Murad é alvo de nova acusação de desvio no Saúde é Vida e mantém sua guerra particular contra o Governo

 

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Ricardo Murad é alvo de mais uma acusação de desvio no programa saúde é Vida

O programa Saúde é Vida, que foi a maior vitrine de eficiência do último período de Governo de Roseana Sarney (PMDB), continua produzindo dores de cabeça para ela e para o seu idealizador e executor, o ex-deputado e ex-todo-poderoso secretário de Estado da Saúde Ricardo Murad. Depois de ser alvo de um rosário de acusações, entre elas a em que foi acusado, de malversar, com a conivência da chefe do Executivo, nada menos que R$ 151 milhões, a Procuradoria Geral do Estado acaba de disparar mais um petardo na sua direção. De acordo informações divulgadas pelo bem informado blog do jornalista Raimundo Garrone, a PGE protocolou na Justiça denúncia em que afirma que o então secretário Ricardo Murad e mais 15 assessores e servidores da Saúde teriam desviado R$ 13,3 milhões na reforma do PAM Diamante. A denúncia afirma que Ricardo Murad tem responsabilidade direta no desvio de R$ 3,3 milhões, sendo o restante dividido entre os assessores e servidores beneficiados no esquema de desvio.

Quando se instalou e começou a se movimentar, o atual Governo  emitiu sinais claros de que usaria todos os mecanismos e instrumentos legais ao seu alcance e dispor para investigar minuciosamente as suspeitas de malfeitos do Governo anterior, criando, também com esse objetivo, a Secretaria de Transparência e Controle, sob o comando do jovem e bem articulado advogado Rodrigo Lago, membro destacado na mais nova geração de adversários políticos do Grupo Sarney.

Desde que assumiu o posto e estruturou sua máquina investigadora, Lago e sua equipe de auditores e fiscais vêm vasculhando, palmo a palmo, indícios de malfeitos do governo anterior, esquadrinhando, com atenção redobrada, as ações do Saúde é Vida, o megaprograma cujo objetivo principal era dotar o Maranhão de uma rede de 71 hospitais, sendo quatro macrorregionais de grande porte e equipados para atendimento de alta complexidade, 15 regionais de 50 leitos e 52 municipais de 20 leitos, a um custo finais de mais de R$ 1,1 bilhão, financiados com o mega empréstimo negociado pela governadora Roseana Sarney com o BNDES, com o aval da presidente Dilma Rousseff (PT). O novo governo estava certo de que o Saúde é Vida, tocado por Murad com a independência, a autonomia, a dinâmica e a desenvoltura de um governo paralelo, seria terreno fértil em falcatruas, capazes de mandar o ex-secretário de Saúde e a ex-governadora para a cadeia. Não foi exatamente o que aconteceu.

Um ano e meio depois, o grande escândalo eclodiu. É verdade que os investigadores do Governo encontraram o que seriam sinais de desvios, que foram investigados a fundo e permaneceram como traços suspeitos e capazes de colocar o ex-secretário Ricardo Murad contra a parede. Os movimentos da PGE, do Ministério Público Estadual e Federal e das policias Civil e Federal pressionaram fortemente o ex-secretário de Saúde, levando-o a depor durante horas a delegados persistentes. Já neste ano, Murad foi levado coercitivamente para depor na Polícia Federal e passou alguns dias atormentado por fortes rumores de que a prisão preventiva dele seria decretada a qualquer momento.

Mesmo sob pressão cerrada, investigações intensas e acusações fortes, Ricardo Murad tem reagido como se estivesse num campo de batalha, contra-atacando nas redes sociais, em jornais e emissoras de rádio e por meio da sua minúscula mas aguerrida bancada na Assembleia Legislativa, cujos integrantes, sua filha, deputada Andrea Murad (PMDB), e seu genro, deputado Souza Neto (PTN), transformaram a tribuna numa espécie de trincheira, de onde atacam o Governo e rebatem os ataques que partem das hostes governistas. Organizado, bem articulado, ousado e já tarimbado, Ricardo Murad lutado contra acusações, e depois que prestou depoimentos às Polícias Civil e Federal, quando sentiu de perto e concretamente a possibilidade de perder a liberdade que tanto preza, resolveu arquivar temporariamente projetos políticos imediatos para se dedicar integralmente à sua defesa nos vários inquéritos em curso, incluindo esse mais recente.

O Governo não tem dado trégua e mantém as acusações e as investigações sobre ex-secretário Ricardo Murad, que por sua vez mantém a mantém a denúncia não muito consistente de que é um perseguido político. É lógico que num determinado momento essa guerra vai terminar, mas até agora não é possível dizer quem sairá melhor, porque até aqui o Governo não conseguiu provar por A mais B que o Ricardo Murad desviou dinheiro público, nem o ex-secretário de Saúde conseguiu liquidar as suspeitas que rondam sua gestão no coimando da Saúde estadual.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Vice de Eliziane Gama deve sair dos quadros do PSDB
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Eliziane Gama deve ter um tucano como seu vice

A deputada Eliziane Gama (PPS) deve acertar neste final de semana a composição da sua chapa. Ele tem se movimentado intensamente em busca de alianças partidárias, mas até agora o único parceiro que encontrou foi o PSDB, que sufocou três pré-candidaturas – o deputado federal e ex-prefeito João Castelo, o deputado estadual Neto Evangelista e o deputado estadual Sérgio Frota – para lhe declarar apoio. E tudo indica que o seu companheiro de chapa sairá naturalmente dos quadros tucanos. Nos bastidores, há quem diga que a candidata popular-socialista trabalha com duas opções: a ex-deputada estadual Gardeninha Castelo e o ex-deputado federal e atual suplente de senador Pinto Itamaraty. Existe uma possibilidade, muito remota, de uma aliança envolvendo o PMDB tendo o vereador Fábio Câmara como vice, mas essa fórmula, além de desagradar fortemente ao candidato pemedebista, causaria um mal-estar e até um rompimento com o PSDB, já que o presidente do partido, vice-governador Carlos Brandão, dificilmente apoiaria a chapa sem a presença de um tucano. Mas como a política é imprevisível – quem imaginou a evangélica Eliziane Gama militando na esquerda? -, pode acontecer uma surpresa.

Lobão Filho arquiva projetos políticos imediatos
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Lobão Filho adia projetos políticos imediatos

O suplente de senador Lobão Filho (PMDB) arquivou dois projetos no campo político. O primeiro foi sair definitivamente da ciranda que move a disputa para a Prefeitura de São Luís. O outro foi adiar sua volta ao Senado para cobrir licença a ser pedida pelo senador Edison Lobão (PMDB). A pré-candidatura à Prefeitura de São Luís na verdade nunca existiu, apesar das várias e fortes declarações que ele deu quando ainda havia tempo de viabilizá-la politicamente e dentro do seu partido. Depois que viveu a experiência amarga de disputar o Governo do Estado como candidato-tampão contra o então deputado federal Flávio Dino, um candidato que já estava há dois anos em campanha, ele avaliou que a situação poderia se repetir na eleição de São Luís. Em relação à assumir o Senado, possibilidade que o entusiasmou, vozes mais experientes da política o aconselharam adiar o projeto, devido à possibilidade de o senador Edison Lobão vir a ser prejudicado  por causa da Operação Lava Jato. Lobão Filho vai continuar cuidando dos seus negócios, devendo dedicar seus esforços na campanha da sua mulher, a apresentadora Paulinha Lobão, por uma cadeira na Câmara Municipal.

São Luís, 21 de Julho de 2016.

 

 

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