Roberto Rocha aposta todas as suas fichas num projeto de industrialização do Maranhão a partir da Zema

 

Roberto Rocha aposta alto na industrialização, que é sua prioridade no programa de Governo

O senador Roberto Rocha (PSDB) promete que, se eleito governador, transformará o Maranhão num grande polo industrial, tornando-o uma espécie de paraíso do empreendedorismo. A mola-mestra para essa transformação radical será a concretização da Zona de Exportação do Estado do Maranhão (Zema), inspirada na experiência chinesa, a ser implantada na região metropolitana de São Luís. O projeto está em tramitação no Senado. Roberto Rocha enfatizou esse propósito numa densa entrevista ao jornalista Raimundo Borges e publicada na edição de Domingo (12) de O Imparcial. O candidato tucano ao Palácio dos Leões não define seu movimento como uma “terceira via”, mas se manifesta como tal, à medida que revela como ponto central da sua ação política dar um basta no que ele define como “dicotomia falsa, estéril e inútil, que reduz um estado rico a uma política tacanha entre sarneysistas e antisarneysistas”. Seu discurso expressa o liberalismo econômico na linha tucana, parecendo relegar a plano não bem definido desafios como o da Educação, por exemplo, sem a qual nenhum país se desenvolveu economicamente.

No campo político, a entrevista do candidato do PSDB foi esclarecedora, a começar pelo fato de que ele se mostrou ideologicamente como um político de centro, com tendência à direita, nutrindo ojeriza à versão cristã e ligth do comunismo praticada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), a quem se refere de maneira dura. Para ele, o futuro do Maranhão está na industrialização, embora não desenhe com clareza que tipo de sociedade pretende construir com esse projeto de transformação. É evidente nas palavras do senador uma convicção surpreendente de que abrindo o estado a investidores brasileiros e estrangeiros, numa política agressiva de atração de empreendimentos, tendo a Zema como ponto de partida, o desenvolvimento econômico virá rapidamente. A Zema, associada a um plano rodoferroviário para resolver gargalos logísticos – como o escoamento da soja da região Sul, polarizada por Balsas -, à expansão do microcrédito, à capacitação profissional, ao estímulo a arranjos produtivos e a uma forte política industrial, vai permitir que se deixe de “explorar politicamente a pobreza para se explorar economicamente a riqueza”.

Na entrevista a O Imparcial, o senador Roberto Rocha exibe as linhas gerais de um projeto ousado, transformador e definitivo, com a lógica que sustenta o pragmatismo dos tucanos, e prevendo a transformação do Maranhão num imenso parque industrial. O seu discurso tem a ênfase dada por quem está realmente convencido de que vai para as urnas com o argumento de que descobriu o Ovo de Colombo para eliminar de vez o rótulo de miserável que estigmatiza o Maranhão há séculos. Para tanto, está determinado a mudar uma a gestão comunista do governador Flávio Dino, que curiosamente acusa de “fazer interdições”, de levantar “suspeitas contra ao capital privado”, de agir com “desrespeito à propriedade” e “criminalização do lucro”. Admite, porém, aproveitar “qualquer programa que esteja dando bons frutos”, justificando que sua régua “não é ideológica, mas a da eficiência”, como se a sua proposta de transformar o Maranhão não traduzisse fiel e rigorosamente o pensamento liberal que move o PSDB.

O ponto central da entrevista é positivo e alvissareiro: o candidato Roberto Rocha tem um projeto para o Maranhão. Ousado e com aspectos  essenciais para serem discutidos, a começar por dar a impressão de que não leva muito em conta o capital social, de vez que parece não incluir a Educação como prioridade absoluta, o grande projeto de industrialização, que tem a Zema como linha de frente, é mostrado na entrevista como algo viável, já devidamente elaborado e pronto para ser aplicado. Não é  uma daquelas quimeras que candidatos dispostos a impressionar de qualquer maneira. Afinal, o espírito realizador do candidato do PSDB é em parte inspirado no pai, o governador Luiz Rocha, a quem o Maranhão deve, por exemplo, a chegada do agronegócio, pelas mãos de emigrantes  russos, no início dos anos 80 do século passado.

Em Tempo: O projeto da Zema já recebeu o aval da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, onde passou com o aval do seu presidente, senador Edison Lobão (MDB). Depende agora do crivo decisivo da poderosa Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), podendo  encaminhá-lo ao plenário ou manda-lo para o arquivo.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Presidenciáveis podem passar pelo Maranhão nos próximos 50 dias

Fernando Haddad, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Álvaro Dias, Henrique Meirelles, Guilherme Boulos, Jair Bolsonaro e Cabo Daciolo: maioria vai fazer escala no Maranhão durante a campanha que só agora está começando oficialmente

É quase certo que a maioria dos presidenciáveis faça escala em São Luís nos próximos 50 dias. Um dos primeiros a desembarcar na Capital do Maranhão será Fernando Haddad, tão logo seja confirmado candidato do PT, devendo ser recebido com um grande ato de campanha pelo governador Flávio Dino. Geraldo Alckmin já esteve duas vezes desde que lançou sua candidatura, deve fazer mais uma escala no estado. Marina Silva fará uma escala em São Luís durante a campanha e deverá ser recebida pelo deputado federal Sarney Filho, cujo partido, o PV, coligou com a rede, indicando o ex-deputado federal paulista para vice. Ciro Gomes (PDT) deve fazer pelo menos mais uma visita ao Maranhão, sendo mais uma vez recebido pelo deputado federal e candidato a senador do seu partido Weverton Rocha. Jair Bolsonaro (PSL) já teria comunicado a Maura Jorge que fará nova visita de campanha ao estado. É quase certo que Henrique Meirelles (MDB) desembarque em São Luís ainda neste mês, para um ato de campanha com a emedebista Roseana Sarney. Álvaro Dias (Podemos), que visitou o estado ainda como pré-candidato e tinha Maura Jorge como aliada dificilmente retornará ao Maranhão. Não será surpresa de Guilherme Boulos (PSTU) ainda desembarcar em São Luís antes das eleições. Não há perspectiva de passagem do Cabo Daciolo (Patriota) pelo Maranhão

 

Chapa de Maura Jorge deve ser registrada com apenas um candidato ao Senado

Maura Jorge entre Ribeiro Filho e Samuel de Itapecurú: chapa incompleta

Correm nos bastidores que Maura Jorge não lançará mesmo o segundo candidato a senador na sua chapa, que será registrada com ela como candidata ao Governo do Estado, o coronel/PM Ribeiro Filho como candidato a vice-governador e o ex-vereador  Samuel de Itapecuru como candidato único na chapa senatorial, que comporta mais um nome. A candidata do PSL ao Governo poderia reforçar sua chapa com mais um candidato ao Senado, mas a falta de interessados a fez decidir por um só candidato. Ela tem até amanhã para confirmar a chapa reduzida ou completa-la com o um candidato a mais ao Senado.

São Luís, 13 de Julho de 2018.

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