeita Maura Jorge, que ainda está filiada ao PSDB, tem uma situação complicada para resolver. Se quiser permanecer tucana, terá de se alinhar ao projeto de candidatura do vice-governador Carlos Brandão, hoje o manda-chuva do ninho dos tucanos no Maranhão. Se optar por se manter na fluida base bolsonarista, terá de deixar o PSDB. Independentemente de qual será o seu futuro partidário, o que parece certo é que Maura Jorge não parece disposta a cometer o desatino de deixar o comando da Prefeitura de Lago da Pedra para se candidatar ao Governo sob a bandeira bolsonarista. Por sua vez, a deputada Mical Damasceno, que ganhou o controle do PTB sem fazer qualquer esforço para tanto, curte o fato de haver-se transformado numa comandante partidária, com a perspectiva de se tornar o braço do bolsonarismo no estado, o que poderá tira-la da aliança dinista.

No contexto oposicionista, dois partidos têm posições bem claras. O PSD, comandado pelo deputado federal Edilázio Jr., pretende lançar candidato próprio ao Governo, mas deve defender a bandeira bolsonarista na corrida presidencial. O mesmo deve acontecer com o PSC, controlado pelo deputado federal Aluísio Mendes.

Chama atenção o fato de esses partidos e suas lideranças, mesmo tendo o presidente Jair Bolsonaro como sua referência na corrida presidencial, encontram-se totalmente distanciados no que diz respeito à sucessão no Governo do Estado. E não será surpresa se parte deles vier a abandonar o barco bolsonarista e embarcar no galeão dinista.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Entrada de Jefferson Portela complica mais ainda a disputa para a Câmara Federal

Jefferson Portela no PDT

A filiação do secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela, ao PDT, com o especulado objetivo de concorrer a uma cadeira na Câmara Federal, reforça mais ainda a tese da Coluna segundo a qual a eleição dos 18 deputados federais maranhense será bem mais complexa do que a eleição do governador e do senador. O peso dos nomes que se preparam para essa guerra dentro do confronto maior sugere que a briga por esse voto será bem mais intensa do que as demais. Vale o registro dos candidatos a deputado federal na seara governista: Marcio Jerry (PCdoB) e Rubens Júnior (PCdoB) – candidatos à reeleição -, Simplício Araújo (Solidariedade), que é primeiro suplente de deputado federal¸ Carlos Lula (PSB), Felipe Camarão (PT) e agora Jefferson Portela (PDT). Além deles, o deputado Duarte Jr. (Republicano), que, tudo indica, caminha para um mandato federal. Esse grupo, para garantir a eleição, vaio precisar de mais de meio milhão devotos

 

Pesquisa XP/Ipespe: Lula venceria Bolsonaro se a eleição fosse agora

Lula da Silva vantagem sobre Jair Bolsonaro, segundo pesquisa

Nova pesquisa XP/Ipespe para medir os cacifes dos que estão buscando se viabilizar para a presidência da República, trouxe mais uma indicação de que o presidente Jair Bolsonaro (ainda sem partido) deverá fazer as malas para sair do Palácio da Alvorada entregando as chaves para o ex-presidente Lula da Silva (PT). O levantamento diz que o ex-presidente Lula da Silva tem nada menos que 45% contra 36% do presidente Jair Bolsonaro. No 1º turno, Lula da Silva teria 32% dos votos e Jair Bolsonaro sairia das urnas com 28%. Além deles, o ex-ministro Sérgio Moro, teria 7%, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) aparece com 6% das intenções de voto, seguido de Luciano Huck com 4%. O Ipespe fez 1.000 entrevistas por telefone, de abrangência nacional, nos dias 7, 8, 9 e 10 de junho. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais.

São Luís, 13 de Junho de 2021.

Indefinições partidárias mexem com políticos e grupos no cenário pré-eleitoral

 

Flávio Dino, Roberto Rocha e Edivaldo Holanda Jr.: vivem indefinições partidárias com vieses muito diferentes

À medida em que se aproxima a edição do calendário para as eleições gerais de 2022, as indefinições partidárias ganham peso   nas decisões que serão tomadas pelas lideranças políticas de agora por diante. Três casos de futuro partidário ainda incerto movimentam o cenário da corrida eleitoral no Maranhão, pelo fato de que as definições poderão causar alterações expressivas em grupos e projetos de candidatura. Eles envolvem o governador Flávio Dino (PCdoB), o senador Roberto Rocha (sem partido) e o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (sem partido). Os três, para os quais as eleições do ano que vem serão decisivas por razões diversas, vivem situações que vão do poder de escolher entre várias opções, podendo ficar onde estão sem maiores perdas, à angustiante redução drástica das alternativas, que pode resultar em desastre político e eleitoral.

O governador Flávio Dino vive o que se pode chamar de situação partidária confortável, ainda que seu partido, o PCdoB, corra o sério risco de ser barrado na comunidade de partidos amparados pela legislação em vigor no País. Tem portas abertas no PSB, no PT, no PDT e até no PSDB, mantendo conversa mais promissora com os socialistas. Flávio Dino não quer deixar o PCdoB, gosta do seu partido. Tanto que antes de decidir para onde irá, aposta em projeto de Lei, em trânsito na Câmara Federal, prevendo a criação de “federação” partidária, que permite que dois ou mais partidos se juntem, mas sem perder as suas personalidades ideológicas e suas linhas doutrinárias. Se o projeto não passar, ele poderá migrar para o PSB, o que, se confirmado, será um tiro mortal no PCdoB. Mas nada perderá se permanecer no seu partido, mantendo a legenda forte no Maranhão, pelo menos até as eleições. Deve bater martelo em pouco tempo, consolidando assim o seu projeto de disputar o Senado, distante que está da corrida presidencial.

O senador Roberto Rocha vive uma situação radicalmente inversa. Ele se elegeu pelo PSB, migrou de volta para o PSDB, perdeu o controle do ninho e agora encontra-se no barco dos “sem-partido”. Essa trajetória de perdas partidárias se deu depois que o senador rompeu com aliados da esquerda e centro-esquerda ao se converter, de maneira quase obstinada, ao bolsonarismo. Ao deixar o PSDB, por pressões internas, decidiu aguardar o presidente Jair Bolsonaro escolher um partido, para acompanhá-lo na nova legenda. Só que o presidente está enfrenando dificuldades para encontrar um partido para chamar de seu, levando Roberto Rocha a amargar uma dramática redução de opções. Em fim de mandato, sem perspectiva de reeleição e inclinado a encarar uma disputa dificílima para o Governo do Estado, o senador continua sem saber por qual bandeira partidária se candidatará.

Se não vive o conforto partidário do governador Flávio Dino, o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr., também não amarga a dramática falta de opções que vem dificultando a vida do senador Roberto Rocha. Edivaldo Holanda Jr., que iniciou a carreira pelo nanico PTC, hoje um partido “fantasma”, se consolidou político no PDT, de onde saiu após deixar a Prefeitura, mergulhando na indefinição. As conversas que manteve até agora não deram bons resultados, causando a impressão de que o ex-prefeito se debate com o fantasma do isolamento. Nas últimas horas, correu a especulação de que ele estaria em conversas com PSD, controlado no estado pelo deputado federal Edilázio Jr., sarneysista de origem e apoiador assumido do Governo Bolsonaro. Os especuladores dizem que o PSD o quer para candidato a governador, projeto alimentado também pelo ex-prefeito. O fato é que, se não fechar com o PSD, Edivaldo Holanda Jr. terá dificuldade para encontrar um partido.

A questão partidária relacionada com as eleições do ano que vem vai muito além de casos como esses. Há deputados estaduais – como Duarte Jr., que está no Republicanos, mas deve migrar para PSDB ou PL – e federais nessa situação. Essa questão está presente também entre muitos prefeitos que, diante da movimentação pré-eleitoral, sinalizam a intenção de mudar de partido.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Partido de Braide está sendo cobiçado por deputados com problemas partidários

Eduardo Braide vai tratar de eleição, mas em outro momento

Rumores que circulam nos bastidores da política de São Luís dizem que deputados estaduais e federais estariam mandando recado para o prefeito Eduardo Braide pleiteando espaço no Podemos. Eles estariam insatisfeitos e inseguros nas suas legendas, temendo reveses que podem comprometer seus projetos de reeleição. O prefeito Eduardo Braide tem interesse de fortalecer o seu partido estadualizando suas ações em busca da sonhada capilaridade. Teria assumido o compromisso de turbinar a agremiação, o que pretende fazer no próximo pleito, cumprindo assim o compromisso que assumiu como comando nacional do partido. Político exigente, Eduardo Braide quer dar estatura ao Podemos, atraindo para a legenda quadros com boa qualificação política e bom potencial eleitoral. Com isso, ele atenderá à expectativa da direção nacional e construirá um suporte para o seu próximo passo nas urnas, que deve ser a reeleição em 2024 e – quem sabe? – a disputa pelo Governo do Estado em 2026. Certamente ele abrirá espaço na sua agenda para conversas políticas, mas só deve fazer isso no início do ano que vem, sob o argumento de que agora toda sua atenção está voltada para a guerra ao novo coronavírus.

 

Apoio do PSB a Weverton Rocha não vale sem o aval de Bira do Pindaré

PSB: apoio a Weverton Rocha depende do aval de Bira do Pindaré

Partidários do senador Weverton Rocha (PDT) têm insistido que o PSB está fechado com o seu projeto de candidatura. Não é exatamente o que está acontecendo. É verdade que o presidente do partido no Maranhão, Luciano Leitoa, fez uma declaração de apoio ao senador na presença do presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira. Mas esqueceu de combinar com o deputado federal Bira do Pindaré, hoje o nome mais importante do PSB no Maranhão. Explica-se. No Brasil atual, o que interessa aos partidos é ter representação na Câmara Federal, porque são os deputados federais que expressam o tamanho e o poder de fogo do partido, independentemente do número de deputados estaduais, prefeitos, vereadores e até mesmo de senadores. O presidente Luciano Leitoa está sem mandato, e pelo que se sabe, vai investir no projeto de eleger seu pai, o ex-prefeito Chico Leitoa (PDT), para a Câmara Federal, devendo tentar eleger-se deputado estadual. Se essa equação for mantida com a reeleição de Bira do Pindaré, continuará sendo ele o nome do PSB no Maranhão, tendo seu poder de fogo aumentado se o secretário Carlos Lula (Saúde), também conquistar mandato federal pelo partido. Ou seja: a declaração de apoio do PSB ao senador Weverton Rocha, feita pelo ex-prefeito Luciano Leitoa não tem como se sustentar se o deputado Bira do Pindaré não disser amém.

São Luís, 10 de Junho de 2021.

Othelino Neto se diz pronto para disputar Senado ou reeleição para a AL, mas pode também ser vice

 

Othelino Neto pronto para disputar o Senado, a reeleição para a AL e até ser candidato a vice

De todos os novos quadros políticos de expressão no Maranhão que no momento se movem para ajustar as bússolas aos destinos que buscarão nas urnas no ano que vem, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), é o que vive a situação mais diferenciada. Politicamente, ele pertence ao PCdoB, segue alinhado ao governador Flávio Dino (PCdoB), mas atua fora da curva do partido como o nome de maior peso no núcleo básico de apoio ao projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) ao Governo do Estado. Partidariamente, poderá permanecer no PCdoB, mas poderá seguir o governador Flávio Dino se ele vier a migrar para o PSB, ou ainda dar um passo mais arrojado: migrar para o PDT. No que respeita à disputa eleitoral, Othelino Neto admite que alimenta o projeto de ser candidato ao Senado, caso o governador Flávio Dino abandone esse projeto e entre na corrida presidencial como o vice do ex-presidente Lula da Silva (PT). Ou então seguir a lógica mais elementar: buscar a reeleição para a Assembleia Legislativa.

Esse cenário foi desenhado por ele próprio, ontem, em entrevista à TV Mirante. Sobre o tema candidatura, ele declarou o seguinte: “O projeto de disputar o Senado está condicionado à decisão do governador Flávio Dino. Ele tem me dito que será candidato a senador. E ele sendo, terá o meu apoio. Caso ele vá para outro voo – há quem diga, por exemplo, que ele é sondado para ser vice do ex-presidente Lula, que disputará a presidência, aí, claro, eu vou reavaliar. Eu tenho me preparado para esse projeto. Agora, é um projeto de grupo, e a decisão disso será no momento oportuno. Eu não sendo candidato a senador, serei candidato a deputado estadual”.

Em relação ao seu futuro partidário, o presidente da Assembleia Legislativa respondeu: “Estou assistindo, aguardando. Estamos em discussões internas. O governador saindo do partido, de fato, muda o cenário. Então, tem a hipótese de eu permanecer no PCdoB, de acompanhar o governador no PSB – que é o partido com o qual ele tem estabelecido diálogo mais frequente -, e tem a possibilidade de eu me filiar ao PDT. Essas são hipóteses que eu considero e que no momento oportuno tomarei a decisão”.

As duas declarações mostram que Othelino Neto encontra-se navegando num turbulento mar de incertezas, mas com o diferencial de que ele sabe exatamente até onde poderá avançar sem perder o norte. Ele tem consciência de que a candidatura ao Senado é uma hipótese cada vez mais distante, porque ganha corpo a cada dia a certeza de que esse será o caminho do governador Flávio Dino. Mas como em política o tempo muda radicalmente de uma hora para outra, é inteligente trabalhar com a possibilidade, ainda que remota, de o governador Flávio Dino refazer seus planos e embarcar numa dobradinha com Lula na corrida presidencial. Isso sem deixar de lapidar cuidadosamente o projeto de reeleição para a Assembleia Legislativa, um porto bem mais seguro.

Quando alinhava as hipóteses do que poderá encarar na seara partidária, o deputado Othelino Neto admite permanecer no PCdoB, migrar para o PSB ou sentar praça no PDT, que parece ser o seu destino partidário mais viável. Nesse caso, há quem o veja como forte candidato a vice-governador, na remotíssima hipótese de o senador Weverton Rocha adiar para 2026 o seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões.

Uma avaliação cuidadosa e isenta leva à conclusão de que o presidente da Assembleia Legislativa está se movendo no tabuleiro da política com grande dose de ousadia, mas também com os pés fincados no chão. Isso porque, com a experiência quer acumulou nos três anos e meio no comando do parlamento estadual, um político com a sua formação e o horizonte que enxerga não tem o direito de errar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

MDB em contagem regressiva para mudar comando no Maranhão

Com o apoio de Roberto Costa, Roseana Sarney assumirá o comando do MDB no Maranhão

O MDB começa a contagem regressiva para mudar o seu comando e definir seu rumo para as eleições do ano que vem. No que diz respeito ao comando, uma convenção extra do partido, a ser realizada até o fim deste mês, encerrará a “Era João Alberto”, que durou quase três décadas, e iniciará a “Era Roseana”, cuja durabilidade é impossível de ser prevista. A mudança é o primeiro passo de um grande acordo negociado dentro do partido, que hoje tem como coluna metra a chamada ala jovem, comandada pelo deputado estadual Roberto Costa.

É sabido que o MDB não lançará candidato às eleições majoritárias (governador e senador), mas Roseana Sarney quer fortalecer o braço maranhense do partido elegendo pelo menos três deputados federais, ela própria e Hildo Rocha e João Marcelo, que tentarão a reeleição. Nos cálculos de roseanistas mais entusiasmados, ela poderá “puxar” mais um, dando ao partido quatro deputados federais, o que aumentará consideravelmente o seu prestígio no comando nacional do MDB, que tem o ex-presidente José Sarney como presidente de Honra.

 

Curiosidade: Edilázio Jr. e César Pires no evento político de Weverton Rocha em Imperatriz

César Pires e Edilázio Jr. prestigiaram o evento de Weverton Rocha em Imperatriz

O registro fotográfico da reunião política realizada em Imperatriz pelo senador Weverton Rocha (PDT) revelou uma informação surpreendente: a participação do deputado federal Edilázio Jr. (PSD) e do deputado estadual César Pires (que está deixando o PV e migrando para o PSD) no evento. A explicação oficial foi a de que Edilázio Jr., que preside o partido no Maranhão, estaria visitando aliados na região. Outras vozes, no entanto, sopram que Edilázio Jr. e César Pires estariam inclinados a levar o PSD para turbinar o projeto de candidatura do senador Weverton Rocha ao Governo do Estado, seguindo a inclinação do MDB por esse projeto. Os próximos lances dirão o que de fato está por trás da presença de Edilázio Jr. e César Pires num evento político de Weverton Rocha em Imperatriz.

São Luís, 09 de Junho de 2021.

Entrada de Felipe Camarão no PT consolida a aliança de Flávio Dino com Lula para 22

 

Felipe Camarão: um dos ases de Flávio Dino ingressando no PT

Depois de uma temporada sem muito sentido no DEM e de ter sido objeto de ondas sazonais de especulação, o advogado Felipe Camarão, prestigiado secretário de Estado da Educação, anunciou ontem o primeiro passo do seu futuro político: está se filiando ao PT. Nas declarações que deu sobre a decisão, ele não foi taxativo quanto ao mandato que pretende disputar, mas a julgar pela repercussão do anúncio e da reação nada cordata do deputado federal petista Zé Carlos, em princípio ele se prepara para disputar uma cadeira na Câmara Federal, embora haja quem o aponte como um bom candidato a vice. Mais do que uma simples filiação partidária, o movimento do secretário para se converter ao petismo de olho nas urnas ganhou o peso de uma definição que vai muito além do fato em si. Isso porque nele pode-se ler também que a aliança do PT com o grupo liderado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) está selada, para funcionar na corrida ao Palácio do Planalto e ao Palácio dos Leões.

Felipe Camarão não é um quadro qualquer. Nos últimos anos, ele vem construindo uma carreira surpreendente, que passou pelo Procon, pela Secretaria de Administração e agora na Secretaria de Estado da Educação, onde capitaneia, com eficiência indiscutível, o mais arrojado programa educacional do Maranhão nas últimas décadas, cuja importância pode ser medida em dois dos seus vários projetos: o IEMA e o Escola Digna, reconhecidos como inovadores – há quem os veja como revolucionários – dentro e fora do Maranhão. A competência com que “atropela” os obstáculos e movimenta o Sistema Estadual de Educação e a desenvoltura no relacionamento social o transformaram num dos ases da equipe comandada pelo governador Flávio Dino e lhe deram autoridade para entrar na seara política. É quase unânime a impressão de que ele se dará bem nas urnas.

A opção pelo PT não foi por impulso. Assim como a quase certa filiação do secretário de Estado da Saúde, o também destacado Carlos Lula, outro ás do atual Governo, ao PSB, o ingresso de Felipe Camarão no PT se mostra como parte de uma estratégia inteligente e bem armada do governador Flávio Dino de manter unida a base da aliança partidária que lidera, mas sem mexer com seus aliados do centro e da direita. No PT, Felipe Camarão funcionará ao mesmo tempo como uma alavanca para o partido ganhar força no Maranhão inteiro e como parte de uma grande articulação que poderá levá-lo à condição de candidato a vice-governador na chapa do vice, que na época será governador, Carlos Brandão (PSDB), ou do senador Weverton Rocha (PDT). Sua filiação, portanto, não é um simples movimento pessoal.

O PT, por sua vez, ganha, e muito, com a filiação de Felipe Camarão. O braço maranhense do partido é consolidado, reúne bons quadros, mas depois que perdeu nomes como Domingos Dutra e Bira do Pindaré, não conseguiu destacar militantes que façam a diferença numa campanha eleitoral. O atual secretário de Educação é jovem, carismático, respeitado e muito ativo, com potencial para fazer a diferença numa corrida às urnas, como candidato a mandato proporcional ou majoritário. “Como membro do PT vou ser um militante, vou lutar com todas as minhas forças para eleger o presidente Lula”, disse, em conversa com jornalistas, sinalizando que irá à guerra eleitoral com a mesma disposição com que comanda a política educacional do governo dinista.

É fato, portanto, que com esse movimento, está amarrada de vez a aliança do PCdoB com o PT no Maranhão. O desenho ficará mais nítido no próximo dia 13, data limite definida pelo governador Flávio Dino para resolver o seu futuro partidário.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton visita obra de hospital e faz reunião política em Imperatriz

Weverton Rocha (centro) reunido com vereadores e com o ex-prefeito Ildon Marques 

O senador Weverton Rocha (PDT) fez uma intensa incursão no Sul do estado durante o fim de semana. A parada mais animada foi em Imperatriz, onde inspecionou a construção do Hospital do Amor, obra financiada com emenda parlamentar por ele destinada. Ali, como um entusiasmado executivo, o senador curtiu a cria informando-se de cada detalhe da implantação do projeto. Em seguida, fez o que mais gosta: reuniu vereadores imperatrizenses, representantes do prefeito Assis Ramos (DEM), que não pôde comparecer, e com o ex-prefeito Ildon Marques (PP).

Weverton Rocha atua como que cumprindo uma rotina parlamentar, mas seus gestos denotam que ele está em pré-campanha aberta, com programação cuidadosamente definida para não perder tempo. Ao reunir vereadores e personalidades como o ex-prefeito Ildon Marques, o senador não deixa qualquer dúvida de que sua ação político-parlamentar nesse período tem as urnas de 22 como objetivo. Ele tem reforçado o seu projeto de candidatura ao Governo do Estado, e seu nome para mostrar força política e potencial eleitoral.

 

Bolsonaro “segura” filiação ao Patriotas e trava caminhada de Roberto Rocha

Roberto Rocha deve seguir Flávio Bolsonaro, já no Patriotas

Conhecida e respeitada pela exatidão das suas informações, a coluna política do jornal O Estado de S. Paulo, o Estadão, publicou uma informação que pode prejudicar o senador Roberto Rocha, atualmente sem partido e à espera de uma definição partidária do presidente Jair Bolsonaro. Segundo a coluna, o presidente puxou o freio de mão da sua filiação ao Patriotas, adiando sem previsão a solução do problema. De acordo com a coluna do Estadão, o presidente Jair Bolsonaro não está preocupado em apressar seu ingresso em um partido, podendo arrastar essa decisão até Setembro, quando terá de resolver, querendo ou não, essa pendência. Se não preocupa o presidente, esse adiamento cria um embaraço considerável ao senador Roberto Rocha, que precisa resolver sua vida partidária o quanto antes, para poder colocar em ação o seu projeto de candidatura sob pena de enfrentar situação bem mais difícil do que a que já enfrenta na pré-campanha ao Governo do Estado.

São Luís, 08 de Junho de 2021.