Debate na Globo foi republicano, com Lula mostrando experiência e Flávio exibindo inconsistência

Lula da Silva mostrou sua experiência e
o seu lastro como dirigente, enquanto
Flávio Bolsonaro foi propositivo,
mas derrapou em inconsistências

O debate realizado ontem na Rede Globo foi bem mais civilizado do que o ocorrido, semana passada, na Rede Band, isso ninguém pode negar. O presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se comportaram republicanamente, ainda que no final tenham jogado pesado num verdadeiro pugilato verbal. Mas o último e, para muitos, decisivo confronto direto entre os dois candidatos foi revelador das estaturas dos dois contendores.

O presidente Lula da Silva mostrou, do alto da sua história de sobrevivente da seca nordestina, a experiência de líder sindical três vezes presidente da República, e a desenvoltura de quem não tem rabo preso. O senador Flávio Bolsonaro, que exerceu também quatro mandatos de deputado estadual no Rio de Janeiro, tentou se mostrar um político experiente e preparado, foi mais propositivo e menos agressivo, mas de novo derrapou por falta de substância. E fugiu da maioria das perguntas feitas pelo presidente.

Num palco que não permitiu jogo de cena, como movimentação fantasmagórica por trás do oponente, como aconteceu na Band, assegurando a integridade de cada um, o presidente Lula da Silva jogou aberto em quase tudo sobre o que ambos debateram. Não deixou pergunta sem resposta, sendo explícito e informativo na maioria delas, mostrando o que o Governo atual e os dois anteriores (2003/2010). O presidente, que busca a reeleição, não deixou dúvidas sobre as realizações do seu Governo e lembrou as mudanças que fez no Brasil desde 2003, citando grandes obras, como a transposição das águas do São Francisco, por exemplo. E demonstrou ter o pleno domínio do seu Governo e que está preparado para o quarto mandato.    

Por sua vez, o senador Flávio Bolsonaro tentou ser objetivo, mas limitou suas propostas a anúncios concisos, não muito.  Quando teve a oportunidade de detalhar, por exemplo, o plano para reduzir o endividamento das famílias brasileiras, ficou no plano da superficialidade, tendo de ouvir Lula da Silva dizer que o que ele estava propondo o seu Governo já está fazendo com o terceiro Desenrola. O candidato do PL repetiu, com as mesmas palavras, o que pretende fazer na área de segurança pública, tendo também de ouvir de Lula da Silva que algumas daquelas propostas já estão sendo efetivadas no seu Governo e que outras encontram-se previstas na PEC da Segurança, de sua iniciativa, que está pendente de aprovação no Senado da República.

O fato é que durante todo o debate Flávio Bolsonaro exibiu juventude, controlou bem o seu tempo, e usou os direito de resposta para explicar propostas, lembrando um pouco Fernando Collor de Mello em 1989, com um discurso pretensamente propositivo, mas claramente ensaiado.

Essa postura ficou evidenciada, por exemplo, quando se manifestou sobre infraestrutura, dando a impressão de que não sabia exatamente sobre o que estava falando. Lula da Silva percebeu a fragilidade e a inconsistência do discurso e relacionou as obras estruturantes que já realizou, tendo iniciado sua manifestação com uma avaliação desconcertante: “Ele não conhece o Brasil”. Repetiu a observação quando os dois discutiram sobre a região Norte, incluindo a Amazônia.

E como não poderia deixar de ser, o clima esquentou no último bloco, quando os dois se enfrentaram fazendo perguntas um ao outro em temas livres. O presidente Lula da Silva para o ataque perguntando a Flávio Bolsonaro sobre a participação dele num imbróglio envolvendo o advogado Willer Tomás, uma das figuras mais controversas do submundo de Brasília, na aquisição de uma ilha reclamada pelo jogador Richarlison, que acusa os dois de forjarem a propriedade do lugar por meio de fraude. Flávio Bolsonaro ficou visivelmente desconfortável, negando sociedade com Willer Tomás, de quem se declarou apenas amigo. Tentou desestabilizar o presidente acusando-o de haver recebido de banqueiro-bandido Daniel Vorcaro um litro de whisky de R$ 500 mil, mas Lula da Silva rebateu e a história não prosperou. O pugilato final trouxe à tona Daniel Vorcaro, o filme “Dark Horse”, Lulinha e outros penduricalhos, causando a impressão de que o presidente Lula “segurou a onda” melhor do que o senador Flávio Bolsonaro.

O presidente Lula saiu dos estúdios da Rede Globo como entrou. Flávio Bolsonaro sofreu algumas avarias, pela inconsistência em pontos do debate técnico, e pelas reações no debate ético.

PONTO & CONTRAPONTO

Amigo de Weverton Rocha, Willer Tomaz “ganhou” mais espaço do que Vorcaro no debate de ontem

Weverton Rocha e Willer Tomaz:
ligação forte

No debate de ontem na Rede Globo entre o presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), o controverso advogado Willer Tomaz, o mais novo capo produzido nas entranhas suspeitas de Brasília, ganhou espaço maior do que o banqueiro-bandido Daniel Vorcaro. E o motivo foi um só: a relação dele com o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Essa ligação que vai de sociedade em conta de off-shore na Ilha da Madeira, mão dupla num esquema de exploração de bets, compra de imóveis em dinheiro vivo, e outras cositas mais, como o escandaloso e estridente grilo de uma Ilha comprada e paga pelo jogador Richarlison no Rio de Janeiro.

As ramificações de Willer Tomaz chegaram há algum tempo no Maranhão: ele comprou a rede Difusora de TV no Maranhão. E os rumores no meio político dizem que tem como sócio secreto ninguém menos que o senador Weverton Rocha.

Há cerca de três meses, uma operação da Polícia Federal descobriu que, por meio de parentes, o senador Weverton Rocha é sócio de Willer Tomaz no campo da advocacia, um negócio, que o senador define como “profissional” e que lhe rendeu participações milionárias.

O mais curioso é que o elo “profissional” do senador Weverton Rocha com Willer Tomaz aproximou o parlamentar maranhense ao colega dele de Senado Flávio Bolsonaro, a ponto de eles terem feito uma incursão turística com suas famílias na África.

Há quem diga que a relação do senador Weverton Rocha com Willer Tomaz ainda vai lhe dar muitas dores de cabeça. Principalmente a partir de fevereiro, quando terminar o seu mandato senatorial e ele voltar a ser um cidadão comum.

Braide mantém inalterada a posição de neutralidade na disputa presidencial.

Eduardo Braide: trabalhando
duro para definir ações

O governador eleito Eduardo Braide (PSD) está mesmo decidido a não revelar o seu voto na eleição de amanhã. Vai manter sem recuo a neutralidade no embate entre o presidente Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

E não esconde que se trata de uma posição sua, que é reforçada pelo comando nacional do partido, cujo presidente, Gilberto Kassab, anunciou, já no dia 5, que o PSD adotariam a neutralidade no 2º turno.

O argumento do governador eleito é simples e direto: não apoiou nem se posicionou contrário a nenhum candidato a presidente, posicionando-se assim até em relação ao candidato do seu partido, o goiano Ronaldo Caiado (PSD), que no dia seguinte declarou apoio a Flávio Bolsonaro.

E o mais importante: pretende construir uma relação produtiva com o próximo presidente, seja ele Lula da Silva, com quem manteve boa convivência quando prefeito de São Luís, ou com Flávio Bolsonaro, com quem pretende construir parcerias em favor do Maranhão.

E enquanto o presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro travam o confronto decisivo, o governador eleito Eduardo Braide mergulha no trabalho, elaborando as primeiras ações a serem adotadas no ato da posse.  

São Luís, 24 de Outubro de 2026.

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