Escolha de vice terá peso no projeto da maioria dos candidatos à Prefeitura de São Luís.

 

trio ternura
Edivaldo Jr., Eliziane e Castelo: diferenças em relação a vice

Escolha de candidatos à vice terá peso importante na montagem das chapas para as eleições de outubro à Prefeitura de São Luís. Os pré-candidatos assumidos até agora são donos de expressivos cacifes políticos e eleitorais, mas, curiosamente, nenhum dispõe de força suficiente para confiar no próprio taco, escolher um vice da sua confiança e se lançar em voo solo. Todos dependem de aliançar, às vezes estranhas, para consolidar suas candidaturas, e desses acordos partidários sairão seus companheiros de chapa. E cientes desses acordos, os candidatos à vice, via de regra, supervalorizam seus passes e, quase sempre, se transformam em fardos incômodos, quando não ganham a forma de calcanhar de Aquiles.

Escaldado pela complicada experiência de ter tido o hoje senador Roberto Rocha como vice, o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) ainda não tem uma ideia precisa de quem será seu companheiro de chapa na caminhada em busca da reeleição. Mas já está quase definido que seu vice será um nome do PCdoB, escolhido de comum acordo entre ele e o governador Flávio Dino. Inicialmente se especulou que o senador Roberto Rocha teria condicionado seu apoio ao prefeito à indicação do filho, o jovem vereador Roberto Rocha Filho (PSB), mas parece que o PDT fez cara feia e o PCdoB avisou que agora é sua vez de um dos seus quadros como o nº 2 no Palácio de la Ravardière. Nos bastidores especula-se que a chave da escolha do vice do prefeito Edivaldo Jr. está nas eleições gerais de 2018.

No que diz respeito à escolha do candidato a vice, a situação mais complicada é a da deputada federal Eliziane Gama (Rede). Candidata de um partido frágil, que não lhe assegura, por exemplo, uma chapa caseira, a deputada se movimenta intensamente no movediço tabuleiro partidário em busca de uma aliança que lhe garante dois benefícios, suporte político e eleitoral e um vice que tenha forte representatividade ou que, pelo menos, passe á opinião pública de que, caso seja ela eleita, seja ele um aliado confiável, que a ajude a comandar o barco. A lógica sugere que o vice de Eliziane saia dos quadros do PSB, mas, diante do racha no partido, surge uma questão aparentemente insolúvel: da banda comandada pelo deputado José Reinaldo Tavares, que a apoia declaradamente, ou da banda do senador Roberto Rocha, que fala até em ser candidato a prefeito? Eliziane tem naturalmente outras opções de aliança, mas sabe que todas elas incluirão um acordo em torno da vaga de vice.

Se vier a ser candidato, ao contrario de outros candidatos, o deputado federal João Castelo (PSDB) não terá nenhuma dificuldades de assimilar ou “digerir” um candidato à vice que vier a ser indicado por um parceiro numa eventual composição partidária.  Político de larga experiência de cacife próprio, Castelo sabe conduzir essas costuras, a começar por que sabe que, por mais destacado que seja, nenhum vice terá cacife para fazer-lhe sombra. Daí não haver para ele nenhum problema na montagem da sua chapa, pois o que ele precisa mesmo é de um ou mais aliados que reforcem o seu cacife eleitoral sem esquecer que a estrela é o candidato a prefeito e fim de papo.

De um vice forte precisa, por exemplo, o pré-candidato do PMDB, vereador Fábio Câmara, que tem desenvoltura suficiente para cuidar da sua candidatura sem essa preocupação. No Grupo Sarney, já há quem defenda a formação de uma chapa PMDB/PV, em que Câmara será candidato a prefeito e a vereadora Rose Sales à vice. E se Rose Sales vier a ser candidata do PV, como se desenha, ela precisará de um companheiro de chapa que contribua para a sua viabilização política e eleitoral.

Nos partidos menores, o problema do candidato à vice não é, via de regra, um problema, pois a escolha é feita sempre em petit comitê, em conversa de aliados que se conhecem o suficiente para definir nomes sem sobressaltos. No mais, essa será uma guerra restrita aos bastidores, que deve se prolongar por meses a fio, para vir à tona próximo das convenções.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Democratização da comunicação em debate nos Leões
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Edinho Silva e Flávio Dino: afinação na comunicação pública

“A liberdade de imprensa para ser boa, tem de ser para todos”. A frase, dita pelo governador Flávio Dino, parece ter norteado a mesa redonda “Diálogos pela Comunicação”, realizada ontem no Palácio dos Leões com a participação de ninguém menos que o ministro chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Edinho Silva. A reunião, segundo release distribuído pela Secom, debateu temas como o papel da TV pública, das rádios comunitárias e das chamadas mídias alternativas no processo de democratização da informação no Brasil. Pelo que foi informado pela Secom, não houve, de fato, uma discussão propriamente dita, a começar pelo fato de que os participantes pensam na mesma linha, divergindo em detalhes que não fazem diferença alguma. De acordo com o informe da Secom, enquanto o governador pregou que a liberdade de imprensa para ser boa, tem de ser para todos, o ministro Edinho Silva tentou alcançar e dar sentido prático à sentença do governador: “É necessário que a comunicação pública reconheça e se aproprie dos novos modelos de comunicação. A nossa missão é ser o meio pelo qual as esperanças e sonhos das pessoas sejam realidade”, afirmou o ministro. O que será que o ministro quis dizer com “novos modelos de comunicação”? Mais ainda: desde quando comunicar, seja pelos canais usados pela máquina pública ou pelos veículos de mercado, é tornar realidade os sonhos e as esperanças das pessoas? Os pensadores mais coerentes e com os pés mais firmes no chão chegaram á conclusão de que a comunicação pelo processo jornalístico gera consciência e fortalece a base cultural do processo evolutivo e não tem essa natureza boazinha de realizar sonhos. Dá para imaginar a perplexidade que deve ter tomado de conta do mediador do evento, jornalista Robson Paz, secretário de Estado de Comunicação do Governo do Maranhão.

 

Márcio Jerry: couraça reforçada e cacife em crescimento

marcio jerry 2Sem dúvida a figura mais influente e mais controvertida do Governo depois do governador Flávio Dino, o secretário de Articulação Política e Assuntos Federativos e presidente estadual do PCdoB, Márcio Jerry tirou três dias de férias, período iniciado quarta-feira e que deve ser esticado com o fim de semana. Não foi sem razão que os primeiros tremores políticos de 2016 o tiveram como personagem principal. O deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB), ex-governador e aliado de primeira hora do governador Flávio Dino, colocou em xeque sua relação com o governo ao dedicar boa parte de uma bombástica entrevista a criticar duramente a ação política do governo. Traduzidas, as reclamações do ex-governador foram todas dirigidas ao secretario de Assuntos Políticos. Mais recentemente, o presidente estadual do PDT, deputado federal Weverton Rocha, em reunião do seu partido, bateu forte na ação politica do governo, disparando, como José Reinaldo, na direção do presidente do PCdoB. Márcio Jerry, porém, absorveu a pancadaria e não alterou uma frase do seu roteiro, deixando claro que suas concepções políticas foram forjadas em quase três décadas de militância, tempo suficiente para engrossar sua couraça, e que em muitos casos a pancadaria só reforça suas convicções. Em resumo, a impressão que dá é que o secretário de Articulação Política e Assuntos Federativos sai fortalecido de cada episódio politico que o envolve.

 

São Luís, 15 de Janeiro de 2016.

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