
do PT, enquanto Carlos Brandão atua para
que o partido apoie Orleans Brandão
Todos os sinais emitidos recentemente no meio partidário indicam que os próximos três dias podem ser decisivos para o futuro político do Maranhão, que pode ter um novo desenho da corrida ao Palácio dos Leões. Essa guinada pode ser dada se o PT, como está previsto, bater martelo optando pela candidatura própria ao Governo ou por uma aliança com o MDB em torno da candidatura de Orleans Brandão, mas com espaço para o partido na chapa majoritária. Lançando candidato próprio – o vice-governador Felipe Camarão -, o PT romperá de vez com o grupo liderado pelo governador Carlos Brandão (sem partido), ou, ao contrário, se o partido vier a lançar candidato ao Senado – que pode ser o vice-governador -, numa aliança em torno da pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado.
Essa definição poderia acontecer nesta sexta-feira, mas dois fatos mudaram o roteiro. Primeiro, a Executiva nacional do PT cancelou reunião marcada para a quinta-feira, e no mesmo dia o governador Carlos Brandão se reuniu com o presidente do partido, Edinho Silva, para tratar da aliança PT/MDB. O governador saiu da reunião sem revelar o teor da conversa. À Coluna, ele resumiu a conversa numa frase: “Ainda sem definição”.
Qualquer que seja a decisão a ser tomada pela cúpula nacional do PT e venha a ter o aval do presidente Lula da Silva, ela impactará fortemente a política estadual. Se o PT decidir lançar Felipe Camarão ao Governo, a primeira consequência será o rompimento com o governador Carlos Brandão, que poderá cruzar os braços em relação à candidatura do presidente Lula da Silva no Maranhão, mas também pagará o preço de ter a máquina federal lhe dando as costas. Se a opção for pela aliança na qual Felipe Camarão venha a ser candidato ao Senado, uma série de desdobramentos poderão acontecer. Uma ala mais pragmática do PT não aceita que a decisão do partido dependa do futuro do vice-governador Felipe Camarão.
No meio desse tufão está o PSB, grupo remanescente do chamado dinismo, que hoje faz dura oposição ao Governo, recebendo intenso bombardeio em contra partida. Esse grupo, que tem como integrante o deputado Fernando Braide, tem preferência e vem trabalhando por uma aliança com o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD). E tanto quanto os governistas, os dinistas e o próprio ex-prefeito de São Luís aguardam uma definição do PT para ajustarem suas estratégias para enfrentar as urnas.
Uma eventual candidatura do vice-governador Felipe Camarão aos Leões dará forma final e definitiva ao rompimento com o grupo liderado pelo governador Carlos Brandão. Nesse caso, Felipe Camarão entrará na corrida para, primeiro, medir forças com Lahesio Bonfim (Novo), com o objetivo de tomar-lhe o terceiro lugar e, então, partir para um embate direto com Orleans Brandão, que até aqui polariza a disputa Eduardo Braide, líder inconteste da corrida segundo todas as pesquisas. Trata-se de um conjunto de gigantescos desafios.
O fato é que hoje os rumos da corrida ao Palácio dos Leões dependem da decisão que vier a ser tomada pela cúpula do PT, que estará reunida em Brasília de hoje a domingo, exatamente para resolver situações pendentes e complicadas, como é o caso de como será o palanque do presidente. Até onde se sabe, há muita resistência na cúpula do PT quanto a levar o partido a apoiar as candidatura do emedebista Orleans Brandão, sendo este o ponto em relação ao qual o governador Carlos Brandão não abre mão. Inúmeras fórmulas já foram propostas, mas nenhuma contentou os dois lados, de modo que a indefinição permanece.
Em Brasília desde terça-feira, o vice-governador Felipe Camarão se diz pronto para acatar a decisão que for tomada pelo comando partidário e que tenha o aval do presidente Lula da Silva. Antes de embarcar, ele, que manteve durante meses um discurso radical em relação a ser candidato a governador, admitiu que poderá vir a ser candidato a senador, se o partido e o presidente da República assim decidirem.
PONTO & CONTRAPONTO
Brandão se lança neste sábado em Imperatriz; Braide intensifica incursões no interior e Bonfim ataca nas redes sociais

Orleans Brandão se lançará em Imperatriz
e Lahesio Bonfim ataca nas redes sociais
O pré-candidato do MDB a governador, Orleans Brandão, fechou ontem uma semana de intensa incursão por diferentes regiões e bairros de São Luís, cumprindo uma estratégia de minar o principal lastro eleitoral do ex-prefeito Eduardo Braide (PSD), Ontem, por exemplo, ele esteve na Feira do João Paulo, onde conversou com feirantes e prometeu que, se eleito, resolverá os problemas de lá.
O passo seguinte de Orleans Brandão com o objetivo de drenar o poder de fogo de Eduardo Braide ocorrerá hoje, em Imperatriz, onde ele lançará oficialmente a sua pré-candidatura ao Governo com um evento que, pelo que está sendo preparado, deverá reunir milhares de pessoas. O objetivo é minimizar o impacto da iniciativa de Eduardo Braide de escolher o seu vice em Imperatriz, a empresária Elaine Cortez (PSD).
Depois da incursão em Imperatriz e Balsas, passando por Açailândia, Eduardo Braide atacou no Leste maranhense, começando por Timon, onde recebeu o apoio do grupo Leitoa e de Henrique Neto. Dali, seguiu para Caxias, onde foi saudado pelo deputado federal em exercício Paulo Marinho Jr. (PL), que, na avaliação de um político caxiense, tem o apoio de metade do eleitorado da Princesa do Sertão. A incursão foi encerrada em Coroatá, onde recebeu o apoio de grupo de oposição.
O fato é que a entrada de Eduardo Braide no circuito da corrida aos Leões levou Orleans Brandão a fazer ajustes na sua agenda, o que torna a disputa mais animada. Inclusive por conta das investidas de Lahesio Bonfim (Novo), que diante da movimentação do ex-prefeito de São Luís e do pré-candidato do MDB, decidiu acionar uma metralhadora verbal nas redes sociais, atacando Eduardo Braide, Orleans Brandão e, por tabela, Felipe Camarão (PT).
Gentil se propõe a disputar Senado pelo União Brasil, mas o seu foco mesmo seria a 1ª suplência na chapa de Fufuca
O ex-prefeito de Caxias e ex-secretário de Estado de Agricultura Fábio Gentil (União Brasil), se colocou à disposição do partido para disputar uma cadeira no Senado. A manifestação surpreendeu o meio político, uma vez que o seu grupo – formado pelo prefeito Gentil Neto (PP), pela deputada federal Amanda Gentil (PP) e pela deputada estadual Daniella Jadão (MDB) – vinha emitindo todos os sinais de que estava mobilizado em torno da candidatura do deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP).
Não há dúvida de que Fábio Gentil é hoje um quadro de peso na política estadual, com cacife para pleitear vaga de candidato a senador em qualquer partido ou aliança partidária. Vereador por vários mandatos e prefeito de Caxias eleito e reeleito e com força para fazer do sobrinho, Gentil Neto, seu sucessor, além de garantir a eleição da filha, Amanda Gentil, para a Câmara Federal e de ter participação decisiva na sobrevivência da companheira Daniella Jadão na Assembleia Legislativa, Fábio Gentil quer agora o seu lugar, com mandato, no tabuleiro da política estadual.
Um exame mais amplo e cuidadoso do fato de ter ele se colocado à disposição do União Brasil para ser candidato a senador leva rapidamente à conclusão de que o ex-prefeito de Caxias está mirando mesmo é a vaga de 1º suplente na chapa encabeçada pelo ex-ministro André Fufuca. Isso porque, se eleito for e o presidente Lula da Silva alcançar a reeleição, é muito provável que André Fufuca volte à Esplanada como ministro de Estado, abrindo vaga para o 1º suplente se tornar senador interino por um longo período.
Os desdobramentos da sua manifestação dirão o que está, de fato, por trás da sua proposta ao União Brasil.
São Luís, 24 de Abril de 2026.
