Todos os posts de Ribarmar Correa

Encontro de Weverton com Lula mostra que o senador está determinado a consolidar projeto de poder  

 

Weverton Rocha e Lula da Silva: encontro em Brasília tratou do Brasil e do Maranhão

Em meio à medição de forças que trava com o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) na disputa pela vaga de candidato ao Palácio dos Leões pela aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), o senador Weverton Rocha (PDT) marcou tento importante ao se encontrar com o ex-presidente Lula da Silva (PT), nesta Terça-Feira, em Brasília, durante jantar com a bancada petista no Senado, com a participação da presidente da legenda, deputada federal Gleise Hoffmann. Weverton Rocha foi recebido como um parceiro de sempre, dispensando o mesmo tratamento ao ex-presidente. Os dois conversaram sobre o Brasil e o Maranhão, provavelmente rascunhando as bases de uma relação que pode produzir frutos importantes na corrida eleitoral do ano que vem. Não foi por acaso que o líder do PT no Senado, o senador paraense Paulo Rocha, convidou o senador maranhense para um jantar do qual participaram apenas senadores petistas. Ambos têm interesse maiúsculo numa boa relação PT/PDT na importante e decisiva corrida eleitoral que se aproxima.

Da parte do senador Weverton Rocha, interessa sobremaneira uma aliança do PT com o PDT no Maranhão no bojo do seu projeto de candidatura. O senador sabe que o PT tende a se inclinar para uma aliança com o PCdoB em apoio ao projeto de candidatura do vice-governador Carlos Brandão. Tem consciência de que o posicionamento do PT maranhense depende do caminho a ser traçado pelo governador Flávio Dino com o líder petista. Daí a importância vital do estreitamento da relação com o ex-presidente. Weverton Rocha avalia, com faro de raposa, que o apoio do PT tem peso importante na disputa do Governo do Maranhão. Tanto que o governador Flávio Dino trata o partido de Lula da Silva como parte da aliança partidária que lidera, com espaço no Governo e, mais recentemente, com a indicação do deputado petista Zé Inácio como vice-líder do Governo na Assembleia Legislativa.

Da parte de Lula da Silva, uma boa relação com o senador maranhense tem importância no jogo sucessório. O ex-presidente sabe que Weverton Rocha, por haver herdado o comando do partido fundado pelo ex-governador Jackson Lago, e pela ligação que mantém com a cúpula do partido, da qual faz parte, agora mais ainda como senador, tem grande peso nas decisões do PDT. O comando petista vê a pré-candidatura do ex-governador cearense Ciro Gomes como um obstáculo ao projeto do PT de voltar ao Poder com a candidatura de Lula da Silva ao Palácio do Planalto. O senador Weverton Rocha bem que pode intermediar uma negociação que possa resultar num acordo ligando Lula da Silva e Ciro Gomes, fechando uma aliança PT/PDT no plano nacional, com reflexo integral no Maranhão.

Em política, o que é aparentemente viável muitas vezes não chega sequer a ser configurado como uma possibilidade. No Maranhão, mesmo levando em conta o fato de que recentemente o PT se manteve por mais de uma década aliado ao MDB, tendo apoiado a candidatura de Lobão Filho contra Flávio Dino em 2014, a relação do partido de Lula da Silva com o PCdoB mudou radicalmente. Flávio Dino e o PCdoB estiveram na linha de frente contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e na cruzada contra as condenações e a prisão do ex-presidente. Hoje, mesmo considerando que na política do Maranhão ´boi voa com asa quebrada`, no dizer de velhas raposas, é impensável uma disputa pelo Palácio dos Leões e pelo Palácio do Planalto com o PT em lado oposto ao PCdoB.

A política, vale lembrar, evolui com conversa, e a ida de Weverton Rocha a Lula da Silva mostrou que o senador está determinado a consolidar seu projeto de candidatura, e que as portas no PT estão abertas para conversa, por mais previsível que seja o seu desfecho neste caso.


PONTO & CONTRAPONTO

 

Com troca de comando na Educação, Braide mandou recado direto à equipe

Eduardo Braide: recado direto

Ao trocar o comando na Secretaria Municipal de Educação, tirando a vice-prefeita Esmênia Miranda (PSD) e nomeando o economista Marcos Moura, além de tomar uma providência administrativa arrojada e destinada a dar uma nova dinâmica à pasta, na qual os estragos causados pelo novo coronavírus são particularmente dramáticos, o prefeito Eduardo Braide (Podemos) mandou um recado direto e sem rodeios: não existe “indemissíveis” na sua equipe. Com isso, o prefeito de São Luís reafirma o discurso de campanha segundo o qual sua equipe será avaliada pelo desempenho, e não por relações pessoais ou políticas. Fonte com trânsito na Prefeitura de São Luís, incluindo o Palácio de la Ravardière, avalia que o recado foi entendido com clareza, mas sem surpresa para muitos. Esses já sabiam que o prefeito é exigente e meticuloso, e com uma característica que faz toda diferença: é estudioso e obcecado pelo trabalho, o que aumenta sua autoridade.

 

Roberto Costa diz que MDB se renova e está aberto ao diálogo

Roberto Costa: MDB está aberto ao diálogo com todas as correntes

“O MDB tem de olhar para frente e não para o retrovisor”. Foi o que disse ontem o vice-presidente e principal articulador do partido, deputado Roberto Costa, em discurso na Assembleia Legislativa, no qual afirmou que o MDB está em busca de um caminho que o leve a um futuro adequado no contexto político estadual, por meio do diálogo. Isso quer dizer que o MDB está aberto a conversas com o PDT, em torno do senador Weverton Rocha, ou com o PSDB, visando participar do projeto de candidatura do vice-governador Carlos Brandão. “Podemos dialogar até com o governador Flávio Dino (PCdoB)”, disse o líder da ala jovem, que vem sacudindo o MDB e atualizando suas principais lideranças, como a ex-governadora Roseana Sarney.

O discurso do deputado Roberto Costa é direto. Ele defende que o MDB abra e mantenha canais de diálogo com as mais diferentes correntes partidárias, de modo a encontrar parceiros confiáveis, com os quais possa dialogar somar forças. “Temos a compreensão da importância que o nosso partido tem no processo político e sabemos acima de tudo que nós temos que ter a responsabilidade não de olhar para o retrovisor, mas de visualizar o futuro”, destacou.

E completou: “E quando a gente fala força política, as forças políticas, nós não estamos fazendo nenhum tipo de veto, absolutamente, de ninguém. Não tem problema em se pensar, em sentar e em discutir com o senador Weverton (Rocha), do PDT, ou com o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), podendo incluir o governador Flávio Dino (PCdoB). Isso não é acordo, é diálogo, que pode resultar, sim, na construção de um acordo no futuro”.

Vale lembrar que agora em Junho o MDB realizará convenção extraordinária para mudança de comando, já estando acertado que o comando partidário será entregue à ex-governadora Roseana Sarney.

São Luís, 06 de Maio de 2021.

Sem líder forte e sem projeto de poder, Oposição continua dispersada e sem futuro claro no Maranhão

 

Roberto Rocha atua sozinho, Roseana Sarney quer liderar MDB, Josimar de Maranhãozinho e Lahesio Bonfim se dizem candidatos, e Franklin Douglas pode  liderar a ultraesquerda

A 17 meses das eleições, que muitos avaliam como decisivas para o futuro do Maranhão, o tabuleiro político do estado está dividido em dois campos. O da Situação, forte, com rumo bem definido pela liderança do governador Flávio Dino (PCdoB) – que no momento cuida de administrar a medição de forças entre os dois aspirantes à sua sucessão, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e o senador Weverton Rocha (PDT) -, e o da Oposição, fraco, disperso e sem lideranças aglutinadoras, que funcionem como referência – a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) e o senador Roberto Rocha (sem partido), por exemplo. Além disso, só os movimentos do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), que continua dizendo-se pré-candidato a governador, e a solitária e zoadenta pré-campanha do prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSL) – ambas sem futuro visível. Nesse contexto, há quem aponte o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), como uma terceira via, mas tudo indica que ele gora está empenhado em justificar sua eleição com uma boa gestão, visando reeleger-se em 2024 para entrar na guerra pelo poder estadual em 2026.

O senador Roberto Rocha tem-se esforçado para ser visto como o principal nome da Oposição nesse momento, com cacife político para entrar na disputa pelo Governo do Estado contra Carlos Brandão ou Weverton Rocha, ou os dois, caso não cheguem a um acordo. E se prepara para ser o representante de proa do bolsonarismo no Maranhão disputando o Governo do Estado em alinhamento com a tentativa de reeleição do presidente Jair Bolsonaro, como ele, ainda sem partido. Só que até o momento Roberto Rocha não fez nenhum movimento no sentido de mobilizar esses grupos dispersos em torno do seu projeto. Ao contrário, todos os seus passos até aqui revelam uma trajetória solitária, como se desconhecesse que numa disputa majoritária não há lugar nem futuro para candidato sem grupo.

No caso da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) – que, segundo o deputado César Pires (PV) em entrevista ao blog do jornalista Jorge Vieira, está desanimada -, ela é a maior referência oposicionista da atualidade, mas depois de duas derrotas (2006 e 2018) e de uma aposentadoria confortável, não mostra interesse por uma disputa em que suas chances parecem remotas. Ela prefere organizar o MDB e incentivar candidaturas a deputado federal e a deputado estadual. Saudosa do jogo e das articulações, retornará ao cenário como líder partidária, no controle das rédeas emedebistas, mais inclinada a apoiar candidato do que a se candidatar e mergulhar no turbilhão das incertezas. Como ela, o braço maranhense do MDB está em busca de um parceiro na corrida majoritária, podendo apoiar Carlos Brandão, que tem alguma afinidade com o que restou do Grupo Sarney.

O retrato mais nítido da Oposição do momento no Maranhão é a imagem que mostra o deputado federal Edilázio Jr. e César Pires em São Paulo, reunidos com o ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab, tentando encontrar um rumo para o PSD no estado. De acordo com a assessoria do partido, Edilázio Jr. teria dito a Kassab que não apoiará nenhum dos nomes já postos para o Governo do Estado, admitindo apenas apoiar o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT), se ele entrar no PSD. Os movimentos indicam que essa é também a posição do deputado federal Aluísio Mendes, que comanda o PSC no Maranhão e até agora não disse como ele e seu partido se posicionarão na corrida à sucessão do governador Flávio Dino.

Todas as evidências sugerem que nenhum candidato oposicionista conseguirá mobilizar todos os grupos dispersados nas eleições de 2014 e 2018, nas quais a grande aliança liderada por Flávio Dino destroçou nas urnas as forças que lhe fizeram frente. E foi exatamente por falta de lideranças que essas correntes se perderam e se transformaram em grupos pequenos, controlados com mão de ferro por deputados federais e sem condições de conceber e viabilizar um projeto de poder que inclua uma candidatura de consenso ao Governo do Estado. Fora disso, só a ultraesquerda, representada por PSOL, PCB e UP, já se prepara para conversar e definir um rumo, que pode ser a candidatura do professor Franklin Douglas (PSOL) ao Governo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Deputadas têm atuação forte na voltadas sessões presenciais da Assembleia Legislativa

Ana do Gás, Daniella Tema e Thaiza Hortegal: atuação forte na Assembleia Legislativa

A bancada feminina atuou fortemente ontem, na volta das sessões presenciais na Assembleia Legislativa, comandada pelo presidente Othelino Neto (PCdoB). As deputadas Ana do Gás (PCdoB), Daniella Tema (DEM) e Thaiza Hortegal (PP) retornaram ao plenário com garra e com uma atuação produtiva.

Ana do Gás ocupou a tribuna para registrar, com ênfase, ações do Governo Flávio Dino por meio da Secretaria das Cidades e Desenvolvimento Urbano, comandada pelo presidente do seu partido, deputado federal Márcio Jerry. Começou destacando as ações em São Luís, como as sete praças inauguradas no Dia do Trabalho. A deputada elencou programas como o “Cheque Minha Casa” e as obras no Centro de São Luís, a exemplo do Shopping Rua Grande, construído por meio de incentivo do programa “Adote um Casarão”. E destacou: “Apesar desse período delicado, estão sendo construídas 300 casas para famílias de baixa renda nos municípios de Araioses, Conceição do Lago- Açu e Serrano do Maranhão, por meio do programa ‘Minha Casa, Meu Maranhão’. Gostaria de parabenizar, mais uma vez, o governador Flávio Dino e o secretário Marcio Jerry, pelo excelente trabalho desenvolvido em nosso estado”.

Daniella Tema (DEM) comemorou a sanção, pelo governador Flávio Dino, da Lei 11.455/2021, de sua autoria, que cria o selo “Empresa Amiga da Mulher”, dispositivo que beneficia o público feminino e incentiva as empresas maranhenses a promoverem ações e projetos para valorização da mulher e de combate à violência de gênero e ao feminicídio em suas instalações. De acordo com a deputada, que coordena a Frente Parlamentar de Combate e Erradicação do Feminicídio, da Assembleia Legislativa do Maranhão, a nova lei vai favorecer a visibilidade das pautas femininas, no âmbito estadual. “O combate à violência contra a mulher e a promoção dos seus direitos ainda é um trabalho que tem de ser feito diariamente e intensamente. Espero que tenhamos uma larga adesão do empresariado maranhense”, disse Daniella Tema.

A partir de amanhã, Quinta-Feira (6), a Agência Satélite Norte iniciará a venda de passagens de ferryboat da empresa Serviporto, na Rodoviária de Pinheiro. A iniciativa é fruto de uma solicitação feita pela deputada estadual Thaiza Hortegal (PP), atendida pela Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB). “Muito feliz com a concretização desse serviço que pleiteamos, o que é mais um avanço que tivemos na área. Ao longo do meu mandato, estamos sempre intercedendo junto à MOB, em favor dos usuários de ferryboat, e buscando melhorias reais. Agora, os passageiros contam com essa opção de compra de passagens, na própria Rodoviária de Pinheiro, o que facilita muito aos moradores, inclusive, o acesso a informações sobre as embarcações”, explicou a parlamentar.

 

PTB de Mical Damasceno continuará na base de Flávio Dino?

Mical Damasceno comandou a tropa bolsonarista na carreata de Domingo

Quando recebeu, no início do ano, a tarefa de comandar o PTB no Maranhão, na esteira de uma crise que tirou o deputado federal Pedro Lucas Fernandes da presidência e das fileiras do partido, juntamente com seu pai, o ex-presidente petebista e atual prefeito de Arame Pedro Fernandes, a deputada estadual Mical Damasceno parecia o nome mais improvável para comandar a hoje desfigurada agremiação partidária criada por Getúlio Vargas. Escolhida pelo chefe maior da sigla, o ex-deputado federal Roberto Jefferson, Mical Damasceno se encaixou perfeitamente no papel de chefe partidária, posição facilitada pela sua plena identificação com o ideário atual do PTB: o bolsonarismo na sua versão mais radical. O entusiasmo com que a deputada participou da carreata pró-Bolsonaro em São Luís, no último Domingo, confirmou sua posição no partido, mas levantou uma dúvida: o PTB vai continuar na base de apoio do governador Flávio Dino? Com a palavra, a deputada Mical Damasceno.

São Luís, 05 de Maio de 2021.

Corrida sucessória ganha intensidade com ataques e contra-ataques nos primeiros dias de Maio

 

Corrida sucessória: Jair Bolsonaro atacou, Roberto Rocha reforçou e Márcio Jerry rebateu, enquanto Josimar de Maranhãozinho manteve projeto, Weverton Rocha fez política parlamentar e Carlos Brandão intensificou articulações

Os movimentos registrados nesta Segunda-Feira, 03 de Maio, indicaram com clareza que a corrida sucessória no Maranhão começa, de fato, a entrar em ritmo intenso, como previra a Coluna em edições recentes. Ontem, o senador Roberto Rocha (sem partido), praticamente assumiu a condição de pré-candidato ao Palácio dos Leões, ao endossar uma provocação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dirigida ao PCdoB, mas tendo como alvo o governador Flávio Dino, o principal líder do partido, e duramente rebatida pelo presidente do PCdoB no estado, deputado federal licenciado Márcio Jerry, atual secretário das Cidades. Ao mesmo tempo, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), repetiu, num programa de TV, que é pré-candidato ao Governo do Estado. Nas últimas 48 horas, o senador Weverton Rocha (PDT) preferiu usar as redes sociais operando para reforçar sua relação com os trabalhadores, enquanto o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), com o sinal verde do governador Flávio Dino, aproveitou os três primeiros dias do mês para intensificar as articulações políticas em reforço à sua pré-candidatura.

A provocação do presidente Jair Bolsonaro dizendo que “Vamos arrancar o PCdoB do Maranhão” foi uma espécie de senha para o senador Roberto Rocha produzir e publicar nas suas redes sociais um cartaz com a “ameaça”, ao que acrescentou o seguinte comentário: “Tem meu apoio, presidente Jair Bolsonaro. Estamos Juntos”. A declaração do presidente e o complemento do senador foram um movimento devidamente combinado e destinado a funcionar como recado informando que Jair Bolsonaro vai mesmo “jogar pesado” para reverter sua sofrível presença política no Maranhão, usando para isso a candidatura de Roberto Rocha ao Governo do Estado como ponta-de-lança. O episódio confirmou informação da Coluna na edição de 16/04 sobre o projeto urdido nos gabinetes do Palácio do Planalto.

Direta e agressiva, a provocação do presidente Jair Bolsonaro e do seu lugar-tenente ao PCdoB não ficou incólume. Ato contínuo, o presidente do partido, Márcio Jerry, reagiu com petardo igualmente ácido: “Roberto Rocha não seria jamais senador sem o apoio do PCdoB em 2014. A propósito, após trair o grupo que o elegeu, o sonolento senador amargou uma acachapante derrota em 2018, quando rastejou em 2% dos votos”. A resposta do presidente do PCdoB foi uma mostra amena do que pode vir por aí se as provocações continuarem.

Em outra seara, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, em entrevista à TV Alternativa, reafirmou sua pré-candidatura ao Governo do Estado, avaliando que seu projeto é viável. Em meados de Abril, o deputado teria sido sondado por emissários do presidente da República sobre compor uma chapa com Roberto Rocha, mas logo declarou que a composição especulada não tinha fundamento. Dias depois, no início da semana passada, foi ao Palácio dos Leões para uma audiência com o governador Flávio Dino articulada pelo vice-governador Carlos Brandão. Em meio à repercussão, horas depois publicou em redes sociais que é candidato a candidato a governador. Fez o mesmo discurso na entrevista de ontem, sem conseguir, no entanto, desfazer a impressão de que caminha para uma aliança em torno de Carlos Brandão.

Os movimentos dos últimos dias impactaram o núcleo duro do projeto de candidatura do senador Weverton Rocha. Depois de uma semana intensa, durante a qual o projeto do pedetista foi atingido por uma incômoda denúncia do Ministério Público, o senador se manteve ativo com duras críticas ao Governo Bolsonaro e uma mensagem otimista aos trabalhadores no 1º de Maio. Por sua vez, o vice-governador Carlos Brandão deu seguidas demonstrações de que seu projeto de candidatura está de vento em popa, com sinais fortes de que poderá ter até mesmo o apoio de segmentos ligados ao sarneysismo, com os quais vem conversando discretamente.

Essa espécie de largada, que ganhou força com os passos dados pelo governador Flávio Dino no sentido de articular um grande acordo dentro da aliança que lidera, só tende a ganhar intensidade nos próximos meses, principalmente se o senador Roberto Rocha vier a entrar efetivamente no tabuleiro da sucessão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Braide muda comando da Educação sem crise com a vice-prefeita Esmênia Miranda

 

Esmènia Miranda deixou a Secretaria de Educação sem crise com Eduardo Braide

Poucas vezes uma mudança de comando numa pasta da Prefeitura de São Luís foi feita com naturalidade como a substituição da vice-prefeita Esmênia Miranda (PSD) pelo economista Marcos Moura na Secretaria Municipal de Educação. Num lance que revelou a soma de habilidade com autoridade, o prefeito Eduardo Braide (Podemos) fez a troca sem tensão nem trauma. O fato parece ter sido o resultado de um entendimento maduro, conversado. Provavelmente vencida pelo enorme desafio que está sendo reinventar o funcionamento do Sistema Municipal de Ensino – uma engrenagem complicada, com mais de 250 escolas e milhares de alunos e professores, além do pessoal administrativo – a vice-prefeita caiu em si e preferiu se recolher às funções protocolares, aparentemente sem uma ponta de mágoa.

O fato é a confirmação de que é um erro nomear vice-prefeito, vice-governador ou vice-presidente para cargo executivo. Via de regra não dá certo e deixa o prefeito em saia justa, à medida que demitir o seu substituto eventual é uma decisão que pode causar uma série de problemas.

Quase todos os casos de nomeação de vice para cargo executivo resultaram em problema. No plano nacional, o presidente Jair Bolsonaro nomeou o vice Amilton Mourão para o comando do Conselho da Amazônia e, embora esteja praticamente rompido com ele, não tem coragem de demiti-lo da função. Noutro cenário, o governador Flávio Dino mantém há seis anos uma relação produtiva e saudável com o vice-governador Carlos Brandão, a quem delega tarefas de natureza política ou diplomática, fazendo-o seu representante nas mais diversas situações e circunstâncias, obtendo excelentes resultados, uma vez que o Nº 2 cumpre rigorosamente suas orientações, jamais ultrapassando os limites da sua atuação.

Ao que tudo indica, é isso que o prefeito Eduardo Braide pretende para a vice-prefeita Esmênia Miranda.

 

Governo reforça segurança alimentar distribuindo 12 mil cestas em 10 municípios

Flávio Dino, entre Othelino Neto e Carlos Brandão, faz a entrega de cestas básicas

O governador Flávio Dino comandou ontem o ato em que o Governo do Estado, por meio do programa Comida na Mesa, posto em prática pela Secretaria de Agricultura Familiar, comandada pelo secretário Rodrigo Lago, enviou 12 mil cestas básicas para famílias carentes de 10 municípios – Anapurus, Belágua, Chapadinha, Itapecuru Mirim, Mata Roma, Nina Rodrigues, Presidente Vargas, São Benedito do Rio Preto, Urbano Santos e Vargem Grande. Realizado no Palácio dos Leões, o ato contou com a presença do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), de vários deputados – Wendell Lages (PMN), Thaiza Hortegal (PP), Paulo Neto (DEM) e Ana do Gás (PCdoB) – e do vice-governador Carlos Brandão (PSDB). Na semana passada, outras 12 mil cestas básicas foram encaminhadas às necessitadas outros 10 municípios.

O Comida na Mesa é destinado a reforçar a política de segurança alimentar nas regiões mais carentes do estado, sustentado em dois pilares: os 52 Restaurantes Populares em funcionamento atualmente, que vendem comida de qualidade a preços populares, e a distribuição de alimentos de forma direta, sendo parte deles produzidos por famílias de agricultores. Além disso, o Programa banca o gás de cozinha para famílias identificadas pelo Cadastro Único, entre outras ações. O Governo está investindo R$ 180 milhões na política de segurança alimentar

No ato da entrega dos alimentos aos prefeitos, o governador Flávio Dino assinalou que o seu Governo encara a pandemia do novo coronavírus enfrentando os problemas sanitários, sociais e econômicos: “Estamos com uma série de ações mitigadoras dos problemas nascidos da pandemia, entre os quais, a garantia da subsistência e segurança alimentar mínimas. O Comida na Mesa integra esse conjunto de medidas. Vamos continuar fazendo nossa parte, como Deus nos permite e nos dá energia, e essa união [com prefeituras e parlamento] é importante para manter o Maranhão como o estado de menor taxa de letalidade do Brasil. Essa é uma luta cotidiana e mostra que a união faz a força”.

Por sua vez, o secretário Rodrigo Lago, responsável direto pelo programa, destacou: “Hoje temos mais uma entrega do Comida na Mesa, para mais 10 cidades. Os alimentos são entregues para as prefeituras, que somam na distribuição, para amenizar a fome do povo do Maranhão. Parte destes alimentos são adquiridos da agricultura familiar. O programa, ao mesmo tempo em que garante renda aos produtores familiares, garantimos comida na mesa dos maranhenses”.

Em nome do Poder Legislativo, o presidente Othelino Neto assinalou: “É necessário que todos estejamos juntos para ajudar as pessoas nesse momento tão crítico. E esta é uma iniciativa importante, pois, além de realizar a distribuição de alimentos, também estimula a agricultura familiar, contribuindo para que superemos o mais rápido possível essas dificuldades”.

São Luís, 04 de Maio de 2021.

Sucessão: Dino abre contagem regressiva para definir candidato e unir base partidária na corrida às urnas

 

Flávio Dino vai administrar disputa entre Carlos Brandão e Weverton Rocha

Daqui a exatamente 11 meses, o governador Flávio Dino (PCdoB) renunciará a oito meses que lhe restarão no Governo para se candidatar à cadeira a ser aberta no Senado com o fim do mandato do senador Roberto Rocha (sem partido), passando o comando do Estado ao vice-governador Carlos Brandão (PSDB). Até lá, deve cumprir roteiro intenso nos campos administrativo e político, preparando a transferência do Governo ao sucessor, articulando a escolha do candidato à sua sucessão dentro da aliança partidária que lidera, e trabalhando duro para fortalecer a Oposição na corrida presidencial, podendo até mesmo, numa hipótese remota, vir a participar dessa disputa. Dos três pontos, o mais complicado é, sem sombra de dúvida, a montagem da equação para a sua própria sucessão, que já está em andamento com as pré-candidaturas do vice-governador Carlos Brandão, que não esconde seu objetivo, e do senador Weverton Rocha (PDT), candidato a candidato assumido e em franco movimento.

Todos os sinais emitidos até agora indicam que o governador tem preferência pelo projeto de candidatura do vice-governador, e por razões óbvias: trata-se de um aliado fiel, colaborador dedicado do Governo, representante sóbrio e emissário correto, que até aqui não cometeu qualquer deslize pessoal e político. Mesmo com essa inclinação, o governador não descarta avalizar a candidatura do senador, que considera válida, importante e dentro do contexto, se dispondo a apoiá-la sem problemas, se for o caso. Seu trabalho político, no entanto, está focado na escolha do nome que reúna as melhores condições para liderar a grande aliança em direção às urnas. Mesmo considerando as tendências que estão sendo delineadas, a definição virá com as conversas que travará com as lideranças partidárias da base, a partir de Julho, pretendendo chegar a Dezembro com a equação resolvida na forma de uma chapa consensuada na mesa de negociações.

No campo partidário, o senador Weverton Rocha vem levando a melhor, pelo menos por enquanto. Até o momento conta com o apoio declarado do PSL, do Republicanos e do PSB. No caso do PSB, o apoio foi declarado pelo presidente do partido, Luciano Leitoa, mas o presidente do PSB em São Luís, o deputado federal Bira do Pindaré, se mantém em silêncio, numa indicação de que tende a seguir o governador Flávio Dino, como fez no segundo turno da eleição em São Luís. E no caso do Republicanos, pelo menos metade dos 25 prefeitos eleitos pelo partido já teriam declarado apoio a Carlos Brandão, ainda que permanecendo no partido. O senador também ganhou força política com a declaração de apoio da senadora Eliziane Gama (Cidadania), mas aposta alto na força partidária para consolidar sua candidatura.

Por seu turno, ainda sem uma estrutura partidária forte, o vice-governador Carlos Brandão aposta alto na articulação política, jogo que conhece como poucos devido à rica experiência que viveu como chefe da Casa Civil do Governo José Reinaldo Tavares. No início da semana, articulou o reatamento do ex-governador José Reinaldo com o governador Flávio Dino, que o indicou para a diretoria de Relações Institucionais da Emapa, um cargo adequado ao status do antigo aliado. E três dias depois, Carlos Brandão articulou uma conversa do governador Flávio Dino com o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, líder do PL, e com ex-deputado federal Júnior Marreca, cujo filho, deputado federal Júnior Marreca Filho, controla o Patriotas no Maranhão. Ao deixarem o Palácio dos Leões, causaram a impressão de que podem vir a apoiar o vice-governador, ainda que o chefe do PL tenha mantido de pé sua candidatura ao Governo.

O fato é que até aqui o jogo permanece equilibrado entre o senador Weverton Rocha, que tem uma megaestrutura trabalhando diuturnamente a seu favor, e o vice-governador Carlos Brandão, que só conta até aqui com a força da articulação política e com a perspectiva de daqui a 11 meses ocupará o Palácio dos Leões como governador titular, condição com que disputará o Governo do Estado. É nesse meio de campo que o governador Flávio Dino jogará nos próximos meses em busca de um entendimento que junte as duas forças.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Governo entrega obras de urbanização em São Luís no Dia do Trabalho

Entre Carlos Brandão e Márcio Jerry, Flávio Dino entrega cartão de compra a catador de materiais no Dia do Trabalho, após entregar várias obras em bairros de São Luís

Ao contrário de outros tempos, quando comemorava o 1º de Maio com grande manifestação na Avenida Vitorino Freire, o governador Flávio Dino preferiu ato mais modesto, mas igualmente expressivo. Primeiro fez uma rodada de inaugurações sem São Luís, entregando obras de urbanização em diversos pontos da cidade, e depois entregando cartões de compra no valor de R$ 600 para catadores de materiais recicláveis, dentro de um programa de renda destinado a esses trabalhadores. Cumpriu a programação com entusiasmo, juntamente com o secretário Márcio Jerry, das Cidades e Desenvolvimento Urbano, responsável pelas obras e do vice-governador Carlos Brandão, que participou de alguns eventos.

Foram entregues sete obras de urbanização em diversos bairros, resultado de investimentos no valor de R$ 2,2 milhões.  Foram entregues a Praça da Ponta do São Francisco e praças para moradores dos bairros Vila Industrial, Vila Sarney, Vila Nova República (na zona rural), Residencial Ribeira e Residencial Piancó, na área Itaqui-Bacanga, e Recanto dos Signos, na região da Cidade Operária.

“São obras que valorizam os bairros onde a classe trabalhadora mora e garantindo direitos essenciais. Fizemos várias obras, para que tenhamos um dia da classe trabalhadora em que, nos seus locais de moradia e de trabalho, se sintam valorizados”, disse o governador Flávio Dino.

“Este momento de pandemia é de vacina, emprego e pão, que podemos dividir, celebrando o Dia do Trabalhador. Esta entrega é muito importante, da penúltima etapa da ponte do São Francisco, e vários polos da cidade com a entrega de obras e equipamentos públicos que melhoram a vida de nosso povo”, assinalou o secretário Márcio Jerry.

 

São Luís aplica 92% das doses de vacina que recebeu e ocupa 2º lugar nesse ranking

O prefeito Eduardo Braide acompanha vacinação de profissional da Saúde, numa operação eficiente

O prefeito Eduardo Braide (Podemos) tem motivos de sobra para sorrir no que diz respeito à vacinação contra o novo coronavírus. E o motivo principal é que São Luís é a segunda Capital que mais aplicou as doses de vacina recebidas do SUS através do Ministério da Saúde e do Governo do Estado. O levantamento mais recente feito pelo Localiza SUS, São Luís aplicou 92% das doses de vacina que recebeu, perdendo apenas para Maceió (RN), que alcançou 97% de aplicação das doses recebidas, enquanto que a Capital com pior desempenho é Goiânia, que aplicou apenas 40% das doses que lhe foram entregues pelo SUS. Todas as informações que circulam sobre vacinação indicam que a Capital do Maranhão foi uma das que melhor se estruturou para a vacinação. Os três centros de vacinação montados – Multicenter Sebrae, Universidade Federal e Estacionamento do Shopping da Ilha – têm funcionado de maneira eficiente, com equipes recebem as pessoas e as orientam, as que fazem a vacinação propriamente dita e registram no documento sanitário, e uma terceira que acompanham os vacinados imediatamente após a aplicação, de modo a prevenir eventuais reações. Um trabalho de excelência.

São Luís, 02 de Maio de 2021.

Legislativo e Judiciário retomam sessões presenciais para agilizar a justiça e esquentar a política

 

Otherlino Neto vai comandar sessões presenciais no plenário da Assembleia Legislativa, enquanto Lourival Serejo presidirá volta de desembargadores ao do TJ

Numa ação articulada entre suas cúpulas, a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Justiça, os dois Poderes colegiados do Maranhão, retomarão na segunda-feira (03) atividades presenciais, com a reabertura dos seus plenários e a volta do processo direto de decisões por meio do debate jurídico e do embate político. Não será uma retomada integral, por conta das cautelas ainda indispensáveis em relação ao novo coronavírus, o que exigirá a realização de sessões mistas – presenciais e remota, por videoconferência -, mas a volta do trabalho presencial de desembargadores e deputados estaduais será um fator importante na etapa de enfrentamento da pandemia. Isso porque as duas instituições – uma que responde pela aplicação da Justiça e a outra pela elaboração das leis e pela fiscalização da sua aplicação -, são referências decisivas na vida da sociedade. E o retorno, ainda que limitado, é uma sinalização muito positiva, à medida que as duas instituições dão um passo para voltar à normalidade, adotando procedimentos para a agilização do processo judicial e a dinâmica do processo legislativo e político.

Tanto a Assembleia Legislativa quanto o Tribunal de Justiça comunicaram a volta às atividades presenciais depois de avaliarem todos os vieses e riscos que uma decisão dessa natureza, em plena pandemia, pode produzir. Tanto o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), quanto o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Lourival Serejo, baixaram instrução normativa comunicando o retorno e fixando regras para a realização de sessões. Tanto no Poder Legislativo quanto no Poder Judiciário, as sessões serão realizadas mediante o cumprimento de um severo protocolo de cuidados, que incluem distanciamento, uso de máscara e álcool em gel, além da redução do número de servidores.

Nos dois casos, a volta não será integral. No parlamento, uma parte significativa dos deputados voltará a participar das sessões no plenário da Assembleia Legislativa, com um grupo menor atuando por vídeoconferência. Mesmo assim, o acesso ao Palácio Manoel Beckman será restrito, estando até a imprensa com espaço reduzido de atuação. As sessões plenárias do parlamento continuarão sendo transmitidas ao vivo em diversos canais. As mesmas limitações restringirão o acesso ao plenário do Tribunal de Justiça, sendo que parte dos desembargadores atuará por videoconferência. Os advogados também poderão ocupar a tribuna, desde que seguindo as regras protocolares. As sessões judiciárias serão também transmitidas ao vivo por canais da internet, como já o são.

A volta das sessões presenciais na Assembleia Legislativa ganha uma motivação extra. Isso porque os deputados estaduais, provavelmente sem exceção, estão a caminho das urnas e precisam, sobretudo, de visibilidade. O plenário do parlamento é o seu mais importante espaço de atuação, onde os grandes temas – como a pandemia e seus desdobramentos e consequências, por exemplo – são debatidos num saudável e necessário confronto de pontos de vista. É no plenário onde se dá o grande e saudável embate político, com o choque das diferenças, a troca de acusações, que ganham força à medida que se aproxima a corrida às urnas. A história tem mostrado que foi no confronto verbal, travado no plenário da Assembleia Legislativa do Maranhão, que várias pendências políticas foram resolvidas.

O deputado Othelino Neto e o desembargador Lourival Serejo são presidentes ponderados, com os pés no chão e absolutamente cientes em relação ao poder devastador do novo coronavírus, tanto que há um ano vêm mantendo o Palácio Manoel Beckman e o Palácio Clóvis Bevilacqua fechados ao público, funcionando com número reduzido de servidores. E protagonizaram um pioneirismo imprevisto ao colocarem os dois Poderes na era das sessões remotas por videoconferência, utilizando corretamente a tecnologia disponível. Essa forma de comunicação foi fundamental para garantir que a roda da história continuasse girando.

A volta das sessões presenciais fará com que Assembleia Legislativa e Tribunal de Justiça deem um passo importante e decisivo na direção da normalidade perdida com o desembarque do novo coronavírus no Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Especulação sobre chapa Carlos Brandão/Cleide Coutinho assanha os bastidores da sucessão

Especulação apontou Cleide Coutinho para vice de Carlos Brandão: complicado, mas possível

A especulação apontando a deputada estadual Cleide Coutinho (PDT) como nome de peso para ocupar a vaga de vice numa chapa encabeçada pelo vice-governador Carlos Brandão (PSDB) agitou ontem os bastidores da ainda corrida ao Palácio dos Leões. Os especuladores foram longe, montando uma equação de diversos fatores, com a possibilidade de um desfecho surpreendente.

Primeiro, Cleide Coutinho é do PDT, parece bem acomodada no partido, tem bom relacionamento com o senador Weverton Rocha, líder do seu partido e candidato a candidato assumido a governador. Logo, a deputada só poderia ser indicada para essa chapa se o senador desistisse da candidatura e declarasse apoio ao vice-governador, o que, no momento, parece improvável, se não impossível.

Depois, esse acordo teria de envolver o prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos a caminho do PSDB), hoje um dos esteios do projeto de candidatura de Carlos Brandão e adversário político figadal da líder do Grupo Coutinho.

Por outro lado, a especulação se torna viável à medida que, muito antes de ingressar no PDT e se aliar a Weverton Rocha, Cleide Coutinho foi muito ligada a Carlos Brandão, a quem apoiaria em 2006 se tivesse atendido pedido do governador José Reinaldo para votar em Flávio Dino, e com a concordância do próprio Brandão.

Em resumo: a especulação foi longe, mas a equação é viável se for articulada pelo governador Flávio Dino, montando um grande acordo pelo qual o senador Weverton Rocha abra mão de disputar o Governo agora, deixando para entrar na briga em 2006, tendo a vice Cleide Coutinho na cadeira principal do Palácio dos Leões.

Viagem grande, não? Mas possível, se levadas em conta as voltas que a política do Maranhão costuma dar. E a reação da deputada Cleide Coutinho sobre o assunto é reveladora: “Como ensinava meu saudoso e querido Humberto Coutinho, é sempre honroso ser lembrado para qualquer missão, e, como sempre, estarei à disposição para qualquer missão política que nossas lideranças me confiarem, hoje e sempre!”

 

Sarney e Bolsonaro: uma conversa muito difícil de ser imaginada

José Sarney recebeu Jair Bolsonaro em casa: diferenças profundas

Não surpreendeu a informação segundo a qual o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi à residência do ex-presidente José Sarney (MDB), em Brasília, em busca de ajuda para conter o poder de fogo do senador Renan Calheiros (MDB) como relator da CPI da Pandemia.

Aos 91 anos, José Sarney continua politicamente ativo, com lucidez impressionante e com pleno domínio do cenário político nacional a partir de Brasília, com forte influência dentro do MDB, no qual atua como conselheiro especialíssimo. Sua casa registra diariamente intensa movimentação de deputados federais e senadores, prefeitos e governadores em busca de boas orientações políticas, ou simplesmente para um rico dedo de prosa. Todos saem encantados com o refinamento e a habilidade política do ex-presidente.

Por isso é muito difícil imaginar uma conversa de José Sarney com Jair Bolsonaro.

São Luís, 01 de Maio de 2021.

Brandão intensifica articulação política e fortalece seu projeto de candidatura  

 

Flávio Dino entre Marcelo Tavares e Júnior Marreca (E) e Josimar de Maranhãozinho e Carlos Brandão no ato que reaproximou os chefes do PL e do Patriotas dos Leões  

Intensa agenda de compromissos oficiais no interior, negociações com porta-vozes do governo da China, e, além disso, ampliação do espaço político vêm transformando o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) num pré-candidato a governador com lastro cada vez mais amplo e sólido, e mais do que isso, avalizado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) que, por sua vez, estimula a pré-candidatura do seu mais fiel aliado. Ontem, por exemplo, por articulação do vice-governador, o deputado Josimar de Maranhãozinho (PL) e o ex-deputado federal Júnior Marreca, pai do deputado Júnior Marreca Filho (Patriotas), foram recebidos pelo governador Flávio Dino, em audiência no Palácio dos Leões. Durante a conversa depois de ouvir o parlamentar do PL reafirmar seu projeto de disputar o Governo do Estado, o governador o estimulou a seguir em frente, mas fazendo a ressalva de que, na avaliação dele, Carlos Brandão será reeleito. A informação foi postada no Twitter pelo próprio Josimar de Maranhãozinho, que reafirmou seu projeto de candidatura, mas deixando no ar a impressão de que poderá apoiar o futuro governador.

Reuniões como a de ontem têm ocorrido com frequência no Palácio dos Leões. E aos poucos, sem fazer alarde, mas também sem esconder os seus movimentos, o vice-governador vai consolidando sua posição, dando forma definitiva ao seu projeto de candidatura. No final da semana que passou, vale lembrar, Carlos Brandão intermediou o reatamento da relação política do ex-governador José Reinaldo Tavares com o governador Flávio Dino, consolidando assim o retorno do PSDB à base política do Governo.

A reunião de ontem no Palácio dos Leões pode resultar no apoio de Josimar de Maranhãozinho e seus aliados à futura candidatura do vice-governador à reeleição, uma vez que ela será consolidada quando Carlos Brandão estiver no comando do Estado, após a desincompatibilização do governador Flávio Dino para disputar o Senado. Com esses movimentos, Carlos Brandão vem conseguindo se firmar diante do rolo-compressor em que se transformou o seu principal concorrente, o senador Weverton Rocha (PDT), que saiu das eleições municipais com mais de 40 prefeitos e, logo em seguida, garantiu a Famem como o eixo central de suporte à sua candidatura com a reeleição do presidente Erlânio Xavier (PDT), prefeito de Igarapé Grande e principal articulador do projeto de poder do líder pedetista. Carlos Brandão também mirou a Famem, jogou o que podia jogar para eleger o prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), presidente da entidade municipalista, mas perdeu.

Agora, quando a corrida sucessória começa a ganhar corpo, com a etapa das montagens políticas ganhando intensidade, Weverton Rocha alimenta seu projeto de candidatura com os poderosos instrumentos do mandato senatorial, principalmente a milionária cota de emendas parlamentares. Por sua vez, Carlos Brandão, sem instrumentos semelhantes, joga com eficiência no campo da política, reforçando o seu projeto de candidatura com o retorno de aliados que haviam se afastado da aliança liderada pelo governador Flávio Dino, tendo o ex-governador José Reinaldo Tavares e o deputado federal Josimar de Maranhãozinho como exemplos. O primeiro entra com o prestígio de quem já comandou o Estado e conhece o jogo como poucos. O segundo é dono de uma respeitável máquina política e partidária que pode fortalecer qualquer projeto de candidatura.

Tanto quanto os movimentos do senador Weverton Rocha são monitorados e balizam os passos do vice-governador Carlos Brandão, os movimentos do futuro governador causam impacto nas cidadelas do líder do PDT, deixando seus aliados em estado de alerta máximo. A declaração do governador Flávio Dino se referindo ao seu vice como futuro governador certamente levará o senador a fazer mais uma demonstração de força, como uma declaração de apoio por parte de um peso pesado da política, como fez a senadora Eliziane Gama (Cidadania) há duas semanas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ultraesquerda vai se articular para as eleições do ano que vem

Franklin Douglas pode ser o nome do PSOL para disputar Governo

A ultraesquerda maranhense – que prefere ser reconhecida como “esquerda autêntica” – vai começar a se articular para as eleições gerais do ano que vem. O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a Unidade Popular (UP) já estão trocando figurinhas informalmente e deverão se reunir em breve para iniciar conversações para definir um rumo comum. Não há, ainda, evidência clara de qual será o rumo do trio partidário, mas a julgar pelo que aconteceu nas eleições municipais em São Luís, nas quais preferiu disputar com a candidatura do professor Franklin Douglas, o PSOL, que é o maior deles, tende a lançar candidato próprio a governador e a senador, além de uma chapa proporcional. Também levando em conta as eleições municipais, não será surpresa se PCB e UD se juntarem ao PSOL em aliança para a disputa majoritária, e lançando, cada um, seus candidatos a deputado estadual e a federal. Também integrante destacado da ultraesquerda, que tem em São Luís o seu núcleo mais ativo em todo o País, o PSTU ainda não deu sinais de como vai entrar na disputa de 2022 no Maranhão. Mas, assim como PSOL, PCB e UP, tende a lançar candidatos próprios às eleições majoritárias e proporcionais. Não se descarta, porém, a participação do PSTU na aliança com PSOL, PCB e UP, apesar nas diferenças abissais que separam as duas agremiações.

 

MDB vai disputar Câmara Federal e Assembleia, mas ainda não decidiu sobre Governo e Senado

Roberto Costa e Roseana Sarney vão liderar as chapas proporcionais

O MDB já bateu martelo e participará das eleições do ano que vem com chapas fortes para deputado federal e deputado estadual. A chapa federal deve ser liderada pela ex-governadora Roseana Sarney, tendo os deputados João Marcelo e Hildo Rocha como candidatos fortes à reeleição. Já no que respeita à Assembleia Legislativa, a chapa emedebista será liderada pelo deputado Roberto Costa, vice-presidente do partido, tendo também como candidatos de peso os deputados Arnaldo Melo e Socorro Waquim, todos buscando a reeleição. No campo majoritário, já está definido que o partido não lançará candidato a governador nem a senador. Nessa seara, o MDB usará o seu poder de fogo, principalmente tempo de rádio e TV, para negociar com os aspirantes à sucessão do governador Flávio Dino. Em princípio, a cúpula do MDB administra um clima de tensão porque seus líderes estão divididos entre Carlos Brandão (PSDB), Weverton Rocha (PDT) e Roberto Rocha (ainda sem partido).

São Luís, 30 de Abril de 2021.

Decisão do Supremo sobre Censo reforça papel de Flávio Dino como governante de primeira linha

 

Flávio Dino pediu e Marco Aurélio Mello reverteu decisão de Jair Bolsonaro de suspender o Censo Demográfico

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), surpreendeu o País, ontem, ao conceder liminar ao pedido do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), de determinar a imediata realização, pelo IBGE, do Censo Demográfico, suspenso pelo Governo Federal, sob a alegação de falta de dotação orçamentária, causando o que o governante maranhense definiu como “apagão estatístico”, com prejuízos social e econômicos imensuráveis para o Brasil. A decisão do ministro do Supremo colocou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus ministros da área econômica, bem como líderes do Congresso Nacional, numa ciranda frenética para rever o Orçamento recém sancionado, do qual foram retirados os R$ 2,5 bilhões que bancariam a realização do Censo Demográfico. A resposta a essa iniciativa colocou o governador Flávio Dino no epicentro de uma decisão histórica, que deve resultar na realização do Censo ou poderá até mesmo acirrar a ameaça de crise institucional, dependendo da reação do presidente Jair Bolsonaro e seus agentes políticos, que nada fizeram para manter a recontagem da população brasileira, considerada essencial pelo governador e pelo ministro do Supremo.

O governador Flávio Dino sabia exatamente o que estava fazendo quando decidiu bater às portas da mais alta Corte de Justiça do País com o pedido para a reversão da decisão do Governo de suspender o Censo, alegando falta de recursos. Conhecedor profundo da Constituição – como professor de Direito Constitucional e ex-juiz federal -, embasou seu pedido no argumento segundo o qual a atualização numérica da população é prevista na Carta Magna como essencial, à medida que as informações estatísticas constituem a base, por exemplo, para que o próprio Governo central defina programas de alcance social, identificando corretamente os extratos da sociedade que carecem da ação do Governo.

Ao mesmo tempo, as informações estatísticas da população brasileira são de fundamental importância para definir os valores das cotas mensais do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que sem a atualização censitária podem sofrer graves prejuízos fiscais aos 27 estados e mais de cinco mil municípios. “Com isso, o direito à informação está assegurado, o princípio federativo – ou seja, o direito de Estados e Municípios também -, e acima de tudo a lei e a Constituição serão cumpridas no Brasil, como devem ser. É uma vitória do estado democrático de direito”, disse ontem o governador do Maranhão sobre a concessão da liminar obrigando o Governo a realizar o Censo.

Flávio Dino jogou dentro das regras de uma democracia, tendo o ministro Marco Aurélio Mello feito o mesmo. O governador avaliou que, ao suspender o Censo, o presidente Jair Bolsonaro violou regras constitucionais básicas, como o direito à informação e o princípio federativo. Não havia, portanto, outro caminho para reverter a imposição presidencial que não acionar o Supremo contra o torniquete financeiro imposto ao IBGE para inviabilizar o Censo Demográfico. Já o ministro Marco Aurélio Mello acatou o pedido respaldando o argumento apresentado e reafirmando que a essencialidade do Censo e o direito à informação estatística, assim como a regras da Federação são garantidas na Constituição Cidadã, não havendo interferência de um poder em outro.

O episódio entra para a história do País como uma vitória política do Palácio dos Leões – onde vêm imperando a razão institucional, a eficiência administrativa e a coerência política, sob o comando de um governante que sabe das coisas e onde pisa – sobre o Palácio do Planalto – hoje transformado em bunker central de um Governo sem rumo, atrapalhado e comandado por um presidente sem preparo e que tenta sobreviver pelo confronto. “Essa vitória garantiu no Supremo Tribunal Federal um direito da população do Maranhão e da população de todo o nosso País”, assinalou o governador, que parabenizou a Procuradoria Geral do Estado, comandada pelo procurador geral Rodrigo Maia.

Nesse contexto, mesmo remota, não se descarta a possibilidade de o plenário do Supremo rever a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, mantendo a suspensão do Censo. Mesmo que isso aconteça, a liminar concedida ontem cumpriu seu papel de reabrir o debate sobre o apagão estatístico.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Reeleito por unanimidade, Carlos Lula assumiu novo mandato na presidência do Conass

Carlos Lula assume presidência do Conass em alta como gestor 

Enquanto o governador Flávio Dino era visto em todo o País por haver conseguido derrubar no Supremo a decisão do presidente Jair Bolsonaro de suspender o Censo Demográfico, um evento sem muitos holofotes mantinha o Maranhão no centro das decisões do País. É que na tarde desta Quarta-Feira, o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, tomou posse na presidência do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), consolidando a condição de um dos agentes públicos com maior peso no campo de enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

Por razões óbvias, e também por justiça, Carlos Lula é, hoje, de longe, o secretário com maior visibilidade do Governo Flávio Dino e um dos mais respeitados entre os 27 integrantes do Conass, incluídos aí os representantes de São Paulo, Rio de Janeiro, por exemplo. É um daqueles raros casos de reconhecimento por mérito. No início do Governo, em 2015, foi tirado do seu bem-sucedido escritório de advocacia, para arrumar e liquidar a Empresa Maranhense de Administração Hospitalar, apontada como um grande “ralo” do Sistema estadual de Saúde. Fez um trabalho tão eficiente, que o governador resolveu entregar-se a Secretaria de Saúde, para dar um jeito no monumental complexo de esqueletos hospitalares deixados pelo programa Saúde é Vida, comandado pelo secretário Ricardo Murad no Governo de Roseana Sarney (MDB). Sob muitos olhares de dúvidas, dentro e fora do Governo, mostrou tanta eficiência, que foi mantido no cargo, tornando-se membro efetivo do chamado “núcleo duro” do governador Flávio Dino.

Seu desempenho maiúsculo no comando do Sistema estadual de Saúde o levou naturalmente ao Conass, onde se elegeu vice-presidente em 2019. O presidente, secretário de Saúde do Pará, caiu sob acusação de meter a mão no jarro da pandemia. A queda do titular resultou na sua ascensão à presidência do Conass. No cargo, atuou fortemente como articulador eporta-voz dos estados na guerra testes, respiradores, leitos de UTI, kit intubação e vacina, recebendo o reconhecimento dos seus colegas. Reconhecido, foi reeleito presidente por unanimidade, tendo tomado posse ontem novo mandato, que vai até dezembro de 2022.

 

Weverton reage com dura crítica à declaração de Guedes contra a China

Weverton Rocha critica declarações de Paulo Guedes sobre pandemia e China

Na turbulência de uma semana em que não começou muito bem, o senador Weverton Rocha (PDT) reagiu duro à declaração desastrada do ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmando que é novo coronavírus foi “criado” na China, mas que, numa contradição, a vacina desenvolvida na China, a Coronavac, já aplicada em mais de 30 milhões de brasileiros, seria menos eficiente do que as norte-americanas, reforçando o discurso dos bolsonaristas mais radicais, segundo os quais a pandemia nasceu em laboratórios chineses.

Em mensagem no Twitter, o senador bateu forte, ao assinalar que, em vez de dinamizar a economia, o ministro está afundando-a com esse tipo de declaração.

– Já não bastam todos os problemas de saúde e econômicos que o país está enfrentando e ainda vem o ministro da Economia, Paulo Guedes, ofender a China, um dos nossos principais parceiros comerciais. Não, ministro, sua função é ajustar a economia, não é afundar a economia do Brasil – disparou o senador Weverton Rocha.

São Luís, 29 de Abril de 2021.

Flávio Dino reata com José Reinaldo, reincorpora PSDB à sua base e fortalece Carlos Brandão

 

José Reinaldo, Flávio Dino, Carlos Brandão e Marcelo Tavares, chefe da Casa Civil

O ex-governador José Reinaldo Tavares (PSDB) foi indicado ontem para o cargo de diretor de Relações Institucionais da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emapa), controladora do Porto do Itaqui. A indicação foi anunciada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), após reunião com o ex-governador e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), confirmando o que fora revelado mais cedo pelo bem informado blog do jornalista Gilberto Leda. Ao incluir o ex-governador numa das áreas mais importantes e estratégicas, o que a torna uma das mais cobiçadas, o governador não só valoriza o comando da Emapa, como também resolve vetores de delicada equação política. Com o movimento, reata politicamente com José Reinaldo – pessoalmente, eles se distanciaram, mas sem rompimento -, abre as portas para o retorno do PSDB à aliança que dá suporte ao seu Governo, e fortalece o lastro político do vice-governador Carlos Brandão, que o sucederá daqui a 11 meses e deverá ser candidato à reeleição. Além disso, coloca o senador Weverton Rocha (PDT) e seus apoiadores em estado de “alerta vermelho”.

Houve altos e baixos na relação do ex-governador José Reinaldo com o governador Flávio Dino, instabilidade causada por profundas diferenças que os separam, mas com o diferencial de que Flávio Dino jamais deixou de reconhecer-lhe a importância na grande virada de 2006, quando o então governante, após romper com sua origem sarneysista, comandou um arrojado movimento político que resultou na histórica vitória de Jackson Lago (PDT). Naquele momento, José Reinaldo teve papel importante na eleição do ex-juiz federal Flávio Dino para a Câmara Federal. De lá para cá, os dois divergiram e romperam politicamente. José Reinaldo ingressou no PSDB, candidatou-se ao Senado, apoiando a candidatura de Roberto Rocha ao Governo do Estado, ambos sofrendo humilhante derrota nas urnas. Esse distanciamento terminou ontem, com a retomada das relações.

No plano partidário, o gesto de Flávio Dino abriu de vez as portas da aliança que lidera para o retorno do PSDB, que o apoiou em 2014, tendo o partido indicado o então deputado federal Carlos Brandão para candidato a vice-governador. O PSDB rompeu com Flávio Dino em 2017, quando o senador Roberto Rocha, que havia deixado o PSB, retornou ao PSDB, retomando o controle do ninho dos tucanos no Maranhão, o que levou o vice-governador Carlos Brandão a deixar o partido e se filiar ao Republicanos. Afastado de Flávio Dino, José Reinaldo se candidatou ao Senado na chapa liderada por Roberto Rocha, então candidato a governador. Agora, com as diferenças acomodadas e as pendências resolvidas, José Reinaldo volta a ser uma liderança alinhada ao atual titular dos Leões, abrindo caminho para a acomodação do PSDB na aliança governista.

O terceiro fator da equação resolvida pelo governador Flávio Dino é o fortalecimento político do vice-governador Carlos Brandão. O vice assumirá o comando do Governo em abril do ano que vem, quando Flávio Dino renunciará para disputar a vaga no Senado, ou, numa hipótese cada vez mais remota, participar de uma chapa, como cabeça ou vice, na corrida à presidência da República. José Reinaldo é fortemente ligado a Carlos Brandão, que chefiou a Casa Civil em boa parte dos quase cinco anos (2002/2006) em que governou o Maranhão. Com larga experiência e ainda com um bom prestígio político, o ex-governador poderá funcionar como um dos articuladores da campanha do futuro governador à reeleição.

Com o movimento de ontem, o governador Flávio Dino deu mais uma demonstração de coerência e de correção política em relação ao seu vice, que por sua vez tem sido igualmente correto como aliado e substituto eventual. Ao reatar com José Reinaldo, refazer a aliança com o PSDB e fortalecer o vice-governador Carlos Brandão, o governador ilumina ainda mais a sinalização da sua preferência na corrida governamental de 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

MDB marca convenção para trocar de comando iniciar preparativos para as eleições

João Alberto e Roberto Rocha preparam MDB para Roseana Sarney comandar

O MDB deu início ontem aos preparativos para a convenção marcada para o dia 2 de Julho, na qual as lideranças do partido escolherão os novos integrantes da Executiva, que deverá ter como presidente a ex-governadora Roseana Sarney, conforme acordo doméstico alinhavado no início de Abril. Os passos iniciais foram definidos numa reunião, realizada nesta Segunda-Feira, entre o presidente João Alberto e o vice-presidente Roberto Costa, que alinhavaram também o roteiro que o partido cumprirá no processo de preparação para as eleições do ano que vem, com a definição de critérios para preencher as chapas de deputado federal e deputado estadual. Além disso, o partido deverá confirmar a posição de que está aberto a discutir alianças para Governo e Senado, já que, tudo indica, a agremiação emedebista não lançará candidato a governador nem a senador.

– O partido irá discutir de forma ampla com todas as forças políticas do estado, sem fazer restrições – declarou o deputado estadual e vice Roberto Costa, hoje o principal articulador político do partido e líder da ala jovem, que vem atuando para ampliar seu espaço e suas decisões dentro do partido.

 

Anvisa dá nó contra Sputnik V, mas governadores não cruzarão os braços

Carlos Lula e a vacina Sputnik V, que o governo quer comprar

A Anvisa brecou ontem o processo de compra, pelos estados nordestinos, incluindo o Maranhão, para a compra de 30 milhões de doses da vacina Sputnik V, produzida na Rússia e que hoje está sendo aplicada em pelo menos 60 países, entre eles a vizinha Argentina e a própria Rússia. Mesmo diante do fato de que a Sputnik V tenha sido atestada por pelo menos três agências reguladoras e que seus dados científicos foram publicados na revista científica Lancer, a Anvisa colocou pé na parede e decidiu não autorizar a vacina antes de receber informações técnicas sobre ela. A agência reguladora brasileira argumenta que não há como autorizar a importação do imunizante russo antes de dispor de informações mais consistentes. Os governadores – entre eles Flávio Dino, que tem papel de liderança nesse processo -, não concorda com a Anvisa e prevê que a questão poderá ser resolvida pela Justiça. Se o Consórcio não conseguir dobrar a Anvisa, baterá mais uma vez às portas da Justiça, para garantir o que considera um direito. Mas se o projeto vingar, o Consórcio poderá comprar mais de 60 milhões de doses, das quais pelo menos quatro milhões virão para o Maranhão.

São Luís, 27 de Abril de 2021.

Montada na experiência, Roseana confirma retorno à luta pelo poder e candidatura à Câmara Federal

 

Roseana Sarney: aos 67 anos, confirma a suspensão da aposentadoria e a volta à política e à luta pelo voto como candidata do MDB à Câmara Federal em 2022

“Todo mundo diz que a política só tem porta de entrada. Eu dizia que tem porta de entrada e porta de saída. Mas, na realidade, eu entrei e não quero sair. Eu sou política, vou continuar sendo política, e estou pensando agora, em 2022, em voltar a ter um cargo eletivo. Vou colocar meu nome para que as pessoas possam analisar. A princípio, estou pensando em me candidatar a deputada federal. Já fui deputada federal e gostei. É por aí. Eu não vou largar a política”.

Com essa declaração, dada neste sábado (24) ao programa “Café com Leane Lago”, da TV Band, a ex-deputada federal, ex-senadora e ex-governadora Roseana Sarney (MDB), 67 anos, confirmou – ao que parece, em definitivo – o seu retorno ao grande tabuleiro da política estadual, agora como pré-candidata à Câmara Federal, como revelou esta Coluna, em primeira mão, na edição de 29 de Janeiro. Além de se identificar com o ambiente dominante na Câmara Baixa, onde o embate político é mais duro e o processo de articulação é mais intenso, Roseana Sarney planeja ser eleita com uma votação expressiva, suficiente para “puxar” outros candidatos emedebistas, na perspectiva de retornar à Brasília liderando uma minibancada para reforçar a representação do MDB.

O projeto da ex-governadora de retornar à política é bem mais amplo, e passa, primeiro, pela etapa de assumir o controle do braço maranhense do MDB, o que deve acontecer em Junho, de acordo com uma articulação interna pela qual o partido realizará uma convenção extraordinária para elegê-la presidente, encerrando a longeva presidência do ex-governador João Alberto. Esse processo foi acordado com a ala jovem do partido, liderada pelo deputado estadual Roberto Costa e com o próprio João Alberto. Ela quer liderar o partido nas eleições do ano que vem, certa de que a soma do seu prestígio com a sua experiência, associados à força da militância da ala jovem, podem levar o MDB a recuperar nas urnas pelo menos parte do que perdeu nas eleições de 2014 e 2018. No primeiro, o seu grupo foi tirado do poder na turbulência da dura derrota do sarneysismo, que foi esmagado pela estrondosa vitória anunciada da aliança liderada por Flávio Dino (PCdoB), e no segundo, sofreu a mais dura das suas derrotas.

A opção por concorrer a uma cadeira na Câmara Federal é uma prova inconteste de que a ex-governadora navega agora no mar da experiência. Se se movesse por impulso, encantada, por exemplo, por pesquisas recentes, que a apontam como detentora de pelo menos 25% de intenções de voto para o Governo do Estado, poderia cometer o erro primário de se lançar candidata ao Palácio dos Leões, o que muito provavelmente a levaria para sua terceira derrota nessa disputa. Ou entrar na corrida ao Senado, enfrentando ninguém menos que o governador Flávio Dino, que já admitiu que será este o seu caminho em 2022, e com a vantagem de ser o franco favorito para a vaga, segundo todas as sondagens feitas até aqui.

Depois de um mandato de deputada federal (1991-1993), meio de senadora (2007-2009) e quatro de governadora (1995-1998, 1999-2002, 2009-2014), tendo também amargado duas derrotas nessa caminhada (2006 e 2018), Roseana Sarney sabe que o tempo do sarneysismo passou e que a volta do grupo ao comando do Estado é uma possibilidade remota demais para ser tentada agora, quando o movimento liderado pelo governador Flávio Dino encontra-se no auge do seu prestígio, reunindo as condições para eleger o governador e o senador – que deverá ser o próprio líder.  E quando confirma seu retorno ao campo de batalha pelo voto usando o seu poder de fogo pessoal para fortalecer o que restou do seu grupo, ela demonstra que é hoje, de fato, uma política madura, com noção exata da realidade na qual está inserida.

Qualquer avaliação séria e isenta certamente concluirá que o retorno da ex-governadora ao tabuleiro das disputas, atuando como líder partidária e se preparando para disputar votos, enriquece o jogo na política do Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ações de Dino na Justiça podem deixar Bolsonaro em situação complicada

Flávio Dino tenta enquadrar Jair Bolsonaro na Justiça, como um líder político civilizado

O governador Flávio Dino anunciou que está acionando mais uma vez a Justiça contra uma decisão do presidente Jair Bolsonaro (a caminho do Partido da Mulher Brasileira). O motivo da ida ao Supremo Tribunal Federal agora é contra a decisão do presidente de, por meio do torniquete financeiro, obrigar o IBGE a adiar o Cento 2021, que levantaria dados essenciais para o País.

-Diante do descumprimento da Constituição pelo governo federal, com o cancelamento do Censo, já orientei a PGE do Maranhão a ingressar na Justiça. Há impactos em políticas sociais e na repartição das receitas tributárias, ameaçando os princípios federativo e da eficiência -, escreveu no Twitter, uma das suas redes sociais.

A iniciativa do governador gerou insatisfação de bolsonaristas, que a criticaram. Uma reação habitual nessas situações. Eles parecem não compreender que, em vez de resumir sua insatisfação com ameaças e xingamentos, como faz o presidente, o governador do Maranhão bate na porta que todo cidadão de bem tem de bater nesses casos.

O governador Flávio Dino já acionou o presidente Jair Bolsonaro várias vezes na Justiça, entre elas uma por injúria, reagindo à inverdade dita por ele para justificar sua não ida a Balsas, no ano passado. Nos dois casos, todas as avaliações técnicas indicam que as ações movidas pelo governador do Maranhão reúnem os elementos essenciais para colocar o presidente da República em situação delicada.

 

Rocha poderá completar sua trajetória partidária no Partido da Mulher Brasileira, rebatizado “Brasil 35”

Se ingressar no “Brasil 35” com Jair Bolsonaro, Roberto Rocha poderá substituir Efigênia Tavares (na foto com Rubens Jr.) no comando da legenda no Maranhão, já que, no caso, o partido migrará para a oposição

Depois de uma longa e diversificada trajetória partidária, na qual iniciou encarnando o liberalismo como membro do PL, para em seguida experimentar o legado de Ulisses Guimarães e se juntar a José Sarney no PMDB, dar mais um passo à frente jurando fidelidade à social-democracia no PSDB, e surpreender por um bom tempo fazendo de conta de que havia se convertido ao socialismo como membro e chefe do PSB no Maranhão, e voltar a se fantasiar de tucano até o início deste ano, quando virou um “sem partido”, o senador Roberto Rocha poderá agora embarcar no tal “Brasil 35”, ex-Partido da Mulher Brasileira (PMB), que trocou de identidade para abrigar o presidente Jair Bolsonaro. Já se especula até que, se, de fato, essa operação for confirmada por Jair Bolsonaro, e o senador vier a segui-lo, Efigênia Tavares, que comanda o agora “Brasil 35” no Maranhão, poderá ter de abrir mão do posto de comando, para – quem sabe? – virar vice-presidente.

São Luís, 25 de Abril de 2021.