Incertezas continuam agitando os partidos na escolha dos candidatos às duas vagas no Senado

 

Weveerton Rocha, Edison Lobão, Sarney Filho parecem consol,idados, enquanto Eliziane Gama e José Reinaldo tentam definição
Weverton Rocha, Edison Lobão, Sarney Filho parecem consolidados, enquanto Eliziane Gama e José Reinaldo tentam definição na guerra pelas vagas no Senado

Ainda no final do ano passado, a Coluna previu que a eleição para duas das três cadeiras do Maranhão no Senado seria mais tensa e disputada do que até mesmo a do governador. O desenrolar dos fatos confirma a previsão, à medida que até aqui as correntes que se preparam para as eleições majoritárias ainda não definiram, de maneira consolidada, seus candidatos a senador, embora já tenham nomes que já se dizem escolhidos, e ponto final. A aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) já tem acertada a candidatura do deputado federal Weverton Rocha (PDT), e está em busca do segundo nome, que deve ser a deputada federal Eliziane Gama (PPS). O Grupo Sarney já tem em campanha aberta para as vagas o senador Edison Lobão (MDB) e o deputado federal Sarney Filho (PV ou PSD), embora aqui e ali o cenário desse campo seja encoberto por dúvidas em relação a um ou outro. Numa terceira frente, o ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares está em busca de um partido para viabilizar sua candidatura, podendo fazê-lo pelo DEM ou pelo PSDB. As incertezas em relação à corrida senatorial alcançam até mesmo partidos como o PSOL, que ainda não definiu quem cumprir a tarefa.

No campo situacionista, o governador Flávio Dino vem se desdobrando para ter dois companheiros de chapa competitivos e viáveis e que representem a geração que chegou com ele ao poder. Nesse sentido, tem evitado usar o seu poder para ungir nomes da sua preferência, optando por apoiado quem se viabiliza politica e eleitoralmente. Essa linha de comando abriu caminho para o deputado federal Weverton Rocha (PDT), que por uma mistura eficiente de ousadia e competência, construiu e consolidou sua pré-candidatura, tornando seu projeto indiscutível, viável e avalizado pelo líder da aliança. A segunda vaga poderia ter sido ocupada pelo ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares, mas uma série de erros táticos, atropelos e desgastes inviabilizou a caminhada. E como o processo pré-eleitoral é dinâmico e implacável, a deputada federal Eliziane Gama ocupou o espaço com competência e movida por um potencial eleitoral surpreendente, de modo a tornar-se o nome adequado para a segunda vaga, devendo ganhar o aval do governador Flávio Dino, que deve fechar sua chapa sem maiores problemas.

No Grupo Sarney se move ainda muito marcado por dúvidas, que atingem até mesmo o projeto da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) de voltar ao poder. Em princípio, o deputado federal Sarney Filho (PV, podendo mudar para o PSD), ocupou e fincou estaca da primeira vaga, não deixando que sua candidatura fosse sequer discutida na cúpula do Grupo, onde há quem duvide do sucesso eleitoral de uma chapa majoritária com dois Sarney. A outra vaga foi igualmente ocupada pelo senador Edison Lobão (MDB), que decidiu concorrer à reeleição sem dar qualquer chance para que seu projeto fosse discutido. Assim, o Grupo começa a se movimentar com dois candidatos que se impuseram por conta própria, sem permitir para que seus projetos fossem sequer avaliados. Há notícia de um questionamento aqui, um mal-estar ali, mas episódios sem  repercussão ou impacto na montagem da chapa.

O projeto senatorial mais e rumoroso até aqui é mesmo o do ex-governador José Renaldo Tavares. Para lembrar: ele pretendia ser o segundo nome na chapa do governador Flávio Dino, mas a sua pretensão se perdeu no descaminho das suas posições e atitudes, que o levou ao rompimento político com o governador Flávio Dino. No momento, o ex-governador tem dois caminhos: filiar-se ao DEM e obter o aval para se candidatar a senador, ou virar tucano e concorrer ao Senado em dobradinha com o senador Roberto Rocha, candidato a governador. Se optar pelo DEM, terá de aguardar o rumo que o partido tomará no Maranhão depois que lançou o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM) como pré-candidato a presidente da República. Se optar pelo PSDB, será candidato sem problemas. Tem, portanto, um longo caminho pela frente.

Entre os pequenos partidos, o PSOL é até agora o único que abriu discussão  em relação às duas vagas de candidato na chapa que será liderada pelo professor Odivio Neto, que disputará o Palácio dos Leões. Os pré-candidatos ao Senado são o líder sindical Raimundo Noleto e a professora universitária Fernanda Sueli. O partido vai discutir a composição da chapa no final de março, podendo confirmar ou não os dois pré-candidatos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Cleomar Tema será linha de frente na campanha de Flávio Dino e Weverton Rocha, mas também apoiará José Reinaldo

Cleomar Tema se posiciona em relação à disputa para o Senado
Cleomar Tema se posiciona em relação à disputa para o Senado

Uma das vozes políticas mais influentes no Maranhão atual, Cleomar Tema (PSB), prefeito de Tuntum e presidente da Federação dos Municípios (Famem), que vem liderando um amplo movimento para respaldar politicamente a candidatura do ex-governador José Reinaldo Tavares ao Senado, tomou posição definitiva: continuará na linha de frente do movimento pela reeleição do governador Flávio Dino, apoiará s candidatura do deputado federal Weverton Rocha como primeiro candidato da aliança ao Senado, mas apoiará também a candidatura do ex-governador, independentemente do partido pelo qual se candidatar. Conhecido no meio político pela maneira correta como cumpre os compromissos políticos que assume, Cleomar Tema é aliado incondicional do governador Flávio Dino, devendo se dedicar integralmente à sua campanha pela reeleição, assim como à campanha de Weverton Rocha para o Senado. Da mesma maneira atuará em apoio à candidatura de José Reinaldo ao Senado, sob o argumento de que se trata de uma posição pessoal de reconhecimento da atuação do ex-governador em relação aos municípios. “Meu palanque é o palanque do governador Flávio Dino e do deputado Weverton Rocha, mas não posso também deixar de apoiar o ex-governador José Reinaldo”, diz o presidente da Famem, lamentando o afastamento do ex-governador do atual governador. Adepto intransigente da regra política segundo a qual o que vale em política é a palavra empenhada, o prefeito de Tuntum conversou com o governador Flávio Dino, com Weverton Rocha e com seus principais aliados, para comunicar-lhes sua decisão.

 

Rede de Marina Silva não achou rumo e está se desfazendo no Maranhão

Marina Silva parece não ter interesse de manter a Rede no Maranhão
Marina Silva parece não ter interesse de manter a Rede no Maranhão

Por falta de lideranças capazes de consolidá-lo e incluí-lo no quadro político do estado como uma alternativa partidária saudável e viável, o braço maranhense da Rede Sustentabilidade, partido criado pela ex-senadora Marina Silva para ser a base do seu projeto de se tornar presidente da República, está se desfazendo no Maranhão. Esse auto desmonte veio à tona na forma de uma Carta Aberta por meio da qual 141 filiados ao partido anunciam que estão abandonando-o.

Na sua Carta Aberta, os filiados justificam a desfiliação com vários argumentos, sendo o principal deles a inconsistência ideológica da sua fundadora, que de expoente destacada da esquerda brasileira, vem sofrendo transformações, dando algumas guinadas à direita. Ficou contra a presidente Dilma Rousseff (PT), tendo apoiado a sua cassação, e já manifestou identificação com algumas medidas do o presidente Michel Temer (MDB), não tendo também tomado posição sobre o quadro político no Maranhão. E para complicar mais ainda, alegam que o comando da rede não respeita mais o confronto das ideias, que pareceu ser a motivação maior da criação do partido.

A Rede viveu alguns momentos no Maranhão. Um deles foi a possibilidade de ter em seus quadros a deputada federal Eliziane Gama, que se dispôs a deixar o PPS e se filiar ao partido, desde que o comando estadual lhe fosse entregue, o que não aconteceu. Depois, o braço maranhense do partido esteve praticamente nas mãos do então juiz Marlon Reis, que chegou a cogitar lançar-se candidato a uma das vagas do Senado. O projeto não evoluiu e ele transferiu seu domicílio eleitoral para o Tocantins, onde assumiu o comando do partido e se lançou candidato a governador.

Com o movimento de desfiliação, o futuro da Rede no Maranhão é, no momento, rigorosamente incerto.

São Luís, 09 de Março de 2018.

 

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