Revelação de que Dr. Yglésio pode procurar novo partido expõe situação de tensão do PDT na sucessão em São Luís

 

Dr. Yglésio admite deixar o PDT para ser candidato a prefeito por outro partido; neto Evangelista, Osmar Filho e Ivaldo Rodrigues são as opções da agremiação pedetista

A confidência feita pelo deputado Dr. Yglésio ao jornalista Jorge Vieira de que poderá deixar o PDT em busca de um partido para  disputar a Prefeitura de São Luís no ano que vem confirma uma impressão já dominante no meio político: o partido criado por Jackson Lago e hoje comandado pelo senador Weverton Rocha vive a incômoda situação de não dispor de um quadro forte, com peso político e eleitoral, para a disputar a Prefeitura de São Luís. A evidência dessa dificuldade para entrar firme e seguro na corrida para eleger o sucessor do prefeito pedetista Edivaldo Holanda Jr. e manter o controle administrativo e político da maior joia do municipalismo maranhense está no fato de que o movimento mais aberto feito até aqui é a proposta de aliança com o DEM em torno da candidatura do deputado estadual Neto Evangelista. Por avaliar que tem potencial para ser o candidato do partido, Dr. Yglésio, que teve expressiva votação na Capital, não aceita ser preterido pela aliança com o DEM e revela disposição de deixar as fileiras do socialismo moreno em busca de uma legenda que lhe dê a vaga de candidato a prefeito.

Na conversa com o experiente jornalista Jorge Vieira, Dr. Yglésio sinalizou com clareza que vai tentar a vaga de candidato a prefeito pelo PDT, mas que se não for bem sucedido, não criará embaraços na agremiação. Indagado sobre aceitaria a aliança PDT/DEM, Dr. Yglésio respondeu na bucha: “Aceitaria, mas desde que me liberassem para viabilizar a minha candidatura por outra legenda”. Ou seja, não aceitaria. O tom civilizado e cordato dado pelo parlamentar na revelação evidencia um cenário em que, se não vive uma crise aguda, o PDT pode ser abalado por uma divisão. Ali, muitos já apoiam o projeto de aliança com o DEM em torno de Neto Evangelista, articulada pelo presidente Weverton Rocha, mas outro tanto, fiel a uma tradição do pedetismo, não topa, pelo menos por enquanto. E não há como negar que se o projeto PDT/DEM for consumado e Dr. Yglésio deixar as fileiras pedetistas em busca de um caminho partidário para ser candidato, não restará dúvida de que o partido brizolista sofrerá um abalo e sairá fragilizado.

Esses movimentos evidenciam uma realidade que fala mais alto: o PDT não tem um nome de peso para disputar a sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Jr.. Essa limitação fica clara com o fato de que, além do deputado Dr. Yglésio, o partido só conta com o vereador Osmar Filho, atual presidente da Câmara Municipal, que saiu das urnas de 2016 com mais de nove mil votos, mas que, pelo menos até aqui, ainda não mostrou estatura política que o identifique como um quadro com cacife para entrar na briga em condições de disputar para valer. Além de Osmar Filho, o também o vereador Ivaldo Rodrigues, pedetista já veterano, com um bom histórico de reeleições, mas sem base para convencer o partido de que pode dar certo num projeto majoritário no qual enfrentará o deputado federal Eduardo Braide (PMN).

A falta de opções viáveis nos seus quadros revela um PDT fragilizado em São Luís, onde, direta ou indiretamente, vem dando as cartas desde 1988 com a primeira das três eleições de Jackson Lago para o Palácio de la Ravardière. No atual cenário político do Maranhão, a fragilização do PDT numa disputa pela Prefeitura de São Luís é um mau sinal para os arrojados planos do senador Weverton Rocha de aumentar o número de prefeitos pedetistas no ano que vem e, embalado por essa força, chegar em 2022 com cacife político e potencial eleitoral suficientes para viabilizar sua candidatura à sucessão do governador Flávio Dino. O senador não fez até agora nenhuma declaração explicitando o seu projeto de candidatura ao Palácio dos Leões, mas todos os seus movimentos são reveladores de que ele está de fato se instrumentalizando para disputar o Governo do Estado, agora com mais determinação diante do projeto do vice-governador Carlos Brandão (PRB) na mesma direção.

Nesse contexto, a Prefeitura de São Luís é base essencial, como o foi na sua espetacular vitória para o Senado.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Brandão se movimenta consultando deputados sobre o cenário para a sucessão de Flávio Dino

Carlos Brandão: reuniões com deputados em busca de um suporte para disputar o Governo

O vice-governador Carlos Brandão (PRB) vem cumprindo uma discreta, mas ampla e intensa agenda política, de olho nas eleições municipais do ano que vem e na corrida sucessória de 2022. Carlos Brandão adotou a estratégia de reunir, em jantares informais, grupos de seis deputados estaduais. Nesses encontros, realizados a cada duas semanas, o vice-governador abre, via de regra, fazendo uma exposição sobre a situação do Estado, mostrando as conquistas do Governo Flávio Dino (PCdoB), os grandes projetos estruturais e sociais em andamento, o equilíbrio fiscal que garante as contas em dia, e também as enormes dificuldades impostas ao Maranhão pela crise que há anos vem corroendo a economia nacional. O balanço apresentado pelo vice-governador a cada grupo é altamente positivo. Nas conversas, Carlos Brandão ouve cada deputado sobre o cenário possível de agora e sua projeção para o futuro, incluindo na sondagem impressões acerca dos projetos de candidatura à sucessão do governador Flávio Dino. Não é novidade que o vice-governador Carlos Brandão é pré-candidato ao Palácio dos Leões, já tendo sido apontado até com o nome da preferência do governador Flávio Dino. Ele tem cumprido uma intensa agenda de compromissos oficiais, na maioria das vezes representando o governador em eventos e solenidades em São Luís e no interior, como também em compromissos no Brasil e no exterior – na semana passada, por exemplo, representou o Governo do Estado na missão que foi à Base de Kourou, na Guiana Francesa, em função do iminente uso comercial da Base de Lançamento de Alcântara. É fato que, com esses movimentos, o vice-governador Carlos Brandão amplia seu espaço como aspirante a governador, fortalecendo a especulação corrente de que atua com o aval do Palácio dos Leões.

 

Selos do Judiciário podem resolver conflitos que paralisam 14 mil obras públicas e privadas no Maranhão

Centro, da esquerda para a direita: Desembargador José Luis Oliveira, o prefeito Erlânio Xavier, presidente da Famem, e o presidente José Joaquim Figueiredo

O lançamento, ontem, pelo Tribunal de Justiça, dos selos “Município Amigo da Justiça” e “Empresa Amiga da Justiça”, que abrirão caminho para que conflitos judiciais responsáveis pelo travamento de obras físicas em áreas urbanas, bem como o funcionamento de empresas, sejam resolvidos por meio de grupos de conciliação, revelou um quadro dramático no Maranhão. Nada menos que 14 mil obras públicas e privadas estão paralisadas por falta de uma solução que contemple as partes envolvidas nas pendências. Desse total, absurdo em qualquer estado, 47% foram interrompidas por “problemas técnicos”, 23% devido ao abandono do canteiro por parte da empresa responsável, 10% não foram terminadas por questões de liberação de verbas e 3% não foram concluídas por atuação dos órgãos de controle. Nesse contexto, milhões de reais do contribuinte estão sendo consumidos pelo tempo, sem nenhuma utilidade. São creches, escolas, postos de saúde, centros esportivos, ruas, estradas, pontes, enfim, centenas de equipamentos urbanos que dependem da solução de pendências para que as construções sejam retomadas.

No ato de lançamento dos selos, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos surpreendeu pelo entusiasmo: “É algo inédito na história do Tribunal de Justiça do Maranhão. Como gestor desta egrégia Corte posso declarar que esse é um dos dias mais felizes da minha vida pública, pois sinto que podemos fazer muito com pouco, contemplando milhões de pessoas”. O presidente da federação dos Municípios do Maranhão (Famem), Erlânio Xavier (PDT), foi ao TJ levar o apoio integral da entidade à iniciativa.

São Luís, 12 de Junho de 2019.

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