O dia de ontem marcou para sempre o braço maranhense do PSDB, primeiro por conta de uma renúncia surpreendente, e depois por conta de um retorno igualmente inesperado. A renúncia foi protagonizada pelo ex-deputado federal (quatro mandatos), ex-prefeito de Imperatriz (dois mandatos), Sebastião Madeira, chefe da Casa Civil e que se desfiliou do ninho dos tucanos, entregou as chaves ao presidente nacional Aécio Neves e migrou para o MDB, para tentar mandato de deputado estadual. O retorno coube ao ex-deputado estadual, ex-deputado federal, ex-vice-prefeito de São Luís e ex-senador Roberto Rocha, que fora tucano por muitos anos, presidiu o partido no Maranhão, fez incursões por várias legendas, mas, diante da decisão de Sebastião Madeira de deixar o ninho, voltou ao muro para ser candidato de novo a senador e montar palanque para Flávio Bolsonaro (PL) no Maranhão.
Poucas vezes a animada, e às vezes tumultuada, vida partidária maranhense registrou um episódio como o de ontem.
Um dos fundador do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) no plano nacional e no Maranhão, juntamente com o ex-deputado federal Jaime Santana, em 1988 – há 38 anos, portanto, Sebastião Madeira ganhou e assumiu a identidade tucana como poucos, motivado pelo projeto de implantação de uma democracia social no Brasil. Viveu todos os altos e baixos da agremiação no estado, sem deixar de se dedicar integralmente à sua preservação. Tanto que assumiu sua presidência há dois anos, se desdobrando para torna-lo forte no estado. Não deu, e sua saída encerrou a era primeira da história do PSDB no estado.
A migração para o MDB foi o resultado de um jogo de pragmatismo político. Sem força no plano majoritário – presidente, governador e senador – na base governista, nem na seara proporcional -deputado estadual e deputado federal -, o PSDB se tornou um fator de risco para o próprio Sebastião Madeira, com a possibilidade de uma boa votação, mas sem cociente eleitoral (número de votos) para garantir uma vaga na Assembleia Legislativa. Daí a migração para o MDB, onde entrará em condições de igualdade com vários candidatos fortes, com a certeza de que, se bem votado, terá muito mais chances de chegar ao parlamento estadual. Jogou certo.
Se vinha sendo um peso e um fator de risco para Sebastião Madeira, o PSDB caiu com o uma luva nas mãos do ex-senador Roberto Rocha. Ele vinha procurando um partido à direita, chegou a conversar como Novo, para fazer uma dobradinha com a candidatura de Lahesio Bonfim ao Governo, mas as exigências do partido impediram o avanço das negociações. O PSDB, que lhe foi oferecido pela cúpula nacional, foi um presente político, uma vez que, ao retornar para os seus quadros, o ex-senador se sente em casa, uma vez que conhece os líderes e as entranhas da agremiação.
Mesmo sabendo que o PSDB é um partido a caminho da extinção, neste exato momento o PSDB, cujo braço maranhense foi bem organizado por Sebastião Madeira, Roberto Rocha sabe também que é tudo o que ele precisava para viabilizar sua candidatura ao Senado. Dará ao partido o destino que bem entender, podendo lançar ou não candidato a governador, fazer aliança com outras candidaturas, ou, se preferir, entrar na briga eleitoral apenas com a sua candidatura ao Senado, independente de alianças ou qualquer tipo de amarra. É provável que lance o filho, o ex-vereador Roberto Rocha Filho, à Câmara Federal pela legenda.
Não há dúvida de que Sebastião Madeira desembarca no MDB com cacife para estar entre os candidatos, entre eles vários candidatos à reeleição, com chances reais de chegar à Assembleia Legislativa. Ninguém duvida também de que, ao resolver a sua questão partidária, livrando-se da refrega que se dá nos partidos com inclinação bolsonarista, o ex-senador Roberto Rocha entra de vez na corrida ao Senado, com poder de fogo para desequilibrar a disputa até aqui.
PONTO & CONTRAPONTO
Roberto Rocha e Detinha ampliam corrida ao Senado, que pode ter outros nomes de peso

de Roberto Rocha e, possivelmente, de Detinha, e todos são
pressionados pela “sombra” de Iracema Vale,
Roseana Sarney e Carlos Brandão
A definição partidária do ex-senador Roberto Rocha, que retomou o comando estadual do PSDB, despeja grande quantidade de combustível inflamável na corrida às duas vagas no Senado, as quais eram disputadas até aqui pelos senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD), que pleiteiam a reeleição, e pelo deputado federal e atual ministro do Esporte André Fufuca (PP).
Com o ex-senador confirmando participação na guerra eleitoral, o cenário ganha tinturas de incerteza, pelo menos em relação a uma vaga, já que a outras tem Weverton Rocha com maior preferência, segundo todas as pesquisas. Em levantamentos mais recentes, Roberto Rocha aparece em segundo, jogando doses fortes de insegurança nas pretensões de André Fufuca e Eliziane Gama – e até mesmo nos planos de Weverton Rocha.
Esse quadro evoluiria normalmente para uma guerra renhida entre os quatro pretendentes se não fossem as pesadas sombras causadas pelos rumores que apontam possibilidade de candidaturas poderosas, como a da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), da deputada federal Roseana Sarney (MDB) e, numa hipótese muito remota – mas admissível em se tratando de política – do governador Carlos Brandão.
Não bastasse a sombra dos três, a cúpula nacional do bolsonarismo quer a deputada federal Detinha (PL), campeã de votos para a Câmara Federal em 2022, como candidata ao Senado, o que pode alterar ainda mais o cenário, que que, se vier mesmo a ser candidata, entrará com o peso do grupo liderado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL).
Avaliações feitas em diferentes rodas e ambientes levam à mesma conclusão: individualmente ou em grupo, os quatro têm cacife para mudar as tendências da disputa senatorial. Os quatro candidatos assumidos sabem disso, e trabalham intensamente para que a corrida fique mesmo somente entre eles.
O problema é com Detinha no jogo e faltando ainda 37 dias para o decisivo 04 de abril, que é data-chave em qualquer eleição, tudo pode acontecer a partir de uma conversa definitiva do governador Carlos Brandão (sem partido) com o presidente Lula da Silva (PT) sobre a corrida ao Palácio dos Leões.
Lahesio sofre reveses e diminui a intensidade da sua pré-campanha
Algo fora do eixo pode estar tirando da rota a candidatura de Lahesio Bonfim (Novo). Ele vem amargando uma série de pequenos contratempos, que o fez tirar o pé do acelerador na sua pré-campanha, que vinha acontecendo num estilo arrojado, como é do seu feitio.
Para começar, há pouco mais deu mês ele declarou à Coluna que o ex-senador Roberto Rocha assinaria ficha no Novo e que os dois fariam uma dobradinha “para ganhar as eleições”. Roberto Rocha desembarcou de volta no PSDB.
Recentemente, a movimentação do governador de Minar Gerais, Romeu Zema (Novo), me direção da presidência da República inflamou o clã Bolsonaro, que vem escanteando o líder mineiro, e por via de consequência, tirando Lahesio Bonfim da lista de prováveis aliados.
Lahesio Bonfim tentou atrair o bolsonarismo para sua candidatura dando à vereadora do PL de São Luís, Flávia Berthier, oferecendo-lhe vaga de candidata ao Senado, dando-lhe uma importância política que ela não tem, e acabou se dando conta de que a estratégia não funcionaria.
Terceiro colocado nas pesquisas que incluem o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) como candidato, e segundo quando a disputa se dá entre ele e o pré-candidato do MDB, Orleans Brandão, Lahesio Bonfim parece encontrar-se num momento de transição ou de ajuste da sua candidatura, que até agora está garantida pelo Novo.
São Luís, 27 de Fevereiro de 2026.

