Porta-vozes da extrema-direita, Maura Jorge e Coronel Monteiro medem força para representar Bolsonaro no Maranhão

 

Maura Jorge mostrou empolgação no encontro com Jair Bolsonaro, que também almoçou com um entusiasmado Coronel Monteiro
Maura Jorge mostrou empolgação no encontro com Jair Bolsonaro, que também almoçou com Coronel Monteiro

Poucas vezes a crônica política registrou um movimento tão surpreendente como o da ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge, pré-candidata do Podemos ao Governo do Estado, na semana passada. Às vésperas do lançamento do senador paranaense Álvaro Dias como candidato do Podemos a presidente da República, ela se reuniu em Brasília com ninguém menos que o deputado federal fluminense Jair Bolsonaro (PSC), também pré-candidato a presidente. Na sexta-feira, quando a candidatura de Álvaro Dias foi lançada, Maura Jorge não compareceu, preferindo participar de um evento da União da Direita Maranhense, lançado recentemente com o apoio do coronel reformado José Ribamar Monteiro, que há tempos vem se apresentando com o chefe do braço bolsonarista no Maranhão. Independente de onde seus porta-vozes podem chegar, o fato é que a extrema direita começa a mostrar sua cara no cenário político do Maranhão, sendo parte dela, no caso a ex-prefeita de Lago da Pedra, identificada com o Grupo Sarney.

A julgar pelo que corre nos bastidores, a ex-prefeita – que foi também deputada estadual e integrante de proa de governos de Roseana Sarney (MDB) -, está avaliando na verdade três caminhos. O primeiro é migrar para o PSC, se enquadrar como braço de Jair Bolsonaro no Maranhão e, nessa condição, disputar o Governo do Estado defendendo as controversas bandeiras do coronel, que representa a extrema direita. O segundo é permanecer no Podemos e se candidatar mesmo ao Governo, abrindo assim espaço para a candidatura do senador Álvaro Dias no Maranhão. E o terceiro é se lançar à Câmara Federal pelo Podemos.

Ao relaxar o lançamento da candidatura de Álvaro Dias – que no ano passado veio ao Maranhão e incensou o projeto eleitoral da ex-prefeita de Lago da Pedra -, Maura Jorge fez um movimento seletivo. Avaliou que entre Álvaro Dias e Jair Bolsonaro será mais cômodo e produtivo para ela aliar-se ao coronel, independente de ele representar o que há de mais perigoso para a estabilidade e consolidação do processo democrático no Brasil. Para ela, que agora se apresenta como a encarnação da direita do Maranhão, musa que é agora da União da Direita Maranhense (UDM), movimento que defende a candidatura do coronel da reserva José Ribamar Monteiro, que se apresenta como o chefe maior do bolsonarismo no Maranhão, se lançando candidato a governador com o seu aval.

Mas nem tudo são flores nesse ainda confuso e impreciso micromundo da extrema-direita no Maranhão. Tão logo tomou conhecimento de que Maura Jorge reuniu-se com Jair Bolsonaro – com direito a foto e tudo mais -, o Coronel Monteiro, como é conhecido, reagiu irritado, chamando a ex-prefeita de “oportunista”. Além disso, acusou o Grupo Sarney de estar usando Maura Jorge para funcionar como um canal de interlocução com Jair Bolsonaro, o que é negado por ela. Nesse clima, Coronel Monteiro vem mandando recados quase diários de que é ele o chefe do bolsonarismo no Maranhão e que, nessa condição, é o candidato ao Governo do Estado que falará em nome do presidenciável, não admitindo, em qualquer hipótese, pelo menos por enquanto, que outro pretendente tome seu lugar.

É verdade que o encontro de Maura Jorge com Jair Bolsonaro causou frisson na extrema-direita maranhense, e não há dúvida de que entre ela e o Coronel Monteiro, o presidenciável pareceu inclinado a tê-la como aliada no Maranhão.  Mas um acordo entre os dois só será viável se ela deixar o Podemos e ingressar no PSC, porque se permanecer no partido, será duramente instada a se alinhar à campanha de Álvaro Dias, um político de centro que joga duro contra seus adversários. A ex-prefeita de Lago da Pedra tem ate o dia 7 de abril para resolver essa parada, sabendo que se permanecer no Podemos terá de vender o peixe de Álvaro Dias Maranhão a fora. Se resolver bandear-se de vez para Jair Bolsonaro, terá de deixar o Podemos e se converter ao PSC.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Destaque

Com a entrega do 10º Ecoponto, o prefeito Edivaldo Jr. avança na limpeza urbana e no tratamento dos resíduos sólidos

Observado por assessores e pela primeira-dama Camila Holanda (atrás do prefeito), Edivaldo Jr. inaugura o Ecoponto Anil
Observado por assessores e pela primeira-dama Camila Holanda (atrás do prefeito), Edivaldo Jr. inaugura o Ecoponto Anil, e avança na melhoria da limpeza urbana

Cinco anos depois de haver assumido o desafio de dar a São Luís um serviço eficiente de limpeza urbana, o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) inaugurou o Ecoponto Anil, o 10º equipamento de coleta seletiva implantado pela Prefeitura de São Luís em sua gestão. E anunciou a construção de mais 10 unidades e dois galpões de triagem para as cooperativas de reciclagem, reafirmando São Luís como polo destacado nacional no cumprimento da Lei 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Mas antes de explicar melhor o que está acontecendo, vale lembrar de onde a Capital está vindo nesta área. Em abril de 2002, o então prefeito Jackson Lago (PDT), já consagrado como um dos seus grandes prefeitos, decidiu disputar o Governo do Estado e entregou o comando de São Luís ao seu vice, Tadeu Palácio (PDT). Saiu, porém, deixando um enorme problema: a Capital estava tomada pelo lixo, uma calamidade pública causada por uma série de fatores, entre eles a falência completa da Coliseu, a estatal que limpava a cidade. Aconselhado pelo próprio antecessor, o prefeito Tadeu Palácio decretou estado de emergência, terceirizou a limpeza urbana, e contratou, sem licitação, a empresa paraibana Lipater, que já operava em Imperatriz. Independentemente da improvisação e das graves falhas legais na contratação, Tadeu Palácio operou uma mudança radical na coleta do lixo urbano. Quando, seis anos depois, passou Governo municipal ao prefeito João Castelo (PSDB), em Janeiro de 2009, a cidade permanecia sob o mesmo estado de emergência e com o sistema em crise, situação que continuou na nova gestão. Quando assumiu, em janeiro de 2013, o prefeito Edivaldo Jr. (PTC) encontrou o sistema à beira do colapso, com as empresas ameaçando romper contratos por falta de pagamento e com o Aterro da Ribeira a totalmente defasado. Nos dois primeiros anos, se desdobrou para manter o serviço funcionando, e nos dois últimos anos do primeiro mandato, começou a reverter o quadro dramático que encontrara. Foram meses difíceis, quase dramáticos, mas São Luís saiu deles com uma nova política de limpeza pública e armazenamento e tratamento das milhares de toneladas de resíduos sólidos que produz a cada ano.

Com a inauguração do Ecoponto Anil, a gestão Edivaldo Jr. amplia para mais de 90 o número de bairros atendidos pela política de implantação desses equipamentos de coleta seletiva. Os investimentos vão desde a eliminação dos pontos de descarte irregular de lixo até as políticas de educação ambiental da população.

Além da implantação dos Ecopontos, um dos marcos da gestão do pedetista foi a desativação do Aterro da Ribeira, ocorrida em 2015, que por mais de 20 anos operou recebendo todos os resíduos domésticos coletados na capital. Atualmente a destinação do lixo orgânico de São Luís é a Central de Tratamento de Titara, devidamente licenciada, localizada em Rosário. Com esses avanços, a Capital é hoje apontada como exemplo pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

– São Luís seguirá avançando a passos largos, tornando-se uma cidade mais bonita, limpa e consciente – garantiu o prefeito.

 

Waldir Maranhão pressionada por senatória, mas quer mesmo é se reeleger deputado federal

Waldir Maranhão pressiona por senatória de olho na reeleição
Waldir Maranhão pressiona por senatória de olho na reeleição para a Câmara

São fortes os rumores de que o deputado federal Waldir Maranhão (Avante), pode migrar para o PT e ser indicado pelo partido para a segunda vaga de senador na chapa a ser liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB). Seria uma espécie de “acerto de contas” pelas decisões, ao mesmo tempo bombásticas e inócuas, tomadas pelo então presidente interino da Câmara Federal em meio à guerra política travada no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Se vier a patrocinar essa manobra, o PT pode atropelar a deputada federal Eliziane Gama (PPS), que desponta nas pesquisas como nome forte para o Senado e comprometendo o projeto senatorial do deputado federal Weverton Rocha (PDT). Interlocutores de Waldir Maranhão dizem que ele está como “um pote cheio de mágoas” e determinado a levar à frente seu projeto de disputar o Senado, se possível pelo PT. Há, porém, que interprete essa postura “magoada” do parlamentar como uma estratégia cuidadosamente urdida para tornar viável o difícil projeto de renovar o mandato na Câmara Federal, seja pelo PT, seja pelo Avante. O fim da janela partidária, no dia 7 de Abril, revelará as intenções do ex-presidente interino da Câmara Federal.

São Luís, 26 de Março de 2018.

 

3 comentários sobre “Porta-vozes da extrema-direita, Maura Jorge e Coronel Monteiro medem força para representar Bolsonaro no Maranhão

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