PT vai definir rumo na sucessão estadual e Camarão pode ser candidato a governador ou a senador

Dividido, PT maranhense pode se mobilizar em torno de Felipe
Camarão (centro) como candidato a governador ou a senador

O PT finalmente caminha para uma definição em relação à corrida sucessória no Maranhão e também para resolver o futuro do vice-governador Felipe Camarão (PT). O caminho para o posicionamento do partido no estado será a agenda a ser cumprida pelo seu presidente, Edinho Silva, e de ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, que conversarão na próxima quinta-feira com o governador Carlos Brandão (sem partido), e a reunião do Diretório Nacional no fim da semana. De acordo com a previsão do próprio vice-governador, até no início da semana que vem o PT terá decidido se terá candidato próprio ao Palácio dos Leões – no caso o vice-governador – ou fará uma aliança em torno de outro candidato, tendo o Felipe Camarão como candidato a senador.

O anúncio dessa agenda foi feito pelo vice-governador Felipe Camarão em vídeo no qual ele disse que sonha governar o Maranhão, mas que o seu futuro será definido pelo partido e pelo presidente Lula da Silva (PT). Sereno, sem externar o seu viés oposicionista, Felipe Camarão deixou claro que o seu projeto não é pessoal nem familiar, afirmando que tomará o rumo que o partido e o presidente Lula da Silva indicarem, podendo ser candidato a governador, se a opção for pela candidatura própria, e ou a senador, no caso de uma aliança. Na sua fala, ele não fez qualquer indicação sobre uma possível aliança.

Se a opção do PT for pela candidatura própria ao Governo do Maranhão, Felipe Camarão será o candidato natural do partido, já que não existe outro nome petista de peso pleiteando a vaga de candidato a governador. No caso da candidatura, Felipe Camarão entrar numa corrida já em andamento, com uma nítida tendência de polarização entre Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), segundo todas as pesquisas mais recentes, que mostram ainda Lahesio Bonfim (Novo) na terceira colocação, restando-lhe a quarta posição.

Há quem aposte que, caso seja efetivamente lançado pré-candidato a governador por decisão do comando partidário e do presidente da República, o vice-governador pode ganhar musculatura para brigar com Lahesio Bonfim pela terceira colocação, o que tornaria imprevisível o cenário da briga pelo Palácio dos Leões. Afinal, mais de cinco meses distanciam os candidatos das urnas, o que é tempo suficiente para acontecer de tudo numa disputa pelo cargo de governador. Se vier, de fato, ser candidato a governador, o vice-governador sabe que enfrentará concorrentes fortes.

No caso de uma aliança lhe assegure candidatar-se ao Senado, o futuro dessa candidatura vai depender de quem será o candidato a governador. Se a aliança for com Orleans Brandão, o vice-governador vai brigar com três candidatos às duas cadeiras no Senado – os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT), que buscam a reeleição, e o deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP), que estão no mesmo campo. A aliança, por outro lado, poderá ser firmada com Eduardo Braide, e nesse caso, o vice-governador poderá disputar o Senado em parceria com Eliziane Gama, já que até agora o ex-prefeito de São Luís não se pronunciou sobre a disputa senatorial.

O fato é que, por causa de tudo o que aconteceu nos últimos meses em decorrência do rompimento da base governista maranhense, a situação do PT e, por via de consequência, a do vice-governador Felipe Camarão, é complexa. Primeiro porque o próprio braço maranhense do partido está dividido entre candidatura própria e aliança com outro candidato, que pode ser Orleans Brandão ou Eduardo Braide. No caso do primeiro é difícil visualizar um palanque com os dois pedindo voto um para o outro. E no caso do segundo, é difícil imagina-lo junto com um candidato que tem outro candidato a presidente da República.

Mas como a política é consagrada como a arte de tornar possível o que é aparentemente impossível, não surpreenderá uma decisão conciliatória.    

PONTO & CONTRAPONTO

Orleans Brandão se movimenta para escolher vice na Ilha de São Luís

Arleans Brandão busca vice na Ilha;
Maedja Campos, mulher de
Fred Campos, lidera especulações

Orleans Brandão (MDB) e a cúpula do grupo que o apoia, liderado pelo governador Carlos Brandão (sem partido), iniciou, sem muito alarde, um movimento cuidadoso para encontrar o vice para sua chapa. Pelo que vem correndo nos bastidores, o projeto é encontrar um nome que representa a Ilha de Upaon Açu, a começar por São Luís, onde o ex-prefeito Eduardo Braide aparece como favorito.

Seguindo a tendência de polarização, Orleans Brandão quer um(a) vice para fazer um contrapeso à iniciativa de Eduardo Braide de buscar seu vice em Imperatriz, na região Tocantina, onde escolheu a empresária Elaine Cortez (PSD). Na avaliação do grupo brandonista, a escolha do vice na Capital ou em qualquer dos quatro municípios representará a Grande Ilha.

No final da semana, foi intensa a divulgação de um release, sem origem clara, dando conta de que a primeira-dama de Paço do Lumiar, Maedja Campos (MDB), estaria sendo cogitada. Ela é vista como um braço social do prefeito Fred Campos (PSB), apontado em todas as rodas como um dos mais bem sucedidos entre os atuais líderes municipais do Maranhão.

Se por um lado a sua condição de primeira-dama de Paço do Lumiar, somada à força do prefeito Fred Campos, a torna um nome a ser de fato considerado, por outro existe um ponto que pode comprometer a sua força: o prefeito Fred Campos tem como vice Mariana Brandão (MDB), irmã de Orleans Brandão.

O viés familiar pode ser um entrave, mas esse ponto pode ser deixado de lado se o grupo entender que ele não pesa e que pode valer a pena emplacar Maedja Campos.

Vale registrar que ninguém da cúpula governista fez menção à primeira-dama de Paço do Lumiar ou a nenhum outro nome para vice de Orleans Brandão e que a primeira-dama luminense veio à tona no tal release “plantado”, uma operação que pode dar certo, ou não.

O fato concreto é que o governador Carlos Brandão está trabalhando para encontrar o vice – de preferência uma vice – para Orleans Brandão na Ilha de São Luís.

Lahesio tenta emplacar discurso ideológico, mas tropeça nos conceitos correndo o risco de tombar

Lahesio Bonfim: confusão ideológica

Alguma coisa está errada no discurso e na postura ideológica de Lahesio Bonfim, pré-candidato do Novo ao Governo do Estado e terceiro colocado na preferência do eleitorado, segundo as pesquisas mais recentes. Ele se declara de direita, o que é absolutamente normal, e sataniza a esquerda além do padrão civilizado, mas isso também está no script de todos os candidatos no período eleitoral. Agora usa o viés ideológico para alfinetar Eduardo Braide (PSD), pré-candidato aos Leões.

Um problema é quando ele se posiciona em relação à corrida presidencial. Não dá para esconder a sua expectativa de vir a ser apoiado por Flávio Bolsonaro (PL), que representa a grande bolha da direita radical, simpatizante de golpes militares e de regimes de força, que tem como referência Donald Trump, aspirante a ditador que vem tentando desmontar a democracia liberal norte-americana.

Já em relação ao candidato do seu partido à presidência da República, o ex-governador mineiro Romeu Zema, que é um político de direita com perfil liberal de viés democrático, Lahesio Bonfim não tem mostrado muito entusiasmo. Exemplo: não fez qualquer comentário ou referência ao plano de governo de Romeu Zema, anunciado pelo próprio, na semana passada, com larga repercussão.

Essas provocações sobre viés ideológico parecem mais uma estratégia para chamar a atenção. Isso porque não dá mais para alguém se rotular pura e simplesmente de direita e de esquerda. Esses dois campos ganharam grande pulverização.

Hoje, um político que simplesmente se declara de direita pode ser olhado como um liberal, que respeita a Constituição, a estrutura institucional e defende a alternância do poder na democracia, como o presidente francês Emmanuel Macron. Mas pode também ser enxergado como um radical antidemocrático, inimigo das instituições democráticas, que defende regime de força e, se puder, golpeia o estado democrático de direito para permanecer no poder mesmo sem ter sido eleito, exemplo dado ao mundo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que só não consumou a trama golpista porque os chefes militares não concordaram.

Lahesio Bonfim fala muito sobre postura ideológica, mas diz tão pouco que ao se rotular como de direita, pode ser visto como um liberal democrático e também como um radical golpista.

É preciso que ele seja mais preciso no seu discurso ideológico.

São Luís, 21 de Abril de 2026.

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